sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

VOCÊ REALMENTE QUER ENXERGAR A VERDADE? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIGASH 5785

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PARASHÁ VAYIGASH 5785



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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYIGASH
  • Yehudá enfrenta o "vice-rei".
  • Yossef manda todos saírem da sala.
  • Yossef se revela.
  • Irmãos de Yossef voltam para casa, para buscar famílias.
  • Yossef manda presentes a Yaacov.
  • A família de Yaacov prepara-se para ir ao Egito.
  • Genealogia dos filhos de Yaacov.
  • O reencontro de Yaacov e Yossef.
  • O encontro de Yaacov e o Faraó.
  • A fome no Egito fica cada vez mais dura.
  • Yossef compra todo o Egito.
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VOCÊ REALMENTE QUER ENXERGAR A VERDADE? - PARASHÁ VAYIGASH 5785 (03/jan/25)
 
"Certa vez, um homem chamado Avraham, na faixa dos seus 35 anos, procurou o Rav Yaacov Zilberstein shlita. Avraham era um industrial, muito simpático e inteligente. Ele dirigiu-se ao rabino com a seguinte pergunta:

- Há muito tempo estou procurando minha alma gêmea, mas não consigo encontrá-la. Será que eu tenho algum defeito grave? Será que foi decretado no Céu que eu devo permanecer solteiro a vida toda?

Havia amargura na voz de Avraham e estava claro que ele já não tinha mais esperanças. O Rav Zilberstein o tranquilizou e depois deu-lhe uma Brachá para que encontrasse rapidamente sua alma gêmea. Avraham aproveitou para também pedir uma Brachá para sua mãe, que não estava muito bem. Ele contou sobre a vida sofrida dela, após ter enviuvado muito cedo. Seu pai havia falecido quando ele ainda era adolescente, e desde então ela vivia muito sozinha. Uma luz se acendeu na cabeça do Rav Zilberstein e ele perguntou ao rapaz:

- Como você explica sua mãe nunca ter se casado novamente, apesar de ter enviuvado tão jovem?

- A honra do meu falecido pai é muito importante para mim - respondeu Avraham, muito sério - Fui eu que a impedi de se casar novamente. Preocupei-me em preservar a honra do meu pai e, apesar de ela ter recebido muitas ofertas para se casar novamente, eu disse a ela que nenhum homem estranho pisaria na casa do meu falecido pai!

- Estou espantado com você - disse o Rav Zilberstein - Você aparenta ser uma pessoa muito inteligente, mas não consegue enxergar um centímetro à sua frente! Você não entende que, muito provavelmente, o motivo pelo qual você não consegue encontrar a sua metade é por você ter impedido sua mãe de se casar novamente?

Avraham ficou em choque, não conseguia falar. Ele percebeu naquele instante seu enorme erro de tantos anos e caiu no choro. Após se acalmar, garantiu que não iria mais impedir sua mãe de se casar novamente. Quando voltou para casa naquele dia, apressou-se em pedir perdão a ela pelo sofrimento que havia lhe causado por tantos anos. Após pouco tempo, Avraham voltou ao rabino, contando que havia noivado e que iria se casar em breve"
 
É incrível perceber até que ponto uma pessoa não consegue enxergar o que está diante de seus olhos. Às vezes não conseguimos perceber nem mesmo as coisas mais óbvias que estão diante de nós.

Nesta semana lemos a Parashá Vayigash (literalmente "E se aproximou"), que descreve o auge da história de Yossef. Após ter sido vendido como escravo pelos irmãos, ter passados por altos e baixos e ter se tornado vice-rei do Egito, responsável por salvar o mundo de uma severa fome, finalmente Yossef se revelou aos seus irmãos. Após um momento de perplexidade, os irmãos o abraçaram e voltaram para casa para buscar Yaacov e suas famílias e trazê-los para o Egito, já que a fome ainda continuaria por mais alguns anos.
 
