sexta-feira, 23 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR 5774

BS"D

NÃO SE DEIXE INFLUENCIAR - PARASHÁ BAMIDBAR 5774 (23 de maio de 2014)


"Arthur, um grande empresário, tinha tido um dia duro. Tudo o que ele queria era entrar em um restaurante para jantar e relaxar. Ele foi recebido por um garçom muito simpático, que o conduziu até sua mesa. Arthur soltou o último botão da camisa, afrouxou a gravata, sentou-se confortavelmente na cadeira e escolheu seu prato favorito. Quando o garçom já ia em direção à cozinha levar o pedido, Arthur chamou-o e pediu:

- Está muito calor. Será que você poderia ligar o ar condicionado?

O garçom deu um sorriso, balançou a cabeça positivamente e foi imediatamente para uma sala nos fundos do restaurante. Passados alguns minutos, o garçom foi novamente chamado por Arthur, que reclamava que agora o frio estava tão intenso que estava até mesmo incomodando. Pediu para que o garçom desligasse o ar condicionado. Balançando positivamente a cabeça e sem perder o bom humor, o garçom novamente se dirigiu à sala nos fundos. Mais alguns minutos e o garçom novamente foi chamado. Arthur já não aguentava mais o calor que fazia dentro do restaurante, e novamente pediu para que o garçom ligasse o ar condicionado. Com uma paciência que parecia interminável, o garçom deu um sorriso, balançou a cabeça e novamente foi para a sala dos fundos.

Neste momento, uma senhora idosa, que estava sentada em uma das mesas do fundo do restaurante, não aguentou. Ela chamou o garçom de canto e desabafou:

- Mas que homem chato! Ele deve estar te deixando louco, não?

O garçom abriu um enorme sorriso, deu uma piscada para a senhora e respondeu:

- É ele que esta ficando louco, minha senhora. Nós não temos ar condicionado..."

A piada é engraçada, pois confundir entre calor e frio não causa nenhum problema para ninguém. Mas quando o que está em jogo é confundir o que é certo e o que é errado, então é bom estar atento e não deixar se deixar influenciar pelo ambiente.

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Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve muito acontecimentos importantes dos 40 anos em que o povo judeu caminhou pelo deserto, antes da entrada na Terra de Israel. E a Parashá desta semana, Bamidbar, começa com uma contagem de todo o povo. Apenas a tribo de Levi foi contada separadamente, por causa do seu nível espiritual mais elevado, diferente do resto do povo. Há um versículo na Parashá que ressalta o nível diferenciado da tribo de Levi: "Eis que Eu peguei os Leviim dentre os Filhos de Israel, no lugar de cada primogênito" (Bamidbar 3:12). O que significa que D'us pegou os Leviim no lugar dos primogênitos?

Quando Moshé subiu no Monte Sinai para receber a Torá, ele avisou que permaneceria lá por 40 dias. O povo ficou ansiosamente esperando a volta de Moshé, mas uma falha na contagem fez com que o povo achasse que o prazo estipulado já havia expirado e que Moshé havia morrido. O papel de Moshé era muito central no povo judeu. Por ser um profeta em um elevado nível espiritual, sempre que D'us queria transmitir algo ao povo judeu, o fazia através de Moshé. O povo ficou tão perturbado que decidiu que era necessário um novo líder para conduzi-lo no deserto. Mas havia dentro do povo judeu outro grupo, chamado pela Torá de "Erev Rav" (que literalmente significa "uma grande mistura"), composto por egípcios que haviam decidido se unir ao povo judeu no momento da saída do Egito. Mas a escolha destes egípcios não havia sido de coração. Eles saíram junto com o povo judeu apenas por medo do castigo, não por amor a D'us e Suas leis. Por isso, quando o ambiente de confusão se espalhou pelo acampamento, imediatamente eles voltaram às suas crenças idólatras e, através de feitiços, fabricaram o Bezerro de ouro. O resto do povo, completamente sem rumo, acabou se desviando também atrás deles. Isto causou com que D'us ficasse furioso e quisesse destruir o povo inteiro, e isto somente não aconteceu por causa da intervenção de Moshé, que rezou por misericórdia. D'us aceitou as rezas de Moshé e perdoou o povo. Porém, uma parte do povo acabou pagando muito caro pelo erro que havia cometido: os primogênitos.

A Torá dá muita importância para os primogênitos. No princípio, eles haviam sido honrados com o cargo de fazer todo o serviço Divino do Mishkan (Templo Móvel). Porém, quando eles participaram da transgressão do Bezerro de ouro, perderam seu nível espiritual diferenciado. É isto que o versículo da Parashá veio nos ensinar quando falou que D'us escolheu os Leviim no lugar dos primogênitos. O serviço espiritual do Mishkan, que originalmente havia sido dado aos primogênitos, foi retirado deles e passado para sempre para a tribo de Levi, que não participou do erro do Bezerro de ouro.

Mas se pararmos para refletir, qual foi o grande mérito da Tribo de Levi? Todo o grande "feito" deles foi não ter participado do Bezerro de ouro, isto é, simplesmente conseguiram evitar cair na transgressão de idolatria na qual seus irmãos caíram. Não foi nem mesmo um ato ativo, e sim algo passivo. A recompensa não parece desproporcional ao que eles fizeram?

Explica o livro Lekach Tov que o teste da tribo de Levi não foi assim tão simples. O desespero havia tomado conta do povo. A loucura de construir o Bezerro de ouro começou a se espalhar entre todas as pessoas, e começou a se tornar algo aceitável e até mesmo lógico. A pressão social era tremenda e a confusão pairava no ar. Nestas condições, era muito difícil não se deixar enganar. Um povo inteiro, que quarenta dias antes havia escutado os mandamentos diretamente da boca de D'us, acabou se deixando levar pelo desespero e pela confusão. Somente a tribo de Levi conseguiu se manter em suas convicções e, com isso, escapar do terrível pecado que quase destruiu o povo judeu. Por isso, meritaram receber o serviço Divino do Mishkan.

Daqui aprendemos algo muito importante para nossas vidas: aquele que consegue se manter forte em suas crenças e convicções, e que se esforça para manter sua claridade mesmo em épocas de confusão, mesmo quando a maioria do povo está seguindo caminhos incorretos, merita uma recompensa muito grande de D'us.

Infelizmente esta confusão e inversão de valores está acontecendo nos nossos dias. Escutamos as notícias do que ocorre no mundo inteiro e percebemos que há uma terrível e acelerada perda dos valores mais básicos. A sociedade começa a permitir e a aceitar o que antes ninguém ousava nem mesmo mencionar em público. Ao contrário, aqueles que não concordam são perseguidos e tachados de "extremistas". A desonestidade parece ter se institucionalizado, tornando muito fácil cometer erros e simplesmente dizer "Mas qual o problema? Afinal, todos fazem isso!". Somos influenciados pela sociedade e acabamos deixando que a confusão generalizada mude nossa forma de pensar. Neste ambiente, é muito importante lutar para mantermos nossa claridade, para não irmos atrás daqueles que, apesar de serem maioria, estão se desviando.

Logo após Moshé ter descido do Monte Sinai e ter visto o Bezerro que havia sido construído, ele foi instruído a castigar aqueles que haviam realmente feito idolatria e haviam incitado o resto do povo. Moshé então convocou todos aqueles que quisessem se voluntariar, e anunciou: "Quem está com D'us, venha comigo" (Shemot 32:26). Infelizmente apenas a tribo de Levi escutou o chamado de Moshé e se levantou para cumprir o que D'us havia comandado. Por isso a tribo de Levi recebeu o mérito, para sempre, de estar mais conectada com D'us e poder fazer os serviços religiosos.

