quinta-feira, 26 de maio de 2022

NADA MAIS COMPLETO QUE UM CORAÇÃO QUEBRADO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BECHUKOTAI 5782

O e-mail desta semana é dedicado à elevação da alma do meu querido e saudoso avô

MEIR BEN ELIEZER BARUCH Z"L



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  • Recompensas pela obediência.
  • Advertência e Passos de afastamento espiritual.
  • Punições por desobediência (5 séries de advertências).
  • Destruição e arrependimento.
  • Conclusão das advertências e consolo.
  • Avaliações de doações ao Kodesh.
  • Doações de animais e imóveis para o Mishkan e possível resgate.
  • Maasser de animais.
BS"D

NADA MAIS COMPLETO QUE UM CORAÇÃO QUEBRADO - PARASHÁ BECHUKOTAI 5782 (27/Mai/22)


Certa vez um jovem procurou um sábio para receber orientações sobre como agir diante das circunstâncias que se apresentavam em sua vida. Ao encontrar o sábio, expôs o problema:

- Gostaria de entender o que há de errado comigo. Desde criança eu sou o mais esforçado da minha família. Comecei a trabalhar desde muito cedo, ao contrário dos meus irmãos, que nunca fizeram nada, mas sempre recebiam uma atenção especial dos meus pais. Na escola, apesar de minhas notas sempre estarem entre as melhores, nunca recebi nenhum elogio dos meus professores, diferente de alguns colegas que eram mais populares e frequentemente recebiam ajuda para passar nas provas. Ontem, na empresa onde trabalho, meu colega foi promovido a supervisor, mas é a mim que todos os colegas, inclusive o recém-nomeado supervisor, recorrem quando querem tirar suas dúvidas. Por que o meu valor nunca é reconhecido?

O sábio deu um sorriso suave, olhou nos olhos do rapaz e disse, em um tom sereno e cheio de compreensão:

- Eu entendo que essas situações abalem você. Mas observe a natureza e você compreenderá o sentido de tudo isso. Na floresta, as maiores árvores são aquelas que foram desprezadas pelos lenhadores e, só por isso, puderam crescer até o limite de suas capacidades. Aquelas vistas como árvores de madeira nobre tiveram seu crescimento interrompido muito antes.

- Na vida o mesmo acontece - continuou o sábio - todo aquele que é exaltado desde muito cedo pelas suas capacidades se assemelha à árvore nobre que é cortada pelo machado do lenhador e ali estagna seu crescimento. Todo homem que é honrado pelo pouco que já possui considera esse pouco como uma grande fortuna e se acomoda, já não crescendo mais. Já aqueles que ainda não foram "descobertos" por seus tesouros seguem livres em seu crescimento, até que um dia, assim como as mais altas árvores, não poderão mais ocultar sua grandeza.

- Chegará o dia - concluiu o sábio - no qual você encontrará seu lugar. D'us coloca estas dificuldades em sua vida para que você não se acomode, não se sinta como um "hóspede" na jornada da vida e resolva permanecer ali, confortável e seguro. Enquanto o seu momento não chegar, siga aprimorando suas capacidades e busque dar o melhor de si em tudo o que fizer.

Ao ouvir essas palavras, o jovem acenou com a cabeça, demonstrando haver entendido o valor daquele conselho e, com um leve sorriso no rosto, agradeceu e partiu.

Nesta semana lemos a Parashá Bechukotai (literalmente "Nos Meus estatutos"), que nos ensina sobre as Brachót que recaem sobre o povo judeu quando andamos nos caminhos de D'us e as Klalót (maldições) quando nos afastamos dos caminhos Dele. Na verdade, tudo é parte da bondade de D'us que, como um pai, às vezes precisa nos castigar, por amor, quando percebe que estamos colocando nossa vida espiritual em risco.

No final da Parashá há dois versículos que chamam a atenção: "Eles então confessarão sua transgressão e a transgressão de seus pais, a traição com a qual Me trataram, e que também Me trataram com acaso. Então Eu também vou tratá-los com acaso" (Vayikrá 26:40,41). Estes versículos são difíceis de serem entendidos, pois eles vêm no fim da longa lista de Klalót. Os versículos começam falando sobre o Vidui, a confissão das transgressões, uma parte importante no processo de arrependimento, mas na continuação vemos que D'us continuará castigando o povo. Aparentemente o versículo está nos ensinando que D'us não aceitou o arrependimento do povo judeu. O que faltou para ser um arrependimento válido?

