quinta-feira, 13 de outubro de 2022

FAZENDO A MITZVÁ DE MANEIRA COMPLETA - SHABAT SHALOM M@IL - SUCÓT E SHEMINI ATSERET 5783

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Sr. Gabriel David ben Rachel

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MENSAGEM DE SUCÓT

BS"D

FAZENDO A MITZVÁ DE MANEIRA COMPLETA - SUCÓT E SHEMINI ATSERET 5783 (14/julho/22)

"O Rav Yaacov Kanievsky zt"l (Ucrânia, 1899 - Israel, 1985), mais conhecido como Staipler, tinha muito temor a D'us e, por isso, era extremamente rigoroso no cumprimento de todas as Mitzvót. Não apenas ele queria cumpri-las, com amor e com temor, mas o fazia sempre com todos os detalhes e com as intenções corretas.
 
Certa vez, na semana anterior à Festa de Sucót, ele e alguns parentes entraram em uma loja de Lulavim para começar a adquirir seus Arbaat HaMinim. Como em todas as outras Mitzvót, o Staipler era muito cuidadoso para que seus Arbaat HaMinim fossem muito bonitos e estivessem de acordo com todos os detalhes da Halachá. Por isso, ele passava muito tempo olhando cada detalhe de cada uma das espécies. Porém, após permanecer muito tempo na loja e olhar todos os Lulavim que estavam expostos, ele não encontrou nenhum que atendia suas expectativas. Ele agradeceu ao vendedor e se levantou para sair. Porém, quando já estava na porta, ele parou, voltou para dentro da loja, pegou um dos Lulavim que estavam em exposição, pagou ao vendedor e saiu. Seus familiares não entenderam sua conduta estranha. Se ele não havia gostado de nenhum dos Lulavim, por que havia voltado e comprado? O Staipler explicou aos seus familiares:

- Muitas pessoas me viram entrar na loja e passar muito tempo lá dentro. Se eu tivesse saído da loja sem comprar nenhum Lulav, é bem possível que se escutariam na cidade rumores que eu estive na loja e não comprei nenhum Lulav pois não havia nenhum Kasher. Desta maneira, as pessoas não entrariam mais aqui nesta loja para comprar, e eu estaria causando um grande prejuízo ao vendedor."

Assim se comportam os gigantes de Torá. Eles não são minuciosos apenas nas Mitzvót que fazem para D'us, mas também são extremamente cuidadosos com o próximo, para nunca causar nenhuma perda, dano ou mágoa a outro ser humano, mesmo sem intenção.

Nesta semana o Shabat coincide com o Chol HaMoed (dias intermediários) da Festa de Sucót e, portanto, a leitura semanal é substituída por uma leitura especial referente à Festa de Sucót. E, no próximo domingo de noite, começamos um novo Chag, chamado Shemini Atseret, que se inicia imediatamente após a fim de Sucót.

Há uma lição muito importante em relação à Festa de Sucót que devemos aprender para levar para o nosso ano inteiro. Os dois símbolos principais de Sucót são a Sucá, a cabana temporária que transformamos em nossa moradia durante os sete dias da Festa, e os Arbaat HaMinim, as quatro espécies agrícolas. Sabemos que uma das Halachót importantes destes dois símbolos é que eles devem ser embelezados, isto é, nossa Sucá deve ser bonita e enfeitada e os nossos Arbaat HaMinim devem ser os mais "perfeitos" possíveis, isto é, sem manchas ou deformidades. É muito comum nos depararmos, nas lojas que vendem os Arbaat HaMinim, com pessoas olhando os Arbaat HaMinim com muito cuidado, como se fossem joias raras, em busca de qualquer pequeno defeito. Por que nos esforçamos tanto para embelezar estas Mitzvót? Não é suficiente apenas cumprir os requisitos básicos?

A resposta está em um importante ensinamento do Talmud (Shabat 133b) em relação ao versículo: "Este é o meu D'us e eu O glorificarei (anvehu)" (Shemot 15:2). Os nossos sábios interpretaram a palavra "anvehu", que literalmente significa "O glorificarei", e a relacionam com a palavra "noi", que significa "beleza". De acordo com esta opinião do Talmud, devemos embelezar as Mitzvót diante de D'us. Quando a pessoa for cumprir uma Mitzvá, é apropriado que a realize da maneira mais bela possível. Devemos fazer uma bela Sucá, adquirir um belo Lulav, um belo Shofar, belos Tsitsiot, um belo pergaminho para o Sefer Torá, etc.

