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quarta-feira, 29 de junho de 2016

OÁSIS DE TRANQUILIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5776





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OÁSIS DE TRANQUILIDADE - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5776 (01 de julho de 2016)
"Havia uma nação que vivia em paz e harmonia. As pessoas se respeitavam e se amavam, e havia um espírito de tranquilidade pairando no ar. Porém, certo dia, a paz foi quebrada por uma ameaça que se aproximava de longe. Outra nação ameaçava a soberania e a tranquilidade daquele lugar paradisíaco. Milhares de soldados foram enviados com a missão de impedir a aproximação dos inimigos.

Infelizmente a guerra se estendeu por muitos e muitos anos. Neste intervalo, o bondoso rei daquela nação de paz teve um filho. O príncipe herdeiro foi crescendo e, desde pequeno, foi sendo treinado para ser um bom líder e guerreiro. Quando completou 18 anos, foi enviado para a frente de batalha para liderar seus soldados. Por seis dias na semana o príncipe permanecia comandando os soldados naquele ambiente hostil de batalha, mas sempre o rei exigia que o filho voltasse ao palácio no sétimo dia. Certa vez o príncipe questionou a conduta de seu pai. Ele não entendia porque devia voltar e interromper a guerra uma vez por semana. O rei então explicou:

- Filho, você nasceu no meio de uma terrível guerra. Mas eu quero que você saiba que a vida verdadeira não é essa. A vida verdadeira é de paz, tranquilidade e alegria. Por isso eu peço para que você volte uma vez por semana para a tranquilidade do palácio, para que você sinta o que é a vida verdadeira e não se esqueça".

Assim também é o nosso Shabat. Por seis dias nós vamos para a "guerra" do dia-a-dia, a luta pelo sustento, com dificuldades, estresse e muita correria. Porém, esta não é a vida verdadeira. Então o Shabat nos recorda da nossa essência espiritual e da nossa conexão com D'us. Um dia por semana, no Shabat, nós voltamos à tranquilidade do "Palácio do Rei", para não esquecermos como é a vida real.
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A Parashá desta semana, Shelach Lechá (literalmente "Envie para você"), continua descrevendo alguns dos erros trágicos cometidos pelo povo judeu no deserto. A Parashá começa com o erro dos espiões, que falaram mal da Terra de Israel, causando com que o resto do povo perdesse sua Emuná (fé) em D'us e chorasse. Toda aquela geração que chorou recebeu um decreto Divino de não entrar em Israel.

Além desta transgressão coletiva, a Parashá também descreve uma transgressão feita por um indivíduo do povo judeu, como está escrito: "Quando o povo judeu estava no deserto, encontraram um homem recolhendo lenha no dia do Shabat" (Bamidbar 15:32). Este homem, apesar de ter sido advertido sobre a gravidade de seu ato, continuou recolhendo lenha. Recolher lenha espalhada é uma das 39 Melachót (trabalhos construtivos) que D'us nos proibiu fazer no Shabat, e aquele homem ignorou a proibição, sendo condenado à morte. Porém, algo nos chama a atenção no início do versículo que descreve a transgressão. Não era óbvio que o povo judeu estava no deserto quando isto aconteceu?

Rashi (França, 1040 - 1105) explica que pelo fato da Torá identificar o episódio como tendo ocorrido quando o povo judeu estava no deserto, algo aparentemente desnecessário, nós podemos deduzir que a transgressão ocorreu imediatamente depois deles terem entrado no deserto. E como sabemos que o povo judeu cumpriu o primeiro Shabat no dia da entrega da Torá, então Rashi conclui que esta transgressão ocorreu no segundo Shabat do povo judeu.

Mas por que a Torá escreveu que o povo judeu estava no deserto se o versículo se refere ao erro de um único indivíduo? Explica o Rav Eliahu zt"l (Lituânia, 1720 - 1797), mais conhecido como Gaon MiVilna, que na realidade este incidente não envolveu apenas o erro de um único indivíduo. O povo inteiro havia sido displicente no cumprimento do Shabat, e a transgressão feita em público foi apenas o reflexo desta displicência do povo todo. Apesar de ter sido o erro de um único indivíduo, é como se o povo inteiro tivesse participado. 

Porém, como entender esta explicação do Gaon MiVilna? O Midrash (parte da Torá Oral) nos ensina que guardar o Shabat é equivalente a guardar todas as outras Mitzvót da Torá juntas. Como aquela geração, chamada de "Geração do Conhecimento", pessoas que haviam recém recebido a Torá diretamente de D'us no Monte Sinai, puderam ser negligentes no cumprimento do Shabat? Como pode ser que, ainda no segundo Shabat que eles cumpriram, já houve um descuido tão grande, e envolvendo o povo inteiro?

