quinta-feira, 14 de março de 2019

A LUZ DA TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAYIKRÁ E PURIM 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO DA PARASHAT VAYIKRÁ

A LUZ DA TORÁ - PARASHAT VAYIKRÁ E PURIM 5779 (15 de março de 2019)


"O Rav Naftoli Trop zt"l (Bielorrússia, 1871 - 1928), o Rosh Yeshivá de Radin, era uma pessoa amada por todos. Ele era reconhecido como um grande Talmid Chacham (pessoa com vasto conhecimento em todas as áreas da Torá). Ele era tão querido que, quando ficou muito doente, em uma idade relativamente jovem, os alunos da Yeshivá decidiram doar tempo de suas vidas para ele. Alguns dos jovens alunos prometeram dias, outros prometeram semanas. Depois que todas as promessas foram feitas, eles se dirigiram ao grande rabino Chafetz Chaim para pedir a ele que doasse tempo de sua vida ao amado Rosh Yeshivá. O Chafetz Chaim pediu um tempo para refletir. Após alguns minutos, ele disse aos alunos que estava disposto a doar ao Rav Naftoli um minuto da sua vida. Os alunos ficaram arrasados. Um minuto e nada mais? Era tudo o que ele podia doar ao querido Rosh Yeshivá? O Chafetz Chaim, ao perceber a expressão de decepção no rosto dos alunos, explicou:

- Se vocês soubessem o que se pode adquirir em um minuto de estudo de Torá, vocês não seriam tão descuidados com o seu tempo como vocês são.

Naquele dia, os alunos da Yeshivá ganharam uma nova apreciação do incrível valor do tempo. Eles voltaram imediatamente ao Beit Midrash e começaram a estudar. Anos mais tarde, eles disseram que nunca o estudo foi tão intenso como naquele dia em que aprenderam o verdadeiro valor de cada minuto de estudo da Torá".

As pessoas costumam "matar tempo". Realmente a expressão é correta, pois quando uma pessoa joga tempo fora, é como se estivesse se matando naquele momento. O tempo que passa não volta nunca mais.

Nesta semana lemos a Parashat Vayikrá (literalmente "E chamou") que, entre outros assuntos, fala sobre Korbanót, os sacrifícios que eram oferecidos no Mishkan (Templo Móvel). Um dos Korbanót, chamado "Korban Chatat", era oferecido quando uma pessoa fazia certos tipos de transgressão de forma não intencional. Porém, se não era intencional, por que era necessário oferecer um Korban? Pois mesmo quando uma pessoa não tem a intenção de fazer uma transgressão, ainda assim isto causa um afastamento espiritual de D'us. O Korban, que vem da palavra "Karov" (perto), era a maneira do transgressor se conectar novamente a D'us.

E a próxima Festividade do calendário judaico, Purim, que comemoramos a partir da próxima 4ª feira de noite (20 de março), também está muito conectada com o conceito de nos reconectarmos a D'us após um afastamento por causa das nossas transgressões. Durante o exílio, após a destruição do nosso Primeiro Beit Hamikdash (Templo Sagrado), o povo judeu participou de um banquete oferecido pelo rei da Pérsia, Achashverosh, apesar dos insistentes pedidos do líder da comunidade judaica no exílio, Mordechai, para que eles não comparecessem. O comportamento inadequado do povo judeu desagradou a D'us. A consequência foi que um grande odiador do povo judeu, chamado Haman, descendente do povo de Amalek, se tornou extremamente poderoso e influente, a ponto de convencer o Rei Achashverosh a assinar um decreto de extermínio do povo judeu. De uma maneira oculta, D'us fez um grande milagre e "virou o jogo", fazendo com que Haman fosse enforcado e o povo judeu se vingasse dos seus inimigos justamente no dia marcado para o seu extermínio. E assim a Meguilat Esther descreve a reação do povo judeu diante do incrível milagre: "Os judeus tiveram luz, alegria, júbilo e honra" (Esther 8:16). Mas o que significa que os judeus tiveram luz?