Este anúncio de Moshé continua ecoando até os nossos dias. "Quem está com D'us, venha comigo". Precisamos juntar todas as nossas forças para não nos deixar influenciar pelos conceitos equivocados. Não podemos ter vergonha de sermos uma minoria que discorda do que é incorreto e imoral. Não podemos nos acomodar e aceitar em silêncio que a verdade seja corrompida. E podemos fazer isto com a certeza e a tranquilidade de que os frutos de não ficarmos em silêncio serão para sempre, não apenas para nós, mas para todos os nossos descendentes.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 16 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BECHUKOTAI 5774

BS"D
FORÇA DA INOVAÇÃO - PARASHÁ BECHUKOTAI 5774 (16 de maio de 2014)


Quando escutamos o nome de Abraham Lincoln, o 16° presidente dos Estados Unidos, pensamos que ele teve uma vida recheada de sucessos. Enquanto foi presidente, Lincoln liderou o país de forma bem-sucedida, mesmo durante sua maior crise interna, a Guerra Civil Americana, preservando a  união, conseguindo abolir a escravidão, fortalecendo o governo nacional e modernizando a economia. Abraham Lincoln é considerado um dos três melhores presidentes da história dos Estados Unidos.

Mas a verdade é que nem sempre foi assim. Seu caminho até o sucesso foi árduo e sofrido. Ele passou dificuldades na infância, quando seu pai perdeu toda a fortuna que tinha. Aos 23 anos tentou um cargo na política, mas perdeu a disputa. Aos 24 anos resolver abrir uma loja, mas faliu em pouco tempo. Aos 32 anos tentou montar um negócio de advocacia com alguns amigos, mas logo a sociedade se desfez. Aos 35 anos, passou pelo trauma de ver sua namorada falecer, e ainda resistiu a um colapso nervoso que teve aos 36 anos, que o fez passar um bom tempo no hospital.

Mas a vontade de entrar na política não havia desaparecido. Aos 45 anos ele disputou uma cadeira no senado, mas perdeu. Aos 47 anos ele concorreu à nomeação do partido republicano para e eleição geral, porém foi derrotado. Aos 49 anos tentou o senado e fracassou novamente. Somente aos 51 anos ele foi eleito o presidente dos EUA.

Será que seríamos capazes de fazer essa jornada? Falir, ser derrotado, perder entes queridos, adoecer, e mesmo assim não perder a vontade de continuar tentando alcançar o sucesso? Abraham Lincoln nos ensinou que esta é a fórmula dos vitoriosos: nunca desistir. Se ele não tivesse continuado, alguém se lembraria de Abraham Lincoln hoje em dia? Certamente que não. Mas ele escolheu entrar para a história e mudar o mundo. Ele poderia ter desistido diante das dificuldades, mas ele escolheu vencer e inovar. A cada derrota, Abraham Lincoln aprendeu a se reconstruir.

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Na Parashá desta semana, Bechukotai, a Torá nos afirma que quando seguirmos os caminhos que D'us nos comandou receberemos muitas Brachót (bênçãos), como fartura e segurança, mas se nos desviarmos dos caminhos corretos, tragédias terríveis acontecerão ao povo judeu. Estas palavras já se cumpriram em várias épocas da nossa história, tanto a Brachá, como durante o reinado de Shlomo Hamelech (Rei Salomão), quanto as tragédia, como nas destruições dos Templos Sagrados e nos exílios do povo judeu.

Porém, há algo que nos chama a atenção. No meio da descrição das tragédias condicionais, a narração é interrompida para trazer algumas palavras de consolo: "E Eu me lembrarei do Meu pacto com Yaacov, e também do Meu pacto com Yitzchak, e também do Meu pacto com Avraham Eu me lembrarei, e Eu me lembrarei da Terra" (Vayikrá 26:42). Mas por que a ordem na qual os patriarcas são mencionados está ao contrário da ordem cronológica? Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, explica que se os méritos de Yaacov, o "menor" dos patriarcas, não for suficiente, então D'us levará em conta os méritos de Yitzchak. Se mesmo assim ainda não for suficiente, D'us levará em conta também os méritos de Avraham, o "maior" dos patriarcas. Mas por que Avraham é considerado o maior dos patriarcas? Qual característica fez com que ele tenha mais méritos do que Yitzchak e Yaacov?

Estamos sempre acostumados a associar Avraham apenas à característica de Chessed (bondade). Realmente sua tenda no deserto tinha quatro entradas, para que os visitantes se deparassem sempre com a porta aberta, não importando de que direção viessem. Além disso, a Torá descreve que Avraham recebeu os anjos fantasiados de simples beduínos como se fossem verdadeiros reis, servindo-os com as mais deliciosas comidas. Mas não foi apenas esta a característica de Avraham que o diferenciou de todas as outras pessoas. Ele tinha outra característica importante, que o fez chegar ao topo da espiritualidade: a força da inovação.

Se refletirmos sobre os testes de Avraham, perceberemos que foram muito mais difíceis de serem vencidos do que os dos outros patriarcas. Ele nasceu em um mundo onde todos, inclusive seus próprios familiares, eram idólatras. Seu desafio era criar, a partir do nada, uma perspectiva e uma forma de vida completamente novas, começando uma nova época na história. Para espalhar ao mundo inteiro o conceito da existência de D'us, Avraham teve que lutar contra todas as atitudes e estilos de vida prevalecentes na época e começar algo completamente novo, vagarosamente e com muita paciência. Ele poderia ter desistido diante das dificuldades, pois certamente teve muitas decepções e fracassos no caminho. Mas foi sua "força de inovação" que não o deixou desistir e possibilitou que ele tivesse sucesso.

Quando o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) descreve a contribuição de Avraham ao mundo, repete várias vezes que ele era um inovador, o revolucionário e pioneiro "fundador" do povo judeu. Avraham foi o primeiro em tudo o que fez. Ele não tinha modelos para seguir, estava sempre desbravando novos caminhos. Por isso, quando queremos nos comportar como Avraham, não devemos apenas desejar seguir seus passos em relação ao Chessed que ele fazia, mas também devemos almejar ter a sua força de inovação, que trouxe tantos benefícios ao mundo.

O Rav Shlomo Ephraim (Polônia, 1550 – Praga, 1619), mais conhecido como Kli Yakar, ressalta a importância da força de inovação. Durante a descrição da criação do mundo, ao final de cada dia a Torá termina com a frase "e viu D'us que era bom". A única exceção é o final do segundo dia da criação, onde nada está escrito. Explica o Kli Yakar que em todos os dias da criação algo novo foi criado, com exceção do segundo dia, quando D'us separou as águas de baixo e as águas de cima, que já existiam. Neste dia nada novo foi criado e, portanto, ele não foi descrito como um dia bom.

Existem inúmeras áreas nas quais a habilidade de inovar pode fazer muita diferença. É parte da natureza do ser humano deixar sua vida cair na força do hábito. Isto ocorre em vários aspectos, inclusive no crescimento espiritual, nos relacionamentos e nas habilidades de criar e construir. Nos acostumamos com nossa condição e estagnamos na vida. Um dos exemplos mais perceptíveis disso é a nossa Tefilá (reza), que muitas vezes é pronunciada de forma mecânica e desinteressada, apenas palavras que saem da boca e não do coração. Por isso, há momentos na vida em que é muito importante dar um passo para trás e avaliar onde são necessárias novas abordagens. Pois novas abordagens frequentemente nos trazem formas alternativas de lidar com situações problemáticas e difíceis.

