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quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

NÃO CHORE SOBRE O VINHO DERRAMADO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT ITRÓ 5786

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Sra. Rachel bat Luna 


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ASSUNTOS DA PARASHAT ITRÓ
  • A chegada de Yitró
  • O Conselho de Yitró
  • Requerimento para a liderança
  • Chegada ao Monte Sinai
  • Preparação para receber a Torá
  • A revelação de D'us
  • Os Dez Mandamentos: 1º Mandamento: Eu sou D'us; 2º Mandamento: Não terá outros deuses; 3º Mandamento: Não falar o nome de D'us em vão; 4º Mandamento: Guardar o Shabat; 5º Mandamento: Honrar pai e mãe; 6º Mandamento: Não matarás; 7º Mandamento: Não cometer adultério; 8º Mandamento: Não roubar (não sequestrar); 9º Mandamento: Não dar falso testemunho; 10º Mandamento: Não cobiçar.
  • Leis sobre a construção de um Altar.
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NÃO CHORE SOBRE O VINHO DERRAMADO - PARASHAT ITRÓ 5786 (06/fev/26)

Estava tudo preparado para o Bar Mitzvá do jovem Itai, que aconteceria em Simchá Torá, na cidade israelense de Sderot. Após meses de preparação, Itai estava feliz que seus amigos e familiares viriam prestigiar sua leitura da Torá na sinagoga. Porém, naquela manhã, todos foram acordados de uma maneira diferente. Os habitantes de Sderot estavam acostumados com sirenes, mas naquele dia havia algo estranho no ar, pois as sirenes não paravam de tocar. Em seguida, barragens de mísseis começaram a cruzar o céu de Sderot. Mas o pior foi quando chegaram as notícias de que terroristas do Hamas haviam se infiltrado na cidade. Era o fatídico dia 7 de outubro de 2023. 
 
O Bar Mitzvá de Itai foi cancelado e, naquela semana, a família de Itai, assim como outros moradores de Sderot, foi transferida e hospedada em um hotel. Itai estava muito triste. Por que isso havia acontecido justamente no dia do seu Bar Mitzvá, para o qual ele havia se preparado tanto? O dia mais esperado de sua vida havia se transformado em uma grande decepção! Por que D'us havia feito isso com ele? Ele não queria brincar com os outros meninos, passava o dia inteiro quieto no seu canto e às vezes chorava. Ninguém conseguia consolá-lo.
 
Certo dia, uma terapeuta voluntária veio ao hotel onde Itai estava hospedado e se ofereceu para atender pessoas que precisavam de apoio psicológico. Disseram a ela que havia no hotel um menino cujo Bar Mitzvá havia sido cancelado e que estava muito mal. Ela sentou-se para conversar com Itai, mas logo ele já estava chorando. Repetia insistentemente a pergunta "Por que justamente a minha festa tinha que ser estragada? Por que mereci isso?". A terapeuta então pediu para ele contar sobre o dia do Bar Mitzvá. Itai começou a contar toda a história, desde o momento em que havia acordado com as sirenes, e acabou mencionando um detalhe muito interessante. Seu tio estava servindo no exército de Israel, mas havia recebido folga naquele Simchá Torá para poder participar do Bar Mitzvá de Itai. E, naquela manhã, por volta das seis da manhã, ele recebeu uma mensagem no seu rádio informando sobre uma invasão do Hamas na região. Imediatamente ele correu para a sinagoga, avisou o Gabai para não abrir as portas e o orientou a mandar todos os frequentadores de volta para suas casas e a procurarem um abrigo seguro, pois haviam terroristas na região. A terapeuta imediatamente interrompeu Itai e disse:
 
- Preste atenção no que você está me contando. Você está triste pois D'us não permitiu que você tivesse seu Bar Mitzvá como você tanto sonhou. Mas D'us te deu algo muito maior! Em mérito do seu Bar Mitzvá, não só a sua família foi salva, mas toda a sua Kehilá de Sderot, simplesmente porque o seu tio estava lá para o seu Bar Mitzvá. Se seu tio não estivesse lá, vocês não teriam a informação preciosa de se trancarem para se proteger. Tudo precisa ser enxergado a partir de um prisma positivo, sabendo que D'us está sempre ao nosso lado, nos protegendo.
 
Ao escutar aquelas palavras, Itai se consolou e voltou a brincar normalmente com seus colegas. Seu Bar Mitzvá não havia sido como ele sonhara, mas havia ajudado a salvar a vida de centenas de pessoas.

