sexta-feira, 27 de julho de 2018

MITZVÓT COM INTENÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAETCHANAN 5778

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MITZVÓT COM INTENÇÃO - PARASHAT VAETCHANAN 5778 (27 de julho de 2018)

"Após o final da Amidá de Shacharit (reza da manhã), o rabino Levi Yitzchak de Berdichev zt"l (Polônia, 1740 - Ucrânia, 1810) se aproximou de alguns frequentadores e os cumprimentou, dando uma Brachá (benção) de boas vindas a eles. Todos se olharam, assustados, sem entender o estranho comportamento do rabino. As pessoas para quem ele tinha dado as boas vindas eram frequentadores há muitos anos da sinagoga e não tinham ido viajar. Então por que o rabino tinha ido pessoalmente a cada um deles dar boas vindas? Vendo a expressão de confusão no rosto das pessoas, o rabino explicou:

- Por favor, não estranhem minha atitude. Eu me senti na obrigação de dar boas vindas, pois, afinal, eles acabaram de voltar de viagem. Enquanto eles estavam rezando a Amidá, suas mentes estavam vagando, viajando por outros lugares. Eles estavam ocupados, pensando nos seus negócios e nas mercadorias que serão vendidas nas feiras que ocorrem em outras cidades. Por isso, quando eles terminaram a Amidá, eles saíram das feiras distantes onde eles se encontravam e voltaram para cá. Foi por isso que eu corri e dei boas vindas a eles, pois sempre que uma pessoa volta de viagem, devemos recebê-la com Brachót de boas vindas".


Infelizmente, por causa da pressão do nosso cotidiano, acabamos cumprindo as nossas Mitzvót, em especial a Mitzvá de Tefilá (reza), sem Kavaná (intenção). Por isso é muito importante, antes de cumprirmos cada Mitzvá, pararmos por alguns instantes, concentrados, para nos conscientizarmos do ato que estamos prestes a fazer

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Nesta semana lemos a Parashat Vaetchanan (literalmente "E eu supliquei"), que traz alguns assuntos muito importantes, tais como os parágrafos iniciais do Shemá Israel e a repetição dos 10 Mandamentos. A Parashat termina com as seguintes palavras: "E guardará a Mitzvá, as leis e os decretos que Eu ordeno a vocês hoje, para fazê-los" (Devarim 7:11). O Talmud (Eiruvin  22a) estuda este versículo de uma maneira um pouco diferente. As palavras finais podem ser lidas em um novo contexto: "Hoje é para fazê-los". O Talmud aprende destas palavras que "Hoje é para fazê-los, e não amanhã para fazê-los. Hoje é para fazê-los e amanhã para receber a recompensa". Explica Rashi que a linguagem "hoje" se refere ao Olam Hazé, o mundo material, limitado e passageiro, enquanto a linguagem "amanhã" se refere ao Olam Habá, a vida eterna. Ele explica que depois da morte, mesmo que a pessoa cumpra Mitzvót, elas já não têm mais valor. Porém, o que significa estas palavras de Rashi?

Explica o Rav Yaacov Kanievsky zt"l (Ucrânia, 1899 - Israel, 1985), mais conhecido como Staipler, que o Talmud está nos ensinando que há dois períodos distintos: um é destinado e preparado exclusivamente para o cumprimento das Mitzvót, enquanto o outro é destinado e preparado especialmente para o recebimento da recompensa que virá para cada um de acordo com seus atos. Neste mundo viemos apenas para cumprir o nosso objetivo, através do cumprimento das Mitzvót da Torá. Porém, neste mundo não recebemos nenhuma recompensa pelos nossos atos, tudo fica guardado para o Mundo Vindouro. E, ao contrário, todo o mérito para a nossa eternidade deve ser adquirido aqui, nesta vida, pois não há mais como ganhar méritos com nosso esforço depois da morte.
 
Porém, por que D'us fez dois mundos distintos, um para os atos e outro para a recompensa? No mundo material, quando alguém trabalha, imediatamente recebe a recompensa. Alguém estaria motivado a trabalhar por anos e anos sem receber nenhum centavo, apenas pela promessa de um pagamento futuro? D'us poderia ter criado o mundo da maneira que quisesse. Por que Ele não fez com que a recompensa fosse entregue imediatamente após o bom ato realizado?
 