Poderíamos pensar que o desleixo no cumprimento do Shabat foi consequência desta Mitzvá ter sido imposta sobre os judeus, e que esta nova obrigação havia pesado demais para eles. Porém, de acordo com outro Midrash, é difícil utilizar este argumento, pois o Midrash afirma que enquanto os judeus ainda eram escravos no Egito e Moshé morava no palácio do Faraó, ele conseguiu convencer o Faraó a dar o dia de Shabat como um dia de descanso para o povo judeu. Com grande astúcia, Moshé argumentou ao Faraó que um dia de descanso semanal faria com que houvesse um aumento na produtividade durante o resto da semana. Isto quer dizer que, mesmo enquanto ainda estavam no Egito, os judeus já estavam há anos acostumados com a Mitzvá de Shabat. Então por que neste momento eles mudaram de atitude em relação ao cumprimento do Shabat?

Explica o Rav Yohanan Zweig que podemos encontrar a resposta em um fenômeno que está sendo observado neste século: há um segmento inteiro do povo judeu que, apesar de viver na Terra de Israel, está completamente desconectado do cumprimento da Torá e das Mitzvót. Isto parece estranho, pois a Torá afirma que a Terra de Israel é um lugar de santidade, onde a conexão com D'us é mais direta e onde podemos desenvolver um relacionamento de maior conexão espiritual. Então como é possível um segmento inteiro do nosso povo viver neste lugar tão sagrado e, ainda assim, estar tão afastado de D'us?

A explicação é que, infelizmente, existe o conceito equivocado de que o único propósito para um judeu cumprir as Mitzvót é manter nossa identidade judaica e garantir a nossa continuidade. A consequência deste equívoco é que as pessoas tendem a pensar que viver na Terra de Israel substitui a necessidade de cumprir as Mitzvót, como se viver na nossa pátria fosse suficiente para manter a nossa identidade judaica e a nossa continuidade. A própria bandeira de Israel contém um "Talit", como se estivesse transmitindo a mensagem: "É suficiente que o Talit esteja em nossa bandeira, e não é necessário mais cumprir esta Mitzvá".

A grande falha neste tipo de pensamento é o total desconhecimento das leis espirituais da Torá. As Mitzvót são o veículo através do qual nós estabelecemos e mantemos nosso relacionamento com D'us. O Midrash nos ensina que as Mitzvót foram entregues justamente para "Letzaref" o povo judeu, isto é, para unir aqueles que estão comandados com Aquele que comandou. Se não há Mitzvót, simplesmente não é criado um relacionamento com D'us. O Ramban zt"l  (Espanha, 1194 - Israel, 1270), também conhecido com Nachmânides, ressalta que, pelo fato de conseguirmos estabelecer um relacionamento mais íntimo com D'us na Terra de Israel, temos uma responsabilidade ainda maior de cumprir as Mitzvót estando lá.

Este foi o grande erro do povo judeu no deserto. Como eles estavam vivendo como anjos, sendo alimentados com o Man, uma comida sobrenatural, e isolados das outras nações, eles acreditaram que não precisavam mais do Shabat para se conectarem com D'us e manterem sua identidade. Além disso, como eles já tinham um relacionamento com D'us muito elevado todos os dias da semana, eles acreditaram que o Shabat não era mais necessário. Eles falharam em reconhecer que são as Mitzvót que criam este relacionamento com D'us. Esta percepção equivocada infelizmente levou o povo inteiro a ser displicente no cumprimento do Shabat, afetando o cumprimento desta Mitzvá. A consequência foi o primeiro judeu que desrespeitou o Shabat de forma pública.

Além de ser um Mandamento de D'us, que nos conecta a Ele e energiza nossa alma, o Shabat também ajuda a manter a nossa identidade judaica e permite a cada judeu desfrutar, uma vez por semana, de um dia de relacionamento íntimo com D'us. O Shabat é um oásis no meio das "guerras" que travamos durante a semana inteira, com preocupações, pressa e estresse. Uma vez por semana nos desconectamos do material para nos conectarmos, de forma verdadeira, ao espiritual.

