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SÒ O AMOR GRATUITO CONSTRÓI - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5786 (10/Jun/26)
Charlotte Herzberg tinha apenas 8 anos. Uma menina sardenta, de sorriso contagiante, que vivia em Monsey, Nova York. Em uma tarde como tantas outras, no fatídico dia 2 de junho de 2026, ela pedalava sua bicicleta perto de casa quando foi atingida por um carro. O motorista não estava no celular, nem embriagado, nem em alta velocidade. Era um membro respeitado da comunidade judaica ortodoxa local, voluntário dedicado da Hatzalá. E, mais do que isso, era o melhor amigo e Chavruta de Yehuda Herzberg, o pai de Charlotte. O motorista assumiu imediatamente a responsabilidade pelo terrível acidente. Infelizmente, Charlotte não resistiu aos ferimentos.
Naquela noite, voltando do hospital, com o coração rasgado por uma dor terrível, Yehuda fez uma parada. Foi à casa do amigo que dirigia o carro. Foi abraçá-lo, consolá-lo e dar-lhe forças. Duas vidas poderiam ter sido destruídas: uma pela morte, e a outra pela culpa e recriminação. Mas não foi isso o que aconteceu.
No funeral da filha, Yehuda falou sobre os sentimentos de dor e o medo da divisão que aquela tragédia poderia causar entre vizinhos e amigos. Declarou, publicamente e com firmeza, que o Yetser Hará havia tentado dividir a Kehilá ao fazer com que quem estivesse dirigindo o carro fosse justamente o seu melhor amigo e Chavruta.
- Naquele momento, minha esposa e eu entendemos que estávamos diante de um teste - disse ele. - Meu grande amigo jamais quis que isso acontecesse. Nós não vamos cair, nem brigar. Não permitiremos que o Yetzer Hará vença. Vamos transformar essa tragédia em uma oportunidade de conserto e crescimento.
Na noite seguinte, quando as pessoas chegaram para consolar a família durante a Shivá, a cena que viram era inacreditável. Yehuda e o motorista do carro estavam abraçados, chorando, consolando um ao outro. A poucos passos dali, a mãe de Charlotte e a esposa do motorista, amigas íntimas, também se abraçavam e choravam juntas.
A mensagem não ficou restrita àquela casa. Rabinos contaram a história em seus Shiurim e convocaram os alunos a darem também o primeiro passo rumo ao Shalom. Ainda durante a Shivá, nascia a campanha “Shalom for Charlotte” (www.shalomforcharlotte.com). A família enlutada passou a pedir que todo aquele que pudesse colocar fim a uma antiga briga, resolver um ressentimento acumulado, um conflito entre vizinhos ou um afastamento familiar, que fizesse isso em elevação da alma de Charlotte e compartilhasse a história. Os relatos compartilhados são impressionantes: irmãos que não se falavam há anos, sócios que haviam rompido relações, uma sinagoga prestes a se dividir por uma disputa interna. Em poucas semanas, o site já havia reunido mais de dois mil relatos de dezenas de países. A família escreveu: “Poderíamos ter escolhido culpar, sentir raiva e afundar na dor. Mas entendemos que podemos aproximar a Redenção por meio de pequenos passos de perdão e entendimento”.
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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente “Tribos”) e Massei (literalmente “Viagens”). A Parashá Matót fala sobre promessas e Kasherização de utensílios. Já a Parashat Massei recorda as viagens do povo judeu e fala sobre as “cidades de refúgio” para assassinos não intencionais.
Na Parashá Matót, D’us deu um comando a Moshé: “Vingue os Bnei Israel dos Midianim” (Bamidbar 31:2). Era uma vingança pelo ato hediondo dos Midianim, que utilizaram suas próprias filhas como “iscas” para atrair o povo judeu e levá-los à idolatria e às imoralidades. Das palavras “dos Midianim” aprendemos que a guerra deveria ser apenas contra Midian, mas não contra Moav. Porém, quem começou o problema foi justamente Balak, o rei de Moav, quando contratou Bilaam para amaldiçoar o povo judeu! E os Moavim também estavam envolvidos no ato hediondo! Então por que D’us ordenou a guerra apenas contra os Midianim?
Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que os Moavim se envolveram por medo, pois receavam que os judeus conquistariam suas terras. Os Midianim, porém, “intrometeram-se em uma disputa que não lhes dizia respeito”. O Rav Meir Rubman zt”l (Lituânia, 1895 - Israel, 1967) explica que a gravidade da atitude dos Midianim não foi o ato propriamente dito, mas a intenção. Enquanto os Moavim agiram por um instinto de autodefesa, os Midianim entraram na guerra e tentaram destruir o povo judeu sem qualquer motivo, isto é, por ódio gratuito.
O Rabeinu Asher zt”l (Alemanha, 1250 - Espanha, 1327), mais conhecido como Rosh, traz outro motivo para a gravidade daquele que se envolve em uma briga que não é sua. Ele explica que não devemos nos intrometer em uma disputa que não nos pertence pois, no fim, os envolvidos farão as pazes e nós permaneceremos com o ressentimento. Quando uma discussão nasce de um motivo concreto, ao desaparecer a causa, desaparece também a disputa. Já o conflito daquele que entra na briga alheia não tem fim, pois não depende de uma causa real.
“Entrar na briga alheia” se refere a “tomar as dores” de parentes e amigos em uma briga. Mas é óbvio que podemos, e devemos, nos envolver quando se trata de tentar fazer Shalom. O Talmud (Brachót 64a) afirma que uma das características dos Talmidei Chachamim é que eles “multiplicam a paz no mundo”. Isso significa que o papel deles vai além do amor gratuito. Eles não apenas deixam de odiar e passam a amar. Eles trabalham ativamente para aumentar a paz entre as pessoas.
Também no texto da reza “Avinu Malkeinu” encontramos uma alusão à gravidade com que nossos sábios encaram o ódio gratuito. Dizemos: “Nosso Pai, nosso Rei, lembra da Sua misericórdia e controla Sua ira. Remova de nós e de todo o Teu povo a peste, a espada, a fome, o cativeiro, o destruidor, a transgressão, a epidemia, todo mal, toda enfermidade, toda desgraça, toda discórdia, toda espécie de calamidade, todo decreto mau e o ódio gratuito”. É uma lista medonha. O que falta de desgraças nessa longa lista? E, ainda assim, o último item é justamente o ódio gratuito. A forma de expressão dos nossos sábios é ir do mais leve ao mais grave, como ensina o Talmud (Bava Batra 8b): “O que vem por último é o mais severo”. Sendo assim, concluímos que o ódio gratuito é mais grave do que todas as demais calamidades e decretos mencionados. Devemos encarar essa transgressão como um verdadeiro assassino, pois o Talmud (Shabat 32b) ensina: “Pelo pecado do ódio gratuito, multiplicam-se as brigas dentro da casa da pessoa, sua esposa sofre abortos, e seus filhos morrem ainda pequenos”.
Para consertar essa transgressão e arrancá-la do coração é preciso agir de maneira oposta: esforçar-se para amar o próximo com amor gratuito, ou seja, sem esperar nada em troca; amar simplesmente porque ele é judeu, por ter sido chamado de “Filho de Hashem”. Com isso compreendemos bem o que dizemos em Shoshanat Yaakov, após a leitura da Meguilat Ester: “Maldito seja Haman, que quis me destruir; bendito seja Mordechai, o judeu”. Por que explicamos o motivo de amaldiçoar Haman, “que quis me destruir”, mas não apresentamos nenhuma justificativa para bendizer Mordechai? A resposta é que sem nenhuma razão seria proibido amaldiçoar até mesmo Haman, pois aprendemos: “Amado é o ser humano, pois foi criado à imagem de D’us” (Avot 3:14). Odiamos Haman unicamente porque ele “quis me destruir”. Já para amar Mordechai não é necessária nenhuma justificativa. Basta o fato de ele ser “Mordechai, o judeu”, e já devemos amá-lo, mesmo sem motivo específico.