Mas não adianta apenas querer inovar. Tão importante quanto tentar buscar novas abordagens para atingir um objetivo é estarmos dispostos a ir até o fim para alcançá-lo, apesar das dificuldades que naturalmente surgirão pelo caminho. Mudar significa sair da "zona de conforto", arriscar, buscar novos desafios. Podemos aprender isto através do exemplo de uma das maiores universidades do mundo. Qualquer pessoa que quer estudar em Harvard precisa inicialmente fazer um requerimento formal. O próximo passo é passar por uma entrevista, na qual o aluno mostra suas notas e descreve ao entrevistador detalhes da sua vida. O entrevistador então faz um relatório que, anexado às notas do estudante, é encaminhado ao "Escritório de Admissão de Harvard". De todos os pedidos encaminhados, apenas 6% são aceitos para cursar a faculdade. Muitos pensam que o único critério utilizado para a admissão são as notas dos alunos, mas isto não é verdade. O Escritório de Admissão deixa claro aos entrevistadores que eles devem buscam alunos que, além de terem boas notas, saíram de suas zonas de conforto. Harvard busca alunos que saíram dos seus limites e dos limites de suas escolas, comunidades e famílias. Harvard procura pessoas inovadoras, que estão dispostas a aceitar novos desafios e encontrar novas formas de resolver as dificuldades. Por que? Pois Harvard sabe que pessoas com este perfil são os que têm maior potencial de se tornarem, no futuro, pessoas de sucesso.

Somos descendentes de Avraham. Temos dentro de nós esta força de inovação, esperando para ser utilizada. Cada um de nós pode mudar o mundo, basta termos a coragem de sair da nossa zona de conforto e trabalharmos duro para alcançar o sucesso, sem desistir por causa dos obstáculos do caminho.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 8 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHAR 5774

BS"D
DOANDO DIGNIDADE - PARASHÁ BEHAR 5774 (09 de maio de 2014)


"Roberto era muito bondoso, esforçava-se para ajudar a todos. Sua casa estava sempre aberta aos necessitados, e todos sabiam que aquele que batia na sua porta nunca saía de mãos vazias. Porém, certo dia algo diferente começou a acontecer. Roberto comprou uma grande pilha de toras de madeira e colocou na frente de casa. Mas o mais estranho é que algumas vezes a pilha inexplicavelmente aparecia nos fundos da casa, e depois voltava novamente para a frente. O que estava acontecendo?

Um dos vizinhos de Roberto, muito curioso, quis desvendar o mistério. Ele passou o dia inteiro escondido, observando a movimentação na casa. Primeiro ele viu um pobre batendo na porta. Roberto abriu com um grande sorriso no rosto, conversou um pouco com o pobre, apontou para a pilha de madeira que estava na frente da casa e depois apontou para os fundos da casa. O vizinho viu então que o pobre foi levando as toras de madeira, uma por uma, e novamente empilhou-as nos fundos da casa. Quando o pobre terminou, Roberto agradeceu muito, tirou um pouco de dinheiro do bolso e entregou a ele. Mas o mais inexplicável aconteceu um pouco mais tarde. Outro pobre bateu na porta e também foi recebido com grande alegria por Roberto. Ele então apontou para a pilha de madeiras que estava nos fundos da casa e depois apontou para a frente da casa. Para a surpresa do vizinho, ele viu o segundo pobre levar todas as toras de madeira e empilhá-las novamente na frente da casa. Mais uma vez Roberto agradeceu, tirou um pouco de dinheiro do bolso e deu ao pobre.

Ao ver esta cena, o vizinho não aguentou mais de curiosidade. Ele esperou o pobre sair e foi perguntar ao Roberto o que estava acontecendo. Apanhado em flagrante, Roberto ficou vermelho de vergonha. Depois de muita insistência, ele explicou:

- Eu gosto muito de ajudar as pessoas, sempre me esforcei para dar aos necessitados tudo o que eles precisavam. Mas um dia parei para refletir e percebi que eu não dava a eles o mais importante: dignidade. A partir daquele dia decidi não dar apenas dinheiro aos pobres, quis dar a eles a oportunidade de se sentirem úteis, e para isso comprei estas madeiras. Agora toda vez que alguém vem me pedir ajuda eu não ofereço dinheiro, eu ofereço um trabalho. A quantia que eu dou é a mesma, mas desta maneira eles não sentem vergonha. Ao invés de se sentirem humilhados, eles sentem orgulho por terem se esforçado pelo dinheiro que receberam"

Existem várias maneiras de ajudar uma pessoa necessitada. Mas nada ajuda mais um ser humano do que devolver a ele sua dignidade perdida.

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Nesta semana lemos a Parashá Behar. Entre outros assuntos, a Parashá fala sobre a Mitzvá de dar Tzedaká (caridade) aos necessitados, como está escrito: "Se seu irmão se empobrecer, e se os meios dele faltarem na sua proximidade, você deve fortalecê-lo" (Vayikrá 25:35). Mas por que é utilizada a linguagem "fortalecê-lo" ao invés de "ajudá-lo"? Explica Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, que este versículo refere-se à ajuda necessária a uma pessoa que começou a perder sua independência financeira, mas que ainda não chegou ao nível de tornar-se um completo destituído. Alguns comentaristas chegam a afirmar que ajudar pessoas que ainda estão caindo financeiramente é uma Mitzvá por si só, independente da Mitzvá de ajudar alguém completamente pobre. Mas qual é a diferença entre ajudar um pobre ou alguém que ainda está caindo? Na prática não estamos fazendo exatamente o mesmo ato?

O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em suas leis sobre Tzedaká (Hilchót Matanot Aniim 10:10), explica que há oito níveis diferentes de Tzedaká, que começa com o ato de doar mesmo que seja de má vontade. Segundo ele, o nível mais elevado de Tzedaká é ajudar uma pessoa de maneira que ela não necessite se apoiar continuamente na ajuda dos outros, isto é, a ajuda deve ser dada de forma que a pessoa volte a ser, o mais rapidamente possível, financeiramente independente e não precise mais pedir aos outros. Por exemplo, o doador pode ajudar doando ou fazendo um empréstimo (sem juros) para que a pessoa reconstrua sua empresa falida, pode oferecer uma sociedade ou pode simplesmente ajudá-lo a conseguir um emprego. E a fonte citada pelo Rambam é justamente o versículo da nossa Parashá, enfatizando que a linguagem "fortalecê-lo" nos ensina a não deixar a pessoa cair completamente, dando a ela a força para se reerguer e novamente caminhar com suas próprias pernas.

O Rav Yossef Karo (Espanha, 1488 - Israel, 1575), mais conhecido como Beit Yossef, explica que esta é a maior forma de caridade pois é feita de forma que não envergonha aquele que recebe a ajuda. Quando oferecemos ajuda a alguém que está caindo, ele não sente que está recebendo uma esmola. A natureza humana nos faz querer ganhar o nosso próprio sustento, e quando somos obrigados a receber algo pelo qual não nos esforçamos, perdemos nosso senso de dignidade. Por isso é tão louvável ajudar o próximo de maneira que ele não se sinta envergonhado nem humilhado pela situação difícil pela qual está passando. Portanto, a melhor forma de ajudar alguém é fazer com sabedoria, de maneira que a pessoa não sinta que está sendo ajudada, ao contrário, que ela sinta que é ela quem está contribuindo de alguma maneira. É mais importante dar um trabalho do que apenas dar dinheiro a um pobre, pois o trabalho dá a ele a certeza de que ainda pode produzir, que ainda tem muito valor, enquanto o dinheiro é apenas uma esmola.

Há um ensinamento interessante no Talmud (Pessachim 8a), que afirma que uma pessoa que diz "estou dando esta Tzedaká para que meu filho viva" é chamada de "Tzadik Gamur" (um justo completo). O Talmud está falando sobre o caso de um pai cujo filho está gravemente doente e ele quer, através do mérito da Mitzvá de Tzedaká, que o filho possa se recuperar. Mas por que o Talmud louva esta pessoa ao ponto de chamá-la de "Tzadik Gamur", título atribuído a poucas pessoas, se ele cumpriu a Mitzvá de Tzedaká por motivos tão egoístas? O mais elevado é aquele que cumpre as Mitzvót apenas por D'us ter nos ordenado, e não aquele que as cumpre para receber algo em troca, como afirmam nossos sábios: "Não sejam como escravos que servem o seu dono para receber uma recompensa" (Pirkei Avót 1:3). Entendemos o desespero de um pai ao ver seu filho doente, e sabemos que um pai faria qualquer coisa para salvar a vida de seu filho, mas por que chamá-lo de Tzadik Gamur?

