sexta-feira, 18 de março de 2022

AGRADECENDO PELAS DIFICULDADES? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TSAV 5782

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  • Cinzas do Altar.
  • 3 fogos do Altar.
  • Leis da Oferenda de Minchá (Farinha).
  • Oferenda do Cohen Gadol e seus filhos.
  • Leis das Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Leis das Oferendas de Culpa (Asham).
  • Presentes dos Cohanim.
  • Leis das Oferendas de Agradecimento (Todá)
  • Pigul e Notar - Oferendas que não são mais aceitas.
  • Proibição de consumir as Oferendas em um estado de impureza.
  • Proibição de comer gordura (Chelev) e sangue.
  • A Porção das oferendas dada ao Cohen.
  • Consagração dos Cohanim.
BS"D

AGRADECENDO PELAS DIFICULDADES? - PARASHÁ TSAV 5782 (18/março/22)

 
O Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) tinha um aluno que era muito promissor no estudo da Torá. Desde muito cedo ele já dava sinais de que poderia ser um dos grandes de Torá da geração. Porém, repentinamente este jovem adoeceu e sua vida ficou em risco. O Ramban foi visitá-lo, muito preocupado, e percebeu que o fim da vida dele infelizmente estava próximo. O Ramban se aproximou de seu aluno e disse:
 
- Escute bem, meu filho, o que eu vou te ordenar. Saiba que no mundo celestial há um salão elevado, onde ficam as cadeiras do julgamento, e onde a Presença Divina paira, influenciando os julgamentos. Vou te dar um talismã, e com este talismã todos os portões dos salões celestiais se abrirão para você, até você conseguir chegar a este salão elevado. Eu quero que você vá até lá e faça algumas perguntas muito difíceis que eu tenho em relação a assuntos do povo judeu.
 
O Ramban deu uma lista de perguntas por escrito ao aluno e pediu para que ele, assim que conseguisse chegar a este salão elevado, viesse através de um sonho trazer para ele todas as respostas que escutasse lá. E assim aconteceu, em pouco tempo o jovem aluno realmente faleceu, de forma muito precoce. Algum tempo depois, quando o Ramban estava sentado ao lado da janela de sua casa, imerso em seus estudos de Torá, ele viu uma imagem de seu aluno falecido se formando diante dos seus olhos. O aluno disse para ele:
 
- Saiba, Rav, que em todos os lugares celestiais onde eu mostrava o talismã que você me deu, todos os portões eram abertos e eu tinha permissão de entrar e subir. E assim foi, de subida em subida, até que eu cheguei ao salão elevado que o Rav mencionou para mim. Porém, quando fui fazer as difíceis perguntas que o Rav havia preparado, percebi que nos mundos elevados já não havia mais nenhum questionamento, pois como é o mundo da verdade, tudo já estava respondido.

Nesta semana lemos a Parashá Tsav (literalmente "Ordene"), que continua descrevendo muitos detalhes em relação à oferenda de Korbanót no Mishkan e alguns outros Serviços espirituais que eram diariamente realizados pelos Cohanim. Mas um dos Korbanót que chama muito a nossa atenção é o Korban Todá, que literalmente significa "A oferenda do agradecimento". Quando este Korban era oferecido? Em quatro situações específicas, nas quais a pessoa havia passado por um grande risco de vida, mas percebeu a Mão de D'us em sua salvação: ao ser libertado do cativeiro, ao se curar de uma doença grave, ao atravessar o oceano e ao atravessar o deserto. Estas quatro situações causam riscos iminentes de morte e, portanto, a pessoa agradecia a D'us por ter permanecido vivo, apesar dos grandes perigos.
 
Explica o Rav Avraham Shmuel Binyamin Sofer zt"l (Hungria, 1815 - 1871), mais conhecido como Ktav Sofer, que quando alguém passa por uma grande dificuldade ou perigo, a ponto de sua salvação poder ser considerada milagrosa, o normal é agradecer apenas pelo milagre ocorrido e pela salvação do sofrimento. E, aparentemente, isso parece ser racionalmente correto, pois ninguém costuma agradecer pelos sofrimentos e dificuldades.
 
Porém, o Midrash traz um interessante versículo de David HaMelech: "Aquele que oferece um Korban Todá Me traz honra, e Eu prepararei o caminho, Eu lhe mostrarei a salvação de D'us" (Tehilim 50:23). O Midrash então questiona que o termo "Me traz honra", em hebraico, deveria ser "Iechabedani", porém neste versículo está escrito "Iechabedaneni", isto é, ao invés de apenas uma letra "Nun", o versículo está escrito com duas letras "Nun". Por que? Para nos ensinar que, ao agradecermos com o Korban Todá, estamos dando a D'us honra sobre honra. Mas como entender estas palavras do Midrash?
 
