sexta-feira, 15 de abril de 2011

SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH 5771

BS"D

           

APRENDENDO A DAR VALOR - PESSACH 5771 (15 de abril de 2011)

 

Certa vez um rabino foi até a cobertura de um edifício para apreciar a vista e se deparou com um homem que estava prestes a pular. O rabino tentou puxar uma conversa com o homem, que estava muito nervoso, e perguntou qual era o motivo pelo qual ele queria acabar com a vida daquela maneira. O homem relatou os tremendos sofrimentos e dificuldades pelos quais estava passando na vida. O rabino entendeu a dor que o homem sentia, mas fez uma pergunta:

 

- Com todo este sofrimento pelo qual você está passando, se você também fosse cego, seria melhor ou pior?

 

O homem concordou que, se fosse cego, certamente sua situação seria ainda pior. O rabino então continuou:

 

- Imagine então que você tivesse nascido cego e estivesse prestes a se matar pelos mesmos motivos que você quer se matar agora. Se no instante que você fosse pular um milagre acontecesse e você ganhasse a visão, mesmo assim você pularia?

 

- Não, rabino. Se este milagre acontecesse eu não pularia.

 

- Por que não? – perguntou o rabino, curioso – seus problemas continuariam os mesmos!

 

- É verdade – respondeu o homem – mas quando o milagre tivesse me trazido de volta a visão, eu iria aproveitar para ver o que eu havia perdido durante anos de escuridão. As cores, a natureza, a beleza do mundo. Sentir a alegria de ver meus amigos, minha família e um belo pôr-do-sol na praia.

 

- Mas você pode ver tudo isso agora – conclui o rabino – pois você não nasceu cego. Por que você não aproveita que tem olhos e vai ver tudo isso que você me descreveu?

 

- Pois eu já estou acostumado com tudo isso – respondeu o homem.

 

- Então entenda algo. Não faltam bons motivos para você continuar vivo, falta você enxergar os motivos. Se você foca no que você não tem e no que dá errado na sua vida, esta é a chave da sua desgraça e infelicidade. Mas se você quer ser feliz, você deve focar no que você tem e nos acertos que você fez na vida!

 

O homem, ao escutar estas sábias palavras, desceu do muro. Ele entendeu que certamente tinha muitas coisas boas que recebia todos os dias e nunca havia dado valor.

 

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Na próxima segunda feira de noite (18 de abril) começa a festa de Pessach. A noite se inicia com o Seder, no qual nos sentamos com nossas famílias e amigos e recontamos toda a história da saída do Egito e os milagres e bondades que D'us fez para nos salvar da escravidão física e espiritual. A noite do Seder de Pessach é uma noite voltada ao agradecimento a D'us por todas as bondades que Ele nos fez e nos faz a cada instante. E na própria Hagadá nossos sábios fixaram textos de reconhecimento e agradecimento.

 

Explica o Talmud que para cumprirmos a obrigação de recontar a nossa saída do Egito, precisamos começar a contar as coisas ruins antes de contar as coisas boas. E o Talmud traz duas opiniões sobre o que é considerado o início ruim. Segundo uma das opiniões, devemos começar mencionando a escravidão no Egito, enquanto segundo a outra opinião devemos começar mencionando que nossos antepassados, antes de Avraham, eram idólatras.

 

Ao observarmos a Hagadá, vemos que as duas opiniões do Talmud foram aceitas, pois a Hagadá descreve a nossa escravidão no Egito e menciona também os nossos antepassados idólatras. Por que as duas opiniões foram utilizadas? Pois nossos sábios entenderam que as duas opiniões nos ensinam alguma lição fundamental sobre a característica de "Hakarat Hatóv" (agradecer por uma bondade recebida).

 

Segundo a opinião que devemos começar pela escravidão, o ensinamento é mais fácil de ser entendido. Para sermos realmente agradecidos pelo que temos, precisamos contrastar a situação atual positiva com os sofrimentos passados e as dificuldades pelas quais passamos para atingir os bons resultados. Por exemplo, quando a pessoa chega a uma situação financeira confortável na vida, é muito fácil esquecer todas as bondades que D'us fez. Portanto, se a pessoa quer de verdade agradecer a D'us com toda a sua força, ela deve constantemente lembrar-se dos momentos difíceis, quando mal podia se sustentar, pois isso ajuda a despertar o sentimento de gratidão por D'us. O mesmo devemos fazer no Seder de Pessach: começamos lembrando da terrível escravidão e dos sofrimentos que nos eram infligidos no Egito para podermos realmente apreciar a bondade de D'us nos ter retirado de lá.

 

Mas de acordo com a outra opinião, que devemos começar a Hagadá lembrando que nossos antepassados eram idólatras, qual é o ensinamento que fica para nós sobre o agradecimento? No que ajuda, em termos de reconhecer as bondades de D'us, recordar esta "mancha" do passado?

 

Uma das características que D'us mais abomina nos seres humanos é o orgulho e a arrogância. A pessoa que é arrogante vive como se o mundo tivesse sido criado para ela, de forma que tudo o que as pessoas fazem é visto como uma mera obrigação. Por isso, um dos fatores que mais afasta a pessoa do sentimento de agradecimento é a arrogância. A pessoa sente que merece tudo o que recebeu e por isso não há nenhuma necessidade de agradecimento. É como se as pessoas não tivessem feito nada de especial por ela, pois afinal, ela se sente no direito de esperar que as pessoas a sirvam. Já a pessoa humilde sente justamente o contrário. Ela tem sempre um grande sentimento de agradecimento no seu coração, pois sente que não merece nada. Por isso, tudo o que alguém faz por ele é especial, é uma grande bondade, e ele se sente na obrigação de agradecer e reconhecer.

 

Portanto, é este o propósito de começar a Hagadá lembrando que nossos antepassados eram idólatras. Quando colocamos no coração que éramos descendentes de idólatras, isto quebra o nosso orgulho e nos torna humildes. Não temos que andar de nariz empinado, pois nossos antepassados se curvavam para ídolos de madeira e pedra e, se não fosse a bondade de D'us, seríamos idólatras até hoje, como está explicito na Hagadá: "No começo nossos antepassados serviram ídolos, e agora D'us nos aproximou para que servíssemos a Ele". Não está escrito "éramos idólatras e por nossa inteligência deixamos de ser", e sim "éramos idólatras e D'us nos aproximou", com Chessed e não pelos nossos méritos.