Responde o Rav Yehonasan Gefen que existem várias explicações para este ensinamento do Talmud. Mas há uma explicação "não convencional" que se conecta com os ensinamentos da nossa Parashá. Ele explica que o caso trazido pelo Talmud refere-se a uma pessoa que está dando Tzedaká e quer ter certeza de que aquele que recebe não vai sentir nenhum tipo de vergonha ou constrangimento. Por isto o doador fala para o pobre: "Estou dando esta Tzedaká para que meu filho viva", isto é, "Não sou eu quem está te ajudando, é você que está me fazendo um grande favor. É pelo mérito desta Mitzvá que você está me possibilitando cumprir que meu filho será curado". E o Talmud quer enfatizar que aquele que chega ao nível de fazer de tudo para não causar nenhuma vergonha ou constrangimento no momento de dar Tzedaká para uma pessoa necessitada é considerado um Tzadik Gamur. Preocupar-se em ajudar o próximo já é um ato bonito, mas preocupar-se além de tudo que o necessitado não se sinta humilhado é ainda mais importante e louvável.

Se pararmos para refletir, chegaremos à conclusão do quanto estamos longe desta forma ideal de ajudar o próximo. Normalmente ajudamos somente àqueles que já estão nas ruas, pedindo esmola para comprar o próximo pãozinho. Porém, muitas vezes perdemos a oportunidade de ajudar pessoas, às vezes até próximas, que estão caindo e perdendo tudo, mas que se envergonham de pedir ajuda. Temos que desenvolver nossa sensibilidade para perceber os sinais e escutar o grito silencioso das pessoas que estão caindo. Pois a pessoa que ainda está caindo se levanta com apenas um pouco de ajuda, mas para reerguer alguém que já caiu é muito mais difícil.

Na prática, fica o ensinamento de sempre pensar no necessitado quando vamos ajudá-lo. Não apenas dar um dinheiro para a uma pessoa necessitada, mas fazê-lo com um sorriso, com uma mensagem de esperança, se esforçando para dar o que a pessoa realmente necessita. Certamente isto fará com que a doação seja recebida com muito mais alegria, tanto aqui embaixo quanto lá em cima.

"Não dê um peixe ao pobre. Dê-lhe uma vara e ensine-o a pescar" (Ditado popular).

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quinta-feira, 1 de maio de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EMOR 5774

BS"D
 
CADA UM NO SEU NÍVEL - PARASHÁ EMOR 5774 (02 de maio de 2014)


"Havia um rabino que era famoso por seu extraordinário poder de concentração. Quando ele estava imerso em seu estudo ou em suas Tefilót (rezas), ele não via nem escutava absolutamente nada do que acontecia ao seu redor.

Certa madrugada, quando o rabino estava imerso em seus estudos, seu pequeno bebê acordou assustado e começou a berrar. Apesar de o berço estar muito próximo dele, a concentração era tanta que ele não escutou o filho chorando. Os berros eram tão altos que o avô, que estava no andar superior da casa estudando, escutou. Ele interrompeu seus estudos, desceu e acalmou o bebê. Mais tarde, o avô repreendeu o pai do bebê:

- Filho, não importa o quão elevado sejam seus interesses espirituais ou o quão impressionante seja o seu nível de concentração nos estudos, você sempre deve escutar o choro de um filho"

Independente do nível espiritual que uma pessoa atinge, ela precisa estar ciente de seus deveres e necessita checar, o tempo inteiro, se está cumprindo suas obrigações na vida.

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Nesta semana lemos a Parashá Emor, que começa trazendo várias leis específicas para os Cohanim (sacerdotes), entre elas algumas obrigações que eles têm a mais do que o resto do povo, como a proibição de se impurificar com mortos que não tem nenhum grau de parentesco e a proibição de se casar com alguns tipos de mulheres, como uma divorciada. Depois disso a Parashá traz as leis referentes especificamente ao Cohen Gadol (Sumo Sacerdote), que também tem suas obrigações a mais do que os Cohanim simples, como a proibição de se impurificar com qualquer morto, inclusive seus próprios pais, e a proibição de casar com mais alguns tipos de mulheres, como uma viúva, que é permitida para os Cohanim simples mas é proibida ao Cohen Gadol. Porém, por que estas diferenças nas obrigações? Não viemos todos ao mundo para fazer o mesmo trabalho espiritual? Por que D'us criou esta "divisão", cuja consequência é que parte do povo tem mais obrigações do que o resto, ao invés do que aparentemente seria o mais justo, que todos tivessem exatamente as mesmas obrigações e cobranças?

Explica o Rav Meir Rubman (Israel, século 20) que a Parashá está nos ensinando uma regra espiritual importante: não existe uma obrigação espiritual padrão, que se aplica para todas as pessoas. Cada um está obrigado a servir D'us de acordo com os seu nível espiritual. Assim começa o livro Messilat Yesharim, de autoria do Rav Moshe Chaim Luzzato (Itália, 1070 –-Israel, 1746): "A fundação da Santidade e a raiz da perfeição no serviço Divino é que se esclareça e seja reconhecido como verdade para o ser humano qual a sua obrigação no seu mundo". Por que o Rav Moshe Chaim Luzzato escreve "no seu mundo" e não apenas "no mundo"? Para nos ensinar que cada pessoa tem uma obrigação única e particular. E isto se aplica mesmo a uma pessoa que está em um nível muito elevado e que dedica o seu tempo exclusivamente ao estudo da Torá, pois enquanto não estiver claro para ela qual é sua obrigação no seu mundo, isto é, sua obrigação particular de acordo com o seu nível, ela se assemelha àquele que construiu uma casa sem fundações ou plantou uma árvore sem raízes, e certamente não chegará à perfeição.

O Talmud (Shabat 33b) nos ensina este conceito através de uma história interessante. O Rav Shimon Bar Yochai e seu filho, Rav Elazar, quando precisaram se esconder dos romanos para salvar suas vidas, passaram 12 anos em uma caverna, imersos o tempo inteiro no estudo da Torá. Quando finalmente saíram, a primeira coisa que viram foi um homem trabalhando no campo. Irritados, exclamaram: "Este homem abandonou a vida eterna para se ocupar com a vida passageira?". Todos os lugares para onde eles olhavam imediatamente se queimavam. Saiu uma Voz Celestial e disse para eles: "Vocês saíram para destruir Meu mundo? Voltem imediatamente para a caverna". Como castigo, apesar do perigo romano já ter terminado, o Rav Shimon Bar Yochai e seu filho precisaram voltar para a caverna por mais um ano.

Aprendemos do Talmud que o Rav Shimon Bar Yochai e seu filho foram punidos por terem ficado irritados com aquele homem que trabalhava no campo. Mas eles não estavam certos? Nossos sábios explicam que o propósito da nossa vinda para este mundo é o nosso crescimento espiritual, adquirirmos a vida eterna no Olam Habá (Mundo Vindouro) através do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvót, e não para nos ocuparmos com coisas passageiras, cujos frutos não levaremos quando chegar o momento de partir deste mundo. Então por que eles foram castigados?

A resposta é que o Rav Shimon Bar Yochai e seu filho julgaram o mundo inteiro de forma rigorosa demais, pois cobraram dos outros de acordo com o nível particular deles próprios. Para eles, de acordo com o nível espiritual que haviam atingido, realmente era um erro abandonar a "vida eterna", isto é, o estudo da Torá, para se ocupar com a "vida passageira", isto é, as ocupações mundanas. Mas o resto do mundo não estava no mesmo nível espiritual, e por isso se ocupavam com a "vida eterna" parte do dia, mas precisavam também se ocupar com a "vida passageira". O que o Rav Shimon Bar Yochai não havia entendido é que para o nível da grande maioria das pessoas, é isto o que D'us quer delas, com o único cuidado de nunca dar mais importância para as ocupações mundanas do que para a ocupação espiritual.