Do auge da história de Yossef podemos aprender um conceito espiritual importante. Se pudéssemos agendar uma conversa pessoal com D'us, faríamos isso? Apesar de parecer uma ideia interessante, há uma condição especial: D'us seria completamente honesto conosco. Ele nos diria exatamente o que fizemos de certo e o que fizemos de errado. Todos nós fazemos coisas na vida das quais nos orgulhamos, mas também cometemos erros pelos quais nos envergonhamos e que preferiríamos esquecer. E o pior são aqueles erros que nem mesmo percebemos, dos quais é difícil se arrepender e consertar. Será que estamos avançando em direção ao nosso potencial ou estamos desperdiçando nossas vidas? D'us pode nos responder esta pergunta, mas será que teríamos a coragem de escutar? Uma parte de nós quer saber a verdade, mesmo que a verdade doa, mas outra parte de nós tem medo da dor.
 
Os irmãos de Yossef eram seres humanos, com qualidades de grandeza espiritual. Eles eram a base de formação das 12 Tribos de Israel. Porém, eles não eram anjos, eles eram seres humanos e cometiam falhas. Por vinte e dois anos eles acreditavam terem feito o que era correto ao vender Yossef como escravo. Mas, no fundo, algo os incomodava. Coisas ruins começaram a acontecer, e eles imediatamente associaram à falta de misericórdia que demonstraram com Yossef. Eles queriam descobrir a verdade e enfrentar o erro que cometeram, mas não queriam encarar a realização mais dolorosa de todas: que eles estavam completamente errados. Não queriam descobrir que, nos últimos vinte e dois anos, viveram uma mentira. A venda parecia ser a decisão correta, mas havia sido influenciada pelo ódio e pela inveja. Eles não julgaram corretamente, pois tinham interesses envolvidos.
 
Por que Yossef não se revelou aos irmãos imediatamente quando os reencontrou? Pois ele estava determinado a fazê-los enxergar o erro que cometeram. Mas Yossef queria que eles percebessem isso por si mesmos, pois aquilo que uma pessoa entende por conta própria é internalizado em um nível mais profundo do que aquilo que é dito pelos outros. Para trazer as coisas ao seu auge, Yossef mandou esconder seu cálice de prata na sacola de Biniamin e os acusou de roubo. Quando o cálice foi encontrado, os irmãos primeiro suspeitaram que Biniamin realmente o havia pegado, mas logo percebem que tudo era uma armação. Quando voltaram diante do poderoso vice-rei do Egito, Yehudá, como porta-voz dos irmãos, disse: "D'us revelou o pecado dos seus servos" (Bereshit 44:16). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Yehudá estava dizendo: "Sabemos que não somos culpados disso, mas D'us está nos punindo pelo pecado que cometemos contra nosso irmão". É por isso que ele concluiu: "Estamos prontos para ser escravos, tanto nós quanto aquele em cuja mão o cálice foi encontrado".
 
Então Yehuda se aproximou de Yossef e faz um discurso comovente. Ele suplicou e, segundo algumas opiniões, ameaçou destruir todo o Egito. Mas se ele acreditava que o vice-rei era um egípcio, que não entendia Lashon Hakodesh, qual era o propósito do seu discurso? Ensinam os nossos sábios que palavras que saem do coração entram no coração do outro. Yehudá, sem outra escolha, precisava fazer algo para que suas palavras alcançassem o coração daquele homem duro de alguma forma. Através do seu discurso, Yehudá atingiu o nível de Teshuvá. Colocado na mesma situação em que estava antes de vender Yossef, Yehudá decidiu desta vez arriscar a vida para defender seu irmão, mesmo que Biniamin também era um irmão especialmente favorecido, por ser filho da esposa amada de Yaakov, Rachel. Para proteger seu pai de sentir ainda mais dor, Yehudá estava disposto a lutar contra todo o poder do Egito.
 
Mas há um detalhe interessante. Apesar de todo o arrependimento, Yehudá ainda não havia conseguido reconhecer que a pessoa que estava diante dele era seu irmão Yossef. Enquanto ele fazia Teshuvá por ter vendido Yossef, percebendo que era necessário defender seu irmão Biniamin e seu pai, ele ainda se recusava a admitir que julgou mal seu irmão. Reconhecer que aquele que estava diante dele era Yossef seria admitir que os sonhos eram verdadeiros, e não produto de um indivíduo sedento por poder. Os seres humanos são complexos. Podemos ser totalmente honestos e abertos para encontrar a verdade em um aspecto e, ao mesmo tempo, bloqueá-la completamente em outro.
 
Yossef então não conseguiu mais se conter. Embora quisesse que seus irmãos percebessem a verdade sozinhos, ele foi forçado a se revelar, como está escrito: "E Yossef disse aos seus irmãos: 'Eu sou Yossef. Meu pai ainda está vivo?'. Mas seus irmãos não puderam responder, porque ficaram desconcertados diante dele" (Bereshit 45:3). Os irmãos imediatamente entenderam a mensagem. Perceberam que nos últimos vinte e dois anos haviam vivido uma ilusão, pensando que estavam certos ao ver seu irmão como uma pessoa perigosa e sedenta por poder, quando ele apenas lhes dizia o que D'us realmente havia mostrado através de sonhos proféticos. Eles estavam tão envergonhados que não conseguiram responder nada para Yossef.
 
Nossos sábios ensinam que podemos aprender deste acontecimento como será nossa "entrevista particular" com D'us após nossa partida deste mundo. Yossef era apenas um ser humano, o irmão mais novo, e ainda assim, quando ele disse "Eu sou Yossef", os irmãos não puderam responder nada de tanta vergonha que sentiram. Então, o que poderemos dizer quando nos encontrarmos com D'us e Ele disser: "Eu sou D'us", e tudo ficar claro? Quanto tempo vivemos em ilusões, nos enganando sobre o que é verdadeiro e importante?
 
O judaísmo também tem o conceito de "inferno", chamado de Gehinom. Mas, diferente do que é ensinado em outras religiões, não se trata de um fogo eterno. Gehinom é a intensa vergonha que a alma sente ao perceber quanto o corpo a fez ignorar o verdadeiro significado da vida. Os irmãos de Yossef sentiram essa vergonha, e a dor disso os purificou dos efeitos de vinte e dois anos encobrindo seu erro. Da mesma forma, o Gehinom é um processo de purificação, um passo para a experiência da conexão final com D'us no Mundo Vindouro.
 
Ainda assim, pelo fato de precisarem que a verdade fosse mostrada, eles não fizeram uma Teshuvá completa. O Rav Noach Weinberg zt"l (EUA, 1930 - Israel, 2009) explica que a expressão "não puderam responder" significa que eles não tinham o que dizer, mas gostariam de poder ter dito algo. Tiveram a vontade de dizer a Yossef: "Foi você que trouxe isso sobre si mesmo. Nós o julgamos mal, mas não somos totalmente culpados".
 
É fácil enxergar esta cegueira nos outros, mas devemos ter a claridade de que ela também nos atinge. Quando se trata de algo no qual temos interesses, também nos tornamos cegos e buscamos justificativas para encobrir nossas falhas. Não enxergamos mesmo o que é mais óbvio. Somente com reflexões e aconselhamentos com os sábios de Torá poderemos superar esta cegueira. É a única forma de consertarmos nossos erros e caminharmos no nosso objetivo de aprimoramento.

