sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIERÁ 5771

BS"D
 
QUANDO A RESPOSTA É NÃO – PARASHÁ VAIERÁ 5771 (22 de outubro de 2010)
 
"O mundo assistiu, emocionado, o salvamento dos 33 mineiros chilenos que ficaram soterrados, a mais de 700 metros de profundidade, após um desmoronamento na mina onde trabalhavam. Por 69 dias o mundo inteiro acompanhou, apreensivo, os esforços para retirar os mineiros de lá. Cerca de 1 bilhão de espectadores acompanharam, ao vivo, os momentos finais do resgate, e comemoraram muito quando os 33 mineiros foram retirados com vida.
 
Estes 69 dias que pareciam não ter fim foram angustiantes, tanto para os mineiros quanto para suas famílias. Muitos familiares acamparam ao lado da entrada da mina para encorajar aqueles 33 homens que estavam praticamente enterrados vivos. Água, ar e comida eram enviados através de tubos que ligavam a mina à superfície. Os mineiros escreviam cartas, que eram respondidas pelos familiares e amigos. Em muitas cartas os mineiros faziam pedidos de objetos e comidas, e a maioria dos pedidos era prontamente atendida.
 
Porém, havia algo que muitos mineiros pediram mas não foram atendidos. Apesar de insistentes apelos, houve algo que as equipes de resgate não concordaram em enviar: cigarros. Muitos mineiros ficaram impacientes, mas mesmo assim o cigarro não foi mandado. Por que? Por um simples motivo: muitas minas acumulam gases que, em algumas situações, podem explodir. Se eles constantemente acendessem cigarros lá embaixo, aumentaria o risco de uma explosão, que certamente mataria todos eles.
 
Não faltou compaixão nem bondade das equipes de resgate. Ao contrário, ao recusar enviar os cigarros, eles mostraram preocupação e responsabilidade. A equipe de resgate queria o melhor para os mineiros. E neste caso, o melhor era dizer "não". O prazer de fumar por alguns minutos não valia o risco de causar uma grande explosão.
 
Da mesma maneira, muitas vezes pedimos coisas para D'us e não recebemos. Quando isto ocorre, sentimos que Ele não nos escutou. Mas na realidade D'us escuta tudo o que nós pedimos, mas para o nosso próprio bem, algumas vezes Ele precisa dizer "Não".
 
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Na Parashá desta semana, Vaierá, a Torá nos descreve a destruição da cidade de Sdom (Sodoma). Dois dos anjos que haviam visitado Avraham dirigiram-se à Sdom para cumprir o decreto Divino de destruição da cidade, que havia extrapolado os limites de maldade, como diz o versículo "E D'us disse: 'Por causa dos gritos de Sdom e Amorá (Gomorra) que aumentaram muito, e por causa de suas transgressões que se tornaram muito graves'" (Bereshit 18:20). D'us, antes de destruir Sdom, revelou seus planos para Avraham, como está escrito: "E disse D'us: 'Eu devo esconder de Avraham o que Eu vou fazer, agora que Avraham certamente se tornará uma grande e poderosa nação, e todas as nações da Terra serão abençoadas por ele?'" (Bereshit 18:17,18). Por que D'us se sentiu "obrigado" a contar para Avraham sobre a destruição de Sdom?
 
Explica Rashi, comentarista da Torá, que depois do Brit-Milá (circuncisão), Avraham se elevou tanto espiritualmente que se tornou "o pai de toda a humanidade". Por isso D'us pensou: "será que é justo que Eu destrua o filho sem ao menos comunicar ao pai?". Mas ainda assim fica difícil entender qual era a intenção de D'us, pois se Ele havia decretado a destruição de Sdom e os anjos de destruição já haviam ido para lá, de que adiantava Avraham saber? O que ele poderia fazer?
 
Apesar da destruição já ter sido decretada, ela não se iniciou antes de Avraham ter sido avisado, pois o que D'us esperava de Avraham é que ele intercedesse por Sdom. E foi justamente isso que Avraham fez, logo que D'us revelou os planos de destruição, ele começou a fazer Tefilá (reza) e a implorar para D'us pela salvação de seus habitantes. Mesmo que os anjos já haviam ido para lá, Avraham sabia que ainda havia esperança. Ele sabia que mesmo se uma espada afiada está encostada no pescoço, a pessoa não pode desistir de implorar pela misericórdia de D'us, e foi isso o que ele fez. Avraham poderia ter pensado que a situação era difícil demais, que ele não tinha nada a ver com a história ou que outra pessoa no mundo poderia interceder pelo povo de Sdom. Mas ele decidiu receber sobre si a responsabilidade. Ele chegou até mesmo a "discutir" com D'us pelo mérito de Sdom, como um pai que luta para salvar seu filho. Ele se esforçou tudo o que podia.
 
Porém, de que adiantou a Tefilá de Avraham? Ele pediu e implorou, mas no final a Torá nos conta que a cidade de Sdom e todos os seus habitantes, com exceção da família de Lot, sobrinho de Avraham, foi completamente destruída! D'us não escutou a Tefilá de Avraham?
 
Estamos acostumados a pensar que quando rezamos e pedimos algo mas nada acontece, isto é sinal de que D'us não escutou os nossos pedidos. Mas isto é um grande erro, pois D'us tem controle sobre tudo o que acontece, certamente pode escutar tudo o que pedimos. Explica o Rav Dessler que quando chove, D'us sabe exatamente onde cada gota vai cair e qual a sua função, que gota será para irrigar o solo e que gota será para causar uma enchente. Nada acontece sem a supervisão Divina. Portanto, quando pedimos algo e nada acontece, não é porque D'us não escutou, e sim pois às vezes Ele nos fala "Não".
 
Quando os mineiros do Chile pediram cigarros, eles pensavam que era isso o que eles necessitavam, achavam que isto seria o melhor para eles, mas a equipe de resgate sabia que somente faria mal, seria um grande perigo para suas vidas. D'us também sabe que muitas coisas que pedimos são ruins para nós. Na Amidá (reza silenciosa) dizemos que D'us nos manda "bondades boas", pois somente Ele consegue saber exatamente o que é bom. Quando um filho com cárie nos dentes pede uma bala e o pai não dá, é por amor e cuidado, é pelo bem do filho. Todos temos esta parte "infantil" dentro de nós, a ilusão de que sabemos o que é realmente bom para nós mesmos. Mas é somente D'us, que enxerga não apenas o presente mas também o passado e o futuro, que sabe o que é realmente bom. Quando Ele fala "não" é por amor e por bondade, é pelo nosso próprio bem.
 
No caso de Sdom, apesar de Avraham ter pedido, D'us respondeu "não", pois as conseqüências da salvação de Sdom para o mundo seriam muito negativas. Sdom não era apenas habitada por pessoas mesquinhas que não ajudavam ao próximo. Eles chegaram ao nível de transformar a falta de caridade em uma filosofia, em uma meta de vida, em uma virtude. Quanto mais a pessoa era egoísta, mais status tinha em Sdom. A bondade é um dos pilares do mundo, como diz o Pirkei Avót: "Sobre 3 coisas o mundo se sustenta: sobre a Torá, sobre o Serviço Divino e sobre os atos de bondade". Como Sdom derrubou um dos pilares do mundo, D'us derrubou o pilar de sustentação de Sdom. O mundo sem esta filosofia egoísta certamente é um mundo melhor.
 