Estamos nas “Três Semanas”, época de tristeza e luto do povo judeu, que culmina com Tishá Be Av, o dia no qual nossos dois Templos foram destruídos. O Rambam (Espanha, 1135 – Egito, 1204) explica que “esses dias foram instituídos para despertar os corações e abrir os caminhos do arrependimento; para recordar nossas más ações e as de nossos antepassados que causaram aquelas tragédias. Ao nos lembrarmos delas, retornaremos ao bem”. Quais más ações trouxeram tantas desgraças? O Talmud (Yoma 9b) explica: “O Primeiro Templo foi destruído por idolatria, imoralidade e derramamento de sangue. O Segundo Templo, embora naquela geração estudassem Torá, cumprissem Mitzvót e fizessem Chessed, foi destruído por causa do ódio gratuito. Isso ensina que o ódio gratuito equivale às três transgressões mais graves juntas”. E ainda não conseguimos consertá-lo.
O Rav Natan Tzvi Finkel zt”l (Império Russo, 1849 - Israel, 1927), mais conhecido como Saba MiSlabodka, questiona: como nosso coração não estremece enquanto o Satan do ódio gratuito continua dançando entre nós? Quem sabe quantas calamidades ainda nos aguardam? Somos melhores que os nossos antepassados? Eles estudavam Torá, cumpriam Mitzvót e faziam Chessed, e isso não os protegeu no dia da ira de D’us. E nós? Com o que nos ocupamos? Com o ódio gratuito, dia e noite. E ainda temos a ousadia de reclamar da longa duração do nosso exílio! Nossos sábios preocuparam-se conosco. Desejaram apressar nossa Redenção e instituíram as três semanas de luto para despertar nossos corações ao arrependimento. E o que fazemos? Cumprimos as leis e costumes que eles instituíram mecanicamente, como crianças, sem refletir sobre nossas próprias transgressões. Podemos escutar muitas aulas sobre a importância de construir o Shalom dentro de uma Kehilá. Mas, através da Família Herzberg, aprendemos uma lição viva em nossa própria geração. Nos inspira saber que existem dentro do povo judeu pessoas verdadeiramente extraordinárias, que estão nos convidando a nos elevar.
A Parashá Massei fala sobre mortes causadas por alguém sem intenção de causar dano. Diante da perda, o ser humano naturalmente busca um culpado, canalizando seu luto em raiva e vingança. Isso explica a figura do “vingador do sangue”, algo que ainda é presente em diversas sociedades do Oriente Médio. Para prevenir esse tipo de vingança, a Torá estabeleceu as “cidades de refúgio”, para onde um assassino involuntário poderia fugir e ser protegido. A existência do “vingador de sangue” demonstra que Torá entende o ser humano. Seria demais esperar que a família enlutada reconhecesse a inocência do responsável e abrisse mão de sua raiva. E, no entanto, foi isso que a família de Charlotte fez. Não porque a dor fosse menor, mas porque, diante dela, escolheram enxergar a mão de D’us e responder à tragédia com entendimento, aceitação da Vontade Divina e Shalom. SHABAT SHALOM R’ Efraim Birbojm |
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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PARASHAT BEHAR
- Shmitá.
- Yovel e o toque do Shofar em Yom Kipur.
- Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Devarim).
- Venda e Resgate da terra em Israel.
- Casas em cidades muradas.
- Casas nas Cidades dos Leviim.
- Ajuda aos necessitados.
- Leis dos escravos.
- Resgate de escravos das mãos de Goim.
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PARASHAT BECHUKOTAI
- Recompensas pela obediência.
- Advertência e Passos de afastamento espiritual.
- Punições por desobediência (5 séries de advertências).
- Destruição e arrependimento.
- Conclusão das advertências e consolo.
- Avaliações de doações ao Kodesh.
- Doações de animais e imóveis para o Mishkan e resgate.
- Maasser de animais.
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