sexta-feira, 17 de maio de 2024

A COBRANÇA É DE ACORDO COM NOSSO NÍVEL - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EMOR 5784

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ASSUNTOS DA PARASHÁ EMOR
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  • Cohen Gadol.
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  • Pureza dos Cohanim.
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A COBRANÇA É DE ACORDO COM NOSSO NÍVEL - PARASHÁ EMOR 5784 (17/mai/24)
 
"Na Yeshivá Etz Chaim, localizada na cidade de Volozhin, estudava um excelente rapaz, esforçado e com excelentes traços de caráter. Porém, este rapaz subitamente adoeceu e necessitava de maiores cuidados médicos. O Rosh Yeshivá, o Rav Chaim Volozhiner zt"l (Lituânia, 1749 - 1821), pediu para que outro aluno o acompanhasse até a casa dos pais dele, onde poderia receber o tratamento adequado.
 
Como a casa do rapaz ficava a mais de um dia de viagem, ao anoitecer eles decidiram parar em um pequeno hotel que ficava no caminho. De manhã cedo, antes de partir, o aluno que estava acompanhando o rapaz doente pagou a sua parte para o dono do hotel, mas o rapaz doente havia esquecido de trazer dinheiro. Vendo que ele parecia ser uma pessoa honesta e sincera, o dono do hotel permitiu que o rapaz doente pagasse depois. Os dois jovens continuaram então rumo à casa dos pais do rapaz doente. Ao chegar em casa, o rapaz doente imediatamente entregou ao amigo o dinheiro do hotel, pedindo para que fizesse o pagamento quando novamente pernoitasse lá, no caminho de volta. O amigo garantiu que assim o faria e despediu-se do rapaz doente, desejando-lhe uma pronta recuperação. Porém, no caminho de volta para a Yeshivá, apesar de novamente ter pernoitado no hotel, o amigo esqueceu-se de pagar e o dinheiro acabou ficando em seu bolso. Enquanto isso, infelizmente o estado de saúde do rapaz doente piorou e ele acabou falecendo. Seus amigos, da Yeshivá ficaram muito tristes e prestaram as homenagens finais em seu enterro.
 
Passados alguns dias depois do enterro, o Rav Chaim Volozhin estava caminhando pelos corredores da Yeshivá quando deparou-se com a alma do rapaz que havia falecido. O Rav Chaim perguntou o motivo dele ter voltado e qual havia sido o seu veredicto no Julgamento Celestial. O rapaz falecido respondeu que havia sido decretado que ele iria para o Gan Éden. Porém, ao chegar lá, um anjo havia impedido sua entrada, dizendo que havia uma transgressão de roubo em suas mãos, por não ter pago a sua parte no hotel. Apesar de ele ter dado o dinheiro para o seu amigo pagar, o dono do hotel não havia recebido o pagamento e não havia perdoado a dívida. Por causa daquela dívida era impossível entrar no Gan Éden. Porém, como o Tribunal Celestial viu que não havia sido culpa dele, permitiu excepcionalmente que ele viesse falar com seu rabino para pedir ajuda e resolver a situação da dívida, para finalmente poder entrar no Gan Éden.
 
O Rav Chaim imediatamente chamou o aluno que havia acompanhado o rapaz falecido até a casa dos pais e ordenou que ele se dirigisse ao hotel e pagasse a dívida do amigo falecido, o que ele prontamente fez. A partir daquele momento o rapaz não apareceu mais para o Rav Chaim e encontrou o merecido descanso no Gan Éden."
 
De acordo com o nosso nível espiritual, assim é a nossa cobrança. Esse aluno era tão Tzadik que uma simples dívida não paga o impedia de entrar no Gan Éden. Nosso serviço espiritual deve ser proporcional ao nosso nível de elevação espiritual.

A Parashá desta semana, Emor (literalmente "Diga"), começa trazendo algumas leis sobre os Cohanim, que incluem direitos e deveres especiais. Por serem mais elevados espiritualmente, os Cohanim não estavam subordinados às mesmas leis do resto do povo. Da mesma forma, a Parashá também traz direitos e deveres do Cohen Gadol, que estava em um nível ainda mais elevado do que os Cohanim comuns e, por isso, também tinham suas obrigações particulares e seus direitos únicos e especiais. Mas por que D'us fez esta distinção? Será que não deveriam ter todos do povo os mesmos diretos e deveres? Estas diferenças não acabam sendo um motivo para divisões e separações dentro do povo judeu?
 