Nos ensina o Talmud (Meguilá 16b) que este versículo carrega uma profunda mensagem espiritual. "Luz" simboliza a Torá, e o versículo está nos ensinando que durante a salvação de Purim o povo judeu reafirmou seu compromisso com a Torá. Porém, em nenhum momento a Meguilat Esther descreve que o povo judeu havia abandonado a Torá. Então qual compromisso com a Torá foi reafirmado? Além disso, a Torá normalmente é associada a diferentes elementos da natureza, como a água, o fogo e o ar. Por que neste caso, em que se refere a reafirmar o compromisso do povo judeu, o elemento associado à Torá foi o fogo?

Além disso, a Torá descreve que quando o povo judeu saiu do Egito, eles foram atacados por Amalek, como está escrito: "Amalek veio e lutou com Israel em Refidim" (Shemot 17:8). Há um Midrash que explica que o nome "Refidim" representa o motivo da vulnerabilidade do povo judeu diante do ataque de Amalek. "Refidim" é uma contração de "SheRafu Yedeichem Min HaTorá" (eles enfraqueceram suas mãos da Torá), indicando que o povo judeu havia ficado relaxado no seu estudo da Torá. Porém, pela linguagem do Midrash, parece que foi a Torá que causou o enfraquecimento do povo judeu, pois a expressão "Min HaTorá" significa, literalmente, "como resultado da Torá". O que o Midrash está nos ensinando ao se expressar desta maneira?

Finalmente, há uma diferente passagem da Torá que descreve outro confronto do povo judeu com o povo de Amalek, como está escrito: "Você deve se lembrar do que Amalek fez a você no caminho, quando você saiu do Egito. Ele surgiu no caminho e golpeou os que ficaram para trás, quando você estava fraco e cansado" (Devarim 25:17,18). Diferente da descrição anterior do confronto com Amalek, que atribuiu a vulnerabilidade do povo judeu ao seu desleixo espiritual, desta vez a Torá descreveu o povo judeu fisicamente vulnerável, "fraco e cansado". Como entender esta aparente contradição? Afinal, Amalek conseguiu atacar o povo judeu por um descuido espiritual ou por um descuido físico?

Explica o Rav Yohanan Zweig que todas as nossas ações podem ser classificadas em dois tipos de categoria. A primeira categoria são as ações que não têm nenhum valor intrínseco, isto é, são necessárias apenas como um meio para alcançarmos certos objetivos. Por exemplo, a pessoa precisa chegar ao trabalho e leva quase uma hora no trânsito. O ato de deslocamento até o escritório não tem nenhum valor intrínseco, é apenas necessário para chegar ao objetivo. A segunda categoria são as ações que também podem ser necessárias para atingir um objetivo, mas que têm também seu próprio valor intrínseco. Por exemplo, uma pessoa que está indo passar férias em um hotel e escolhe uma estrada com vários pontos turísticos. Apesar do objetivo final ser o hotel, a viagem também tem seu próprio valor. As ações que não contém valor intrínseco são normalmente um peso e são realizadas com alguma resistência, pois como a pessoa sabe que o ideal seria alcançar diretamente o objetivo, então ela sente como se tivesse desperdiçado seu tempo e esforço. A pessoa só se sente estimulada e energizada quando percebe que seus esforços também têm um valor intrínseco.

O estudo da Torá tem estes dois aspectos. Um é a aquisição de sabedoria, que permite que a pessoa cumpra as Mitzvót da maneira como foram prescritas por D'us. De acordo com este aspecto, o estudo da Torá seria apenas um meio para atingir o objetivo, porém sem nenhum valor intrínseco. Entretanto, o estudo da Torá também tem um valor intrínseco. Quando alguém estuda Torá, está estudando a sabedoria de D'us e, desta maneira, está automaticamente se conectando a Ele.

A essência de Amalek é demonstrar que este mundo é desprovido da Providência Divina e, portanto, é regido pelo acaso. Esta filosofia remove qualquer valor intrínseco dos nossos atos. De acordo com a filosofia de Amalek, como não existe um Plano Divino, toda a existência se transforma apenas em uma busca por autogratificação. Este conceito se reflete até mesmo no nome do povo de Amalek, que também pode ser lido como a contração de "Amal Kof", literalmente "o esforço de um macaco". O macaco é o primata mais próximo do ser humano e pode ser treinado para imitar o comportamento humano. Entretanto, embora os atos de um macaco possam ser muito parecidos aos dos seres humanos, isto ocorre apenas em sua aparência, mas não têm nenhum valor intrínseco. Qual é a consequência desta filosofia de Amalek? A falsa noção de que nossos atos não têm valor, deixando as pessoas insatisfeitas com a vida e, muitas vezes, até mesmo deprimidas. Isto leva a um comportamento autodestrutivo, uma das marcas registradas de Amalek, um povo descrito pelos nossos sábios como sendo suicida.

A Torá identificou a deficiência do povo judeu como sendo o cansaço do estudo da Torá. Qual é a fonte deste cansaço? Se a pessoa enxerga o estudo da Torá apenas como um meio para atingir um objetivo, e não aprecia seu valor intrínseco, então o estudo se torna algo pesado e deixa a pessoa cansada. O cansaço no estudo da Torá é um indicador de que permitimos que a filosofia traiçoeira de Amalek, a sensação de que nossos atos não têm valor, entre no nosso coração. A Torá se refere a Amalek como sendo um povo "frio", que congela a nossa empolgação de viver.

Contra o "frio" espiritual de Amalek, é necessário que o fogo da Torá nos aqueça e nos energize, nos trazendo preenchimento e um sentido de propósito. A falta desta perspectiva correta nos enfraquece, não apenas espiritualmente, mas também fisicamente. Quando permitimos que o nosso "Amalek" interno aflore, nos expomos ao ataque do Amalek externo. Foi isso o que ocorreu diversas vezes com o povo judeu, quando nos enfraquecemos, fisicamente e espiritualmente, com a falta da perspectiva correta no estudo da Torá. Por isso, fomos vítimas dos ataques de Amalek.

É isto que revivemos durante a Festa de Purim. Nos dias de Mordechai e Esther, o povo judeu conseguiu derrotar nossos inimigos externos junto com o nosso Amalek interno, que foi derrotado com o reacendimento do fogo da nossa Torá. Isto vem junto com a consciência do valor intrínseco do estudo da Torá. Cada judeu que reconhece o valor intrínseco da Torá, e que a estuda com constância, amor e fervor, está contribuindo para que a Luz da Torá possa vencer, para sempre, a escuridão de Amalek.

 

SHABAT SHALOM E PURIM KASHER VE SAMEACH                    

R' Efraim Birbojm

***********************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT VAYIKRÁ 5779:

São Paulo: 18h02  Rio de Janeiro: 17h49  Belo Horizonte: 17h50  Jerusalém: 17h11
*****************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 7 de março de 2019

SE D’US QUISER - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT PEKUDEI 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO DA PARASHAT PEKUDEI

SE D'US QUISER - PARASHAT PEKUDEI 5779 (08 de março de 2019)


"Chaim Waldenstein (nome fictício) era um jovem estudante da Yeshivá do Rav Shraga Feivel Mendlowitz zt"l (Império Austro-Húngaro, 1886 - EUA, 1948). Ele era um ótimo rapaz, mas o que mais atrapalhava seu crescimento espiritual era a preguiça. Ele tinha dificuldade de fazer Mitzvót que envolviam um pouco mais de esforço e não conseguia acordar na hora. Todos os dias Chaim chegava alguns minutos atrasados ao primeiro Shiur, justamente do Rav Shraga Feivel, que começava pontualmente às 9 da manhã.

Certo dia, quando o atraso foi um pouco maior, Chaim foi avisado após o Shiur que o Rav Shraga Feivel o aguardava em sua sala. Chaim entrou em pânico e começou a tremer, pois sabia que uma grande bronca o aguardava. E realmente seus medos se confirmaram, pois assim que entrou na sala e se sentou, o Rav Shraga Feivel olhou fixamente nos seus olhos e perguntou, com uma voz muito firme:

- Chaim, eu vejo que todos os dias você se atrasa para o primeiro Shiur. Além disso, não tenho visto você nas rezas de Shacharit pela manhã. Você já está há um bom tempo na Yeshivá, já deveria ser um exemplo aos outros alunos. Você pretende começar a chegar na hora?

Sentindo-se completamente incomodado em sua cadeira, Chaim não sabia o que responder ao rabino. As únicas palavras que conseguiram sair de sua boca foram: "Se D'us quiser".

Ao escutar a resposta do aluno, o Rav Shraga Feivel balançou negativamente a cabeça e disse:

- Não, Chaim, não é isto. Eu tenho certeza que D'us quer. Mas será que o Chaim também quer?"

Muitas vezes nos acomodamos na vida, esperando que D'us garanta que tudo ocorrerá da maneira mais agradável possível. Porém, este é um grande erro, pois na maioria das vezes D'us está esperando nossas atitudes para fazer as coisas acontecerem.

Nesta semana lemos a Parashat Pekudei (literalmente "Contas"). A Parashat novamente repete os detalhes das roupas do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Porém, diferente do que ocorreu na Parashat Tetzavê, nesta Parashat a descrição das roupas não é apenas um comando de D'us, e sim a execução na prática.

A Parashat também descreve que, após a incrível doação do povo judeu e os esforços incansáveis de Moshé, Betzalel e todos os que voluntariamente doaram seu trabalho, o Mishkan finalmente ficou pronto, conforme está escrito: "Todo o trabalho do Mishkan da Tenda do Encontro foi completado... E trouxeram o Mishkan para Moshé, a Tenda e todos os seus utensílios" (Shemot 39:32,33). Mas por que o Mishkan foi trazido para Moshé após todas as suas partes serem construídas? Se D'us havia dado tanta sabedoria aos construtores, por que também não deu a eles a sabedoria de como levantar o Mishkan?

Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que Moshé, apesar de ter participado ativamente na supervisão de todos os detalhes da construção do Mishkan, não havia "colocado a mão na massa" e, por isso, estava muito triste. D'us então o consolou, dizendo que nenhum dos construtores conseguiria levantar o Mishkan por causa do seu enorme peso. A estrutura do Mishkan era tão pesada que Moshé também não conseguiu levantá-lo sozinho. D'us então pediu a Moshé que pelo menos fizesse o esforço. Um milagre aconteceu e o Mishkan se levantou sozinho, mas dando a impressão a quem estava olhando de que foi Moshé que o levantou.

Este ensinamento de Rashi levanta um enorme questionamento. A Torá descreve que Moshé recebeu méritos por ter levantado o Mishkan, como está escrito "E foi no dia em que Moshé terminou de construir o Mishkan" (Bamidbar 7:1). A Torá escreve como se Moshé tivesse méritos por ter construído o Mishkan sozinho. Entendemos que os construtores foram recompensados pelo esforço, mas por que Moshé também foi recompensado se, na verdade, ele não fez nada além do esforço aparente, já que o Mishkan se montou sozinho?

Responde o Rav Yehonasan Guefen que, na realidade, tudo o que fazemos, inclusive as Mitzvót, ocorrem somente porque D'us nos permite. D'us está constantemente sustentando o mundo inteiro e cada uma das criaturas que existe nele. Sem a "ajuda Divina" não conseguiríamos fazer absolutamente nada. A única diferença é que, no caso de levantar o Mishkan, ocorreu um milagre aberto, enquanto nas outras Mitzvót que fazemos ocorrem milagres ocultos. Portanto, a recompensa que recebemos por nossos bons atos não é por causa do resultado, e sim por causa da nossa decisão de fazer o ato e o nosso esforço. Como Moshé fez o esforço para levantar o Mishkan, então ele foi recompensado como se efetivamente o tivesse levantado.

Explica o Rav Chaim Friedlander zt"l (Alemanha, 1923 - Israel, 1986) que não temos habilidade de alcançar nada no mundo do material sem a ajuda de D'us. Então por que nos esforçamos tanto? Todo o esforço para ganharmos nosso sustento e nas outras atividades mundanas são resultado do "Decreto da Ishtadlut (esforço)". Depois da transgressão de Adam Harishon, D'us decretou que o homem deveria fazer um esforço físico para conseguir seu sustento. Entretanto, não podemos nunca esquecer que nossos esforços não alcançam absolutamente nada, todas as nossas ações são apenas para fazermos o esforço necessário para cumprirmos as palavras do versículo "Com o suor do seu rosto você comerá o seu pão" (Bereshit 3:19). Devemos nos esforçar, mas sem nunca perder o foco de que, em última instância, é D'us que faz tudo acontecer.

Nem todos sabem, mas isto também é válido nas áreas espirituais. Nós temos o livre arbítrio, que é a habilidade de decidir se vamos fazer o bem ou o mal. Entretanto, o resultado final dos nossos atos não está em nossas mãos. Por exemplo, a pessoa pode fazer tremendos esforços para comprar um belo Etrog para Sucót, mas quando ele vai fazer a Brachá no primeiro dia de Yom Tov, deixa o Etrog cair e este fica inválido para a Mitzvá. Podemos tomar a decisão de fazer uma Mitzvá e podemos até mesmo nos esforçar muito por ela, mas é somente D'us que pode nos permitir cumpri-la de forma completa.

Porém, apesar de termos semelhanças entre o esforço necessário para fazer atos mundanos e atos espirituais, é importante ressaltar uma enorme diferença entre eles. Em relação ao mundo material, é mais importante o Bitachon (confiança em D'us) do que o esforço, e quanto mais Bitachon tivermos, mais receberemos, independente do esforço despendido. O mesmo não se aplica à realidade espiritual, onde o principal também é o esforço. Qual é a diferença? Em relação ao mundo material, o esforço exigido é um castigo, uma "multa" que a pessoa precisa pagar. Certamente não faz sentido acrescentar mais pagamento à multa original e, por isso, a pessoa deve minimizar a quantidade de esforço. Porém, no aspecto espiritual ocorre o contrário. Quanto mais esforço, maior o mérito. Por isso, a pessoa deve se esforçar nos objetivos espirituais com toda a sua energia.

Este equívoco pode resultar em uma grave consequência: a pessoa pode deixar de cumprir suas obrigações espirituais e de se esforçar no nível que deveria ao assumir que pode confiar em D'us e deixar que Ele faça o trabalho em seu lugar. Isto é uma falha grave, pois nas aquisições espirituais não há limites de quanto esforço a pessoa precisa fazer. Há muitas situações nas quais a pessoa não pode se acomodar e assumir que D'us garantirá que tudo correrá bem, pois D'us espera que ela se levante e tome a iniciativa.

Em relação ao papel espiritual do povo judeu, o mesmo erro pode ocorrer. Muitos pensam que, apesar da situação estar muito difícil, com uma porcentagem cada vez maior de assimilação e afastamento espiritual, não precisamos nos preocupar nem tomar nenhuma atitude, pois D'us não permitirá que a situação continue piorando e, a partir de certo momento, as coisas começarão a melhorar sozinhas. Isto é um enorme equívoco, com consequência trágicas. Enquanto as pessoas não tomarem nenhuma atitude, o problema vai persistir. Em relação à nossa espiritualidade, D'us exige que façamos esforços para que a situação possa melhorar.

Esta ideia é reforçada por um ensinamento dos nossos sábios: "No lugar onde não há pessoas, se esforce para ser uma pessoa" (Pirkei Avót 2:6). Segundo nossos sábios, quando faltam pessoas suprindo as necessidades espirituais do povo judeu, então cada um está obrigado a se levantar e se esforçar para preencher este lugar. Se prestarmos atenção, perceberemos que a linguagem usada foi "se esforce para ser uma pessoa", e não "seja uma pessoa". Isto significa que, em prol da comunidade e do povo judeu como um todo, não é suficiente apenas "tentar ajudar", é necessário se esforçar no limite. Como certa vez ensinou o Alter MiNovardok zt"l (Lituânia, 1847 - Ucrânia, 1919): "Se a pessoa se esforçasse pelo benefício do público com o mesmo esforço que trabalha para o seu próprio benefício ou por algum membro de sua família, ela poderia fundar centenas de Yeshivót".

Durante toda a vida, Moshé sempre esteve disposto a fazer "Messirut Nefesh" (se entregar totalmente) para cumprir a vontade de D'us. Como consequência, D'us deu a ele a possibilidade de participar de um milagre aberto, quando a estrutura do Mishkan se levantou sozinha. Moshé fez a sua parte, o seu esforço máximo, e a partir daí D'us apenas completou. Não podemos esquecer, tanto no aspecto material quanto no espiritual, que é apenas de D'us que depende o resultado. Porém, em especial nas conquistas espirituais, Ele espera que façamos a nossa parte. D'us pode completar o trabalho, mas isto não nos isenta da nossa obrigação de participar dele.


SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

***********************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT PEKUDEI 5779:

São Paulo: 18h08  Rio de Janeiro: 17h55  Belo Horizonte: 17h56  Jerusalém: 17h06
*****************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp