| Nesta semana lemos a Parashat Tsav (literalmente "Ordene"), que continua nos ensinando sobre os vários tipos de Korbanót, entre eles o "Korban Todá", oferecido quando a pessoa havia passado por algum risco de vida e se salvado. Era o reconhecimento de que a salvação não havia ocorrido por acaso, e sim através da Mão de D'us. O Korban Todá se encaixava na categoria de "Korban Shelamim". Porém, havia duas diferenças fundamentais entre o Korban Todá e o Korban Shelamim tradicional. O Korban Shelamim poderia ser consumido por dois dias e uma noite, enquanto o Korban Todá poderia ser consumido por apenas um dia e uma noite. Além disso, o Korban Shelamim não exigia que fossem trazidos pães para acompanhá-lo, mas o Korban Todá deveria ser oferecido junto com quarenta pães. Por que estas diferenças? O Korban Todá era oferecido após situações de salvação, como na recuperação de doenças graves ou sucesso em viagens que envolviam perigo de vida. Existe a Mitzvá de "Notar", que nos proíbe deixar sobrar carne dos Korbanót além do prazo máximo de consumo. No caso do Korban Todá, como o tempo de consumo era menor e havia muitos pães, a pessoa que o oferecia era obrigada a convidar parentes e amigos para compartilhar a refeição. O milagre acabava sendo divulgado e o agradecimento a D'us era feito em público. O agradecimento a D'us se conecta com a próxima parada do Calendário Judaico: a Festa de Pessach, também conhecida como "A época da nossa liberdade", que começaremos a reviver na próxima 4ª feira de noite (01/abril/26). É uma festa na qual agradecemos pela libertação da terrível escravidão egípcia. Na Parashat Vaerá, D'us mandou Moshé e Aharon falarem com o Faraó para pedirem a libertação do povo judeu. D'us avisou que o Faraó iria pedir um sinal, um milagre, para comprovar que eles estavam realmente vindo como emissários de D'us. Então D'us instruiu que Aharon deveria jogar seu cajado no chão para que ele virasse uma cobra. E assim realmente aconteceu. Se víssemos um cajado se transformando em cobra, ficaríamos assombrados. No entanto, o Faraó não se espantou. Ele imediatamente chamou seus magos e eles fizeram o mesmo com seus cajados. O Midrash diz que o Faraó deu gargalhada e, para humilhar Moshé e Aharon, chamou crianças egípcias, que fizeram o mesmo "milagre" com seus cajados. Os dois maiores magos do Egito disseram a Moshé e Aharon: "O que vocês querem provar com esta demonstração barata? Aqui é o país da feitiçaria!". Foi um momento difícil para Moshé e Aharon. A grande pergunta é: por que D'us fez desta maneira? Por que Ele realmente começou com uma demonstração de poder tão "fraca", ao invés de fazer algo grandioso, que convenceria o Faraó e seus magos de que era realmente um poder Divino, e não o uso de feitiçaria barata? Para responder, precisamos voltar no tempo. O povo judeu estava escravizado no Egito havia mais de duzentos anos. Gerações inteiras haviam nascido, vivido e morrido em uma escravidão brutal. Quando o povo finalmente gritou para D'us, colocando sua Emuná na salvação Divina, então D'us escutou e pediu para que Moshé e Aharon falassem com o Faraó, o que foi descrito no final da Parashat Shemót. Porém, o Faraó disse: "Está sobrando tempo para os judeus ficarem reclamando? Então vou dar mais trabalho para eles!". Ele ordenou que não fosse mais dada aos escravos a matéria-prima para a fabricação de tijolos, e ainda assim eles precisavam manter a mesma produção. Isso significa que, após Moshé atender a ordem de D'us e falar com o Faraó, a situação piorou. Moshé então foi questionar D'us: "Por que Você fez mal a este povo? Por que me enviou?" (Shemot 5:22). Depois disso, D'us mandou Moshé falar uma segunda vez com o Faraó e, desta vez, fazer o sinal da cobra. Realmente este não foi um grande milagre, pois a intenção não foi assombrar o Faraó, e sim transmitir uma importante mensagem para Moshé e para o povo judeu. Qual era a lição que D'us estava ensinando? A história não terminou depois que Aharon e os magos egípcios transformaram seus cajados em cobras. Na continuação aconteceu um milagre realmente impressionante: o cajado de Aharon engoliu as cobras dos egípcios. Uma cobra engolindo as outras