sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

PLANTANDO SEMENTES PELA VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAISHLACH 5781

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
  
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT

PARASHAT VAISHLACH




São Paulo: 18h22                  Rio de Janeiro: 18h07 
Belo Horizonte: 18h03                  Jerusalém: 16h00
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
VÍDEO DA PARASHAT VAISHLACH
ASSUNTOS DA PARASHAT VAISHLACH
  • Yaacov envia mensageiros.
  • Yaacov teve medo e se prepara para o reencontro com Essav.
  • Yaacov fica sozinho.
  • A luta com o anjo.
  • Yaacov encontra Essav.
  • Chegada a Shechem, Diná é sequestrada e desonrada.
  • Shimon e Levi vingam a honra da irmã, Yaacov fica furioso.
  • Yaacov viaja para Beth El.
  • A morte de Rivka e Dvora.
  • D'us muda o nome de Yaacov para Israel.
  • Rachel tem mais um filho: Biniamin.
  • A morte de Rachel e o enterro no caminho, em Beth Lechem.
  • A morte de Itzchak.
  • A Linhagem de Essav, de Seir e reis de Edom.
BS"D

PLANTANDO SEMENTES PELA VIDA - PARASHAT VAISHLACH 5781 (04 de dezembro de 2020)


"Reuven trabalhava em uma fábrica que ficava na cidade vizinha. Todos os dias ele pegava o ônibus e viajava por cerca de cinquenta minutos até o trabalho. No fim da tarde, ele fazia o mesmo trajeto de volta para a casa. A viagem era muito tranquila e Reuven aproveitava para relaxar um pouco. Mas havia no ônibus algo curioso que acontecia todos os dias e que começou a incomodá-lo. No ponto seguinte ao que ele subia, entrava sempre uma velhinha. Assim que subia no ônibus, ela procurava sempre sentar em uma das janelas. E todos os dias ela repetia a mesma atitude estranha: ela abria a bolsa, tirava um pacotinho e passava a viagem inteira atirando alguma coisa para fora do ônibus através da janela. Certo dia, Reuven fez questão de sentar-se ao lado da velhinha. Assim que ela começou o seu "ritual", ele não resistiu e disse:

- Boa tarde. Desculpe a curiosidade, mas o que a senhora está jogando pela janela?

- Boa tarde - respondeu a velhinha, de forma muito simpática - Jogo sementes de flores. É que eu viajo neste ônibus todos os dias e, quando olho para fora, acho a estrada tão cinzenta e vazia. Gostaria de poder viajar vendo flores coloridas por todo o caminho. Imagine como seria bom...

- Mas a senhora não acha que é um desperdício? - interrompeu Reuven - A maioria das sementes deve cair no asfalto, sendo esmagadas pelos carros ou devoradas pelos passarinhos!

- O senhor tem razão - disse a velhinha, com muita paciência - Mas acredito que mesmo muitas sendo perdidas, algumas acabam caindo na terra e, com o tempo, vão brotar. Mesmo que demorem para crescer e precisem de água, serão irrigadas pelas chuvas e crescerão no momento certo.

Dizendo isso, a velhinha virou-se para a janela aberta e recomeçou seu "trabalho". Reuven desceu do ônibus pouco tempo depois, achando que a velhinha já estava meio "caduca" e que não valia a pena discutir com ela.

O tempo passou. Certo dia, sentado à janela, Reuven olhou para fora e reparou nas belas margaridas, hortênsias e rosas na beira da estrada. A paisagem estava colorida, linda. O homem lembrou-se da velhinha, mas procurou-a no ônibus e não a encontrou. Perguntou ao cobrador, que conhecia todos os passageiros, mas foi informado que ela havia falecido de pneumonia no mês anterior. Chocado com aquela notícia, Reuven voltou ao seu lugar e continuou olhando a paisagem florida pela janela. Pensou consigo mesmo: "Quem diria, as flores brotaram mesmo! Mas de que adiantou o trabalho da velhinha, se ela faleceu sem ver o resultado?".

