quinta-feira, 9 de julho de 2020

RECEBENDO O QUE ESTÁ GUARDADO PARA NÓS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT PINCHÁS 5780

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
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PARASHAT PINCHÁS 5780:

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ASSUNTOS DA PARASHAT
 
- A Recompensa de Pinchás.
- Ordens para Atacar Midian.
- O Novo Censo: Reuven, Shimon, Gad, Yehudá, Issachar, Zevulun, Menashé, Efraim, Biniamin, Dan, Asher, Naftoli – Total.
- Dividindo a Terra de Israel.
- Contagem dos Leviim.
- As Filhas de Tselafchad (Machlá, Noá, Chaglá, Milká, Tirtzá).
- Leis de Herança (incluindo as filhas).
- D'us mostra para Moshé a Terra de Israel e manda ele se preparar para a morte.
- Moshé pede um sucessor (com intenção de que fossem seus filhos).
- Yehoshua é escolhido para substituir Moshé.
- O Sacrificio Diário (Korbam Tamid).
- A Oferenda Adicional de Shabat (Mussaf).
- A Oferenda de Rosh Chodesh, Pessach, Shavuót, Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucót, Shemini Atseret.

RECEBENDO O QUE ESTÁ GUARDADO PARA NÓS - PARASHAT PINCHÁS 5780 (10 de julho de 2020)

 
"Avraham entrou em uma sinagoga onde nunca havia estado antes. Logo ele percebeu que havia um dos frequentadores que era cego. O que mais chamou a atenção de Avraham foi a atitude do cego no começo da Tefilá. Ele abriu o Sidur e começou a rezar, como se estivesse lendo dentro do Sidur. Porém, depois de alguns instantes, ele fechou o Sidur e continuou a rezar de cor. Aquela foi uma atitude realmente difícil de entender.
 
No final da Tefilá, Avraham não aguentou de curiosidade e foi conversar com aquele senhor cego. Após se apresentar, Avraham tomou coragem e perguntou o motivo pelo qual ele abria o Sidur no começo da Tefilá, mas logo depois o fechava. E, se ele era cego, por que olhava para o Sidur como se estivesse lendo?
 
- Eu faço isso todas as manhãs - respondeu o senhor cego - Afinal de contas, só porque ontem eu era cego, isto não quer dizer que hoje eu continuarei cego. Eu sei que D'us pode me trazer a cura a qualquer momento e, por isso, eu abro o Sidur todas as vezes que faço a Brachá "Pokeach Ivrim" (Abençoado aquele que abre os olhos dos cegos), com uma Emuná completa que, quem sabe, hoje D'us vai me trazer a cura e eu vou passar a enxergar.
 
Passaram-se dois meses e Avraham encontrou novamente o senhor cego naquela mesma sinagoga. Porém, desta vez, Avraham abraçou aquele homem e, chorando muito, disse a ele:

- Eu queria te agradecer muito, por você ter salvado a vida da minha filha.
 
O senhor cego não entendeu o que aquele homem que ele mal conhecia estava dizendo. Como ele, cego, havia salvado a vida de alguém? Avraham então continuou:
 
- A minha filha estava muito doente, a ponto de já termos perdido as esperanças de que ela sobreviveria. Porém, desde aquele dia em que vim pela primeira vez nesta sinagoga e escutei você dizer que abre todos os dias o Sidur pois "só porque ontem eu estava cego não quer dizer que hoje eu continuarei cego", isto me deu muita força e reacendeu a minha Emuná. A partir daquele dia minha postura mudou. Além das minhas Tefilót terem melhorado muito, todos os dias de manhã eu corria pra ver a minha filha na cama, pois só porque ontem ela estava doente, não queria dizer que hoje ela continuaria doente, poderia ser que D'us já tivesse trazido a cura para ela. Hoje de manhã, nós a levamos ao médico e, Baruch Hashem, ela está completamente curada." (História Real)

Lembre-se que não é porque hoje você está passando por uma situação difícil que amanhã ela continuará. Pode ser que hoje você merecerá uma salvação de Hashem. Nos momentos de dificuldade, faça Tefilá e tenha Emuná.