Explica o Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bie
lorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, que só o Vidui, sem um arrependimento completo, não tem absolutamente nenhum valor. Não devemos apenas confessar sobre os erros do passado, mas também assumir um compromisso futuro de conserto e melhoria dos nossos atos. Isso é chamado de "Kabalá Al HaAtid" (receber para o futuro), o compromisso de consertar futuramente nossos atos. Foi isso que faltou ao povo judeu.

Certa vez, durante a recitação das Selichót (Tefilá na qual pedimos desculpas a D'us pelas nossas transgressões), o Chafetz Chaim interrompeu de repente a Tefilá e disse: "Para que serve falarmos as Selichót, dizendo para D'us que pecamos contra Ele? Não está tudo revelado diante Dele? O principal das Selichót, portanto, é recebermos sobre nós o compromisso de não voltarmos aos mesmos erros". Com esta frase simples, o Chafetz Chaim conseguiu despertar todas as pessoas presentes em um arrependimento sincero.

Há outro ponto que também é fundamental para que o arrependimento seja completo e verdadeiro, que aparece justamente na continuação do versículo que falou sobre o Vidui: "Eu vou trazê-los de volta para a terra dos seus inimigos. Se, então, seu coração obstruído se tornar submisso, seus sofrimentos por sua transgressão serão apaziguados" (Vayikrá 26:41). Deste versículo percebemos que uma das partes mais importantes do arrependimento é a submissão do coração a D'us, isto é, o sentimento de humildade e coração quebrado.

Uma das principais causas dos erros que cometemos é a arrogância, o sentimento de superioridade. Explica o Rav Yitzchak Meir Rotenberg zt"l (Polônia, 1799 - 1866), mais conhecido como Chidushei Harim, que o ser humano se assemelha aos objetos de barro. Quando queremos tirar a impureza espiritual de um objeto de metal, o mergulhamos em uma Mikvê. Porém, quando queremos tirar a impureza espiritual de um utensílio de barro, a única forma é quebrá-lo. Assim também é o ser humano, a única forma de purificar o coração é quebrando-o.

O Talmud (Nedarim 38a), em nome do Rav Yochanan, traz uma preciosa lição: "D'us não repousa Sua Presença a não ser sobre alguém que é valente, sábio, rico e humilde". O Rav Shmuel Eliezer Eidels zt"l (Polônia, 1555 - 1632), mais conhecido como Maharsho, faz uma interessante pergunta: podemos entender que a Presença de D'us só repousa sobre alguém que tem sabedoria e humildade. Porém, por que valentia e riqueza são elementos necessários para que a Presença de D'us repouse sobre a pessoa?

A resposta é que as três características apontadas pelo Talmud são, na realidade, o motivo verdadeiro da humildade. Quando uma pessoa é fraca ou pobre, a humildade dela é apenas uma consequência natural das suas circunstâncias de vida. Portanto, não há nenhum mérito em sua humildade. Já aquele que é valente, rico e sábio, que tem todos os motivos para ser uma pessoa extremamente arrogante, mas mesmo assim consegue ser humilde, é sinal de que entendeu que todas as suas qualidades não têm nenhum valor perante a grandeza de D'us. Se esta pessoa chegou ao nível de humildade, certamente foi através de muita reflexão e introspecção. E como escolheu se subjugar perante D'us, merece que a presença de D'us repouse sobre ela.

A Parashá traz Klalót muito duras. Nossos sábios explicam que vale a pena todas estas Klalót se houver ao menos uma chance de, através disso, o povo judeu conseguir cumprir as palavras do versículo "Se, então, seu coração obstruído se tornar submisso". E se é tão querido por D'us um coração quebrado, mesmo quando é consequência de tantas e tão duras Klalót e castigos, maior ainda é o valor daquele que quebra seu coração mesmo sendo valente, rico e sábio, pois este nível de humildade veio através da reflexão sobre a grandeza de D'us e o quanto o ser humano é pequeno perante Ele.