O Ktav Sofer explica que devemos agradecer a D'us pela salvação, mas que também devemos agradecê-Lo pela dificuldade, pois nos ensinou o grande Rabi Akiva: "Tudo o que D'us faz, faz para o nosso bem". Portanto, se houve um sofrimento e uma salvação, isto quer dizer que o próprio sofrimento também era algo bom. Mas como podemos agradecer por um sofrimento? Onde pode estar a bondade em uma dificuldade que passamos na vida?
 
Existem algumas formas de enxergar as bondades por trás das dificuldades. Por exemplo, um sofrimento pode ser a forma que D'us utiliza para nos despertar e nos ajudar a consertarmos os nossos atos, como um pai que dá um tapa em seu filho para que ele perceba que está fazendo algo errado. Outras vezes as dificuldades são apenas um caminho para que venha para a pessoa uma bondade muito maior. É por isso que os nossos sábios explicam que da mesma forma que devemos abençoar com alegria algo bom que aconteceu em nossa vida, assim também devemos agradecer algo ruim que nos aconteceu, pois há alguma bondade escondida.

Mas será que algum ser humano consegue viver desta maneira? Sim, muitas pessoas se trabalharam para ver a vida desta maneira. Por exemplo, David Hamelech nos deixou por escrito a certeza de que, apesar de todos os sofrimentos e dificuldades pelos quais ele passou, era assim que ele vivia a vida: "Eu Te agradecerei porque Você me respondeu, e Você foi minha salvação" (Tehilim 118:21). Nossos sábios explicam que a linguagem "Anitani" pode significar "Me respondeu", mas também pode significar "Me castigou com sofrimentos". Portanto, David Hamelech agradecia não apenas pela salvação, mas também pelas dificuldades que D'us mandava. David Hamelech também dizia: "Eu abençoarei a D'us em todos os momentos" (Tehilim 34:2). O que significa "todos os momentos"? Nos momentos bons e também nas dificuldades. David Hamelech conseguia ter a Emuná tão completa, a ponto de agradecer a D'us pelas salvações e bons momentos, mas também pelas dificuldades.
 
Quando nossos sábios ensinam que devemos agradecer por algo ruim como agradecemos com alegria pelas coisas boas, não quer dizer que devemos dar uma festa quando passamos por um sofrimento, e sim que devemos receber os sofrimentos com amor, serenidade e tranquilidade, pois precisamos colocar no coração a certeza de que tudo o que D'us faz é para o bem, e somos nós que temos uma visão limitada dos acontecimentos.
 
Portanto, esta é a resposta do nosso questionamento inicial, sobre a linguagem "Iechabedaneni", relacionada com o Korban Todá e escrita com duas letras "Nun". Aquele que oferecia o Korban Todá não deveria agradecer apenas pela salvação, mas também pela dificuldade ou sofrimento que veio antes. É por isso que a palavra "Me traz honra" está escrito com duas letras "Nun", para aprendermos que o agradecimento deve ser duplo, pela salvação e pelo problema também, honra sobre honra, pois tudo o que D'us faz é para o nosso bem.
 
Desta maneira também podemos entender as palavras na continuação do versículo "e Eu prepararei o caminho, Eu lhe mostrarei a salvação de D'us". Mesmo que possamos acreditar que tudo o que D'us faz é para o nosso bem, como não temos o dom da profecia, não conseguimos saber no momento do sofrimento qual é a bondade que florescerá dele. Porém, aquele que confia em D'us com o coração pleno, com a certeza de que os sofrimentos também veem para o nosso bem, ao ponto de até mesmo agradecer por eles, então D'us abrirá seus olhos e seu coração entenderá como surgirá a bondade verdadeira de dentro daquele acontecimento ruim ilusório. Desta maneira, quando a pessoa honra D'us mesmo através de algo que, pela sua visão limitada, parecia ser algo ruim, a pessoa pavimenta o caminho para que D'us mostre para ela em sua salvação que o próprio mal é uma bondade. O nome de D'us mencionado neste versículo de David HaMelech é "Elokim", que normalmente está associado à característica de justiça estrita de D'us. Mesmo quando D'us nos castiga utilizando Sua justiça estrita, no fundo tudo é direcionado para nossa salvação, tudo é fruto da Sua misericórdia.
 
