sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

A BRACHÁ DE D’US NÃO FALHA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MISHPATIM 5782

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BS"D

A BRACHÁ DE D'US NÃO FALHA - PARASHÁ MISHPATIM 5782 (28/janeiro/2022)

 
"O Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorrússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, foi um dos rabinos mais respeitados de sua geração. Certa vez ele anunciou que iria visitar o Rav Chaim Ozer Grodzinsky zt"l (Bielorrússia, 1863 - Lituânia, 1940) na cidade de Vilna, na Lituânia. Todos os alunos e rabinos das Yeshivót, além da comunidade judaica de Vilna em geral, começaram a fazer preparativos para receber aquele gigante espiritual. Naquela época, o Rav Eliahu Dov Kloi zt"l era um jovem estudante em uma das Yeshivót de Vilna e estava muito feliz com a incrível oportunidade de conhecer o Chafetz Chaim.
 
Porém, um dia antes da chegada do Chafetz Chaim a Vilna, o Rav Eliahu Dov recebeu um telegrama do seu pai, que estava extremamente preocupado com a enorme aglomeração que aconteceria por causa da vinda do Chafetz Chaim. Com medo de que algo ruim pudesse acontecer, o pai o proibiu de ir conhecer o Chafetz Chaim e sugeriu que ele permanecesse na Yeshivá estudando. Que decepção! Mas o pior foi a reação dos seus colegas, que deram risada ao escutar o motivo pelo qual o rapaz não iria conhecer pessoalmente o Chafetz Chaim.
 
Quando os rapazes voltaram do encontro com o Chafetz Chaim, estavam eufóricos. Não apenas tinham visto o grande sábio de perto, mas tiveram a oportunidade de receber dele uma Brachá de longevidade.
 
- Você perdeu duas vezes - disse um deles - Não apenas deixou de conhecer o Gadol HaDor, mas também perdeu a Brachá de vida longa que ele nos deu!
 
O Rav Eliahu Dov não se abalou. Anotou o nome de todos os rapazes da Yeshivá que haviam recebido a Brachá do Chafetz Chaim. Muitos anos mais tarde, ele encontrou aquela lista. Percebeu que todos tinham sobrevivido ao Holocausto e tiveram vidas extremamente longas, falecendo com mais de 90 anos. Porém, ele acompanhou o enterro de todos eles, pois faleceu com a idade de 98 anos."
 
Ninguém perde nada ao cumprir Mitzvót. Enquanto seus colegas receberam a Brachá de longevidade do Chafetz Chaim, o Rav Eliahu Dov recebeu a Brachá de longevidade diretamente de D'us, por ter cumprido a Mitzvá de honrar seu pai.

Nesta semana lemos a Parashá Mishpatim (literalmente "Juízos"), que nos ensina muitas leis, algumas "Bein Adam LaMakom" (entre a pessoa e D'us), mas a maioria "Bein Adam Lehaveiro" (entre a pessoa e seu companheiro), como compensação por danos diretos e indiretos, empréstimo de dinheiro, devolução de objetos perdidos, ajuda com um animal de carga caído e o cuidado com pessoas sensíveis, como viúvas e órfãos.
 
A Parashá começa com as seguintes palavras: "E estes são os juízos que você colocará diante deles" (Shemot 21:1). Rashi, comentarista da Torá, questiona o motivo pelo qual a Torá não escreveu simplesmente "Estes são os juízos". Por que a letra "E" foi acrescentada? O que incomodou Rashi é o fato de a Torá não ser um documento humano, e sim um documento Divino, e cada pequeno detalhe da Torá têm um nível de perfeição acima do entendimento humano. Rashi está nos ensinando com a sua pergunta, portanto, que a Torá é tão profunda que até mesmo uma única letra "a mais" contém muitos ensinamentos de vida.
 
Rashi explica que a letra "E" veio para conectar os assuntos desta Parashá com o que havia sido dito anteriormente. No final da Parashá da semana passada, Itró, a Torá listou os Dez Mandamentos que foram entregues ao povo judeu no Monte Sinai. Portanto, esta é a conexão promovida pela letra "E": da mesma forma que os Dez Mandamentos foram entregues no Monte Sinai, assim também todas as leis ensinadas na Parashá desta semana foram entregues no Monte Sinai.
 