Em hebraico, "vida" é "Chaim". Porém, "Chaim" é uma palavra no plural, não no singular. Não existe apenas uma vida, a vida material, mas sim a combinação desta nossa vida material com a nossa vida espiritual, eterna. Quem nos sustenta no mundo material são os elementos físicos, como a comida, a água e o ar. Mas o que nos sustenta espiritualmente, e nos sustentará por toda a eternidade, são as Mitzvót que cumprimos. Quando a Torá concluiu que aquele que juntou gravetos no Shabat foi punido com pena de morte, estava dando um importante aviso para todo o povo: não existe vida verdadeira sem as Mitzvót. Quando nos desconectamos de D'us, a Fonte de toda a energia vital, nos desconectamos da nossa vida eterna. O Shabat, entre todas as Mitzvót, é um ótimo lembrete de que usufruir do mundo material é apenas algo passageiro, enquanto desenvolver o nosso lado espiritual é a nossa meta verdadeira.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BESHALACH 5773


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A FORÇA QUE VEM DO SHABAT – PARASHÁ BESHALACH 5773 (25 de janeiro de 2013)


"A Rebbetzin Esther Jungreis nasceu na Hungria. Ela viveu, desde sua infância, tempos difíceis para os judeus. Muitos anos antes dos nazistas dominarem a Europa, o antissemitismo já mostrava sua face mais cruel na Hungria. Os húngaros costumavam alistar jovens judeus para trabalhar em campos de trabalho escravo. As carroças que transportavam os jovens judeus passavam pela cidade de Szeged, onde vivia Esther. Seu pai, o rabino chefe da cidade, conseguia trazer para sua casa, toda semana, de 10 a 15 jovens para que passassem o Shabat com ele. Apesar do mundo lá fora ser cada vez mais horrível, quando o rabino entrava em casa e dizia "Shabat Shalom, crianças", a casa se iluminava de uma maneira especial. O dia de Shabat era um dia de muita alegria. Enquanto o mundo inteiro mergulhava em escuridão, o Shabat na casa dos Jungreis elevava todos os presente às alturas espirituais, e eles se sentiam, mesmo que por apenas um único dia, imunes à devastação que ocorria no mundo lá fora.

Quando os nazistas invadiram a Hungria, toda a família Jungreis foi enviada para o Campo de Concentração de Bergen-Belsen. Todos os dias eles recebiam de alimento apenas uma fatia de pão com um pouco de serragem. Mas o pai de Esther nunca comia todo o seu pão. Ele sempre tirava um pequeno pedaço do pão e guardava em um local escondido. Ele ensinava seus filhos a contar: "Faltam quatro dias para o Shabat... Faltam três dias para o Shabat...". Quando o Shabat finalmente chegava, no meio da noite a família se sentava no chão do barraco, que estava cheio de ratos, e o pai de Esther dizia: "Fechem os olhos, crianças. Agora nós estamos em casa. Vamos comer um pouco de Chalá". Então ele retirava do esconderijo as migalhas e pequenos pedaços de pão que havia cuidadosamente guardado durante a semana, dividia entre todos os familiares e cantavam "Shalom Aleichem", dando as boas vindas aos anjos que nos acompanham até em casa na noite de Shabat. Certa vez, após cantar "Shalom Aleichem", o irmão menor de Esther falou para seu pai:

- Pai, nós damos as boas vindas para os anjos, mas eu não consigo ver nenhum anjo! Onde eles estão?

O pai então começou a chorar e, enquanto lágrimas corriam pelo seu rosto, ele falou:

- Meus filhos, vocês são os verdadeiros anjos do Shabat.

Foi com a força do Shabat que toda a família Jungreis conseguiu sobreviver ao inferno de Bergen-Belsen e, após o Holocausto, ajudar a construir o judaísmo da América" (História Real)

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Na Parashá desta semana, Beshalach, o Faraó, arrasado pelas pragas que destruíram o Egito, deixou o povo judeu ir embora, mas logo se arrependeu e saiu em perseguição aos judeus com um grande exército. D'us então fez o grande desfecho, abrindo o Mar Vermelho para que o povo judeu pudesse atravessar em terra firme e fechando-o sobre os egípcios, matando todos afogados.

Mas logo após este grande milagre, a Torá descreve um pequeno incidente. Os judeus caminharam três dias no deserto de Shur e não encontraram água. Então eles chegaram a um local chamado Mará, onde havia água, mas as águas eram muito amargas e, portanto, não eram potáveis. O povo então reclamou de forma agressiva com Moshé, que rezou para D'us. D'us escutou os pedidos de Moshé, mostrou a ele uma árvore e ordenou que ele a atirasse nas águas amargas. Milagrosamente as águas se tornaram doces, possibilitando o povo beber e saciar sua sede.

Mas como o povo judeu pôde reclamar de forma tão agressiva, quase gerando uma rebelião contra Moshé, três dias após o incrível milagre da abertura do Mar Vermelho? O Talmud (Baba Kama 82a) explica que a falta de água é apenas uma analogia à falta de Torá, pois a Torá é, em várias características, comparada com a água. Por exemplo, da mesma forma que a água se acumula apenas nos lugares mais baixos, assim também a Torá se acumula apenas entre os humildes, que vencem o seu orgulho e a sua busca pela honra. Além disso, da mesma forma que é impossível viver sem água, também é impossível viver sem a Torá, pois ela é o nosso "Manual de Instruções" de como a vida, a interação entre o material e o espiritual, funciona.

