quinta-feira, 29 de maio de 2025

IMAGEM E SEMELHANÇA DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5785

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Avraham Yaacov ben Miriam Chava

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Sr. Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 
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PARASHÁ BAMIDBAR 5785



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  • O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
  • Escolha dos líderes de cada Tribo.
  • Início do censo por Tribos.
  • Os Leviim.
  • O acampamento: Yehudá (Yehudá, Issach, Zevulun) no Leste, Reuven (Reuven, Shimon, Gad) no Sul.
  • O Mishkan durante as viagens.
  • Efraim (Efraim, Menashe e Biniamin) no Oeste, Dan (Dan, Asher, Naftali) no Norte.
  • Total.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
  • Status dos Leviim.
  • Censo dos Leviim: Guershon, Kehat e Merari.
  • Censo dos Primogênitos.
  • Substituindo os Primogênitos pelos Leviim (Redenção dos Primogênitos).
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IMAGEM E SEMELHANÇA DE D'US - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5785 (30/mai/25)

"Um homem certa vez procurou o Rav Avraham Guenechowsky zt"l e desabafou que seu pequeno filho não estava tendo sucesso nos estudos. Ele sofria muito por isso e chegou a leva-lo a um psiquiatra, que explicou que as dificuldades eram devido a traumas, depressão, hiperatividade e uma lista longa de outros problemas. O psiquiatra concluiu que o pai deveria colocar seu filho em uma escola para crianças especiais.
 
O Rav Guenechowsky escutou o relato emocionado daquele pai e sentiu a sua dor. Ele pediu para que lhe trouxessem o garoto. Quando ele chegou, o Rav sentou-se ao lado dele e perguntou: "Você gosta de brincar com quais brinquedos? Carrinhos, aviões?". Ele então brincou e conversou com o garoto por uma hora, e logo percebeu que o problema dele não era falta de concentração ou entendimento, e sim falta de autoconfiança. Isso fazia com que ele tivesse dificuldade em se enturmar com os colegas, deixando-o triste e levando-o a não conseguir estudar direito.
 
O Rav então convidou o garoto para que viesse estudar com ele uma vez por semana. E logo no primeiro dia de estudos o Rav disse a ele:
 
- Eu te direi toda semana uma charada interessante, e você contará para os seus amigos na escola. Porém, a resposta eu direi somente para você. E, na semana seguinte, você revelará a resposta para eles, e então eu te ensinarei uma nova charada.
 
A primeira charada era: "O que é, o que é, que colocamos na boca, porém não o comemos e não sentimos gosto, e mesmo assim fazemos Brachá?". O menino não sabia a resposta, e o Rav deu uma dica: "Ele faz 'Tu, Tu...".
 
Naquela semana o menino contou a charada na escola e todos seus colegas quebraram a cabeça para encontrar a resposta, e somente na semana seguinte o menino revelou a resposta. E assim aconteceu semanalmente, o menino frequentava a casa do Rav Guenechowsky e este lhe dava atenção e carinho. Estudavam juntos e depois ele ensinava uma nova charada para que ele transmitisse aos seus amigos.
 
O fato de os colegas estarem sempre reunidos a sua volta fortaleceu muito sua autoestima, trazendo confiança, até que o menino se transformou completamente. Os pais ficaram surpresos com a incrível mudança que havia acontecido com seu filho, que passou a ser um excelente aluno, sem a necessidade de ajuda de uma escola especial. Tudo isso devido à percepção, sabedoria e dedicação do Rav Guenechowsky."
 
O Rav Guenechowsky soube dar valor para aquela criança. Tudo o que ele precisava era de autoestima. Atualmente muitas crianças são rotuladas como "problemáticas", quando tudo o que elas precisam é apenas de carinho, atenção e sentir que cada ser humano é único e especial.

No próximo domingo de noite (01/jun/25) chegaremos a mais uma importante parada no Calendário Judaico: a Festa de Shavuót, também conhecida como "Chag Matan Torá", quando revivemos a incrível Revelação Divina no Monte Sinai, momento no qual escutamos pessoalmente de D'us os 10 Mandamentos que, segundo nossos sábios, contém as 613 Mitzvót da Torá. Shavuót é um momento de reconexão espiritual, de novamente mostrarmos para D'us que estamos dispostos a receber a Torá em nossas vidas, para que ela nos transforme em pessoas melhores.
 