Explica o Rav Yochanan Zweig que de acordo com o Midrash, no Mundo Vindouro o único tipo de sacrifício que ainda será oferecido será o Korban Todá. O que há de tão único neste Korban para que seja oferecido no Mundo Vindouro, enquanto os outros sacrifícios serão cancelados? Todos os sacrifícios são feitos para expiar as transgressões, com exceção do Korban Todá que é trazido para agradecer a D'us por alguma salvação milagrosa. Todos os outros sacrifícios são feitos para reparar um relacionamento danificado pelas transgressões. Como no Mundo Vindouro as transgressões não existirão, esses sacrifícios não terão mais propósito.
 
A palavra "Todá", que significa "agradecimento", está associada à palavra "Modê", que significa "reconhecimento". Quando uma pessoa expressa seu apreço por algo que foi feito por ela, está reconhecendo o bem e declarando que espera a oportunidade de retribuir, como está implícito na expressão "obrigado", isto é, me sinto na obrigação de retribuir. Portanto, mostrar apreço é a maneira pela qual uma pessoa expressa que deseja que o relacionamento perdure e floresça. O Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746) explica que o Mundo Vindouro não tem limites. O ser humano continuará a obter prazer de sua perfeição conquistada por toda a eternidade. No mundo material, o crescimento é alcançado ao evitarmos e nos arrependermos das transgressões. No entanto, no Mundo Vindouro, o mundo da verdade e da claridade, cometer transgressões não será uma opção. Portanto, o crescimento só poderá ser alcançado expressando nossa gratidão pela recompensa que recebemos de D'us. Isso torna o Korban Todá mais apropriado para o Mundo Vindouro.
 
Precisamos ser mais agradecidos a D'us. Em nossa visão limitada, muitas vezes deixamos de perceber bondades incríveis de D'us conosco. Mesmo nas dificuldades e sofrimentos há muita bondade escondida. Que possamos ter uma confiança plena em D'us, em Sua bondade e retidão, para que Ele possa abrir nossos olhos e corações para a verdade.

 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 11 de março de 2022

SEJA UMA LUZ SENDO VOCÊ MESMO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIKRÁ E PURIM 5782

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  • D'us chama Moshé
  • D'us ensina a Moshé as regras gerais dos Korbanót
  • Korban de gado, rebanho e pássaros (Olá)
  • Oferenda de farinha - Oblação (Minchá).
  • Oferenda cozida, da frigideira, frita na panela.
  • Pacto de sal
  • Oferenda dos primeiros grãos (Bikurim).
  • Oferendas de Pazes de gado, rebanho e cabras (Shelamim).
  • Oferendas de Pecado para o Cohen Gadol, Comunidade, Rei, Indivíduos comuns (Chatat).
  • Cordeiros como Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Oferenda de Culpa Ajustável (Ole VeIored).
  • Oblação por Culpa (Chatat).
  • Sacrifício da Malversação.
  • Oferenda por Culpa Questionável (Asham Talui).
  • Oferendas por Desonestidade.
BS"D

SEJA UMA LUZ SENDO VOCÊ MESMO - PARASHÁ VAYIKRÁ E PURIM 5782 (11/Mar/22)

 
Há alguns anos Rogério ficou "preso" em um ônibus, cruzando a cidade de Nova York durante a hora do rush. O tráfego mal se movia. O ônibus estava cheio de pessoas cansadas, irritadas umas com as outras e com o mundo. No fundo do ônibus, dois homens discutiam sobre um empurrão provavelmente nem intencional. Uma mulher grávida subiu e ninguém lhe ofereceu um assento. A raiva pairava no ar. Mas, quando o ônibus se aproximou da Sétima Avenida, o motorista pegou o interfone e disse:

- Pessoal, eu sei que vocês tiveram um dia difícil e estão frustrados. Não posso fazer nada sobre o clima ou o trânsito, mas há algo que eu posso fazer. Quando cada um de vocês descer do ônibus, estenderei minha mão. Enquanto você passar, coloque seus problemas na palma da minha mão. Não leve seus problemas para casa, para suas famílias, apenas deixe-os comigo. Meu caminho passa direto pelo rio Hudson e, quando eu passar por lá mais tarde, abrirei a janela e jogarei todos os problemas na água.

Foi um momento mágico. Todos começaram a rir. Os rostos brilhavam de surpresa. Pessoas que fingiam não perceber a existência uns dos outros de repente estavam sorrindo com eles.