O Rav Meir Rubman zt"l (Israel, século 20) traz uma explicação interessante. A distinção que a Torá fez entre as leis que se aplicam aos Cohanim e as leis que se aplicam ao resto do povo nos ensina que cada pessoa deve servir D'us de acordo com seu nível espiritual. E como as pessoas não estão no mesmo nível e não têm o mesmo potencial, cada um é cobrado por D'us de maneira única e particular. Portanto, nosso trabalho principal neste mundo não é apontar o dedo para os erros dos outros, pois não sabemos qual é a obrigação de cada um. Nosso trabalho verdadeiro é questionar os nossos próprios atos, para que possamos nos comportar da maneira que D'us espera de nós.
 
Isso pode ser percebido em um incidente descrito pelo Talmud (Beitza 15b). O Rabi Eliezer, que estava em um dos Chaguim dando aulas sobre as leis do Chag, percebeu que um primeiro grupo de alunos se levantou e saiu no meio da sua aula. Ele disse: "Estes devem ser donos de barris grandes". Depois de um tempo, um segundo grupo partiu e ele disse: "Esses são donos de barris pequenos". Mais tarde, um terceiro grupo despediu-se e ele disse: "Estes são donos de jarros". Um quarto grupo saiu e ele disse: "Esses são donos de potes". Na saída de um quinto grupo, ele disse: "Estes são donos de taças". Quando um sexto grupo começou a sair, ele ficou chateado, pois o Beit Midrash estava ficando vazio, e disse: "Esses são donos de uma maldição". Quando ele olhou para os alunos que haviam permanecido no Beit Midrash, percebeu que o rosto deles havia mudado de cor. Então o Rabi Eliezer os tranquilizou e disse: "Meus filhos, eu não disse isso sobre vocês, mas sobre aqueles que partiram, pois abandonaram a vida eterna para se dedicar à vida temporária".
 
Mas por que o Rabi Eliezer somente expressou seu descontentamento de uma maneira tão dura após a saída do sexto grupo, que se tratava daqueles que estavam entre os melhores alunos, que se sentaram e ouviram quase até o final? Aquela linguagem dura não deveria ter sido dirigida àqueles que saíram em primeiro lugar?
 
Explica o Rav Yaacov Kanievsky zt"l (Ucrânia, 1899 - Israel, 1985), mais conhecido com Steipler, que um aluno que está há mais tempo na Yeshivá, isto é, que estudou mais anos, caso resolva abandonar seus estudos e ir embora, será muito mais cobrado espiritualmente do que alguém que ainda mal se envolveu com os estudos. Quando o Rabi Eliezer definiu aqueles que saíram primeiro como sendo "donos de barris" ou "donos de jarros", significa que se tratavam de pessoas com muitas posses materiais, e que abandonaram o Beit Midrash pelo desejo por comida e bebida. Eram estudantes que ainda não tinham se conectado com a Torá, não haviam absorvido sua sabedoria e ainda não haviam provado do néctar de sua doçura. Mas aqueles últimos, que já estavam imersos no mundo da Torá, que já sabiam que a Torá é "nossa vida e a longevidade dos nossos dias", e mesmo assim se levantaram para ir embora, foram muito mais cobrados.
 
Na continuação, a Parashá traz outro assunto relacionado aos Cohanim: o castigo aplicado à filha de um Cohen que cometeu adultério, como está escrito: "Se a filha de um Cohen for profanada através do adultério, ela profanará seu pai; ela será queimada no fogo" (Vayikrá 21:9). O que chama a atenção neste versículo é que a filha de um Cohen que cometeu adultério tem uma pena muito mais severa do que uma adúltera comum, com  dois graus de severidade a mais. Enquanto uma adúltera comum é condenada à morte por estrangulamento, a morte mais leve entre as quatro penas de morte aplicadas pelo Beit Din, a filha de um Cohen que cometeu adultério é queimada, a segunda pena de morte mais severa. Por que existe esta diferença? Além disso, isto foge do padrão da Torá, que busca sempre uma morte menos severa para os condenados, mas neste caso a Torá busca rigorosidades na pena de morte. O que há de tão grave na transgressão da filha do Cohen?
 
