sexta-feira, 2 de março de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TETSAVÊ E PURIM 5772

BS"D

 

FUGINDO DA HONRA - PARASHÁ TETSAVÊ E PURIM 5772 (02 de março de 2012)

 

"Gabriel, rabino de uma pequena cidade nos Estados Unidos, certa vez abandonou sua congregação na véspera do dia mais sagrado do ano, Yom Kipur, deixando todos desesperados. Inventando um motivo urgente para viajar, ele pegou um vôo para Miami para mergulhar, de maneira incógnita, no seu maior vício: o golfe.

 

Sob um boné, óculos escuros e um falso nome, o rabino passou o dia sagrado de Yom Kipur jogando golfe, uma partida atrás da outra. Apesar do vício, ele mal sabia dar tacadas. Mas naquele dia algo inacreditável aconteceu. Não apenas ele deu boas tacadas, mas várias vezes acertou o buraco na primeira tacada, feito conseguido apenas por jogadores profissionais. Um verdadeiro milagre! Uma multidão se juntou em volta daquele homem para vê-lo jogar. Em pouco tempo ele se tornou o assunto da cidade.

 

Lá em cima os anjos se agitaram. Um rabino, fugindo de suas responsabilidades, desrespeitando o Yom Kipur, e D'us lhe dá de presente várias tacadas perfeitas? Onde está a justiça? Finalmente D'us se explicou:

 

- Não estou dando um presente para ele, ao contrário, estou dando um castigo para o resto de sua vida. Apesar de ter conseguido tantas boas tacadas, para quem ele vai contar?"

 

Apesar de ser apenas uma piada, na vida real estamos sempre em busca de honra. Grande parte da alegria que sentimos por um feito é o reconhecimento que recebemos dos outros. Mas assim ensinam os nossos sábios: "Todo aquele que persegue a honra, a honra foge dele. Mas aquele que foge da honra, um dia a honra o alcançará".

 

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Na Parashá desta semana, Tetsavê, a Torá se aprofunda na descrição das roupas utilizadas pelo Cohen Gadol (Sumo Sacerdote) durante os serviços realizados no Mishkan (Templo Móvel). A Parashá também descreve a escolha e a consagração de Aharon e seus filhos como os primeiros Cohanim (sacerdotes) do povo judeu.

 

Mas há algo muito intrigante nesta Parashá, um detalhe que a torna diferente de todas as outras Parashiót da Torá. Desde o nascimento de Moshé, evento descrito na Parashá Shemot, seu nome aparece diversas vezes em todas as Parashiót. Porém, na Parashá desta semana, o nome de Moshé não é mencionado nenhuma vez. Por que?

 

Para encontrar a resposta, precisamos voltar um pouco no tempo. Quarenta dias depois da entrega da Torá, o povo judeu errou as contas de quantos dias Moshé permaneceria no Monte Sinai. Imaginando que o grande líder Moshé havia morrido, os judeus se desesperaram e construíram um bezerro de ouro como novo intermediário entre eles e D'us. O erro foi considerado tão grave que D'us quis destruir o povo inteiro. Moshé implorou para que fossem perdoados e fez para D'us um pedido aparentemente estranho: "E agora, se Você puder ao menos perdoar o pecado deles! Mas se não, por favor me apague do Seu livro que Você escreveu" (Shemot 32:32). Em outras palavras, Moshé estava pedindo para que D'us perdoasse o povo judeu, mas se isto não fosse possível, que o apagasse da Sua Torá.

 

É muito louvável toda a preocupação de Moshé com os judeus e tudo o que ele fez para salvá-los. Porém, como entender este pedido de Moshé? O que apagá-lo da Torá mudaria no decreto de destruição do povo, consequência do grave pecado do bezerro de ouro?

 

Explicam os nossos sábios que cada um é julgado de acordo com seu nível espiritual. Quanto maior o nível de uma pessoa ou povo, maior é a rigorosidade do seu julgamento. Por que? Pois quanto maior o nível de uma pessoa, mais ela influencia o mundo inteiro e, portanto, seus erros atingem de forma mais intensa as pessoas. Comparando com uma empresa, se o faxineiro comete um erro, a empresa fica um pouco mais suja, mas não deixa de funcionar. Porém, se o presidente comete um erro, a empresa pode falir.

 

Portanto, este foi o pedido de Moshé. Ele sabia que estava em um nível espiritual muito alto, o que elevava o nível do povo como um todo, fazendo com que o julgamento deles fosse mais rigoroso. O amor de Moshé pelo povo judeu era tão grande que ele pediu a D'us, caso o povo não tivesse méritos para ser perdoado naquele nível alto, que Ele o apagasse da Torá, automaticamente abaixando o nível do povo, fazendo com que o julgamento fosse mais leniente e dando a eles a chance de serem perdoados.

 

Daqui aprendemos a força das nossas palavras. Mesmo que o pedido foi condicional e D'us perdoou o povo, as palavras de Moshé foram cumpridas e seu nome foi apagado, não de toda a Torá, mas de uma Parashá inteira.

 

Porém, desta explicação fica um grande questionamento. O fato do nome de Moshé ter sido retirado de uma Parashá inteira da Torá parece ter sido um castigo para ele. Mas é difícil entender por que Moisés deveria ter sido punido por exibir um nível tão alto de auto-sacrifício pelo povo judeu. E, além disso, por que D'us escolheu justamente a Parashá Tetsavê?