 

Este é um ensinamento que devemos levar para nossas vidas, não apenas durante Pessach, mas durante o ano todo. Devemos sentir que não merecemos nada, e tudo o que os outros fazem por nós é uma grande bondade. Se conseguirmos trabalhar esta característica de reconhecer as bondades que recebemos dos outros, chegaremos a reconhecer as bondades que recebemos de D'us a cada instante. Infelizmente vivemos como se D'us tivesse a obrigação de nos dar, todos os dias de manhã, a visão, a audição e a possibilidade de andar. Mas a verdade é que Ele não tem obrigação nenhuma. Tudo o que Ele faz é por bondade. Quem tem obrigação somos nós. A obrigação de reconhecer e agradecer por todas as bondades que recebemos, o tempo inteiro, que fazem a nossa vida, apesar dos problemas e dificuldades, valer muito a pena.

 

SHABAT SHALOM e PESSACH KASHER VE SAMEACH

 

Rav Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Ester bat Libi, Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch  ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Ester bat Elisa, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Shmuel ben Chava, Chaim Dov Rafael ben Esther.

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).

 

 


sexta-feira, 8 de abril de 2011

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ METSORÁ 5771

BS"D

           

LEVANTANDO 7 VEZES - PARASHÁ METSORÁ 5771 (08 de abril de 2011)

 

"Havia um rei que reinava com bondade e justiça. Mas ele não tinha certeza se as pessoas realmente gostavam dele. Então ele teve uma idéia: se fantasiou como um mendigo e saiu pelas ruas, para escutar pessoalmente do povo o que diziam sobre ele.

 

O rei, que nunca havia caminhado sozinho pelas ruas da cidade, acabou entrando por engano em uma viela escura e foi assaltado por um bando de bandidos cruéis. Os bandidos roubaram tudo o que ele tinha e ainda queriam machucá-lo, mas um dos ladrões, que teve uma faísca de misericórdia em seu coração, ferozmente protegeu o suposto mendigo do ataque dos outros ladrões e ajudou-o a escapar ileso.

 

Quando o rei chegou ao palácio, decidiu fazer um grande banquete para comemorar sua salvação milagrosa. Chamou todos os seus ministros e pessoas importantes do reino, e também fez questão de convidar o ladrão que havia salvado sua vida.

 

No dia do banquete, estavam sentados à mesa os ministros e as pessoas distintas, com suas roupas chiques e impecáveis, quando de repente entra no salão o ladrão, com suas roupas simples e velhas. Imediatamente ele se sentiu desconfortável na presença de pessoas tão bem vestidas e quis ir embora. Os ministros também se sentiram incomodados e olharam, perplexos, aquele sujeito vestido de maneira inadequada em pleno salão de banquetes do rei.

 

Mas a surpresa maior foi quando o rei entrou no salão e, antes de cumprimentar as pessoas importantes, dirigiu-se diretamente ao ladrão, deu-lhe um grande abraço e convidou-o a sentar ao seu lado na mesa principal, dando-lhe uma grande honra. Vendo o espanto nos olhos dos outros convidados, o rei explicou:

 

- Este banquete é um agradecimento por minha vida ter sido salva. E este homem é o verdadeiro responsável pela minha salvação. Se hoje vocês têm um rei, é pelo mérito dele. Por isso, em agradecimento, eu o convidei para o banquete e quero fazer dele um dos meus maiores ministros"

 

Explica o Rav Itzele Blazer que a pessoa que comete um erro mas se arrepende sinceramente e abandona suas transgressões é como se proclamasse no mundo inteiro que D'us é o Rei. Por isso D'us ama mais aquele que errou e se arrependeu do que aquele que nunca caiu.

 

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Na Parashá desta semana, Metsorá, a Torá descreve o processo de purificação de uma pessoa que havia contraído a doença espiritual de Tzaráat, que atacava aqueles que cometiam alguns tipos de transgressões graves, entre elas o "Lashon Hará", falar ou escutar informações que denigrem outra pessoa. Entre os processos de purificação estava a imersão em uma Mikve (banho ritual), como está escrito "E a pessoa em processo de purificação... deve imergir na água e tornar-se puro" (Vayikrá 14:8). Qual o significado da imersão na Mikve como parte do conserto de um erro cometido?

 

Todos nós cometemos erros na vida. Levados pelos nossos desejos, pela honra ou pela inveja, fazemos besteiras e nos desviamos. Mas ao "cair na real", isto é, ao percebermos a grande tolice que fizemos, nos vem um forte sentimento de culpa e desânimo. Em geral este sentimento tem um efeito indesejado e causa uma consequente queda espiritual acentuada, pois às vezes a pessoa fica tão transtornada com o erro que cometeu que chega a despencar espiritualmente por não ter força para continuar. Neste sentido, a conseqüência da transgressão acaba sendo mais prejudicial do que a própria transgressão.

 

A Torá traz alguns exemplos de pessoas que, ao cometerem algum pecado ou falharem em alguma decisão, sofreram uma enorme queda espiritual. Um dos casos clássicos é o de Orpá, cuja história está descrita no livro de Ruth. Naomi tinha duas noras, Ruth e Orpá. Quando Naomi decidiu voltar para Israel, Ruth e Orpá, que vinham de povos idólatras, decidiram que iriam se converter ao judaísmo e aceitariam sobre si um único D'us. Neste ponto, o nível espiritual de Orpá era tão elevado quanto o de Ruth, a bisavó do Rei David. Mas quando Naomi insistiu para que Ruth e Orpá voltassem para suas casas, Orpá não conseguiu mais passar no teste e decidiu voltar para sua casa e para suas idolatrias em Moav. O que seria lógico acontecer? Que com este erro isolado Orpá tivesse permanecido em um patamar espiritual elevado, apenas um pouco mais baixo que o de Ruth. Mas o Midrash (parte da Torá Oral) nos relata que na mesma noite em que Orpá abandonou Naomi e voltou para sua casa, ela afundou em um dos mais baixos níveis de depravação. Como esta queda ocorreu de forma tão dramática, em apenas uma noite?

 

Explica o Rav Chaim Shmulevitz que quando Orpá viu que havia falhado no grande teste de abandonar suas idolatrias para receber sobre si a existência de um único D'us, ela ficou tão abalada que perdeu completamente seu equilíbrio espiritual. Ela não conseguiu deixar de lado seu erro e recomeçar, e por isso acabou caindo de vez nas mãos do seu Yetzer Hará (má-inclinação). Mas então qual a solução para que este tipo de desânimo não nos domine quando cometemos alguma transgressão?

 

A dica está na Parashá desta semana. Explica o Sefer HaChinuch que o mundo, antes da criação do ser humano, estava completamente coberto de água. O mergulho nas águas da Mikve simboliza, portanto, uma volta ao começo da criação, antes do erro de Adam Harishon. Mergulhar completamente na água da Mikve representa deixar para trás as transgressões e recomeçar de cabeça erguida. Mesmo que a pessoa que se contaminou com a Tzaráat havia pecado de maneira grave, a Torá nos ensina que ela não estava condenada a uma queda perpétua. Ele podia, através de um arrependimento sincero, deixar seus erros para trás e recomeçar.