Mas se a cidade de Sdom foi destruída, então o que Avraham ganhou com a sua Tefilá? Primeiro temos que saber que quando rezamos, muitas vezes a reza não é atendida imediatamente, mas nenhuma reza é em vão, ela fica guardada para uma necessidade futura. Além disso, a reza de Avraham nos ensinou muitas lições. A primeira lição é nunca desistir. Temos que rezar, fazer a nossa parte e confiar que D'us, em Seu julgamento perfeito, decidirá se o que estamos pedindo é realmente bom ou não. A segunda lição é que D'us quer que nos responsabilizemos uns pelos outros, independente de Seus planos. Mesmo que D'us iria destruir de qualquer maneira a cidade de Sdom, Ele queria que Avraham tomasse sobre si a responsabilidade de se preocupar com seus habitantes. E por último, aprendemos que as portas do arrependimento estão sempre abertas. Mesmo uma cidade como Sdom tinha esperança, pois se houvessem mais Tzadikim (Justos) lá, a Tefilá de Avraham teria ajudado a salvar a cidade inteira.
 
D'us é o nosso Pai, cuida de cada um de nós com carinho, não esquece ninguém. Se nossos pedidos não estão sendo atendidos, precisamos refletir se estamos pedindo o que realmente precisamos e o que será bom para nós. Em geral estamos preocupados em pedir coisas materiais e esquecemos de pedir coisas espirituais, por não refletirmos que o material um dia terá fim, mas o espiritual ficará conosco por toda a eternidade.
 
"Muitos são os pensamentos no coração do homem, mas é a vontade de D'us que sempre se cumpre"
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 
 
 

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5771

BS"D
 
MORRER OU VIVER POR D'US – PARASHÁ LECH LECHÁ 5771 (15 de outubro de 2010)
 
"O rabino Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, foi um dos maiores rabinos da geração passada. O amor que ele tinha pelas Mitzvót e pelas pessoas era contagiante. Para ele, cada pequeno detalhe das Mitzvót era importante, cada pessoa representava um mundo e merecia uma atenção especial. Ele era muito admirado e querido por todos que o conheciam. Pessoas viajavam de muito longe para conhecê-lo e pedir Brachót (bênçãos). E acima de tudo, as pessoas admiravam sua tremenda simplicidade e humildade. Ele foi um modelo, para todo o mundo, de bondade e devoção.
 
Quando o Chafetz Chaim rezava, as pessoas ficavam deslumbradas com a sua concentração. Todos sentiam que ele realmente dirigia cada palavra da sua reza para D'us, agradecendo, louvando e fazendo pedidos pessoais e por todos os judeus do mundo. Certo dia, um de seus alunos mais próximos ficou curioso. O que será que o Chafetz Chaim pedia durante as suas rezas? Começou então a rezar todos os dias ao lado do rabino para tentar escutar seus pedidos. Para sua surpresa, descobriu que o rabino pedia todos os dias em sua reza que pudesse morrer "Al Kidush Hashem" (santificando o nome de D'us), como morreram grandes Tzadikim (Justos) do povo judeu, como o Rabi Akiva, morto pelos romanos por ter desrespeitado a proibição de ensinar Torá.
 
Alguns anos se passaram e o Chafetz Chaim, que já estava velhinho, faleceu. Porém, diferente dos seus pedidos, ele não morreu "Al Kidush Hashem", e sim na tranquilidade da sua casa, junto com sua querida família. Seu aluno ficou incomodado. Será que D'us não havia escutado os pedidos daquele grande Tzadik? Por que ele não havia morrido "Al Kidush Hashem" como havia pedido? Inconformado, ele explicou suas angústias para um dos grandes sábios da geração. O sábio abriu um grande sorriso e explicou:
 
- Você está enganado, é óbvio que D'us escutou cada pedido do Chafetz Chaim. O Chafetz Chaim pediu para morrer fazendo Kidush Hashem, e D'us permitiu que ele vivesse uma vida inteira de Kidush Hashem. D'us deu a ele mais do que ele pediu"
 
Quando vivemos com santidade, dedicando nossas vidas ao nosso crescimento espiritual e a fazer o bem às outras pessoas, podemos nos tornar modelos de conduta para os outros. Isto é Kidush Hashem.
 
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Nesta semana lemos a Parashá Lech Lechá, que nos descreve como D'us testou Avraham Avinu com 10 testes difíceis. E a Parashá começa a nos descrever um dos testes, quando D'us falou para Avraham "Lech Lechá" (Vá, por você) e pediu para que ele abandonasse sua casa, sua família, seu trabalho e toda a estabilidade que tinha e fosse para uma terra estranha, sem nenhuma perspectiva do que lhe esperava neste novo local. D'us não revelou para Avraham nem mesmo para onde o levaria. Ele queria testar a Emuná (fé) de Avraham, para saber se ele escutaria as palavras de D'us ou encontraria desculpas ou motivos para cumprir a sua própria vontade. Avraham venceu os 10 testes, descobrindo dentro de si um força que até então ele não conhecia e revelando para o mundo o seu verdadeiro potencial.
 
Explica Rashi, comentarista da Torá, que na verdade este não foi o primeiro teste de Avraham. Mas onde está escrito na Torá algum teste anterior? A Parashá desta semana já começa com o teste de "Lech Lechá", e se procurarmos na Parashá da semana passada, Noach, não encontramos nenhum teste. Rashi ensina que o teste anterior não está escrito explicitamente na Torá, há apenas uma pequena "dica" no seguinte versículo: "E morreu Haran na presença de Terach, seu pai, na sua terra nativa, em Ur Kassdim" (Bereshit 11:28). Quem era Haran, por que ele morreu na presença de seu pai e qual foi este teste de Avraham?
 
Terach, o pai de Avraham, era um idólatra convicto. Não apenas acreditava nas suas idolatrias, mas também tinha uma loja para vender estátuas e propagar a sua crença idólatra. Avraham, não suportando mais aquela mentira, quebrou todos os ídolos da loja de seu pai e começou a fazer declarações públicas contra as idolatrias. Terach entregou seu próprio filho nas mãos do rei Nimrod, que tentou inicialmente persuadi-lo com palavras a voltar para as idolatrias. Vendo que era inútil tentar convencer Avraham com argumentos intelectuais, Nimrod ameaçou atirá-lo em uma fornalha caso não negasse sua crença monoteísta, mas Avraham não teve medo. Este foi o teste de Avraham: ele entregou sua vida e estava disposto a morrer "Al Kidush Hashem", isto é, santificando o nome de D'us. Mas um milagre aconteceu e Avraham saiu ileso da fornalha, diante dos olhos de Nimrod e de todo o povo. Haran, o irmão de Avraham, ao ver o milagre aberto que havia ocorrido, também desafiou o rei Nimrod. Mas sua Emuná (fé) não era verdadeira como a de Avraham e ele morreu queimado na fornalha. O nome da cidade de Avraham, Ur Kassdim, significa literalmente "o fogo de Kassdim (Caldéia)", uma indicação do teste ao qual Avraham foi submetido e venceu.
 
