quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

ABRINDO AS TORNEIRAS ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYECHI 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ VAYECHI
ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYECHI
  • Doença e os últimos dias de Yaacov.
  • Brachá para Efraim e Menashé.
  • Brachá (e bronca) aos filhos.
  • Último pedido de Yaacov.
  • Falecimento e luto por Yaacov.
  • Yossef pede ao Faraó permissão para enterrar Yaacov em Israel.
  • O enterro de Yaacov.
  • Yossef tranquiliza seus irmãos.
  • A morte de Yossef.
BS"D

ABRINDO AS TORNEIRAS ESPIRITUAIS - PARASHÁ VAYECHI 5782 (17/dez/2021)

 
"O Talmud (Taanit 5b) conta que quando o Rav Nachman estava prestes a se separar do Rav Yitzchak, após terem estudado juntos, ele pediu:
 
- Mestre, por favor, me dê uma Brachá.
 
- Deixe-me contar-lhe uma parábola - respondeu o Rav Ytzchak - A que esta situação pode ser comparada? A um homem que viajava pelo deserto com fome, sede e muito cansaço, quando se deparou com uma árvore que produzia frutos saborosos e proporcionava muita sombra, e sob a árvore corria uma nascente de água. O homem comeu a fruta, bebeu da água e descansou na sombra. Quando estava para sair, voltou-se para a árvore e disse:
 
- Árvore, árvore, com o que devo abençoar você? Devo abençoá-la para que seu fruto seja doce? Mas sua fruta já é doce! Devo abençoá-la para que sua sombra seja farta? Mas sua sombra já é farta! Devo abençoá-la que uma fonte de água corra sob você? Mas uma fonte de água já corre sob você! Com o que vou te abençoar?
 
- Há uma coisa com a qual posso abençoá-la - concluiu o homem - Que seja a vontade de D'us que todas as árvores plantadas com suas sementes sejam como você.
 
- O mesmo se aplica a você - concluiu o Rav Ytzchak - Com o que devo te abençoar? Com o conhecimento da Torá? Você já possui conhecimento da Torá! Com riquezas? Você já tem riquezas! Com crianças? Você já tem filhos! Consequentemente eu digo: "Que seja a vontade de D'us que sua descendência seja como você".
 
Através das Brachót, D'us deu a cada um de nós o dom de nos preocuparmos com os outros e desejarmos a eles coisas boas.

Nesta semana lemos a Parashá Vayechi (literalmente "E viveu"), a última Parashá do Sefer Bereshit. Após Yossef ter se revelado aos seus irmãos, ele convidou toda a família para que viessem morar no Egito, onde poderiam ser alimentados com fartura mesmo nos anos de fome que ainda estavam por vir, conforme Yossef havia profetizado em sua interpretação do sonho do Faraó. E assim aconteceu, toda a família de Yossef veio ao Egito e Yaacov passou os últimos 17 anos de sua vida lá.
 
O assunto principal desta Parashá são as Brachót que Yaacov deu a cada um de seus filhos. Quando ele sentiu que a morte se aproximava, mandou chamar todos os filhos e deu a cada um deles uma Brachá especial, de acordo com o propósito de cada um. Estas Brachót tiveram um profundo impacto na nossa história, já que os filhos de Yaacov foram os responsáveis pela formação das 12 Tribos do povo judeu. Além disso, Yaacov também deu uma Brachá coletiva para todos os filhos juntos.
 
Todos nós gostamos de receber Brachót. Alguns passam horas em uma fila para receber uma Brachá dos grandes rabinos da geração, pedindo sustento, saúde, sucesso ou Shalom Bait. Mas qual é exatamente o poder de uma Brachá? É algo real ou apenas algo "psicológico"? O fato de alguém nos desejar algo bom tem alguma relação real com a possibilidade disso realmente acontecer? Além disso, se alguém "normal", que não são os grandes rabinos da geração, nos dá uma Brachá, será que também tem alguma validade?
 