Explica o Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Saba MiKelem, que a resposta está na própria continuação do versículo: "ela profanará seu pai; ela será queimada no fogo". O Talmud (Shabat 20a) ensina que "os Cohanim são ágeis". Rashi explica que isto significa que os Cohanim são pessoas mais estudadas na Torá, muito tementes a D'us e mais cuidadosos com as Mitzvót. Com base nessas palavras, pode-se supor que a educação ministrada na casa dos Cohanim era de excelência. Esta suposição é reforçada pelo fato de a família dos Cohanim também comer alimentos sagrados, como Trumá, e todos precisavam saber se comportar com temor e conhecimento da Halachá. Precisavam estar constantemente em um estado de pureza e era necessário muito cuidado em todas as etapas, assim como nas questões relacionadas aos serviços sagrados.
 
Entendemos, portanto, por que o castigo da filha do Cohen é mais duro. É esperado mais daquele que recebe uma educação superior. Portanto, aquele que foi criado em uma casa onde todos eram pessoas ágeis, conhecedores da Torá e com temor a D'us, recebe uma punição mais severa caso tropece nas transgressões.
 
Este fundamento é explicado nas palavras introdutória do Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1070 - Israel, 1746), mais conhecido como Ramchal, em seu livro "Messilat Yesharim": "A fundação da Chassidut (fazer mais do que D'us exige) e a raiz do Serviço perfeito é que a pessoa esclareça e internalize qual é a sua obrigação no seu mundo". O Ramchal não disse que existe um dever geral do ser humano, e sim que cada pessoa tem um dever específico em seu próprio mundo.
 
E se este é realmente o fundamento da Chassidut e a raiz do Serviço perfeito, então mesmo quem é um estudante de Torá, sábio e temente a D'us, enquanto não esclareceu para si mesmo qual é o seu dever no seu mundo particular, de acordo com seu nível, se assemelha àquele que construiu uma casa sem fundações ou plantou uma árvore sem raízes. Devemos aumentar nossas boas ações todos os dias. Nosso dever no mundo hoje deve ser maior do que era ontem, pois devemos crescer espiritualmente sempre. Que possamos cumprir o nosso objetivo.

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 10 de maio de 2024

TIRANDO O ÓDIO DO CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KEDOSHIM 5784

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ASSUNTOS DA PARASHÁ KEDOSHIM
  • Leis de Santidade.
  • Honrar os pais.
  • Shabat.
  • Proibição de Idolatria.
  • Leis de Korbanót.
  • Ajuda aos necessitados (Leket, Shichechá e Peá).
  • Honestidade nos negócios.
  • Não desviar a justiça.
  • Ame ao próximo como a si mesmo.
  • Misturas proibidas (Kilaim e Shaatnez).
  • Orlá.
  • Proibição de fazer tatuagem.
  • Não envergonhar os estrangeiros.
  • Casamentos proibidos e castigos.
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TIRANDO O ÓDIO DO CORAÇÃO - PARASHÁ KEDOSHIM 5784 (10/mai/24)
 
"A Sra. Mônica estava no zoológico com Gabriela, sua querida netinha de sete anos, uma linda menininha ruiva e com o rosto todo salpicado de sardinhas vermelhas e brilhantes. Elas estavam passando o dia juntas e se divertiam muito. Em cada jaula que passavam, Gabriela parava e contemplava os animais.
 
Quase no final do passeio, elas viram uma fila de crianças. Era uma atividade de férias do zoológico, na qual um artista pintava bichinhos no rosto das crianças. Gabriela pediu para entrar na fila, pois queria o desenho de um tigre, e a avó concordou. Porém, enquanto esperava sua vez, Gabriela escutou um menino da fila gritar bem alto:
 
- Olha esta menina. Ela tem tantas sardas no rosto que não vai ter nem onde pintar o bichinho!
 