 

Moshé é o modelo da Torá de humildade, de auto-anulação. De todas as boas características de Moshé, a única que a Torá ressalta, diversas vezes, é a sua humildade. Apesar de ter sido o escolhido de D'us para salvar e liderar o povo judeu, mesmo sabendo do seu elevado nível espiritual, ao qual nenhum homem jamais chegou e jamais chegará, ele fugia de qualquer reconhecimento ou honra. Todos os seus atos eram com as intenções mais puras e elevadas. Para alcançar a paz, ele abaixava a cabeça diante das pessoas que zombavam dele e o menosprezavam, como ocorreu no episódio da rebelião de Korach. Se ele cometia alguma falha, aceitava humildemente seu erro, sem nenhuma vergonha. Quando não sabia algo, assumia diante de todos e procurava a resposta com D'us. 

 

Uma das maiores demonstrações de humildade de Moshé foi quando D'us se revelou para ele, através do arbusto que queimava e não se consumia, e o escolheu como o salvador do povo judeu. A Torá descreve que por sete dias D'us insistiu, mas Moshé recusou o cargo, como está escrito: "Moshé respondeu para D'us: Quem sou eu para ir ao faraó e para tirar o meu povo, os Filhos de Israel, do Egito?" (Shemot 3:11). Por que? Pois achava que Aharon, seu irmão, era mais qualificado para ser o líder, considerava que ele tinha um nível espiritual ainda maior que o seu. D'us ficou furioso com Moshé após tantas recusas. Qual foi a consequência desta fúria de D'us? Explica Rashi, comentarista da Torá, que Moshé originalmente estava destinado a ser, além do líder do povo, o Cohen Gadol. Mas após insistir tanto para que Aharon fosse o escolhido, D'us então escolheu Aharon no lugar de Moshé para ser o Cohen Gadol.

 

A Parashá Tetsavê foi escolhida para que o nome de Moshé não aparecesse por ser justamente a Parashá do Cohen Gadol. O que ocorreria se o nome de Moshé estivesse escrito nesta Parashá? As pessoas pensariam: "era Moshé quem deveria ter sido o Cohen Gadol, não Aharon". Por isso Moshé, na sua humildade gigantesca, pediu para que seu nome não fosse nem mesmo mencionado nesta Parashá. Hashem escutou seu pedido e aceitou. Portanto, o nome de Moshé não ter aparecido não foi um castigo, foi um prêmio à sua humildade.

 

As pessoas que correm atrás da honra, se a alcançam, não desfrutam mais do que poucos instantes e depois são esquecidos para sempre. Com Moshé, que conseguiu combinar sua grandeza com a característica da humildade, aconteceu exatamente o contrário. Moshé, durante toda sua vida, tentou fugir da honra. Mas no final, ela o alcançou. Até hoje Moshé é lembrado, não apenas pelos judeus, mas como um exemplo para o mundo, uma referência, um modelo almejado por todos.

 

Qual a fórmula para alcançar a humildade verdadeira? Colocar no coração a certeza que tudo vem de D'us. Nossas aptidões, nossa inteligência, nossa força. Moshé sabia do seu valor, mas ao mesmo tempo sabia que tudo dependia de D'us, ele não podia nem mesmo levantar um dedo sem o consentimento do Criador.

 

É interessante perceber que a Parashá Tetsavê quase sempre antecede a festa de Purim, que começa na noite da próxima quarta-feira (em Jerusalém, na noite de quinta-feira). Umas das principais Mitzvót de Purim é a leitura da Meguilat Ester, que conta a história da milagrosa salvação do povo judeu nos dias de Mordechai e Ester, durante o exílio babilônico. A história conta que Haman, um homem que odiava o povo judeu, subiu ao poder e decretou a "solução final" dos judeus. Uma série de eventos, aparentemente desconectados, mudou os rumos da história e o povo judeu, além de ser salvo, destruiu todos os seus inimigos, começando pelo próprio Haman.

 

Uma aparente "coincidência" conecta a Meguilat Ester com a Parashá Tetsavê. Na Meguilat Ester também há algo que a torna diferente de todos os outros livros do Tanach (Torá, Profetas e Escrituras): o nome de D'us não é mencionado nenhuma vez. Por que?

 

Quando coisas acontecem em nossas vidas, muitas vezes associamos ao acaso. Não conseguimos conectar os acontecimentos, não conseguimos enxergar que há um plano por trás de tudo. Porém, temos que saber que existe um "Maestro" no mundo, que orquestra todos os acontecimentos com maestria e perfeição.  Este é o mais profundo ensinamento da Meguilat Ester: apesar do nome de D'us não ser mencionado nenhuma vez, ao refletirmos sobre toda a história de Purim, percebemos que Ele controla tudo. Todos os eventos estavam conectados, como notas isoladas que, quando tocadas juntas, formaram uma bela sinfonia. E assim também é nossa vida, uma série de notas que, tocadas juntas, formarão uma bela sinfonia. Quanto mais colocarmos no coração esta certeza, mais tranquilidade e mais humildade teremos em nossas vidas.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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