Quando Moshé Rabeinu percebeu que apenas três dias após um gigantesco milagre o povo começou a reclamar, ele entendeu que o povo judeu não poderia ficar mais de três dias consecutivos sem o estudo da Torá, pois isto causava uma enorme deterioração de sua espiritualidade. Então ele estabeleceu que a Torá deveria ser lida publicamente na 2ª feira e na 5ª feira, além da leitura feita no Shabat, para que o povo judeu não passasse mais de três dias sem Torá.

Porém, daqui surge uma pergunta interessante: se o objetivo era não deixar que passassem três dias sem Torá, isto poderia ser conseguido através de várias possibilidades. Por exemplo, a leitura poderia ser na 3ª e na 5ª, ou na 2ª e na 4ª. Por que Moshé fixou a leitura da Torá justamente na 2ª e na 5ª?

Há um Midrash (parte da Torá Oral) que nos ajuda a responder a pergunta. O Midrash (Bereshit Rabá 11:9) diz que, após a criação do mundo, o Shabat reclamou com D'us, pois todos os dias da semana tinham um "par", menos o Shabat. D'us então consolou o Shabat dizendo que seu "par" seria o povo judeu. O que significa este conceito de que cada dia tem um par? E o que este Midrash nos ensina?

O Rambam (Maimônides) nos ensina que todas as criações de D'us têm como base quatro elementos fundamentais: a terra, a água, o fogo e o vento. Quando analisamos a criação do mundo, podemos perceber que em cada dia um dos elementos foi predominante. No primeiro dia D'us criou a luz, que é predominantemente composta pelo fogo. No segundo dia D'us criou o céu, que é resultado da divisão das águas e, portanto, o elemento predominante foi a água. No terceiro dia D'us criou a terra firme e a vegetação, sendo o elemento predominante a terra. O ciclo então se repete, pois no quarto dia D'us criou o sol, a lua e as estrelas, cujo elemento predominante é o fogo. No 5º dia D'us criou os peixes e animais aquáticos que, segundo o Talmud, foram formados a partir da própria água, sendo o elemento predominante a água. No 6º dia D'us criou os animais terrestres e o primeiro ser humano, que recebeu o nome de Adam, pois foi feito da "Adamá" (terra), sendo o elemento predominante neste dia a terra.

Segundo o Midrash, da mesma forma que praticamente tudo no mundo material é produzido através da combinação de "macho-fêmea", os elementos que D'us utilizou para criar o mundo também têm propriedades de "macho e fêmea" que, combinados, formam certa criação que apresenta este elemento de maneira predominante. Portanto, o Domingo e a 4ª feira se unem para produzir as criações baseadas no elemento fogo; a 2ª e a 5ª se unem para formar as criações baseadas no elemento água; e finalmente a 3ª e a 6ª se unem para produzir as criações baseadas no elemento terra. Estes são os "pares" a que se refere o Midrash. Pelo fato de Moshé ter fixado as leituras adicionais da Torá baseado na comparação entre a Torá e a água, os dias mais indicados para que a Torá fosse lida publicamente eram a 2ª e a 5ª, cuja combinação gera criações cujo elemento predominante é a água.

Explica o Rav Yohanan Zweig que o único elemento não utilizado nos seis primeiros dias da criação é o vento (Ruach), que é o mais espiritual de todos os elementos. Portanto, o Shabat, o dia mais espiritual da semana, é a criação em que o elemento predominante é o vento. Por isso o Shabat tem um caráter maior de espiritualidade e santidade do que os outros dias da semana. Mas como ensinou o Midrash, para conseguir alcançar uma criação é necessário um "par". Por isso, é somente a união entre o povo judeu e o Shabat que gera a santidade deste dia tão especial, santidade que permeia todos os outros dias da semana e dá para eles existência e sentido.

Muitas pessoas veem o Shabat como algo monótono e antiquado. Isto é porque muitas vezes não entendemos o caráter tão especial deste dia, que influência nossa semana de forma tão impactante. O Shabat é a fonte de energia de toda nossa semana. Os três primeiros dias da semana recebem energia do Shabat que passou, enquanto os três últimos dias da semana recebem influência do Shabat que está por vir. Principalmente nos dias atuais, em que a pressão do trabalho e do cotidiano nos afeta tanto, o Shabat é um verdadeiro oásis no meio do deserto, uma possibilidade de semanalmente recarregar as baterias.