A humildade é tão importante que é considerada a base para todas as outras qualidades espirituais, pois aquele que é humilde recebe uma ajuda Divina especial em seu crescimento. Em contraste, o arrogante não tem nenhuma ajuda Divina, como ensina o Rabeinu Yona (Espanha, século 12): "É uma abominação para D'us todo aquele que tem um coração orgulhoso. O orgulhoso é entregue nas mãos do Yetser Hará (má inclinação), pois D'us não o ajuda, já que ele é uma abominação".
 
Há um último ponto que explica a presença do traço de caráter da humildade justamente nas pessoas mais elevadas. A pessoa que é espiritualmente elevada está sempre preocupada em alcançar a perfeição espiritual e, por isso, quebra seu coração, olhando sempre para si mesma como se faltasse algo. As pessoas elevadas também estão sempre com medo de perder os níveis que já conquistaram. Portanto, mesmo aqueles que chegaram no nível de estarem "felizes com a sua porção" também têm um coração quebrado e humilde, pois quanto maior o nível espiritual de uma pessoa, maiores são os motivos de cuidado e preocupação para não perder as conquistas espirituais.
 
Certamente o maior ser humano que já passou pela face da Terra foi Moshé Rabeinu. E, não por coincidência, também foi o mais humilde. Justamente por causa de sua grandeza ele tinha medo de perder seu elevado nível espiritual e, ao mesmo tempo, estava sempre preocupado em alcançar os níveis que ainda não havia atingido em seu Serviço a D'us. Este medo e preocupação faziam de Moshé um homem extremamente humilde.
 
Esta é uma das principais lições da nossa Parashá: D'us ama aqueles cujo coração é humilde. De todas as qualidades, certamente a humildade é uma das mais importantes no nosso crescimento espiritual. Faça seu trabalho com toda a força, o melhor que puder, e sempre com humildade. Pois mesmo quando as pessoas não reconhecem, D'us está acompanhando todo o seu esforço e sua dedicação.  
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 19 de maio de 2022

ADIVINHA QUEM ESTÁ NO COMANDO? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHAR 5782

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  • Shmitá (O Ano Sabático).
  • Yovel (Jubileu) e o toque do Shofar em Yom Kipur.
  • Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Onaat Devarim).
  • Venda e Resgate da terra em Israel.
  • Casas em cidades muradas.
  • Casas nas Cidades dos Leviim.
  • Ajuda aos necessitados.
  • Leis dos escravos.
  • Resgate dos escravos que estão nas mãos de Goim.
BS"D

ADIVINHA QUEM ESTÁ NO COMANDO? - PARASHÁ BEHAR 5782 (20/Mai/22)


Em um voo de New York para Miami, um rabino queria levar um Sefer Torá que seria usado nas Grandes Festas. Como é de se imaginar, viajar carregando um Sefer Torá é, por um lado, uma grande honra, mas também uma imensa responsabilidade. Na véspera do voo, o rabino tentou ligar para a companhia aérea, pois queria ter certeza de que eles permitiriam transportar o Sefer Torá dentro do avião, sem precisar despachá-lo como se fosse uma bagagem, pois junto com as outras malas a devida honra do Sefer Torá não estaria sob seu controle. Depois de esperar por quase uma hora na linha, não conseguiu falar com nenhum responsável. Ele decidiu que iria descobrir isso no próprio aeroporto na manhã seguinte. Na pior das hipóteses, um amigo o acompanharia até o aeroporto e levaria a Torá de volta caso a companhia aérea não permitisse o embarque com o Sefer Torá.

Quando o rabino chegou ao aeroporto e fez o Check-in no celular, ele recebeu uma notificação, perguntando se gostaria de fazer um upgrade para a área "Comfort" do avião. Ele nunca havia recebido um upgrade antes e prontamente aceitou. E, de fato, logo seu assento foi alterado, de 26B para 11C, na área "Comfort".
 
- Será que é por causa do Sefer Torá? - pensou o rabino, um pouco assustado com a "coincidência".