Todas as crianças da fila começaram a olhar para Gabriela e dar risada. Muito envergonhada, Gabriela abaixou a cabeça. Lágrimas começaram a escorrer em seu rosto. Ao ver o que havia acontecido, a avó imediatamente ajoelhou-se perto dela e, com um lindo sorriso no rosto, disse:
 
- Não fique triste, querida. Esse garoto é um bobo. Eu adoro suas sardas!
 
- Mas eu detesto! - Gabriela respondeu, ainda muito triste - Os meninos sempre zombam de mim por causa delas! Que ódio, eu não aguento mais!
 
- Quando eu era menina, sempre quis ter sardas - disse a avó, passando carinhosamente o dedo pelo rosto da netinha - Sardas são tão bonitas! Era o meu sonho ter sardas.
 
Ao escutar aquelas palavras, Gabriela levantou os olhos e esboçou um sorriso tímido:
 
- Você acha mesmo, vó?
 
- Claro que eu acho - disse a avó - Diga-me uma coisa que seja mais bonita que sardas.
 
A garotinha, olhando para o rosto sorridente da avó, respondeu suavemente:
 
- Rugas!"
 
Quando olhamos para os outros com os olhos do amor, não vemos o que possam ter de feio, apenas o que têm de bonito. Que nossos olhos possam ver sempre a beleza nos outros.

A Parashá desta semana, Kedoshim (literalmente "Sagrados"), traz uma série de Mitzvót "Bein Adam Lechaveiro" (entre a pessoa e seu companheiro), tais como ajudar os necessitados, respeitar os anciões e não envergonhar os estrangeiros. Isso carrega uma lição muito importante para as nossas vidas. A verdadeira santidade não está apenas nos atos piedosos daqueles que se alongam nas Tefilót ou que todos os dias mergulham na Mikve para manterem-se sempre em estado de pureza. A Kedushá também está nos pequenos atos do cotidiano, na empatia, na capacidade de sentir a dor do próximo e de ajudar de forma mais honrosa possível antes mesmo que a pessoa precise pedir ajuda.  
 
Um exemplo do cuidado necessário com as Mitzvót "Bein Adam Lechaveiro" está na emblemática Mitzvá da Torá "Você não deve se vingar nem guardar rancor dos membros do seu povo; ame o teu próximo como a ti mesmo. Eu sou Hashem" (Vayikra 19:18). Mas o que significa "se vingar" e "guardar rancor"? Será que é necessário matar um inimigo para que se configure em vingança? Será que para transgredir a Mitzvá de "não guardar rancor" é necessário não suportar nem ver a cara de uma pessoa?
 
Rashi traz as definições destas Mitzvót: "Se Shimon disser ao seu amigo Levi: 'Me empreste sua foice' e Levi responder 'Não', e no dia seguinte Levi, que havia se recusado a emprestar a foice, pede a Shimon que lhe empreste sua machadinha e Shimon responde 'Não vou emprestar minha machadinha, assim como você não me emprestou a sua foice', isso é vingança. Mas, se Shimon disser: 'Aqui está. Eu te empresto, pois não sou como você, que não me emprestou!', isso constitui guardar rancor, pois ele mantém o ódio em seu coração, mesmo que na prática não se vingou.
 
Porém, este ensinamento de Rashi desperta um interessante questionamento. Nesta situação, quem é pior? Será que é Levi, que foi mesquinho e não emprestou a foice quando foi inicialmente solicitado, ou Shimon, que decidiu não emprestar sua machadinha em retribuição à mesquinhez do seu companheiro? A priori diríamos que certamente Levi é o pior, pois ele fez um ato muito mais feio e condenável, negando-se a fazer uma bondade, enquanto Shimon somente reagiu à atitude mesquinha de Levi. Shimon pode até mesmo argumentar, e com alguma razão lógica: "Se ele não foi um bom vizinho para mim e não me emprestou o que eu precisava, mesmo que não perderia nada com isso, então por que eu deveria ser um bom vizinho para ele?"
 
Então porque Rashi explica que Shimon transgrediu a proibição da Torá de "Não se vingar", enquanto Levi aparentemente não violou nenhuma proibição específica? Onde está a justiça? O que faz o ato de Shimon ser mais grave que o ato de Levi?
 