Explica o Staipler que D'us tinha algumas motivações para isto. Em primeiro lugar, se os bons atos fossem imediatamente recompensados e os maus atos fossem imediatamente castigados, o conceito de livre arbítrio seria praticamente anulado. Quem faria uma transgressão sabendo que imediatamente seria punido? E quem deixaria de cumprir uma Mitzvá sabendo que seria imediatamente recompensado? Ao separar o ato de sua recompensa e colocá-los em mundos distintos, D'us nos deu a possibilidade da escolha. O mérito por cada bom ato vem justamente da possibilidade de escolha que temos.
 
Em segundo lugar, a recompensa do Mundo Vindouro será algo muito maior do que qualquer recompensa que possa ser paga neste mundo, através de prazeres passageiros, como ensinam nossos sábios: "É melhor um pequeno instante de tranquilidade no Olam Habá do que todo o Olam Hazé" (Pirkei Avót 4:17). Também em termos do tempo da recompensa a diferença é marcante. Pelo fato da recompensa estar guardada para o Olam Habá, que é infinito, a recompensa se torna infinita. Porém, se a recompensa fosse paga no Olam Hazé, esta recompensa teria que ser adaptada aos conceitos materiais, levando em consideração a limitação de tempo.
 
O Talmud (Sanhedrin 101a) traz uma história interessante. O Rabi Eliezer era um dos maiores sábios de sua geração, um homem extremamente puro e devoto. Quando ele adoeceu, no final de sua vida, seus alunos vieram visitá-lo. Ao vê-lo imerso em sofrimentos, eles começaram a chorar. Porém, Rabi Akiva começou a dar risada. Os alunos questionaram o motivo de ele estar dando risada em um momento tão doloroso. O Rabi Akiva então respondeu: "Todo o tempo que eu via que o vinho que o Rabi Eliezer produzia nunca azedava e o linho que ele plantava nunca sofria danos, isto é, que havia sucesso em tudo o que ele fazia e ele não passava por sofrimentos, então eu fiquei extremamente preocupado, imaginando que D'us estava pagando para ele por todos os seus bons atos já nesta vida e que ele não teria mais nada para receber na vida eterna. Porém, agora que eu estou vendo que ele está passando por muitos sofrimentos, então eu me alegrei, pois entendi que ele não "gastou" os méritos de suas Mitzvót".
 
O Talmud está nos ensinando que mesmo alguém tão sagrado quanto o Rabi Eliezer, caso ele tivesse recebido sua recompensa através do sucesso no Olam Hazé, teria perdido através disso seu Olam Habá. Isto significa que, se recebêssemos a recompensa pelos nossos bons atos no Olam Hazé, receberíamos prazeres pequenos, em um mundo limitado, e perderíamos um prazer ilimitado por toda a eternidade no Olam Habá. Por uma bondade gigantesca, D'us guarda a nossa recompensa para um mundo onde ela será muito mais significativa e eterna.
 
Também podemos utilizar este conceito para responder o famoso questionamento "por que pessoas boas sofrem enquanto pessoas ruins têm sucesso na vida?". Esta pergunta é baseada em uma ótica limitada, na qual apenas o que acontece no Olam Hazé pode ser enxergado. Os Tzadikim (justos) sofrem neste mundo para que possam apagar suas poucas transgressões cometidas na vida, enquanto os Reshaim (malvados) têm sucesso pois já recebem neste mundo o pagamento por suas poucas boas ações, que são feitas com intenções egoístas. Se basearmos nosso entendimento apenas pelo que nossos olhos enxergam, certamente este mundo parece algo injusto e "sem dono". Porém, nossa Emuná (fé) nos permite ficarmos tranquilos e confiarmos na bondade e justiça de D'us, que está guardando a verdadeira recompensa dos Tzadikim para o Olam Habá.
 