Infelizmente repetimos muitas vezes o erro do Rav Shimon Bar Yochai e do seu filho quando cobramos dos outros que se comportem da mesma maneira como nos comportamos. Olhamos todos aqueles que fazem menos do que nós como se fossem pessoas pequenas e não estivessem cumprindo suas obrigações. Consideramos-nos melhores que os outros, e isto pode nos levar ao orgulho, uma das características mais negativas do ser humano. A Parashá nos ensina a buscarmos qual é o nosso verdadeiro nível espiritual e a refletirmos sobre qual é, de acordo com este nível, a nossa obrigação. Devemos cobrar apenas de nós mesmos, não dos outros.

Mas fica ainda uma pergunta: se aprendemos que quanto mais elevada espiritualmente a pessoa está, maior a cobrança, então não é melhor sermos pequenos?

Quando um novo funcionário é contratado para começar em um pequeno cargo na empresa, suas obrigações ainda não são muitas. Conforme ele vai crescendo, a cobrança sobre ele também vai aumentando. Por exemplo, quando o funcionário que lacra as embalagens vai para casa, ele pode se esquecer do trabalho e pensar em outras coisas, mas quando o presidente vai para casa, ele precisa levar a empresa junto com ele na cabeça. Então será que vale a pena ser presidente? A resposta é obviamente que sim. Em primeiro lugar, pois o presidente é aquele que vai fazer a diferença na empresa. Um bom presidente pode fazer a empresa crescer e se tornar líder no mercado, enquanto o funcionário que lacra as caixas pouco tem a acrescentar na empresa como um todo. Além disso, outra diferença marcante é o salário que cada um deles recebe no final do mês. Enquanto um deles recebe um pequeno salário, o presidente recebe um enorme salário e uma série de regalias.

Esta é a resposta para o nosso questionamento: quanto mais alto espiritualmente uma pessoa chega, maiores serão suas obrigações, mas também maiores serão seus méritos e recompensas. Por exemplo, nossos sábios ressaltam que os Cohanim têm 24 Mitzvót a mais do que as outras pessoas. Por outro lado, os Cohanim têm direito a 24 tipos diferentes de "Matanót Kehuná" (presentes dados apenas aos Cohanim). Coincidência? Não, pois de acordo com as obrigações, assim também são as recompensas que uma pessoa recebe. E se esta diferença acontece com as recompensas no mundo material, que são apenas passageiras, certamente será muito maior a diferença de méritos no Olam Habá daqueles que conseguirem crescer espiritualmente e se destacar.

Devemos acrescentar todos os dias bons atos e estar sempre crescendo espiritualmente, de forma que nosso nível hoje seja sempre maior do que o nosso nível de ontem. E, acima de tudo, é muito importante a reflexão constante, para termos sempre a certeza de que, de acordo com o nosso nível, estamos cumprindo nossas obrigações.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KEDOSHIM 5774

BS"D

FUGINDO DO EGOÍSMO - PARASHÁ KEDOSHIM 5774 (25 de abril de 2014)

"Em Jerusalém, os prédios não têm faxineiros nem serviço de limpeza. Cada morador precisa retirar seu próprio lixo e jogar em uma enorme lixeira pública, que fica na rua e é periodicamente esvaziada pela prefeitura. Certa vez, na véspera de Shabat, Jaques (nome fictício) saiu para jogar seu lixo e viu um vizinho agindo de maneira muito estranha. Ele estava debruçado sobre a grande lixeira e parecia estar procurando algo. De repente, ele tirou de lá uma caixa de papelão, desmontou-a para que ficasse achatada e jogou-a novamente para dentro da lixeira. Ele se inclinou novamente, encontrou outra caixa, desmontou-a e atirou de volta. Assim fez diversas vezes, para o assombro de Jaques, que assistia aquela cena sem entender nada. Ele conhecia pessoas que tinham hobbies estranhos, mas nunca tinha visto nada parecido com aquilo. Sem aguentar de curiosidade, ele perguntou:

- Perdão, mas o que você está fazendo?

O homem, surpreso com a pergunta, explicou:

- Você deve ter escutado sobre a greve municipal que começará no Motsei Shabat. Portanto, certamente o lixo que costuma se acumular no Shabat não será recolhido. Eu estou achatando todas as caixas de papelão que encontro na lixeira para ter certeza de que haverá espaço suficiente para que todos possam jogar o seu lixo fora" (História real).

Felizmente há no mundo pessoas que pensam no próximo e dedicam seu tempo para facilitar a vida dos outros. São pessoas simples que, com pequenos atos, contribuem para construir um mundo melhor.

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A Parashá lida nesta semana é a Parashá Kedoshim, que começa com as seguintes palavras: "Sejam santos, pois Eu, Hashem, teu D'us, sou Santo" (Vayikrá 19:2). Esta introdução é como se a Torá estivesse nos preparando para receber a "fórmula mágica" que nos levará ao nível de santidade. Mas, ao invés de nos "prescrever" jejuns e mergulhos na Mikve, a Torá enumera diversas Mitzvót "Bein Adam LeHaveiró" (entre o homem e seu semelhante), tais como ajudar os necessitados e ser honesto nos negócios. Isto nos ensina que para chegarmos à santidade não é suficiente apenas focarmos no nosso relacionamento com D'us, também é essencial trabalharmos no nosso relacionamento com o próximo. E um dos ensinamentos mais importantes que é trazido nesta Parashá em relação ao cuidado com os outros é a famosa Mitzvá de "Ame ao teu próximo como a ti mesmo" (Vayikrá 19:18).

A forma como a Mitzvá de amar ao próximo é ensinada na Torá desperta um grande questionamento: se D'us quer que amemos uns aos outros de forma irrestrita, por que a Mitzvá diz "ame ao teu próximo como a ti mesmo" e não diz "ame ao teu próximo com todas as suas forças"? Por que é importante para a Torá ressaltar que o amor que devemos sentir pelos outros deve ser como o nosso amor próprio?

O Rav Eliyahu Dessler (Latvia, 1892 - Israel, 1953) define que egoísmo é o sentimento interno, presente em todas as pessoas, que faz com que ela pense, de forma subconsciente e natural, que tem prioridade em relação aos outros. O ego do ser humano deseja constantemente saciar todas as suas vontades e preencher todas as suas faltas. Porém, quando a pessoa corre atrás dos seus desejos e os alcança, seu egoísmo se fortalece ainda mais. A pessoa que entra neste ciclo passa a buscar com todas as suas forças as honrarias, e chega ao ponto de querer louvores através da vergonha do próximo. Por isso, ela não hesita em pisar e humilhar os outros, contanto que saia honrada e prestigiada.

O Rav Dessler vai além e afirma que existem duas forças predominantes no mundo: a "Coach HaNetiná" (Força de Doar) e a "Coach HaNetilá" (Força de Pegar). Todas as boas qualidades de uma pessoa, como o altruísmo e a misericórdia, são derivações da "Força de Doar", enquanto todas as más qualidades de uma pessoa, como o egoísmo e a desonestidade, são derivações da "Força de Pegar". A pessoa que não controla seu egoísmo acaba desenvolvendo também todas as outras más características incluídas na "Força de Pegar". Mais do que isso, o egoísta acaba encobrindo e ofuscando também todo o seu reconhecimento pelas bondades recebidas de D'us, e ao invés de se anular perante Ele, vive como se estivesse em um domínio particular e independente, chegando muito perto de cometer a "egolatria", isto é, a idolatria de si mesmo.

O egoísmo é algo muito nocivo para o ser humano, e pode desencadear todas as forças "escuras" que existem dentro dele. O egoísta pode chegar ao ponto de afastar de seu coração todo o amor que sente, até mesmo pelos seus parentes e pelas pessoas mais queridas. Mesmo que o coração do egoísta esteja cheio de amor, é apenas algo externo, superficial, pois dentro do coração dele o que existe é amor próprio.