Porém, o que nos chama a atenção é uma segunda opinião trazida pelo Talmud. Aba Shaul diz que a palavra "anvehu" deve ser entendida como se fossem duas palavras: "ani vaHu", que significa literalmente "eu e Ele (D'us)". Aba Shaul está nos ensinando que devemos nos assemelhar a D'us: assim como Ele é piedoso e misericordioso, também devemos ser piedosos e misericordiosos.

O ensinamento de Aba Shaul já é, por si só, extremamente importante. Porém, a justaposição entre a primeira opinião do Talmud e a opinião de Aba Shaul nos traz uma lição ainda mais profunda e importante. Sabemos que temos duas áreas em nosso Serviço espiritual: "Bein Adam LaMakom" (entre a pessoa e D'us) e "Bein Adam Lehaveiro" (entre a pessoa e seu companheiro). Algumas pessoas são extremamente minuciosas no cumprimento das Mitzvót Bein Adam LaMakom, investindo muitas vezes bastante dinheiro para cumprir as Mitzvót da maneira mais bela possível, sem economizar. É incrível o valor que elas estão dispostas a pagar para conseguir Arbaat HaMinim realmente bonitos e absolutamente sem nenhum defeito, de acordo com todos os critérios e detalhes da Halachá. Essas pessoas saem da loja com um enorme sorriso no rosto, carregando seus Arbaat HaMinim como se fossem troféus. Porém, quando estas mesmas pessoas chegam nas Mitzvót Bein Adam Lehaveiro, em especial na Mitzvá de Tzedaká, elas "fecham suas mãos". Mesmo quando ajudam os pobres e necessitados, fazem sem alegria e já não estão mais tão interessadas em "investir" tanto dinheiro assim no cumprimento da Mitzvá.

Por isso o ensinamento de Aba Shaul é tão precioso. Da mesma forma que caprichamos tanto nas Mitzvót Bein Adam LaMakom, assim também devemos ser caprichosos nas Mitzvót Bein Adam Lehaveiro. Da mesma forma que D'us é bondoso e misericordioso, também devemos ser bondosos e misericordiosos, precisamos sentir a dor dos pobres, ter mais empatia. As pessoas muitas vezes deixam de ajudar um necessitado, pensando: "Ele é forte e saudável, que vá procurar um emprego. Eu me esforço tanto para ganhar meu dinheiro, por que ele também não pode se esforçar?". Esquecemos que, em primeiro lugar, quem manda nosso sustento é D'us, e não o nosso esforço. Em segundo lugar, será que essa pessoa necessitada teve as mesmas condições que nós tivemos? Será que ela viveu em uma casa bem estruturada, tendo a estrutura psicológica necessária para ser uma pessoa de sucesso? Será que recebeu incentivos? Será que ela teve as condições necessárias para estudar e crescer na vida?

Em relação às Festas de Sucót e Shemini Atseret, há um incrível ensinamento sobre a empatia. Sucót e Shemini Atseret estão muito conectadas com o conceito das chuvas na Terra de Israel. Sucót é a época do ano em que o mundo é julgado em relação à quantidade de chuvas que cairá durante o ano. Segurar os Arbaat HaMinim também têm um simbolismo especial referente à água. O Etrog é um fruto cítrico que necessita de muita água para o seu desenvolvimento. Os Lulavim crescem em vales muito bem irrigados. Os Hadassim e as Aravót também sempre crescem perto de mananciais de água. Quando fazemos os "Naanuim", isto é, movimentamos os Arbaat HaMinim nas 6 direções, estamos fazendo uma declaração para D'us, Quem sustenta o mundo inteiro, que da mesma maneira que as quatro espécies não podem viver sem água, assim também o mundo não pode viver sem água.
 
De acordo com a Halachá, começamos a louvar a D'us pelas chuvas justamente na manhã da Festa de Shemini Atseret, na reza de Mussaf, quando as palavras "Mashiv Haruch Umorid Hagheshem" (Quem faz soprar o vento e faz cair a chuva) são pronunciadas na segunda Berachá da Amidá, justamente a Berachá na qual louvamos D'us pelo Seu poder e controle sobre o mundo, em especial sobre a vida e a morte. Porém, nossos sábios ensinam que não começamos imediatamente a pedir pelas chuvas, isso só ocorre a partir do sétimo dia do mês de Cheshvan*, quinze dias após o final da Festa de Sucót. Por que demoramos tanto para pedir as chuvas, já que as primeiras chuvas em Eretz Israel potencialmente começam a cair a partir do terceiro dia de Cheshvan? Por que já não pedimos as chuvas em Shemini Atseret mesmo, junto com o acréscimo dos louvores que fazemos a D'us?
 