A resposta está em um interessante ensinamento da nossa Parashá. Antes das Brachót para os outros filhos, Yaacov chamou seu filho preferido, Yossef, e deu uma Brachá para os dois filhos dele, Efraim e Menashe. E ele ordenou que esta Brachá se tornasse a "Brachá modelo" para as futuras gerações, como está escrito: "E ele (Yaakov) os abençoou naquele dia, dizendo: "Através de você, Israel abençoará (seus filhos), dizendo: 'Que D'us faça você como Efraim e como Menashe'". (Bereshit 48:20). Desde então, todo Shabat de noite damos uma Brachá aos nossos filhos e pedimos a D'us que os torne como Efraim e Menashe.
 
Esse ensinamento levanta uma questão óbvia: por que pedir a D'us que faça nossos filhos justamente como Efraim e Menashe, e não qualquer outra grande personalidade da Torá, como Avraham, Yossef, Moshé ou Aharon HaCohen? Que qualidades especiais eles representam, e que desejamos ver em nossos filhos? Além disso, por que esta é a "Brachá modelo" da Torá, que deve ser transmitida de geração em geração?
 
O maior desejo de todos os pais em relação aos seus filhos é que, além do sucesso pessoal, eles se respeitem e vivam em paz, tendo um bom relacionamento. A dor mais aguda que pode atingir um pai é ver seus filhos brigarem e não se tratando com respeito e dignidade. Mesmo que os filhos alcancem o sucesso por seus próprios méritos, a alegria cheia de orgulho dos pais é ofuscada caso os irmãos não tenham um bom relacionamento entre si. A maior alegria que um pai pode experimentar é ver os filhos cuidando e ajudando uns aos outros. Mesmo que os filhos não sejam pessoas de sucesso, se eles se amam e cuidam um do outro, isso é o que realmente importa para os pais. A união da família representa o paraíso, enquanto a discórdia familiar representa o inferno.
 
Sabemos que Yossef e seus irmãos tiveram muitos problemas entre si. Prejudicado pela inveja, o relacionamento deles chegou ao nível de ódio. Os irmãos não se conformavam com o fato de Yossef ser o filho preferido de Yaacov e ter certos privilégios, como a atenção especial do pai e somente ele ter recebido uma roupa de tecido fino. Mas Efraim e Menashe também tinham motivos para entrar em um nível de competição que poderia levar ao ódio, mas conseguiram superar. Embora Menashe fosse o irmão mais velho, foi Efraim que recebeu a Brachá mais louvável de Yaacov. Vemos inclusive no versículo trazido anteriormente que Yaacov mencionou o nome de Efraim, o filho mais novo, antes do nome de Menashe. Não há, no entanto, nenhuma indicação de qualquer desavença e sentimento de inveja entre os dois, diferente do que havia acontecido entre Yossef e seus irmãos.
 
Efraim e Menashe chegaram ao nível de respeito mútuo, apesar de não compartilharem o mesmo nível de grandeza e liderança. Não é uma grande conquista se dar bem com alguém que está no mesmo nível que você, mas amar e respeitar um irmão que é melhor que você, em uma área na qual você também valoriza muito, é o verdadeiro teste de união familiar.
 
A palavra "Brachá" está relacionada com a palavra "Breicha", que significa "fonte de água", como um manancial ou uma piscina. Sempre iniciamos uma Brachá observando que D'us é "Baruch", isto é, que Ele é a Fonte de tudo. Portanto, sempre que damos uma Brachá a alguém, desejamos que esta pessoa esteja conectada à Fonte Suprema, de onde se originam todas as coisas boas: o Todo Poderoso.
 
filósofo canadense Marshall McLuhan, um famoso educador, ficou eternizado através de uma famosa frase que ele costumava repetir: "O meio é a mensagem". O que significa esta expressão? Normalmente, quando uma mensagem é transmitida, focamos apenas no próprio conteúdo dela, mas o meio através do qual a mensagem chega até nós é, na maioria das vezes, irrelevante. Porém, Marshall McLuhan ensina que o meio é um elemento importante da comunicação, e não somente um canal de passagem ou um veículo de transmissão.
 
