quinta-feira, 3 de novembro de 2022

BLINDAGEM ESPIRITUAL - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5783

BS"D
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Sr. Gabriel David ben Rachel

Sr. Yakov Aharon ben Rivka Raisla

Haim David ben Esther

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Haviva Bina bat Moshe



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PARASHÁ LECH LECHÁ



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MENSAGEM DA PARASHÁ LECH LECHÁ

 
ASSUNTOS DA PARASHÁ LECH LECHÁ
  • 3º teste de Avraham: Abandonar tudo e ir para uma terra estranha.
  • 4º teste de Avraham: Fome em Eretz Knaan.
  • Avraham vai para o Egito.
  • 5º teste de Avraham: Sara é sequestrada pelo Faraó.
  • Avraham e Lot voltam com grandes riquezas.
  • Separação de Avraham e Lot.
  • A Guerra dos 5 reis contra os 4 reis.
  • Lot é sequestrado e Avraham é avisado.
  • 6º teste de Avraham: Luta contra os 4 reis.
  • O "Pacto entre as partes".
  • A promessa da Terra de Israel.
  • 7º teste de Avraham: D'us anuncia o exílio dos seus descendentes.
  • Casamento com Hagar.
  • O nascimento de Ishmael.
  • 8º teste de Avraham: Brit-Milá.
BS"D

BLINDAGEM ESPIRITUAL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5783 (04/Nov/22)

"Um grupo de arquitetos experientes estava estudando a arquitetura de uma cidade do interior, cujo principal cartão postal era um gigantesco relógio que ficava no topo de uma torre muito alta. Um dos arquitetos questionou:

- Por que este relógio foi colocado em um lugar tão alto, que dificulta sua manutenção?

Um dos seus colegas, que conhecia a história da cidade, explicou:

- A verdade é que existem dois motivos. Em primeiro lugar, ao ser colocado em um local bem alto, o relógio pode ser visto de qualquer ponto da cidade. Além disso, originalmente o relógio estava posicionado em um local bem mais baixo e, com o tempo, sua altura precisou ser mudada. Preste atenção que sempre que alguém olha para a torre, imediatamente olha para o seu relógio de pulso e novamente olha para a torre. Por que? Para checar se os horários batem. O que acontecia antigamente, quando o relógio estava mais baixo? Quando a pessoa percebia que a hora do seu relógio era diferente da hora marcada pelo relógio da torre, ao invés de ajustar seu próprio relógio, ajustava a hora do relógio da torre. Por fim, após tantos ajustes para frente e para trás, o relógio acabou quebrando. Para resolver o problema, o relógio foi colocado em um lugar muito alto. Desta forma, quando a pessoa descobre que seu relógio está diferente do relógio da torre, ela ajusta seu próprio relógio."
 
Esta é a regra da vida. Se ficarmos muitos expostos, todos em volta conseguem "mexer nos nossos valores", isto é, nos influenciar negativamente. Mas, se estivermos espiritualmente protegidos, blindados das más influências, podemos nos tornar exemplos e influenciar positivamente os outros.

Nesta semana lemos a Parashá Lech Lechá (literalmente "vá para você"), que começa a descrever um pouco da vida de Avraham Avinu, nosso primeiro patriarca, uma das pessoas que mais influenciou a história da humanidade e fez com que o conceito de um D'us único se tornasse óbvio para a grande maioria das pessoas. Mas Avraham não nasceu um gigante espiritual, ele foi crescendo aos poucos, vencendo os testes da vida, questionando, observando e aprendendo com os erros e acertos.
 
A Parashá também descreve um pouco da vida de Sara, nossa primeira matriarca. Ela também passou por vários testes e precisou superar dificuldades. Por exemplo, a Parashá nos ensina que Sara, mesmo após muitos anos de casada, não conseguia ter filhos. Entendendo que o problema estava nela, sugeriu ao marido, Avraham, que se casasse com sua serva Hagar, para que pudesse ter um filho com ela. Sara pretendia criar o filho da serva como se fosse seu próprio filho. Avraham seguiu a sugestão da esposa e casou-se com Hagar. Porém, quando Hagar percebeu que estava grávida, começou a tratar Sara, sua patroa, com desrespeito e desprezo. Sara, com autorização de Avraham, tratou-a de forma dura, para "colocá-la em seu lugar", e Hagar fugiu dela, indo para o deserto. Hagar então teve um encontro com um anjo, como está escrito: "E ele (o anjo) disse: 'Hagar, serva de Sarai, de onde você vem e para onde vai?' E ela disse: 'De diante de Sarai, minha senhora, estou fugindo'. E o anjo de D'us lhe disse: 'Volte para sua senhora, e deixe-se afligir sob as mãos dela'" (Bereshit 16:8,9). O que representa este diálogo e o que nos ensina para a vida?
 
O Rav Ovadia Sforno zt"l (Itália, 1475 - 1550) explica que o anjo estava transmitindo para Hagar a seguinte mensagem: "Hagar, reflita um pouco. De onde você está fugindo? Da casa de Avraham. Você sabe o tamanho do mérito de pertencer à casa de Avraham? Você tem ideia de como você é uma pessoa melhor em virtude de viver na casa de Avraham? Você estava em um ambiente de santidade e pureza, e agora você está indo para um lugar sem santidade, habitado por pessoas más!". Hagar respondeu que não estava indo para nenhum lugar específico, simplesmente estava fugindo, pois não aguentava mais aquela situação intolerável. O anjo então disse que ela deveria voltar de qualquer forma, não importando o quão ruim e difícil fosse.
 
Já o Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Saba MiKelem, explica que há outro nível de entendimento para este diálogo entre Hagar e o anjo. Ao ser questionada "de onde você vem e para onde você vai?", Hagar respondeu: "Não precisa se preocupar comigo. Desde que passei a viver na casa de Avraham, fiquei imune às influências negativas. Eu cheguei a esse nível de santidade durante os anos em que passei no ambiente sagrado da casa de Avraham, então nada de ruim pode acontecer comigo. Eu não me corromperei". Porém, ao ouvir isso, o anjo respondeu: "Hagar, você está completamente enganada. Não importa quantos anos você passou na casa de Avraham. Veja para onde você vai. O novo ambiente para onde você está indo certamente lhe afetará negativamente, pois o ambiente nos influencia. Hoje, seus valores podem estar corretos, mas ninguém pode garantir que está imune das más influências e que pode viver em um ambiente negativo sem ser afetado".
 
A melhor prova de que podemos cair muito quando estamos sob más influências é Lót, o sobrinho de Avraham. Por muito tempo Avraham foi o seu tutor. Avraham cuidou dele, educou-o nos caminhos de D'us, ensinou-lhe sobre Chessed e o instruiu a viver um estilo de vida adequado. No entanto, quando Lót se separou de Avraham e foi para Sdom, seu sistema de valores mudou totalmente. Nossos sábios ensinam que, após se separar, Lót disse: "Eu já não preciso de Avraham e nem do D'us dele". O Alter MiKelm explica que Lót nunca disse explicitamente essas palavras. O que nossos sábios estão transmitindo é que alguém que diz "posso sair da casa de Avraham e viver em Sdom sem ser afetado" é como se dissesse "Não preciso de Avraham e nem do seu D'us". Era uma forma de Lót se autoenganar, para se convencer de que havia feito a escolha certa. Porém, a história mostrou o quanto ele estava enganado e o quanto caiu espiritualmente por causa de sua escolha errada.
 
Explica o Rav Yissocher Frand que nenhuma pessoa está imune ao ambiente em que vive. As pessoas são seres sociais, elas são afetadas pelas pessoas em volta. Uma pessoa que diz "Sou forte, influências negativas não me afetarão" está se colocando em perigo. Isso irá afetá-la certamente. Foi isso que o anjo transmitiu para Hagar: "Volte para a casa de Avraham, para as boas influências, não importa o quão difícil seja. Pois, se você não o fizer, você cairá muito".
 
Na Parashá da semana passada, lemos sobre o Dilúvio e a Arca construída por Noach, que salvou sua família. Após quase um ano trancado na Arca, Noach enviou uma pomba para saber se as águas já tinham diminuído, como está escrito: "A pomba retornou a ele de noite, e eis que havia uma folha de oliveira em seu bico, e Noach soube que as águas diminuíram sobre a terra" (Bereshit 8:11). Mas de onde a pomba trouxe aquela folha de oliveira? O Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) diz que há diferentes opiniões e, de acordo com uma delas, a pomba trouxe a folha do Gan Éden, que não tinha sido atingido pelo Dilúvio. Mas se a pomba trouxe a folha do Gan Éden, que não havia sido inundado, então como isto era uma prova que as águas já tinham baixado? Explica o Ramban que os portões do Gan Éden foram fechados para que as águas não entrassem e, após cessarem as águas, os portões foram novamente abertos. Se a pomba conseguiu entrar no Gan Éden, isso era sinal de que as águas já haviam baixado.
 
Se pararmos para refletir sobre este ensinamento do Ramban, aprenderemos algo incrível. A força do Dilúvio foi tão grande que até mesmo o Gan Éden precisou ter seus portões fechados para impedir que as águas invadissem. Este ensinamento é muito importante para as nossas vidas. Atualmente estamos presenciando um verdadeiro "dilúvio espiritual", que está arrancando e destruindo impiedosamente os valores plantados e cultivados por várias gerações. Se até o Gan Éden teve que fechar seus portões para não ser atingido, muito mais nossas casas precisam ser "blindadas" para nos proteger deste "dilúvio espiritual". Muitas vezes passamos por testes e tentações que nos levam a lugares que talvez não sejam os melhores ambientes. Dizemos a nós mesmos: "Não devo me preocupar, posso lidar com isso, sou forte o suficiente". Porém, não é assim, pois todos precisam de um bom ambiente. Precisamos fechar nossas casas e nossas vidas diante das más influências.
 
Ensinam os nossos sábios: "Rabi Yossef ben Kisma disse: 'Uma vez eu estava andando na estrada, quando eu encontrei um homem. Ele me cumprimentou e eu o cumprimentei de volta. Ele me disse: "Rabino, de que lugar você é?". Eu disse a ele: "Eu sou de uma grande cidade de estudiosos e sábios". Ele me disse: "Rabino, você estaria disposto a morar conosco em nossa cidade? Eu lhe darei milhares e milhares de dinares de ouro, pedras preciosas e pérolas". Eu respondi: "Mesmo que você me desse toda a prata, ouro, pedras preciosas e pérolas do mundo, eu não iria viver onde não fosse um lugar de Torá" (Pirkei Avot 6:9). O Rav Yechezkel Levenstein zt"l (Polônia, 1895 - Israel, 1974) faz uma interessante pergunta: o homem que fez a oferta devia ser muito rico. Por que, então, ele não pensou em se mudar para uma cidade com mais Torá?
 
A resposta é que este homem provavelmente ganhava seu sustento na cidade onde morava, e não estava disposto a abandonar seu comodismo para ir viver em um local de Torá. Ele pensava: "Eu posso viver aqui. Trarei um rabino e tudo vai estar bem". Isso é um erro. Nem Hagar, nem ninguém, está imune às más influências do seu ambiente. Esta é a lição do diálogo entre Hagar e o anjo.         

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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sexta-feira, 28 de outubro de 2022

MESMO NAS ALTURAS, NÃO PISE NOS OUTROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NOACH 5783

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MENSAGEM DA PARASHÁ NOACH

 
ASSUNTOS DA PARASHÁ NOACH
  • Noach encontra graça aos olhos de D'us.
  • Construção da Arca.
  • O grande Dilúvio e um ano na Arca.
  • O corvo e a pomba.
  • Noach e a família saem da Arca.
  • Noach oferece um Korban.
  • O pacto: Arco-Íris.
  • Noach fica bêbado e é envergonhado por seu filho Ham.
  • Knaan, filho de Ham, é amaldiçoado.
  • Descendentes de Yafet, Ham, Knaan e Shem.
  • A Torre de Babel e a dispersão.
  • 10 Gerações de Noach a Avraham.
  • 1º teste de Avraham: 13 anos escondido de Nimrod.
  • 2º teste de Avraham: Ur Kassdim.
BS"D

MESMO NAS ALTURAS, NÃO PISE NOS OUTROS - PARASHÁ NOACH 5783 (28/out/22)

"O Rav Shmuel Shtrashun zt"l (Lituânia, 1794 - Israel, 1872), conhecido como Rashash, era muito respeitado. Não apenas por sua erudição na Torá, mas também por sua participação nos assuntos comunitários. Entre suas muitas atividades, ele administrava um Guemach, um fundo de empréstimo gratuito de dinheiro. Ele era muito cuidadoso com as contas, se certificando que as pessoas pagassem em dia e anotando cada transação.
 
Certa vez, um judeu simples da cidade de Vilna pediu do Guemach cem rublos emprestados por quatro meses. Quando o empréstimo estava vencendo, o homem levou o dinheiro para a sinagoga. O Rashash estava estudando, absorto em um assunto complexo do Talmud. O homem colocou o dinheiro na frente do rabino, que ergueu os olhos, balançou a cabeça e voltou a estudar. Certo de que o rabino havia confirmado o recebimento do dinheiro, o homem foi embora. Mas o Rashash estava concentrado apenas em seu estudo. Quando terminou, fechou o livro e colocou-o de volta na prateleira, sem perceber que o dinheiro havia ficado entre as páginas.
 
Toda semana o Rashash examinava o livro de contabilidade para ver os empréstimos que venciam. Quando chegou ao nome daquele judeu, pensou que ele ainda não havia pagado. Chamou-o e pediu que devolvesse os cem rublos. O homem, sem entender, afirmou que já havia pagado a ele, e então o Rashash pediu o recibo. O homem insistiu que havia colocado o dinheiro na frente dele e que não quis incomodar pedindo um recibo. O rabino não se lembrava e, por isso, continuou a exigir o pagamento, já que o dinheiro pertencia à comunidade. O homem continuou insistindo que havia pagado. Finalmente, o Rashash o convocou ao Tribunal Rabínico.
 
A notícia se espalhou entre os judeus de Vilna e o homem caiu em desgraça pública. Como ele se atrevia a desrespeitar o Rashash, chamando-o de mentiroso? A audiência aconteceu, ambos os lados foram ouvidos e o Tribunal decidiu em favor do homem simples. Como não havia testemunhas do empréstimo e nem do suposto pagamento, o homem foi instruído a jurar que havia pagado o empréstimo, e assim ele fez. Porém, apesar de ter saído inocente do julgamento, ele começou a ser apontado como ladrão e as pessoas pararam de falar com ele. Seu filho, não suportando a vergonha, foi embora de Vilna. Finalmente, o homem foi demitido de seu emprego.
 
O tempo passou e, certo dia, o Rashash voltou a estudar aquele mesmo livro. Quando abriu, descobriu dentro dele cem rublos. Ficou intrigado, imaginando o motivo pelo qual uma quantia tão grande tinha sido deixada ali.  De repente, ele entendeu tudo. Aquele era o dinheiro que o homem insistiu ter devolvido! O Rashash sentiu-se muito mal. Ele havia acusado um judeu falsamente! Abalado, rapidamente chamou o homem e pediu perdão.
 
- Como posso compensar a angústia que causei a você? - perguntou o Rashash - Estou disposto a fazer uma confissão pública para limpar seu nome. O que mais posso fazer para compensá-lo por seu sofrimento?
 
- Meu bom nome já está arruinado - disse o homem, com o rosto magro e pálido - Mesmo que você declare minha inocência, as pessoas pensarão que você fez isso por pena de mim, mas continuarão pensando que sou culpado. Além disso, meu filho abandonou Vilna, por vergonha. Minha vida está destruída.
 
O Rashash ficou pensativo. Como poderia ajudar aquele homem, completamente quebrado, cuja reputação ele mesmo havia arruinado? De repente, teve uma ideia.
 
- Diga ao seu filho que volte para Vilna, e ele será o marido da minha filha. Isso restaurará seu bom nome!
 
O homem não podia acreditar. Ele nunca imaginaria algo tão maravilhoso em sua vida. Seu filho se casaria com a filha do respeitado rabino! O alegre noivado aconteceu alguns dias depois."
 
O Rashash sonhava em casar sua filha com um grande estudante de Torá, mas fez o que era necessário para consertar seu erro. Pequenas falhas podem causar consequências gigantescas. Precisamos ser extremamente cuidadosos com nossos atos, mesmo quando estamos cumprindo uma Mitzvá, para não causar danos aos outros.

Nesta semana lemos a Parashá Noach, que conta sobre a destruição da humanidade, apenas 10 gerações após a criação do mundo. D'us criou o mundo apenas por bondade e nos instruiu a sermos bondosos. Porém, o ser humano se desviou. Ao invés de pensar em ajudar o próximo, as pessoas se tornaram egoístas, voltadas apenas aos seus próprios desejos. Só Noach encontrou graça aos olhos de D'us para ser salvo junto com sua família.
 
Quando o dilúvio começou, Noach e sua família finalmente entraram na Arca que ele havia construído, trazendo consigo um par de todos os animais impuros e sete pares dos animais puros. O dilúvio durou apenas 40 dias, mas foi necessário quase um ano para que as águas baixassem e Noach pudesse recomeçar a povoar o mundo. Como Noach fez para saber se as águas haviam baixado? Ele enviou uma pomba para esta missão. Da primeira vez a pomba foi e voltou, demonstrando que as águas ainda não haviam baixado, pois não havia lugar para pousar. Noach esperou mais uma semana e enviou-a novamente. Desta vez ela trouxe em seu bico uma folha de oliveira, como está escrito: "A pomba retornou a ele de noite, e eis que havia uma folha de oliveira em seu bico, e Noach soube que as águas baixaram sobre a terra" (Bereshit 8:11). Após outros sete dias, Noach enviou-a pela última vez, e a pomba não voltou mais. A água finalmente havia baixado.
 
É interessante perceber que cada pequeno detalhe da Torá carrega muitos ensinamentos importantes para nossa vida. A Torá não está apenas trazendo detalhes da história de Noach, e sim ensinamentos de como devemos nos comportar. Por exemplo, quando Noach enviou a pomba pela primeira vez, está escrito: "E ele estendeu a mão para fora, e a pegou, e a trouxe de volta para a Arca" (Bereshit 8:9). Noach se comportou com compaixão com a pomba, mesmo que ela não havia cumprido sua missão. Daqui aprendemos a ser misericordiosos, e devemos tratar tão bem alguém que não cumpriu sua missão quanto tratamos alguém que cumpriu sua missão.
 
Além disso, na segunda vez em que a pomba foi enviada, quando ela voltou com a folha de oliveira, está escrito: "A pomba retornou a ele" (Bereshit 8:11). Isso nos ensina que a pomba estava preocupada em cumprir sua missão da melhor maneira possível. Ela não voltou apenas por causa de seu ninho ou por não ter outro lugar para descansar. Das palavras "a ele" aprendemos que a pomba voltou para trazer a mensagem a Noach.
 
Mas há outro ensinamento ainda mais impressionante neste versículo. Explica o Rav Natan Tzvi Finkel zt"l (Império Russo, 1849 - Israel, 1927), mais conhecido como Alter MiSlobodka, que quando alguém vai cumprir uma Mitzvá, mesmo que seja uma Mitzvá grande e importante, ele deve tomar muito cuidado para não causar nenhum tipo de dano a ninguém, mesmo em coisas pequenas. Um bom ato não nos isenta das consequências negativas que podemos causar aos outros por um descuido.
 
O Talmud (Sanhedrin 108b) nos ensina que todo o tempo em que Noach e sua família estiveram na Arca, eles passaram por grandes sofrimentos. Cuidar dos animais era um trabalho pesado e incessante. Haviam animais que se alimentavam durante o dia, outros que se alimentavam à noite. Alguns animais eles não sabiam como alimentar e outros adoeceram e precisaram de cuidados especiais, como o leão, que ficou febril. Com relação a uma ave chamada fênix, o Talmud traz um lindo ensinamento. Noach a encontrou em seu compartimento e perguntou: "Você não quer comida?" O pássaro respondeu: "Eu vi que você estava ocupado e eu decidi não incomodar". Noach disse ao pássaro: "Que seja a vontade de D'us que você não morra", e através desse pássaro se cumpriu as palavras versículo "Eu multiplicarei meus dias como a fênix" (Yov 29:18).
 
Porém, deste ensinamento surge um questionamento. É verdade que a fênix teve uma atitude muito bonita, ao se importar com o sofrimento dos outros. Porém, se observarmos a pomba, percebemos que ela também teve um comportamento maravilhoso. Ela se importou com Noach, fez de tudo para cumprir sua missão da melhor maneira possível, inclusive trazendo no seu bico uma folha de oliveira para que sua notícia, de que as águas estavam baixando, tivesse ainda mais credibilidade. Ao cumprir sua missão, a pomba trouxe uma alegria enorme para Noach, pois era o aviso de que aquela vida de sofrimentos e dificuldades, após quase um ano trancados dentro da Arca, estava chegando ao fim. Portanto, se a fênix mereceu a Berachá de vida longa, por que Noach também não deu a mesma Berachá para a pomba que, aparentemente, merecia ainda mais?
 
A resposta está em um estudo um pouco mais detalhado das palavras do versículo "eis que havia uma folha de oliveira em seu bico". O termo utilizado para transmitir que a pomba havia trazido uma folha em seu bico é "Taraf", que literalmente significa "arrancar, despedaçar". A pomba, em seu bom ato, em sua vontade de trazer boas notícias a Noach, arrancou aquela folha, destruindo seu potencial de crescimento. O Alter MiSlobodka explica que possivelmente este é o motivo pelo qual a pomba não mereceu a Berachá de longevidade. Mesmo que a pomba cumpriu sua missão, e com as melhores intenções, ela não foi suficientemente cuidadosa para não causar danos em seu redor. Ao interromper o crescimento daquela folha, ela perdeu a Berachá.
 
Se até mesmo um animal, que não tem intelecto e nem entendimento, foi castigado desta maneira, um ser humano, dotados de sabedoria, certamente será muito mais cobrado. Devemos ser muito cuidadosos para nunca causar danos ao próximo, físicos ou psicológicos, mesmo quando estamos cumprindo uma Mitzvá. O mundo foi criado para fazermos bondades. Noach e sua família passaram um ano na Arca para aprenderem a fazer bondades. Que também possamos encontrar graça aos olhos de D'us, ao sempre fazermos o bem aos outros. 

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R' Efraim Birbojm

 
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