Em Shavuót lemos a Meguilat Ruth, que foi escrita pelo Profeta Shmuel. A Meguilá conta a história de Ruth, uma mulher de Moav, descendente de reis, que abandonou tudo, tanto as idolatrias do seu povo quanto o conforto do palácio real, para se unir ao povo judeu. Mas por que lemos esta Meguilá justamente em Shavuót? Qual é a conexão entre a história de Ruth e a entrega da Torá no Monte Sinai?
 
A Meguilat Ruth, apesar de ser um Livro curto, tem capítulos bem movimentados, cheios de acontecimentos importantes. No segundo capítulo, o profeta começa a nos apresentar um grande Tzadik chamado Boaz. A história da humanidade estava prestes a mudar com o primeiro encontro entre Boaz e Ruth. Desta união sairia um nobre bisneto, David Hamelech, de quem o Mashiach descenderá.
 
Cada versículo da Meguilá está carregado de grande simbolismo e significado. Quando Boaz aparece pela primeira vez, a Meguilá descreve uma cena que chama a atenção: "Eis que Boaz chegou de Beit Lechem. Ele disse aos ceifeiros: 'Hashem esteja convosco!' e eles responderam: 'Que Hashem te abençoe!'" (Ruth 2:4). Por que essa trivial troca de cumprimentos é necessária para o "enredo" de uma história tão importante, que trata do início da genealogia do Mashiach? Se estivéssemos escrevendo uma peça de teatro sobre este grande evento histórico, seria realmente importante escrever um diálogo do tipo: "E Boaz cumprimentou seus trabalhadores e perguntou: 'Como vocês estão?' e eles responderam: 'Bem, e você?'"? Isso não parece ser parte importante de um roteiro emocionante. Então por que Shmuel achou necessário incluir essa troca de cumprimentos neste capítulo histórico?
 
A chave para o entendimento não está no fato de pessoas terem se cumprimentado, e sim no detalhe de como elas se cumprimentaram. Não era comum que amigos se cumprimentassem com a expressão "Que D'us esteja contigo", em especial pois o versículo ressalta que eles utilizaram o Nome de D'us, ao invés de utilizar o nome genérico "Hashem", que significa "O Nome". O Talmud (Makot 23b) atribui importância a esse evento ao explicar que, ao se cumprimentarem, eles estavam cumprindo um decreto do Beit Din de Boaz. É proibido mencionar o Nome de D'us em vão, é uma grave transgressão. Foi necessário um decreto específico do Beit Din para permitir essa forma de saudação. Antes da época de Boaz as pessoas nunca se cumprimentavam assim, e após o período de Boaz esse decreto não continuou em vigor. Foi um decreto temporário, de caráter emergencial.
 
O que está por trás desse estranho decreto? Explica o Rav Yssocher Frand que naquela época o povo judeu estava em um estado lastimável. Havia uma fome terrível e os tempos estavam muito difíceis. A prova disso é que um dos líderes do povo, Elimelech, o marido de Naomi, decidiu abandonar seu povo e ir para Moav. Isso era sintomático do que havia de errado com o povo judeu naquele tempo. Moav é um dos povos que nunca poderá fazer parte da comunidade do povo judeu justamente por não terem se importado em fazer o mínimo de bondade com o povo judeu quando eles haviam recém saído de mais de 200 anos de uma brutal escravidão no Egito. Os homens de Moav não ofereceram nem mesmo pão e água aos judeus cansados e debilitados! Escolher Moav como local para viver demonstra que no povo judeu havia um sentimento de não se importar uns com os outros.
 
O que os sábios daquela geração fizeram para remediar a situação? Decidiram que todos deveriam se cumprimentar com o Nome de D'us. O significado daquele decreto era que cada judeu é tão importante e tão sagrado que é digno de ser saudado com nada menos do que o verdadeiro Nome de D'us, e não um "apelido". Isso representa uma maneira muito diferente de cumprimentar alguém do que simplesmente dizer "Oi". E realmente a ideia funcionou, pois o decreto mudou o clima dentro do povo judeu. Ele reestabeleceu o conceito, facilmente esquecido, de que cada pessoa foi criada à imagem e semelhança de D'us. Esse decreto enfatizava: "Todo judeu é um rei e merece ser tratado como tal".
 