Finalmente, o Staipler ressalta que se D'us pagasse pelas Mitzvót já neste mundo, o cumprimento das Mitzvót se tornaria algo tão egoísta quanto um lojista que se ocupa com os lucros de sua loja ou um trabalhador que se esforça em sua profissão. D'us, em Sua sabedoria ilimitada, entendeu que era obrigatório que a recompensa não fosse entregue no Olam Hazé, pois, caso contrário, as Mitzvót não seriam cumpridas com Kavaná (intenção) e com as motivações corretas, seria algo apenas mecânico e sem emoção. Isto causaria um enorme problema, pois uma das partes mais importantes da Mitzvá é justamente a Kavaná, como ensinam nossos sábios: "D'us exige coração", isto é, as Mitzvót são justamente as ferramentas para nos conectar a D'us e, portanto, elas precisam ser feitas com a Kavaná de servir a D'us, de se conectar a Ele através dos nossos atos. Se o cumprimento das Mitzvót se transformasse em um "negócio", isto teria um resultado desastroso, pois como as pessoas fariam as Mitzvót apenas pela sua recompensa imediata, então elas seriam feitas sem Kavaná e a pessoa não mereceria recompensa por elas, pois estaria cumprindo as Mitzvót de maneira egoísta, pensando no seu próprio benefício, e não para servir a D'us.
 
Deste último ponto trazido pelo Staipler aprendemos algo fundamental para o nosso serviço espiritual: quando fazemos uma Mitzvá, tão importante quanto o ato é a nossa Kavaná. Infelizmente o nosso Yetser Hará (má inclinação) consegue nos enganar e, mesmo quando cumprimos as Mitzvót, fazemos sem as intenções corretas. Estamos sempre correndo, resolvendo problemas do trabalho, e nossas Mitzvót se tornam apenas atos mecânicos. Uma das maiores formas de conexão com D'us é a nossa Tefilá. Porém, nossa Tefilá se transforma em um "serviço da boca", e não um "serviço do coração" como deveria ser. Ao invés de falarmos com D'us na nossa Tefilá, pronunciamos palavras sem nenhum tipo de sentimento. Durante a Tefilá pensamos no trabalho, na programação da viagem das férias e naquele dinheiro que a pessoa está nos devendo e esquecemos de cobrar. Isto destrói completamente a força da Mitzvá. Uma Tefilá sem Kavaná é comparada pelos nossos sábios a um corpo sem alma. Da mesma maneira que um corpo sem alma não tem vida, assim também é a Tefilá de quem não consegue rezar com Kavaná. Portanto, devemos nos acostumar a fazermos as Mitzvót com tranquilidade. É importante sempre refletir antes de cada Mitzvá, para podermos internalizar a importância do que estamos fazendo. Somente assim poderemos utilizar as Mitzvót para o propósito verdadeiro delas: nos conectar a D'us.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 20 de julho de 2018

SENTINDO A DOR DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5778 

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SENTINDO A DOR DE D'US - PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5778 (20 de julho de 2018)

"Avraham educou seus filhos com dedicação e amor. Transmitiu a eles o orgulho de serem judeus e se alegrava ao vê-los se dedicando ao estudo da Torá e ao cumprimento das Mitzvót. Apenas seu filho mais novo, Yossef, lhe dava muitos desgostos. Ele começou se afastando aos poucos, cumprindo as Mitzvót de maneira cada vez mais desleixada. Avraham tentou incentivar, dar broncas e até castigos, mas nada funcionava. Certo dia, Yossef avisou ao pai que estava indo embora de casa e perguntou se o pai poderia ajudá-lo com o valor do aluguel até que conseguisse um emprego. Avraham, com o coração despedaçado, sabia que de nada adiantaria tentar convencê-lo a ficar. Então ele fez um acordo com o filho: ajudaria mensalmente com o valor do aluguel, mas em troca Yossef deveria colocar Tefilin todos os dias. Yossef concordou, abraçou o pai e se foi.
 