Sem o Shabat nos tornamos escravos do mundo material. O Shabat é uma chance de nos desligarmos, durante um dia inteiro, de tudo o que nos escraviza. Podemos viver um dia por semana sem nossos computadores e celulares. Podemos viver um dia por semana sem pensar nos lucros da empresa, nos fornecedores e nos clientes. Podemos dedicar pelo menos um dia de nossa semana para nossa família, sentando juntos para as refeições de Shabat. Podemos dedicar pelo menos um dia de nossa semana para ler e conhecer um pouco mais da infinita sabedoria contida na nossa Torá. É um dia de descanso para o corpo e para a alma, no qual podemos nos conectar a D'us de uma maneira muito mais intensa.

Quando nos "unimos" ao Shabat, estamos contribuindo para trazer mais santidade ao mundo. Assim, além de aproveitar um dia especial, no qual nossas energias podem ser recarregadas, estaremos contribuindo para a construção de um mundo com mais paz e harmonia.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ ITRÓ 5772

BS"D



PROGRESSO: PASSADO OU FUTURO? - PARASHÁ ITRÓ 5772 (10 de fevereiro de 2012)



"Um senhor idoso estava sentado em um banco na frente de sua casa, ao lado de seu filho que lia, concentrado, as notícias do jornal. De repente, o pai escutou um barulho e perguntou ao filho o que era aquilo. O filho desviou os olhos do jornal, olhou para o local que o pai havia indicado, respondeu que era apenas um pássaro que havia pousado ali e imediatamente voltou à sua leitura. Mais alguns instantes se passaram e o pássaro fez um novo ruído. Novamente o pai idoso perguntou o que era aquilo e o filho, já um pouco mal humorado, respondeu que era apenas um pássaro. Quando pela terceira vez o pai interrompeu o filho após escutar um barulho, o filho perdeu a paciência, estourou e começou a gritar:



- Você está surdo? Você não escutou que é apenas um pássaro? Um pássaro!!! Só um pássaro!!! Nada mais do que um pássaro, entendeu?



O pai, calado e cabisbaixo, levantou-se do banco, entrou em casa e voltou alguns instantes depois, trazendo um livro na mão. Era um diário, que ele havia escrito muitos anos atrás, quando seu filho ainda era pequeno. Abriu em uma página, estendeu ao filho e mandou-o ler em voz alta. O filho começou:



- Hoje meu filho, que fez três anos há poucos dias, estava sentado comigo em um parque quando um pássaro veio em nossa direção. Meu filho me perguntou 21 vezes o que era aquilo e eu respondi, 21 vezes, que era um pássaro. Eu o abraçava cada vez que ele me fazia a mesma pergunta, sem ficar zangado, sentindo carinho pelo meu pequeno garoto...



O filho não conseguiu mais terminar de ler. Lágrimas rolavam do seu rosto. Ele abraçou e beijou seu pai, arrependido por ter perdido a paciência e tê-lo tratado tão mal"



Como diz o ditado, um pai pode cuidar de 10 filhos, mas 10 filhos não conseguem cuidar de um pai.



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A parte central da Parashá desta semana, Itró, e certamente o evento que mudou a história da humanidade, é a entrega da Torá no Monte Sinai, a primeira e única revelação de D'us para um povo inteiro, mais de 3 milhões de pessoas. D'us começou com a entrega das duas tábuas que continham os 10 Mandamentos. Por que duas tábuas e não apenas uma? Pois a primeira tábua continha os Mandamentos "Bein Adam LaMakom" (Entre o homem e D'us), como, por exemplo, não cometer idolatria nem pronunciar o nome de D'us em vão, enquanto a segunda tábua continha os Mandamentos "Bein Adam Lehaveiró" (Entre o homem e seu semelhante), como, por exemplo, não matar e não cometer adultério. D'us estava nos ensinando que não podemos ser rigorosos apenas no cumprimento das Mitzvót que são relacionadas com Ele, mas lenientes com as Mitzvót relacionadas aos outros seres humanos, pois todo aquele que causa um dano ao seu companheiro, tanto se for algo físico, emocional ou financeiro, é como se também estivesse causando um dano ao próprio Criador.



Mas se observarmos com cuidado os Mandamentos, surgem algumas perguntas. Por exemplo, o quarto Mandamento é "Lembre-se do Shabat para santificá-lo" (Shemot 20:8), enquanto o quinto Mandamento é "Honrarás teu pai e tua mãe, para que se alonguem seus dias sobre a terra que Hashem, teu D'us, dá para vocês" (Shemot 20:12). Será que existe algum motivo especial para D'us ter juntado estes dois Mandamentos? A pergunta fica ainda mais forte quando observamos, na Parashá Kedoshim, que estas duas Mitzvót são mencionadas juntas no mesmo versículo: "Todo homem deve respeitar sua mãe e seu pai, e Meu Shabat você deve observar. Eu sou Hashem, teu D'us" (Vayikrá 19:3). Qual a conexão entre estas duas Mitzvót aparentemente tão diferentes? Além disso, se a primeira tábua traz Mandamentos entre o homem e D'us, por que a Mitzvá de honrar os pais, que aparentemente é uma Mitzvá entre o homem e seu semelhante, foi escrita na primeira tábua? E, finalmente, é interessante perceber que a Mitzvá de honrar os pais é uma das poucas Mitzvót da Torá cuja recompensa está explicitamente escrita. Mas por que a Torá utiliza a linguagem "alongar seus dias", ao invés de "aumentar seus dias"? Quem cumpre a Mitzvá de honrar os pais faz com que seu dia fique mais longo?



