quinta-feira, 7 de outubro de 2021

FUGINDO DA REALIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NOACH 5782

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PARASHÁ NOACH



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VÍDEOS DA PARASHÁ NOACH
ASSUNTOS DA PARASHÁ NOACH
  • Noach encontra graça aos olhos de D'us.
  • Construção da Arca.
  • O grande Dilúvio e um ano na Arca.
  • O corvo e a pomba.
  • Noach e a família saem da Arca.
  • Noach oferece um Korban.
  • O pacto: Arco-Íris.
  • Noach fica bêbado e é envergonhado por seu filho Ham.
  • Knaan, filho de Ham, é amaldiçoado.
  • Descendentes de Yafet, Ham, Knaan e Shem.
  • A Torre de Babel e a dispersão.
  • 10 Gerações de Noach a Avraham.
  • 1º teste de Avraham: 13 anos escondido de Nimrod.
  • 2º teste de Avraham: Ur Kassdim.
BS"D

FUGINDO DA REALIDADE - PARASHÁ NOACH 5782 (01 de outubro de 2021)

 
Era uma vez um cavalo que, em pleno inverno, desejava o regresso da primavera. De fato, ainda que agora descansasse tranquilamente no estábulo, via-se obrigado a comer palha seca.

- Como sinto saudades de comer a erva fresca que nasce na primavera! - pensava o pobre animal.

A primavera chegou e o cavalo teve sua erva fresca, mas começou a trabalhar muito, pois era época da colheita.

- Quando chegará o verão? Já estou farto de passar o dia inteiro puxando o arado! - lamentava-se o cavalo.

Chegou o verão, mas o trabalho aumentou e o calor tornou-se muito forte.

- Estou ansioso pela chegada do outono! - dizia mais uma vez o cavalo, convencido de que naquela estação terminariam seus males.

Mas no outono teve que carregar lenha para que seu dono estivesse preparado para enfrentar o inverno. E o cavalo não parava de queixar-se e de sofrer.
 
Quando finalmente o inverno chegou novamente e o cavalo pôde finalmente descansar, ele compreendeu que tinha sido fantasioso tentar fugir do momento presente e refugiar-se na imaginação do futuro. Fugir da realidade não é a forma correta de encarar as dificuldades da vida e do trabalho.

Nesta semana lemos a Parashá Noach, que descreve um dos episódios mais tristes e sombrios da história da humanidade. Dez gerações após a criação do primeiro ser humano, Adam Harishon, a humanidade já havia se corrompido tanto que D'us decidiu apagar do mundo todos os habitantes através de um Dilúvio. Somente Noach encontrou graça aos olhos de D'us e mereceu ser poupado, junto com sua família.
 
Quando o Dilúvio terminou e Noach finalmente pôde sair da arca, após um ano, ele enfrentou a difícil tarefa de reconstruir o mundo. Ele começou plantando um vinhedo, atitude que teve consequências terríveis, como está escrito: "E Noach, o homem da terra, começou e plantou um vinhedo. E ele bebeu do vinho e ficou bêbado, e ele se despiu dentro de sua tenda" (Bereshit 9:20,21)". A linguagem "Vayachel" pode ser traduzida como "E começou", mas também significa "se degradou". A Torá está criticando fortemente a decisão de Noach de ter plantado um vinhedo como seu primeiro ato na reconstrução do mundo. Mas o que havia de tão grave nisso?
 
O vinho é uma bebida especial e faz parte de praticamente todas as cerimônias judaicas, como o Brit Milá, o casamento, o Shabat e as Festas. O vinho tem o poder de causar alegria no ser humano e pode ajudá-lo a se sentir mais próximo de D'us. Entretanto, Rashi (França, 1040 - 1105) ressalta que Noach deveria ter começado a plantar algo que fosse mais urgente para a reconstrução do mundo. Outros comentaristas dizem que o vinho pode ter efeitos muito negativos quando usado incorretamente, como ocorreu neste incidente. Portanto, Noach deveria ter plantado algo que tivesse menos chance de causar danos ao mundo que estava sendo reconstruído.

Porém, a maior dificuldade em relação a este incidente é que Noach era um grande Tzadik, conforme a própria Torá atesta: "Noach era um Tzadik, perfeito em sua geração. Noach andava com D'us" (Bereshit 6:9). É impossível, portanto, abordar seu erro de maneira superficial, como se ele fosse um desocupado que bebia de forma descontrolada. Qual foi, portanto, a intenção de Noach ao plantar o vinhedo? E por que seu primeiro ato na reconstrução do mundo foi justamente este?
 
