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quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

A HONESTIDADE ABRE PORTAS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MIKETZ E CHANUKA 5782


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PARASHÁ MIKETZ



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VÍDEOS DA PARASHÁ MIKETZ
ASSUNTOS DA PARASHÁ MIKETZ
  • Os dois sonhos do Faraó.
  • Yossef é chamado para interpretar os sonhos.
  • Yossef se torna o vice rei.
  • Yossef se casa com Osnat.
  • A estratégia de Yossef é implantada no Egito.
  • Yossef tem dois filhos: Efraim e Menashé.
  • Começam os anos de fome no Egito.
  • Yaacov manda seus filhos aos Egito.
  • Yossef reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem.
  • Yossef acusa os irmãos de serem espiões.
  • Os irmãos de Yossef se arrependem.
  • Yossef prende Shimon e exige a vinda de Biniamin.
  • Yaacov se recusa a enviar Biniamin.
  • A fome continua e Yaacov é obrigado a enviar Biniamin.
  • Yossef testa seus irmãos e esconde cálice de prata na sacola de Biniamin.
  • Biniamin é acusado de roubo e condenado a virar escravo.
BS"D

A HONESTIDADE ABRE PORTAS - PARASHÁ MIKETZ E CHANUKA 5782 (03/dezembro/2021)

 

"Na Yeshivá Etz Chaim, localizada na cidade de Volozhin, havia um excelente aluno que subitamente adoeceu e necessitava de cuidados médicos. O Rav Chaim Volozhin zt"l (Lituânia, 1749 - 1821), o Rosh Yeshivá, pediu para que outro aluno acompanhasse o rapaz até a casa de seus pais, onde ele poderia receber o tratamento adequado. Como a casa ficava a mais de um dia de jornada, ao anoitecer eles passaram a noite em uma pequena hospedaria. De manhã cedo, antes de partirem, o jovem acompanhante pagou a sua parte, mas o amigo doente não tinha trazido dinheiro. Ele ficou desesperado, mas foi tranquilizado pelo dono da hospedaria e recebeu a permissão de pagar depois. Eles continuaram, então, rumo à casa dos pais do aluno doente.

 
Ao chegarem, o jovem doente se lembrou da dívida e entregou ao seu amigo o dinheiro para o pagamento da hospedaria, pedindo para que o pagamento fosse feito imediatamente quando ele passasse por lá na volta. O amigo garantiu que assim o faria e despediu-se do amigo doente, desejando-lhe uma pronta recuperação. Porém, no caminho de volta para a Yeshivá, apesar de novamente ter passado a noite naquela mesma hospedaria, o rapaz acabou esquecendo-se e o dinheiro acabou ficando, sem intenção, em sua posse.
 
Enquanto isso, o estado de saúde do rapaz doente piorou e ele acabou falecendo em pouco tempo. Seus amigos da Yeshivá, ao escutarem as más notícias, ficaram muito tristes com o ocorrido. Eles participaram do seu enterro e prestaram as homenagens finais.

Passados alguns dias, o Rav Chaim Volozhin estava caminhando pelos corredores da Yeshivá quando se deparou com a alma do rapaz que havia falecido. O Rav Chaim Volozhin aproximou-se e perguntou o que havia acontecido no Julgamento Celestial dele. O rapaz falecido lhe respondeu que havia sido decretado que ele iria para o Gan Éden. Porém, ao chegar lá, um anjo impediu sua entrada, dizendo que havia uma transgressão de roubo em suas mãos, pois ele não havia pago a hospedaria. Apesar de ter dado o dinheiro para o seu amigo pagar, o dono da hospedaria não havia recebido o pagamento e, com isso, não havia perdoado a dívida. Por aquele motivo era impossível deixá-lo entrar no Gan Éden. Mas como o Tribunal Celestial viu que ele não teve culpa no ocorrido, permitiram excepcionalmente que ele viesse falar com seu rabino para pedir que ele o ajudasse a resolver a situação daquela dívida e assim pudesse entrar no Gan Éden.