Porém, este ensinamento parece desnecessário, já que o mesmo conceito já foi transmitido na Parashá Behar, que começa ensinando sobre a Mitzvá de Shemitá, o ano Sabático. A Parashá Behar começa com as seguintes palavras: "E disse D'us para Moshé no Monte Sinai" (Vayikrá 25:1). Rashi questiona a necessidade desta "introdução" para a Mitzvá de Shemitá, e explica que assim como com a Mitzvá de Shemitá, seus princípios gerais e seus detalhes mais sutis foram todos ensinados no Monte Sinai, da mesma forma todas as Mitzvót, com seus princípios gerais e seus detalhes mais sutis, também foram ensinados no Monte Sinai. Portanto, por que foi necessário repetir este mesmo conceito no início da Parashá Mishpatim?
 
Poderíamos pensar que todos os princípios éticos e morais da Torá são, na realidade, ensinamentos do coração das pessoas. Isso nos levaria à conclusão equivocada de que no Monte Sinai somente foram ensinadas as Mitzvót "Bein Adam LaMakom", como a Mitzvá de Shemitá, mas que as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró", que são mais fáceis de serem entendidas intelectualmente, foram inventadas por pessoas. Uma única letra "a mais" nos ensina que também as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" foram transmitidas por D'us no Monte Sinai.
 
Porém, deste ensinamento surge uma interessante pergunta: na prática, qual é a diferença se as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" foram entregues no Monte Sinai ou se tivessem sido inventadas por pessoas que, preocupados com a humanidade, tivessem criado estas regras para que as pessoas tivessem uma vida melhor e mais harmônica? Por que foi tão importante a Torá enfatizar que as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" são Divinas e não humanas?
 
Existem algumas respostas para este questionamento. Em primeiro lugar, se cumpríssemos as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" apenas por serem "regras para um bom convívio social", não receberíamos nenhuma recompensa espiritual por cumpri-las. A palavra "Mitzvá" significa "comando", implicando que há alguém que está comandando e alguém que está sendo comandado a fazer algo. É justamente isso que traz méritos no cumprimento das Mitzvót, o fato de estarmos cumprindo a vontade de D'us. Pelo fato de as Mitzvót serem Divinas, recebemos uma recompensa cada vez que as cumprimos. Mesmo que a consequência das Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" seja a criação de um mundo mais justo, harmonioso e solidário, em última instância cumprimos as Mitzvót porque D'us nos ordenou, não porque as consequências são boas.
 
Além disso, também o fato de as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" serem Divinas, elas revelam detalhes da bondade e da misericórdia de D'us e, portanto, nos ensinam a nos comportarmos como Ele em nossas bondades. Por exemplo, a Parashá nos ensina algumas leis relacionadas ao furto de objetos e animais. Em relação ao furto de animais, assim está escrito: "Se alguém furtar um boi ou um cordeiro e o abater ou vender, pagará cinco bois pelo boi ou quatro cordeiros pelo cordeiro" (Shemot 21:37). Mas por que há esta diferença, de pagar quatro vezes no caso de um cordeiro e cinco vezes no caso de um boi? Rashi explica que quando alguém rouba um animal grande, como um boi, simplesmente amarra-o e vai puxando o animal. Já alguém que rouba um animal pequeno, como o cordeiro, coloca-o sobre os ombros e sai correndo carregando o animal, algo extremamente vergonhoso para o ladrão. D'us considera essa vergonha já como parte do pagamento pelo crime de furto e, por isso, aquele que roubou o cordeiro paga menos do que aquele que roubou o boi. Esta Mitzvá demonstra a sensibilidade de D'us com as pessoas e com a honra delas, mesmo em se tratando de um ladrão, e nos ensina a termos sensibilidade com as pessoas.
 