Então, na parada seguinte, conforme prometido, o motorista estendeu a mão e esperou. Um por um, todos os passageiros que saíam colocavam suas mãos logo acima da dele e imitavam o gesto de deixar algo cair. Algumas pessoas riram, outras choraram. O motorista também repetiu o mesmo adorável ritual na parada seguinte. E na próxima. O caminho todo, até chegar no rio Hudson.

Vivemos em um mundo difícil. Às vezes você tem um dia ruim. Outras vezes você tem um dia ruim que dura muito tempo. Você luta e falha. Você perde empregos, dinheiro, amigos e amores. Você testemunha eventos horríveis no noticiário e fica com medo. Há momentos em que tudo parece envolto em trevas. Você anseia pela luz, mas não sabe onde encontrá-la.
 
Mas, e se você for a luz? E se você for o agente de iluminação que uma situação escura precisa? É isso o que esse motorista de ônibus nos ensina: qualquer um pode ser a luz, a qualquer momento. Ele não era um sujeito poderoso, um líder espiritual ou um influenciador. Ele era um motorista de ônibus, um dos trabalhadores mais "invisíveis" em nossa sociedade cheia de rótulos. Mas ele possuía um poder real, e o usou para o benefício de muitos.

Quando a vida parece sombria ou quando nos sentimos impotentes diante dos problemas do mundo, pense nesse motorista e se pergunte: "O que posso fazer agora para ser a luz?" Não podemos acabar com todas as guerras, resolver o aquecimento global nem transformar pessoas ruins em criaturas dóceis e boas. Mas podemos influenciar todos aqueles que encontramos no nosso caminho, mesmo aqueles que nem sabemos seus nomes. Não importa quem você seja, onde esteja ou quão difícil sua situação possa parecer, podemos iluminar ao menos o nosso mundo. E a única maneira pela qual o mundo será iluminado é através de um pequeno e brilhante ato de bondade de cada vez.

Nesta semana começamos o terceiro livro da Torá, Vayikrá, que interrompe o estilo narrativo da Torá. Ao invés de continuar a descrever os acontecimentos mais importantes do povo judeu no deserto, que somente serão retomados no Sefer Bamidbar, o Sefer Vayikrá se dedica a assuntos mais espirituais, como pureza e impureza. E na Parashá desta semana, Vayikrá (literalmente "E chamou"), a Torá começa a nos ensinar vários detalhes relacionados aos Korbanót. Mesmo que atualmente não temos mais o Beit Hamikdash e nem os Korbanót, ainda assim podemos aprender dos detalhes dos Korbanót algumas lições muito importantes para a nossa vida.
 
Um dos detalhes está no versículo: "Todos seus sacrifícios devem ser oferecidos com sal" (Vayikrá 2:13). Além disso, o fermento e o mel não eram permitidos nos Korbanót oferecidos no Mizbeach, o Altar de sacrifícios, como está escrito: "Nenhuma oferenda de cereais que vocês oferecerem a D'us será feita levedada. Pois não fará queimar fermento ou mel como oferenda queimada a D'us" (Vayikrá 2:11). O que estes detalhes nos ensinam?
 
Para responder esta pergunta, antes de tudo precisamos entender as características do fermento, do mel e do sal. O fermento é algo que, ao reagir com a massa, a faz inchar e crescer. Porém, ao invés de acrescentar conteúdo, somente faz a massa se encher de ar. Já o mel, apesar de adoçar a comida, é um aditivo externo que acrescenta um gosto novo aos alimentos, algo que não existia. Em compensação, o sal tem um comportamento completamente diferente. Ele não traz um novo sabor aos alimentos, ele simplesmente realça o próprio sabor da comida, sem acrescentar nenhum gosto novo.
 
De acordo com o Rav Mordechai Gifter zt"l (EUA, 1915 - 2001), estes três elementos simbolizam princípios básicos e importantes relacionados aos assuntos espirituais. No nosso serviço a D'us, não devemos ser como o fermento, que apenas "incha" o pão, acrescentando ar ao invés de acrescentar um conteúdo real. Assim são aqueles que vivem de aparências, que cumprem as Mitzvót com capricho apenas quando os outros estão olhando. O fermento também representa o orgulho, aquele que se infla e se acha melhor que os outros, que faz as Mitzvót com um sentimento de soberba. D'us vê o coração de cada um e sabe das nossas intenções. Da mesma forma que o fermento distorce a realidade da massa, assim também se comportam aqueles que distorcem a realidade ao fingir ser o que não são. Normalmente o "teatro" não consegue se manter por muito tempo e, mais cedo ou mais tarde, as verdadeiras intenções da pessoa veem à tona, causando vergonha e manchando o Nome de D'us.
 
Também não devemos fazer o nosso serviço Divino como o mel. Apesar de ser doce, é algo externo, não é parte da essência do alimento. Muitas pessoas querem "forçar" certas características que não são intrínsecas a elas, e mesmo que seja com um intuito positivo, isso faz com que o serviço se torne pesado e, mais cedo ou mais tarde, a pessoa também não suportará viver desta maneira artificial.
 
Então, qual é o correto? Seja você mesmo, mas fazendo todo o possível para ser o melhor que puder. Esse é o modelo do sal, que representa tirar o melhor de si mesmo, utilizar todas as habilidades e talentos que D'us nos deu. Algumas pessoas nascem com aptidão para a música, outras para a comédia, outras têm o dom da oratória. Use suas ferramentas para se conectar cada vez mais à sua espiritualidade e ajudar outras pessoas. Aquele que gosta de música pode canalizar sua aptidão para criar ambientes alegres, como na mesa de Shabat. Aquele que tem facilidade para fazer os outros darem risada pode ajudar a criar situações de alegria. Assim devemos fazer com todas as ferramentas que D'us nos deu. Da mesma forma que cada um de nós tem uma impressão digital que não se repete em nenhum outro ser humano do universo, D'us nos deu características únicas, pois cada um de nós tem uma missão única e especial, uma contribuição que apenas cada um de nós pode trazer ao mundo.
         
O Rav Zelig Pliskin nos ensina que esta característica do sal nos é recordada constantemente, pois temos o costume de mergulhar o pão no sal no início da refeição, em lembrança dos sacrifícios que eram oferecidos com sal. Além de cumprirmos a Halachá, este ato também pode ser uma lembrança para sermos nós mesmos, sem viver de aparências e sem orgulho, nos esforçando ao máximo para atingir o nosso potencial.
 
Há outro ensinamento incrível em relação aos Korbanót. Há um Korban chamado "Korban Olê Vê Iored", literalmente "Sacrifício que sobe e desce". Por que ele recebe este nome tão estranho? Pois é um Korban do tipo "Chatat", oferecido por alguém que fez certas transgressões, mas cujo valor é flutuante, isto é, varia de acordo com as condições financeiras do transgressor. Para expiar seu erro, a pessoa deve oferecer uma ovelha ou uma cabra. Porém, se a pessoa não tiver condições, é suficiente que ela ofereça apenas dois pássaros. Se nem mesmo para isso a pessoa tiver condições, então ela pode oferecer apenas uma certa quantidade de farinha.  
 
Explica o Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim,  que este Korban demonstra a diferença que a Torá estabeleceu em relação às obrigações de uma pessoa rica e uma pessoa pobre. O sacrifício que uma pessoa rica traz deve ser mais caro que o sacrifício trazido por uma pessoa pobre. Se a pessoa rica trouxer um sacrifício com o valor referente ao sacrifício de uma pessoa pobre, sua oferta é invalida e ela ainda fica obrigada a trazer um sacrifício adequado à sua condição financeira.
 
Este mesmo princípio é aplicado em relação à nossa contribuição para Tzedaká. Quanto mais dinheiro a pessoa tem, quanto maior a Brachá que ela recebeu na vida, maior é a sua obrigação em relação à Tzedaká. Este conceito também se aplica a outros talentos e aptidões. Quanto maior o intelecto de uma pessoa, maior a obrigação de compartilhar sua sabedoria com os outros.
 
Na próxima quarta feira de noite (16 de março) é a Festa de Purim. O povo judeu fez um grande erro de ir à festa do rei Achashverosh, um homem perverso. E por que eles foram? Pois já não acreditavam mais em si mesmos, já não enxergavam a grandeza do povo judeu, não se sentiam especiais e únicos. Por isso quase foram exterminados. O povo judeu tem a obrigação de ser uma "Luz para as nações do mundo". Quando desistimos de usar nossas ferramentas para fazer um mundo melhor, perdemos nosso propósito no mundo.
 
Cada pessoa é cobrada de acordo com as suas possibilidades e com as ferramentas que recebeu de D'us. Por isso, devemos ser com o sal: use tudo o que D'us deu, seja você mesmo, sem se comparar com ninguém, se esforçando para ser o melhor que puder. Desta maneira estaremos sendo uma grande luz para o mundo inteiro.
 

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