O Rav Meir Rubman zt"l (Israel, século 20) explica que quando Noach saiu da Arca, se deparou com uma destruição incrível. O mundo inteiro em que ele viveu havia sido completamente destruído e todas as criaturas estavam mortas. Ele naturalmente se sentiu devastado e desanimado com essa cena chocante. Ele sabia que tais sentimentos não contribuiriam para trazer espiritualidade a este novo mundo, conforme ensinam nossos sábios que a Presença Divina só pode estar presente em meio à alegria de fazer a vontade de D'us. Sabendo que o vinho tem a capacidade de alegrar uma pessoa, ele decidiu plantar um vinhedo e usar o vinho que iria beber como um meio de trazer a Presença Divina para a Terra.
 
Porém, se as intenções de Noach eram tão nobres, por que suas ações tiveram consequências tão negativas? Se toda a sua intenção era trazer espiritualidade para o mundo, por que a Torá utilizou a expressão "E se degradou"?

O Rav Elazar Simcha Wasserman zt"l (Império Russo, 1899 - Israel, 1992) explica que, misturadas com as boas intenções de Noach, havia outras intenções menos nobres que influenciaram negativamente sua decisão de como recomeçar o mundo. Mas que intenções negativas eram estas? Diante de uma dor tão terrível, Noach sentiu a necessidade de se distrair da triste situação que agora enfrentava e, por isso, decidiu plantar um vinhedo, cujo vinho oferecia uma forma de escapar da forte dor que sentia. Esta escolha foi considerada um erro para alguém da grande estatura de Noach e, portanto, teve resultados negativos. A Torá o critica pois, ao enfrentar um mundo destruído, ele deveria primeiro ter se concentrado na reconstrução, ao invés de se concentrar na fuga da realidade. A Torá não diz que Noach cometeu uma transgressão terrível. Ele tinha o potencial de fazer algo sagrado e elevado, mas acabou fazendo algo que era "Chol" (mundano), o que é enfatizado pela linguagem utilizada para descrever o erro de Noach, "Vayachel", que literalmente significa algo mundano, no qual falta santidade e grandeza espiritual.

Cerca de setenta anos atrás, muitas pessoas enfrentaram um teste muito difícil, um "dilúvio em suas vidas". O Holocausto destruiu milhões de vidas. Comunidades inteiras foram devastadas e muitas pessoas perderam toda a família. Certamente aqueles que sobreviveram a esta situação tinham uma tendência muito forte para "escapar da realidade" em algum nível. No entanto, certos indivíduos imediatamente se comprometeram a reconstruir o povo judeu. Gigantes espirituais, como o Rav Yossef Shlomo Kahaneman zt"l (Império Russo, 1886 - Israel,1969), mais conhecido como Ponevicher Rav, e o Rav Yekutiel Yehudá Halberstam zt"l (Polônia, 1905 - Israel, 1994), mais conhecido como Klausenberger Rebe, perderam toda a família no Holocausto, mas ainda assim encontraram forças para embarcar no imenso desafio de reconstruir o povo judeu.

O Rav Yissochar Frand traz outro exemplo comovente de alguém que evitou a tentação de escapar da realidade no mundo pós-Holocausto. O Rav Joseph Rosenberg zt"l sobreviveu e foi viver nos Estados Unidos. Ele percebeu que havia uma Mitzvá em particular que havia sido completamente negligenciada: a verificação de Shatnez (mistura de lã e linho) nas roupas. Ele criou sozinho os laboratórios de verificação de Shatnez e, por várias décadas, verificou centenas de milhares de roupas. Ele sobreviveu a mais de um Holocausto. Um era o Holocausto físico do povo judeu, e o outro era a destruição espiritual, o abandono completo de uma Mitzvá.

Explica o Rav Yehonatan Gefen que temos que agradecer que nossa geração não tem que lutar contra uma destruição comparável à do Dilúvio ou do Holocausto. No entanto, também enfrentamos a destruição espiritual do povo judeu em vários níveis. O povo judeu se depara com a maior destruição espiritual de sua história. Estima-se que mais almas judias foram perdidas para a assimilação e a apatia espiritual nos últimos setenta anos do que no Holocausto. Esta destruição é menos aparente e chocante do que o Holocausto, mas o dano que está causando é imenso. Existem muitos caminhos diferentes para ajudar os judeus afastados da Torá e das Mitzvót, mas o mais importante é a decisão de não tentar escapar do problema dizendo "não posso fazer nada".

Todos conhecem pessoas que se deparam com suas próprias tragédias individuais. Pessoas que não conseguem sustentar suas famílias, que sofrem de terríveis doenças, rapazes e moças que não conseguem casar, pessoas divorciadas ou viúvas que se sentem sozinhas e desamparadas. A lista é interminável. Quando encontramos pessoas assim, temos duas opções: escapar ou construir. Não é suficiente apenas se sentir mal por elas e dizer "coitadas". Devemos nos esforçar para ajudar de todas as maneiras que forem possíveis. Por exemplo, se alguém perdeu o emprego, podemos usar nossos contatos para ajudá-lo a encontrar um novo emprego. Ou se uma pessoa não consegue encontrar alguém para casar, então podemos gastar um pouco de tempo pensando se conhecemos algum parceiro adequado em potencial. Até mesmo dedicar nosso tempo para fazer Tefilá ou ler Tehilim pelas pessoas com dificuldades é uma grande contribuição que podemos fazer aos outros.

Ao longo da vida, enfrentamos dificuldades e perdas. Esses eventos podem ser muitas vezes traumáticos e desafiadores, causando uma reação natural de querer escapar da dor da situação. No entanto, um sinal de grandeza é fazer um esforço para reconstruir e seguir em frente com nossas vidas. Aprendemos isso de um acontecimento registrado no Sefer Yoná. Uma terrível tempestade ameaçava destruir o navio onde o profeta Yoná estava viajando. Em meio a esse tumulto, os marinheiros encontraram Yoná dormindo em sua cabine. O marinheiro chefe perguntou a Yoná: "Por que você está dormindo? Levante-se e chame seu D'us!" (Yoná 1:6). O marinheiro chefe estava dizendo a Yoná: "Como você pode dormir em uma situação como esta? Faça algo!". Da mesma forma, devemos nos perguntar: por que estamos dormindo durante os eventos tumultuosos que nos cercam? Que possamos nos esforçar para reconstruir, e não escapar, das dificuldades da vida.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

SUBORNOS DIÁRIOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BERESHIT 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ BERESHIT
ASSUNTOS DA PARASHÁ BERESHIT
  • Dia um: Luz e Escuridão.
  • Segundo dia: Separação das águas de baixo e de cima. 
  • Terceiro dia: Terra firme e Vegetais.
  • Quarto dia: Sol, Lua e Estrelas.
  • Quinto dia: Animais aquáticos.
  • Sexto dia: Animais da terra e Adam Harishon.
  • Shabat.
  • Adam e Chavá no Gan Éden.
  • A cobra engana Chavá.
  • A transgressão de Adam e Chavá.
  • D'us aparece no Gan Éden.
  • A maldição da cobra.
  • A maldição de Chavá.
  • A maldição de Adam.
  • A expulsão do Gan Éden.
  • Cain e Hevel: Oferendas e assassinato.
  • Julgamento e castigo de Cain.
  • 10 gerações de Adam a Noach.
  • Os filhos de Noach: Shem, Ham e Yefet.
  • Os gigantes e as transgressões.
  • Decreto de destruição do mundo.
BS"D

SUBORNOS DIÁRIOS - PARASHÁ BERESHIT 5782 (01 de outubro de 2021)

 
"O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) estava certa vez em uma cidade distante, onde as pessoas não o conheciam. Um judeu muito simples, ao ver o distinto rabino, pensou tratar-se de um shochet que estava de passagem. Ele quis aproveitar a oportunidade e pediu para que o rabino fizesse shechitá em sua galinha, para que pudesse preparar o almoço. O Rav Salanter imediatamente recusou, explicando que não era um shochet. O Rav Salanter então continuou conversando com aquele homem. Após alguns momentos, ele perguntou ao homem se ele poderia lhe emprestar por uma semana a quantia de mil moedas. Ao escutar aquele pedido, o homem se assustou e respondeu:

- Mas eu nem te conheço! Como posso confiar em você? Como posso saber se você realmente vai me devolver o dinheiro daqui a uma semana?
 
O Rav Salanter abriu um sorriso e ensinou ao homem uma importante lição:
 
- Se você não me conhece e não confia em mim para me emprestar mil moedas, então como é que você confiou em mim para realizar a shechitá na sua galinha? Seu Mundo Vindouro vale menos do que mil moedas?"
 
É interessante perceber como muitas vezes temos dois pesos e duas medidas nas decisões que tomamos na vida. Isso acontece principalmente quando temos interesses envolvidos. O homem queria tanto comer o frango que estava disposto a confiar na shechitá de um completo desconhecido, mas não confiava na mesma pessoa para emprestar dinheiro, já que nesta área ele não tinha nenhum interesse envolvido.

Acabamos de passar pela Festa de Simchá Torá, na qual completamos o ciclo anual de leitura da Torá, e demonstramos o amor pelos ensinamos de D'us ao reiniciarmos imediatamente sua leitura. Portanto, nesta semana lemos a primeira Parashá da Torá, Bereshit (literalmente "No princípio"), que descreve a criação do mundo e dos primeiros seres humanos, Adam e Chavá. Eles foram criados e colocados no Gan Éden, um lugar paradisíaco, e D'us deu a eles um único mandamento: eles poderiam usufruir de todos os frutos que havia no Gan Éden, menos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
 
Infelizmente, poucas horas depois de terem sido criados, Adam e Chavá transgrediram o comando de D'us ao comerem do fruto proibido e foram duramente castigados, sendo expulsos do Gan Éden para sempre e perdendo o seu caráter imortal. Além destes castigos gerais, todos os envolvidos na transgressão, isto é, Adam, Chavá e a cobra, receberam castigos particulares, de acordo com a participação de cada um na transgressão. Mas como aconteceu este erro tão grosseiro, poucas horas depois de Adam e Chavá terem sido criados? Eles eram seres muito elevados, estavam muito próximos de D'us! O que os levou a tropeçarem tão rapidamente?
 
Explicam os nossos sábios que Adam, ao receber o comando de D'us que o proibia de comer certo fruto do Gan Éden, quis acrescentar uma proteção extra ao comando de D'us. Ao transmitir a proibição para sua esposa, ele acrescentou também a proibição de tocar no fruto. Com isso, Adam estava fazendo uma proteção para a Mitzvá, pois se eles evitassem encostar no fruto, certamente nunca chegariam a comê-lo. Porém, a falha de Adam foi não ter explicado para Chavá que a proibição de encostar no fruto era apenas um cerco de proteção da Mitzvá. Ele transmitiu para Chavá como se fosse parte do comando de D'us, de forma que Chavá entendeu que morreria se comesse do fruto proibido ou se apenas encostasse nele. A cobra aproveitou-se desta pequena falha para enganar Chavá, empurrando-a para que ela encostasse no fruto. Como nada aconteceu, a cobra disse para Chavá: "Da mesma forma que nada aconteceu por você ter encostado no fruto, então certamente nada acontecerá caso você coma dele". Desta maneira a cobra conseguiu convencer Chavá a transgredir a vontade de D'us. Logo depois de ter comido o fruto proibido, Chavá levou para que Adam também comesse dele.
 
Entendemos que Chavá quis comer do fruto proibido por ter sido enganada pela cobra e por achar que não havia nenhum problema. Mas por que ela também levou do fruto para que seu marido Adam comesse? Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que foi por uma motivação completamente egoísta. Chavá não queria morrer e deixar seu marido vivo, pois sabia que ele se casaria com outra mulher. Então ela levou o fruto para que ele também comesse e, caso ela morresse, ele também morreria.
 
Porém, esta explicação de Rashi desperta um enorme questionamento. Chavá somente comeu do fruto proibido pois estava completamente convencida de que não morreria caso comesse. Então por que imediatamente após ter comido ela teve medo de morrer? O que mudou?

A resposta está em uma interessante parábola. Havia um país no qual os governantes de cada província se reuniam periodicamente para discutir assuntos de interesse comum. Certa vez, em um destes encontros, um dos governantes de uma das menores províncias começou a contar que perto do seu palácio vivia um judeu, muito justo e temente a D'us, que podia prever o futuro. Muitas de suas profecias haviam se concretizado de forma completa e precisa. Quando o governante da maior província escutou aquilo, não conseguiu suportar a ideia de que um governante de uma província tão pequena se gabasse daquela maneira. Por isso, ele sugeriu que o judeu fosse trazido na próxima reunião, para que pudessem testar se a informação era verdadeira. Quando chegou a época da próxima reunião, o judeu foi convidado. Ele começou a tremer muito, imaginando que algo ruim pudesse estar sendo tramado. E ele estava certo. O governante da maior província, que era um homem extremamente orgulhoso, tinha preparado um plano secreto. Ele convidou o judeu, diante de todos, a subir no palco, e fez a ele uma simples pergunta: "Se você pode prever o futuro, então nos diga: quando será o dia da sua morte?". Se o judeu dissesse uma data qualquer, o governante orgulhoso sacaria do bolso uma arma e mataria o judeu, provando que ele estava errado. E mesmo se ele dissesse "Hoje", o governante esperaria anoitecer e o mataria, provando que ele havia errado a previsão. O judeu, apavorado, rezou para que D'us o iluminasse. De repente, ele respondeu: "Não sei a data exata, mas sei que vou morrer exatamente no mesmo dia que você". O governante colocou a mão no bolso para pegar a arma, mas sua mão paralisou. Os outros governantes, que sabiam do plano, o incentivavam, mas ele não conseguia se mexer. Após alguns longos minutos, o governante arrogante mandou o judeu descer do palco e ir embora. Quando os outros governantes vieram questionar o motivo pelo qual ele não havia aproveitado a oportunidade, ele disse: "Vocês são tolos? Não escutaram o que ele disse, que eu vou morrer no mesmo dia que ele? E se ele estiver certo?".
 
Explica o livro "Lekach Tov" que esta é a força dos interesses que movem uma pessoa. Todo momento em que os interesses que moviam o governante era a inveja e o orgulho, ele se recusava a acreditar que o judeu realmente podia prever o futuro. Ele acreditava que era uma farsa, não podia aceitar que havia na província pequena algo melhor do que em sua enorme província. Porém, quando os interesses mudaram e passaram a ser a vontade que o ser humano tem de ficar vivo, então seu entendimento mudou de um extremo para o outro, e ele começou a acreditar que talvez realmente aquele judeu soubesse prever o futuro.
 
Isto também explica a mudança de comportamento de Chavá. Em um primeiro momento, ela estava sendo movida pelo seu desejo de comer a fruta, conforme está escrito: "E a mulher viu que a árvore era boa para comer e era um deleite para os olhos" (Bereshit 3:6). Como seu interesse era o desejo de comer, ela se deixou enganar pelas palavras da cobra e realmente acreditou que nada aconteceria caso ela comesse do fruto proibido. Porém, imediatamente após ter comido o fruto, o interesse baseado no desejo desapareceu, e entrou na cabeça de Chavá a dúvida: "E se as palavras da cobra não forem verdadeiras? Neste caso, eu vou morrer! E se eu morrer, então meu marido se casará com outra mulher!". Portanto, naquele momento entrou em Chavá um novo interesse, o de não permitir que seu marido se casasse com outra mulher. Foi por isso que ela deu a ele o fruto proibido, para que ele também comesse e morresse.
 
Esta mesma luta de interesses acontece o tempo todo dentro de nós. Quando a Torá nos ensina: "Não aceite suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras justas" (Devarim 16:19), normalmente pensamos que não é algo que se aplica a nós. Porém, quando a Torá nos proíbe de recebermos suborno, não se refere apenas a recebermos propinas em uma transação comercial ou um juiz receber um presente para julgar um caso de forma parcial. Suborno é tudo aquilo que nos desvia de fazer o que é correto. Suborno são os nossos interesses e desejos, que nos levam a procurar justificativas para nossas condutas incorretas. A verdade é que nossos atos e pensamentos são influenciados o tempo todos pelos nossos interesses. Se prestarmos atenção, perceberemos que estamos o tempo inteiro sendo subornados. Então como não cair no mesmo erro de Chavá?
 
A resposta está em um importante ensinamento dos nossos sábios: "Faça para você um rabino e adquira para você um amigo" (Pirkei Avót 1:6). Amigo verdadeiro é aquele que quer o nosso bem e, ao nos ver tomando as decisões erradas, chama a nossa atenção. O amigo não compartilha dos mesmos interesses e subornos e, portanto, pode nos ajudar a enxergar a verdade. Da mesma forma, o rabino é alguém que nos olha "de fora" e, portanto, pode nos ajudar a tomar as decisões corretas. Além disso, o rabino tem o conhecimento das leis da Torá, e pode nos orientar e nos ajudar a tomarmos sempre as decisões corretas. Somente desta maneira, com muito aconselhamento e a constante busca pela verdade, poderemos garantir que não teremos apenas boas intenções, e sim que estaremos fazendo o que realmente é o correto.
 

SHABAT SHALOM
 

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