quinta-feira, 2 de novembro de 2017

VIVENDO UMA VIDA DUPLA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIERÁ 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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VIVENDO UMA VIDA DUPLA - PARASHÁ VAIERÁ 5778 (03 de novembro de 2017)

"Ao voltar de um exaustivo dia de caça, trazendo nos dentes um pequeno bezerro morto, a onça encontrou sua toca vazia. Imaginando que os filhotes estivessem nas imediações, pôs-se a procurá-los. Desesperou-se ao não encontrá-los e, tomada de pânico, esgoelou-se em urros que encheram de espanto toda a floresta. Uma anta, vendo o desespero da onça, perguntou o que havia acontecido.
 
- Levaram meus filhotes! - gemeu a onça - Devem ter sido aqueles infames caçadores, que matam pequenos filhotes com frieza e maldade. São criminosos insensíveis!
 
- Perdoe-me a franqueza neste momento de desespero - disse a anta - Pelo seu discurso inflamado, parece claro para você que o ato de matar os filhotes dos outros animais é abominável, uma crueldade. Respeito a sua dor, mas devo dizer-lhe que os caçadores fizeram exatamente o mesmo que você faz todos os dias. Você vive comendo os filhotes dos outros, não é verdade? Ainda agora acabou de matar um pequeno bezerro. Você levou em consideração o sofrimento da vaca?
 
Tomada de indignação, a onça arregalou os olhos, espantada pela coragem e atrevimento da anta, e disse:
 
- Estúpida criatura! Com que direito você se atreve a comparar os meus filhotes com os filhotes dos outros? Como pode comparar o meu sofrimento com o sofrimento dos demais animais? Você não enxerga a diferença?"
 
Quando nos deixamos levar pelos nossos desejos, até mesmo as verdades mais óbvias se tornam confusas.

Na Parashá desta semana, Vaierá (literalmente "E apareceu"), a Torá começa a descrever um dos personagens mais enigmáticos e contraditórios da Torá: Lót, o sobrinho de Avraham Avinu. Há muitas situações nas quais vemos certo nível de retidão em seus atos, mas há também muitos casos que demonstram graves falhas em suas escolhas. Por exemplo, somente ele e Sara acompanharam Avraham em sua jornada espiritual para Eretz Israel, demonstrando uma disposição para o autosacrifício e para aprender lições de Avraham. Lót demonstrou que aprendeu bem as lições ao se sobressair na característica de Chessed (bondade), chegando ao ponto de até mesmo arriscar sua vida para cumprir a Mitzvá de receber convidados. Ele também é muito elogiado pela Torá por seu autocontrole, ao não revelar aos egípcios que Avraham e Sara eram casados, já que ele era o herdeiro direto de Avraham e, caso o matassem, receberia seus bens. Lót era tão cuidadoso com as Mitzvót que a Torá registra que ele comia Matzót em Pessach. E mesmo quando a Torá descreve erros de Lót, o faz como se fossem meros "escorregões", não atitudes intencionais de rebeldia contra D'us.
 
Por outro lado, Lót demonstra em diversas situações um amor incontrolável pelo dinheiro e pelas imoralidades, que o levaram a se afastar de Avraham e escolher viver em Sdom, uma cidade com muitas riquezas, mas repleta de habitantes Reshaim (malvados). Além disso, mesmo sabendo o que havia ocorrido entre ele e sua filha mais velha, quando ela o embebedou, Lót novamente se deixou embebedar pela filha mais nova na noite seguinte. Os pastores das ovelhas de Lót também se baseavam em permissões equivocadas para que suas ovelhas pastassem em campos particulares, cometendo roubo. Mas o mais grave de tudo é que, de acordo com o Midrash (parte da Torá Oral), quando Lót se separou de Avraham, ele anunciou: "Eu não quero Avraham e nem o D'us dele".
 
Este Midrash é particularmente difícil de ser entendido, pois mesmo depois de Lót ter se separado de Avraham, aparentemente ele continuou reconhecendo D'us e cumprindo Suas Mitzvót. Ele continuou recebendo convidados e até mesmo comendo Matzót em Pessach. Como alguém pode viver uma vida tão contraditória?
 
Explica o Rav Yehonasan Gefen que, para entendermos Lót, precisamos nos aprofundar um pouco mais em um incidente que ocorreu quando Yaacov voltou para casa. Antes de se reencontrar com seu irmão Essav, que vinha em sua direção com um imenso exército, Yaacov mandou uma mensagem: "Com Lavan eu vivi e permaneci até agora" (Bereshit 32:5). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Yaacov estava mandando ao seu irmão a seguinte mensagem: "Apesar de ter morado com o maldoso Lavan, eu cumpri as 613 Mitzvót e não aprendi dos maus atos dele". A mensagem de Yaacov era que, independente da superioridade bélica de Essav, ele se sentia protegido por D'us, por ter se mantido uma pessoa íntegra apesar das más influências. Porém, desta explicação de Rashi surge um grande questionamento: se já está escrito que Yaacov cumpriu todas as Mitzvót, por que foi necessário escrever também que ele não aprendeu dos maus atos de Lavan? Isto não é óbvio?
 
Responde o Rav Yaakov Yitzchok Ruderman zt"l (Bielorússia, 1900 - EUA, 1987) que estes dois conceitos, o cumprimento das Mitzvót e aprender com os maus atos dos Reshaim, não necessariamente andam juntos. A pessoa pode cumprir todas as Mitzvót da Torá e, apesar disso, ser influenciada por valores que são estranhos à Torá. A pessoa pode saber a verdade, de que existe um D'us e que Ele entregou a Torá ao povo judeu no Monte Sinai, e este reconhecimento faz com que ela cumpra o que foi comandado, em especial pelo medo das consequências, e mesmo assim suas aspirações na vida podem não coincidir com a visão da Torá. Esta pessoa pode viver uma vida voltada ao objetivo de acumular bens materiais, prazeres, poder e honra e, ao mesmo tempo, não quebrar explicitamente e intencionalmente nenhuma Mitzvá da Torá.

Lót é um exemplo clássico deste tipo de "vida dupla". Isto pode ser observado em dois versículos da Parashá da semana passada, Lech Lechá. Quando a Torá descreve a saída de Avraham para a Terra de Israel, está escrito: "Avram foi, conforme D'us comandou, e Lót foi com ele" (Bereshit 12:4). No versículo seguinte está escrito: "Avram pegou Sarai, sua esposa, e seu sobrinho Lót" (Bereshit 12:5). O primeiro versículo nos ensina que, em um primeiro momento, Lót foi por vontade junto com Avraham. Porém, depois a linguagem do versículo é "Avram pegou", indicando que Lót teve que ir forçado. Isto nos ensina que havia duas forças conflitantes guiando as ações de Lót. Por um lado ele reconhecia que havia um único D'us e que esta verdade exigia que ele acompanhasse Avraham em sua jornada espiritual. Entretanto, apesar de saber a verdade, seus desejos de vida não necessariamente incluíam a disposição de deixar para trás toda a sua vida material e o seu conforto para se envolver em uma busca espiritual. Lót amava suas posses materiais e, por isso, viajar para uma terra estranha, vagando como um pobre, certamente não fazia parte dos seus planos de vida.
 
Com este esclarecimento é possível entender a "vida dupla" de Lót. Por um lado ele reconhecia a verdade dos ensinamentos de Avraham e as obrigações que acompanham este reconhecimento. É por isto que em nenhum momento ele cometeu transgressões de forma descarada. Ele comia Matzót em Pessach e cumpria a Mitzvá de receber convidados, pois sabia que aquilo era exigido dele. Entretanto, sua aspiração de vida não era alcançar a proximidade de D'us e se desenvolver espiritualmente. Ele se deixava levar pelos desejos físicos, simbolizados pelo dinheiro e pela imoralidade. Ele não cometia transgressões de forma flagrante, mas no fundo tudo o que ele queria era saciar seus desejos. Por isso ele "se permitiu" novamente ser embebedado pela filha mais nova, para preencher seus desejos. Ele preferiu abandonar Avraham, o maior modelo de retidão e espiritualidade da humanidade, e viver em Sdom, uma cidade de pessoas corrompidas e imorais, demonstrando seu desejo de uma vida de materialismo, não de espiritualidade. Seus atos não eram "tecnicamente" proibidos, mas refletiam a verdadeira inclinação de seu coração. Quando o Midrash diz que Lót afirmou "Eu não quero Avraham e nem o D'us dele", não significa que Lót queria deixar de seguir os mandamentos de D'us. O que Lót rejeitava era a forma de Avraham ver a vida, que enfatizava a proximidade com D'us mesmo nos pequenos atos do cotidiano, mesmo no que não era "tecnicamente" uma transgressão.
 