Naquele instante, Reuven escutou uma risada de criança. No banco da frente, um garotinho apontava pela janela, entusiasmado, e dizia: "Olha, mãe, que lindo, quantas flores pela estrada!". Reuven então entendeu o que a velhinha tinha feito. Mesmo não estando ali para contemplar as flores que havia plantado, a velhinha havia feito a sua parte, ela tinha deixado um presente maravilhoso para as outras pessoas.
 
No dia seguinte, Reuven entrou no ônibus de manhã e fez questão de sentar-se ao lado de uma janela. Ele tirou um pacotinho de sementes do bolso e começou, com um enorme sorriso no rosto, a atirá-las pela janela..."
 
Precisamos parar de pensar somente em nós mesmos, no nosso próprio benefício, e começar a pensar em plantar no mundo coisas que os outros também poderão colher.

Nesta semana lemos a Parashat Vaishlach (literalmente "E enviou"). A Parashat começa com a volta de Yaacov para casa, depois de 20 anos trabalhando na casa de seu tio Lavan. Ele havia ido para Padan Aram sozinho, sem bens, e voltava agora com um verdadeiro acampamento, com 4 esposa e 12 filhos, além de muitos animais, empregados e dinheiro. Mas havia algo que preocupava muito Yaacov: como seria o reencontro com seu irmão Essav? Seria um momento feliz, ou uma batalha de vida ou morte? Ele confiava plenamente em D'us, mas também fez todos os preparativos necessários. Yaacov rezou muito, pedindo para que D'us o protegesse e evitasse uma luta sangrenta; dividiu o acampamento em dois, para garantir a continuidade do povo judeu, pois caso Essav atacasse um acampamento, o outro se salvaria; e mandou presentes, centenas de animais, para apaziguar seu irmão, pois sabia o quanto ele sentia desejo por bens materiais.
 
Felizmente os dois irmãos se abraçaram e choraram, e o reencontro terminou em paz. Essav convidou Yaacov para que viajassem juntos, mas Yaacov não aceitou, argumentando que tinha muitas crianças e animais pequenos, cujo passo lento atrasaria o grupo, e por isso sugeriu que Essav fosse na frente. No final, cada um seguiu o seu caminho, pois enquanto Essav voltou para a Terra de Seir, Yaacov foi viver na cidade de Shechem, como diz o versículo: "E Yaacov chegou intacto à cidade de Shechem, que está na Terra de Knaan, quando veio de Padan Aram. E acampou diante da cidade" (Bereshit 33:18)

Este versículo desperta um grande questionamento, pois descreve muitos detalhes que são aparentemente desnecessários. Em primeiro lugar, o que significa que Yaacov chegou intacto à cidade de Shechem? Além disso, por que a Torá precisou relembrar, justamente neste momento, que Yaacov estava vindo de Padan Aram? E, finalmente, por que a Torá precisou ensinar que Yaacov acampou diante da cidade de Shechem?

Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que a Torá está ressaltando que Yaacov, apesar de ter passado por muitos testes e perigos, havia sido protegido por D'us e estava intacto em três aspectos. Ele estava intacto em seu corpo, pois D'us o havia curado do ferimento causado durante a luta com o anjo de Essav. Ele também estava intacto em relação ao seu dinheiro, pois apesar de ter mandado muitos presentes para apaziguar Essav, seus animais haviam dado à luz muitos filhotes, repondo tudo o que ele havia perdido. E, finalmente, ele também estava completo com sua Torá, pois apesar de ter passado 20 anos na casa de Lavan, um homem trapaceiro e idólatra, e da viagem cansativa, ele não tinha esquecido nenhum dos seus conhecimentos de Torá.

Por que a Torá relembrou justamente neste momento que Yaacov tinha vindo de Padan Aram? Rashi explica que é como uma pessoa que diz ao seu companheiro: "Aquela pessoa estava no meio dos dentes do leão, mas voltou em segurança". Yaacov, apesar de tantos anos vivendo em um lugar espiritualmente e fisicamente tão nocivos e prejudiciais, comparado aos dentes de um leão, recebeu uma proteção especial de D'us e voltou intacto, um grande milagre.

Finalmente, o Talmud (Shabat 33b) afirma que quando Yaakov acampou diante de Shechem, ele decidiu que precisava fazer algo pelo bem estar da cidade. O Talmud traz três opiniões sobre qual foi o benefício que ele trouxe para Shechem: de acordo com uma opinião, ele cunhou moedas, facilitando o comércio. Segundo outra opinião, ele estabeleceu mercados, facilitando a compra e venda de mercadorias. E de acordo uma terceira opinião, ele montou casas de banho, dando aos moradores mais qualidade de vida. O ponto em comum entre as três opiniões é que Yaacov se importou com os habitantes de Shechem e quis contribuir de alguma maneira. Mas por que Yaacov se preocupou tanto em dar alguma contribuição para a cidade de Shechem?

O Midrash ensina que sempre que recebemos algum benefício de uma cidade, devemos mostrar nossa gratidão fazendo algo pelo bem estar de seus habitantes. Como Yaacov e sua família haviam sido bem recebidos pelos habitantes de Shechem, então ele quis contribuir de maneira que trouxesse melhorias para a cidade.

O Rav Chaim Shmulevitz zt"l (Bielorrússia, 1853 - Polônia, 1918) explica que este princípio também se aplica a outras áreas da vida, pois sempre devemos fazer algo de bom para retribuir as bondades recebidas. Ele cita como exemplo um rapaz que vai estudar em uma Yeshivá, um local de muito crescimento espiritual e amadurecimento. Embora os alunos normalmente não são capazes de ajudar na manutenção e nos altos gastos de uma Yeshivá, eles podem ajudar no aprimoramento espiritual do lugar. Como? Principalmente servindo de exemplo para os outros alunos. Eles devem vir para as Tefilót e para os Shiurim na hora certa, para que os outros se inspirem e façam o mesmo. Eles devem se cuidar de não falar Lashon Hará, para que os outros alunos sigam sua conduta. Eles devem ser extremamente respeitosos com seus colegas de quarto, para que os outros alunos aprendam com eles. Assim, eles estarão contribuindo para que a Yeshivá possa crescer.
 
Também podemos usar este conceito para as nossas vidas. Devemos sempre estar muito agradecidos por estarmos vivos e, portanto, devemos nos esforçar para deixarmos a nossa contribuição ao mundo. Viemos ao mundo para fazer a diferença, para deixar a nossa marca. Mas se engana aquele que pensa que, para deixar a nossa marca, precisamos ser artistas famosos, presidentes de uma grande empresa ou grandes rabinos da geração. Na maioria das vezes, podemos deixar a nossa marca através de pequenas atitudes do cotidiano, as pequenas "sementes" que plantamos pelos caminhos da vida. Mesmo que aparente que não estamos fazendo diferença para ninguém, se formos perseverantes e não permitirmos que a falta de resultados imediatos nos desmotive, certamente chegaremos lá.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l, Reuven ben Alexander z"l, Mechel ben Haim z"l, Yaacov ben Israel z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

NÃO DESTRUA SEUS MÉRITOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIETSE 5781