Passado o primeiro mês, Yossef percebeu que seu pai ainda não havia lhe enviado o dinheiro e ligou cobrando. Avraham quis saber se o filho estava colocando Tefilin todos os dias e Yossef garantiu que sim. O pai então afirmou que o dinheiro chegaria. Porém, mais um mês se passou e Yossef, em uma situação financeira cada vez mais difícil, percebeu que novamente seu pai não havia lhe mandado o dinheiro combinado. Desta vez ele telefonou para o pai um pouco mais exaltado. Avraham novamente questionou se Yossef estava fazendo sua parte no acordo. Yossef confirmou que sim e reclamou que era o pai que não estava fazendo a parte dele. Avraham reafirmou que, se ele estava colocando o Tefilin todos os dias, então o dinheiro chegaria. Quando o terceiro mês passou e Yossef não recebeu nem um centavo do pai, ele perdeu a cabeça. Ligou gritando, exigindo o dinheiro combinado. Avraham, sem alterar a voz, novamente perguntou ao filho se ele estava colocando o Tefilin todos os dias. Yossef respondeu, aos berros, que sim, que ele estava mantendo sua palavra, diferente do pai. Avraham então pediu para que Yossef abrisse a sacola do Tefilin enquanto ele aguardava na linha. Yossef não entendeu, mas fez o que o pai pediu. Para sua imensa vergonha, dentro da sacola do Tefilin havia várias notas de dinheiro, o suficiente para três meses de aluguel. Yossef não conseguiu abrir a boca para dizer nada. Durante todo o tempo o pai havia feito a parte dele, enquanto Yossef não havia feito a sua parte..."

Estamos sempre cobrando que D'us faça a Sua parte. Por que Ele não está nos mandando sustento e tranquilidade? Por que Ele não escuta os nossos pedidos? Porém, antes de reclamarmos de D'us, precisamos olhar para nós mesmos e perguntar: será que nós estamos fazendo a nossa parte?

Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, que traz o discurso de despedida de Moshé antes do seu falecimento. Moshé recordou os principais acontecimentos nos 40 anos em que o povo judeu permaneceu no deserto. Ele aproveitou para chamar a atenção do povo de alguns erros graves que eles haviam cometido, para que aprendessem com os erros do passado e não voltassem a cometê-los no futuro.
 
Um dos pontos relembrados por Moshé na Parashat desta semana, Devarim (literalmente "Palavras"), foi o terrível erro dos espiões, que foram enviados para verificar a Terra de Israel e voltaram trazendo um péssimo relato, denegrindo a terra sagrada que D'us havia prometido ao povo judeu. Desmotivado, o povo inteiro chorou. Este dia era Tishá Be Av (o nono dia do mês judaico de Av), e D'us jurou que, como o povo havia chorado sem motivo, então teriam motivos para chorar, pois aquele dia seria marcado, por todas as gerações, como um dia de tragédias e tristeza. Neste dia os nossos dois Templos Sagrados foram destruídos, milhares de pessoas foram assassinadas, os judeus foram expulsos da Espanha e Portugal, entre outras tragédias. E, neste sábado, após o término do Shabat (21/julho), começaremos a reviver este dia de choro, jejum e tristeza.
 
Porém, ao refletirmos sobre o significado do dia de Tishá Be Av, surge uma grande pergunta. Se parte principal da nossa tristeza é pela destruição dos nossos Templos Sagrados, por que deixamos para nos enlutar e nos entristecer apenas durante um pequeno período do ano, que vai do dia 17 de Tamuz e atinge o seu auge em Tishá Be Av, um período de 3 semanas conhecido como "Bein HaMetzarim" ("Entre os apertos")? Não deveríamos estar em luto durante o ano inteiro?
 
Explicam os nossos sábios que a perda dos nossos Templos Sagrados é tão trágica que realmente deveríamos viver em um estado permanente de luto. Entretanto, ninguém conseguiria viver desta maneira durante o ano inteiro. Por isso, nossos sábios fixaram apenas este período de 3 semanas, no qual diminuímos as nossas alegrias e nos comportamos como pessoas enlutadas. É neste período que paramos para refletir e lembrar que as coisas não são como deveriam ser. Não temos mais o nosso Templo Sagrado, o povo judeu está no exílio e vivemos em uma época de "ocultação da Face de D'us", na qual a Supervisão Divina não é mais tão evidente. E, em especial no dia de Tishá Be Av, nós focamos nos eventos históricos que refletem esta "ocultação da Face de D'us" como uma maneira de internalizar e sentir o terrível estado no qual nos encontramos.