Quando uma pessoa vive reconhecendo a verdade de D'us e de Sua Torá, mas ao mesmo tempo dedica a vida a alcançar objetivos materiais, isto é inevitavelmente transmitido aos seus filhos e alunos, que seguirão o seu mau caminho e se corromperão ainda mais. É por isso que os pastores de Lót cometiam roubo. Em nenhum momento a Torá afirma que Lót os instruiu a roubar, porém eles foram fortemente influenciados pelo amor aos bens materiais de Lót. Eles deram prioridade ao objetivo de enriquecer, ao invés de dar prioridade ao objetivo de ser honesto. A consequência é que a pessoa se torna "não intencionalmente" desonesta, buscando desculpas duvidosas para justificar seus maus atos. O mesmo podemos enxergar nas filhas de Lót. O Midrash afirma que o ato delas de embebedar o pai era com intenções de imoralidade, enquanto o Talmud (Oraiot 10a) afirma que a intenção delas era pura, pois acreditavam que o mundo inteiro havia sido destruído e era necessário repovoá-lo. A explicação desta contradição é que as filhas de Lót herdaram do pai os desejos conflitantes e não sabiam lidar com eles.
 
Isto se propagou também para as futuras gerações de Lót. Dele saíram Ruth e Orpá, as filhas de Eglon, rei de Moav. Tanto Ruth quanto Orpá passaram por esta escolha difícil: viver uma vida baseada na verdade ou uma vida de busca de prazeres materiais. Enquanto Ruth escolheu seguir sua sogra Naomi para Eretz Israel, abrindo mão de sua realeza e escolhendo uma vida de simplicidade e dificuldades, mas com espiritualidade, Orpá decidiu voltar para casa de seus pais, para sua vida de luxos e conforto. Orpá infelizmente fez a mesma escolha equivocada de Lót e, de acordo com o Midrash, no mesmo dia em que voltou para casa, ela cometeu muitos atos vulgares de imoralidade. O bisneto de Orpá foi Goliat (Golias), um homem completamente desprovido de espiritualidade. Já Ruth fez a escolha certa, escolheu a verdade. Sabia que teria um caminho difícil a percorrer, mas tinha a certeza que era o único caminho verdadeiro. Seu bisneto foi David HaMelech, um homem completamente conectado com D'us, e dela também futuramente virá o Mashiach.
 
Nosso trabalho neste mundo é repetir a escolha de Ruth, fazendo com que o reconhecimento da verdade seja a força motriz das nossas escolhas. Isto não é fácil na sociedade na qual vivemos. De acordo com a Sociedade Ocidental, a fonte da nossa alegria e sucesso é a satisfação material: dinheiro, honra e poder. Infelizmente é possível a pessoa viver uma vida inteira cumprindo as Mitzvót e, ao mesmo tempo, ser guiada por estes objetivos de vida equivocados. E se pensarmos que não há nenhum problema viver desta maneira, Lót nos ensina que certamente o cumprimento das Mitzvót será prejudicado em todos os momentos em que a pessoa entrar em um conflito de interesses entre estas duas forças.
 
Devemos sempre nos questionar se o nosso principal objetivo é ganhar a vida ou estarmos próximos de D'us. Não há nada de errado em se preocupar com o nosso sustento, mas isto deve ser apenas um meio dentro de um objetivo maior. Nossa busca pelo sustento deve ser com a intenção de nos dar tranquilidade e a possibilidade de vivermos uma vida de Torá e cumprimento das Mitzvót. Se a pessoa vê seu sucesso profissional como a fonte de toda a sua felicidade, certamente acabará se afastando da espiritualidade. Nossas escolhas também são importantes para as futuras gerações, pois influenciarão também nossos filhos e outras pessoas em volta. Que possamos fazer como Ruth e, com nossas escolhas corretas, possamos contribuir para a vinda do Mashiach.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 27 de outubro de 2017

QUANTO VALE UMA MÃE? - SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5778 

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QUANTO VALE UMA MÃE? - PARASHÁ LECH LECHÁ 5778 (27 de outubro de 2017)

"Ana foi renovar sua carteira de motorista. Quando o funcionário que preenchia o formulário perguntou sua profissão, ela não sabia bem como classificar-se. Depois de pensar um pouco, respondeu: "Sou mãe". O funcionário olhou para ela com desprezo:
 
- Senhora, nós não consideramos "mãe" um trabalho. Vou colocar "dona de casa" - disse friamente.
 
Naquele dia Ana voltou para casa arrasada. Nunca tinha se sentido tão humilhada na vida. Alguns meses depois, quando fazia seu passaporte, a funcionária que preenchia o formulário perguntou qual era a sua ocupação. Desta vez, sem precisar nem pensar, Ana respondeu confiante:
 
- Sou Doutora em Desenvolvimento Infantil e em Relações Humanas.
 
A funcionária fez uma pausa e olhou-a espantada, com a expressão de quem não tinha entendido. Ana então repetiu pausadamente, enfatizando cada palavra. Então reparou, maravilhada, como a atendente ia escrevendo aquelas palavras no questionário oficial. 
 
- Posso perguntar - disse-lhe a atendente, agora com novo interesse - O que a senhora faz exatamente?
 
- Desenvolvo um programa de longo prazo, tanto em laboratório quanto no campo experimental - respondeu Ana, orgulhosa - Sou responsável por uma equipe e atualmente desenvolvo três projetos diferentes. Trabalho em regime de dedicação exclusiva, chegando a me dedicar quase 18 horas por dia ao trabalho.
 
Houve um crescente tom de respeito na voz da funcionária. Quando acabou de preencher o formulário, ela levantou-se e fez questão de pessoalmente abrir a porta para Ana sair.
 
Quando Ana chegou em casa, foi recebida por sua "equipe". Recebeu abraços e beijos de seus "projetos" mais antigos, de 8 e 5 anos. Vindas do andar de cima, escutou as gargalhadas do seu novo "projeto", um bebê de pouco mais de um ano. Sentiu-se triunfante!"
 
Será que sabemos dar o devido valor ao papel de uma mãe na construção de um lar bem estruturado?

Na Parashá desta semana, Lech Lechá (literalmente "vá por você"), a Torá começa a descrever a vida do nosso primeiro patriarca, Avraham. Em cada detalhe dos atos de Avraham há ensinamentos muito importantes e profundos. Um exemplo está no seguinte versículo: "E ele se mudou de lá para a montanha, a leste de Beit-El, e ele montou a sua tenda" (Bereshit 12:8). Rashi (França, 1040 - 1105) nos chama a atenção de um pequeno detalhe que faz muita diferença. A palavra "sua tenda" em hebraico é "ohalo". As palavras do gênero masculino normalmente terminam com a letra "vav", mas por algum motivo a palavra "sua tenda" foi escrita na Torá terminando com a letra "hei", que é normalmente utilizada para o gênero feminino. Desta maneira, o versículo pode ser lido como "E ele montou a tenda dela". O que isto significa?
 
O Midrash (parte da Torá Oral) explica que, desta alteração de letras no versículo, aprendemos que Avraham quis honrar sua esposa Sara montando a tenda dela antes de montar a sua tenda. Porém, por que Avraham quis honrar sua esposa justamente neste momento? Além disso, por que ele escolheu a montagem da tenda como forma de honrá-la?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que em nossos dias vemos, infelizmente, uma verdadeira "epidemia" de lares desestruturados e famílias destruídas. São cada vez mais frequentes os casos de delinquência juvenil, mau desempenho escolar, depressão até mesmo entre as crianças e suicídio entre os jovens. Uma das principais causas da proliferação destes problemas é a negligência no cumprimento dos papeis de certos membros da família, que são cruciais para o bem estar da casa. Em particular, a diminuição da importância do papel da mulher como mãe tem levado a consequências devastadoras na educação dos filhos. Sem forças para resistir às pressões sociais e desprezadas por seu trabalho dentro de casa, as mulheres têm buscado ganhar respeito através de suas habilidades empresariais e sua capacidade de ganhar altos salários. Já que as mulheres não se sentem valorizadas e respeitadas dentro de casa, em seu "mundo interior", o sucesso no "mundo exterior" tornou-se a única forma delas se sentirem preenchidas e realizadas.
 
A Parashá vem nos ensinar um remédio para esta doença tão prejudicial, que penetrou em nossas vidas e causa cada vez mais estragos. Em que contexto está escrito que Avraham montou a sua tenda? O versículo anterior registra que Avraham havia acabado de construir um altar para D'us, como está escrito: "E D'us apareceu para Avram e disse: 'Para a sua descendência Eu darei essa terra'. E ali ele construiu um altar a D'us" (Bereshit 12:7). Rashi explica que este altar foi construído por Avraham como uma demonstração de gratidão a D'us por ter sido notificado que se tornaria pai. Quando D'us mandou Avraham sair de sua casa e ir para Eretz Israel, Ele já havia prometido que uma grande nação sairia de Avraham, como está escrito: "E Eu farei de você uma grande nação" (Bereshit 12:2). Quando D'us reiterou a ideia da descendência de Avraham, ele entendeu que a repetição era um sinal de que sua paternidade estava iminente. Como naquele momento Avraham estava casado apenas com Sara, ele entendeu que ela seria a mãe dos seus filhos, a fonte de sua continuidade.
 
A Torá então ressalta que quando Avraham soube que Sara seria mãe, tudo mudou. Até aquele momento, Avraham e Sara exerciam o mesmo papel: ambos dedicavam suas vidas a trazer pessoas aos caminhos de D'us. Enquanto Avraham se dedicava aos homens, Sara se dedicava às mulheres, por isso cada um tinha a sua própria tenda. Porém, quando Avraham soube que Sara se tornaria a mãe de seu filho, seu foco em relação a ela mudou completamente. Como isto se refletiu na prática? A sua tenda virou também a tenda dela, o que está indicado na Torá através da substituição da letra "vav" pela letra "hei. Com esta pequena atitude, Avraham quis mostrar para sua esposa que ele reconhecia que o papel mais importante na vida de uma mulher e, portanto, o papel pelo qual ela merecia o máximo respeito, é a maternidade.
 
Se um homem quer que sua esposa assuma a maternidade, com todas as responsabilidades e esforços envolvidos, então ele precisa enviar a ela uma mensagem clara do quanto ele respeita e aprecia este papel fundamental da mãe na estruturação da família e de que reconhece a dificuldade deste papel. Foi esta a mensagem que Avraham transmitiu para sua esposa. Por mais que o papel de Sara, de trazer pessoas aos caminhos de D'us, era algo de extrema importância ao mundo, Avraham quis ressaltar que, a partir do momento em que ela tivesse um filho, seu papel mais importante e, portanto, o mais valorizado, passaria a ser o de mãe.
 
Por outro lado, se o homem apenas sabe dar valor à sua esposa como "empresária de sucesso", ao invés de acentuar sua competência em cuidar dos filhos, ele acaba se tornando a fonte do problema. Toda mulher está consciente que o papel mais extenuante de sua vida é o de ser mãe. Se a mulher não recebe o reconhecimento e o encorajamento de seu marido nesta difícil empreitada, então ela buscará fora de casa o seu reconhecimento, negligenciando o seu fundamental papel de mãe. É justamente isto que tem causado com que muitas famílias se desestruturem completamente. Enquanto mulheres demonstram suas incríveis habilidades empresariais em gigantes multinacionais, elas assistem seus filhos escolhendo caminhos errados na vida. A ausência das mães no dia-a-dia dos filhos causa com que a educação das crianças seja completamente negligenciada.
 
A importância da satisfação das mulheres ao exercer o seu papel de mãe também pode ser aprendida de outro detalhe da Parashá. Quando seu sobrinho Lot foi sequestrado, Avraham juntou seus alunos para fazer uma guerra contra os 4 reis e libertá-lo, como está escrito: "Avram soube que seu parente tinha sido levado cativo e ele mobilizou seus discípulos" (Bereshit 14:14). A linguagem utilizada para discípulos é "Chanichav", e vem da linguagem "Chinuch", que significa "educação". A palavra "Chinuch" vem de "Lechanech", que também significa "inaugurar". Educar é, portanto, estabelecer padrões de comportamento que acompanharão a criança por toda a vida.
 
Na Parashá Tetzavê, a Torá fala sobre a consagração dos Cohanim (sacerdotes) para os serviços do Mishkan. A Torá utiliza a expressão "Milui Yadaim" (preenchimento das mãos) para descrever o processo de "inauguração" dos Cohanim, através do qual eles estariam aptos a iniciar os serviços do Mishkan (Templo Móvel). Rashi explica que sempre que a Torá utiliza a expressão "Milui Yadaim", se refere ao "Chinuch", "inauguração". Rashi menciona um costume medieval, de colocar uma luva de couro nas mãos de uma pessoa que foi apontada para um novo cargo. Portanto, a expressão "preenchimento das mãos" é muito apropriada.
 
De acordo com uma visão mais psicológica, este costume baseia-se no conceito de que a maioria das pessoas vê seu emprego apenas como um meio de sustento. A motivação para trabalhar normalmente é apenas a compensação financeira. Poucas pessoas se sentem preenchidas com o trabalho em si. Ao colocar um objeto que preenche a mão de uma pessoa que foi apontada para um novo cargo, é como se estivessem transmitindo a ela a confiança de que a nova posição não será apenas um meio para atingir um objetivo, mas a própria fonte do preenchimento, como se estivéssemos afirmando que o novo cargo "preencherá as mãos" da pessoa.
 
Para que as mães estejam presentes de forma efetiva na vida de seus filhos, elas devem se sentir preenchidas com o que fazem. Nenhum tipo de conforto material pode substituir a presença de uma mãe. Quanto mais as mulheres se sentirem valorizadas em seu trabalho mais nobre e mais importante, o de ser mãe, mais veremos lares saudáveis e uma sociedade equilibrada.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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