Com o cartão de embarque na tela do celular, o rabino foi direto para a segurança, esperando que ninguém causasse nenhum problema com aquele enorme Sefer Torá. E assim aconteceu, ele passou sem absolutamente nenhum comentário dos seguranças, apenas uma rápida verificação no Raio-X. Logo o rabino estava se encaminhando ao portão de embarque. Naquele momento, só faltava mostrar o cartão de embarque, passar pelo funcionário que controlava o embarque e entrar no avião.
 
Como o rabino estava sentado na área "Comfort", ele pôde fazer o embarque prioritário. Quando estava segurando o celular para que o código de barras fosse escaneado, ele percebeu que repentinamente o código de barras havia desaparecido! Um pouco nervoso, ele perguntou para a aeromoça o que havia acontecido. Ela também não sabia, mas informou que seria necessário reemitir o cartão de embarque. Quando o cartão foi reemitido, para a surpresa do rabino, um novo assento havia sido selecionado: 1B, na Primeira Classe, o primeiro assento do avião! Era o segundo upgrade, no mesmo voo, para uma pessoa que nunca havia recebido nenhum upgrade antes na vida.
 
Naquele momento já não havia mais dúvidas, era óbvio: não era o rabino, era o Sefer Torá. O rabino então entendeu as duas mensagens Divinas. Em primeiro lugar, a Torá deve sempre viajar de Primeira Classe. Além disso, D'us controla cada pequeno detalhe das nossas vidas, até mesmo o lugar onde vamos viajar no avião.

Nesta semana lemos a Parashá Behar (literalmente "Na montanha"), que traz algumas Mitzvót importantes, como a Shemitá (Ano Sabático), o Yovel (Jubileu), a proibição de causar sofrimentos ao próximo nas questões monetárias, a venda de terras em Eretz Israel e o escravo judeu.
 
A Parashá começa com a enigmática Mitzvá de Shemitá, a obrigação do povo judeu de descansar suas terras a cada 7 anos. O descanso inclui a proibição de arar, semear, irrigar e outras atividades relacionadas com a agricultura, além da proibição de ter proveito financeiro de qualquer fruto do campo.
 
À primeira vista, a Mitzvá de Shemitá parece ser uma restrição severa demais. Os judeus estavam sendo informados por Moshé que eles não poderiam trabalhar seus campos por um ano inteiro. Era uma época em que o principal sustento do povo vinha justamente do trabalho na terra. Além disso, o produto crescido na terra naquele ano não pertenceria por direito a nenhum indivíduo, pois todas as terras e seus produtos deveriam ser considerados "Hefker" (livres, sem dono), não sendo propriedade oficial de ninguém além de D'us.

Mas qual é a motivação que está por trás desta enigmática Mitzvá? Além disso, por que está relacionada especificamente com o sétimo ano? E, finalmente, como os judeus se sustentariam durante o ano de Shemitá?

Explica o Rav Mordechai Katz que a chave para a resposta de todos estes questionamentos está no significado do número sete. Este número aparece na vida judaica com grande frequência. Por exemplo, o Faraó sonhou com sete vacas gordas e sete vacas magras. Yehoshua circundou as muralhas da cidade de Yerichó sete vezes antes de conquistá-la. Vários sacrifícios exigiam que o Cohen mergulhasse o dedo no sangue e aspergisse sete vezes. O noivo e a noiva comemoram seu casamento com sete bênçãos ("Sheva Berochót"), e o enlutado se abstém de atividades públicas por sete dias, quando permanece em casa, um período conhecido como "Shivá".

Porém, talvez o principal exemplo da importância do número sete no judaísmo é o Shabat, que ocorre no sétimo dia da semana. Isso é baseado no fato de D'us ter criado o mundo em seis dias e ter "descansado" no sétimo dia. Em reconhecimento que Ele é o Criador do mundo e tem controle sobre todas as áreas, nós descansamos no sétimo dia, isto é, deixamos de fazer atividades criativas. Isso nos relembra que nossas almas são de natureza espiritual e que nosso objetivo é retornar ao nosso estado original de descanso espiritual.
 