Em diferentes momentos da história do povo judeu, a "ocultação da Face de D'us" se manifestou de diversas formas. Durante muitas gerações sua principal expressão foi através de um antissemitismo venenoso. Os judeus mantiveram firmemente os ensinamentos da Torá que haviam recebido de seus antepassados, mesmo que muitas vezes tiveram que abrir mão de suas próprias vidas para fazê-lo. O acontecimento mais recente, e que ainda nos dói de maneira profunda, foi o Holocausto, quando seis milhões de judeus foram assassinados a sangue frio apenas por serem judeus. O incalculável sofrimento pelo qual o povo judeu passou é algo que as pessoas legitimamente focam em Tishá Be Av. Ao recordarmos estes eventos trágicos da nossa história, nós ficamos mais conscientes das terríveis consequências desta "ocultação da Face de D'us".
 
Porém, explica o Rav Yehonasan Gefen que, apesar deste comportamento ser louvável, ele não consegue representar a principal manifestação da "ocultação da Face de D'us" que ocorre nos nossos dias. Atualmente, o antissemitismo viral e venenoso se encolheu. Não sumiu completamente, pois de tempos em tempos ele ressurge, através de leis antissemitas que nos proíbem de cumprir certas Mitzvót e movimentos cujo intuito é denegrir e boicotar o povo judeu, escondidos atrás de máscaras de "politicamente correto". Mas a principal manifestação da "ocultação da Face de D'us" nos nossos dias é o terrível estado no qual se encontra a observância das Mitzvót da Torá pelo povo judeu. Temos uma vaga noção de que algo não vai bem, mas será que imaginamos o verdadeiro estrago espiritual que isto está causando ao povo judeu?
 
Atualmente, o povo judeu sofre com a perda de identidade judaica. A porcentagem de casamentos mistos nos Estados Unidos, por exemplo, que em 1950 era de apenas 6%, já chegou a atuais 70%. Mais de 2 milhões de judeus não se identificam mais como judeus. E mesmo entre os que se identificam como judeus, mais de 2 milhões não tem absolutamente nenhum tipo de conexão com o judaísmo. Mais de 600 mil judeus praticam outras religiões. E o mais triste é constatar que apenas 11% dos judeus costumam frequentar as sinagogas. Dezenas de casamentos mistos ocorrem todo mês. Isto significa que, durante o tempo em que estivermos lendo este texto, certamente mais um judeu estará se perdendo para a assimilação. Apesar de muitos estarem cientes destas terríveis estatísticas, elas podem estar em nossas cabeças, mas estão bem longe de nossos corações. Sabemos de forma intelectual, mas não conseguimos sentir a dor da perda dos nossos irmãos.
 
Até o ano de 1967, os judeus não tinham acesso ao Kotel, pois Jerusalém estava dividida e a parte oriental da cidade estava nas mãos dos jordanianos. Foi somente após a vitória na Guerra dos 6 dias que os judeus voltaram a ter acesso ao Kotel. Naquele ano, um jovem se alegrou ao comentar com seu rabino que seu Tishá Be Av seria diferente, pois poderia ver o Kotel, a única parte remanescente do nosso Templo, e seria mais fácil sentir no coração a tristeza pela destruição dos Templos. O rabino, ao escutar o comentário do seu aluno, respondeu com tristeza: "Meu querido, para sentir a destruição do Templo não é necessário ir até o Kotel. Suba em algum prédio e veja o comportamento do povo judeu. Veja quantas transgressões, quanta assimilação, o quanto as pessoas estão afastadas da Torá. Esta é a melhor forma de sentir tristeza pela destruição do Templo". Portanto, Tishá Be Av é o momento de arrancarmos a ilusão de que está tudo bem. Não, não está tudo bem. Nós precisamos encarar a verdade e, acima de tudo, aceitar a responsabilidade pela situação em que chegamos. Precisamos sentir, em especial em Tishá Be Av, a dor da realidade, não podemos fugir disso. A assimilação está presente em todos os lugares, a destruição espiritual é trágica.