Finalmente, há um terceiro ponto muito importante, ressaltado por uma interessante história trazida pelo Talmud (Avodá Zará 24a), sobre Dama ben Netina, um não-judeu que vivia em Ashkelon. Os rabinos queriam comprar dele joias de valor e beleza extraordinários, para substituir as pedras que faltavam no peitoral do Cohen Gadol. O preço era de 600 mil moedas de ouro. Porém, as joias de Dama estavam guardadas em um baú trancado e a chave do baú estava sob a cabeça do seu pai, que dormia profundamente. Dama preferiu não perturbar seu pai, mesmo que isso significaria perder aquela venda milionária. Um ano depois, D'us o recompensou e uma vaca vermelha nasceu no seu rebanho. Esse tipo de vaca era extremamente raro e, na época do Beit Hamikdash, o povo judeu usava as cinzas da vaca vermelha para purificação espiritual. Os rabinos vieram a Dama para comprar sua vaca vermelha. Ele lhes disse: "Sei que vocês me pagariam qualquer quantia que eu pedisse, mas só lhes pedirei a quantia que perdi no negócio das joias por ter respeitado meu pai".
 
Esta história é um maravilhoso ensinamento de até onde devemos nos esforçar para cumprir a Mitzvá de honrar nossos pais. Porém, há algo que muitas vezes passa desapercebido quando escutamos esta história. Quando Dama ben Netina definiu o valor de sua vaca vermelha, ele utilizou a expressão "a quantia que perdi por ter respeitado meu pai". Segundo sua visão de mundo, existia a possibilidade de perder algo quando fazemos o que é correto. Porém, esta não é a visão da Torá. A história do Rav Eliahu Dov Kloi zt"l contrasta com a história de Dama ben Netina, pois é possível perceber que não há nenhuma perda ao cumprirmos uma Mitzvá.
 
Seres humanos são limitados e falíveis, mas D'us é infinito e perfeito. Saber que as Mitzvót são Divinas nos dá a tranquilidade de que, mesmo se em um primeiro momento parece que estamos perdendo algo cumprindo uma Mitzvá, na realidade não há nenhuma perda. Nunca perdemos nada fazendo Mitzvót, em especial ajudando os outros, respeitando e sendo sensíveis às necessidades de cada pessoa. Este é o incrível ensinamento trazido por uma única letra "a mais" na Torá.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 20 de janeiro de 2022

UNIDOS EM UM SÓ CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ ITRÓ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ ITRÓ
  • A chegada de Yitró.
  • O Conselho de Yitró.
  • Requerimento para a liderança.
  • Chegada ao Monte Sinai.
  • Preparação para receber a Torá.
  • A revelação de D'us.
  • Os Dez Mandamentos.
  • Leis sobre a construção de um Altar.
BS"D

UNIDOS EM UM SÓ CORAÇÃO - PARASHÁ ITRÓ 5782 (21/janeiro/2022)


"Um mercador tinha um cavalo e um burro. Às vezes ele transportava muitos produtos por enormes distâncias, e seus animais tinham que fazer um enorme esforço. Na verdade, como o burro é conhecido por sua capacidade de carregar enormes cargas, normalmente o dono acabava colocando muito mais peso sobre o pobre burro do que sobre o cavalo, que costumava levar apenas pequenas cargas.

Certa vez, enquanto estavam caminhando por uma estrada, em uma longa viagem, o burro disse ao cavalo:

- Por favor, me ajude. Desta vez está pesado demais. Tenho medo de morrer de cansaço...

Porém, o cavalo não se comoveu. Além disso, não queria colocar mais carga em suas costas.

- Deixe de ser manhoso - disse o cavalo, sem demonstrar o mínimo de empatia - Nem deve estar tão pesado!

Passado algum tempo, o burro novamente pediu ajuda ao cavalo, mas foi ignorado mais uma vez. O burro sentiu que suas forças acabavam e, em um momento de desespero, implorou pela ajuda do cavalo. Porém, o cavalo continuava insensível à dor e sofrimento do burro. E, assim, o pior aconteceu. Após momentos de muito sofrimento, o burro caiu morto de fadiga.