Muitas vezes surgem dilemas morais em nossas vidas. Por exemplo, um cardiologista que está a caminho do casamento de sua própria filha e recebe um chamado urgente para operar um paciente que está entre a vida e a morte, o que ele deve fazer? O que é mais correto, deixar sua própria filha sozinha na Chupá e salvar a vida de um estranho? Quem pode responder perguntas deste tipo, onde os dois lados parecem ser corretos?



Quando D'us nos entregou a Torá, não recebemos apenas um livro, recebemos um "Manual de instruções" da vida. Portanto, a Torá deve conter todos os ensinamentos que precisamos para tomar sempre as decisões corretas, inclusive quando surgem dilemas morais.



Explica Rashi, comentarista da Torá, que a proximidade entre os assuntos de Shabat e honrar os pais nos ensina a resolver um difícil dilema moral. A Torá obriga os filhos a respeitarem seus pais, e também a Torá nos obriga a guardar o Shabat, evitando fazer qualquer atividade criativa neste dia. Mas o que acontece se os pais nos ordenam a desrespeitar o Shabat? O que prevalece? A ordem das Mitzvót no versículo nos ensina que devemos respeitar os pais, mas se eles nos ordenarem a quebrar o Shabat ou qualquer outra Mitzvá da Torá, estamos isentos de escutá-los. Por que? A explicação está nas últimas palavras do versículo, "Eu sou Hashem, teu D'us". É como se D'us estivesse dizendo: "Eu comandei a vocês escutarem seus pais, mas Eu também comandei seus pais a guardarem Meu Shabat. Por isso, se seus pais ordenarem que Meu Shabat seja quebrado, vocês estão isentos de escutá-los, pois Eu sou D'us, Quem criou todas as leis da Torá".



Mas se o ensinamento é em relação a todas as Mitzvót da Torá, isto é, que estamos isentos de escutar nossos pais se eles forem contra qualquer uma das 613 Mitzvót que D'us nos comandou, por que justamente o Shabat foi escolhido para nos transmitir este ensinamento?



Outra grande pergunta, que muitos educadores tentam responder, é por que os jovens atualmente desrespeitam tanto seus pais? Não estamos falando de casos extremos, como o de jovens que chegam a utilizar violência física e moral contra seus pais. A pergunta é sobre a maioria dos jovens, pessoas normais, mas que tratam seus pais como se fossem colegas de escola, passando por cima de suas ordens e tomando suas próprias decisões sem levar em consideração a opinião dos pais. Qual é a fonte deste desrespeito? Por que os jovens já não escutam mais a orientação e a experiência de seus pais?



Explica o Rav Yaacov Kamenetzky que a resposta está justamente na proximidade entre os conceitos do Shabat e de honrar os pais. O Shabat representa a Emuná (fé) de que D'us criou o mundo em 6 dias e descansou no sétimo dia. Todo aquele que guarda o Shabat demonstra, através do seu ato de respeito, que ele acredita que foi D'us Quem criou o universo e o primeiro homem, Adam Harishon, à Sua imagem e semelhança, isto é, em um nível espiritual muito alto. Portanto, esta pessoa consegue automaticamente entender que cada geração acima de nós estava mais próxima da Criação e, portanto, é mais meritória de receber respeito. Já uma pessoa que acredita que o mundo é uma grande "coincidência" e que viemos de simples proteínas que se juntaram ao acaso e formaram a vida, quanto mais a geração se afasta do "Big Bang", mais evoluída se torna. Portanto, cada nova geração se sente mais meritória do que a anterior.



