quinta-feira, 11 de março de 2021

SEJA UMA FONTE DE INSPIRAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5781

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VÍDEO DAS PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI
ASSUNTOS DA PARASHÁ
 
VAYAKEL
  • O Shabat.
  • Contribuição de Materiais para o Mishkan.
  • Os construtores do Mishkan.
  • Indicação dos "Arquitetos".
  • Construindo o Mishkan.
  • Construindo as cortinas do Ohel Moed.
  • Construindo as Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Construindo a Parochet e a Tela de entrada
  • Construindo o Aron (Arca Sagrada) e a Kaporet.
  • Construindo a Shulchan (Mesa).
  • Construindo a Menorá.
  • Construindo a Altar de Incenso.
  • Construindo o Mizbeach (Altar de Sacrifícios).
  • Construindo o Kior (Lavatório).
  • Construindo o Pátio e a Tela de entrada.
PEKUDEI
  • A Contabilidade das doações.
  • Os Materiais doados.
  • Fazendo as roupas do Cohen Gadol.
  • Fazendo o Éfod (Avental).
  • Fazendo o Choshen Mishpat (Peitoral).
  • Fazendo o Meil (Manto).
  • Fazendo o Tsits (Placa para a cabeça).
  • O Mishkan é completado.
  • Moshé aprova o Mishkan e seus utensílios.
  • Ordens para erguer o Mishkan.
  • O Mishkan é erguido e os utensílios são posicionados.
  • A Presença de D'us preenche o Mishkan.
BS"D

SEJA UMA FONTE DE INSPIRAÇÃO - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5781 (12 de março de 2021)


Reginaldo voltava para casa depois de um dia difícil de trabalho. Ele estava mau humorado com tantos problemas na empresa. Reuniões tensas, um chefe muito rigoroso, colegas de trabalho difíceis de lidar, além de uma enorme pressão por resultados em um momento em que o país não estava bem.

Para completar, naquele dia fazia um calor insuportável e o trânsito estava terrível. O mau humor de Reginaldo começou então a aumentar. Ele abriu as janelas do carro para que algum vento pudesse entrar. Ele estava suado e com muita sede. Então ele viu um vendedor ambulante, carregando no ombro uma imensa caixa de isopor, se aproximando do seu carro. Imediatamente ele fechou as janelas. Detestava aqueles vendedores insistentes, que queriam empurrar seus produtos a qualquer custo.
 
Porém, quando o vendedor estava bem perto, Reginaldo viu que ele vendia água e refrigerantes gelados. Como estava com muita sede, ele abriu a janela do carro e pediu uma água. No momento em que o vendedor abaixou o enorme isopor para retirar uma garrafa de água gelada lá de dentro, Reginaldo notou que havia algo amarrado no isopor do lado de fora. Ao olhar com atenção, percebeu que era uma chupeta. Querendo fazer uma piada, perguntou ao vendedor se a venda de chupetas estava boa, se estava tendo bastante procura. O vendedor, um homem muito bem humorado, deu risada e explicou:
 
- Meu amigo, não vendo chupetas, mas vou explicar porque esta chupeta está amarrada aqui. Eu sou vendedor ambulante há muito tempo, mas não é um trabalho fácil. Ficar todos os dias com este enorme peso nas costas, embaixo deste sol escaldante, sendo ignorado pelos motoristas, que simplesmente fecham o vidro do carro na minha cara, é muito desanimador. Muitas vezes eu pensei em desistir. Porém, há alguns meses, nasceu a minha filha Mirella. Isso mudou minha vida. Eu amarrei uma chupeta dela aqui no meu isopor para que, sempre que meus ombros doem por causa do peso do isopor, quando minhas pernas tremem de cansaço, quando eu não tenho nem mesmo onde sentar ou quando não estou conseguindo vender nada, eu não desanime. Sempre que está difícil, eu olho para esta chupeta e lembro o motivo de estar aqui vendendo. Todos os dias eu saio de casa com apenas uma coisa na cabeça: eu não vou voltar para casa com a derrota, e não me contento nem mesmo com o empate. Só volto para casa com a vitória!
 
Reginaldo acabou comprando uma água e um refrigerante. Mas ele levou muito mais do que isso. Ele saiu de lá inspirado. Enquanto ele reclamava das pequenas dificuldades da vida, ele descobriu que há pessoas que a cada dia precisam matar um leão para sobreviver, e mesmo assim fazem isso com determinação, foco e um sorriso no rosto. Aquela chupeta amarrada transformou Reginaldo em outra pessoa.