O mercador, em um primeiro momento, ficou desesperado. Como levaria sua mercadoria até a cidade? Os compradores estavam esperando! Então ele retirou toda a carga do burro morto e colocou sobre o cavalo. E até mesmo a carcaça do burro ele decidiu levar, para vender o couro na cidade. O cavalo, que não estava acostumado com tanto peso sobre suas costas, começou a gemer de dor. Entre lágrimas, ele dizia:

- Pobre de mim. Como sou infeliz! Veja o que me aconteceu! Por não querer ajudar o burro, agora eu tenho que levar tudo nas costas, até mesmo a carcaça dele!"

Quando as pessoas se ajudam, todos acabam ganhando. Mas quando as pessoas se comportam de forma mesquinha e egoísta, sem empatia, todos acabam perdendo.

Nesta semana lemos a Parashá Itró, que começa descrevendo o momento em que Itró, o sogro de Moshé Rabeinu, se uniu ao povo judeu no deserto, promovendo o reencontro de Moshé com sua família, que havia permanecido em Midian, em segurança, durante o processo de libertação do povo judeu da escravidão egípcia. Além disso, a Parashá também fala sobre a sugestão de Itró de mudar o sistema de justiça do povo judeu, que era muito pesado para o povo e para Moshé, que até aquele momento julgava sozinho o povo.
 
A Parashá Itró também narra o momento da revelação de D'us e a entrega da Torá no Monte Sinai, como está escrito: "No terceiro mês da saída dos filhos de Israel do Egito, neste dia eles chegaram ao deserto do Sinai. Eles partiram de Refidim, chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto, e Israel acampou ali, em frente à montanha" (Shemos 19:1,2).
 
Rashi ressalta que há algo um pouco incomum nestes dois versículos. Os verbos "chegaram", "partiram", e "acamparam" estão no plural. Porém, de repente o versículo muda e escreve o verbo "acampar" no singular: "Israel acampou ali". Rashi explica que o verbo está no singular pois o acampamento do povo judeu no Monte Sinai foi "como um só homem, em um só coração". Isto significa que, até aquele momento, em todos os lugares onde o povo acampou, houve alguma reclamação ou disputa, mas naquele momento da entrega da Torá eles conseguiram chegar a um incrível nível de paz, harmonia e união.
 
O Rav Avraham Borenstein zt"l (Polônia, 1838 - 1910), também conhecido como Avnei Nezer, nos chama a atenção sobre um comentário de Rashi muito semelhante na Parashá da semana passada, Beshalach, no versículo que descreve o momento em que os egípcios, arrependidos de terem libertado seus escravos, partem em carruagens de guerra atrás do povo judeu no deserto, como está escrito: "E eis que o Egito viajou atrás deles" (Shemot 14:10). Novamente, o versículo usa a forma singular do verbo "viajar". Lá também Rashi comenta que os egípcios estavam "Em um só coração, como um só homem". Isto significa que, aparentemente, os egípcios também alcançaram esse incrível nível de união em sua perseguição ao povo judeu.
 
No entanto, o Avnei Nezer ressalta que há uma pequena, porém significativa, diferença entre os comentários de Rashi na Parashá Beshalach e na nossa Parashá. Em Beshalach, ao falar sobre a perseguição egípcia ao povo judeu, Rashi usa a expressão "Em um só coração, como um só homem", enquanto na nossa Parashá, ao falar sobre o acampamento do povo judeu diante do Monte Sinai, Rashi usa a expressão inversa, "Como um só homem, em um só coração". O que Rashi quis transmitir com esta diferença sutil nos dois comentários?
 
O Avnei Nezer traz uma bela resposta, baseada em um importante ensinamento dos nossos sábios: "Todo amor que depende de uma causa, quando cessa a causa, o amor também cessa; e todo amor que não depende de nada, nunca cessará" (Pirkei Avót 5:16). Isto significa que as pessoas podem ter um amor baseado em uma razão ou um objetivo específico. Por exemplo, a pessoa pode apaixonar-se por alguém com base em seu dinheiro ou sua beleza, mas quando aquele motivo desaparece, o amor também desaparece. Se, por outro lado, o amor e a união não se baseiam em nenhuma razão específica, mas nas próprias pessoas, isto é, na vontade de se conectar ao outro, isso é um amor de magnitude completamente diferente e está destinado a nunca acabar.
 