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
  
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT

PARASHAT VAIETSE




São Paulo: 18h17                  Rio de Janeiro: 18h03 
Belo Horizonte: 17h59                  Jerusalém: 16h00
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
VÍDEO DA PARASHAT VAIETSE
ASSUNTOS DA PARASHAT VAIETSE
  • Saída de Yaacov de Beer Sheva.
  • A visão de Yaacov.
  • Yaacov encontra Rachel e chora.
  • 7 anos de trabalho por Rachel.
  • A enganação de Lavan.
  • Após 7 anos de trabalho, Yaacov se casa com Lea.
  • Yaacov se casa com Rachel e trabalha mais 7 anos por ela.
  • Lea tem 4 filhos: Reuven, Shimon, Levi, Yehuda.
  • Yaacov se casa com Bilá, escrava de Rachel.
  • Bilá tem 2 filhos: Dan e Naftoli.
  • Yaacov se casa com Zilpá, escrava de Lea.
  • Zilpá tem 2 filhos: Gad e Asher.
  • Lea tem mais dois filhos: Issachar e Zevulun.
  • Lea tem uma filha: Diná.
  • Rachel tem um filho: Yossef.
  • Yaacov trabalha mais 6 anos para Lavan.
  • Lavan tenta enganar Yaacov.
  • Yaacov decide voltar.
  • Lavan persegue Yaacov e o alcança.
  • O Tratado de Yaacov e Lavan.
BS"D

NÃO DESTRUA SEUS MÉRITOS - PARASHAT VAIETSE 5781 (27 de novembro de 2020)

 
"Um dos alunos do Beth Medrash Govoha, em Lakewood, tinha o privilégio especial de levar diariamente ao Rosh Yeshivá, o Rav Aharon Kotler zt"l (Bielorússia, 1891 - EUA 1962), uma xícara de café de manhã. Certo dia, alguns minutos depois de ter colocado o café na mesa do rabino, o aluno passou pelo escritório e percebeu que a xícara estava intocada. Ele entrou, retirou a xícara de café frio e voltou com outro café bem quente, presumindo que o rabino tinha simplesmente esquecido de beber o café porque ele estava absorto nos estudos. Porém, vários minutos depois, ele passou de novo pelo escritório e notou que outra vez o café havia permanecido intocado. Naquele momento o aluno entendeu que não era apenas uma questão de estar concentrado nos estudos, deveria ter algum outro motivo. Com cuidado para não ofender o rabino, perguntou:
 
- Rav, desculpe, mas o senhor não vai tomar o seu café? Todos os dias o Rav toma rapidamente o café assim que eu trago, mas hoje eu já trouxe o café duas vezes e o Rav ainda não bebeu. Aconteceu algo?
 
- Vou compartilhar meus pensamentos com você - respondeu o Rav Aharon, com o rosto sério - Um casal conhecido está interessado em um ex-aluno da Yeshivá para casar com a filha deles. É muito provável que eles vão me ligar para perguntar sobre o rapaz. Porém, isto será um enorme problema. Ele não é um bom rapaz e louvá-lo com atributos que ele não possui é proibido pela Torá. Primeiro por ser mentira, e segundo por eu não estar me importando com possíveis danos que serão causados à outras pessoas, já que traços de caráter negativos acabam levando à discórdia e até mesmo ao divórcio, e isso seria responsabilidade de quem reteve as informações verdadeiras. Por isso, o correto seria falar a verdade, que ele não é um bom rapaz. Por outro lado, não me sinto confortável em divulgar meus verdadeiros sentimentos, pois sempre existe a possibilidade de que, uma vez casado, o rapaz amadureça, mude e o casal seja feliz. Minhas observações podem, portanto, fazer fracassar um potencial casal.
 
- É realmente um dilema difícil que estou enfrentando - continuou o Rav Aharon - Por isso, decidi que este dia seria um dia de jejum e Tefilót para Hashem, para que Ele me faça uma bondade e me livre deste telefonema, que pode resultar, D'us nos livre, em Lashon Hará. Como estou em jejum, não tomei o café que você trouxe"
 
Devemos nos inspirar com a atitude do Rav Aharon Kotler e seu cuidado antes de proferir cada palavra. Se medirmos as consequências das palavras e os danos que podemos causar, certamente seremos mais cuidadosos.