Aplicando esta ideia ao conceito espiritual das Brachót, podemos dizer que o ato de abençoar o outro é a própria Brachá. Ao dar Brachá a outra pessoa, nós fazemos a Brachá acontecer. Por que? Os bons votos que estamos dando ao outro criam a união, que é tão crucial para que as Brachót ocorram. Quando D'us vê Seus filhos se comportando com união, cuidando uns dos outros, a "torneira espiritual" é aberta e as Brachót descem ao mundo, como ensinam nossos sábios: "Disse o Rabi Shimon ben Chalafta: 'D'us não encontrou um utensílio que contenha tanta Brachá para o povo judeu como a paz'" (Mishná Oktsin 3:12). Onde há paz, há Brachá. Porém, ao contrário, quando demonstramos desunião, a "torneira espiritual" é fechada. É justamente por isso que a Brachá de Efraim e Menashe é a "Brachá modelo" da Torá, pois eles representam a união e o respeito mútuo, a verdadeira fonte das Brachót.
 
Isto significa que as Brachót não são apenas para os grandes rabinos da geração. É verdade que nossos grandes sábios têm muitos méritos e suas Brachót têm um alcance muito maior, já que eles estão muito mais próximos de D'us, a Fonte de todas as Brachót. Porém, devemos sempre dar Brachót para as pessoas, desejando a elas coisas boas. Maior ainda é a Brachá que devemos dar a alguém com quem estamos tendo algum tipo de problema de relacionamento. Se vencermos nosso mau instinto e conseguirmos dar a esta pessoa uma Brachá, desejando a ela o melhor, veremos as Brachót voltando em nossa direção, pois após abrirmos as "torneiras espirituais", o mundo inteiro acaba tendo benefício das Brachót que tivemos o mérito de trazer ao mundo.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 10 de dezembro de 2021

CUIDANDO DOS NOSSOS IRMÃOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIGASH 5782


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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYIGASH
  • Yehudá enfrenta o "vice-rei".
  • Yossef manda todos saírem da sala.
  • Yossef se revela.
  • Irmãos de Yossef voltam para casa, para buscar famílias.
  • Yossef manda presentes a Yaacov.
  • A família de Yaacov prepara-se para ir ao Egito.
  • Genealogia dos filhos de Yaacov.
  • O reencontro de Yaacov e Yossef.
  • O encontro de Yaacov e o Faraó.
  • A fome no Egito fica cada vez mais dura.
  • Yossef compra todo o Egito.
BS"D

CUIDANDO DOS NOSSOS IRMÃOS - PARASHÁ VAYIGASH 5782 (10/dez/2021)

 
"Jacques, um homem muito rico, estava prestes a completar 70 anos e tinha decidido realizar uma grande festa. Ele enviou uma carta para seus dois filhos, que viviam em outro país, dizendo: "Eu quero que você e sua família venham celebrar comigo. Não se preocupe com as despesas, pois tudo que você gastar em minha honra, eu devolverei vinte vezes mais".

Roberto, o filho mais velho, era rico. Após receber a carta, comprou a carruagem mais bonita, as melhores roupas para os filhos e joias para a esposa, pois sabia que quanto mais gastasse, mais receberia de volta. Com trajes de gala, iniciaram a viagem. No caminho, passaram pela casa de Fernando, o irmão mais novo, um sujeito pobre. Ele não tinha nem condições de pegar dinheiro emprestado, pois ninguém lhe dava crédito.
 
- Você não vem para a festa do papai? - perguntou Roberto.
 
- Eu não tenho dinheiro nem para alugar uma carruagem - respondeu Fernando, com tristeza.
 
- Não tem problema, darei carona para você e sua família na minha espaçosa carruagem - disse Roberto.

Fernando e sua família subiram na carruagem e todos partiram para a festa. A família de Roberto viajava com todo o luxo possível, enquanto a família de Fernando viajava em maltrapilhos. Ao chegarem à grande festa, Roberto disse ao pai:
 
- Eu gastei $50.000 para te honrar nesta festa. Portanto, eu devo receber um milhão de dólares!

- Eu não vou lhe dar nenhum centavo! - disse Jacques, em um tom muito sério.

- O que isso quer dizer? - perguntou Roberto - Trato é trato!

- Eu disse que qualquer coisa que você gastasse para me honrar eu lhe devolveria vinte vezes mais. No entanto, você não gastou esse dinheiro com a minha honra, você gastou com a sua própria honra. Se você estivesse realmente preocupado com a minha honra, teria se preocupado em ajudar também seu irmão pobre"
 
Explica o Maguid MiDuvno que é desta forma que D'us nos vê. Mesmo quando fazemos algo por Ele, se não nos importamos com os nossos irmãos, então não é considerado que fizemos por Ele, e sim por nós mesmos.

Na Parashá desta semana, Vayigash (literalmente "E se aproximou"), a Torá continua o relato da história de Yossef e seus irmãos. No final da Parashá da semana passada, a história estava em seu clímax, quando Biniamin foi acusado de roubo e os irmãos, ainda sem perceber que o vice-rei era seu irmão Yossef, não sabiam o que fazer. Então no início da Parashá desta semana Yehudá, o líder dos irmãos e aquele que havia ficado responsável por Biniamin, tomou coragem e fez um discurso emocionado ao vice-rei, implorando por misericórdia em nome de seu pai velhinho, e se oferecendo para ficar como escravo no lugar de Biniamin.
 
Yossef ficou tão comovido com esta atitude de Biniamin que não conseguiu mais guardar o segredo e se revelou aos irmãos, que ficaram em estado de choque, sem conseguir esboçar nenhum tipo de reação diante daquela surpresa. Finalmente eles se abraçaram e choraram. Yossef e seus irmãos pareciam estar finalmente reconciliados. Mas será que eles chegaram a um nível verdadeiro e pleno de amor, confiança mútua e perdão? Infelizmente, prestando atenção em alguns detalhes, percebemos que não. Houveram grandes avanços em ambos os lados, mas o objetivo final não foi atingido, deixando para nós um grande desafio.
 
Por exemplo, apesar das várias tentativas sinceras de Yossef de reconciliação, há algo que falta nas palavras dele. Ele nunca disse: "Eu perdôo vocês". Ele quis tirar a culpa das costas dor irmãos, falando que D'us tinha um plano maior, e que ele e os irmãos faziam parte daquele plano, mas nunca explicitou seu perdão. Talvez tenha sido a ausência do perdão explícito que amedrontou os irmãos e fez com que eles nunca se sentissem completamente à vontade com Yossef.
 
Além disso, no momento em que Yossef se revelou aos irmãos está escrito: "Yossef não conseguiu mais se conter... E Yossef disse aos seus irmãos: 'Eu sou Yossef. Meu pai ainda está vivo?'" (Bereshit 45:1,3). Ao dizer que Yossef não pôde se conter, a Torá está nos informando que, se ele pudesse, teria esperado que seus irmãos chegassem a um nível maior de entendimento do erro que haviam cometido e, assim, poderiam concluir seu processo de arrependimento.
 
Outro detalhe que chama a atenção foi quando Biniamin, acusado de roubo, foi condenado à escravidão. Seus irmãos mais velhos se recusaram a deixá-lo e lutaram por sua libertação. Porém, parecia que Biniamin realmente havia errado e que eles estavam ao seu lado apenas porque ele era o irmão deles. Em nenhum momento eles discutiram a inocência de Biniamin. O Midrash ensina que os irmãos acreditaram que Biniamin era realmente ladrão. Portanto, se o amor entre os irmãos fosse pleno, se tivessem aprendido a lição, eles teriam imediatamente defendido Biniamin, pois conhecendo sua retidão, teriam certeza de sua inocência.
 
Também vemos a superficialidade no relacionamento entre Yossef e seus irmãos na Parashá da semana que vem, pois quando Yaacov faleceu, os irmãos imediatamente suspeitaram que Yossef finalmente aproveitaria para se vingar. Eles basearam suas suspeitas nas palavras de Yossef ao se revelar: "Meu pai ainda está vivo?", o que, segundo o entendimento deles, significava que Yossef não faria nenhum mal a eles em respeito ao pai, mas que assim que o pai falecesse, ele se vingaria. Isto significa que a confiança mútua que deveria existir nunca foi alcançada. Enquanto Yossef estava claramente motivado pelo desejo de que seus irmãos fizessem Teshuvá, eles o consideravam mesquinho e vingativo.
 
O Rabeinu Bechaye zt"l (Espanha, 1255 - 1340) vai além e cita os dez mártires da época do exílio romano, gigantes espirituais como o Rabi Akiva e Raban Shimon bem Gamliel. Eles são apontados como a reencarnação dos irmãos de Yossef, que precisavam passar por aquele "conserto" de morrerem torturados "Al Kidush Hashem"(santificando o Nome de D'us) por terem vendido Yossef. Se eles precisaram reencarnar, isto significa que ainda havia alguma "dívida" a ser paga. Mas certamente eles fizeram Teshuvá, se arrependeram pelo resto de suas vidas do grave erro cometido! O que faltava ser consertado? A conclusão é que faltou o perdão de Yossef para que o conserto fosse completo, já que nossos sábios ensinam que nas transgressões "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu companheiro), enquanto a pessoa que sofreu o dano não perdoa, também não há perdão Divino, nem em Yom Kipur e nem mesmo após a morte, sendo necessário os envolvidos voltarem em uma nova encarnação para um futuro conserto.
 
Porém, por que havia dez mártires, se apenas nove irmãos estavam envolvidos na venda de Yossef? Eram no total 12 irmãos, mas Biniamin estava em casa, Yossef foi a vítima e Reuven havia saído antes da venda e, portanto, não participou dela! O Rabeinu Bechaye sugere que Yossef tinha alguma responsabilidade, por ter causado a inimizade com os irmãos e, portanto, a expiação dos seus pecados também foi exigida.
 
Mas talvez possamos sugerir uma resposta diferente: o próprio Yossef foi o décimo mártir pois ele nunca perdoou seus irmãos completamente e, portanto, também carregava a culpa. Se ele tivesse conseguido se controlar por mais tempo, talvez pudessem chegar a um ponto de reconciliação completa. Mesmo assim, vemos que os irmãos viveram junto com Yossef no Egito por muitos anos e, infelizmente, continuaram com medo dele. As cicatrizes da venda permaneceram sem cura.
 
No entanto, se eles não tinham chegado a um nível verdadeiro de amor e confiança entre si, a ponto de desconfiarem que Biniamin realmente tinha roubado o cálice de prata, por que foram defendê-lo? Pois quando foram atacados por alguém "de fora", isto é, pelo vice-rei egípcio, eles se uniram na defesa um do outro.
 
Essa é uma grande realidade nos nossos dias quando olhamos para Israel e o povo judeu. Quando somos ameaçados por um inimigo "externo", como os ataques árabes, aceitamos nossas diferenças e nos unimos na luta pela sobrevivência. No fundo, cada judeu possui um profundo senso de preocupação com o próximo. Porém, infelizmente, em tempos de paz, parece que nos esquecemos disso e as sementes da desunião e da desconfiança começam a brotar, dilacerando profundamente nosso povo.
 
Quando Yossef se reencontrou com Biniamin, eles se abraçaram e choraram. Em certo nível, foram lágrimas de alegria pelo reencontro. Mas nossos sábios explicam que, naquele momento, Yossef e Biniamin entenderam que a lição de confiar em nossos irmãos judeus não havia sido internalizada e, portanto, o mesmo problema estava destinado a ressurgir no futuro, resultando em destruição e tragédia para nosso povo, como a destruição do nosso Templo Sagrado, justamente por causa da desunião e o ódio gratuito dentro do povo judeu.
 
Cada um de nós tem o poder e a responsabilidade de mudar esta situação. Nas guerras e ameaças nos unimos. Que possamos também nos unir na paz, com confiança uns nos outros, nos tornando uma luz para as nações.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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