Podemos achar que isto é um grande exagero, mas a Torá nos traz um exemplo de até onde pode chegar o egoísmo. Depois de a cobra ter conseguido persuadir Chavá (Eva) a comer do fruto proibido, a Torá descreve que imediatamente Chavá foi levar do fruto para que Adam (Adão) também comesse. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que o ato de Chavá não foi um ato de Chessed (bondade), ela não queria que Adam também tivesse proveito do sabor daquele fruto. Quando ela se deu conta e percebeu que havia transgredido a ordem de D'us, que explicitamente havia avisado que quem comesse daquele fruto morreria, ela imediatamente quis dar do fruto a Adam, pois pensou que se ela morresse, ele se casaria com outra mulher. Isto quer dizer que, apesar do amor que Chavá sentia por Adam, por dentro do seu coração ainda havia muito egoísmo.

Mas então surge um grande questionamento: se o egoísmo é algo tão prejudicial, se é algo tão forte, por que D'us naturalizou este sentimento no coração do ser humano? Se tudo o que D'us faz é para nos dar a possibilidade de nos aprimorarmos um pouco mais a cada dia e atingirmos a perfeição, por que Ele nos deu esta força com um potencial tão destrutivo?

A resposta é que esta força poderosa foi colocada dentro de nós pois somente através dela conseguiremos o impulso necessário para atingir os máximos níveis no nosso serviço espiritual, como está escrito nos Provérbios de Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Se você buscá-lo como [se fosse] prata, e procurá-lo como [se fossem] tesouros, então você entenderá o temor a D'us" (Mishlei 2:4,5). Shlomo Hamelech quis nos ensinar que a única maneira de atingir os níveis espirituais mais elevados é justamente utilizando as forças mais baixas, as forças dos desejos materiais egoístas.

Mas por outro lado devemos ter o cuidado para que estas forças negativas não sejam utilizadas da maneira equivocada e o "tiro não saia pela culatra", afastando a pessoa de D'us e de sua espiritualidade. Para acostumar o ser humano a utilizar seu egoísmo somente da maneira correta, para o seu crescimento espiritual e para o bem do próximo, a Torá nos deu uma importante Mitzvá: "Ame ao teu próximo como a ti mesmo". Por que o "como a ti mesmo"? Para que o ser humano se acostume a aprender com o seu próprio egoísmo a forma de ajudar o próximo, e dos seus próprios sentimentos a não magoar nem ferir os sentimentos do seu companheiro, como afirma o Talmud (Shabat 31a), em nome do sábio Hilel: "O que você não gosta, não faça aos outros". Mais do que isso, devemos desejar chegar ao nível de querer ao próximo o que queremos para nós mesmos.

Transformar esta força tão destrutiva em algo positivo é um trabalho difícil. É necessária uma nova postura para que possamos mudar nossos costumes e nossa natureza. Mas o esforço vale a pena. Podemos deixar nossa natureza controlar nossas características e aceitar sermos pessoas egoístas, ou podemos controlar nossa natureza e nos tornarmos pessoas benevolentes e proativas, que conseguem pensar não apenas em si mesmas, mas também nos outros, e ajudar a construir, com pequenos atos, um mundo melhor.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Baruch ben Yaacov, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Sara Myriam bat Dina, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Rachamim ben Rose.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


sexta-feira, 18 de abril de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PESSACH II 5774

BS"D

EGO FERIDO - PESSACH II 5774 (18 de abril de 2014)


"Em um Shabat de manhã, como sempre fazia toda semana, Uri foi à sinagoga rezar. Depois da leitura da Torá, ele foi chamado pela primeira vez para fazer a Mitzvá de "Agbaá" (levantar o Sefer Torá aberto, para que todos os presentes na sinagoga possam vê-lo). Apesar de o Sefer Torá ser muito grande e pesado, Uri achou que conseguiria levanta-lo tranquilamente, pois era um rapaz forte e saudável. Porém, Uri superestimou sua força e, para seu total constrangimento, quase deixou o Sefer Torá cair no chão. Precisou até pedir ajuda para devolver o Sefer Torá ao lugar.

Uri, com seu ego ferido, decidiu não voltar mais à sinagoga antes de fazer muita musculação. Matriculou-se no dia seguinte em uma academia e fazia horas de musculação todos os dias, para nunca mais passar por tal constrangimento.

Três meses depois, um rapaz musculoso e muito forte entrou na sinagoga. Parecia um novo frequentador, mas era Uri. Quando escutou seu nome sendo chamado pelo Gabai da sinagoga (pessoa responsável, entre outras coisas, por escolher quem será chamado para ler e para levantar a Torá), abriu um sorriso e levantou-se confiante de que desta vez não falharia. Uri levantou o pesado Sefer Torá sem nem mesmo precisar dobrar os joelhos. E não escondeu o sorriso de satisfação quando escutou os ruídos de admiração vindos de todos os cantos da sinagoga. Ele então se sentou com o Sefer Torá e ficou aguardando, orgulhoso, até que alguém viesse para enrolar o Sefer Torá e cobri-lo com sua capa de veludo. Porém, ninguém veio enrolar o Sefer Torá. Quem se aproximou de Uri foi o Gabai, e falou baixinho em seu ouvido:

- Uri, você fez um excelente trabalho. Sua Agbaá foi magnífica. O problema é que eu tinha chamado você para ler a Torá, não para levantá-la..."

Quando deixamos nosso ego nos guiar, acabamos nos equivocando. No caso de Uri, foi apenas um pequeno erro, que lhe trouxe ainda mais vergonha. Mas em muitos casos as consequências acabam sendo trágicas.

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Nesta semana o Shabat coincide com a festa de Pessach. Por isso, não é lida a Parashá da semana, e sim um trecho da Torá que fala sobre a festa de Pessach. E na noite de domingo (20 de abril) é o "Shevii de Pessach" (sétimo dia de Pessach). O Shevii tem uma santidade especial e também é Yom Tov, como o primeiro dia de Pessach. Mas o que este dia tem de especial? O primeiro dia de Pessach é Yom Tov por ser o dia em que o povo judeu saiu do Egito, terminando 210 anos de escravidão. Porém, o que aconteceu de especial no Shevii de Pessach para que ele também tivesse o "status" de Yom Tov?

Explicam nossos sábios que quando o Faraó deixou os judeus saírem, pensou que eles iriam ao deserto servir a D'us e voltariam ao Egito depois de três dias. Para garantir que isto realmente aconteceria, ele enviou espiões junto com o povo judeu. Mas após os três dias, os espiões voltaram e informaram ao Faraó que o povo judeu não tinha mais planos de voltar. Os egípcios saíram imediatamente em perseguição aos judeus. No sétimo dia após a saída do Egito, os judeus se viram encurralados entre o Mar Vermelho e os egípcios que os perseguiam. D'us então preparou o grande final, abrindo milagrosamente o mar para que o povo judeu atravessasse e fechando-o para afogar os egípcios. Era o derradeiro fim da escravidão egípcia. O Shevii de Pessach é o dia em que D'us fez o grande milagre da abertura do mar.

E assim diz o versículo sobre o início da perseguição ao povo judeu: "Ele (Faraó) montou sua carruagem e pegou seu povo com ele" (Shemot 14:6). O que significa a expressão "pegou o seu povo"? Explica o Rav Yehuda Loew (Praga, 1525 - 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, que a linguagem "Lakach" (pegou), quando utilizada em relação a objetos, realmente significa pegar, mas quando é utilizado em relação a pessoas, se refere a uma persuasão verbal. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que o Faraó montou pessoalmente sua carruagem de guerra para dar o exemplo ao seu povo. Ele questionou como eles haviam deixado os judeus levarem seu dinheiro, e prometeu que dividiria igualmente todos os espólios com o povo egípcio. De que dinheiro o Faraó estava falando? Rashi comenta que antes de saírem do Egito, os judeus pediram aos egípcios objetos de ouro e prata, além de roupas. Os egípcios deveriam estar fervendo de ódio, mas D'us fez um grande milagre e os egípcios viram os judeus com bons olhos. Não apenas eles deram o que os judeus pediram, mas ofereceram o dobro, e de bom grado. Com este argumento, de recuperar o dinheiro entregue aos judeus, o Faraó conseguiu convencer o seu povo a mais uma vez persegui-los.