 

Este conceito está nas próprias características construtivas da Mikve. A medida mínima de água natural de uma Mikve é de 40 seá (seá é uma medida de volume da Torá). O número 40 aparece em diversas ocasiões importantes da Torá. Por exemplo, foram 40 dias de chuva durante o dilúvio e 40 anos que o povo judeu permaneceu no deserto. Qual o ponto em comum entre a Mikve, o dilúvio e o tempo em que o povo judeu permaneceu no deserto?

 

Na geração de Noach as pessoas haviam se corrompido completamente. D'us então decidiu destruir o mundo inteiro e recomeçar através da família de Noach. No deserto o povo judeu também cometeu o terrível pecado dos espiões, quando a maioria do povo perdeu sua Emuná (fé) em D'us e todos choraram sem motivo. D'us jurou que aquela geração não entraria na Terra de Israel e, por isso, decretou que eles permaneceriam por 40 anos no deserto, para que toda aquela geração fosse renovada. O ponto em comum entre os dois eventos é a renovação, mesmo após graves transgressões. É isso que o número 40 representa, a possibilidade de um novo começo. E é este o propósito da pessoa que contraiu Tzaráat ir à Mikve: a chance do transgressor levantar a cabeça e, apesar do grave erro cometido, seguir em frente no seu trabalho espiritual.

 

Esta é a mesma idéia que Shlomo Hamelech (Rei Salomão) nos ensina: "Tzadik é aquele que cai sete vezes e se levanta" (Mishlei – Provérbios 24:16). Shlomo Hamelech nos ensina que o Tzadik não é aquele que nunca cai, pois isto é impossível. A Torá nos descreve que mesmo os gigantes espirituais do povo judeu cometeram erros. A Torá atesta que "Nunca mais se levantou em Israel um profeta como Moshé, que conheceu D'us face a face" (Devarim 34:10). Este é o mesmo Moshé que bateu na pedra, indo contra o que D'us havia pedido. A grandeza de Moshé não está no fato dele nunca ter errado, pois ele, como todos os seres humanos, também cometeu erros. A grandeza está no fato dele conseguir a força para se levantar e continuar seu crescimento espiritual. Portanto, segundo a Torá, Tzadik é aquele que, apesar de cair, não desiste. Ele se renova e recomeça de cabeça erguida.

 

Ensina o Talmud algo impressionante: "No lugar onde se encontra um Baal Teshuvá (pessoa que se desviou, mas se arrependeu e voltou aos caminhos corretos), mesmo um Tzadik Gamur (uma pessoa completamente Justa) não pode chegar". Quando uma pessoa nos magoa ou nos irrita, mesmo depois que fazemos as pazes com ela, o amor não volta o mesmo, ficam algumas marcas. Mas D'us não se comporta como os seres humanos. Quando alguém comete transgressões e depois faz Teshuvá, D'us ama a pessoa ainda mais do que amava antes. Pois D'us vê no esforço da pessoa a sua vontade sincera de consertar os erros cometidos.

 

O sentimento de remorso pode e deve ser utilizado de forma positiva. Podemos canalizar e utilizar este sentimento para nos proteger, evitando futuras transgressões. Mas temos que aprender a lição da Mikve, a possibilidade de se renovar, o ensinamento de não ficarmos atolados nos nossos erros. Errar é humano, o diferencial está em levantar a cabeça e continuar, sem desânimo, o nosso caminho de crescimento.

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 1 de abril de 2011

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TAZRIA 5771

BS"D
 
PALAVRAS SOB MEDIDA - PARASHÁ TAZRIA 5771 (01 de abril de 2011)
 
"O Rabino Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, dedicou sua vida a ajudar as pessoas a evitarem o Lashon Hará, a grave transgressão de falar ou escutar informações que denigrem outra pessoa. Ele viajava de cidade em cidade, dando palestras sobre a gravidade desta transgressão e orientando as pessoas a como evitar as terríveis consequências dela.
 
Em uma destas viagens, o Chafetz Chaim havia terminado uma palestra para um grande público e, quando já estava saindo, foi abordado por um dos judeus da comunidade local. O Chafetz Chaim viu que ele parecia estar bastante incomodado e tenso. Então o homem começou a desabafar:
 
- Rabino, você acabou com a minha vida! Depois de tudo o que você explicou nesta palestra, eu nunca mais poderei falar nada!
 
O Chafetz Chaim abriu um sorriso e disse:
 
- Ao contrário, meu senhor, eu salvei sua vida. Até hoje você não podia falar nada, pois não sabia o que era proibido e o que era permitido. A partir de hoje você pode falar à vontade, apenas tomando o cuidado de falar assuntos que são permitidos"  
 
As leis sobre Shmirat Halashon (cuidados com a fala) são muito importantes, pois sem sabê-las podemos estar fazendo transgressões muito graves com terríveis consequências espirituais para todo o mundo.
 
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Nesta semana lemos a Parashá Tazria, que trata principalmente da Tzaraat, uma doença espiritual cuja principal manifestação física se dava através de manchas que apareciam na pele. Se a Tzaraat era uma doença espiritual, qual era a transgressão associada a ela? O Talmud nos ensina que o principal motivo para o aparecimento das manchas era o Lashon Hará, o ato de falar ou escutar coisas negativas sobre outras pessoas, principalmente informações que causam prejuízos financeiros ou psicológicos. Mas por que justamente na transgressão de Lashon Hará apareciam as manchas e não em outros tipos de transgressões? Esta transgressão é mais grave do que as outras?
 
Há um Midrash (parte da Torá Oral) famoso que conta a história de um vendedor ambulante que entrou em uma cidade e começou a anunciar "Quem quer vida longa? Quem quer vida longa?". Havia nesta cidade um rabino chamado Rav Yanai, que se interessou pelo anúncio e, achando que o homem oferecia algum elixir milagroso que alongava a vida, perguntou o que ele estava vendendo. O vendedor ambulante imediatamente retirou do bolso um livro de Tehilim (Salmos) e leu para o Rav Yanai o seguinte versículo: "Quem é o homem que deseja vida?... Guarda sua língua do mal e seus lábios da enganação" (Tehilim 34:13,14). O Rav Yanai ficou encantado com o vendedor ambulante e comentou que nunca havia entendido a interpretação do versículo até aquele momento.
 
Mas deste Midrash fica uma grande dúvida. O Rav Yanai era um grande estudioso de Torá, então o que um simples vendedor ambulante conseguiu ensinar para ele? Será que há, nestes versículos aparentemente simples, algum entendimento mais profundo?
 
Explicam os nossos sábios que o Rav Yanai pensou, durante toda sua vida, que a única forma de não falar Lashon Hará era fazendo voto de silêncio, isto é, falando apenas o mínimo necessário. O ideal seria, portanto, se tornar um eremita e viver isolado em uma caverna. Mas o vendedor ambulante veio lhe ensinar uma importante lição de vida. A palavra "fofoca", em hebraico, é "Rechilut", que vem da mesma raiz de "Rochel", que significa "vendedor ambulante". Qual a conexão entre o vendedor ambulante e a fofoca? Como o vendedor ambulante era uma pessoa que ia de casa em casa oferecer seus produtos, era comum que ele conhecesse a intimidade de todas as pessoas da cidade. Era muito freqüente que o vendedor ambulante levasse, junto com seus produtos, informações de uma casa para outra, causando com que muitos detalhes íntimos das pessoas fossem revelados através desta fofoca. Quando o Rav Yanai viu que até mesmo um vendedor ambulante, pessoa que passa o dia inteiro falando e conversando com as pessoas, estava lendo no livro de Tehilim os versículos sobre guardar a boca e evitar o Lashon Hará, ele entendeu que é possível uma pessoa ser socialmente ativo e, ao mesmo tempo, cuidar de sua boca. Tudo depende do autocontrole e do constante estudo para conhecer as leis da fala permitida e proibida.
 
O Rav Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, foi um dos maiores sábios do começo do século passado. Ele dedicou sua vida para ajudar as pessoas a evitarem o Lashon Hará, reunindo as principais leis sobre o Shmirat Halashon (cuidados com a fala) em seus livros. Ele ressaltava as graves consequências espirituais do Lashon Hará para o povo judeu, inclusive a destruição do nosso Segundo Beit-Hamikdash (Templo Sagrado). O primeiro Beit-Hamikdash, que foi destruído por causa de idolatria, assassinato e relações ilícitas, foi reconstruído depois de 70 anos. Já o Segundo Beit-Hamikdash, que foi destruído por causa do ódio gratuito e pelo Lashon Hará, até hoje, mais de 2 mil anos depois, ainda não foi reconstruído.
 
Mas afinal, por que o Lashon Hará é tão grave? Entendemos que D'us abomina transgressões como idolatria, assassinato e relações ilícitas, pois são atos que pervertem o ser humano e nos afastam da nossa espiritualidade. Mas o que pode haver de tão grave em fazer uma pequena fofoca ou um comentário maldoso sobre alguém de que não gostamos?
 
Explica o Chafetz Chaim algo incrível sobre os mundos espirituais. Da forma que nos comportamos aqui embaixo, despertamos forças espirituais equivalentes nos mundos superiores. Por exemplo, quando as pessoas se respeitam e tratam os outros com misericórdia, são despertadas forças espirituais de misericórdia sobre todo o mundo. Já quando as pessoas são muito rigorosas com as outras, não deixando nada passar e não se comportando com misericórdia, são despertadas sobre o mundo forças espirituais de justiça estrita. Da mesma forma, quando a pessoa fala Lashon Hará sobre seu companheiro e começa a acusá-lo por um erro cometido, imediatamente ele desperta forças espirituais de acusação contra o povo judeu, e isso causa com que coisas ruins venham para o mundo.
 
Mas por que o Lashon Hará piora a situação? Se D'us é Onisciente, Ele já sabe quais são os pecados do povo judeu. Então por que os castigos chegam somente depois das pessoas fazerem Lashon Hará?
 
Um pai ama seus filhos acima de tudo. Por isso, mesmo quando ele vê que seu filho cometeu um erro, ele passa por cima e perdoa. E mesmo quando um pai castiga, castiga pouco. Porém, o que acontece quando alguém fica o tempo inteiro contando ao pai sobre os maus atos do filho? Isso causa com que o pai fique de cabeça quente e castigue o filho de maneira muito severa. Mas quando a fúria do pai passa e ele vê o sofrimento do filho pelos pesados castigos que recebeu, o que acontece? A fúria do pai se acende contra aquele que falou mal de seu filho e causou todos aqueles sofrimentos.
 
Da mesma maneira, D'us nos ama mais do que um pai ama seu filho, e mesmo que Ele nos vê fazendo transgressões, por misericórdia Ele passa por cima e não nos castiga, ou castiga de maneira leve. Mas quando surgem forças espirituais de acusação, D'us se vê "forçado" a castigar o povo judeu de maneira mais dura. Mas quando a "fúria" de D'us passa, Ele "sofre" ao ver os sofrimentos causados pelo castigo pesado e Sua Fúria se acende sobre aqueles que, através do Lashon Hará, despertaram as forças espirituais de acusação e que são, portanto, os verdadeiros causadores de todos os sofrimentos. Por isso, do ponto de vista espiritual, o Lashon Hará acaba sendo mais grave do que as piores transgressões.
 
Outro fator que torna o Lashon Hará mais grave do que outras transgressões é justamente o fato de não enxergarmos o quanto ele é prejudicial. Quando uma pessoa faz idolatria ou comete um assassinato, imediatamente ela se arrepende deste ato abominável e faz Teshuvá (volta aos caminhos corretos). Porém, quando alguém fala Lashon Hará, se sente como se não tivesse feito nada de errado. Por isso ensinam os nossos sábios que D'us perdoa todas as transgressões, menos a transgressão de Lashon Hará.
 
Segundo as profecias contidas na Torá, o Terceiro Beit-Hamikdash, que virá ao mundo após a revelação do Mashiach, nunca mais será destruído. Muitos comentaristas explicam que, diferente dos dois primeiros Templos, o Terceiro Beit-Hamikdash não será construído por mãos humanas, ele virá pronto do Céu. Mas será que não teremos nenhuma participação nesta Mitzvá tão grande de construir o nosso Beit-Hamikdash eterno?
 
Explica o Chafetz Chaim que, da mesma forma que o Beit-Hamikdash foi destruído por causa do Lashon Hará, ele será reconstruído pelo mérito daqueles que, apesar de sentirem vontade de falar mal dos outros, conseguirem se controlar e permanecer de boca fechada. Cada vez que passamos pelo teste, colocamos mais um tijolo no Beit-Hamikdash. Da mesma forma que nas sinagogas há placas de agradecimento aos doadores, cada um que evitar o Lashon Hará estará recebendo, para toda eternidade, uma placa de doação no Beit-Hamikdash eterno.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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sexta-feira, 25 de março de 2011

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHEMINI 5771

BS"D
 
SILÊNCIO DOS JUSTOS - PARASHÁ SHEMINI 5771 (25 de março de 2011)
 
"O Rav Eliahu Dovid Rabinowitz foi um grande rabino que viveu nos meados de 1800 e chegou a ser o Rabino Chefe de Jerusalém. Ele era muito conhecido por sua pontualidade e costumava ficar extremamente incomodado quando as pessoas não cumpriam os horários que haviam sido estabelecidos para algum evento.
 