 

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Vayakel (literalmente "E reuniu") e Pekudei (literalmente "Contas"). O assunto central das duas Parashiót é a construção do Mishkan, o Templo Móvel. Porém, desta vez não apenas como um comando de D'us, como ocorreu nas Parashiót Terumá e Tetsavê, e sim a realização. Todos os detalhes foram executados exatamente como D'us havia ordenado a Moshé, e quando foram concluídas todas as suas partes, o Mishkan finalmente foi erguido e a Presença de D'us repousou sobre ele.
 
A Parashá Vayakel começa com Moshé reunindo todo o povo, como está escrito: "E Moshé reuniu toda a Congregação dos Filhos de Israel e disse a eles..." (Shemot 35:1). A mensagem que Moshé quis transmitir ao povo termina alguns versículos depois, com as seguintes palavras: "Toda a Congregação de Israel saiu da presença de Moshé" (Shemot 35:20). Portanto, a Torá nos ensinou que Moshé reuniu o povo, transmitiu o que queria transmitir e, quando terminou, todos partiram.

Sabemos que a Torá é um livro Divino, cada palavra, e até mesmo cada letra, não está escrita de forma desnecessária. Porém, estas palavras do início da Parashá parecem ser completamente desnecessárias. Por que a Torá precisou nos informar que Moshé reuniu o povo e, quando terminou de transmitir a mensagem que queria transmitir, o povo foi embora? Isso não é óbvio? O que a Torá está nos ensinando?

Explica o Rav Elyahu Lopian zt"l (Polônia, 1876 - Israel, 1970) que o versículo está nos ensinando o impacto de uma boa influência. Quando os judeus saíram da presença de Moshé, era perceptível que eles estiveram na presença dele. Uma pessoa, ao passar algum tempo diante de um grande sábio da Torá, não sai sem que isso deixe nele uma impressão. O versículo "toda a Congregação de Israel saiu da presença de Moshé" nos ensina que esta impressão estava "estampada em suas faces", e agora eles eram pessoas diferentes, apenas por terem estado por algum tempo diante de Moshé.
 
A verdade é que isto se aplica a muitas situações. Pelo comportamento de uma pessoa é possível saber ao que ela esteve exposta. Por exemplo, ao vermos um bêbado cambaleando pelas ruas, sabemos exatamente onde ele esteve momentos antes. Certamente ele esteve em um boteco, bebendo com os amigos. Da mesma forma, quando uma pessoa esteve diante de Moshé, isto ficava evidente no comportamento dela. Como ela esteve na presença de alguém sagrado, isto causava nela uma enorme influência, que era perceptível.
 
Isso vale tanto para o contato com seres humanos elevados quanto para o contato com ambientes sagrados. Quando alguém está em um ambiente sagrado, ou quando está na presença de uma congregação sagrada, com indivíduos espiritualmente elevados, isso deixa uma marca e faz uma diferença na vida desta pessoa. Boas companhias nos elevam e nos puxam para cima. Porém, o oposto também é válido. Uma pessoa que esteve em contato com pessoas espiritualmente baixas ou congregações afastadas de D'us também ficará com uma marca negativa impressa nele e se sentirá puxado para baixo.

A Torá nos ensina um incrível exemplo de como alguns instantes de contato com algo sagrado e inspirador podem mudar completamente nossa vida. Havia um homem chamado Yossef Meshissa, um judeu vergonhoso, traidor do seu povo. Quando os romanos finalmente estavam prestes a destruir o Beit Hamikdash, eles tiveram medo de entrar devido à santidade do local, pois não sabiam o que poderia acontecer caso entrassem. Eles então chamaram Yossef Meshissa e o convidaram a entrar no Beit Hamikdash. Para convencê-lo, ofereceram uma enorme recompensa: ele poderia pegar do Beit Hamikdash o que quisesse para si. Infelizmente Yossef Meshissa aceitou a proposta, entrou e trouxe consigo a Menorá de ouro. Quando os romanos viram o que ele havia trazido, disseram que aquele era um prêmio demasiadamente grande para um homem comum, pois era algo que deveria pertencer a um rei. Eles então lhe pediram para que entrasse novamente e pegasse algo que fosse mais apropriado para a sua posição, e prometeram que daquela vez ele poderia ficar com o que trouxesse. No entanto, Yossef Meshissa recusou-se a ir uma segunda vez. Eles lhe ofereceram um bônus: se entrasse pela segunda vez, iriam lhe dar todos os impostos que fossem coletados na Judéia pelos próximos três anos. Ainda assim ele se recusou a entrar novamente e disse: "Não é suficiente eu ter irritado meu D'us uma vez, devo irritá-Lo mais uma vez?". Eles então o torturaram até a morte, pois ele se recusou até o fim a entrar novamente.