Nesta semana lemos a Parashat Itró, que traz um assunto importante: os Dez Mandamentos, entregues por D'us ao povo judeu no Monte Sinai, após a saída do Egito. Porém, a entrega não ocorreu imediatamente, pois foram necessários 49 dias de preparação espiritual para limpar toda a impureza que eles haviam adquirido no Egito.
 
De acordo com o livro Orchot Chaim, todo o corpo das leis da Torá está incluído nos Dez Mandamentos. Isso significa que os Dez Mandamentos são como os "Avot das Mitzvót", isto é, as categorias primárias, assim como as "39 Avot Melachot" em relação às leis de Shabat. Os Dez Mandamentos são, portanto, os "Avot" de toda a Torá. Mas como podemos trazer este conceito para algo mais prático em nossas vidas?
 
Nas leis de Havdalá, o Rav David ben Shmuel HaLevi zt"l (Ucrânia, 1586 - 1667), mais conhecido como Taz, cita o costume de encher o copo antes da Havdalá de modo que o vinho transborde pela borda do cálice. Qual é o motivo desse costume? Nossos sábios mencionam o conceito de "Toda casa na qual o vinho não é derramado como a água não tem sinal de Brachá". Mas o Taz esclarece que certamente nossos sábios não estão nos incentivando a literalmente derramarmos vinho como se fosse água, pois isso seria "Bal Tashchit", a proibição de desperdiçar. Em geral não há Bal Tashchit em relação à água, mas certamente há em relação ao vinho. É inconcebível que fôssemos instruídos a derramar um bom vinho como se fosse água.
 
Explica o Taz que o ensinamento dos nossos sábios é em relação ao nosso comportamento. Quando alguém derrama uma garrafa de água, ele não faz disso um caso. Da mesma forma, se você tem uma garrafa de vinho caro e seu filho a derrama no chão, não faça disso um drama. Quando algo se quebra em sua casa, não perca a calma. Um episódio desses não deve fazer você perder a paciência.
 
Os nossos sábios não estavam falando apenas em relação a uma garrafa de vinho. Os filhos quebram louças, os cônjuges derrubam copos, nós desperdiçamos comidas. Não fique tão transtornado com esse tipo de situação. Mesmo que haja um prejuízo, acidentes acontecem. Se o vinho derramou, o copo quebrou ou a porcelana lascou, não chore por isso. A reação natural das pessoas é se irritar com essas coisas. Os nossos sábios, buscando minimizar essa reação instintiva, disseram: "Toda casa na qual o vinho não é derramado como a água não verá sinal de Brachá". Essa é a atitude correta quando algo derrama, quebra ou estraga. É um mau sinal quando o derramamento de vinho causa mais crise em uma casa do que o derramamento de água.
 
É isso que o Talmud (Sotá 3b) nos ensina: "Rav Chisda disse: 'A raiva em uma casa é como um verme nas sementes de gergelim'". Assim como o verme consome o gergelim, a raiva destrói a estrutura da casa. Da mesma forma que o verme, ao consumir as sementes, causa um prejuízo, assim também alguém perder a cabeça em casa causa um estrago. E a perda não se limita ao valor do que foi quebrado ou danificado, pois se a pessoa perde a calma em casa, D'us também a punirá com mais perdas. Porém, sabemos que uma das características mais marcantes de D'us é que, tanto nos castigos quanto nas recompensas, Ele utiliza Sua característica de Midá Kenegued Midá, isto é, Ele retribui medida por medida. Qual é a Midá Kenegued Midá neste caso?
 
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que quando algo se quebra em uma casa e o dono sofre um prejuízo, se ele tiver Emuná de verdade, reconhecerá que foi D'us quem quis que isso acontecesse. Era a vontade de D'us, de acordo com Seus cálculos abrangentes e perfeitos, que a pessoa sofresse essa perda. Então, por que ficar bravo? Com quem ele está ficando bravo? A pessoa pode se irritar com seu filho ou com seu cônjuge, mas, na verdade, não foram eles a causa verdadeira da perda, e sim apenas instrumentos nas mãos de D'us. Se a pessoa tivesse Emuná verdadeira, se comportaria como David HaMelech quando foi duramente ofendido por Shimi ben Guerá. Quando questionado por que ele não tomava uma atitude mais dura, David respondeu: "Ele está me amaldiçoando porque D'us lhe disse: 'Amaldiçoe David'. Quem pode então dizer: 'Por que você fez isso?'" (Shmuel II 16:10).
 