A Shemitá, o descanso do sétimo ano, tem uma natureza semelhante. Permitimos que a terra descanse e permaneça em repouso no sétimo ano como um reconhecimento de que todas as nossas posses materiais, como terras, casas, dinheiro e até mesmo nossa própria liberdade pessoal, todos estão, em última instância, sob o controle de D'us. Nunca devemos nos deixar iludir e pensar que realmente possuímos algo e que temos controle total sobre nossas vidas. Afinal, não levaremos nada conosco quando partirmos deste mundo. Tudo o que possuímos nos é dado como uma posse temporária, para utilizarmos ao máximo para o bem. Nos é confiado dinheiro, mas apenas como um empréstimo, e devemos utilizá-lo para cumprir Mitzvót, manter a Torá e ajudar os pobres. Nos é permitido adquirirmos terras, mas é apenas uma propriedade passageira, e devemos dividir nossas colheitas com os necessitados. Se nos esquecermos de que somos apenas guardiões temporários das nossas posses, no final acabaremos esquecendo a Onipotência de D'us. O ano de Shemitá, durante o qual renunciamos à nossa propriedade sobre a terra, é uma garantia de que nos lembremos constantemente disso.
 
Esta lição é repetida diversas vezes na nossa Parashá. Quando falamos sobre a venda de terras em Israel, na verdade trata-se de uma venda temporária, pois no ano do Yovel as terras voltam aos seus donos originais, como está escrito: "A terra não deve ser vendida de forma definitiva, pois a terra é Minha" (Vayikrá 25:23). Além disso, os escravos judeus comprados também deveriam ser libertados após 6 anos de trabalho ou quando chegava o ano do Yovel. Era novamente o ensinamento de que nenhuma posse do mundo material é definitiva, tudo é passageiro.

Mas o que a pessoa deve fazer durante este ano de Shemitá? Se ela não tem a posse do seu campo e dos produtos que crescem dele, como fará para viver? De onde virá o seu sustento? No ano de Shemitá o ser humano chega à conclusão de que seu sustento precisa vir da única fonte de onde todo o sustento realmente vem: de D'us. O crescimento das colheitas durante os seis anos também foram consequência da bondade de D'us. A Torá garante que, se a pessoa merecer, a produção do sexto ano será tão farta que será suficiente para alimentá-lo também no sétimo e no oitavo anos. A Emuná da pessoa, sua confiança plena em D'us, lhe dará a paz de espírito para saber que a ajuda chegará. Alguém que realmente acredita no controle de D'us sobre o mundo não terá dificuldade em acreditar na habilidade Dele de lhe fornecer sustento.

Explicam nossos sábios que o mundo inteiro é sustentado pela benevolência de D'us. Infelizmente, nem todos desenvolvem este senso de Emuná. Nossa falta de Emuná pode ser comparada a um homem rico que pediu a certo rabino que verificasse se sua vaca havia sido abatida da forma correta. O rabino verificou e aprovou o abate, e o homem rico confiou na autoridade do rabino para consumir a carne daquele animal. Algum tempo depois, o mesmo rabino visitou aquele homem para pedir-lhe uma Tzedaká para uma viúva com três crianças que precisavam de dinheiro para continuar vivendo. O homem, apesar de ter muito dinheiro, acabou não ajudando nada. Ele confidenciou a um amigo que não havia ajudado pois não tinha certeza se a história do rabino era realmente verdadeira. O amigo disse com tristeza: "Você confiou nas palavras dele quando ele disse que a carne era kasher, mas você tem dúvida quando ele pede ajuda aos pobres? Afinal, você confia nele ou não confia?".

Da mesma forma, nós também não podemos ser hipócritas. Não podemos dizer que acreditamos que D'us criou e controla todo o mundo e, ao mesmo tempo, duvidar que Ele nos ajudará a termos sustento se merecermos. Aquele que tem Emuná em D'us deve demonstrá-la em todos os momentos, em especial quando somos testados. Nenhum homem levanta um dedo aqui embaixo sem uma proclamação prévia vinda lá de cima, como nos ensina David HaMelech: "Os passos do homem são direcionados por D'us" (Tehilim 37:23). Se tivermos esta confiança, viveremos mais tranquilos, sem questionamentos e angústias, pois saberemos que o Dono de tudo está cuidado de nós a cada instante, e nos mandando sempre o melhor.
 

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R' Efraim Birbojm

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