quinta-feira, 27 de junho de 2019

HUMILDADE COM AUTOESTIMA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHELACH LECHÁ 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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HUMILDADE COM AUTOESTIMA - PARASHAT SHELACH LECHÁ 5779 (28 de junho de 2019)

 
"Um burrinho voltava da roça com um carregamento de lenha. O caminho era estreito e cheio de obstáculos. O burrinho caminhava devagar, humildemente, com as orelhas caídas e murchas. Como a carga era larga, ocupava quase toda a largura do caminho. Justamente quando ele estava na parte mais estreita da estrada, encontrou um belo cavalo que vinha no sentido contrário. Era realmente um belo animal, que marchava orgulhosamente com a cabeça erguida, usando sobre o lombo uma bela manta de lã e um freio de ouro.
 
- Olá, coisa feia! - gritou o cavalo - Saia já da estrada, pois eu quero passar! Não vê quem eu sou?
 
O pobre burrinho, humildemente, nada respondeu. Não poderia voltar e nem liberar a estrada. Encostou-se o mais que pôde no barranco, mas mesmo assim o cavalo não poderia passar com facilidade. O cavalo forçou o passo, avançando impetuosamente. Tentou passar com tanta fúria que se raspou na lenha que o burrinho transportava. Rasgou a manta de lã e também o próprio couro, ficando ferido. Aquela ferida acabou infeccionando e, mesmo tratando com os mais caros medicamentos, depois daquele acidente ele nunca mais foi um cavalo garboso, pois ficou feio com aquele enorme defeito bem visível. Para sua infelicidade, foi vendido a um pequeno fazendeiro, que precisava de um cavalo para puxar uma pesada carroça.
 
A partir de então, sua vida tornou-se muito diferente. Com tanto trabalho, ficou magro e surrado. Tinha que puxar a carroça horas por dia. Certa vez, encontrou-se novamente com o burrinho. Ao ver o estado em que estava aquele cavalo, anteriormente tão orgulhoso, o burrinho ergueu a cabeça, levantou as orelhas, encheu o peito e disse:
 
- Por favor, vossa senhoria pode passar primeiro! O caminho está livre para você passar com sua pesada carroça. Eu desejo que tenha sempre ótimos dias como este de hoje! Que tenha boa e longa vida neste seu novo trabalho".
 
É importante ser humilde. Porém, às vezes, diante de pessoas que querem nos diminuir, devemos erguer a cabeça e sentir orgulho de quem somos. Não são os outros que definem o nosso verdadeiro valor, somos nós mesmos.

Nesta semana lemos a Parashat Shelach Lechá (literalmente "Envie para você"), que descreve uma das maiores tragédias da história do povo judeu. Após entregar a Torá no Monte Sinai, D'us queria que os judeus fossem imediatamente para a Terra de Israel, onde poderiam cumprir na totalidade as Mitzvót que haviam recebido. O povo, porém, não confiou em D'us. Apesar Dele ter prometido, desde Avraham Avinu, que daria a Terra de Israel ao povo judeu, a terra do leite e mel, o povo preferiu mandar espiões para checar. Esta falta de Emuná (fé) acabou custando caro. Apesar dos 12 espiões enviados terem sido escolhidos entre as pessoas mais elevadas do povo, 10 deles voltaram falando mal da Terra de Israel, afirmando que não seria possível conquistá-la. Isto causou uma histeria no povo e um duro decreto de D'us: aquela geração não teria mais o mérito de entrar na Terra de Israel.
 
Um dos únicos espiões que conseguiu escapar da grave transgressão foi Yehoshua bin Nun, o fiel aluno de Moshé. Mesmo diante do incrível impacto negativo do relato dos outros espiões, ele manteve sua Emuná inabalável. Qual foi o "segredo" de Yehoshua para conseguir passar neste teste tão difícil, no qual pessoas tão grandes tropeçaram?
 
Antes do envio dos espiões, há um versículo que chama a atenção: "Aqueles eram os nomes dos homens que Moshé enviou para espiar a terra. Porém, Moshé mudou o nome de Hoshea Bin Nun para Yehoshua" (Bamidbar 13:16). Por que Moshé mudou o nome do seu aluno antes de enviá-lo nesta difícil missão?
 
Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que a mudança do nome foi o reflexo da Tefilá (reza) que Moshé fez pelo seu aluno, pedindo a D'us que o salvasse do tropeço dos espiões. De acordo com o Rav Yonatan ben Uziel zt"l (viveu há cerca de 2.000 anos), quando Moshé percebeu que seu aluno era extremamente humilde, ele mudou o seu nome para Yehoshua. Mas por que Moshé sentiu a necessidade de fazer esta mudança no nome de Yehoshua somente depois de reconhecer a grande humildade dele? E por que justamente o acréscimo da letra "Yud"?
 
Em hebraico, a palavra "traço de caráter" é "Midót". Porém, a palavra "Midót" também significa "medidas". Todos os traços de caráter podem ser utilizados de forma positiva, desde que estejam na medida correta. De acordo com o livro Orchót Tzadikim ("Psicologia dos Justos") mesmo os melhores traços de caráter, como a humildade e a vergonha, também têm um lado negativo, enquanto mesmo os piores traços de caráter, como o orgulho e o descaramento, também podem ser utilizados de uma maneira positiva e construtiva.
 
