|
|
|
|
O RECONHECIMENTO DOS NOSSOS ERROS - PARASHAT KORACH 5786 (19/jun/26)
“Há quase dois mil anos havia na Terra de Israel, na época dos Amoraim, um homem cuja força física era extraordinária. Sua coragem era lendária, assim como suas façanhas. Porém, infelizmente, ele tinha feito escolhas erradas na vida e se tornou o líder de um grupo de bandidos.
Certa vez, em um dia muito quente, o grande sábio Rabi Yochanan, um dos maiores rabinos daquela geração, entrou no rio Yarden para se banhar. Rabi Yochanan possuía uma aparência extremamente bela. Aquele chefe dos bandidos avistou de longe alguém dentro da água. Vendo apenas as costas, imaginou tratar-se de uma mulher. Movido pela curiosidade, e confiante em sua força física, tomou impulso e saltou de uma margem à outra do rio em um único salto impressionante. Porém, ao chegar perto, ele percebeu, decepcionado, que havia se enganado. Não era uma mulher, mas o grande Rabi Yochanan. Quando o Rabi Yochanan olhou para aquele homem com tamanha força, percebeu imediatamente que havia nele um potencial extraordinário. Em vez de repreendê-lo por suas más condutas, disse-lhe apenas:
- Sua força descomunal deveria ser usada para a Torá.
Rabi Yochanan então lhe propôs um novo caminho. Disse-lhe que, caso ele se dedicasse ao estudo da Torá, lhe daria sua irmã em casamento, garantindo que ela era ainda mais bonita do que ele.
Naquele momento ocorreu algo extraordinário. Nenhum raio caiu do céu. Nenhum castigo o atingiu. Nenhum sofrimento o obrigou a mudar. Mas, pela primeira vez, alguém havia mostrado uma verdade que aquele homem nunca havia enxergado: toda a força, coragem, determinação e energia que ele havia usado até aquele momento para uma vida de violência e bandidagem poderiam ser utilizadas para algo infinitamente maior.
Imediatamente, aquele homem decidiu mudar. O Talmud conta que, quando ele tentou voltar para recuperar seus pertences do outro lado do rio, já não conseguiu repetir o salto. Assim que aceitou a responsabilidade de se dedicar ao estudo da Torá, ele perdeu sua extraordinária força física. Seus talentos começavam a ser direcionados para outro propósito.
O Rabi Yoḥanan ensinou para ele Torá e o transformou em um grande homem. Conforme havia prometido, também permitiu que ele se casasse com sua irmã. Anos mais tarde, aquele homem tornou-se o famoso Reish Lakish, um dos mais destacados estudiosos da Torá de sua geração. Seus debates com seu cunhado, Rabi Yochanan, ocupam inúmeras páginas do Talmud e são estudados até hoje em todas as Yeshivót do mundo. (História retirada do Talmud, Tratado de Baba Metsia 84a).”
O mais impressionante não é a grandeza que Reish Lakish alcançou, apesar de seu passado obscuro, mas o momento em que tudo começou. A mudança não começou com um grande sofrimento, mas quando ele reconheceu a verdade sobre si mesmo que até então não queria ou não conseguia enxergar. A essência da Teshuvá é o reconhecimento da verdade. Enquanto a pessoa continua justificando seus erros, permanece presa a eles. Quando finalmente admite a verdade, já iniciou seu processo de conserto. Reish Lakish tornou-se um gigante da Torá. Mas não no dia em que dominou muitos conhecimentos profundos da Torá, e sim no dia em que teve a coragem de olhar para sua vida e reconhecer que ela precisava mudar.
|
|
Nesta semana lemos a Parashat Korach, que descreve mais um momento triste na história do povo judeu, quando um homem chamado Korach, da Tribo de Levi, iniciou uma rebelião contra seus primos, Moshé e Aharon, com a intenção de assumir o poder. As consequências foram trágicas, com a morte de Korach, dos outros líderes e de milhares de seguidores e apoiadores.
E assim Korach argumentou contra Moshé: “Pois toda a congregação, todos eles são sagrados, e D’us está no meio deles. Por que vocês se elevam acima da congregação de D’us?” (Bamidbar 16:3). Apesar de os argumentos de Korach parecerem uma legítima busca de igualdade social, na realidade suas motivações eram egoístas. A faísca que levou à explosão da rebelião foi a inveja de Korach quando seu primo Elitsafan foi o escolhido para a liderança da Família de Kehat, cargo que Korach considerava seu por direito. Nossos sábios ensinam: “A inveja, a busca desenfreada pelos prazeres e a busca por honra tiram o homem do mundo” (Avót 4:21). No final das contas, Korach se perdeu espiritualmente e, sem perceber o tamanho da transgressão que estava cometendo, foi até o fim, juntando seguidores para uma rebelião que levaria todos eles para a destruição.