Porém, se pararmos para refletir, a forma de persuasão do Faraó gera alguns questionamentos. Em primeiro lugar, as cicatrizes das 10 pragas, em especial a morte dos primogênitos, ainda eram recentes e doíam muito nos egípcios. Como eles se deixaram convencer pelos argumentos do Faraó a novamente perseguir os judeus, se racionalmente era um verdadeiro suicídio, depois de todas as demonstrações de força de D'us? Além disso, um escravo custa caro, muito mais do que os objetos que os egípcios deram aos judeus. Portanto, se o Faraó queria convencer os egípcios de que valia a pena perseguir os judeus, por que não argumentou melhor, sugerindo que caso eles aceitassem persegui-los, poderiam pegar seus escravos de volta?

Explica o Rav Yohanan Zweig que um homem de negócios pode perder dinheiro de duas maneiras. A perda pode ser causada por circunstâncias imprevisíveis, totalmente fora do seu controle, ou pode ser resultado direto de uma decisão equivocada, como um mau investimento. Quando uma pessoa perde dinheiro da primeira maneira, é muito mais fácil para ela se consolar com a perda do que se perdesse da segunda maneira, pois perder dinheiro por causa de circunstâncias imprevisíveis não é uma demonstração de falta de perspicácia e tino comercial, enquanto a perda por causa de uma decisão equivocada é uma "mancha" na competência da pessoa e fere seu ego. Por isso, é comum ver pessoas que fizeram equivocadamente maus investimentos torrando enormes quantidades de dinheiro para tentar salvar a situação, jogando cada vez mais dinheiro no lixo, apenas por causa do seu ego.

Este conceito do ego ferido, que tem uma forte implicação na psicologia do ser humano, nos ajuda a entender um pouco melhor o argumento utilizado pelo Faraó. Ele percebeu que tentar persuadir seu povo a recuperar seus escravos seria inútil, pois os egípcios não estavam tão desolados com esta perda, que havia sido algo fora do controle deles. Porém, o dinheiro que eles haviam dado de bom grado, e que generosamente deram até mesmo o dobro do que havia sido pedido, podia ser atribuído à estupidez. Portanto, o Faraó apelou para o ego do povo, lembrando a eles do dinheiro dado aos judeus, e teve sucesso. Ao escutar o argumento do Faraó, o ego dos egípcios se inflamou, deixando-os dispostos a qualquer esforço para reaver seu dinheiro.

Ensinam nossos sábios: "A inveja, a busca pelos desejos e a honra tiram a pessoa do mundo" (Pirkei Avót 4:28). Isto quer dizer que uma pessoa guiada pelo orgulho pode fazer atos completamente irracionais. Assim entendemos porque os egípcios, mesmo com as lembranças das pragas ainda tão recentes, decidiram novamente perseguir os judeus. O ego havia falado mais alto que o racional, e eles pagaram com suas vidas pela falta de bom senso.

Infelizmente a humanidade não aprende com as lições trazidas na Torá, e voltamos a cometer os mesmos erros. Assim vemos na prática quantas vezes a honra da pessoa a leva a um caminho ilógico de autodestruição. Quantas discussões terminam em tragédias pois nenhum dos dois lados aceita "levar desaforo para casa"? Quantos jovens provocam acidentes fatais em rachas de automóveis, apenas por terem sido provocados por outro motorista? Quantas vidas se perdem quando jovens querem dar demonstrações de coragem diante dos amigos, participando de brincadeiras estúpidas como a "roleta russa" ou entrando no mundo das drogas? Quando o ego fala mais alto, esquecemos até mesmo da coisa mais importante que temos, que é a nossa própria vida.

As consequências podem ser ainda mais trágicas quando, por causa do nosso ego, nos afastamos dos caminhos espirituais corretos. É por isso que a Torá nos incentiva tanto a buscarmos a característica da humildade. A humildade nos traz serenidade no momento de uma discussão. A pessoa que é verdadeiramente humilde não precisa provar nada para ninguém. Assim, ao invés de sermos guiados pelo nosso ego irracional, poderemos sempre tomar decisões racionais e de forma tranquila, aproveitando melhor a vida neste mundo e garantindo também o nosso Mundo Vindouro.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h30  Rio de Janeiro: 17h17  Belo Horizonte: 17h22  Jerusalém: 18h34

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV (7º dia de PESSACH):
São Paulo: 17h28  Rio de Janeiro: 17h15  Belo Horizonte: 17h21  Jerusalém: 18h36

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV SHENI (8º dia):
acender depois de São Paulo: 18h19  Rio de Janeiro: 18h06  Belo Horizonte: 18h11  
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sexta-feira, 11 de abril de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ ACHAREI MÓT E PESSACH 5774

BS”D

CONTANDO SOBRE A SAÍDA DO EGITO - PARASHÁ ACHAREI MÓT E PESSACH 5774 (11 de abril de 2014)

“Depois da Segunda Guerra Mundial, a situação econômica dos judeus da Europa ainda era muito difícil. Pessach estava chegando e os judeus não tinham condições nem mesmo de trazer farinha para as Matzót. Com muito esforço, o Skoliner Rebe conseguiu uma quantidade muito limitada de farinha. Ele definiu que, para que todos pudessem cumprir a Mitzvá, somente seria permitido que cada família recebesse 3 Matzót, e esta regra valeria para todos, inclusive para os grandes rabinos que viviam na cidade. Porém, alguns dias antes de Pessach, o filho do Rebe de Vizhnitz veio procurar o Skoliner Rebe e disse:

- Rebe, trago uma mensagem do meu pai. Ele disse que necessita de 6 Matzót para Pessach.

O Skoliner Rebe achou que se tratava de um engano. Ele havia deixado claro para todos que, sem exceção, cada um receberia apenas 3 Matzót. Mas o filho do Rebe de Vizhnit estava irredutível, e disse que tinha ordens do pai de não sair de lá sem levar as 6 Matzót. O Skoliner Rebe, ao ver que não teria alternativa, acabou entregando as 6 Matzót, mas ficou muito incomodado com aquela situação.

Na véspera de Pessach, alguém bateu na porta do Skoliner Rebe. Era novamente o filho do Rebe de Vizhnitz, trazendo na mão 3 Matzót. Ele falou que seu pai havia pedido para que ele devolvesse aquelas 3 Matzót, atitude que deixou o Skoliner Rebe surpreso, sem entender o que estava acontecendo. O filho do Rebe de Vizhnitz abriu um enorme sorriso e explicou:

- Rebe, meu pai conhece a sua extrema bondade e misericórdia. Ele teve medo que você dividiria as poucas Matzót que tinha com todos da cidade e acabaria ficando sem nenhuma. Por isso ele pediu inicialmente 6 Matzót, para ter certeza que sobrariam pelo menos 3 para você”

Há duas incríveis lições nesta história. A primeira é o gigantesco potencial de bondade que tem o ser humano. A segunda é a forma que o Rebe de Vizhnitz fez a Mitzvá. Por que ele não foi pessoalmente pedir as Matzót ao Skoliner Rebe, preferindo mandar seu filho no lugar? Pois ele queria aproveitar a oportunidade de Pessach para ensinar ao filho como se comportar com bondade e com preocupação ao próximo, de maneira que o filho nunca mais esqueceria a lição. Este é um dos principais objetivos de Pessach, e em especial a noite do Seder: transmitir os valores da Torá para as futuras gerações.