Nesta semana, lemos a Parashat Vaietse (literalmente "E saiu"), que descreve a fuga de Yaacov. Ele precisou sair de casa para escapar de seu irmão Essav, que queria matá-lo. Yaacov aproveitou a oportunidade para também procurar uma esposa que fosse da família de sua mãe. Por isso ele foi para a casa de Lavan, seu tio, onde encontrou sua prima Rachel e percebeu que seria com ela que ele construiria o futuro do povo judeu.

No meio do caminho, Yaacov deitou-se em um lugar sagrado, onde futuramente seria construído o Templo, e teve um sonho profético, de uma escada que ia até o céu, com anjos subindo e descendo, e no topo D'us, que garantiu a Yaacov que o acompanharia em sua jornada. Yaacov, ao acordar daquele sonho incrível, fez uma promessa, como está escrito: "Se D'us estiver comigo e me mantiver no caminho que eu vou... Então esta pedra que eu coloquei como monumento será uma casa de D'us" (Bereshit 28:20,22). Mas o que exatamente Yaacov estava pedindo para D'us quando disse "se me mantiver no caminho que eu vou"?

Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que o pedido de Yaakov era para que D'us o protegesse de falar Lashon Hará (maledicência). Mas por que justamente neste momento Yaacov sentiu a necessidade de fazer este pedido a D'us? E isto este era o mais importante para pedir a D'us em um momento de tanta espiritualidade?

Estas perguntas, na realidade, surgem por uma falha no nosso entendimento sobre o quão grave é a transgressão de Lashon Hará. O Lashon Hará é a transmissão verbal, escrita ou até mesmo por sinais, de qualquer tipo de informação que pode causar danos ao outro, tanto físicos quanto psicológicos ou espirituais. O Lashon Hará pode humilhar, destruir a autoestima de uma pessoa, causar ódio e desunião. Porém, apesar disso, muitos justificam suas palavras de Lashon Hará, dizendo: "mas foi apenas um comentário, que mal tem?". Por isso, acabamos não dando o devido peso a esta transgressão que, infelizmente, está tão presente em nossas vidas.
 
Para entender um pouco melhor o peso desta transgressão, nossos sábios ensinam que nosso Primeiro Templo foi destruído por causa da idolatria, do derramamento de sangue e de relações ilícitas, mas 70 anos depois ele foi reconstruído. Já o Segundo Templo foi destruído há quase dois mil anos por causa do Lashon Hará e do ódio gratuito, mais ainda não tivemos o mérito de reconstruí-lo. Desta maneira, D'us está nos ensinando que o Lashon Hará e o ódio gratuito carregam a gravidade das três piores transgressões, com o agravantes de ser algo interno, difícil de ser mudado e consertado. Quando alguém chega ao absurdo de assassinar outra pessoa em um momento de impulsividade, como em uma briga, certamente sentirá remorso por toda a vida. Porém, uma pessoa pode falar Lashon Hará a vida inteira, estragando a vida dos outros, sem sentir nenhum arrependimento.

O Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, explica que há alguns motivos que justificam o comportamento de Yaakov, de rezar para que D'us o protegesse do Lashon Hará justamente naquele momento em que estava se dirigindo à casa de Lavan. Em primeiro lugar, uma pessoa que se encontra em uma situação de perigo depende da Misericórdia Divina para poder se salvar. Quando nos encontramos em situações de perigo físico, devemos ser especialmente cuidadosos para não falar Lashon Hará, pois o Lashon Hará é algo tão desprezado por D'us que pode desencorajá-Lo de estender Sua ajuda a nós. Yaacov sabia que estava se dirigindo ao encontro de uma pessoa egoísta, desonesta e trapaceira, que não media esforços para conseguir o que queria. Ele sabia que corria até mesmo perigo de vida durante a convivência com Lavan e queria manter seus méritos espirituais para poder ser salvo.
 