Nossa atitude diante de um vidro quebrado ou um vinho derramado deve ser a seguinte reflexão: "Por algum bom motivo D'us fez isto acontecer. Se essa perda veio da Mão de D'us, então por que ficar chateado?". Se a pessoa fica brava, é porque pensa que está no controle, acha que é ela que decide e determina seus lucros e prejuízos. D'us então diz: "Eu vou mostrar para você quem está no controle", e traz dificuldades financeiras à casa desta pessoa, para que ela entenda que D'us é a fonte da estabilidade financeira. Por outro lado, se a pessoa não perde a paciência com essas situações e as aceita com serenidade, como sendo algo que estava destinado a acontecer, essa Emuná será um sinal de Brachá, pois D'us irá repor a perda sofrida como recompensa.
 
Essa é uma das grandes mensagens transmitidas pelos Dez Mandamentos. Eles começam com a Mitzvá de "Eu sou Hashem, teu D'us" (Shemot 20:2) e terminam com a Mitzvá de "Não cobiçarás" (Shemot 20:14). "Eu sou Hashem, teu D'us" é a Emuná na teoria, enquanto a Emuná na prática é "Não cobiçarás". Quando cobiçamos o que é do próximo, estamos dizendo "Eu gostaria de ter uma casa assim, um carro assim, uma esposa assim. Eu quero isso!". Essa Mitzvá de "Não cobiçarás" é a Emuná colocada na prática, pois é viver com a certeza de que já temos exatamente tudo aquilo que D'us quer que tenhamos. D'us não quer que tenhamos aquela casa. Ele não quer que tenhamos aquele carro. Ele não quer que tenhamos aquela esposa. Já temos o que precisamos e, portanto, o que não temos é sinal de que não precisamos para o nosso trabalho espiritual neste mundo.
 
O Orchot Chaim acrescenta que, se toda a Torá está incluída nos Dez Mandamentos, então a última Mitzvá, o "Não cobiçarás", ensina que quem a transgride está, em última instância, transgredindo toda a Torá. A Torá se resumiria a estas palavras: "Não cobiçarás a casa do teu próximo". Isso não pode ser apenas algo da boca para fora. Precisamos acreditar de verdade que tudo emana de D'us, inclusive toda a nossas riquezas materiais e posses, nossos bons e maus momentos, nossos lucros e perdas. Tudo vem Dele. Uma pessoa com uma Emuná tão arraigada jamais ficará com raiva. Já a pessoa que transgride o "Não cobiçará" acabará também tropeçando em outras Mitzvót, como o "Não matará", o "Não roubará" e principalmente o "Eu sou Hashem, teu D'us".
 
Em sentido inverso, a lição do Taz é que toda casa na qual o vinho é derramado como água, isto é, onde se encara o vinho derramado como se fosse apenas água, algo que não justifica aborrecimentos, verá um sinal de Brachá como resultado de sua Emuná. Tudo o que D'us faz é para o nosso bem, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar isso. Ele nos demonstra constantemente Sua bondade. Nossa tarefa é reconhecer essas bondades no dia a dia e confiar Nele também nos momentos em que a bondade ainda está oculta, certos de que ela está lá.

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

ABRINDO AS TORNEIRAS ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYECHI 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ VAYECHI
ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYECHI
  • Doença e os últimos dias de Yaacov.
  • Brachá para Efraim e Menashé.
  • Brachá (e bronca) aos filhos.
  • Último pedido de Yaacov.
  • Falecimento e luto por Yaacov.
  • Yossef pede ao Faraó permissão para enterrar Yaacov em Israel.
  • O enterro de Yaacov.
  • Yossef tranquiliza seus irmãos.
  • A morte de Yossef.
BS"D

ABRINDO AS TORNEIRAS ESPIRITUAIS - PARASHÁ VAYECHI 5782 (17/dez/2021)

 
"O Talmud (Taanit 5b) conta que quando o Rav Nachman estava prestes a se separar do Rav Yitzchak, após terem estudado juntos, ele pediu:
 
- Mestre, por favor, me dê uma Brachá.
 