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Nesta semana lemos a Parashá Acharei Mót, que ensina os serviços feitos no Mishkan, e futuramente no Beit Hamikdash (Templo Sagrado), durante o dia de Yom Kipur. A Parashá também ensina sobre a grave proibição das relações ilícitas. E na próxima segunda feira de noite (14/04) começa a Festa de Pessach, mais conhecida como “A Festa da nossa liberdade”, na qual revivemos a milagrosa salvação do povo judeu após 210 anos de escravidão pesada no Egito. D’us, com Mão forte e Braço estendido, nos tirou de dentro de outro povo para nos dar a liberdade verdadeira. O Egito era um enorme centro de promiscuidade e relações ilícitas, e parte da salvação espiritual foi D’us ter nos tirado fisicamente de lá, para que não recebêssemos mais nenhum tipo de influência negativa.

Na primeira noite de Pessach (fora de Israel também na segunda noite) fazemos o Seder, que consiste em 15 “passos”, que vão desde o Kidush até um pedido de que no próximo ano possamos comemorar Pessach em Jerusalém, com o nosso Beit-Hamikdash reconstruído. O Seder inclui muitos rituais diferentes do que fazemos durante o ano, justamente para provocar questionamentos, principalmente nas crianças. A parte central do Seder é o “Maguid”, na qual contamos com detalhes a história da saída do Egito, cumprindo uma Mitzvá da Torá, como está escrito: “E lembrem-se deste dia, no qual vocês saíram do Egito, da casa da escravidão” (Shemot 13:3). Mas sabemos que há uma Mitzvá diária de relembrar a saída do Egito, como está escrito “Para que você se lembre do dia em que você saiu do Egito, todos os dias da sua vida” (Devarim 16:3). Por que é necessário mais uma Mitzvá de relembrar a saída do Egito, se já há uma Mitzvá diária? E qual a diferença entre a Mitzvá diária de relembrar a saída do Egito e a Mitzvá que cumprimos na noite do Seder de Pessach?

A pergunta fica ainda mais forte ao observarmos um trecho que aparece no começo da Hagadá: “Disse o Rav Elazar ben Azaria: Eu tenho 70 anos e não meritei mencionar a saída do Egito nas noites, até que Ben Zomá aprendeu do seguinte versículo: ‘Para que você se lembre do dia em que você saiu do Egito, todos os dias da sua vida’. Se tivesse escrito apenas “dias da sua vida”, aprenderíamos que só durante os dias. Mas como está escrito “todos os dias da sua vida”, isto inclui também as noites”. Porém, este trecho que nossos sábios escolheram para fazer parte da Hagadá é, na realidade, uma Mishná (Brachót 12b) que fala sobre a Mitzvá diária de relembrar da saída do Egito, não tendo, portanto, nenhuma conexão com a Mitzvá de relembrar a saída do Egito durante a noite do Seder de Pessach. Então por que nossos sábios decidiram que esta Mishná deveria fazer parte da Hagadá de Pessach?

Responde o Rav Aryeh Pomrantzik que há três diferenças básicas entre a Mitzvá diária de relembrar a saída do Egito e a Mitzvá que cumprimos na noite do Seder. Em primeiro lugar, para cumprir a Mitzvá diária é suficiente apenas mencionar para si mesmo a saída do Egito, enquanto a Mitzvá do Seder somente é cumprida quando contamos a saída do Egito através de perguntas e respostas, cumprindo o que está escrito: “E será, quando seu filho perguntar... e você contará a ele” (Shemot 13:14). No Seder, o filho pergunta “Má Nishtaná” (Qual a diferença desta noite?) e o pai responde “Avadim Hainu” (Fomos escravos). De acordo com a Halachá (Lei Judaica), mesmo uma pessoa que passa o Seder de Pessach sozinho também deve ler a Hagadá na forma de pergunta e resposta.

Uma segunda diferença é que para cumprir a Mitzvá diária é suficiente apenas mencionar o evento da saída do Egito propriamente dito, mas para cumprir a Mitzvá no Seder de Pessach é necessário descrever também alguns eventos anteriores e o encadeamento que levou à salvação do povo judeu, começando sempre pela desonra, como a escravidão e o fato dos nossos antepassados terem sido idólatras, e terminando com os louvores da salvação física e espiritual do povo judeu.

Uma terceira diferença é que durante o Seder de Pessach, além de mencionar a saída do Egito, também é necessário mencionar a motivação das Mitzvót que estamos cumprindo nesta noite, como está escrito na Hagadá: “Diz o Raban Gamliel: todo aquele que não falou estas três coisas em Pessach não cumpriu sua obrigação, e elas são: Pessach (o Korban que era oferecido em Pessach), Matzá (a massa que não teve tempo de fermentar quando o povo judeu saiu do Egito) e Maror (a amargura da escravidão)”.

Por que é tão importante entender quais são as diferenças entre a Mitzvá diária de recordar a saída do Egito e a Mitzvá de contar sobre a Saída do Egito na noite do Seder? Pois para cumprir uma Mitzvá da maneira correta, é necessário ter as Kavanót (intenções) corretas. Portanto, é importante lembrar os três pontos principais da Mitzvá de contar a Saída do Egito na noite do Seder para que possamos cumpri-la da maneira correta. O Rambam (Maimônides), em seu livro de Halachót “Mishne Torá” (Halachót Chametz Umatzá capítulo 7), além de explicitar que estas três diferenças devem ser aplicadas na noite do Seder para que se cumpra a Mitzvá da maneira correta, também acrescenta a importância de cada pai ensinar ao seu filho no Seder de uma forma que ele entenda e consiga internalizar os ensinamentos. Se o filho for pequeno ou tolo, deve ser ensinado de certa maneira, mas se ele for grande ou sábio, deve ser ensinado de outra maneira, cada um de acordo com sua capacidade de entendimento, pois o ponto principal da noite é deixar uma marca nos nossos corações e nos corações dos nossos filhos que dure o ano todo.

Quando nossos sábios fixaram na Hagadá de Pessach a Mishná que traz o ensinamento do Rav Elazar ben Azaria, eles queriam ressaltar que, apesar de termos no ano inteiro a Mitzvá diária de recordar a saída do Egito, na noite do Seder não é suficiente apenas mencionar para si mesmo, devemos acrescentar outros detalhes para o cumprimento da Mitzvá. E a própria Hagadá dá a dica na continuação, como está escrito: “Bendito seja D’us... em relação aos 4 filhos disse a Torá”, para acrescentar que devemos cumprir a Mitzvá de contar a saída do Egito aos filhos através de perguntas e respostas, e para cada filho de acordo com o seu entendimento. Logo depois a Hagadá escreve: “No princípio éramos idólatras”, para acrescentar que devemos cumprir a Mitzvá incluindo também os eventos anteriores que levaram à salvação do povo judeu, começando pela desonra e terminando com o louvor. E um pouco depois vem a citação do Raban Gamiel, “Pessach, Matzá e Maror”, para acrescentar que devemos cumprir a Mitzvá mencionando a motivação das Mitzvót realizadas nesta noite.  

A noite do Seder é o momento reunir nossas família e contar aos nossos filhos a história do nosso povo, desde a assimilação e escravidão até a nossa liberdade, colocando nos corações de cada geração o agradecimento a D’us e a Emuná (fé) de que tudo está sob o controle Dele. Se cumprirmos esta Mitzvá com alegria e de forma minuciosa, cuidando de todos os detalhes da Halachá, certamente levaremos estas certezas gravadas em nosso coração durante o ano todo, e apenas a menção diária já será suficiente para manter as bases que construímos nesta noite tão fundamental para a continuidade do povo judeu.

SHABAT SHALOM e PESSACH KASHER VE SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h36  Rio de Janeiro: 17h23  Belo Horizonte: 17h27  Jerusalém: 18h29

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE PESSACH (1º dia):
São Paulo: 17h33  Rio de Janeiro: 17h20  Belo Horizonte: 17h25  Jerusalém: 18h31

HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE PESSACH (2º dia):
acender depois de São Paulo: 18h24  Rio de Janeiro: 18h11  Belo Horizonte: 18h15  
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).