Apesar da humildade ser um dos traços de caráter mais valorizados por D'us, ainda assim há um lado muito perigoso nela. Explica o Rav Moshé Schreiber zt"l (Alemanha, 1762 - Eslováquia, 1839), mais conhecido como Chatam Sofer, que quando alguém é muito humilde, pode chegar a se sentir insignificante no contexto de sua importância particular no mundo e pode vir a acreditar que nada do que faz é realmente valioso. Esta pessoa pode inclusive começar a negligenciar suas realizações, pois em algum nível pode acreditar que as coisas que faz não valem nada. Além disso, a pessoa que é humilde demais também pode não ter a coragem para enfrentar os outros em sua comunidade, mesmo quando isto é necessário e importante, como quando Reshaim (pessoas ruins) estão causando danos e é necessário que pessoas se levantem contra elas.
 
Quando Moshé percebeu o incrível nível de humildade de seu aluno, teve medo que ele não passaria no teste dos espiões e, por isso, mudou seu nome para Yehoshua, acrescentando uma letra "Yud" no início do seu nome, para que, desta maneira, seu nome começasse com as letras "Yud" e "Hei", que formam um dos Nomes de D'us. Cada um dos Nomes de D'us representa alguma característica Dele. O nome "Yud" e "Hei" representa a grandeza e o poder de D'us. Moshé queria acrescentar em Yehoshua uma espécie de "arrogância positiva", o orgulho de fazer o que é certo. Quando a pessoa é humilde demais, não encontra forças para lutar pelo que é certo e bom. De fato, a palavra em hebraico para arrogância é "Gaavá", cuja "guemátria" (valor numérico) é 15, a mesma "guemátria" do nome de D'us formado pelas letras "Yud" e "Hei". Moshé sabia que Yehoshua precisaria lutar contra uma influência muito forte e sua humildade seria, neste caso, uma desvantagem. Então Moshé rezou para que ele fosse forte e não fosse atingido pelo que aconteceria ao seu redor. Por isso seu nome precisou ser mudado.
 
A necessidade da pessoa se sentir única e especial no mundo é algo profundamente importante para os seres humanos. E, de fato, cada um de nós foi criado fisicamente e emocionalmente único. Apesar de haver mais de 7 bilhões de pessoas no mundo, não há duas pessoas com as mesmas impressões digitais. A capacidade de sermos diferentes vem da força da nossa personalidade, composta até mesmo por um pouco de arrogância. Mas Yehoshua não tinha nada de arrogância. Há um Midrash (parte da Torá Oral) que nos ensina que inicialmente Yehoshua não era nem mesmo respeitado pelo povo judeu. Muitas pessoas o consideravam um tolo, por ele não ser um "Ben Torá" (profundo estudioso da Torá). O tempo inteiro ele estava ao lado de Moshé, honrando-o e sentando-se aos seus pés para escutar seus ensinamentos. A própria Torá define Yehoshua como sendo o "assistente de Moshé" (Bamidbar 11:8). O mérito de Yehoshua ter crescido tanto foi justamente ele ter anulado completamente seu "eu" e ter se tornado o assistente de Moshé. Mesmo mais tarde em sua vida, quando ele foi comparado à lua, refletindo a luz de Moshé, que era comparado ao sol, as pessoas se sentiram envergonhadas. Por isso, Moshé entendeu que precisava tomar uma atitude, para que a humildade de Yehoshua não o derrubasse. Yehoshua aprendeu a transformar o fato de ser o "assistente de Moshé", isto é, alguém que vivia para os outros, em algo que era original e único, algo que era um feito especial, que só ele podia realizar. Yehoshua conseguiu, com esta "pitada" de arrogância, lutar contra a maioria dos espiões que penderam para o lado negativo.
 
Nossa matriarca Sara originalmente tinha uma letra "Yud" em seu nome, Sarai. Mas D'us mudou seu nome para Sara, substituindo o "Yud" por um "Hei". O Midrash nos ensina que aquele "Yud" retirado de Sara foi dado a Yehoshua. Sara significa "mulher nobre", enquanto Sarai significa "minha mulher nobre". Ao perder seu "Yud", Sara foi tirada de sua posição de uma grande mulher voltada a si mesma para se tornar uma grande mulher que lideraria e serviria à humanidade toda. Por isso seu nome passou, da forma mais pessoal "minha mulher nobre", para "mulher nobre", algo mais geral. Yehoshua, ao contrário, entraria em uma situação na qual sua capacidade de manter sua força interior seria primordial. Há momentos em que não podemos pensar nos outros. Há momentos em que somos obrigados a defender o que é certo. Yehoshua precisava que o "Yud" lhe desse forças para lutar contra o perigo da missão dos espiões. Caso eles falassem mal da Terra de Israel, ele precisaria de forças para se levantar e ir contra a maioria. No final, foi justamente o "Yud" extra que salvou Yehoshua de um enorme tropeço.
 
Na realidade, todos nós precisamos deste "Yud" extra em nossas vidas. A lição que fica desta Parashat é que a força que precisamos para vencer as dificuldades da vida vem de uma autoestima saudável. Cada pessoa deve saber que pode e deve lutar contra a maré quando esta maré estiver puxando-a para um iminente afogamento. Cada pessoa deve saber que ele é único, importante e especial, mas sem nunca esquecer de ser humilde. O Rav Bunim MiPeshischa zt"l (Polônia, 1765 - 1827) ensina que cada pessoa precisa andar com dois pedaços de papel no bolso. Em um bolso ele deve ter um papel que diz: "Eu sou pó e cinzas" (Bereshit 18:27). Porém, no outro bolso ele deve ter um papel que diz: "Todo o mundo foi criado apenas para mim" (Talmud Sanhedrin 37a). Com este equilíbrio entre a humildade e a autoestima, a pessoa pode lutar contra as dificuldades da vida e, com esforço, pode atingir a perfeição.
 
SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm       

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT SHELACH LECHÁ 5779:

São Paulo: 17h11  Rio de Janeiro: 17h00  Belo Horizonte: 17h08  Jerusalém: 19h13
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
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