O Rav Chizkia ben Manoach zt"l (França, 1220 - 1260), mais conhecido como Chizkuni, traz uma explicação muito interessante. Levi realmente não fez um ato bonito. A Torá exige que sejamos boas pessoas, que ajudemos ao próximo, e Levi deixou muito a desejar neste quesito ao se comportar de forma egoísta e mesquinha. Porém, apesar de não ter feito a bondade que poderia, ele não cometeu nenhuma transgressão. Por outro lado, Shimon fez algo muito mais grave. Ele transgrediu a proibição da Torá de odiar seu companheiro.
 
O que o Chizkuni está nos ensinando? Que a falha de Levi, de não emprestar algo ao seu companheiro, não demonstra que ele tem necessariamente algo pessoal contra Shimon. Ao contrário, talvez ele goste de Shimon, mas seja apenas uma pessoa excessivamente protetora com seus objetos e, por isso, não gosta de emprestá-los. Ou talvez ele realmente é uma pessoa egoísta e mesquinha, mas se comporta assim com todas as pessoas. Ele simplesmente não se importa em fazer bondades. No entanto, Shimon é alguém que provavelmente não se incomodaria de emprestar seus objetos. Então qual é o motivo dele se recusar a emprestar a Levi? Somente por causa do seu ressentimento, que beira o sentimento de ódio. Esta é uma falha de caráter muito maior. Ser avarento é feio, é condenável, mas não é uma proibição da Torá, enquanto odiar o próximo é.
 
Explica o Rav Yssocher Frand que desta maneira podemos entender porque a Torá foi rigorosa com Shimon. Ele guardou ódio no coração. Ele se tornou uma pessoa rancorosa, e o rancor pode levá-lo à transgressão de se vingar de seu companheiro. O ódio no coração leva a pessoa a fazer atos terríveis, e é um dos sentimentos mais negativos que uma pessoa pode sentir. O ódio fez o nosso Primeiro Beit Hamikdash ser destruído e o nosso povo ser exilado. O ódio causa desunião e enfraquece o povo judeu.
 
Mas qual é a maneira de não sentir ódio? Levi foi mesquinho e egoísta, não se importou com as necessidades de seu companheiro. Shimon precisava muito da foice, e Levi não perderia nada emprestando. É extremamente frustrante ter um pedido negado, ainda mais quando é sem justificativa. O que Shimon poderia ter feito para lidar com este sentimento negativo?
 
A resposta está nas palavras do versículo anterior: "Não odeie seu companheiro no seu coração. Repreenda seu companheiro e não carregue sobre si a transgressão" (Vayikrá 9:17). Se o problema é guardar ódio no coração, a solução é colocar para fora, isto é, conversar com a pessoa que nos fez mal. Quando estivermos chateados com alguém, devemos falar com a pessoa, questionar a atitude dela. Obviamente isso deve ser feito com educação e com tranquilidade, não com gritos e ofensas. Se Shimon questionasse Levi: "Por que você não me emprestou sua foice? Somos amigos, você não acha que foi mesquinho?", talvez Levi aprenderia o quanto machucou seu amigo com um ato egoísta e da próxima vez não faria mais isso. Shimon não teria guardado ódio no coração e a amizade continuaria. Ou Levi poderia até mesmo explicar o motivo pelo qual não havia emprestado suas coisas. Talvez ele tivesse alguma razão para isso. Talvez Shimon estragou algum objeto que pediu emprestado em outra situação e não quis pagar pelo dano causado. Desta maneira, Shimon teria aprendido a cuidar melhor do que é dos outros e não guardaria ódio em seu coração.
 
Guardar ódio no coração, além de ser uma transgressão, faz mal para nós mesmos. Nos faz vermos a vida de uma forma negativa, enxergando o que as pessoas têm de ruim, ao invés de olhar as coisas de uma ótica positiva. Aprenda a olhar o mundo sob a ótica do amor, ao invés de olhá-lo sob a ótica do ódio. Desta maneira, a vida não será tão cinzenta, ela terá muito mais cores. 

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

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