O próprio Rav Yaacov Kamenetzky, quando já tinha certa idade, vivenciou este conceito ao viajar de avião acompanhado por seus filhos e netos. Ao seu lado viajava um professor israelense não-religioso que durante toda a viagem observou, surpreso, os netos do rabino vindo a todo instante para servi-lo ou apenas para verificar se estava tudo bem. Ele questionou como o rabino conseguia ter netos que o respeitavam tanto, já que ele também tinha alguns netos, mas que não lhe davam o mínimo respeito. O rabino respondeu que o professor havia ensinado aos seus netos que eles descendiam do macaco. Portanto, cada geração que passa se afasta mais dos macacos e torna-se mais evoluída e, portanto, era ele quem deveria honrar seus netos. Já os netos do rabino haviam aprendido que eles descendem de Adam Harishon, um ser criado à imagem e semelhança de D'us, e cada geração que passa vai sofrendo uma queda espiritual e se afastando da criação inicial. Portanto, eles entendem que o avô está em um nível mais elevado que eles e, por isso, o respeitam tanto.



A visão judaica nos ajuda a ver o passado com um brilho especial, justamente ao contrário da Cultura Ocidental, que enfatiza o progresso e vê o passado como algo velho e decadente. O judaísmo enfatiza que devemos viver de acordo com os ensinamentos da Torá, que foram entregue há mais de 3 mil anos e, apesar disso, continuam completamente atuais. Em Lashon Hakodesh, a palavra "progresso" é "Kadima", que vêm da mesma raiz de "Kedem", que significa "passado". Segundo a Torá, o progresso verdadeiro deve estar conectado com os valores do passado, pois estes valores verdadeiros e eternos podem nos ajudar muito em nossas vidas. Se não há respeito pelo passado, não há futuro.



É por isso que atualmente os jovens não respeitam mais seus pais, pois em suas vidas D'us não está mais presente. Para a juventude, a religião tornou-se algo mecânico, que se pratica apenas nas poucas vezes em que vão à sinagoga, sem nenhuma importância para seu cotidiano. Por isso, o respeito aos pais virou algo antiquado. Nos sentimos mais modernos que nossos pais, pois conhecemos melhor do que eles os computadores, os Ipads e os smartphones. Apenas nos esquecemos que eles têm algo que demoraremos muito para ter: experiência de vida.



Portanto, isto ajuda a explicar por que a recompensa de honrar os pais é "alongar seus dias". No nosso dia-a-dia, por inexperiência, perdemos muito tempo. Por causa de pequenos erros muitas vezes precisamos refazer as mesmas coisas várias vezes. Por isso, aquele que honra seus pais e escuta seus ensinamentos, que aproveita a experiência de vida que eles têm a oferecer, aproveita muito melhor seu tempo e evita muitos erros, fazendo com que seus dias sejam mais bem vividos, como se fossem mais longos.



Qualquer ser humano é criado através de uma "sociedade" entre o pai, a mãe e D'us. Portanto, quando um filho honra seus pais, D'us também é honrado, pois Ele diz: "Se eu estivesse ali com eles, também estaria recebendo esta honra". Mas se um filho não respeita seus pais, D'us também se sente desrespeitado e diz: "Se eu estivesse ali com eles, também estaria sendo desrespeitado". É por isso que o quinto Mandamento, que nos comanda a honrar nossos pais, apesar de ser entre o homem e seu semelhante, está na primeira tábua, junto com os outros Mandamentos entre o homem e D'us.



SHABAT SHALOM



R' Efraim Birbojm



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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.



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sexta-feira, 13 de março de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ KI TISSÁ 5769

BS"D

LIBERDADE OU ESCRAVIDÃO - PARASHÁ KI TISSÁ 5769 (13 de março de 2009)

"Moshé trabalhava na McKinsey, uma das maiores empresas de consultoria do mundo. E era muito comum que o escritório estivesse sempre cheio durante toda a noite, com os famosos "viciados em trabalho" que mal terminavam um projeto e já iniciavam um novo. Moshé era um dos "adeptos" ao hábito de trabalhar todos os dias até tarde da noite.

Em uma destas madrugadas, Moshé estava tranqüilo no escritório, terminando um projeto que tinha que entregar na manhã seguinte. Eram duas da manhã e o escritório estava cheio. De repente entrou uma mulher com duas crianças pequenas. A secretária perguntou se poderia ajudar em algo, a mulher respondeu que sim e, apontando para o filho menor, falou:

- Estou procurando o pai desta criança.

Todos pararam, e um terrível silêncio tomou conta do escritório. Moshé levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo e levou um grande susto quando viu que era sua esposa que estava ali. Levantou-se e foi falar com ela.

- Querida, você ficou louca? São duas da manhã! O que você está fazendo aqui?

- Eu vou te explicar – respondeu a mulher, visivelmente irritada – Nosso filho acordou de madrugada e começou a chorar, chamando "papai, papai". Então eu resolvi trazê-lo aqui no seu escritório, para que ele possa te conhecer.