Porém, talvez a coisa mais importante para refletirmos em Tishá Be Av é: como D'us se sente com esta situação? Imagine um pai de família, uma pessoa temente a D'us, que tem 10 filhos. Este pai tem sucesso em educar seus 10 filhos para que sejam bons judeus, cumpridores das Mitzvót da Torá. Porém, 9 deles seguem o caminho exatamente como o pai esperava, enquanto um deles escolhe um caminho mais "leniente", relaxando no cumprimento das Mitzvót. Este pai não se sentiria angustiado? E se este filho não tivesse apenas relaxado no cumprimento das Mitzvót, e sim abandonado a Torá completamente? Certamente este pai sentiria uma dor incalculável. Agora, imagine que não apenas um filho tenha abandonado completamente a Torá, e sim dois filhos. Isto não seria terrível e desesperador? E se fossem 6 dos seus 10 filhos? E se mesmo entre os filhos que se mantiveram conectados com a Torá, a maioria se comportasse com desleixo no cumprimento das Mitzvót, este pai não sentiria uma angústia insuportável? Deve ser assim que D'us está se sentindo.

Cada judeu é um filho de D'us, e Ele sofre por Seus filhos que se afastaram. Tishá Be Av é o dia de encararmos a realidade. Esta triste realidade é o que a "ocultação da Face de D'us" representa, e é com esta situação que temos que lidar. D'us está oculto, Seus filhos não conseguem vê-Lo, eles mal sabem que Ele existe. Certamente há muito pelo que se enlutar e chorar. Que este seja o último Tishá Be Av de tristeza, e que este dia possa se transformar em um dia de alegria, quando todos os judeus saberão o que significa ser "um filho de D'us".

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 13 de julho de 2018

ELOGIAR SOMENTE A QUEM MERECE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5778

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ELOGIAR SOMENTE A QUEM MERECE - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5778 (13 de julho de 2018)

"Um corvo voava tranquilamente, em uma manhã ensolarada, quando seus olhos viram um belo pedaço de queijo. Há muito tempo ele não saboreava algo tão delicioso. Pegou o queijo com seu bico e voou até o galho de uma árvore, onde poderia saborear seu banquete sem ser incomodado. Porém, naquele exato momento, passou pelo local uma esperta raposa e sentiu o delicioso aroma daquele queijo. Ao levantar os olhos, viu o corvo com o queijo no bico. Então a raposa, tomada pelo desejo de saborear aquele queijo, disse ao corvo:
 
- Sabe, meu querido corvo, nunca havia percebido como você é bonito. Que penas maravilhosas você tem, com um brilho extraordinário. Combinam com seus olhos maravilhosos. Como eu nunca tinha reparado nisso?
 
O corvo se alegrou ao escutar aqueles elogios e se encheu de orgulho. A raposa então continuou:
 
- Você é o mais sábio de todos os animais da floresta. E você tem uma qualidade inigualável: sua voz é doce, mais doce do que a voz de qualquer cantor profissional. Acho que ninguém no mundo canta com uma voz tão bela. Por favor, cante para mim uma canção, para que eu possa sentir o prazer de escutar a sua doce voz.
 
O corvo, ao escutar aquelas palavras, se sentiu lisonjeado e quis demonstrar suas aptidões musicais. Encheu o peito e começou a cantar. Porém, ao invés de um canto doce, saiu um canto grave e desafinado. O pior de tudo foi que, em sua empolgação, o corvo esqueceu completamente que o queijo estava em seu bico. Ao abri-lo para sua demonstração de canto, o queijo caiu no chão. Ligeira, a raposa correu, pegou o queijo em sua boca e correu para longe, onde pôde saborear tranquilamente seu queijo delicioso."
 
A Torá proíbe um comportarmos como o da raposa, de elogiar os outros com o único intuito de trazer algum benefício para nós mesmos. Isto se chama bajulação.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente "Tribos") e Massei (literalmente "Viagens"). A Parashat Matót traz leis sobre promessas e juramentos, descreve a guerra de vingança contra o povo de Midian e o pedido das tribos de Reuven e Gad de se estabelecerem fora de Eretz Israel. Já a Parashat Massei descreve as viagens do povo judeu durante os 40 anos no deserto, detalhando cada ponto de parada, e as "Cidades de Refúgio", para onde deveriam ir as pessoas que haviam assassinado de forma acidental.
 