Muitas vezes as pessoas se conectam porque têm o mesmo objetivo a curto prazo. O que une as pessoas é a vontade de alcançar este propósito comum. Pode até mesmo haver situações nas quais as pessoas se odeiam, mas, se elas têm um propósito comum, podem deixar de lado as diferenças e se unir para alcançar esse objetivo. É o que muito comumente ocorre na política. Grupos que têm filosofias totalmente opostas podem se unir para uma eleição, tendo o propósito comum de os dois lados saírem beneficiados. Isto também ocorre em situações de guerra. Por exemplo, os países árabes têm muitas diferenças entre si, sendo que alguns deles passaram anos em guerras sangrentas. Mas quando se trata da questão de odiar Israel, eles compartilham um objetivo comum. Nesta questão, ficam do mesmo lado e trabalham juntos em prol do seu objetivo.
 
Os egípcios formaram este último tipo de coalizão entre si. Todos eles tinham um objetivo em comum: recapturar os judeus, seus escravos fugitivos. Isso foi ressaltado por Rashi através da expressão "Em um só coração", demonstrando que eles tinham um desejo comum, que criou uma união temporária e os fez trabalharem "Como um só homem". Este é um tipo muito superficial de união, pois quando o objetivo termina, cada um volta à sua própria vida, à sua individualidade, sem se importar com os outros.
 
Isso é contrastado com o acampamento do povo judeu diante do Monte Sinai, que Rashi descreve de forma maravilhosa como sendo "Como um só homem". A união foi criada por causa dos sentimentos de irmandade e amor ao próximo, uma preocupação genuína das pessoas umas com as outras. Pela primeira vez todos sentiam que faziam parte de uma única família. Esta foi uma união verdadeira, não apenas algo superficial para alcançar um objetivo comum. Esse senso de identidade, de se sentirem "um só homem" naturalmente levou a uma identidade de propósito também, ressaltado através da expressão "Em um só coração".
 
Explica o Rav Yssocher Frand que este conceito nos ajuda a entender uma parte interessante da nossa Tefilá. Às segundas e quintas-feiras, após a leitura da Torá, o Sheliach Tzibur pronuncia cinco parágrafos, após os quais toda a congregação responde "Amén". Porém, algo que nos chama a atenção é que os quatro primeiros parágrafos começam com as palavras "Yehi Ratzon Milifnei Avinu Bashamaim", que significa literalmente "Que seja a vontade diante do nosso Pai Celestial". Nestes parágrafos pedimos para que seja Sua Vontade restabelecer o Beit Hamikdash; que Ele tenha misericórdia de nós; que Ele sustente os estudiosos do povo judeu e suas famílias, e que Ele nos permita escutar boas notícias. Porém, essa "simetria poética" é quebrada no quinto parágrafo, que não começa com as palavras "Yehi Ratzon", e sim com as palavras "Acheinu Kol Beit Israel", literalmente "Nossos irmãos, toda a casa de Israel". Por que esta mudança?
 
O Rav Chaim Halberstam zt"l (Polônia, 1793 - 1876) ensina uma lição fantástica. No quinto parágrafo, as palavras "Yehi Ratzon" tornam-se supérfluas. Se já falamos a expressão "Nossos irmãos, toda a casa de Israel", demonstrando o amor, a união dentro do povo e que consideramos cada judeu como sendo nosso irmão, então não há maior cumprimento das palavras "Que seja a vontade do nosso Pai Celestial" do que isso. Portanto, quando há união, as palavras "Yehi Ratzon" tornam-se desnecessárias. Grande é a paz e a união do povo judeu, como no momento em que o povo acampou em frente ao Monte Sinai, como um só homem, pois este é o cumprimento final da vontade de D'us.
 
Não há nada tão destruidor quanto a desunião do povo judeu, nem inimigo mais perigoso do que o ódio gratuito. Rezamos todos os dias para que possamos ter mais Torá. Porém, da mesma maneira que a Torá só foi entregue quando houve harmonia e união dentro do povo judeu, só teremos Torá em nossas vidas quando houver harmonia e união, tanto dentro quanto fora de casa.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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