No final da Parashá da semana passada, Balak, a Torá descreveu as várias tentativas fracassadas do profeta Bilaam de amaldiçoar o povo judeu. Porém, ele não desistiu de sua missão de destruir os judeus e aconselhou Balak, o rei de Moav que o havia contratado, a fazer um plano para que os judeus cometessem atos de imoralidade, uma transgressão que D'us abomina. De acordo com os cálculos de Bilaam, se o povo judeu transgredisse, isto seria capaz de despertar a fúria Divina com muito mais força do que as suas maldições conseguiriam. O ódio contra o povo judeu era tão grande que os habitantes de Moav, auxiliados pelo povo de Midian, utilizaram suas próprias filhas como "iscas" para atrair os judeus para a armadilha espiritual. Infelizmente o plano de Bilaam funcionou e 24 mil judeus morreram em uma epidemia, após tropeçarem em atos de imoralidade com as mulheres de Moav e de Midian.
 
Além disso, a Parashat Balak terminou com outro incidente que deu ainda mais força ao tropeço do povo judeu. Zimri, o príncipe da Tribo de Shimon, em um ato de total desrespeito a D'us e a Moshé Rabeinu, o líder do povo judeu, manteve relações com uma mulher do povo de Midian, a princesa Kosbi, diante de todo o povo judeu. As pessoas que estavam observando aquele ato de total descaramento ficaram tão chocadas que, sem saber como reagir, começaram a chorar. Porém, um homem não aguentou aquela desonra pública do Nome de D'us. Pinchás, um dos netos de Aharon, em um ato de "Kanaut" (zelo pela honra Divina), levantou-se e matou Zimri e Kosbi com uma lança. Mas quais foram as consequências deste ato de "violência" de Pinchás? Será que ele havia feito o que era correto? Se nem mesmo Moshé havia tomado uma atitude, será que Pinchás deveria ter feito algo assim tão "impulsivo"?
 
A Parashá desta semana, Pinchás, começa justamente com D'us pedindo a Moshé que elogiasse publicamente a atitude de Pinchás e declarasse que foi justamente seu ato de "Kanaut" que interrompeu a epidemia e evitou mais mortes dentro do povo judeu. Por que D'us exigiu que Moshé fizesse publicamente esta declaração de louvor a Pinchás? Pois os judeus, ao invés de aplaudirem e se sentirem agradecidos pelo ato de Pinchás, o acusaram de assassinato por ter matado um dos líderes, e começaram a ofendê-lo e a questionar sua atitude. Por isso D'us precisou intervir e declarar que Pinchás não era um assassino, ao contrário, ele era um herói que havia salvado o povo. Se ele não tivesse matado Zimri, a epidemia teria matados muito mais judeus. A ato de Pinchás não foi feito por raiva ou ódio, e sim por amor. Ele arriscou a vida por um amor incondicional por D'us e pelo seu povo.
 
Além dos elogios, a Parashat descreve que Pinchás foi presenteado por D'us. Como ele havia trazido de volta a paz entre D'us e o povo judeu, ele foi recompensado com o "Pacto da paz". Este pacto não era apenas com Pinchás, mas também com todos os seus futuros descendentes. Mas o que foi este "Pacto de paz"?
 
Também nos chama muito a atenção a reação de Moshé e dos anciãos, que ficaram apenas chorando e não tomaram nenhuma atitude. Esta passividade de Moshé contrasta com o que ele fez durante toda a sua vida. Por exemplo, no episódio do Bezerro de Ouro, Moshé enfrentou seiscentas mil pessoas, inclusive aqueles que haviam assassinado Hur, seu cunhado. Moshé não era uma pessoa fraca, ele havia lidado com desafios muito difíceis nos últimos quarenta anos. Ele enfrentou o Faraó e o povo judeu em diversas ocasiões, entre reclamações e tentativas de rebelião. Então por que desta vez Moshé ficou com as mãos enfraquecidas e não tomou nenhuma atitude? Por que a atitude precisou partir de outra pessoa, Pinchás?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Moshé não tomou nenhuma atitude pois D'us havia ocultado dele a lei que deveria ser aplicada a Zimri. Ele "esqueceu" que aquele que comete publicamente um ato de imoralidade deveria ser morto no local e, por isso, não sabia qual atitude tomar. Por que D'us fez com que Moshé esquecesse algo tão importante? Apenas para que Pinchás pudesse tomar uma atitude e receber o que estava destinado a ele.
 
Pinchás era o neto de Aharon HaCohen. Quando D'us escolheu Aharon e seus quatro filhos como os Cohanim do povo judeu, definiu também que todos os seus futuros descendentes também seriam Cohanim. Porém, os descendentes que já haviam nascido naquele momento, que era o caso de Pinchás, não teriam direito de serem Cohanim, pois não haviam nascido Cohanim e nem haviam sido indicados por D'us. Portanto, este foi o "Pacto de paz" que D'us deu a Pinchás e a seus descendentes. Por seu ato de "Kanaut" e heroísmo, ele ganhou o direito de se tornar um Cohen, um representante da paz.
 
O Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Alter MiKelm, enfatiza que este ensinamento da Parashat é uma importante lição para cada um de nós. Quando D'us deseja dar algo para uma pessoa, que pode ser um trabalho, um cargo ou uma oportunidade, Ele fará acontecer. De acordo com a ordem natural dos eventos, Pinchás nunca teria se tornado um Cohen. Porém, Hashem tinha um plano para assegurar que Pinchás se tornaria um Cohen. Isto aconteceu através de um milagre, quando Moshé esqueceu uma lei que qualquer estudante sabia.
 
O Rav Yssocher Frand ressalta o quanto precisamos refletir sobre a forma como nos preocupamos excessivamente em planejamentos para alcançarmos um determinado objetivo. Para chegar em seus objetivos, muitos acabam até mesmo manipulando os outros e trapaceando. Isto é um grande erro, uma demonstração de que não confiamos em D'us. Devemos ter Emuná, lembrar que D'us providencia o sustento apropriado para cada um de nós, e tudo o que nós precisamos vem Dele. Quando Ele quer que algo aconteça, isto certamente acontecerá. Se for necessário, D'us fará milagres, pois no final das contas sempre a Sua vontade prevalece. Não precisamos fazer esforços demasiados, muito menos nos comportarmos de maneira desonesta, pois o que está guardado para nós certamente chegará, conforme ensinam os nossos sábios: "Muitos são os intermediários de D'us para cumprir a Sua vontade".
 
A principal força que sustenta o ser humano e o ajuda a vencer as dificuldades cotidianas é a Emuná, a confiança de que D'us está sempre acompanhando as nossas vidas. Se nos esforçamos e algo não aconteceu, é porque não estava decretado nos mundos espirituais. O que realmente precisamos e merecemos, vamos receber. Quando algo que esperávamos muito não aconteceu, pode ser que D'us sabe que não era o ideal para nós. Ou pode ser que D'us está apenas esperando pelas nossas Tefilót e pelas nossas atitudes. A pandemia atual nos ensinou que, em um instante, D'us pode mudar tudo. O que parecia impossível torna-se possível de repente. O que parecia impensável torna-se, do dia para a noite, a nossa nova realidade. Se tivermos Emuná, se nossos esforços forem sempre de acordo com a vontade de D'us, então certamente Ele nos ajudará a atingirmos os nossos objetivos.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania, Mara bat Chana Mirel, Dina bat Celde, Celde bat Lea, Rivka Lea bat Nechuma, Mordechai Ben Sara, Simcha bat Shengle.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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