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 27 de dezembro de 2024

O MOTIVO DA VITÓRIA NAS BATALHAS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MIKETZ E CHANUKÁ 5785

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MENSAGEM DE CHANUKA

ASSUNTOS DA PARASHÁ MIKETZ
  • Os dois sonhos do Faraó.
  • Yossef é chamado para interpretar os sonhos.
  • Yossef se torna o vice rei.
  • Yossef se casa com Osnat.
  • A estratégia de Yossef é implantada no Egito.
  • Yossef tem dois filhos: Efraim e Menashé.
  • Começam os anos de fome no Egito.
  • Yaacov manda seus filhos aos Egito.
  • Yossef reconhece seus irmãos, mas eles não o reconhecem.
  • Yossef acusa os irmãos de serem espiões.
  • Os irmãos de Yossef se arrependem.
  • Yossef prende Shimon e exige a vinda de Biniamin.
  • Yaacov se recusa a enviar Biniamin.
  • A fome continua e Yaacov é obrigado a enviar Biniamin.
  • Yossef testa seus irmãos e esconde cálice de prata na sacola de Biniamin.
  • Biniamin é acusado de roubo e condenado a virar escravo.
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O MOTIVO DA VITÓRIA NAS BATALHAS - PARASHÁ MIKETZ E CHANUKÁ 5785 (27/dez/24)
 
"Na época em que a Rússia ocupou a Romênia, havia um grupo de pessoas na Romênia, conhecidos como "Escapa fronteiras", que ajudavam pessoas que queriam fugir. Certa vez Yankele, um judeu muito puro, com muito temor a D'us, se uniu ao grupo. Eles determinaram o dia em que tentariam escapar, e este dia coincidia com o quarto dia de Chanuka. Durante a noite, o grupo entrou no bosque e o chefe pediu para que não fizessem barulho, para que os soldados russos não os descobrissem. O perigo era real e todos tremiam de medo.

No meio da madrugada, Yankele pediu ao chefe do grupo permissão para acender a Chanukia, mas este obviamente negou, pois a luz chamaria a atenção dos russos. Eles continuaram caminhando na escuridão, até que chegaram a algumas ruinas, onde pararam para descansar um pouco. Yankele então aproveitou para pegar quatro velas e as acendeu. Depois de alguns minutos apareceu um policial russo, atraído pelas luzes, e pediu a todos que levantassem as mãos. Todos tremiam, entendendo que estavam próximos de uma morte cruel, e tudo por culpa daquele judeu e das velas de Chanuka! Porém, alguns minutos depois, o policial ordenou que todos abaixassem as mãos e distribuiu uma bebida forte para que todos se esquentassem. Em seguida lhes disse:

- Atrás de mim tem um grupo de soldados russos que está perseguindo vocês por todo o caminho, esperando uma oportunidade para matar vocês. Porém, quando vi um judeu acendendo as velas de Chanuka, comecei a tremer. Me lembrei que 25 anos atrás meu pai também acendia a Chanukia, e me enchi de misericórdia. Por isso, vão embora e salvem a vida de vocês".

Desta história incrível podemos aprender duas importantes lições. Primeiro, sobre a grandeza das velas de Chanuka. Apesar de 25 anos de comunismo e escuridão, as velas de Chanuka conseguiram despertar o coração adormecido de um judeu, pois cada Mitzvá deixa uma marca no nosso coração. Além disso, a vida e a morte, o sucesso e o fracasso, estão apenas nas mãos de D'us. Quanto mais fazemos a vontade Dele, maior a chance de termos sucesso em tudo o que fazemos, tanto nas grandes guerras quanto nas pequenas lutas do nosso dia a dia.
 

Nesta semana lemos a Parashá Miketz (literalmente "Ao final de"), que continua descrevendo a saga de Yossef. Após ter sido falsamente acusado e jogado na prisão, ele conheceu o padeiro-chefe e o copeiro-chefe, pessoas que serviam pessoalmente o Faraó. Eles tiveram sonhos e Yossef os interpretou de forma precisa. No início da nossa Parashá foi a vez do próprio Faraó ter um sonho enigmático, que tirou a sua paz. Então Yossef foi lembrado pelo copeiro-chefe, e esta foi a "escada" para Yossef sair da prisão e se tornar o vice-rei do Egito. Quando tudo parecia perdido, D'us salvou Yossef em um piscar de olhos, da prisão para a liberdade, da escuridão para a luz.
 