- Deixe-me contar-lhe uma parábola - respondeu o Rav Ytzchak - A que esta situação pode ser comparada? A um homem que viajava pelo deserto com fome, sede e muito cansaço, quando se deparou com uma árvore que produzia frutos saborosos e proporcionava muita sombra, e sob a árvore corria uma nascente de água. O homem comeu a fruta, bebeu da água e descansou na sombra. Quando estava para sair, voltou-se para a árvore e disse:
 
- Árvore, árvore, com o que devo abençoar você? Devo abençoá-la para que seu fruto seja doce? Mas sua fruta já é doce! Devo abençoá-la para que sua sombra seja farta? Mas sua sombra já é farta! Devo abençoá-la que uma fonte de água corra sob você? Mas uma fonte de água já corre sob você! Com o que vou te abençoar?
 
- Há uma coisa com a qual posso abençoá-la - concluiu o homem - Que seja a vontade de D'us que todas as árvores plantadas com suas sementes sejam como você.
 
- O mesmo se aplica a você - concluiu o Rav Ytzchak - Com o que devo te abençoar? Com o conhecimento da Torá? Você já possui conhecimento da Torá! Com riquezas? Você já tem riquezas! Com crianças? Você já tem filhos! Consequentemente eu digo: "Que seja a vontade de D'us que sua descendência seja como você".
 
Através das Brachót, D'us deu a cada um de nós o dom de nos preocuparmos com os outros e desejarmos a eles coisas boas.

Nesta semana lemos a Parashá Vayechi (literalmente "E viveu"), a última Parashá do Sefer Bereshit. Após Yossef ter se revelado aos seus irmãos, ele convidou toda a família para que viessem morar no Egito, onde poderiam ser alimentados com fartura mesmo nos anos de fome que ainda estavam por vir, conforme Yossef havia profetizado em sua interpretação do sonho do Faraó. E assim aconteceu, toda a família de Yossef veio ao Egito e Yaacov passou os últimos 17 anos de sua vida lá.
 
O assunto principal desta Parashá são as Brachót que Yaacov deu a cada um de seus filhos. Quando ele sentiu que a morte se aproximava, mandou chamar todos os filhos e deu a cada um deles uma Brachá especial, de acordo com o propósito de cada um. Estas Brachót tiveram um profundo impacto na nossa história, já que os filhos de Yaacov foram os responsáveis pela formação das 12 Tribos do povo judeu. Além disso, Yaacov também deu uma Brachá coletiva para todos os filhos juntos.
 
Todos nós gostamos de receber Brachót. Alguns passam horas em uma fila para receber uma Brachá dos grandes rabinos da geração, pedindo sustento, saúde, sucesso ou Shalom Bait. Mas qual é exatamente o poder de uma Brachá? É algo real ou apenas algo "psicológico"? O fato de alguém nos desejar algo bom tem alguma relação real com a possibilidade disso realmente acontecer? Além disso, se alguém "normal", que não são os grandes rabinos da geração, nos dá uma Brachá, será que também tem alguma validade?
 
A resposta está em um interessante ensinamento da nossa Parashá. Antes das Brachót para os outros filhos, Yaacov chamou seu filho preferido, Yossef, e deu uma Brachá para os dois filhos dele, Efraim e Menashe. E ele ordenou que esta Brachá se tornasse a "Brachá modelo" para as futuras gerações, como está escrito: "E ele (Yaakov) os abençoou naquele dia, dizendo: "Através de você, Israel abençoará (seus filhos), dizendo: 'Que D'us faça você como Efraim e como Menashe'". (Bereshit 48:20). Desde então, todo Shabat de noite damos uma Brachá aos nossos filhos e pedimos a D'us que os torne como Efraim e Menashe.
 
Esse ensinamento levanta uma questão óbvia: por que pedir a D'us que faça nossos filhos justamente como Efraim e Menashe, e não qualquer outra grande personalidade da Torá, como Avraham, Yossef, Moshé ou Aharon HaCohen? Que qualidades especiais eles representam, e que desejamos ver em nossos filhos? Além disso, por que esta é a "Brachá modelo" da Torá, que deve ser transmitida de geração em geração?
 