A pergunta fica ainda mais difícil de acordo com os versículos da Torá que afirmam que a Terra de Israel é completamente dependente das chuvas, como está escrito: "Pois a terra que você vai possuir não é como a terra do Egito... onde você semeou e que você regou como uma horta. A terra que vocês vão possuir é uma terra de montanhas e vales, que absorve a água das chuvas do céu, uma terra que Hashem, seu D'us, cuida" (Devarim 11:10,11). Portanto, se dependemos tanto das chuvas, por que demoramos tanto para começar a rezar por ela?
 
Explica o Talmud (Taanit 10a), em nome de Raban Gamliel, que aguardamos 15 dias para iniciar o pedido das chuvas pois era o tempo necessário para que as pessoas que viviam nos lugares mais distantes de Jerusalém conseguissem chegar em suas casas após o fim da Festa. Como era uma Mitzvá da Torá todos os homens comparecerem no Beit Hamikdash durante os "Shalosh Regalim" (Pessach, Shavuót e Sucót), então Raban Gamliel se preocupava que as pessoas chegassem em casa antes do início das chuvas, mesmo aqueles que viviam mais longe de Jerusalém. As estradas eram de terra e, caso chovesse, muito poderiam ficar com suas carroças atoladas, sozinhos e desamparados no meio do caminho. Raban Gamliel tinha empatia. Mesmo que todo povo judeu precisava das chuvas, isso não poderia ser às custas do sofrimento dos outros, mesmo sendo uma minoria.
 
O ensinamento de Aba Shaul não é para deixarmos de embelezar as nossas Mitzvót, ao contrário, devemos embelezá-las, mas em especial aquelas que podem ajudar a dar vida e felicidade a outras pessoas, e que normalmente desprezamos. Aba Shaul nos ensina a termos mais empatia e a sentirmos mais a dor do próximo como se fosse nossa própria dor. Talvez a pessoa que construiu uma linda Sucá e comprou belíssimos Arbaat HaMinim pense que assim já cumpriu o requisito de "Este é o meu D'us e eu O glorificarei". O que Aba Shaul veio nos ensinar é que mesmo assim a Mitzvá ainda não está completa, e só estará completa de verdade quando também aumentarmos a Tzedaká e o cuidado com os necessitados, nos assemelhando, desta maneira, a D'us. 

SHABAT SHALOM E CHAG SAMEACH

R' Efraim Birbojm

* Essa lei se aplica somente em Israel. Fora de Israel, o pedido de chuvas começa nos dias 4 ou 5 de dezembro

 
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sexta-feira, 7 de outubro de 2022

NÃO SEJA EXTREMISTA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ HAAZINU E SUCÓT 5783

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ASSUNTOS DA PARASHÁ HAAZINU
  • O Cântico de Moshé.
  • Chessed de D'us com o povo judeu.
  • Prosperidade causa afastamento de D'us.
  • A queda espiritual das futuras gerações.
  • A Fúria de D'us.
  • Falsa noção dos conquistadores.
  • Fonte do sofrimento do povo judeu.
  • Consolo do povo judeu.
  • Aviso de D'us que Moshé vai morrer.
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NÃO SEJA EXTREMISTA - PARASHÁ HAAZINU E SUCÓT 5783 (07/Out/22)

"Rodrigo, após terminar a escola, foi para a faculdade e acabou perdendo contato com a maioria dos seus colegas. Anos mais tarde, andando pela rua, viu um homem muito estranho, que andava todo encurvado e tateando as coisas, como se estivesse quase cego. Sentiu dó daquele homem, que parecia ter nascido com algum problema genético ou algo parecido. Porém, ao se aproximar daquele homem, tomou um grande susto. Era Alberto, seu colega de infância, que ele não via há muitos anos. Rodrigo assustou-se com aquela deformidade, pois lembrava-se de Alberto como um rapaz bonito e saudável.
 