Esta Parashá sempre é lida na época da Festa de Chanuka, quando revivemos a vitória militar dos judeus diante dos gregos, o maior império da época. Era também uma época de muita escuridão, quando tudo parecia perdido, mas novamente D'us fez o improvável acontecer. Este grande milagre é mencionado no texto do "Al HaNissim", acrescentado à nossa Amidá durante todos os dias de Chanuka. A vitória extraordinária e notável é descrita assim: "Os fortes foram entregues nas mãos dos fracos, os muitos nas mãos dos poucos". Isso descreve bem o tamanho do milagre, da quebra das leis da natureza, pois o normal é os muitos vencerem os poucos e os fortes vencerem os fracos. Em Chanuka, apesar de todas as condições serem desfavoráveis, o oposto aconteceu. A continuação do texto, no entanto, não parece estar tão logicamente conectada ao milagre da vitória: "os impuros nas mãos dos puros, os perversos nas mãos dos justos, e os transgressores nas mãos dos que se ocupam com a Sua Torá". Por que isso seria um milagre? O que os Anshei Knesset HaGuedolá, que fixaram esta Tefilá, estão nos transmitindo?
 
Todos os dias dizemos no Shemá Israel: "Não siga seus corações e seus olhos, atrás dos quais vocês se desviam" (Bamidbar 15:39). A Torá não está falando apenas sobre o cuidado com os olhos, para não olharmos coisas proibidas. A Torá também está nos transmitindo que o mundo material nos ilude, nos faz esquecer que há espiritualidade por trás dos acontecimentos, que há a Mão de D'us em cada detalhe. Os nossos olhos nos enganam, nos fazem acreditar que a vida é apenas o que enxergamos, sem perceber o que há por trás.
 
Explica o Rav Yssocher Frand que os nossos sábios estavam explicando que a derrota dos "fortes nas mãos dos fracos" e dos "muitos nas mãos dos poucos" não foram acontecimentos sem uma motivação espiritual. A vitória dos poucos e fracos somente foi alcançada pelo fato de "os transgressores nas mãos dos que se ocupam com a Sua Torá". Quando há pessoas sentadas e estudando Torá, o exército que está na batalha pode ser vitorioso. O exército judaico nunca vence por força, poder, inteligência, estratégia superior ou armas de alta tecnologia. O fator determinante é que os transgressores são entregues àqueles que se ocupam com a Torá.
 
Esta é a chave para toda vitória militar do povo judeu. A vitória sempre foi única e exclusivamente por causa daqueles que se dedicam ao estudo. Isso está na nossa Torá. Quando Yaacov entrou antes de Essav para receber a Brachá de primogenitura, ele colocou sobre seus braços a pele de um animal, caso Ytzchak, que já estava cego, o apalpasse, o que realmente aconteceu. Ytzchak ficou confuso e disse: "A voz é a voz de Yaakov, mas as mãos são as mãos de Essav" (Bereshit 27:22). Há um entendimento mais profundo nestas palavras. As mãos, isto é, a força na guerra, foi dada a Essav e seus descendentes. Já a voz, isto é, a força da Tefilá e do estudo da Torá, foi dada a Yaacov e seus descendentes. Por que as duas informações foram transmitidas juntas? Para nos ensinar que, se os estudantes se engajarem no estudo de Torá com suas vozes, então os judeus serão intocáveis, mas caso contrário, estarão vulneráveis diante da força militar dos seus inimigos.
 
Assim começou a história militar judaica. A primeira batalha na qual o povo judeu se envolveu ao chegar à Terra de Israel foi a contra a cidade de Yerichó. Na noite anterior à batalha, um anjo de D'us apareceu a Yehoshua, disfarçado como um general que vinha com uma espada desembainhada. Uma famosa passagem do Talmud (Meguila 3a) descreve o diálogo entre os dois. O anjo acusou Yehoshua de ter negligenciado duas importantes Mitzvót. Uma foi que, por causa dos preparativos para a guerra, ele havia deixado de oferecer o Korban Tamid da tarde. Além disso, naquela noite, em sua preocupação com o ataque, Yehoshua havia negligenciado seu estudo de Torá. Yehoshua perguntou por qual das duas transgressões o anjo havia sido enviado para repreendê-lo, e o anjo respondeu que era pela transgressão de ter negligenciado o estudo da Torá. Imediatamente Yehoshua se arrependeu de seu erro e passou aquela noite toda em um profundo estudo de Torá.
 