Porém, surge uma grande pergunta: aparentemente o teste de Avraham ter sacrificado sua vida por D'us foi muito maior do que o teste de abandonar tudo e ir para uma terra estranha. Então por que a Torá escreve explicitamente o teste de "Lech Lechá", enquanto o teste de "Ur Kassdim" está apenas indicado?
 
Quando uma pessoa está diante de um teste em que sua vida está em jogo, é possível que ela consiga, neste momento, juntar forças e entregar sua vida, como aconteceu muitas vezes durante a história do povo judeu. Durante a Inquisição, por exemplo, milhares de judeus morreram "Al Kidush Hashem", entregando valentemente suas vidas ao invés de se converter a outra religião. Porém, a Torá está nos ensinando que há um teste ainda maior do que morrer por D'us: o teste de viver por D'us, seguindo as Suas leis, por toda a vida. O teste da fornalha foi difícil, Avraham estava disposto a sacrificar sua própria vida. Mas o teste de "Lech Lechá" foi ainda mais difícil, Avraham decidiu viver uma vida inteira santificando o nome de D'us, dia após dia. A sociedade idólatra onde ele vivia ridicularizava suas idéias, mas Avraham lutou sozinho contra o mundo inteiro e venceu. Por sua força e determinação, hoje a maioria do mundo segue o monoteísmo, enquanto as idolatrias são apenas idéias estranhas.
 
Explicam os nossos sábios que cada um de nós também é testado, de alguma maneira, com os 10 testes de Avraham Avinu, e herdamos dele a força extraordinária para vencer todas as dificuldades. Onde encontramos em nossa vida o teste de "Lecha Lechá"?
 
Se voltássemos 200 anos no tempo, veríamos que todos os judeus viviam de acordo com a Torá, cumprindo cada uma das Mitzvót comandadas por D'us. Mas os ideais não judaicos do iluminismo influenciaram muitos judeus, que começaram um processo de "modernização". Apesar das Mitzvót terem sido entregues por D'us para nosso trabalho espiritual, para a nossa alma, alguns judeus começaram a achar que a Torá estava antiquada e decidiram "reformá-la". Muitas Mitzvót começaram a ser abandonadas e a Torá se tornou um artigo de museu. Os judeus perderam sua identidade e começaram a ser engolidos pela assimilação. Após 200 anos, a situação se inverteu. Poucos são aqueles que continuam seguindo os mandamentos da Torá, a grande maioria se afastou completamente.
 
Mas, conforme estava profetizado na Torá, muitos judeus estão iniciando um processo de Teshuvá (retorno ao judaísmo) e valentemente vencem as forças da correnteza. Muitos foram desacreditados e até mesmo ridicularizados pelos amigos e pela família, mas seguiram firme em suas convicções. Esse é o nosso teste de "Lech Lechá". Morrer santificando o nome de D'us dura alguns poucos segundos, mas viver santificando o Seu nome dura uma vida inteira. Também como Avraham, podemos ir contra o mundo inteiro. Em um mundo onde o comum é o roubo, a corrupção e a traição, temos a obrigação de transmitir ao mundo bons valores através dos nossos atos cotidianos. Esse é o nosso papel espiritual de "Luz para as nações". Esse é o nosso "Lech Lechá", a chance de revelar, para nós mesmos e para o mundo, o nosso verdadeiro potencial.
 
"Quando podemos ter certeza de que um peixe está vivo? Quando ele nada contra a correnteza"
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ NOACH 5771

BS"D
 
ATITUDES CONTRADITÓRIAS – PARASHÁ NOACH 5771 (08 de outubro de 2010)
 
"Em uma pequena cidade do interior, onde os habitantes viviam basicamente da agricultura, fazia muito tempo que não chovia. O sol brilhava impiedosamente e os fazendeiros começaram a se desesperar, pois as plantações estavam secando e os animais procuravam em vão um pouco de água para saciar a sede. Os habitantes decidiram se reunir na sinagoga para rezar pela chuva. Eles rezavam com fervor, quase gritando, com os olhos voltados para o céu, na esperança de que ao menos uma pequena nuvem aparecesse.
 
Estava na sinagoga um pequeno garotinho, que observava atentamente as rezas. De repente, ele virou-se para seu pai e perguntou:
 
- Pai, vocês acreditam realmente que a chuva virá por causa da reza de vocês?
 
- Claro que sim, filho – disse o pai – se não acreditássemos, por que estaríamos aqui rezando por tanto tempo?
 
- Mas papai – insistiu o menino – se vocês realmente acreditam tanto nisso, então por que ninguém trouxe um guarda-chuva?"
 
Muitas vezes na vida nossos atos contradizem nossas crenças. Podemos, em diversas situações, acreditar em algo mas viver de maneira completamente contrária.
 
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Na Parashá desta semana, Noach, a Torá nos descreve uma das piores tragédias da humanidade, quando a injustiça entre os homens se tornou tão gritante e tão banalizada que D'us decidiu destruir o mundo inteiro. Apenas um homem, Noach (Noé), que era um Tzadik (Justo), se mostrou meritório da misericórdia Divina. D'us anunciou para Noach que enviaria ao mundo um dilúvio e ordenou que ele construísse uma gigantesca arca para salvar sua família e um casal de cada animal existente no mundo.
 
Por que D'us odenou que Noach construísse uma arca? Por que Ele não salvou Noach com uma bolha milagrosa que o protegesse do dilúvio? Pois a construção da arca tinha uma importância estratégica. A construção durou 120 anos e foi feita sobre uma montanha muito alta, para que as pessoas vissem e questionassem Noach. Assim ele poderia avisar sobre o dilúvio, repreender as pessoas pelos seus graves erros e convencê-las a mudar. A arca era a forma de fazer com que mais pessoas pudessem se arrepender para serem salvas da destruição. Porém, a Torá nos descreve que, mesmo com os 120 anos de chance, ninguém mais foi incluído entre os que seriam salvos. Isto é difícil de entender, pois se Noach era uma pessoa íntegra e pura, por que ele não conseguiu convencer mais ninguém? Por que as pessoas não escutaram quando ele anunciou a vinda de um dilúvio que destruiria todo o mundo?
 
Outra pergunta que surge nesta Parashá é uma aparente contradição sobre as características de Noach. Por um lado a Torá louva Noach por sua integridade e Emuná (fé). Onde podemos ver a Emuná de Noach? A arca construída por ele tinha dimensões gigantescas, mas mesmo assim obviamente não caberiam todos os animais que deveriam ser salvos. Apesar da construção parecer algo sem sentido, Noach não questionou as ordens de D'us e, em uma demonstração de total confiança, ele construiu a arca exatamente como foi ordenado. Mas por outro lado, no momento em que Noach entrou na arca, a Torá nos diz: "Noach, seus filhos, sua esposa e as esposas de seus filhos, entraram com ele na arca por causa das águas do dilúvio" (Bereshit 7:6). Rashi, comentarista da Torá, explica que as palavras "por causa das águas do dilúvio" nos ensinam que Noach não teve Emuná e entrou na arca apenas depois que começou a chover forte, quando a água já cobria seu tornozelo. Afinal, Noach tinha ou não Emuná?
 
Explica o Rav Yssocher Frand que Noach era um gigante espiritual. Ele conseguiu andar nos caminhos de D'us mesmo vivendo em uma geração completamente corrupta. Certamente ele confiava em D'us, mas a Torá ressalta que havia uma pequena falha na sua Emuná. Ele sim acreditava, mas isto não era perceptível em seus atos. Qual foi a conseqüência desta falha na sua Emuná? Apesar dos 120 anos de possibilidade de salvar outras pessoas, Noach não conseguiu salvar mais ninguém. Como nem ele mesmo estava completamente convencido que o dilúvio realmente ocorreria, ele não conseguiu "vender" a idéia para mais ninguém. Seus atos contradiziam suas palavras, e por isso as pessoas não se arrependeram de seus erros.
 
O que podemos aprender deste episódio para nossas vidas? Que devemos sempre nos questionar se realmente vivemos de acordo com as nossas crenças ou não. Um exemplo é a nossa crença na vinda do Mashiach, como enuncia o Rambam (Maimônides) em um dos seus 13 princípios de fé: "Eu acredito com Emuná completa na vinda do Mashiach. E mesmo que possa tardar, apesar disso eu esperarei por sua vinda". Todo judeu acredita na vinda do Mashiach, mas vivemos de acordo com esta crença? Emprestaríamos dinheiro para alguém se a data de pagamento fosse a vinda do Mashiach? Fazemos atos que contribuem para a chegada imediata do Mashiach?
 
O Rav Israel Meir Kagan, mais conhecido como Chafetz Chaim, foi um dos maiores rabinos do começo do século passado. Sua crença na vinda do Mashiach era tão forte que transparecia em seus atos cotidianos. Por exemplo, ele deixava junto à porta de casa uma mala de roupas, para estar pronto para o dia da chegada do Mashiach. No casamento de seus filhos ele escrevia no convite "O casamento será na Cidade Velha de Jerusalém. Mas se D'us nos livre o Mashiach ainda não tiver chegado, o casamento será em Radin (cidade da Polônia onde o Chafetz Chaim morava)". O Chafetz Chaim não apenas acreditava na vinda iminente do Mashiach, ele vivenciava isso nos seus atos cotidianos. Para ele não era uma utopia, a vinda do Mashiach era tão real quanto a certeza de que o sol surgirá novamente no horizonte de manhã.
 
Também em muitos outros pontos nossos atos contradizem nossas crenças. Acreditamos que D'us pode ver todos os nossos atos, mas muitas vezes nos comportamos como se Ele não estivesse olhando. Acreditamos que cada Mitzvá cumprida nesta vida vale eternidade, mas muitas vezes "matamos" nosso tempo com besteiras. Por que vivemos em tamanha contradição? Pois a Emuná é algo que precisa ser constantemente reforçada para que permaneça em nosso coração. Somente com um trabalho diário de reflexão podemos viver de uma maneira verdadeira, em que nossos atos não sejam contraditórios com a nossa Emuná.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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São Paulo: 17h50  Rio de Janeiro: 17h34  Belo Horizonte: 17h37  Jerusalém: 16h37
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - SHMINI ATSÉRET, SIMCHÁ TORÁ E PARASHÁ BERESHIT 5771

BS"D
 
EDUCAÇÃO PARA UM MUNDO MELHOR – SHMINI ATSÉRET, SIMCHÁ TORÁ E PARASHÁ BERESHIT 5771 (29 de setembro de 2010)
 
"Durante os anos de perseguição nazista, muitos pais tentaram salvar a vida de seus bebês deixando-os em orfanatos cristãos, na esperança de reaver seus filhos quando voltassem dos campos de concentração. Mas infelizmente muitos pais nunca mais puderam voltar para buscar seus filhos e muitas crianças judias começaram a ser educadas como cristãs.
 
Inconformado com esta situação, o Rav Eliezer Silver começou uma longa marcha para resgatar as crianças judias e dar para elas um lar judaico. Mas muitos pais não haviam feito nem mesmo o Brit-milá (circuncisão) em seus filhos com medo que os nazistas os matassem. Como seria possível, então, reconhecer quais eram as crianças judias? Os padres se recusavam a entregar as crianças a não ser que o Rav Silver apresentasse alguma prova de que as crianças eram realmente judias.
 
O Rav Silver teve então uma idéia brilhante. Ele reunia todas as crianças de cada orfanato em um grande salão, subia em cima da mesa e falava em voz alta: "Shemá Israel, Hashem Elokeinu, Hashem Echad". Algumas crianças colocavam a mão sobre os olhos, outras começavam a chorar e falavam "Mamy, Papy". O Rav Silver apontava para aquelas crianças e dizia:
 
- Estas são minhas. Estas eu vou levar para lares judaicos"
 
De onde o Rav Silver tirou esta idéia brilhante? Ele sabia que os pais já se preocupavam com a educação judaica de seus filhos desde o berço. Todos os dias, na hora de colocar seus bebês para dormir, os pais recitavam com eles o "Shemá Israel". Estas palavras de Emuná (fé) ficaram gravadas no coração de cada um daqueles bebês.
 
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Na próxima quarta feira de noite começa a festa de Shemini Atséret, que literalmente significa "O oitavo, dia da parada". Desde o mês de Elul, D'us se aproximou um pouco mais de nós e Sua presença era mais sentida. Agora, com o fim da festa de Sucót, chega o momento da partida. A festa de Shmini Atséret se assemelha a um pai que, no dia da despedida do seu querido filho, pede para que ele fique por mais um dia, pois a despedida é dura. E na quinta feira comemoramos a festa de Simchá Torá (em Israel as duas festas são comemoradas no mesmo dia), o dia em que terminamos a leitura anual da Torá com a Parashá Vezot Habrachá e, por amor, a reiniciamos imediatamente com a Parashá Bereshit, que começa com a criação do mundo e a criação do primeiro ser humano, Adam Harishon. Pouco tempo após ter sido criado, Adam pecou e foi expulso do Gan Éden (paraíso), como está escrito: "E então D'us o baniu do Gan Éden... e tendo expulsado-o, Ele colocou, ao Leste do Gan Éden, os Kerubins e a chama da espada que girava para guardar o caminho para a Árvore da Vida" (Bereshit 3:23,24).
 
Mas deste versículo surge uma pergunta. Rashi, comentarista da Torá, explica que os Kerubins eram anjos de destruição. Porém, "Kerubins" é o mesmo termo utilizado para descrever a imagem dos dois anjos sagrados com rosto de criança que ficavam sobre a tampa do Aron Hakodesh (Arca Sagrada) no Templo. Como pode ser que o termo "Kerubim" é utilizado para criaturas destruidoras e também para criaturas com rosto de criança que representam a força vital da Torá?
 
Explica o Rav Yaacov Kamenetsky que a Torá está nos ensinando a importância da boa educação para moldar crianças saudáveis e ressaltando as conseqüência de uma má-educação. Se uma criança for bem educada, pode se transformar em um Tzadik (Justo), mas se a educação da mesma criança for negligenciada, ela pode se tornar uma pessoa problemática.
 
Em vários lugares a Torá cita a importância da educação dos filhos. Uma das passagens está no próprio "Shemá Israel", onde dizemos "E estas palavras que Eu os ordeno hoje estarão sobre os seus corações, e as ensinarão aos seus filhos". A responsabilidade da educação judaica dos filhos recai sobre os pais e deve começar ainda no berço, mesmo antes da criança começar a pronunciar suas primeiras palavras. Porém, atualmente perdemos um pouco o senso da nossa responsabilidade em relação aos nossos filhos. O que significa educar os filhos? Muitas vezes pensamos que é suficiente mandar os filhos para a escola ou colocá-los horas diante da televisão assistindo programas "educativos". Mas será que isso é realmente suficiente? Com isso estamos cumprindo nossa obrigação de criar filhos com boa índole?
 
Infelizmente as nossas escolas se tornaram verdadeiras "fábricas de diploma". Qual escola é considerada boa? Aquela que tem uma alta porcentagem de alunos que entram em boas faculdades. As escolas não se preocupam em educar, a meta é apenas ensinar a passar no vestibular. Qual a consequência? Uma sociedade composta por muitos advogados sem ética e médicos gananciosos que não se importam com a vida de seus pacientes. Uma sociedade com profissionais que conhecem todos os detalhes técnicos de suas profissões mas não sabem nem mesmo respeitar o próximo.  
 
E a televisão, será que é um bom educador? Apesar de realmente existirem programas educativos, eles são muito raros. O mais comum é a criança se deparar com cenas de violência, nudez e a banalização de temas como traição e roubo. Quanto controle realmente os pais têm sobre o que seus filhos assistem e como eles assimilam estas informações? Quantas vezes os pais assistem os programas de televisão junto com seus filhos para depois discutirem o conteúdo de forma didática? Será que não deveríamos nos dedicar mais às atividades conjuntas com nossos filhos e, ao invés de deixar a televisão ensinar, sentar com eles e abrir um livro?
 
Foram estes os questionamentos que se perguntaram alguns pesquisadores americanos. Para tentar respondê-los, eles propuseram uma experiência com voluntários de uma pequena cidade, que aceitaram ficar por 30 dias sem televisão em casa. Após este período, todos foram entrevistados e garantiram que o relacionamento familiar havia mudado completamente. Os pais haviam conseguido conversar mais com os filhos, haviam feito mais atividades juntos, haviam conseguido aproveitaram melhor o tempo em família, tanto em qualidade quanto em quantidade. Porém, os pesquisadores observaram que, depois dos 30 dias da experiência, todas as famílias voltaram a ter televisões em casa. Quando questionados, os pais disseram, envergonhados, que a televisão os deixavam com mais tempo livre e por isso valia a pena tê-la de volta. Isto comprovou que, infelizmente, utilizamos a televisão para nossa própria conveniência, para que sobre para nós um pouco mais de tempo enquanto nossos filhos ficam "grudados" na programação, e não como um verdadeiro educador.
 
A educação dos filhos não é algo fácil. É necessário dedicação e esforço, planejamento e disciplina. Mas disso depende o futuro do mundo. Há um ditado americano que diz: "A mão que balança o berço é a mão que governa o mundo". O que nossos filhos serão no futuro depende do nosso esforço hoje. A Torá não coloca a obrigação da educação sobre os professores nem sobre os meios de comunicação, e sim sobre os pais. Escola e televisão podem transmitir informações, mas a formação do caráter depende dos ensinamentos e da educação dos pais. Desde a infância já podemos ensinar valores aos nossos filhos. Desde o berço já podemos ensinar o orgulho de sermos judeus e a importância de sermos uma "Luz para as nações", através de bons atos e uma boa conduta. Os judeus precisam ensinar ao mundo o valioso ensinamento de que, antes de um jovem ser advogado, médico ou engenheiro, ele precisa ser um "Mench" (ser humano digno). E isso depende única e exclusivamente dos pais.
 
CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHMINI ATSÉRET (1º DIA DE YOM TOV):
São Paulo: 17h46  Rio de Janeiro: 17h31  Belo Horizonte: 17h35  Jerusalém: 16h48
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SIMCHÁ TORÁ (2º DIA DE YOM TOV):
Acender somente depois de: São Paulo: 18h38  Rio de Janeiro: 18h26  Belo Horizonte: 18h24
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT (01 de outubro)
São Paulo: 17h47  Rio de Janeiro: 17h32  Belo Horizonte: 17h36  Jerusalém: 16h45
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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - SUCÓT 5771

BS"D
 
ALIMENTANDO O CORPO E A ALMA – SUCÓT 5771 (22 de setembro de 2010)
 
"José era carteiro de um pequeno vilarejo. Ele vivia uma vida muito simples e humilde, e tudo o que ele tinha era um cavalo que o ajudava a entregar diariamente as correspondências. Certo dia sentou-se para fazer as contas e percebeu que gastava muito na alimentação de seu cavalo. Decidiu que daquele dia em diante iria ensiná-lo a não comer, assim sobraria dinheiro no final do mês. Daria para o animal cada vez menos comida, até que um dia ele se acostumaria e não precisaria mais se alimentar. E assim fez, foi alimentando cada vez menos o seu cavalo.
 
Certo dia José apareceu na pracinha da cidade com a cara triste. Tinha más notícias para contar aos seus amigos. Não sabia mais como faria a entrega das correspondências, pois infelizmente seu querido cavalo, companheiro de tantos anos de trabalho, havia morrido. Então José comentou com os amigos:
 
- Que pena, era um bom cavalo. Mas o que me deixa mais triste não é saber que ele morreu. O que mais me chateia é lembrar que, após meses de treinamento, ele tinha acabado de aprender nesta última semana a não comer mais nada. Que azar que eu tive, depois de todo este esforço, justamente agora ele foi morrer!"
 
Muitos pensam que é possível e bom aos olhos de D'us viver uma vida de total abstinência. Fazer voto de castidade, voto de silêncio, jejuns sem fim. Mas se um cavaleiro não alimenta bem o seu cavalo, os dois perdem, pois o cavalo fica fraco e o cavaleiro não consegue fazer seu trabalho. Assim também é a relação entre a nossa alma, comparada a um cavaleiro, e o nosso corpo, comparada a um cavalo. Somente quando os dois trabalham juntos, a alma cuidando do corpo e o corpo respeitando a alma, é que conseguimos cumprir o nosso trabalho neste mundo. Não há sabedoria nenhuma em matar o cavalo de fome, e certamente não foi o que D'us pediu de nós.
 
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O mundo atualmente se divide entre duas filosofias. A primeira filosofia é das pessoas mais voltadas para a "religiosidade", que se opõem totalmente aos prazeres mundanos, preferem se abster deles. O prazer é visto como um grande pecado que nos desvia dos caminhos corretos. No sentido contrário vem a segunda filosofia, a do "Carpe Diem", a idéia de que vivemos pelos prazeres e devemos fazer de tudo para alcançá-los, sem limites. Será que não existe um meio-termo, que nos permite ter prazeres sem exageros e sem nos sentirmos culpados?
 
A resposta está em Sucót, o Chag (festa) que começa nesta quarta-feira de noite (22 de setembro). Apesar de todas as festas judaicas terem um caráter de alegria, esta característica é mais marcante em Sucót, que inclusive recebe o nome de "Zman Simchateinu" (O tempo da nossa alegria). O próprio versículo que descreve a festa de Sucót nos indica o caráter festivo e alegre dela: "Você deve fazer a festa de Sucót por 7 dias... E se alegre na sua festa, você, seu filho e sua filha...  Por 7 dias celebre para Hashem, teu D'us... e esteja completamente feliz" (Devarim 16:13-16). Mas este versículo chama atenção pela ênfase dada à alegria. Por que a Torá precisa ressaltar que devemos estar "completamente felizes" em Sucót?
 
Explica o Talmud (parte da Torá Oral) que na verdade a Torá não está nos cobrando que tenhamos 7 dias de alegria, e sim nos garantindo que a festa de Sucót pode nos trazer um nível muito elevado de alegria, a ponto de durar os 7 dias de festa. Mas será que isto é possível? Sabemos de festas de duram horas, outras que duram até mesmo todo o final de semana, mas será que é possível ficar feliz por 7 dias consecutivos? Imagine uma pessoa que é sorteada para entrar no melhor restaurante da cidade e, por uma semana, comer tudo o que tiver vontade. No primeiro dia ele come como um animal, sai do restaurante feliz da vida, a comida quase saindo pelas orelhas. No segundo dia a comida já não é mais tão especial, mas ele ainda consegue comer bem e sair satisfeito. E assim, cada dia a alegria de comer sem limites vai diminuindo até que, no sétimo dia, já não é mais uma alegria e sim uma tortura. Então como a Torá pode nos garantir que a alegria de Sucót tem o potencial de durar, com toda a sua intensidade, por 7 dias seguidos?
 
Explica o Maguid Mi Duvno que a Simchá (alegria) das festas judaicas é composta por duas partes: por um lado há os prazeres mundanos, de comermos bem, bebermos um bom vinho e vestirmos roupas bonitas, conforme D'us nos comandou. Mas por outro lado há o prazer da espiritualidade, da conexão com o Criador do mundo. Se pensarmos bem isso parece contraditório, pois se a meta desta vida é alcançar altos níveis espirituais, por que fomos comandados a ter também prazeres materiais?
 
Na verdade não há nenhuma contradição, esta é a receita para aproveitarmos os prazeres de maneira verdadeira e intensa. Para atingir prazeres espirituais precisamos dos prazeres materiais como um "foguete propulsor" que nos faz subir. Um corpo faminto e maltratado não consegue sentir alegria. Somente um corpo com energia consegue servir a D'us com alegria. Os prazeres físicos são uma forma de chegar aos prazeres espirituais. Mas devemos ter o cuidado para não deixar que estes desejos e a necessidade de saciar o corpo se transformem apenas em um ato animal. D'us nos criou com um corpo e uma alma, e a alma nunca se sacia com os prazeres materiais. Se todo o foco se torna apenas o material, em pouco tempo já não nos preenche e logo precisamos de um prazer novo. Este tipo de prazer certamente não consegue durar 7 dias. Portanto, não é este tipo de prazer que a Torá nos ensinou e nos garantiu que seria duradouro.
 
A receita da Torá é simples e pode ser resumida em uma palavra: equilíbrio. Esta é a nossa meta neste mundo, aproveitar os prazeres do mundo material com bom senso, com foco. Não vivemos nem de acordo com a filosofia da abstinência nem do "Carpe Diem". Se os prazeres de Sucót forem utilizados como incentivo para a nossa espiritualidade, a cada dia crescemos um pouco mais na nossa alegria, pois não só o corpo vai sendo preenchido, mas também a alma se preenche. Somente desta maneira é possível sentir alegria nos 7 dias de festa. É por isso que a Torá ressalta que em Sucót podemos ser "completamente felizes", pois Sucót é justamente a festa do equilíbrio. Comemos bem, mas nossas paredes são de madeira. Bebemos um bom vinho, mas sob nossas cabeças estão apenas folhas e bambus. Podemos e devemos aproveitar os prazeres materiais, mas sem esquecer que este mundo é passageiro e provisório como a Sucá.
 
A festa de Sucót é um grande presente de D'us, pois se aprendermos a lição nestes 7 dias, podemos levar a felicidade para o ano todo. A felicidade de aproveitar as coisas de maneira moderada e equilibrada, sem nunca esquecer que, deste mundo material, nada levaremos.
 
CHAG SAMEACH
 
Rav Efraim Birbojm
 
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DO 1º DIA DE SUCÓT:
São Paulo: 17h44  Rio de Janeiro: 17h29  Belo Horizonte: 17h34  Jerusalém: 16h57
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DO 2º DIA DE SUCÓT (YOM TOV SHENI):
Acender somente depois de: São Paulo: 18h36  Rio de Janeiro: 18h20  Belo Horizonte: 18h24
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT (24 de setembro)
São Paulo: 17h45  Rio de Janeiro: 17h29  Belo Horizonte: 17h34  Jerusalém: 16h55
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 
 
 


sexta-feira, 17 de setembro de 2010

PEDIDO DE PERDÃO - YOM KIPUR 5771

BS"D
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Apesar de muitos acharem Yom Kipur um dia cansativo e sofrido por causa do jejum e das longas rezas, ensina o Rav Israel Salanter que não há dia mais feliz para o povo judeu do que o dia de Yom Kipur, quando os inúmeros pecados que cometemos durante o ano são apagados se nos arrependermos de maneira sincera, decidirmos não errar mais daqui para frente e confessarmos para D'us nossos erros.
 
Durante o ano fizemos dois tipos de erro: contra D'us (quando fizemos transgressões ou deixamos de cumprir Mitzvót) e contra o próximo (em relação ao seu dinheiro, à sua honra, etc). Apesar da tremenda força de expiação dos pecados que existe em Yom Kipur, explica o Talmud que Yom Kipur limpa somente os erros que cometemos com D'us, mas os erros que cometemos com o próximo não são limpos até que sejamos perdoados pela pessoa com quem erramos, após um sincero pedido de desculpas. Se não formos perdoados pelo outro, de nada adianta passar o Yom Kipur inteiro rezando, chorando e jejuando, pois esta transgressão não tem como ser apagada.
 
Por isso, gostaria de aproveitar a oportunidade para, de coração, pedir perdão a todos com quem eu possa ter cometido qualquer erro, tanto algo que eu tenha feito de errado quanto algo que esperavam de mim e eu não correspondi. Tanto os erros intencionais quanto os erros não intencionais, de todos eles eu me arrependo do fundo do meu coração e espero que vocês possam me perdoar. Eu poderia colocar a culpa pelos meus erros na falta de tempo ou na correria e stress do dia a dia, mas eu não estaria sendo sincero comigo mesmo nem com D'us. Yom Kipur é o momento de assumir nossos erros sem procurar desculpas. Errei, e por isso peço perdão.
 
Ensinam os nossos sábios que aquele que passa por cima da sua honra e perdoa a alguém que lhe fez algum mal, D'us passa por cima de todas as transgressões desta pessoa e a perdoa. Por isso, por favor, se alguém tiver alguma mágoa específica, me escreva para que eu possa pedir perdão pessoalmente.
 
Também perdôo, de todo o coração, a qualquer um que possa ter me feito algum mal, intencionalmente ou não intencionalmente.
 
Que todos possamos ter um ano muito bom, com saúde, com crescimento espiritual, e que possamos neste ano aprender a conviver com o próximo com muita harmonia e respeito.
 
GMAR CHATIMÁ TOVÁ (QUE SEJAMOS SELADOS PARA O BEM)
 
Rav Efraim Birbojm
 
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SHABAT SHALOM MAIL - YOM KIPUR 5771


BS"D
 
A FORÇA DOS NOSSOS PEDIDOS – YOM KIPUR 5771 (17 de setembro de 2010)
 
"Chana (nome fictício) é uma moça judia para quem eu (Rav Efraim Birbojm) dava aulas. Ela não conhecia muito as Mitzvót, mas se interessava e não perdia uma aula. Certo dia ela me ligou com a voz tensa, se esforçando para não chorar. O pai dela estava na UTI, após um enfarto repentino. Os médicos haviam dito que era um grande milagre ele estar vivo. Eu a tranqüilizei e convidei-a para conversar pessoalmente mais tarde.
 
Já era de noite quando conseguimos conversar. A moça estava angustiada, pois apesar do pai estar se recuperando aos poucos, ele permanecia na UTI. Era terça-feira e, segundo os médicos, ele teria que permanecer na UTI até a segunda-feira seguinte, dia em que faria uma pequena cirurgia cardíaca. Como os horários de visita na UTI eram muito curtos, o pai estava deprimido por estar longe da família, e isto deixava Chana inconformada. Ela queria muito estar neste momento difícil ao lado do pai.
 
Expliquei para Chana que tudo está nas mãos de D'us e, por isso, o que ela poderia fazer era Tefilá (reza), pedindo para que D'us tivesse misericórdia. Ensinei a ela como rezar e emprestei um livro de Tehilim (Salmos) para que ela recitasse, em especial os Salmos dedicados à recuperação de um doente. Chana agradeceu muito e voltou para casa.
 
No dia seguinte de manhã telefonei para Chana para saber como ela estava. Para minha surpresa, a voz dela estava tranqüila. Ela explicou que havia passado a noite inteira fazendo Tefilá e lendo os Salmos e por isso estava realmente muito mais tranqüila e confiante na recuperação do pai. Ela agora tinha esperanças verdadeiras de que ele melhoraria.
 
Era pouco depois do meio dia quando meu telefone tocou. Era Chana, que não cabia em si de alegria. Muito emocionada, ela me falou:
 
- Rabino, você não vai acreditar. Transferiram meu pai para o quarto. Como ele está estável, os médicos decidiram que ele poderia esperar pela cirurgia junto com a família. D'us escutou minha Tefilá!
 
A operação foi um grande sucesso e, em uma semana, o pai de Chana estava em casa, recomeçando a vida nova que ele tinha recebido de D'us"
 
Quando rezamos com todo o nosso coração, D'us escuta nossas súplicas. Por isso, a reza não pode ser apenas um ato de pronunciar palavras sem sentido. A reza precisa vir do coração, principalmente quando estamos pedindo para D'us vida.
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Este Shabat coincide com a festa de Yom Kipur, o dia do perdão, oportunidade que temos de nos conectar com o Criador do mundo e nos purificar espiritualmente. Cada vez que cometemos uma transgressão manchamos nossa alma, mas se nos arrependemos com sinceridade, Yom Kipur limpa todas as manchas que causamos durante o ano inteiro. Se olharmos para trás e fizermos uma reflexão sincera, veremos que cometemos erros demais, e muitos deles graves. Desrespeitamos nossos pais, fizemos Lashon Hará (maledicência), brigamos, ofendemos outras pessoas, não cumprimos as Mitzvót como deveríamos. Se fizéssemos uma lista, o papel acabaria mas os nossos erros não. Será que realmente Yom Kipur consegue limpar tudo o que fizemos de errado? Depois de tantos erros, há alguma maneira de tentarmos garantir que seremos selados para a vida?
 
A resposta está no final da Parashá que lemos na semana passada, Haazinu. O povo judeu estava na fronteira com a terra de Israel e Moshé foi comandado por D'us a subir em uma montanha para ver a terra, abençoá-la e depois disso morrer. E assim está escrito: "E disse D'us a Moshé, em pleno dia, e falou: 'Suba neste monte Avarim... e veja a terra de Knaan, que Eu darei aos filhos de Israel como possessão. E você morrerá no Monte que você subir e será reunido ao seu povo...' " (Devarim 32:48-50). Mas por que a Torá acrescenta a expressão "em pleno dia"?
 
Rashi, comentarista da Torá, nos ensina que esta expressão "em pleno dia" aparece em 3 lugares diferentes na Torá. A primeira vez aparece quando Noach (Noé) estava prestes a entrar na arca, no momento em que as primeiras chuvas do dilúvio começaram a cair, como está escrito: "E em pleno dia veio Noach, e Shem, Cham e Iafet, os filhos de Noach, e a esposa de Noach, e as três esposas de seus filhos vieram com eles à arca... E houve o dilúvio 40 dias sobre a terra" (Bereshit 7:13,17). A segunda vez aparece quando o povo judeu saiu do Egito, como está escrito "E os filhos de Israel permaneceram no Egito por 430 anos. E foi ao fim dos 430 anos, em pleno dia, saíram todos os exércitos de D'us da terra do Egito" (Shemot 12:40,41). E a terceira vez é na Parashá Haazinu, em relação à morte de Moshé. O que há em comum entre estes 3 eventos?
 
Por muitos anos Noach advertiu as pessoas sobre a vinda do dilúvio e a necessidade do arrependimento, mas ele foi zombado por todos. Quando a data anunciada do dilúvio começou a se aproximar, as pessoas começaram a se preocupar. E se o dilúvio realmente viesse? Somente Noach se salvaria? As pessoas então planejaram vir armadas com machados para destruir a arca e impedir a entrada de Noach e sua família. Mas os planos de D'us eram outros e, em pleno dia, isto é, diante dos olhos de todos, Noach e sua família entraram na arca e ninguém conseguiu impedir. O mesmo ocorreu na saída do Egito, quando diversas vezes Moshé pediu para que os egípcios se arrependessem de terem escravizado e maltratado o povo judeu e o libertasse, mas apenas depois do Egito ter sido devastado pelas pragas é que a saída do povo judeu foi permitida. Porém, o arrependimento egípcio não foi sincero, pois muitos deles planejavam atacar os judeus quando eles estivessem saindo, desprevenidos. Por isso está escrito que os judeus saíram do Egito em pleno dia, isto é, diante dos olhos de todos os egípcios, e ninguém conseguiu fazer nada contra.
 
Rashi explica, portanto, que a expressão "em pleno dia" é uma demonstração da força de D'us, pois sempre a Sua vontade se cumpre, mesmo quando as pessoas querem ir contra. Noach não entrou na arca no meio da noite, escondido, e sim em pleno dia. O povo judeu não saiu do Egito na calada da noite, como ladrões, e sim em pleno dia. Mas fica uma grande pergunta: nos dois primeiros eventos é possível entender este conceito. Porém, quando chegamos ao terceiro evento, esta regra fica difícil de ser aplicada. Se D'us havia decretado que Moshé iria morrer e está escrito na Torá que foi "em pleno dia", isto é, diante dos olhos de todo o povo judeu, isso quer dizer que D'us sabia que de alguma forma o povo tentaria impedir a morte de Moshé. Como o povo faria isto? É possível revogar um decreto de morte Divino?
 
A resposta é incrível: sim, o povo poderia tentar evitar a morte de Moshé. Como? Através da Tefilá (reza). Como Moshé era muito querido por ter liderado o povo judeu durante os 40 anos e por todas as bondades que ele havia feito, as pessoas rezaram e choraram com fervor. Mas D'us mostrou que estava decidido a cumprir a Sua vontade e fez Moshé subir na montanha em pleno dia, diante de todo o povo, e não escondido no meio da noite. Por que a Tefilá do povo não funcionou? Pois neste caso em particular D'us tinha planos mais profundos. Ele sabia que a hora do povo judeu entrar na terra de Israel havia chegado e Moshé não podia entrar, pelo bem do próprio povo. Se não fosse por este motivo, a Tefilá do povo teria sido aceita.
 
Aprendemos então desta Parashá um incrível fundamento: a reza sincera e o choro podem mudar até mesmo um decreto de morte Celestial. E assim dizemos durante a Tefilá de Rosh Hashaná e Yom Kipur: "3 coisas podem mudar um mau decreto: Teshuvá (Arrependimento), Tefilá (Reza) e Tzedaká (Caridade)". Apesar destas 3 coisas terem força durante todo o ano, elas funcionam ainda mais em Yom Kipur, o dia do ano em que D'us está mais próximo de nós.
 
Fazer Teshuvá não significa mudar completamente do dia para a noite. A tradução literal da palavra "Teshuvá" é "Retorno". Para que serve o retorno em uma estrada? Para uma pessoa que, ao perceber que está indo na direção errada, possa voltar para o outro lado e recomeçar a viagem na direção correta. É isso o que D'us espera de nós em Yom Kipur. Primeiro, que possamos sinceramente perceber que estamos errados. Depois, que tenhamos a vontade de mudar e melhorar. E terceiro, que possamos decidir, com comprometimento, a dar pequenos passos na direção do nosso crescimento espiritual. Assim aproveitaremos o dia em que os portões Celestiais estão abertos para que a nossa Tefilá consiga atingir os mundos espirituais mais elevados e possamos ser selados no Livro da Vida.  
 
SHABAT SHALOM, TSOM KAL (Que todos tenham um jejum leve) e GMAR CHATIMÁ TOVÁ (Que sejamos selados para o bem).
 
Rav Efraim Birbojm
 
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT E YOM KIPUR:
São Paulo: 17h42  Rio de Janeiro: 17h27  Belo Horizonte: 17h33  Jerusalém: 17h04
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Shalom ben Aliah.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 
 
 


sexta-feira, 3 de setembro de 2010

MENSAGEM DE ROSH HASHANÁ 5771

BS"D
 
Mais um ano está terminando. Baruch Hashem, chegamos ao término de mais um ciclo do Shabat Shalom M@il. "Shehecheianu Vekiimanu Vihiguianu Lazman Hazé" (Bendito seja D'us, que nos manteve vivos, nos sustentou e nos fez chegar até este momento). O ano de 5770 fica para trás e já nos preparamos para as realizações e o crescimento espiritual que almejamos para o ano de 5771.
 
Para dividir um pouco da alegria que eu sinto por semanalmente escrever o Shabat Shalom M@il, gostaria de ilustrar meus sentimentos com uma linda história:
 
"Contam que um homem, ao caminhar na praia, avistou uma pessoa que repetidamente se inclinava, apanhava algo na areia e atirava no mar. Ao se aproximar, notou que o rapaz pegava estrelas do mar que haviam sido levadas para a praia e as lançavam de volta à água. Aproximou-se e perguntou o que ele estava fazendo. O rapaz explicou:
 
- Estou devolvendo estas estrelas do mar ao oceano. Todas as estrelas do mar foram trazidas para a praia e, se eu não as lançar de volta ao mar, elas morrerão por falta de oxigênio.
 
- Entendo - respondeu o homem - mas deve haver milhares de estrelas do mar nesta praia, você não será capaz de apanhar todas elas. Além disso, há centenas de praias acima e abaixo desta costa. Você não entende que não fará diferença alguma?
 
O rapaz sorriu, curvou-se, apanhou outra estrela do mar e, ao arremessá-la de volta ao mar, disse:
 
- Para esta fez diferença"
 
Mudar o mundo não é uma tarefa fácil. Mas se cada um de nós fizer a sua parte, der a sua contribuição, ao menos acreditar que o mundo pode ser muito melhor, teremos dado mais um passo. A Torá não nos deixa desanimar, a Torá não nos deixa desistir.
 
Foi com esta motivação que, durante todo este ano, eu me dediquei a escrever o Shabat Shalom M@il. O Pirkei Avót nos ensina: "Não estamos obrigados a terminar o trabalho, mas isso não nos isenta de participar dele". Sinto muita alegria de poder dar esta contribuição semanal, na esperança de que, para cada um de vocês, esta pequena porção de Torá semanal tenha feito a diferença. No escritório na Sexta feira de manhã, em casa ou na mesa de Shabat, espero que o Shabat Shalom M@il possa ter trazido para cada família um pouco mais de luz e entendimento.
 
Agradeço a todos os leitores do Shabat Shalom M@il, por todos os incentivos, elogios e sugestões. Agradeço muito à minha família, pelo apoio e pelo carinho constantes. E acima de tudo, agradeço a D'us pela oportunidade de poder espalhar pelo mundo a beleza e a profundidade dos ensinamentos da nossa sagrada Torá. Espero que, para cada um de vocês, os Shabat Shalom M@il possam ter feito a diferença. Que possam ter levado à reflexão, à mudanças de atitude, à uma nova forma de ver a vida e o mundo.
 
Que todos tenham um ano com muita saúde, com muita paz, com muitas alegrias e conquistas, com Parnassá Tová (bom sustento) e principalmente com muita Torá. E que finalmente seja o ano da vinda do Mashiach.
 
Shaná Tová para todos.
 
Com carinho
 
Rav Efraim Birbojm