Após descrever sobre as "Cidades de Refúgio", a Parashat Massei ensina a proibição de recebermos suborno de um assassino não intencional para liberá-lo da sua punição. Logo em seguida a Parashat traz outra proibição, que é um pouco enigmática: "E vocês não devem corromper a terra onde vocês vivem, pois o sangue corrompe a terra..." (Bamidbar 35:33). A linguagem utilizada para "corromper" é "Tachanifu", que vem da mesma raiz de "Lehachnif", que significa "bajular". Qual é a conexão entre assassinatos não intencionais, a corrupção da terra e o ato de bajular?
 
Explica o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) que, da mesma forma que inicialmente a Torá veio nos advertir a não recebermos suborno para inocentar um assassino, a Torá também veio nos advertir sobre a grave transgressão de bajular um transgressor. Caso haja bajulação dos transgressores, a Torá nos ensina que isto corromperá toda a terra. Portanto, aquele que bajula um transgressor é considerado como se estivesse impurificando a terra e está transgredindo a proibição de "E vocês não devem corromper a terra".
 
Há muitas fontes da Torá que nos ajudam a entender o quanto é grave a transgressão da bajulação. O Talmud (Sotá 42a) nos ensina que: "Toda a congregação onde há bajulação, no final será exilada". O Talmud continua e afirma que: "Quatro grupos de transgressores não receberão a "face da Presença Divina": os palhaços (que zombam dos outros), os bajuladores, os mentirosos e aqueles que falam Lashon Hará (maledicência)". Outra passagem do Talmud (Sotá 41a) traz uma história do Rei Agripas que ocorreu durante a comemoração do "Hakel", uma festividade que ocorria a cada 7 anos, quando todo o povo judeu se reunia no Beit Hamikdash (Templo Sagrado) para escutar o rei de Israel lendo trechos do Sefer Devarim. Quando o Rei Agripas estava lendo publicamente a Torá e chegou ao trecho "Vocês colocarão um rei sobre vocês, aquele a quem D'us escolher. Dentre seus irmãos você deve estabelecer um rei sobre vocês. Não designarão um estrangeiro sobre vocês, alguém que não seja seu irmão" (Devarim 17:15), ele começou a chorar, pois tinha problemas em sua ascendência e, portanto, não poderia ser o rei de Israel. Ao verem o rei chorando, os sábios que estavam presentes, ao invés de ficarem em silêncio, o consolaram dizendo: "Você é nosso irmão. Você é nosso irmão". Isto foi considerado por D'us um terrível ato de bajulação, pois os sábios tinham a consciência de que ele realmente não poderia ser o rei, mas o consolaram apenas para ganhar favor aos olhos dele. O Talmud afirma que naquele momento D'us decretou um duro castigo ao povo judeu.
 
Portanto, todas estas fontes demonstram o quanto a bajulação é algo abominável aos olhos de D'us. Mas por que a bajulação é tão grave? E será que nós também cometemos esta terrível transgressão? De acordo com o Chafetz Chaim zt"l (Bieloríssia, 1838 - Polônia, 1933) infelizmente esta transgressão está muito mais presente em nossas vidas do que imaginamos. Por exemplo, é comum estarmos conversando com um grupo de amigos quando alguém começa a falar mal de outra pessoa, normalmente alguém que não está presente. O correto seria imediatamente nos levantarmos para advertir o transgressor pelo seu mau ato, como nos ensina a Torá "Advirta o seu companheiro" (Vayikrá 19:17). Porém, muitas pessoas, para não se indisporem com o transgressor e com as outras pessoas presentes, balançam a cabeça de forma afirmativa. Apesar de parecer que a pessoa não fez nada de grave com este ato, pois ela nem mesmo abriu a boca, a Torá nos ensina que isto é uma enorme transgressão, causando inclusive um tropeço ao transgressor. Balançar a cabeça para concordar com um transgressor é um ato de bajulação e causa com que o transgressor não se arrependa de seus maus atos e não peça desculpas a quem ele fez mal. Portanto, em última instância, o bajulador causa sofrimentos e contribui para que injustiças se perpetuem.
 