O impacto psicológico de cumprimentar alguém com o Nome de D'us foi muito forte e significativo. Esse decreto reforçava a ideia de que devemos ter cuidado com a forma como tratamos as pessoas. As pessoas não são meramente "animais evoluídos", como muitos cientistas insistem em tentar nos convencer. O reconhecimento de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de D'us sugere uma abordagem totalmente diferente de como nos relacionamos com os outros. Esse foi o decreto do Beit Din da época de Boaz.
 
No Shabat que antecede Shavuót sempre lemos a Parashá Bamidbar, que inicia o quarto Livro da Torá, onde são descritos muitos acontecimentos importantes do povo judeu. Um dos assuntos da Parashá é sobre a posição na qual cada uma das Tribos acampava no deserto. A Parashá não descreve nenhuma disputa ou reclamação sobre os lugares. Os judeus se respeitaram. E, na realidade, uma das principais condições para o recebimento da Torá foi justamente a união e o respeito, como definido por Rashi, que descreveu aquele momento especial como se estivessem todos "como um só homem em um só coração". Sem união não haveria a entrega da Torá.
 
O Midrash diz que, quando chegar a hora de partirmos deste mundo, seremos questionados com duas perguntas: "Você fez de D'us o seu Rei?" e "Você fez do seu amigo um rei?". Em outras palavras, seremos questionados: você tratou cada pessoa como trataria um rei?
 
Nos dias de Ruth e Boaz uma nova era estava começando. Os tempos exigiam uma nova forma de lidarmos uns com os outros. Por isso esse capítulo é a introdução à história do Mashiach. A história do Mashiach precisa começar com o cumprimento entre as pessoas utilizando o Nome de D'us, indicando a importância e a dignidade do próximo, e mostrando que cada um merece ser tratado como se fosse um rei. Esse também deve ser o nosso prefácio à vinda do Mashiach, para que, no momento certo, possamos responder afirmativamente à pergunta: "Você tratou o próximo como um rei?"

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 23 de maio de 2025

NÃO INVERTA AS PRIORIDADES - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5785

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BEHAR
  • Shmitá (O Ano Sabático).
  • Yovel (Jubileu) e o toque do Shofar em Yom Kipur.
  • Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Onaat Devarim).
  • Venda e Resgate da terra em Israel.
  • Casas em cidades muradas.
  • Casas nas Cidades dos Leviim.
  • Ajuda aos necessitados.
  • Leis dos escravos.
  • Resgate dos escravos que estão nas mãos de Goim.
BECHUKOTAI
  • Recompensas pela obediência.
  • Advertência e Passos de afastamento espiritual.
  • Punições por desobediência (5 séries de advertências).
  • Destruição e arrependimento.
  • Conclusão das advertências e consolo.
  • Avaliações de doações ao Kodesh.
  • Doações de animais e imóveis para o Mishkan e possível resgate.
  • Maasser de animais.


 
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NÃO INVERTA AS PRIORIDADES - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5785 (23/mai/25)

 "O Rav Elchanan Wasserman zt"l (Império Russo, 1874 - Lituânia, 1941), um dos mais proeminentes alunos do Chafetz Chaim, foi um dos grandes líderes espirituais da Europa antes do Holocausto. Certa vez, um cachorro de rua entrou no Beit Midrash da Yeshivá e começou a andar entre os bancos. Alguns alunos ficaram com pena do animal e tentaram dar comida e água para ele. O Rav Elchanan, que estava presente, observou por alguns instantes o que estava acontecendo e a reação de seus alunos. Então, com uma voz muito calma, porém firme, ele se levantou e disse:
 
- A compaixão pelos animais é muito importante. A Torá nos ordena a não causarmos nenhum tipo de sofrimento desnecessário nos animais. Porém, mais importante ainda é manter o respeito pelo ser humano e pela Torá.
 
Ele explicou que o Beit Midrash era um lugar extremamente sagrado, dedicado à Presença Divina, e que permitir que um animal andasse livremente ali comprometia a honra da Torá. Por isso, ele instruiu que o cachorro fosse gentilmente retirado e concluiu:
 
- Há tempo e lugar para cada tipo de bondade e cada ato de misericórdia. Quando priorizamos o animal acima do ser humano, distorcemos a ordem da criação."
 
O cuidado com os animais é um valor da Torá, mas nunca se sobrepõe ao respeito adequado ao ser humano, à santidade da Torá ou à dignidade de um local sagrado.

Nesta semana lemos novamente duas Parashiót juntas: Behar (literalmente "No Monte") e Bechukotai (literalmente "Nos Meus estatutos"). A Parashá Behar traz a importante Mitzvá de Shmitá, o Ano Sabático, um dos pilares do nosso entendimento de que nosso sustento vem de D'us, não do nosso esforço. Já a Parashá Bechukotai fala sobre as Brachót e maldições que podem recair sobre o povo judeu, que variam de acordo com o nosso comportamento e o nosso comprometimento com a Torá e com as Mitzvót.
 
Na Parashá Behar, a Torá traz um versículo interessante: "O que a terra produzir durante o Shabat da terra será alimento para vocês… e para os seus animais e as feras que estão em sua terra" (Vayikrá 25:6-7). Durante a Shemitá, a Torá declara que todos os produtos da terra se tornam "Hefker", isto é, sem dono e, portanto, não se pode ter nenhum proveito financeiro da produção agrícola. Porém, estes versículos nos ensinam que o proprietário pode utilizar os frutos da terra para suas próprias necessidades alimentares e também para alimentar seus animais, desde que permita o mesmo acesso a qualquer outra pessoa ou animal.
 
Porém, há algo que chama a atenção neste versículo. A Torá usa a expressão "Lachem", que significa "para vocês", antes de mencionar "Livhemtecha", que significa "para os seus animais", colocando a alimentação do dono antes da alimentação de seus animais. Porém, esta ordem parece contradizer uma Halachá ensinada pelo Talmud (Brachót 40a): "É proibido uma pessoa comer antes de alimentar seus animais". O Talmud aprende este ensinamento das palavras do versículo: "E Eu darei erva no seu campo para os seus animais, e você comerá e se fartará" (Devarim 11:15). Primeiro a Torá ordenou dar alimento aos animais e somente depois nos permitiu comer e nos fartar. Então por que na nossa Parashá esta ordem foi invertida, e D'us nos deu a permissão de comer os frutos no ano de Shemitá antes de mencionar alimentar os nossos animais?
 
Uma questão semelhante é levantada pelo Rav Naftali Amsterdam zt"l (Lituânia, 1832 - Israel, 1916) na Parashá Chukat, quando D'us ordenou a Moshé: "Fale à rocha, e ela dará sua água. Você dará de beber à congregação e aos seus animais" (Bamidbar 20:8). Por que D'us ordenou que as pessoas fossem servidas antes dos seus animais?
 
O Rav Avraham HaLevi Gombiner zt"l (Polônia, 1635 - 1682), mais conhecido como Maguen Avraham, responde esta última pergunta através de outro importante acontecimento na Torá. Quando Avraham Avinu mandou seu servo Eliezer procurar uma moça para se casar com Yitzchak, ele precisou empreender uma longa viagem. Quando chegou ao seu destino, conheceu Rivka, que estava ao lado de um poço. Ela primeiro deu água a Eliezer e somente depois ofereceu água aos seus camelos. O Maguen Avraham concluiu deste evento que a obrigação de servir primeiro os animais se aplica apenas às comidas, e não às bebidas.
 
Porém, o Rav Yochanan Zweig traz outra resposta, mais abrangente, que pode explicar todos os questionamentos sem a necessidade de fazer uma distinção entre comidas e bebidas. De acordo com o Rav Zweig, quando uma pessoa tem apenas uma porção de alimento, não há dúvida de que ela deve comê-la antes de oferecer aos seus animais. A exigência da Torá de dar primeiro aos animais somente se aplica quando há comida suficiente para os dois e, portanto, existe a responsabilidade de alimentar os animais antes. Outra exceção também ocorre quando a comida não pertence ao dono do animal, isto é, se alguém está dando o alimento de presente. Neste caso, a pessoa que está oferecendo o presente não tem responsabilidade sobre o animal do outro. De fato, poderia até ser considerado desrespeitoso alimentar o animal de uma pessoa antes de alimentar o seu dono.
 