O Rav Chaim Volozhin imediatamente chamou o aluno que havia acompanhado o falecido até a casa dos pais e ordenou que ele se dirigisse à hospedaria e pagasse a dívida do amigo falecido, o que ele prontamente fez. O rapaz falecido não apareceu mais para o Rav Chaim Volozhin e encontrou o merecido descaso no Gan Éden".

Vemos como nosso Julgamento Celestial será rigoroso em relação à nossa honestidade. Se até mesmo um ato não intencional foi cobrado de forma tão rigorosa, como será a cobrança de atos intencionais de desonestidade?

Nesta semana lemos a Parashá Miketz (literalmente "Ao fim de"), que continua descrevendo os altos e baixos da vida de Yossef. Após ter passado 12 anos na prisão, acusado de forma injusta, já sem esperanças de um dia ser libertado, Yossef viu seu destino mudar de repente. Como aconteceu na história de Chanuka, quando D'us interveio e nos ajudou na batalha contra os gregos, deixando Sua "marca" através do milagre do óleo, Yossef também foi salvo milagrosamente e percebeu a Mão de D'us direcionando os eventos. O Faraó havia sonhado com vacas magras que engoliam vacas gordas e com espigas queimadas que engoliam espigas bonitas, e acordou muito assustado. Porém, nenhum dos seus conselheiros e magos conseguiu interpretar corretamente os sonhos. Após ter recebido do copeiro chefe, cujo sonho havia sido interpretado por Yossef na prisão, a indicação de que Yossef poderia interpretar seus sonhos, o Faraó resolveu convocá-lo.
 
Quando questionado se ele conseguiria interpretar os sonhos, Yossef fugiu de qualquer tipo de honra e reconhecimento. Assim ele respondeu ao Faraó, com muita humildade: "Isto está além de mim. É D'us que responderá o bem estar do Faraó" (Bereshit 41:16). E, logo em seguida, não apenas Yossef interpretou o sonho, mas ainda consertou erros que o Faraó intencionalmente inseriu na descrição deles para testá-lo.

Os sonhos significavam que viriam sete anos de muita fartura no Egito, seguidos de sete anos de muita fome. A repetição dos sonhos era um indicativo de que a vontade de D'us começaria a se cumprir imediatamente. Yossef sugeriu que durante os sete anos de fartura fosse guardada muita comida, e uma pessoa sábia e honesta fosse escolhida para supervisionar o trabalho, garantindo o futuro dos egípcios. O Faraó gostou tanto da interpretação de Yossef para os seus sonhos que o nomeou como responsável pela supervisão do trabalho.

Porém, em relação a este acontecimento surge uma grande pergunta: como o Faraó pôde ter tanta confiança em Yossef, a ponto de nomeá-lo como o principal administrador do plano para salvar o Egito da fome que estava por vir? É verdade que Yossef era uma pessoa sábia, mas como o Faraó pôde acreditou em alguém que havia acabado de sair da prisão e que até então era apenas um escravo?

O Rav Chaim Shmulevitz zt"l (Lituânia, 1902 - Israel, 1979) explica que o Faraó percebeu a honestidade de Yossef quando ele começou dizendo que não tinha nenhum poder de interpretar sonhos, e sim que tudo era um presente de D'us. Yossef, mesmo desejando ser libertado da prisão e diante de uma incrível oportunidade, não queria receber créditos. Esta honestidade mostrou que ele era uma pessoa totalmente confiável.

Portanto, este é o primeiro ensinamento valioso da Parashá: a importância da honestidade. A honestidade abre muitas portas em nossa vida, conforme ensina o mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: "Melhor um bom nome do que um bom azeite" (Kohelet 7:1). Explica o Rav Moshé Alshich zt"l (Império Otomano, 1508 - Israel, 1593) que o bom óleo ilumina, mas uma hora ele termina, enquanto o bom nome conquistado brilha para sempre. A honestidade é tão importante que a primeira pergunta que o Tribunal Celestial nos fará quando sairmos deste mundo será: "Você foi honesto nos negócios?", antes mesmo de nos perguntar se fixamos tempos para o nosso estudo da Torá e se esperamos todos os dias pela redenção.