Como Korach conseguiu convencer tantas pessoas a participar e apoiar sua rebelião? Ele começou a zombar dos ensinamentos de Torá de Moshé, utilizando a lógica humana limitada para questionar o sentido das Mitzvót que Moshé ensinava. O problema é que isso consistia, em última instância, em questionar não apenas a liderança de Moshé, mas também a validade de toda a Torá. Para que não ficassem dúvidas de que Korach estava equivocado, D’us o castigou de uma maneira sobrenatural. Ele foi engolido por uma “boca” que se abriu na terra, como está escrito: “E eles desceram, eles e tudo o que lhes pertencia, vivos ao Sheol” (Bamidbar 16:33).
Mas o que aconteceu com Korach depois de ter sido engolido pela terra? Há um impressionante Midrash que nos ensina: “Disse Raba bar Bar Chana: Certa vez eu vinha pelo caminho e um comerciante árabe me disse: ‘Venha, e eu lhe mostrarei os engolidos de Korach’. Fomos, e vi duas fendas das quais saía fumaça. Ele pegou um tufo de lã, molhou-o com água, colocou-o na ponta de uma lança e o introduziu ali; a lã queimou-se por causa do calor. Ele me disse: ‘Escute o que eles dizem’. E ouvi que diziam: ‘Moshé e sua Torá são verdadeiros, e nós somos mentirosos’. Ele me disse: ‘A cada trinta dias o Guehinom os revolve como carne dentro de uma panela, e eles dizem: Moshé e sua Torá são verdadeiros’”.
As palavras deste Midrash são assustadoras. Afinal, desde os dias de Moshé Rabeinu até a época de Raba bar Bar Chana já haviam transcorrido muitos séculos e, apesar disso, a transgressão ainda não tinha sido corrigida! Apesar do Guehinom e dos sofrimentos, a transgressão ainda permanecia no mesmo lugar, e os “engolidos de Korach” continuavam obrigados a clamar: “Moshé e sua Torá são verdadeiros!”. Isso já é suficiente para nos conscientizar sobre a enorme responsabilidade que temos pelos nossos atos e as consequências dos nossos erros.
O Rav Yechezkel Levenstein zt”l (Polônia, 1895 - Israel, 1974) se aprofunda ainda mais e afirma que há aqui um ensinamento que desperta reflexão sobre a maneira como uma transgressão pode ser corrigida. Dos seguidores de Korach aprendemos que uma transgressão não é corrigida a não ser através do reconhecimento de tê-la praticado. Uma vez que a transgressão dos seguidores de Korach consistiu em negar Moshé e seus ensinamentos de Torá, então a correção de sua transgressão era justamente proclamar: “Moshé e sua Torá são verdadeiros!”.
Na verdade, este é o fundamento da Teshuvá: quando a pessoa se arrepende de uma transgressão, confessa para D’us, reconhece e assume sobre si não voltar a errar, ela reconhece a verdade e, assim, alcança a expiação necessária. Portanto, se Korach e seus seguidores tivessem chegado a esse reconhecimento enquanto ainda estavam vivos, teriam poupado de si mesmos todos os castigos do Guehinom.
De onde podemos comprovar este princípio? Do que ocorreu com os filhos de Korach. A Torá diz explicitamente: “E os filhos de Korach não morreram” (Bamidbar 26:11). Eles tiveram a sabedoria de reconhecer seu erro no último instante e, por isso, não morreram. Os demais, que não fizeram Teshuvá, precisaram ser julgados no Guehinom para que, por meio da purificação através dos sofrimentos, chegassem a esse reconhecimento verdadeiro de que Moshé e sua Torá são verdadeiros.
E este conceito nos ensina algo incrível: o Guehinom não é apenas um castigo destinado a purificar a transgressão, mas também um meio para levar a pessoa ao reconhecimento do erro que cometeu, pois somente dessa forma a transgressão pode ser corrigida. Assim entendemos também por que D’us utiliza tanto o conceito de “Midá Kenegued Midá” ao nos aplicar castigos, para nos despertar e nos ajudar, através de reflexões, a entender onde erramos e possibilitar que façamos os consertos necessários. D’us quer nos ajudar a consertar os nossos erros ainda neste mundo, para que não tenhamos que passar por sofrimentos ainda mais duros no Guehinom.
E talvez mais importante ainda seja conseguir entender os nossos erros sem necessitar passar por sofrimentos. Se constantemente refletirmos sobre as nossas atitudes e nos aconselharmos com os sábios de Torá, poderemos fazer como fez o Reish Lakish, que mudou a direção de sua vida sem precisar passar por sofrimentos e dificuldades.
Uma vez que todas as nossas transgressões decorrem de uma deficiência na nossa Emuná e na confiança que temos na Providência Divina, se fortalecermos dentro de nós o fundamento de que Moshé e sua Torá são verdadeiros, nos aproximaremos de maneira genuína de D’us e garantiremos o mérito da vida eterna no Mundo Vindouro. SHABAT SHALOM R’ Efraim Birbojm |
|
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
|
|
|
|
|
|
|
|