O Rav Eliyahu Lopian zt"l (Polônia, 1876 - Israel, 1970) comenta que o anjo aparentemente veio com o disfarce errado. Se ele estava vindo criticar a falta de constância no estudo da Torá, deveria ter aparecido como um Rosh Yeshivá. Generais não criticam a falta de estudo de Torá. Então por que o anjo veio como um general? A resposta é que a mensagem do general era: "Eu quero lutar com sucesso esta batalha. Mas, para que eu seja bem-sucedido, preciso que as 'tropas espirituais' estejam estudando. Se vocês não estiverem estudando, não há maneira de termos sucesso no campo de batalha". E, realmente, as muralhas de Yerichó caíram de forma milagrosa.
 
Em outro exemplo, houve uma batalha em que Sancheriv, rei da Assíria, sitiou Jerusalém. Todos judeus pensaram que era uma causa perdida, pois não tinham força militar para impedir a invasão dos poderosos assírios. Porém, no meio da noite, algo milagroso aconteceu. Sem a necessidade de o povo judeu levantar uma única espada, todo o exército de Sancheriv foi dizimado por um anjo de D'us. Ao amanhecer, o povo judeu percebeu que todos do acampamento militar dos assírios estavam mortos. Mas o que causou este milagre tão grande?
 
O Talmud (Sanhedrin 94b) explica que havia algo único naquela geração, a geração do rei Chizkiyahu. O rei havia colocado uma espada na entrada do Beit Midrash e proclamado: "Quem não se ocupar com a Torá será perfurado pela espada. Ou estuda, ou enfrenta a espada". Eles investigaram de Dan, ao norte, até Beer Sheva, ao sul, e não encontraram um único judeu que era ignorante em Torá. Verificaram desde Guivat a Antipras e não encontraram nenhum menino, menina, homem ou mulher que não fossem bem versados nas complexas leis de pureza ritual. Isso demonstra que quando os judeus estão firmes no estudo da Torá, não precisam nem mesmo lutar as batalhas físicas. Os que se ocupam com a Torá são os que fazem a vitória acontecer. Esse foi o milagre de Chanuká, essa foi a luta de Yehoshua em Yerichó, essa foi a luta do rei Chizkiyahu contra Sencheriv. E essa tem sido a história de todas as vitórias militares judaicas desde tempos imemoriais.
 
Estamos novamente no meio de uma terrível guerra, com centenas de mortos e feridos. Estamos diante de inimigos cruéis, tanto nos métodos para matar, torturar e humilhar os judeus, quanto na disseminação de "fake-news" com o intuito de transformar os judeus em vilões, causando uma terrível onda global de antissemitismo. O exército tem dado a vida para proteger o povo judeu, mas não podemos esquecer que a vitória final está no poder do nosso estudo de Torá. Muitos pensam: "Mas se pessoas estiverem estudando Torá, isso vai enfraquecer o nosso exército!". A lógica parece verdadeira, mas se levarmos em conta apenas o mundo material. Na história de Yankele, o judeu da Romênia, o acendimento da Chanukiá parecia ser o motivo da morte de todo o grupo, mas tornou-se a causa de sua salvação. Assim também nas nossas guerras, quanto mais judeus estiverem se dedicando ao estudo da Torá, maior a possibilidade de vencermos.
 
Queremos a paz, queremos nossos irmãos sequestrados de volta. Nesta guerra, cada judeu pode ajudar. Mesmo nas férias, devemos fixar tempos de estudo de Torá. Que Chanuka possa nos inspirar a dedicarmos mais tempo à nossa espiritualidade. Somente assim venceremos as guerras e alcançaremos a tão sonhada paz.

SHABAT SHALOM E CHANUKA SAMEACH

 R' Efraim Birbojm

 

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