Mas o que aconteceu com Yossef Meshissa? Ele era um traidor, escolhido pelos romanos como o a pessoa mais adequada para realizar o trabalho sujo de profanar o Templo Sagrado. Ele inclusive já tinha entrado lá e roubado a Menorá de ouro sem que fosse necessário muita insistência. Então por que, de repente, ele havia se arrependido do seu mau ato e se recusa a fazê-lo novamente, apesar das ofertas de riqueza e da ameaça de tortura? O que aconteceu com ele?

O Rav Yossef Shlomo Kahaneman zt"l (Lituânia, 1886 - Israel, 1969), mais conhecido como Ponevitzer Rav, explica que Yossef Meshissa teve uma "overdose de santidade". Ele esteve no Beit Hamikdash por poucos minutos. Mesmo assim, depois disso ele já não era mais a mesma pessoa. A influência de estar em um lugar tão sagrado, mesmo que por apenas poucos instantes, modificou sua vida.

Uma pessoa que é exposta à radiação não sente nenhuma sensação física imediata. Porém, alguns minutos de exposição à radiação podem modificar seu corpo inteiro para o resto da vida. De modo similar, alguém pode ficar exposto à santidade por poucos minutos e se tornar uma pessoa diferente. É isso que o versículo está nos ensinando. A Congregação saiu da presença de Moshé, porém eles já não eram mais os mesmos, pois haviam estado na presença de um grande homem, uma pessoa sagrada. Estar na presença de uma pessoa espiritualmente grande ou estar em um lugar sagrado, como um Beit Midrash (Casa de estudos), uma sinagoga ou a Terra de Israel, pode mudar a vida de uma pessoa. É por este motivo que o ambiente, os amigos e a comunidade são tão importantes, pois este é o poder da santidade. Ela pode mudar uma pessoa para sempre.
 
Tão importante quanto querer receber boas influências espirituais é ter o objetivo de se tornar uma fonte de inspiração aos outros. Através dos nossos bons atos podemos estimular, inspirar e motivar outras pessoas. É desta maneira que, com pequenos atos cotidianos, podemos começar a mudar o mundo.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 5 de março de 2021

APRENDA A VALORIZAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TISSÁ 5781

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APRENDA A VALORIZAR - PARASHÁ KI TISSÁ 5781 (05 de março de 2021)


Reuven era filho único e tinha perdido sua mãe ainda pequeno. Seu pai o havia criado sozinho, com muito esforço, mas Reuven já não aguentava mais a convivência. O tempo todo seu pai o deixava irritado, pois era muito rigoroso e sempre estava dando broncas: "Se você for sair da sala, desligue o ventilador", "A luz está ligada na cozinha, onde não há ninguém. Apague!", "Suas coisas estão bagunçadas, mantenha seu quarto organizado". Certo dia, Reuven não aguentou mais. Simplesmente arrumou suas coisas e foi embora, sem dar nenhuma satisfação ao pai. Sentindo-se livre de todo aquele peso, foi viver com alguns amigos. Mal dava atenção ao pai, só ligava quando precisava de mais dinheiro.
 
Infelizmente, algum tempo depois, Reuven recebeu a triste notícia do falecimento de seu pai. Provavelmente ele havia morrido de desgosto e tristeza. Mas Reuven não sentiu nenhum remorso. Ele sentia um enorme alívio por ter saído daquela cobrança diária. Agora Reuven teria que se sustentar sozinho. Ele mandou seu currículo para várias empresas e foi chamado para uma entrevista em uma delas. Era um excelente cargo e Reuven se animou com a possibilidade de ser contratado, mas, ao mesmo tempo, ele estava receoso.
 