teria sido algo natural, mas um objeto inanimado engolindo seres vivos foi algo acima da natureza. O Faraó teve medo que, após engolir as cobras, Aharon ordenasse que a vara o engolisse. Isso significa que no início o Faraó estava zombando, mas depois desabou. E para Moshé, a história dos cajados virarem cobras, que no início parecia algo ruim, se transformou em algo bom, o início da salvação. Isso foi, portanto, a resposta ao questionamento de Moshé. A lição foi que não podemos questionar os caminhos de D'us. Mesmo quando a situação parece difícil, não podemos duvidar da misericórdia Dele. Por bondade, quando Moshé foi a primeira vez falar com o Faraó, D'us aumentou os sofrimentos do povo. Eles precisavam passar por 400 anos de escravidão, como havia sido profetizado para Avraham, mas não suportariam ficar mais tempo, pois já tinham chegado nos 49 níveis de impureza, o máximo que alguém pode chegar. D'us então aumentou a força dos sofrimentos, para que o decreto de escravidão fosse completado em apenas 210 anos. No início da Parashat Vaerá, a Torá compara Moshé com os patriarcas. Eles nunca haviam questionado D'us, mesmo quando tinham "motivos". Por exemplo, D'us prometeu a Avraham que sua herança espiritual seria transmitida através de seu filho Ytzchak, mas depois pediu para que ele o sacrificasse. Apesar da aparente contradição, Avraham não questionou e nem se queixou com D'us, ele simplesmente madrugou para cumprir a ordem. Nossos sábios comparam os patriarcas com um cavalo que foi levado para dentro de um pântano. O cavalo até poderia questionar o dono: "por que ele escolheu este caminho mais difícil, se poderíamos ter ido por um caminho seco, mais fácil?". Porém, quando o cavalo confia no cavaleiro, ele pensa: "Se ele me trouxe por este caminho, certamente há um bom motivo. Talvez por aqui deve ser mais curto ou mais seguro". Questionar D'us é uma das coisas que mais nos afasta Dele. Portanto, confiar Nele é uma das coisas que mais nos aproxima Dele. Ensina Shlomo HaMelech: "Não seja precipitado com a sua boca, nem o seu coração se apresse a proferir palavra alguma diante de D'us, pois D'us está nos céus e você está na terra" (Kohelet 5:1). Explica o Rav Yeshayahu HaLevi Horowitz zt"l (Boêmia, 1555 - Israel, 1630), mais conhecido como Shla Hakadosh, que a pessoa não deve se espantar com os acontecimentos do mundo, pois D'us está no céu, isto é, Ele vê do alto, enquanto nós estamos na terra, com a nossa visão reduzida. Por isso, não seja precipitado em julgar as situações. Saiba que D'us tem visão ilimitada, enquanto nós somos limitados. Moshé era um líder preocupado com seu povo. Mas D'us ficou bravo pela linguagem que ele usou: "Por que Você fez mal". Precisamos tomar cuidado com o que falamos. Nunca devemos perguntar, em nenhuma situação, "Como D'us permite algo assim?". É muito grave! É uma forma de questionarmos a bondade e a retidão de D'us. Na Hagadá há um ensinamento interessante: "Disse o Rabi Elazar ben Azariá: 'Sou como um homem de setenta anos e não consegui provar que a Saída do Egito deve ser mencionado às noites, até que Ben Zomá interpretou: 'Para que você se lembre do dia da sua saída da terra do Egito todos os dias de sua vida'. "Os dias de sua vida" referem-se aos dias, "todos os dias de sua vida" inclui as noites". A palavra "Dia" representa dias bons, tranquilos, enquanto a palavra "Noite" representa os dias difíceis, escuros. Não houve época tão escura quanto Mitzraim. Mesmo assim eles não desistiram. Eles fizeram Tefilá, mesmo que não houvesse uma luz no fim do túnel. Por isso, em vez de reclamar, peça forças a D'us para os dias escuros. Também diz a Hagadá: "Todo aquele que se alonga em contar sobre a Yetsiat Mitsraim é louvável". Por que? Explica o Rav Galinsky zt"l (Bielorrússia, 1920 – Israel, 2014) que negar D'us vem da ingratidão. Mais fácil do que agradecer pelas bondades é fingir que Ele não existe. Quanto mais a pessoa é grata, mais se aproxima, mais dá "existência" a Ele. Por isso no Seder agradecemos a noite toda, para nos conectarmos a D'us com doçura. SHABAT SHALOM E PESSACH KASHER VESAMEACH R' Efraim Birbojm |
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