Infelizmente o Rav Eliahu passou por uma grande desgraça familiar. Sua filha faleceu em uma idade muito jovem, pouco depois de se casar. Mas nunca ninguém escutou de sua boca uma única palavra de lamentação ou inconformismo com a vontade de D'us. Ao contrário, ele continuou por toda a vida com seu trabalho espiritual sem nunca perder o entusiasmo.
 
Mas o mais impressionante ocorreu no dia do enterro de sua filha. O Chevra Kadisha, sabendo da pontualidade do Rav Eliahu, deixou tudo pronto para que o enterro ocorresse exatamente no horário pedido pela família. Porém, quando chegou o horário, o Rav Eliahu entrou em uma sala, se trancou por 20 minutos e somente depois disso saiu e fez um sinal para que a cerimônia continuasse. Alguns dias depois ele explicou aos seus familiares o motivo do atraso no enterro:
 
- A lei judaica nos ensina a bendizer as coisas ruins com o mesmo entusiasmo que bendizemos as coisas boas. No momento em que o enterro ia começar, eu sabia que teria que dizer a Brachá "Baruch Daian HaEmet" (Bendito é o Juiz da verdade), mas senti que não estava pronto para dizer a Brachá com todo o coração. Então eu me fechei por algum tempo em uma sala e tentei lembrar e sentir novamente a alegria que eu senti quando minha filha havia nascido. Somente depois disso, sentindo o mesmo sentimento, eu fiz a Brachá "Baruch Daian HaEmet", reconhecendo que tudo o que D'us faz é para o nosso bem"
 
Há pessoas que, mesmo no auge da dor, conseguem superar e vencer o desânimo. Isto é apenas possível quando colocamos no coração que tudo o que D'us faz é para o nosso bem, mesmo quando não entendemos.
 
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Na Parashá desta semana, Shemini, o povo judeu ainda estava festejando a inauguração do Mishkan quando uma grande tragédia se abateu sobre Aharon, o Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Dois de seus filhos, Nadav e Avihu, que eram Cohanim, trouxeram uma oferenda de incenso que D'us não havia pedido e morreram imediatamente. Como a Torá descreve a reação de Aharon a esta tragédia? "E Aharon silenciou" (Vayikrá 10:3). Alguns versículos depois D'us apareceu para Aharon e ensinou uma lei de conduta dos Cohanim, que não podiam se embebedar antes de entrar para realizar os serviços sagrados.
 
Ficam algumas perguntas sobre este evento trágico. Se a grande maioria das Mitzvót foram ensinadas através de Moshé, por que justamente agora D'us escolheu ensinar esta através de Aharon? Além disso, será que este era o melhor momento para D'us ensinar algo a Aharon, quando ele estava provavelmente arrasado pela morte dos filhos? E finalmente, qual a relação entre o ensinamento da Mitzvá com o silêncio de Aharon?
 
A Torá, em várias ocasiões, nos ensina a importância da alegria em todos os momentos da vida, mesmo quando passamos por dificuldades. Por exemplo, Yaacov Avinu foi um dos maiores profetas do povo judeu e por diversas vezes a Torá descreve D'us falando diretamente com ele. Porém, durante os 22 anos em que seu Yossef esteve no Egito e Yaacov não sabia o que havia acontecido com seu filho, D'us não apareceu para Yaacov. Por que? Pois a presença de D'us só repousa sobre aqueles que estão felizes. Como Yaacov passou estes 22 anos imerso em sofrimento e tristeza, D'us não se revelou para ele durante todo este período.
 
Mas se este conceito da presença de D'us não repousar sobre quem está imerso em tristeza está correto, como pode ser que D'us falou diretamente com Aharon logo depois do falecimento de dois de seus filhos?
 
Um conceito difícil para o ser humano entender racionalmente é que esta vida é apenas algo passageiro e que a vida verdadeira vem depois da separação do nosso corpo e alma. Mas D'us nos deu um modelo onde podemos enxergar este conceito. Se observarmos a gestação de um bebê, é óbvio que ele não foi criado para viver apenas dentro do ventre, pois se fosse este o propósito, para que serviriam seus órgãos e membros? Por exemplo, para que servem seus olhos, se ele nada vê? Para que serve sua boca, se ele não fala nem se alimenta? Para que serve seu nariz, se ele não consegue sentir nenhum cheiro? Sabemos que a gestação é apenas uma preparação para a vida verdadeira fora do útero. Todos os órgãos estão em formação para serem utilizados no momento em que o bebê sair. O mesmo ocorre em nossas vidas. Para que D'us colocou dentro de nós uma alma espiritual? O que ela nos acrescenta na nossa vida material? Nada. Isto é uma prova de que esta vida é apenas uma preparação para a vida verdadeira e infinita, que virá após a morte. É por isso que não comemoramos a data de nascimento dos grandes Tzadikim, somente o Yortzait (data de falecimento), pois o nascimento é o início de uma vida temporária, enquanto o falecimento é o início da nossa vida verdadeira.
 
Mas passar pelo teste de perder parentes não é um teste fácil. É necessário uma preparação e uma claridade muito grandes. Explica Rashi, comentarista da Torá, que o silêncio de Aharon foi uma demonstração de grandeza. E por este ato ele mereceu uma recompensa: em seu nome foi ensinada uma importante lei para todas as gerações do povo judeu. E por que D'us escolheu ensinar esta lei justamente neste momento difícil para Aharon? Para nos mostrar que o silêncio de Aharon não foi pelo choque da perda e sim por ter recebido o decreto de D'us com amor. Não foi um silêncio de tristeza, foi um silêncio de aceitação da vontade de D'us sem questionamentos. Aharon foi recompensado por ter chegado neste nível muito elevado, por ter passado neste teste tão difícil. Seu silêncio mostrou seu verdadeiro potencial.
 
Para nós parece um nível sobre-humano conseguir chegar a esta tranqüilidade em momentos de tamanho sofrimento. Como Aharon conseguiu chegar neste nível? Através de uma reflexão profunda sobre o propósito da vida neste mundo ele conseguiu chegar ao reconhecimento pleno da imortalidade da alma. Por isso ele entendia que não há motivos para tristeza quando alguém parte deste mundo.
 
Este conceito também aparece em outro versículo da Torá que fala sobre luto: "Vocês são filhos de Hashem, teu D'us. Não causem cortes em si mesmos e não arranquem o cabelo entre seus olhos por um morto" (Devarim 14:1). A Torá proíbe atos de desespero quando passamos por uma situação de perda de um ente querido. Mas por que o versículo começa com as palavras "vocês são filhos de Hashem"? Pois a forma de conseguirmos consolo e tranquilidade é refletir que somos filhos de D'us, e que Ele nos ama mais do que um pai ama seu filho. Da mesma forma que um pai sempre busca o bem de seu filho, não devemos nos desesperar pela perda de um ente querido ao ponto de causar ferimentos em nós mesmos, pois tudo o que Ele nos faz é para o nosso bem. E mesmo se não entendemos Seus atos, somos como filhos pequenos que não entendem os atos de seus pais, mas confiam neles. Devemos confiar em D'us, pois Ele nos criou apenas por amor.
 