Até que ponto devemos nos cuidar da bajulação? Um exemplo incrível nos foi dado pelo Rav Yossef Dov Soloveitchik (Bielorrússia, 1820 - 1892), mais conhecido como Beit HaLevi. Ele foi o rabino da cidade de Slutzk, na Bielorrúsia, por quase 10 anos. Certa vez, um dos governantes da cidade, um homem muito afastado da Torá, convidou o Beit Halevi para o Bar Mitzvá de seu filho. Ele queria fazer uma festa suntuosa, para muitos convidados, e a presença do rabino seria fundamental para mostrar a todos o seu poder. Para se promover ainda mais, o governante foi pessoalmente no dia da festa buscar o rabino em sua casa, em uma luxuosa carruagem contratada especialmente para aquele dia. Quando eles estavam saindo da casa do rabino, o Beit HaLevi, para iniciar uma conversa, perguntou ao governante sobre qual assunto seu filho falaria na sua tradicional "Drashá" (discurso com ensinamentos de Torá) de Bar Mitzvá. O governante disse: "Rabino, os tempos mudaram. Hoje em dia os jovens não discursam mais no dia do seu Bar Mitzvá. Isto é coisa do passado". Imediatamente o Beit HaLevi anunciou que não participaria mais da festa, pois uma festa luxuosa, com comida e bebida fartas, mas sem palavras de Torá, não era algo desejado por D'us. O governante, que era muito poderoso, ainda insistiu, dizendo que a recusa do rabino seria para ele uma grande humilhação pública. Após nova recusa, o governante ameaçou prejudicar a vida do rabino, mas mesmo assim ele não cedeu à pressão. Poucos minutos depois, um homem muito pobre veio convidar o Beit HaLevi para a festa de Bar Mitzvá de seu filho. Apesar de ser uma festa muito simples, para poucos convidados, quando o Beit HaLevi escutou que o jovem falaria uma "Drashá" durante a festa, ele aceitou participar. Isto deixou o governante ainda mais enfurecido. Depois da festa, em um ato de vingança, o governante conseguiu com que o Beit HaLevi fosse mandado embora da cidade. Porém, o Beit HaLevi saiu de cabeça erguida, cumprindo o que os nossos sábios ensinam: "A pessoa está obrigada a até mesmo colocar sua vida em risco para não transgredir em bajulação".
 
A transgressão de bajulação é algo fácil de tropeçarmos no dia a dia. Quando estamos com um grupo de amigos, não queremos parecer os "caretas" da turma. Não queremos passar a vergonha de sermos os "estraga prazeres". Porém, justamente sobre isto ensina o Talmud (Ediót 5:6): "É melhor que a pessoa seja chamada de tonto todos os dias da sua vida do que seja chamada de Rashá (maldoso) por D'us por apenas um instante".
 
É interessante notar que os bajuladores estão agrupados junto com os palhaços, os mentirosos e os que falam Lashon Hará. Qual é o ponto em comum entre estes tipos de transgressores? Todos eles se especializam em distorcer a verdade para o seu benefício pessoal. O bajulador é aquele que quer agradar os outros em troca de algum benefício ou para evitar problemas. O bajulador chega até mesmo a "passar a mão na cabeça" do transgressor, elogiando-o e defendendo-o mesmo quando sabe que ele está errado. Bajular um transgressor é como receber um suborno para inocentá-lo. É por isso que a bajulação pode trazer corrupção para toda a terra, pois os bajuladores causam com que os transgressores sejam louvados e a justiça perca sua força.
 
Elogiar os outros é muito importante. Um elogio pode incentivar, pode dar forças, pode reanimar. Da mesma forma que gostamos de ser elogiados, também devemos sempre elogiar os outros. Porém, a regra é somente elogiar uma pessoa quando ela realmente merece o elogio, quando fez algo bom e positivo. E, para que não seja um ato de bajulação, o elogio deve sempre ser feito pelo bem do próximo, não para o nosso próprio benefício.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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