Mas honestidade não significa apenas não roubar e não enganar. Existe honestidade nos atos, mas também existe honestidade nos pensamentos. Por exemplo, na Parashá da semana passada, Vaieshev, está escrito que os irmãos de Yossef sentiam ódio dele "e não conseguiam falar com ele em paz" (Bereshit 37:4). Parece que a Torá está fazendo apenas uma dura crítica aos irmãos de Yossef, por eles não conseguirem controlar o sentimento de ódio em relação ao próprio irmão. Porém, Rashi (França, 1040 - 1105) explica que realmente a Torá está criticando a atitude deles, mas que dentro desta crítica há um grande elogio. Normalmente as pessoas se comportam de maneira hipócrita, pois de suas bocas saem palavras gentis e amigáveis, mas em seus corações há inveja e sentimentos negativos. A Torá está ressaltando que os irmãos de Yossef eram honestos, isto é, suas bocas e seus corações estavam alinhados. Eles não sabiam ser falsos com Yossef, fingindo que o amavam na frente dele e falando mal dele pelas costas. Isto também é honestidade.

Mas qual foi o segredo de Yaacov para ter filhos tão honestos? Os pais querem criar filhos corretos. Eles leem livros, vão a palestras e cursos, tudo para serem os melhores pais. Porém, apesar de não haver uma fórmula mágica para criar filhos bons, há algo que chega muito perto: o exemplo pessoal. Crianças que observam a honestidade e retidão de seus pais serão boas crianças. Já se os pais forem desonestos, mesmo nos pequenos detalhes, seus filhos também serão desonestos. Se os pais contam mentiras para resolver seus problemas, seus filhos também contarão mentiras. Yaacov representa a verdade e a honestidade, e assim saíram seus filhos.

O Rav Avraham Yaacov Pam zt"l (Lituânia, 1913 - EUA, 2001) salienta que ser muito estrito e exigente com nossos filhos pode fazer com que eles sejam desonestos. Se eles perceberem que irão sofrer consequências terríveis se forem pegos em um erro, ficarão inclinados a negar. Se, por exemplo, colocarmos uma grande ênfase nas notas escolares, eles vāo acabar colando nas provas. Porém, ter uma criança honesta é muito mais importante do que ter uma criança com boas notas. Se uma criança admite ter feito algo errado e é punida, estamos punindo-a por sua honestidade, e esta é a pior mensagem que podemos passar aos nossos filhos.

Mas esta explicação não responde completamente nosso questionamento. A honestidade é certamente um traço de caráter fundamental, uma das primeiras coisas que devemos procurar em um funcionário. Mas como o Faraó sabia que Yossef, além de honesto, também saberia cumprir com perfeição sua missão gerencial?
 
Responde o Rav Zelig Pliskin que a fonte do Lashon Hará, esta transgressão tão grave, que destrói vidas e é a causa da extensão do nosso exílio, é vermos um defeito na pessoa e extrapolarmos, transformando a pessoa em alguém ruim apenas por causa de um defeito. Podemos aprender do Faraó a fazer justamente o contrário e ver as pessoas de forma positiva. Ele viu um ponto positivo no caráter de Yossef, a honestidade, e extrapolou para ver o bem nele em uma escala maior. Este deve ser o modelo usado ao avaliarmos as pessoas. Devemos tentar enxergar os pontos positivos e as boas qualidades dos outros, e mostrar isto para eles. Isto pode ajudar as pessoas a construírem sua autoestima, pois quanto mais a pessoa percebe que possui atributos positivos, mais motivada ficará para utilizar estas forças para um crescimento futuro. Assim, não apenas teremos bons filhos e bons funcionários, mas estaremos criando pessoas melhores e mais felizes.
 

SHABAT SHALOM E CHANUKA SAMEACH

 

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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quinta-feira, 11 de março de 2021

SEJA UMA FONTE DE INSPIRAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5781

Este e-mail é dedicado à elevação da alma de 

TAIBE YEHUDIT BAT MORDECHAI Z"L

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VÍDEO DAS PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI
ASSUNTOS DA PARASHÁ
 
VAYAKEL
  • O Shabat.
  • Contribuição de Materiais para o Mishkan.
  • Os construtores do Mishkan.
  • Indicação dos "Arquitetos".
  • Construindo o Mishkan.
  • Construindo as cortinas do Ohel Moed.
  • Construindo as Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Construindo a Parochet e a Tela de entrada
  • Construindo o Aron (Arca Sagrada) e a Kaporet.
  • Construindo a Shulchan (Mesa).
  • Construindo a Menorá.
  • Construindo a Altar de Incenso.
  • Construindo o Mizbeach (Altar de Sacrifícios).
  • Construindo o Kior (Lavatório).
  • Construindo o Pátio e a Tela de entrada.
PEKUDEI
  • A Contabilidade das doações.
  • Os Materiais doados.
  • Fazendo as roupas do Cohen Gadol.
  • Fazendo o Éfod (Avental).
  • Fazendo o Choshen Mishpat (Peitoral).
  • Fazendo o Meil (Manto).
  • Fazendo o Tsits (Placa para a cabeça).
  • O Mishkan é completado.
  • Moshé aprova o Mishkan e seus utensílios.
  • Ordens para erguer o Mishkan.
  • O Mishkan é erguido e os utensílios são posicionados.
  • A Presença de D'us preenche o Mishkan.
BS"D

SEJA UMA FONTE DE INSPIRAÇÃO - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5781 (12 de março de 2021)


Reginaldo voltava para casa depois de um dia difícil de trabalho. Ele estava mau humorado com tantos problemas na empresa. Reuniões tensas, um chefe muito rigoroso, colegas de trabalho difíceis de lidar, além de uma enorme pressão por resultados em um momento em que o país não estava bem.

Para completar, naquele dia fazia um calor insuportável e o trânsito estava terrível. O mau humor de Reginaldo começou então a aumentar. Ele abriu as janelas do carro para que algum vento pudesse entrar. Ele estava suado e com muita sede. Então ele viu um vendedor ambulante, carregando no ombro uma imensa caixa de isopor, se aproximando do seu carro. Imediatamente ele fechou as janelas. Detestava aqueles vendedores insistentes, que queriam empurrar seus produtos a qualquer custo.
 
Porém, quando o vendedor estava bem perto, Reginaldo viu que ele vendia água e refrigerantes gelados. Como estava com muita sede, ele abriu a janela do carro e pediu uma água. No momento em que o vendedor abaixou o enorme isopor para retirar uma garrafa de água gelada lá de dentro, Reginaldo notou que havia algo amarrado no isopor do lado de fora. Ao olhar com atenção, percebeu que era uma chupeta. Querendo fazer uma piada, perguntou ao vendedor se a venda de chupetas estava boa, se estava tendo bastante procura. O vendedor, um homem muito bem humorado, deu risada e explicou:
 
- Meu amigo, não vendo chupetas, mas vou explicar porque esta chupeta está amarrada aqui. Eu sou vendedor ambulante há muito tempo, mas não é um trabalho fácil. Ficar todos os dias com este enorme peso nas costas, embaixo deste sol escaldante, sendo ignorado pelos motoristas, que simplesmente fecham o vidro do carro na minha cara, é muito desanimador. Muitas vezes eu pensei em desistir. Porém, há alguns meses, nasceu a minha filha Mirella. Isso mudou minha vida. Eu amarrei uma chupeta dela aqui no meu isopor para que, sempre que meus ombros doem por causa do peso do isopor, quando minhas pernas tremem de cansaço, quando eu não tenho nem mesmo onde sentar ou quando não estou conseguindo vender nada, eu não desanime. Sempre que está difícil, eu olho para esta chupeta e lembro o motivo de estar aqui vendendo. Todos os dias eu saio de casa com apenas uma coisa na cabeça: eu não vou voltar para casa com a derrota, e não me contento nem mesmo com o empate. Só volto para casa com a vitória!
 
Reginaldo acabou comprando uma água e um refrigerante. Mas ele levou muito mais do que isso. Ele saiu de lá inspirado. Enquanto ele reclamava das pequenas dificuldades da vida, ele descobriu que há pessoas que a cada dia precisam matar um leão para sobreviver, e mesmo assim fazem isso com determinação, foco e um sorriso no rosto. Aquela chupeta amarrada transformou Reginaldo em outra pessoa.

 

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Vayakel (literalmente "E reuniu") e Pekudei (literalmente "Contas"). O assunto central das duas Parashiót é a construção do Mishkan, o Templo Móvel. Porém, desta vez não apenas como um comando de D'us, como ocorreu nas Parashiót Terumá e Tetsavê, e sim a realização. Todos os detalhes foram executados exatamente como D'us havia ordenado a Moshé, e quando foram concluídas todas as suas partes, o Mishkan finalmente foi erguido e a Presença de D'us repousou sobre ele.
 
A Parashá Vayakel começa com Moshé reunindo todo o povo, como está escrito: "E Moshé reuniu toda a Congregação dos Filhos de Israel e disse a eles..." (Shemot 35:1). A mensagem que Moshé quis transmitir ao povo termina alguns versículos depois, com as seguintes palavras: "Toda a Congregação de Israel saiu da presença de Moshé" (Shemot 35:20). Portanto, a Torá nos ensinou que Moshé reuniu o povo, transmitiu o que queria transmitir e, quando terminou, todos partiram.

Sabemos que a Torá é um livro Divino, cada palavra, e até mesmo cada letra, não está escrita de forma desnecessária. Porém, estas palavras do início da Parashá parecem ser completamente desnecessárias. Por que a Torá precisou nos informar que Moshé reuniu o povo e, quando terminou de transmitir a mensagem que queria transmitir, o povo foi embora? Isso não é óbvio? O que a Torá está nos ensinando?

Explica o Rav Elyahu Lopian zt"l (Polônia, 1876 - Israel, 1970) que o versículo está nos ensinando o impacto de uma boa influência. Quando os judeus saíram da presença de Moshé, era perceptível que eles estiveram na presença dele. Uma pessoa, ao passar algum tempo diante de um grande sábio da Torá, não sai sem que isso deixe nele uma impressão. O versículo "toda a Congregação de Israel saiu da presença de Moshé" nos ensina que esta impressão estava "estampada em suas faces", e agora eles eram pessoas diferentes, apenas por terem estado por algum tempo diante de Moshé.
 
A verdade é que isto se aplica a muitas situações. Pelo comportamento de uma pessoa é possível saber ao que ela esteve exposta. Por exemplo, ao vermos um bêbado cambaleando pelas ruas, sabemos exatamente onde ele esteve momentos antes. Certamente ele esteve em um boteco, bebendo com os amigos. Da mesma forma, quando uma pessoa esteve diante de Moshé, isto ficava evidente no comportamento dela. Como ela esteve na presença de alguém sagrado, isto causava nela uma enorme influência, que era perceptível.
 
Isso vale tanto para o contato com seres humanos elevados quanto para o contato com ambientes sagrados. Quando alguém está em um ambiente sagrado, ou quando está na presença de uma congregação sagrada, com indivíduos espiritualmente elevados, isso deixa uma marca e faz uma diferença na vida desta pessoa. Boas companhias nos elevam e nos puxam para cima. Porém, o oposto também é válido. Uma pessoa que esteve em contato com pessoas espiritualmente baixas ou congregações afastadas de D'us também ficará com uma marca negativa impressa nele e se sentirá puxado para baixo.

A Torá nos ensina um incrível exemplo de como alguns instantes de contato com algo sagrado e inspirador podem mudar completamente nossa vida. Havia um homem chamado Yossef Meshissa, um judeu vergonhoso, traidor do seu povo. Quando os romanos finalmente estavam prestes a destruir o Beit Hamikdash, eles tiveram medo de entrar devido à santidade do local, pois não sabiam o que poderia acontecer caso entrassem. Eles então chamaram Yossef Meshissa e o convidaram a entrar no Beit Hamikdash. Para convencê-lo, ofereceram uma enorme recompensa: ele poderia pegar do Beit Hamikdash o que quisesse para si. Infelizmente Yossef Meshissa aceitou a proposta, entrou e trouxe consigo a Menorá de ouro. Quando os romanos viram o que ele havia trazido, disseram que aquele era um prêmio demasiadamente grande para um homem comum, pois era algo que deveria pertencer a um rei. Eles então lhe pediram para que entrasse novamente e pegasse algo que fosse mais apropriado para a sua posição, e prometeram que daquela vez ele poderia ficar com o que trouxesse. No entanto, Yossef Meshissa recusou-se a ir uma segunda vez. Eles lhe ofereceram um bônus: se entrasse pela segunda vez, iriam lhe dar todos os impostos que fossem coletados na Judéia pelos próximos três anos. Ainda assim ele se recusou a entrar novamente e disse: "Não é suficiente eu ter irritado meu D'us uma vez, devo irritá-Lo mais uma vez?". Eles então o torturaram até a morte, pois ele se recusou até o fim a entrar novamente.

Mas o que aconteceu com Yossef Meshissa? Ele era um traidor, escolhido pelos romanos como o a pessoa mais adequada para realizar o trabalho sujo de profanar o Templo Sagrado. Ele inclusive já tinha entrado lá e roubado a Menorá de ouro sem que fosse necessário muita insistência. Então por que, de repente, ele havia se arrependido do seu mau ato e se recusa a fazê-lo novamente, apesar das ofertas de riqueza e da ameaça de tortura? O que aconteceu com ele?

O Rav Yossef Shlomo Kahaneman zt"l (Lituânia, 1886 - Israel, 1969), mais conhecido como Ponevitzer Rav, explica que Yossef Meshissa teve uma "overdose de santidade". Ele esteve no Beit Hamikdash por poucos minutos. Mesmo assim, depois disso ele já não era mais a mesma pessoa. A influência de estar em um lugar tão sagrado, mesmo que por apenas poucos instantes, modificou sua vida.

Uma pessoa que é exposta à radiação não sente nenhuma sensação física imediata. Porém, alguns minutos de exposição à radiação podem modificar seu corpo inteiro para o resto da vida. De modo similar, alguém pode ficar exposto à santidade por poucos minutos e se tornar uma pessoa diferente. É isso que o versículo está nos ensinando. A Congregação saiu da presença de Moshé, porém eles já não eram mais os mesmos, pois haviam estado na presença de um grande homem, uma pessoa sagrada. Estar na presença de uma pessoa espiritualmente grande ou estar em um lugar sagrado, como um Beit Midrash (Casa de estudos), uma sinagoga ou a Terra de Israel, pode mudar a vida de uma pessoa. É por este motivo que o ambiente, os amigos e a comunidade são tão importantes, pois este é o poder da santidade. Ela pode mudar uma pessoa para sempre.
 
Tão importante quanto querer receber boas influências espirituais é ter o objetivo de se tornar uma fonte de inspiração aos outros. Através dos nossos bons atos podemos estimular, inspirar e motivar outras pessoas. É desta maneira que, com pequenos atos cotidianos, podemos começar a mudar o mundo.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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