Na semana seguinte Moshé pediu demissão da empresa..." (História Real)

Muitas vezes a pressão do nosso cotidiano nos faz perder as coisas mais importantes da vida. Uma panela de pressão, se não tiver uma válvula de escape, explode. O ser humano também. O Shabat é a nossa "válvula de escape", um grande presente que recebemos de D'us.
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Na Parashá desta semana, Ki Tissá, a Torá termina de descrever os utensílios do Mishkan (Templo Móvel) e logo em seguida descreve a Mitzvá de Shabat, como está escrito: "Somente guardem o Meu Shabat, pois é um sinal entre Mim e vocês através das gerações, para que vocês saibam que Eu sou D'us, Quem santifica vocês" (Shemot 31:13). Mas este versículo é um pouco difícil de ser entendido. Por que a Torá usa a linguagem "somente" quando se refere à Mitzvá de Shabat, como se tivesse algo especial que as outras Mitzvót não têm?

Atualmente não é algo fácil cumprir os mandamentos de D'us com toda a nossa força sem sentir algum nível de dificuldade ou desconforto. Muitas vezes as Mitzvót podem parecer, principalmente para aqueles que estão começando, uma mala pesada. Mas explica o Maguid Mi Duvna que nem sempre foi assim. Quando o ser humano foi criado, sua vontade de cumprir Mitzvót era parte de sua natureza, tão forte quanto a vontade de comer, beber água ou dormir, e o ser humano podia sentir um grande prazer com cada Mitzvá cumprida, a mesma satisfação que sentimos quando comemos um pedaço de bolo de chocolate. Mas quando Adam Harishon (Adão) despencou espiritualmente, vítima de suas tentações, e misturou dentro de si o bem e o mal, ele perdeu esta atração natural pelas Mitzvót. Apesar das Mitzvót continuarem sendo tão vitais quanto comer ou beber, elas deixaram de satisfazer o ser humano de forma natural. Até mesmo o nosso corpo perdeu sua força, dificultando ainda mais o cumprimento das Mitzvót.

A única exceção é a Mitzvá de guardar o Shabat. Quando o homem pecou, D'us já havia entregado a ele todas as Mitzvót, menos a Mitzvá de Shabat, pois Adam foi criado no sexto dia e transgrediu no sexto dia, antes do Shabat. A Mitzvá de Shabat não recebeu nenhuma influência negativa do erro de Adam Harishon, pois ainda estava nas mãos de D'us. Portanto o Shabat continuou em sua pureza perfeita. É isso o que a Torá quer ressaltar com a palavra "somente", pois os prazeres que temos no Shabat são uma recordação do tempo em que sentíamos muita vontade e satisfação de cumprir as Mitzvót.

Mas para curtir e sentir este prazer do Shabat é preciso primeiro entender um pouco mais de sua essência. A Torá descreve que o mundo material foi criado em seis dias e no sétimo dia D'us descansou. O que significa dizer que D'us descansou? No sétimo dia o mundo não estava mais em um processo de mudanças, e então D'us adicionou ao mundo Sua última criação: a dimensão de tranqüilidade e harmonia. A Palavra "Shabat" vem da mesma raiz da palavra "Shevet", que significa "assentar-se", pois no Shabat D'us fez do mundo Seu lugar de moradia. O Zohar nos ensina que no Shabat D'us criou a harmonia entre Ele e o universo, e cada um que observa as leis do Shabat participa um pouco da eternidade de D'us.

Durante toda a semana mostramos nosso domínio sobre a natureza, criando e transformando. Mas isso acaba nos tornando escravos do mundo material. As pessoas não são mais identificadas por sua essência, e sim por suas profissões e ocupações. O Shabat é justamente o dia de liberdade, o dia de voltar a ser humano. Olhando de fora parece que o Shabat é um dia em que não se pode fazer nada, mas é justamente o contrário, é um dia que podemos nos libertar. Podemos não andar de carro, podemos não usar o computador, podemos não falar no celular, podemos não trabalhar nem pensar no projeto de segunda-feira. Podemos voltar a ter uma família, a sentarmos todos juntos e conversarmos. E principalmente podemos aprender a dar a importância correta a cada coisa que temos na vida. Resumindo, podemos diminuir as pressões e voltarmos a ser nós mesmos.

Explica o Rav Arieh Kaplan, em seu livro "Shabat, um dia de eternidade", que o Shabat nos mantém despertos para o nosso propósito na vida. É fácil se perder no mundo material, e o Shabat é um lembrete constante de que vivemos em uma realidade superior. O Shabat também nos ensina a planejar o futuro, pois da mesma forma que tudo o que comemos no Shabat precisa ser preparado antes, o mesmo vale para a nossa eternidade. O Shabat é um preparativo para os prazeres que sentiremos quando chegar a Era Messiânica, onde todos os nossos esforços poderão ser canalizados para o nosso crescimento espiritual.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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