Reuven chegou ao local da entrevista, mas percebeu que não havia seguranças no portão. Embora o portão estivesse destrancado, a maçaneta estava um pouco solta, o que dificultava para abrir. Reuven então resolveu dar umas pancadas e consertou a maçaneta. Já dentro da empresa, viu que em ambos os lados do caminho havia lindas flores, mas Reuven percebeu que o jardineiro havia esquecido a torneira aberta e a mangueira jogada no meio do caminho, fazendo com que a água transbordasse. Reuven ergueu a mangueira, colocou-a perto de uma das plantas e fechou a torneira. Quando chegou ao escritório, também não havia ninguém na recepção, mas havia um aviso informando que a entrevista seria no primeiro andar. Reuven subiu lentamente as escadas e percebeu que a luz ainda estava acesa, mesmo que o sol brilhava forte. Lembrando-se das advertências do pai, procurou o interruptor e apagou a luz. Já no andar de cima, em um grande salão, ele viu outras pessoas sentadas, esperando sua vez de serem entrevistadas. Eram tantos concorrentes, será que ele teria alguma chance de conseguir o emprego? Percebeu que na entrada havia um tapete de "boas-vindas", mas viu que ele estava de cabeça para baixo. Imediatamente, como seu pai sempre exigia, ele endireitou o tapete. Ao se sentar, viu que nas fileiras da frente havia muitas pessoas esperando, enquanto as fileiras de trás estavam vazias, e vários ventiladores estavam funcionando sobre aqueles assentos vazios. Ele escutou a voz do seu pai dizendo: "Por que o ventilador está ligado onde não há ninguém?". Ele então se levantou e desligou os ventiladores.

Finalmente, quando chegou sua vez, Reuven percebeu que a reunião seria diretamente com o chefe e ficou muito tenso. O chefe, em silêncio, pegou os certificados de Reuven e, sem olhar para os papéis, perguntou:
 
- Quando você pode começar a trabalhar?

Reuven não entendeu. Seria uma brincadeira? Seria parte de um teste para ver como ele reagiria? Percebendo a expressão de confusão no rosto de Reuven, o chefe disse:

- Deixe-me explicar a você. Não fazemos perguntas a ninguém aqui, pois acreditamos que através delas não seremos capazes de avaliar as habilidades de alguém. Nós avaliamos as atitudes das pessoas. Criamos algumas situações e observamos o comportamento dos candidatos por meio de câmeras espalhadas por todos os ambientes. Ninguém que veio aqui hoje fez nada para ajeitar a maçaneta do portão, para fechar a água que estava jorrando na mangueira, para ajeitar o tapete de boas-vindas ou para desligar os ventiladores e as luzes que estavam desperdiçando energia. Você foi o único que fez isso. Por isso, decidi escolher você para o cargo.

Aquelas palavras desabaram na cabeça de Reuven como uma pedrada. Ele sempre ficou irritado com a disciplina que seu pai impunha em casa, chegando ao ponto de desprezá-lo e abandoná-lo por isso, e agora percebeu que, graças ao pai, havia conseguido o emprego. Porém, agora já era tarde demais para agradecer...

Aprecie enquanto você tem as coisas. Não espere perder as coisas para saber dar valor.

 

Nesta semana lemos a Parashá Ki Tissá (literalmente "Quando você contar"), que traz, entre outros assuntos, a construção do Bezerro de Ouro, um erro que quase causou a destruição do povo judeu. Moshé ainda estava em cima do Monte Sinai quando D'us o avisou que o povo havia se desviado. Ele imediatamente desceu para ver o que havia acontecido, achando que encontraria o povo chorando, arrependido por ter transgredido por causa de alguma situação desesperadora. Porém, quando encontrou o povo cantando e dançando em volta do Bezerro de Ouro, sua primeira reação foi quebrar as Tábuas dos 10 Mandamentos que D'us havia entregado.
 
Porém, sobre esta quebra das Tábuas, há um detalhe muito interessante. Quando a Torá ensina que Moshé recebeu as Tábuas, a Torá menciona que eram milagrosas, escritas pelo próprio "Dedo de D'us", como está escrito: "Quando Ele terminou de falar com ele (Moshé) no Monte Sinai, Ele deu a Moshé as duas Tábuas do Testemunho, Tábuas de pedra, escritas com o Dedo de D'us" (Shemos 31:18). Nenhum detalhe adicional é mencionado. Mais tarde na Parashá, pouco antes de Moshé quebrar as Tábuas, a Torá revela mais sobre elas: "Moshé virou-se e desceu da montanha com as duas Tábuas do Testemunho em sua mão, Tábuas com gravações de ambos os lados, de um lado e do outro estavam inscritos. Agora, as Tábuas eram obra de D'us, e a inscrição era a inscrição de D'us, gravada nas Tábuas" (Shemot 32:15,16). Desta segunda vez, percebemos que a Torá se alongou na descrição das Tábuas. Por que esta diferença?

A pergunta fica ainda mais forte quando percebemos que o primeiro versículo se refere ao momento da entrega das Tábuas a Moshé, enquanto o segundo versículo se refere ao momento em que elas estavam prestes a serem destruídas. Pela lógica, os louvores deveriam ter sido mencionados no momento da entrega das Tábuas, não no momento da sua destruição. Então por que a Torá fez exatamente o oposto do que era esperado?

Responde o Rav Yssocher Frand que talvez a Torá está nos ensinando uma lição que não se aplica apenas às Tábuas, mas também à vida em geral. Sempre que possuímos algo já por algum tempo, mesmo que sejam coisas muito especiais, acabamos deixando de valorizar o que temos. Quando alguém está prestes a perder aquilo que possui, somente então começa a perceber sua importância e beleza. Quando amamos certas pessoas, e vivemos como se fossemos tê-las para sempre ao nosso lado, consideramos "normal" estar com estas pessoas. No entanto, quando nos deparamos com o "fantasma" da perda de um ente querido, e percebemos que nosso tempo com essa pessoa está terminando, de repente começamos a entender a preciosidade do que temos e o valor de cada momento com essa pessoa. Nossa atitude então muda totalmente.

Talvez os versículos da Torá estejam enfatizando essa preciosa lição. Em um primeiro momento as qualidades das Tábuas não são mencionadas. Somente quando Moshé estava prestes a quebrar as Tábuas, então paramos pela primeira vez para considerar a singularidade e a magnificência dessas Tábuas.

Esta é uma lição que tem inúmeros exemplos ao longo de nossas vidas. Um dos exemplos mais óbvios diz respeito à nossa época escolar. O sentimento predominante é de que não aproveitamos a experiência quando tivemos a oportunidade. Olhamos para trás e vemos como foi preciosa a experiência que tivemos. Todos dizem que, se pudessem voltar atrás, teriam aproveitado muito melhor seus anos escolares, pois foram certamente "os melhores anos de suas vidas". Porém, enquanto a pessoa ainda está na escola e o tempo parece infinito diante dela, ela não aproveita tudo o que poderia. A comida na escola pode não ser a mais deliciosa, a convivência com os outros alunos nem sempre é fácil. Existem muitas pequenas "reclamações" na época escolar. Porém, a experiência geral é gratificante, rica e única.

O mesmo ocorre com a educação dos filhos. É necessário um grande esforço para criar filhos. Eles podem minar nossas energias e "descarregar nossas baterias" completamente. Porém, quando a pessoa envelhece e vê seus filhos crescidos, ela olha para trás e diz: "Aqueles anos maravilhosos passaram muito rápido".

E assim também é o relacionamento com nossos pais. Podem haver tensões e aborrecimentos. Às vezes, a vida pode ser difícil no relacionamento entre pais e filhos. Mas muitas pessoas deixam de perceber a enorme bênção que temos quando ainda podemos recorrer aos pais em busca de um conselho ou um simples ombro amigo.

Um dos maiores testes da vida é valorizar uma situação enquanto a vivemos. A vida é muito fugaz, pois somos engolidos pelos detalhes e pelos pequenos solavancos na estrada do cotidiano. Simplesmente não temos tempo e paz de espírito para apreciar o que temos. Este é o teste de vida que atravessa gerações, em todos os aspectos de nossas vidas. Até mesmo em relação aos nossos empregos, muitas vezes aguardamos ansiosamente a aposentadoria. Porém, depois que a pessoa se aposenta, o que fará na manhã seguinte? Se uma pessoa ainda tem a capacidade física e psicológica de ser ativa e produtiva, ela deve ser valorizada e posta em prática.

Esta é a lição que a Torá está nos ensinando. Apenas notamos que as Tábuas eram uma obra milagrosa de D'us quando estamos prestes a perdê-las. O desafio é valorizar o que temos enquanto ainda o temos.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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