Yaacov estava certo e sua preocupação se confirmou quando ele resolveu voltar para casa. Lavan o perseguiu e o alcançou, com intenção de matá-lo. Se não fosse a intervenção Divina, talvez Lavan teria conseguido realizar seu intento. Yaakov rezou para ser salvo de falar Lashon Hará pois sabia que isto o ajudaria a se proteger dos perigos físicos que certamente encontraria.
 
Além disso, somos seres sociais, muito influenciados pelas pessoas à nossa volta. É por isso que nossos sábios nos ensinam: "Se afaste de um mau vizinho e não se junte a um perverso" (Avót 1:7). Devemos escolher muito bem quem são as pessoas à nossa volta, pois elas nos influenciam, diretamente e indiretamente. Mas muitas vezes não temos escolha, como aconteceu com Yaacov, que precisava conviver com Lavan e os outros trapaceiros da região por algum tempo. E as más influências deixaram claro, já no momento em que Yaacov chegou em Haran, que o assombrariam. Logo que entrou na região, Yaacov encontrou os pastores da cidade reunidos, no meio da tarde, sentados ao lado do poço de água, sem trabalhar, enganando seus patrões. Certamente era um lugar onde as pessoas não se importavam com a honra dos outros, um lugar onde as más línguas não tinham nenhum tipo de freio. Como Yaacov sabia que não estava acima das influências externas, ele rezou para que D'us o protegesse daquelas más influências.
 
Finalmente, uma das principais causas do Lashon Hará é quando nos sentimos prejudicados por outra pessoa. Quando fomos enganados ou lesados, achamos que o Lashon Hará é normal e justificável. Yaacov sabia que teria que lidar com trapaceiros, que fariam de tudo para enganá-lo. E foi o que realmente aconteceu, durante todo o tempo no qual Yaacov trabalhou para Lavan, seu salário foi sendo mudado centenas de vezes. Neste tipo de situação, corremos um risco maior de tropeçarmos no Lashon Hará. Portanto, quando sentimos que estamos correndo o risco de falar mal de outra pessoa, devemos rezar para que D'us nos salve do Lashon Hará. Por todos estes motivos, Yaacov entendeu que, antes de ir para a casa de Lavan, rezar para não falar Lashon Hará era o pedido mais importante a se fazer naquele momento.
 
Obviamente que este tipo de Tefilá é muito importante na nossa luta para evitarmos o Lashon Hará. Porém, não é suficiente apenas rezarmos para D'us. Devemos pedir a Ele proteção espiritual contra todas as transgressões, mas também devemos fazer a nossa parte. E uma das principais ferramentas para derrotarmos o Yetser Hará é o estudo da Torá. O Chafetz Chaim explica que muitos tropeçam em Lashon Hará por não estudarem e não conhecerem as leis. Ao terem sua atenção chamada por falarem Lashon Hará, muitos se defendem, dizendo: "mas é verdade o que eu falei". Se a pessoa tivesse estudado, saberia que mesmo dizendo apenas a verdade, ainda assim não escapamos do Lashon Hará, caso estejamos denegrindo e manchando a imagem dos outros.
 
Este foi um dos motivos pelos quais Yaacov, antes de ir para a casa de Lavan, passou 14 anos estudando na Yeshivá dos descendentes de Noach. O estudo da Torá traz dois benefícios: a purificação espiritual e o conhecimento do que é certo e o que é errado. Yaacov se preparou, através do estudo da Torá, para saber lidar com as malandragens de Lavan sem tropeçar junto. E assim devemos nos comportar, nos controlando, mesmo quando os outros tentem nos enganar e nos fazer mal. O Lashon Hará não destrói apenas a vida dos outros, mas também a nossa própria alma, que fica manchada, e desagrada a D'us. Por isso, devemos estudar muito e nunca esquecer de rezar, implorando a D'us que nos ajude a escaparmos desta terrível e destruidora transgressão.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l, Reuven ben Alexander z"l, Mechel ben Haim z"l, Yaacov ben Israel z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp