| | | | | ASSUNTOS DA PARASHAT KI TISSÁ - Instruções Para o Censo
- O Kior (Lavatório)
- O Óleo da Unção
- O Incenso
- Os Arquitetos do Mishkan (Betzalel e Achaliav)
- O Shabat
- O Bezerro de Ouro
- A fúria de D'us
- Moshé Desce e quebra as Tábuas
- O Pedido de Moshé
- Moshé implora pelo perdão
- Visão Divina
- As Segundas Tábuas
- 13 Atributos de Misericórdia
- Primogênitos
- Moshé retorna com o rosto brilhando
| | | CONFIANDO NA SABEDORIA DIVINA - PARASHAT KI TISSÁ 5786 (06/mar/26) "O rei de um grande império adoeceu. Era uma enfermidade tão rara e complexa que nenhum médico da corte conseguia diagnosticá-la corretamente. Decidiram então chamar o mais renomado médico do reino, um homem que havia estudado não apenas os sintomas visíveis, mas também os sistemas ocultos do corpo humano. Após dias de análise, o médico finalmente diagnosticou a doença e preparou uma fórmula extremamente precisa: sete ervas raras, cada uma com sua medida em proporção exata. Algumas aqueciam o corpo, enquanto outras resfriavam. Uma era amarga, enquanto outra parecia quase inútil pela quantidade mínima prescrita. Porém, como precisava viajar, chamou seu jovem discípulo, um estudante brilhante, dedicado e leal ao rei. - Escute bem - disse o médico ao seu discípulo - Fabrique esta fórmula e aplique no rei exatamente como está prescrito. Não acrescente nem diminua nada, nem substitua nenhum ingrediente, mesmo que algo lhe pareça ilógico. A cura depende justamente da precisão desta fórmula. Naquela mesma noite, o médico partiu em uma missão urgente. O discípulo estudou cuidadosamente a receita. Era um aluno avançado, conhecia anatomia, fisiologia e as propriedades das ervas. Quanto mais analisava, mais certas proporções lhe pareciam estranhas. Pensou consigo mesmo: "Talvez ele tenha considerado o estado inicial do rei, mas a febre aumentou desde então... Talvez a quantidade da erva amarga seja excessiva... Se eu reduzir um pouco, o efeito será mais equilibrado". Por um momento hesitou. Lembrou-se das palavras do médico: "Não acrescente nem diminua nada". Mas quanto mais pensava, mais lhe parecia que um pequeno ajuste poderia ajudar o rei. Com mãos cuidadosas, alterou ligeiramente as medidas. Finalmente o remédio foi administrado, mas não teve o efeito desejado. O equilíbrio delicado da composição havia sido destruído. Dias depois, o médico retornou e aproximou-se do leito real. Observou o pulso do rei, examinou seus olhos e permaneceu em silêncio por alguns instantes. Algo não estava como deveria. Ao revisar as medidas da fórmula que fora produzida, percebeu que havia sido modificada. Chamou o discípulo e perguntou calmamente se ele havia mudado as medidas. - Sim - respondeu o jovem, abatido e envergonhado - pensei que poderia aperfeiçoar o tratamento. Fiz apenas pequenos ajustes, com a melhor das intenções. - Eu não duvido da sua intenção e nem do seu conhecimento - disse o médico, em um tom compreensivo - Porém, esta fórmula não foi elaborada com base apenas naquilo que é visível. Ela depende de conhecimentos que você ainda não possui. Quando pedi que não mudasse nada, foi porque a cura dependia da exatidão da obediência. O discípulo compreendeu, com dor, que sua falha não havia sido de intenção, mas de princípio. Ele havia substituído a confiança na sabedoria superior por sua própria análise limitada." Às vezes o erro nasce da confiança excessiva no próprio entendimento. Há assuntos espirituais que não dependem da nossa lógica, mas da fidelidade à vontade de Quem os instituiu. A verdadeira grandeza não está em tentar aperfeiçoar as leis, mas em ter a humildade de cumpri-las exatamente como foram dadas. | | | Nesta semana lemos a Parashat Ki Tissá (literalmente "Quando você contar"), que traz um dos episódios mais tristes da história do povo judeu: a construção do Bezerro de Ouro, um erro que quase custou o extermínio de todo o povo, se não fosse a intervenção de Moshé, através de muitas Tefilót e súplicas. Este erro do povo judeu é difícil de ser entendido. Em primeiro lugar, há um Midrash enigmático que diz: "Era apropriado que nossos antepassados recebessem a Torá e dissessem: 'Tudo o que D'us falou, faremos e ouviremos'. Mas por acaso era apropriado que dissessem: 'Estes são os seus deuses, ó Israel'?". O Midrash está conectando o famoso "Naassê Venishmá" (Shemot 24:7), dito pelo povo judeu antes da entrega da Torá, com a declaração "Estes são teus deuses, ó Israel" (Shemot 32:4), dita após fazerem o Bezerro de Ouro. Porém, por que comparar frases ditas pelo povo em situações completamente diferentes? Uma declaração refere-se a algo completamente bom, enquanto a outra se refere a algo completamente ruim. Então por que o Midrash as compara? Além disso, há um Midrash na Parashat Chukat que conecta a enigmática Mitzvá da Vaca Vermelha com o Bezerro de Ouro, como está escrito: "Isso se compara ao filho de uma serva que sujou o palácio. Disse o rei: que venha a mãe e limpe a sujeira do filho. Assim disse D'us: que venha a Vaca e expie o ato do Bezerro". Entretanto, a Mitzvá da Vaca Vermelha é considerada um "Chok", isto é, uma Mitzvá cujo motivo não nos foi revelado. Por que então o Midrash atribui um motivo explícito para essa Mitzvá? E, finalmente, como é possível que a geração do deserto, conhecida como "a geração do conhecimento", que saiu do Egito, testemunhou milagres grandiosos e presenciou a entrega da Torá no Monte Sinai, tenha caído em uma transgressão tão grave? Eles haviam abandonado D'us tão rápido? Explica o Rav Yossef Dov Soloveitchik zt"l (Bielorrússia, 1820 - 1892), mais conhecido como Beis HaLevi, que cada Mitzvá possui razões e intenções embasadas em segredos ocultos. Por meio do cumprimento das Mitzvót, realizamos retificações nos mundos superiores. Também as Mitzvót relacionadas à construção do Mishkan, que trouxeram a Presença Divina ao mundo, carregam, em cada detalhe, significados profundos. Somente quando todos os detalhes foram completados foi que o Mishkan se tornou apto para ser a morada de D'us. O povo judeu imaginou, portanto, que alguém conhecedor dos profundos segredos da Criação poderia compreender sozinho como construir uma morada para D'us. Quando viram que Moshé, aquele que servia de intermediário entre eles e D'us, não retornava do Monte Sinai, desejaram criar um local especial onde a Presença Divina pudesse habitar. E como não quiseram confiar em sua própria sabedoria, dirigiram-se a Aharon, que era conhecedor dos segredos mais profundos, e pediram: "Faça para nós…" (Shemot 32:1). Eles queriam estabelecer um local apropriado para a manifestação da Presença Divina. As intenções eram, portanto, boas. Contudo, eles cometeram um erro fundamental. É verdade que as ações do homem no mundo inferior produzem retificações nos mundos superiores. Porém, somente quando foi a Torá que ordenou aquela ação. No caso do Mishkan, apenas depois que D'us ordenou cada detalhe, e o povo cumpriu exatamente o que foi ordenado, é que as retificações superiores ocorreram. O princípio é que a essência de toda retificação reside no cumprimento da vontade do Criador. Sem isso, não passa de boas intenções. A sofisticação intelectual, sem o comando de D'us, não apenas perde o valor, mas transforma-se em uma grave transgressão. Este foi o erro do Bezerro de Ouro. Assim podemos entender o que Moshé disse em sua Tefilá ao pedir a D'us misericórdia: "Veja que esta nação é Teu povo" (Shemot 33:13). Ou seja, a transgressão deles não decorreu do desejo de se afastar do Serviço Divino. Pelo contrário, a motivação principal era a ânsia pela proximidade de D'us. Na Parashat Pekudei, após o povo construir cada utensílio ou parte do Mishkan, a Torá repete as palavras "Como D'us ordenou a Moshé". Isso ocorre porque o Mishkan veio expiar a transgressão do Bezerro de Ouro. Se a transgressão consistiu em agir por iniciativa própria, baseado no intelecto humano, sem ter sido ordenado por D'us, então a retificação veio justamente por meio da obediência completa: "como D'us ordenou". Mesmo que Betzalel soubesse os profundos segredos da combinação das letras que formavam os Céus e a Terra, toda sua intenção na construção foi apenas cumprir a ordem Divina. Ele não construiu nada baseado no entendimento do seu intelecto, mas sim na vontade do Criador. Dessa forma, a transgressão do Bezerro de Ouro foi expiada. Com isso compreendemos também a conexão entre a declaração de "Naassê Venishmá" e a transgressão do Bezerro de Ouro. À primeira vista, ao dizerem "Faremos", já estava incluída a ideia de "Ouviremos", pois não se pode fazer nada sem primeiro ouvir. Contudo, "Nishmá" não significa apenas escutar com os ouvidos, mas sim compreender profundamente, como em "Shemá Israel", que implica um entendimento interior. Primeiro o povo disse "Naassê", isto é, aceitaram cumprir as Mitzvót mesmo sem compreensão plena, apenas por obediência. Depois disseram "Nishmá", que significava que eles se comprometiam também a estudar e entender os profundos significados das Mitzvót. A grandeza de terem precedido "Faremos" a "Ouviremos" está em terem aceitado agir como servos obedientes, independente da compreensão. O erro ocorreu quando posteriormente confiaram excessivamente em seu próprio entendimento e criaram algo novo sem ordem Divina. Com isso também entendemos o Midrash "Que venha a Vaca e expie o ato do Bezerro". Nossos sábios não pretendiam afirmar que este é o motivo da Mitzvá da Vaca vermelha, que é um Chok. Mas por ser uma Mitzvá cujo sentido não compreendemos, ela expiava o erro de terem agido apenas segundo o raciocínio próprio. Ao cumprir uma Mitzvá cujo motivo desconhecemos, consertamos o erro de seguir apenas a compreensão humana. Conforme a humanidade evolui tecnologicamente, cresce também a tendência de questionar a sabedoria infinita de D'us. Mudar ou adaptar o que D'us nos ensinou é arrogância. Nos falta humildade de aceitarmos que D'us é infinito, enquanto nós somos limitados. Ao confiarmos em D'us, garantimos que tudo funcionará como deveria. SHABAT SHALOM R' Efraim Birbojm | | Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima. --------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l -------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l. -------------------------------------------- Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com (Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai). | | | | | | | |
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