Por isso, durante o ano de Shmitá, quando os produtos da terra não pertencem ao agricultor, mas são um presente de D'us, então o dono pode comer antes de dar aos seus animais. De modo similar, quando D'us deu água para o povo de Israel, de forma milagrosa, Sua responsabilidade estava em primeiro lugar com as pessoas, e só depois com os animais delas. Isso também explicaria a conduta de Rivka com Eliezer. Era ela que estava fornecendo a água, ela era a doadora. Logo, sua responsabilidade era com o ser humano em primeiro lugar, e não com os animais dele. Portanto, não é necessário nem mesmo diferenciar entre comida e bebida para responder os questionamentos.
 
Estamos em uma geração que infelizmente perdeu um pouco o seu equilíbrio e a noção correta das prioridades. Pessoas falam abertamente, sem nenhum tipo de vergonha ou constrangimento, que preferem ajudar um animal do que ajudar um ser humano. Pessoas dedicam horas de voluntariado para ajudar animais abandonados, mas não dedicam nem um minuto para ajudar crianças abandonadas. Sentem dó de um cachorro de rua, mas passam diariamente por dezenas de mendigos dormindo na rua e se alimentando de lixo e não se comovem. Sinal de que perdemos o foco do que é o principal e o que é secundário.
 
Os nossos traços de caráter são chamados de "Midót", palavra que também significa "Medidas". Qual é a conexão entre traços de caráter e medidas? D'us nos deu uma certa medida de cada característica para utilizarmos da forma correta. São ferramentas para podermos cumprir o nosso papel espiritual neste mundo. Porém, como as nossas características são "sob medida", quando as utilizamos da maneira errada, então esta "Midá" faltará onde ela seria efetivamente necessária. D'us nos deu uma certa medida de amor, para que possamos utilizar com os outros seres humanos. Por exemplo, cumprindo a Mitzvá de "Ame ao próximo como a si mesmo". Porém, muitas pessoas canalizam seu amor aos animais e plantas, e isto faz com que falte o amor pelos outros seres humanos. Não por coincidência, a "Lei do Reich de Proteção Animal", precursora da atual "Sociedade protetora dos animais", foi promulgada na Alemanha, em 1933, pelo partido nazista, o mesmo partido que assassinou a sangue frio milhares de mulheres, idosos e bebês inocentes. Como as pessoas canalizavam seu amor nos animais, então faltou amor e empatia com os seres humanos.
 
O Rav Moshe Feinstein zt"l (Império Russo, 1895 - EUA, 1986) foi o maior legislador da sua geração e, por isso, recebia diariamente dezenas de cartas com as mais variadas perguntas de Halachá. Certa vez, um homem judeu escreveu ao rabino contando que ele e sua esposa não conseguiam ter filhos e, por isso, a esposa havia desenvolvido um forte vínculo emocional com seu cachorro de estimação, tratando-o como um "filho adotivo". O homem sentia que isso estava afetando o equilíbrio emocional e espiritual do lar, e pediu orientação ao rabino sobre como proceder. O Rav Moshe respondeu com extrema sensibilidade, reconhecendo que o apego ao animal era compreensível diante do sofrimento do casal. No entanto, ele foi claro ao afirmar: "O amor por um animal não pode substituir o amor entre seres humanos ou entre pais e filhos. Há uma diferença essencial entre o valor da vida humana e a vida de um animal".
 
O Rav Moshe Feinstein não proibiu aquele casal de ter um cachorro, mas aconselhou que eles procurassem ajuda emocional e espiritual para restaurar o equilíbrio e a centralidade do ser humano na vida deles, mesmo diante da dor e da dificuldade de não terem um filho. Ele reconheceu o valor emocional que os animais podem ter, mas foi firme e inequívoco em dizer que o ser humano é superior e prioritário, inclusive nos relacionamentos.
 
Mesmo um sentimento tão nobre e puro como a compaixão deve ser guiado pela sabedoria da Halachá, e não por sentimentalismos ditados pela sociedade. O Rav Elchanan não permitia nenhuma forma de crueldade com os animais, mas foi firme ao lembrar que os seres humanos, especialmente em contextos espirituais, vêm primeiro. Os modismos sociais às vezes escondem grandes desequilíbrios e prioridades equivocadas. Cuidar bem dos animais é até mesmo uma Mitzvá, desde que antes tenhamos cuidado bem do ser humano, o centro da Criação.

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 R' Efraim Birbojm

 

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