Rodrigo chegou abalado em casa. Não teve coragem de perguntar para Alberto o que havia acontecido, mas a curiosidade era grande. Então ele ligou para Paulo, outro amigo de infância, e lhe contou sobre o que havia visto. Paulo explicou, com muita tristeza, o que havia acontecido: certo dia Alberto havia encontrado uma moeda de ouro na rua. Ficou tão contente, mas tão contente, que só pensava em achar mais e mais moedas. Com o tempo, começou a andar curvado, com os olhos grudados no chão, sempre procurando moedas. De fato, ao longo dos anos ele conseguiu encontrar mais algumas moedas. Enquanto isso, porém, suas costas foram se entortando e sua vista enfraquecendo. Que preço alto ele teve que pagar!"
 
A vida não é feita só de coisas materiais. Os verdadeiros tesouros são os valores morais e espirituais que herdamos e cultivamos. São estas as riquezas que precisamos preservar e transmitir às futuras gerações. Ao invés de olhar somente para o chão, aprenda a olhar também para o céu.

Nesta semana lemos a Parashá Haazinu (literalmente "Escute"), que é um Cântico de louvor a D'us feito por Moshé antes do seu falecimento. Moshé convoca o céu e a terra como testemunhas de suas advertências ao povo judeu para que as futuras gerações não se desviassem, com as possíveis consequências negativas caso eles transgredissem. As próprias testemunhas aplicariam a punição ao povo, como dizemos no Shemá Israel: "E a fúria de D'us se acenderá contra vocês, e Ele fechará os céus, e não haverá chuva, e a terra não dará o seu produto" (Devarim 11:17). O Cântico de Moshé termina descrevendo a alegria que virá com a Redenção Final.
 
Esta alegria prevista no final da Parashá se conecta com a próxima parada do Calendário Judaico: a Festa de Sucót. A partir do próximo domingo de noite começaremos a reviver a "Festa das cabanas", também conhecida como "A época da nossa alegria". É uma Festa na qual nos alegramos muito, cantamos e dançamos.
 
Mas como encaixar a alegria de Sucót em um mundo que está passando por um momento tão difícil? Estamos vivendo uma época de polarização política, tensões raciais, incerteza econômica, desigualdade e todo tipo de intolerância. Além disso, alterações extremas do clima e a longa convivência com o coronavírus nos deixaram angustiados. Como a Festa de Sucót nos ajuda a navegar nesses tempos tão caóticos? A Festa de Sucót é descrita como sendo "a época da nossa alegria", cumprindo as palavras do versículo "Se alegrem na Festa [de Sucót]... e terão apenas alegria" (Devarim 16:14-15). Mas qual é a chave para a felicidade? É realista ser alegre, mesmo quando não temos vontade? É possível ser feliz diante de tantas dificuldades que estamos enfrentando?
 
Nossos sábios trazem uma resposta simples, mas extremamente profunda: "Quem é rico? Aquele que está feliz com sua porção" (Pirkei Avót 4:1). Isso nos ensina que, diferente do que a cultura ocidental prega, a felicidade não é um "acontecimento" gerado externamente, baseado em experiências emocionantes, nem uma "pílula mágica" que podemos ingerir quando queremos. Felicidade é um estado de espírito. Ao dominar a arte de apreciar e desfrutar conscientemente o que você já tem, você sempre estará feliz.
 
A Festa de Sucót é representada por duas importantes Mitzvót: habitar por uma semana em uma Sucá, uma cabana feita com uma cobertura temporária, completamente exposta às intempéries, e os Arbaat HaMinim, as quatro espécies agrícolas. Como estes "símbolos" nos ajudam a chegar a um estado de alegria?
 
A Torá declara: "Você deve habitar em cabanas por sete dias" (Bamidbar 23:42). Fora dos nossos confortos habituais, a Sucá muda nosso foco para anseios espirituais maiores, que definem nossa essência humana. É bom ter uma boa casa, um bom carro e boas roupas. Mas, às vezes, caímos no erro de considerar este mundo uma "morada permanente", ou seja, tratamos as atividades materiais como o propósito final da vida. Mover-se para uma habitação frágil e temporária, desprovida de confortos e conveniências, nos lembra que a verdadeira alegria interior é uma questão espiritual, que vem com o reconhecimento de que este mundo é temporário.
 
A capacidade de se elevar acima das considerações materiais é algo inerente ao povo judeu, um povo "errante", desarraigados de seus lares por milênios. Os judeus passaram a confiar na alegria mais profunda do mundo espiritual, independente das posses materiais.
 