D'us nos garantiu que nossa alma é infinita e, no momento em que sai deste mundo, volta para perto Dele. Por isso não há sentido algum em se desesperar, mesmo quando, D'us nos livre, pessoas partem deste mundo ainda jovens. Há Alguém, de bondade infinita, supervisionando tudo o que acontece. Alguém que nos ama mais do que amamos a nós mesmos, Alguém que sabe e vê coisas que nós não sabemos ou vemos.
 
O versículo da Torá proíbe o desespero, mas não proíbe o choro por uma perda. Por que? Pois o choro é uma reação natural que ocorre com a separação temporária entre pessoas que se amam. Quando o filho está no aeroporto, pronto para embarcar para seus estudos na Universidade de Harvard, a mãe chora sem parar. Por mais que ela sabe que será bom para o filho, que todo o futuro dele será melhor justamente por este passo que ele está dando, mesmo assim a dor da separação é grande. Segundo o Ramban (Nachmanides), aquele que tem Emuná (fé) verdadeira em D'us sabe que a morte é apenas uma passagem para um mundo melhor. O choro é apenas pela separação temporária.
 
Pedimos todos os dias para que D'us não nos mande testes. Mas devemos estar sempre prontos, colocando no coração que tudo o que Ele faz é para o nosso bem, mesmo quando, por nossa limitação, não conseguimos enxergar ou entender.
 
"Quando a pessoa nasce, ela está chorando, mas todos em volta estão rindo. Quando a pessoa morre, todos em volta estão chorando, mas ela está rindo"
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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sexta-feira, 18 de março de 2011

SHABAT SHALOM M@IL - PURIM 5771

BS"D
 
QUEM PROCURA, ACHA - PURIM 5771 (18 de março de 2011)
 
"A Sra. Kogan (nome fictício) e sua filha voltavam para São Paulo de avião, após passarem um mês de férias na Bahia. A viagem estava tranqüila, o vôo havia saído no horário, tudo transcorria bem. Até que o avião chegou a São Paulo e, por causa do mau tempo, não conseguiu pousar. As nuvens eram tão espessas que tiravam praticamente toda a visibilidade do piloto. Nestas condições, fazer uma aterrissagem utilizando apenas instrumentos era algo extremamente perigoso, um risco que o piloto preferia não correr. Por isso ele ficou dando voltas em torno do aeroporto, esperando que as condições meteorológicas melhorassem.
 
Após um longo tempo voando em círculos, o piloto ligou o rádio de comunicação com os passageiros e, inexplicavelmente, deu uma informação que de nada servia aos passageiros a não ser criar no avião uma grande histeria. O piloto informou, em alto e bom tom, que o combustível estava acabando e que o avião tinha autonomia para, no máximo, mais 30 minutos. Os passageiros imediatamente foram tomados pelo pânico. Várias pessoas começaram a chorar e a passar mal. A Sra. Kogan e sua filha também ficaram assustadas e imediatamente começaram a rezar.
 
Cerca de 5 minutos depois, que para os passageiros pareceram horas, o piloto novamente ligou o rádio de comunicação e informou que as condições meteorológicas haviam melhorado. Havia se formado, de repente, um "buraco" nas nuvens sobre o aeroporto, possibilitando o pouso. Poucos minutos depois o avião estava aterrissado e todos os passageiros estavam sãos e salvos" (História Real)
 
Temos duas maneiras de olhar esta história. Podemos olhar como se tudo não passou de um grande acaso. As condições meteorológicas desfavoráveis, a infeliz e inconseqüente idéia do piloto de avisar aos passageiros que o combustível estava acabando, o pânico das pessoas (que levou muitas a rezar) e a repentina melhora no tempo, formando um "buraco" sobre o aeroporto.
 
Porém, há outra maneira de ver a história. Podemos ver que D'us, desde o princípio, estava controlando toda a situação. Foi Ele quem colocou a idéia na cabeça do piloto de fazer um comunicado tão inconseqüente. Para que? Para que as pessoas rezassem e aumentassem seus méritos, possibilitando assim a salvação do avião. É a mesma história, os mesmos acontecimentos, mas com uma ótica completamente diferente. E, certamente, muito mais realista.
 
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Neste Motsei Shabat (sábado de noite, 19 de março) comemoramos a festa de Purim, na qual revivemos a milagrosa salvação do povo judeu nos dias de Mordechai e Ester, quando uma ameaça de extermínio que pairava sobre nós se transformou, em poucos instantes, em Brachót (bênçãos) e alegrias. Haman e muitos dos odiadores do povo judeu foram mortos e os judeus ganharam respeito e tranqüilidade na babilônia, onde estavam exilados.
 
A Meguilat Ester é um dos livros do Tanach (Torá, Profetas e Escrituras). O Talmud discute de onde devemos começar a leitura da Meguilat Ester em Purim para cumprirmos a Mitzvá, e existem diferentes opiniões. No que é baseada esta discussão? O propósito da leitura da Meguilá é relembrar e divulgar o grande milagre que aconteceu aos nossos antepassados na babilônia. A discussão dos nossos sábios é para saber em qual ponto da Meguilá o milagre da salvação começou, pois a leitura deve começar apenas neste ponto. Uma das opiniões, e justamente a opinião que a Halachá (lei judaica) segue, é a de que toda a Meguilá deve ser lida em Purim.
 
Mas é difícil entender esta opinião do Talmud, pois ao observarmos os primeiros versículos da Meguilá, não enxergamos nenhum milagre! Assim começa a Meguilá: "E foi nos dias de Achashverosh – ele foi Achashverosh que reinou desde Hodu até Kush, sobre 127 províncias. Naqueles dias, quando o rei estava sentado no trono do seu reinado, na capital Shushan" (Meguilá 1:1,2). Onde está a mão de D'us nestes primeiros versículos? E mais do que isto, há informações que parecem completamente desnecessárias ou equivocadas. Para que a Meguilá precisou falar que Achashverosh sentou-se em seu trono, não é óbvio que o rei senta-se em seu trono para governar? Além disso, como a Meguilá diz que a capital do Império Babilônico era Shushan, uma pequena cidade, e não a grande cidade de Bavel? Quando ocorreu esta mudança e por quê?
 
Explica o Gaon MiVilna que D'us já estava preparando a salvação do povo judeu muito antes do problema de Haman começar. Quem D'us colocou no poder? O Rei Achashverosh, um grande tolo que não tinha sangue real e havia comprado a posição de rei com uma grande fortuna. Justamente por não vir de uma família real ele tinha problemas de auto-estima e sentia-se inferior, achava que as pessoas não aceitariam seu governo. Por isso, todos os atos de Achashverosh eram em busca de prestígio e honra, tentando engrandecer seu nome aos olhos do povo, como o banquete de 180 dias de duração que ofereceu a todos os seus súditos.
 
Em sua busca de glória, o rei Achashverosh desejou ter um trono igual ao de Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o maior e mais sábio de todos os reis, para sentar-se na capital Bavel. Onde moravam os melhores carpinteiros do reinado? Na pequena cidade de Shushan. Mas ao invés de trazer os carpinteiros para Bavel, o rei ordenou que eles construíssem o trono em Shushan. Quando o trono ficou pronto, ele era tão monumental que não havia meios de transportá-lo até a capital Bavel. Então o rei Achashverosh tomou uma atitude completamente estúpida, guiada pelo seu desejo de honra: mudou a capital do império para a pequena cidade de Shushan, apenas para pode se sentar no trono que era idêntico ao trono de Shlomo Hamelech.
 
Mas a pergunta continua nos incomodando: como isto ajudou na posterior salvação do povo judeu? A resposta está apenas no segundo capítulo: "Havia certo judeu na capital Shushan, cujo nome era Mordechai..." (Meguilá 2:5). Agora o quadro ficou completo. Todos os acontecimentos do início da Meguilá descrevem o que ocorreu para que a capital do reinado mudasse para Shushan, uma pequena cidade onde vivia Mordechai. Pelo fato da capital mudar para Shushan, Mordechai pôde estar perto do palácio e escutar dois guardas reais tramando a morte do rei. Mordechai contou à Ester o plano dos guardas, ela contou ao rei e os guardas foram mortos. O fato de Mordechai ter descoberto o plano foi recompensado pelo rei muito tempo depois, justamente no momento em que os judeus precisavam reverter o decreto de extermínio.
 
Portanto, vemos que mesmo os pequenos detalhes aparentemente sem importância do início da Meguilá são parte da salvação do povo judeu quando vistos sob um olhar mais atento. Assim também acontece em nossas vidas, vários acontecimentos "casuais", ao serem vistos sob um olhar mais cuidadoso, revelam a participação Divina em cada pequeno detalhe do nosso cotidiano. A palavra "מקרה" (Mikrê, que em hebraico significa "acaso"), contém as mesmas letras que formam "רק מה'" (Rak Me Hashem, que em hebraico significa "tudo é de D'us"). É um jogo de letras que reflete uma realidade mais profunda: nada neste mundo é um acaso, tudo está sob a Supervisão Divina. Em que nível? Os nossos sábios ensinam que para cada folha de grama há um anjo designado para ficar dando tapinhas e dizendo "cresça". O Rav Eliahu Dessler explica que cada gota de chuva cai do céu já com seu propósito bem definido, se irá irrigar a terra, causar uma inundação ou correr para um bueiro.
 
A palavra "mundo", em hebraico, é "Olam", e vem da mesma raiz da palavra "Elem", que significa "ocultamento". D'us criou o mundo material e colocou nossas almas dentro de corpos materiais justamente para nos dar livre-arbítrio e, consequentemente, méritos por cada escolha correta. Ele deixou no mundo a possibilidade de vermos cada coisa que nos ocorre como se fossem acasos isolados. O nosso trabalho de conexão com D'us começa com a reflexão, tentando juntar as informações, encontrar sentido em cada coisa que ocorre no nosso dia-a-dia. Isto também vemos na Meguilá, pois quando a rainha Ester soube do decreto contra o povo judeu, ela mandou perguntar a Mordechai "O que está acontecendo e qual o motivo disto estar acontecendo". Ester tinha muito claro que nada acontece por acaso, ela sabia que tudo tem um fundo espiritual. Por isso ela não quis apenas saber o que havia acontecido, pois o principal, para reverter a situação, era saber o motivo pelo qual aquilo tinha acontecido.
 
Esta é a essência da festa de Purim e a lição que deve nos acompanhar para todo o ano: saber olhar o que está nas entrelinhas da história de nossas vidas. Não apenas em grandes acontecimentos, mas também nas pequenas coisas que ocorrem no nosso cotidiano. Assim poderemos enxergar a mão de D'us em tudo o que ocorre e fugir da tolice de achar que tudo acontece por acaso.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 
 
 

sexta-feira, 11 de março de 2011

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ VAYIKRÁ 5771

BS"D
VONTADE DE CRESCER - PARASHÁ VAYIKRÁ 5771 (11 de março de 2011)
"O Sr. Goldsmitch era um homem de negócios muito bem sucedido. Mas o que as pessoas mais admiravam nele era o imenso Chessed (bondade) constantemente feito com os pobres. Todos os necessitados da cidade sabiam que, em momentos de dificuldade, podiam contar com ele.
Certa manhã o Sr. Goldsmitch recebeu um telefonema. Era o Sr. Stern, um conhecido que vivia na mesma cidade. O Sr. Stern explicou que estava passando por dificuldades e precisava de uma soma alta para pagar as dívidas e tentar recomeçar a vida. Apesar de ser um negócio arriscado, o Sr. Goldsmitch prontamente concordou com o empréstimo e pediu para que o Sr. Stern estivesse no seu escritório pontualmente ao meio dia para receber o dinheiro.
Chegou meio dia, o Sr. Goldsmitch já estava com o dinheiro separado, esperando pelo Sr. Stern, mas nada dele aparecer. Mais meia hora e nada. Uma hora depois o Sr. Goldsmitch, profundamente irritado, voltou aos seus afazeres. Durante todo o dia ninguém apareceu para pegar o dinheiro.
No dia seguinte de manhã novamente tocou o telefone. Era o Sr. Stern novamente. Ele pediu perdão pela ausência, explicou que havia acontecido um grande imprevisto. O Sr. Goldsmitch entendeu e novamente marcaram para o meio dia. Porém, chegou meio dia e nada do Sr. Stern aparecer. Durante todo o dia novamente ninguém veio receber o dinheiro. Desta vez o Sr. Goldsmitch ficou realmente irritado. Será que aquele senhor achava que ele não tinha nada mais importante para fazer?
Na manhã seguinte novamente toca o telefone. Era o Sr. Stern, telefonando como se nada tivesse acontecido. O Sr. Goldsmitch explodiu:
- Você está me fazendo de tonto? Você me pede uma quantia de dinheiro que eu não emprestaria para mais ninguém. Eu separo o dinheiro, fico sentado te esperando e você não aparece. Depois me liga no dia seguinte como se nada tivesse acontecido e novamente não aparece! Você está brincando comigo? Eu tenho coisas melhores para fazer com meu precioso tempo!!!
O Sr. Stern ainda tentou se explicar, mas era tarde demais. O Sr. Goldsmitch já havia batido o telefone..."
Podemos pensar que o Sr. Stern é um louco ou um desocupado. Mas explica o Rav Sholom Schwadron que infelizmente nós também fazemos isto todos os dias. Quando rezamos, pedimos para que D'us tenha misericórdia e nos dê sabedoria. D'us, em Sua infinita bondade, escuta nossos pedidos, prepara uma legião de anjos para abrir nossos olhos e encher nosso coração de sabedoria e fica aguardando o momento em que vamos sentar para começar a estudar. Durante toda a manhã não temos tempo. Chega a hora do almoço, Ele espera que possamos encontrar um tempinho para abrir um livro. Mas lemos o jornal, olhamos as últimas notícias, conversamos com nossos amigos no Facebook, mas nada de abrir um livro. Porém D'us é paciente, Ele espera, quem sabe de noite. Mas de noite estamos cansados, precisamos terminar um trabalho, tem um filme imperdível na televisão, e depois vamos dormir. D'us ficou o dia inteiro esperando pelo nosso estudo para nos mandar sabedoria, mas nós não aparecemos para receber.
Na manhã seguinte, começa um novo dia, vamos para a sinagoga e novamente pedimos: "D'us, nos dê sabedoria".
Até quando vamos pedir para D'us sabedoria e deixá-Lo esperando o dia inteiro?
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Nesta semana começamos o terceiro livro da Torá, Vayikrá, que também é conhecido como "Torat Cohanim" (Instruções dos sacerdotes), por descrever com detalhes muitos dos serviços Divinos feitos especialmente pelos Cohanim. E a Parashá desta semana descreve um dos principais serviços que os Cohanim faziam: os Korbanót (oferendas). A palavra Korban vêm da raiz "Karov", que significa "proximidade". Os Korbanót eram uma maneira de conexão com D'us, principalmente para uma pessoa que havia pecado e se afastado de sua espiritualidade, e trazia o Korban como uma maneira de se reconectar. Atualmente, que não temos mais os Korbanót, podemos nos conectar com D'us através da nossa Tefilá (reza).
Entre os vários detalhes dos Korbanót, há um que nos chama a atenção. A Torá nos descreve que os Korbanót precisavam ser oferecidos com sal, como está escrito "E toda sua oferenda de oblação deverá ser oferecida com sal, e não deixarás faltar sal do pacto de D'us em sua oblação; em todos os seus sacrifícios oferecerás sal" (Vayikrá 2:13). A Torá fala sobre um "pacto de sal". Que pacto é este?
No segundo dia da criação D'us dividiu as águas, separando-as em águas que ficam acima do firmamento e águas que ficam abaixo do firmamento. O conceito das águas de cima do firmamento é um dos grandes mistérios da criação, que apenas poucos chegam ao nível de entender. Já as águas de baixo do firmamento são constituídas principalmente pela água dos mares. Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que as águas de baixo reclamaram, pois estavam descontentes por ficarem mais distantes de D'us. Como consolo, D'us ofereceu para as águas de baixo a possibilidade de participarem dos serviços Divinos na festa de Sucót, quando a água era jorrada no Altar do Beit-Hamikdash (Templo Sagrado). Mesmo assim as águas não ficaram satisfeitas de participar dos serviços Divinos apenas por uma semana durante o ano, e continuaram reclamando. D'us então concordou que as águas de baixo participassem do serviço Divino diário, através da adição do sal, que é retirado das águas dos mares, nas oferendas do Beit-Hamikdash.
Deste Midrash surge uma grande dúvida. Se a participação das águas de baixo no serviço Divino poderia ser diária, por que quando as águas reclamaram, D'us inicialmente deu apenas a possibilidade das águas serem utilizadas em Sucót? Por que D'us já não ofereceu diretamente a possibilidade da utilização do sal nos Korbanót todos os dias?
Explicam os nossos sábios que este é um dos fundamentos mais importantes em nosso trabalho espiritual aqui neste mundo. A verdade é que as águas de baixo mereciam ser oferecidas apenas durante a festa de Sucót, e por isso D'us ofereceu apenas isso em um primeiro momento. Mas elas não estavam contentes, elas queriam mais, e mais do que isso, elas pediram mais. Como D'us viu que as águas de baixo pediram mais espiritualidade, Ele deu mais. E esta é a regra: quando pedimos espiritualidade, quando queremos crescer, D'us nos ajuda. Mas será que é assim tão simples? Muitos de nós gostaríamos de nos elevar espiritualmente e estarmos mais conectados com D'us. Chegamos até mesmo a pedir nas nossas rezas. Por que na maioria das vezes não conseguimos? Por que para as águas de baixo pareceu tão simples, enquanto para nós parece ser tão difícil?
A resposta é que quando as águas de baixo pediram um crescimento espiritual, mostraram que desejavam isto com todas as suas forças. Já quando nós pedimos para crescer espiritualmente, desejamos isso com todas as nossas forças? Quando pedimos para D'us sabedoria para entender, nos esforçamos abrindo livros? Quando pedimos para D'us espiritualidade, nos esforçamos para cumprir as Mitzvót de uma maneira mais completa? Nossos pedidos acabam ficando vazios, pois pedimos mas não demonstramos, através dos nossos atos, que queremos de verdade.
Muitas pessoas têm a ilusão de que se inscrevendo em um curso de "Kabalá" vão aprender sobre todos os segredos do oculto e se tornarão pessoas mais espirituais. Isso é uma grande enganação. Pessoas se tornam mais espirituais através do esforço diário, através de cada Mitzvá, pois é cada uma das Mitzvót que nos conecta com D'us. Grandes palácios são construídos com pequenos tijolos. Grandes pessoas foram construídas através de pequenos atos cotidianos de auto-aprimoramento. O estudo diário da Torá nos eleva, nos transforma em pessoas melhores. Não há outra forma, não há caminhos mais curtos.
Na própria Torá há vários níveis de entendimento. D'us vai mandando sabedoria para quem Ele vê se esforçando diariamente. Assim ensinam os nossos sábios: "Se alguém disser que se esforçou e não conseguiu, não acredite nele. Mas se alguém disser que se esforçou e conseguiu, nele você pode acreditar". O entendimento é um milagre, é um presente de D'us, mas só vêm através do esforço, que é a nossa demonstração de vontade. Pedimos para D'us as coisas, mas não nos esforçamos para receber. Ele fica o dia inteiro esperando por um momento de conexão espiritual, para que Ele possa nos mandar tudo o que pedimos. Mas sempre temos tempo para tudo, menos para a espiritualidade.
Que possamos aprender das águas de baixo a lição de querer de verdade nosso crescimento espiritual. Não apenas nas nossas palavras, mas principalmente nos nossos atos cotidianos.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
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