O maior desejo de todos os pais em relação aos seus filhos é que, além do sucesso pessoal, eles se respeitem e vivam em paz, tendo um bom relacionamento. A dor mais aguda que pode atingir um pai é ver seus filhos brigarem e não se tratando com respeito e dignidade. Mesmo que os filhos alcancem o sucesso por seus próprios méritos, a alegria cheia de orgulho dos pais é ofuscada caso os irmãos não tenham um bom relacionamento entre si. A maior alegria que um pai pode experimentar é ver os filhos cuidando e ajudando uns aos outros. Mesmo que os filhos não sejam pessoas de sucesso, se eles se amam e cuidam um do outro, isso é o que realmente importa para os pais. A união da família representa o paraíso, enquanto a discórdia familiar representa o inferno.
 
Sabemos que Yossef e seus irmãos tiveram muitos problemas entre si. Prejudicado pela inveja, o relacionamento deles chegou ao nível de ódio. Os irmãos não se conformavam com o fato de Yossef ser o filho preferido de Yaacov e ter certos privilégios, como a atenção especial do pai e somente ele ter recebido uma roupa de tecido fino. Mas Efraim e Menashe também tinham motivos para entrar em um nível de competição que poderia levar ao ódio, mas conseguiram superar. Embora Menashe fosse o irmão mais velho, foi Efraim que recebeu a Brachá mais louvável de Yaacov. Vemos inclusive no versículo trazido anteriormente que Yaacov mencionou o nome de Efraim, o filho mais novo, antes do nome de Menashe. Não há, no entanto, nenhuma indicação de qualquer desavença e sentimento de inveja entre os dois, diferente do que havia acontecido entre Yossef e seus irmãos.
 
Efraim e Menashe chegaram ao nível de respeito mútuo, apesar de não compartilharem o mesmo nível de grandeza e liderança. Não é uma grande conquista se dar bem com alguém que está no mesmo nível que você, mas amar e respeitar um irmão que é melhor que você, em uma área na qual você também valoriza muito, é o verdadeiro teste de união familiar.
 
A palavra "Brachá" está relacionada com a palavra "Breicha", que significa "fonte de água", como um manancial ou uma piscina. Sempre iniciamos uma Brachá observando que D'us é "Baruch", isto é, que Ele é a Fonte de tudo. Portanto, sempre que damos uma Brachá a alguém, desejamos que esta pessoa esteja conectada à Fonte Suprema, de onde se originam todas as coisas boas: o Todo Poderoso.
 
filósofo canadense Marshall McLuhan, um famoso educador, ficou eternizado através de uma famosa frase que ele costumava repetir: "O meio é a mensagem". O que significa esta expressão? Normalmente, quando uma mensagem é transmitida, focamos apenas no próprio conteúdo dela, mas o meio através do qual a mensagem chega até nós é, na maioria das vezes, irrelevante. Porém, Marshall McLuhan ensina que o meio é um elemento importante da comunicação, e não somente um canal de passagem ou um veículo de transmissão.
 
Aplicando esta ideia ao conceito espiritual das Brachót, podemos dizer que o ato de abençoar o outro é a própria Brachá. Ao dar Brachá a outra pessoa, nós fazemos a Brachá acontecer. Por que? Os bons votos que estamos dando ao outro criam a união, que é tão crucial para que as Brachót ocorram. Quando D'us vê Seus filhos se comportando com união, cuidando uns dos outros, a "torneira espiritual" é aberta e as Brachót descem ao mundo, como ensinam nossos sábios: "Disse o Rabi Shimon ben Chalafta: 'D'us não encontrou um utensílio que contenha tanta Brachá para o povo judeu como a paz'" (Mishná Oktsin 3:12). Onde há paz, há Brachá. Porém, ao contrário, quando demonstramos desunião, a "torneira espiritual" é fechada. É justamente por isso que a Brachá de Efraim e Menashe é a "Brachá modelo" da Torá, pois eles representam a união e o respeito mútuo, a verdadeira fonte das Brachót.
 
Isto significa que as Brachót não são apenas para os grandes rabinos da geração. É verdade que nossos grandes sábios têm muitos méritos e suas Brachót têm um alcance muito maior, já que eles estão muito mais próximos de D'us, a Fonte de todas as Brachót. Porém, devemos sempre dar Brachót para as pessoas, desejando a elas coisas boas. Maior ainda é a Brachá que devemos dar a alguém com quem estamos tendo algum tipo de problema de relacionamento. Se vencermos nosso mau instinto e conseguirmos dar a esta pessoa uma Brachá, desejando a ela o melhor, veremos as Brachót voltando em nossa direção, pois após abrirmos as "torneiras espirituais", o mundo inteiro acaba tendo benefício das Brachót que tivemos o mérito de trazer ao mundo.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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