Durante Elul, Rosh Hashaná e Yom Kipur, subimos uma escada espiritual, trabalhando para nos conectar com o "prazer supremo", de experimentar o espiritual e se conectar com D'us. No topo da escada está Sucót. Chegamos a uma realidade na qual não precisamos de ar condicionado ou de uma cama confortável, nem portas trancadas ou um sistema de alarme. Nós só queremos estar com D'us. E é isso que a Sucá nos proporciona.
 
Uma Sucá, para que seja Kasher, requer ao menos duas paredes inteiras e mais uma terceira parede parcial. Isto seria um paralelo de um braço, representado por uma parede inteira; o antebraço, representado pela segunda parede inteira; e uma mão, representada pela terceira parede parcial. Na Sucá, estamos completamente imersos nos braços de D'us. É como acampar sob as estrelas, conectando-se com algo além de nós mesmos. É estar exatamente onde queremos estar, totalmente cercados pela experiência alegre da conexão Divina.
 
Sucót é descrita como "A Festa da colheita, no final do ano, quando você recolhe seus produtos do campo" (Shemót 23:16). Explica o Rav Eliyahu Dessler zt"l (Império Russo, 1892 - Israel, 1953) que a justaposição da "alegria material" da colheita com a "alegria espiritual" de Sucót ensina que a alegria material deve ser um trampolim para a alegria espiritual. Porém, o segredo é que os prazeres materiais não devem ser o objetivo final. Em vez disso, utilizamos nossos bens materiais, como nosso dinheiro, carro ou casa, de maneira a elevá-los para um propósito maior. Dessa forma, esses dois elementos trabalham juntos, transformando nossa alegria em um nível mais alto e completo.
 
Este é um grande diferencial entre o judaísmo e outros caminhos espirituais. Ao longo da história, diversas abordagens foram propostas para o antagonismo entre o material, representado por atos mundanos como comer, dormir, ter relações íntimas, etc, e a iluminação espiritual que tentamos alcançar.
 
Vemos que o mundo acaba adotando como filosofia de vida os extremos. De um lado estão os ascetas, pessoa que rejeitam os prazeres materiais, dedicando-se a privações e flagelações, encarando o prazer físico como um "mal necessário" que deve ser evitado sempre que possível. São pessoas que escolhem se retirar e meditar sozinhas no topo de uma montanha. Em muitas religiões, o relacionamento íntimo é visto como uma expressão da natureza pecaminosa do ser humano e, portanto, a pessoa verdadeiramente "espiritual" deve permanecer celibatária. No outro extremo estão os hedonistas, pessoas cuja filosofia é defender a busca por prazeres como um propósito de vida, abraçando o materialismo como um fim por si só. As olimpíadas gregas, nas quais os competidores participavam nus, as festas romanas onde tudo era permitido e os esportes de gladiadores demonstram a idolatria do prazer material.
 
A Torá traça um caminho do meio, sem idolatrar nem rejeitar a realidade material. Elevando-se acima disso, a Torá vê o mundo físico como o portal para prazeres mais elevados e transcendentais, onde cada elemento e cada momento são revestidos com um potencial para despertar seu lado espiritual. Ao invés vez de negar e se retirar da vida material, a espiritualidade no judaísmo vem através da interação com o mundo material de forma que o eleva. Por exemplo, recitamos uma Berachá antes da comida, como meio de nos conectarmos ao espiritual. No Shabat nós bebemos vinho, não para ficarmos bêbados, e sim como uma forma de santificação.
 
De fato, o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) explica que o propósito do mundo material, como as riquezas e as ciências, é para fins de ações nobres, como a aquisição de sabedoria e refinamento de caráter. O Rav Chaim Volozginer zt"l explica o versículo "Conheça a D'us em todos os Seus caminhos" (Mishlei 3:6) como um comando para que os impulsos materiais sejam direcionados a um propósito elevado.
 
A colheita simboliza a ideia de que qualquer que seja nosso envolvimento nas atividades mundanas do cotidiano, seja interagindo com a família ou na fila do caixa do supermercado, podemos nos realinhar com essa grande verdade espiritual parando para nos perguntar: neste momento, o que posso fazer melhor para elevar o nível desta atividade? Será que consigo ser mais gentil ou mais paciente? Como posso incorporar mais pontos de reflexão e gratidão para elevar essa atividade a um nível espiritual mais alto?
 
Esta é a grande oportunidade de Sucót. Em um mundo cheio de distrações caóticas, Sucót é o leme espiritual para ajudar a navegar nas ondas tempestuosas, focando nosso olhar em dimensões mais profundas.
 

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