sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MISHPATIM 5773


BS"D

O VERDADEIRO DONO - PARASHÁ MISHPATIM 5773 (08 de fevereiro de 2013)


"Era domingo de tarde e Roberto já estava horas na frente da televisão. Parava apenas para ir ao banheiro ou para assaltar a geladeira entre um intervalo e outro. Completamente esparramado no sofá, ficava com o controle remoto na mão, passando de canal em canal, procurando algo interessante. Foi quando ele viu uma reportagem sobre pacientes terminais que eram mantidos vivos com a ajuda de aparelhos. Chocado com as fortes imagens da reportagem, imediatamente chamou sua esposa e disse:

- Querida, por favor, você jura que se um dia eu estiver dependente de uma máquina para viver, você tira ela da tomada?

- Sim, eu juro – respondeu a esposa, depois de refletir um pouco.

Então, sem pensar duas vezes, ela levantou-se e tirou a televisão da tomada..."

Achamos que somos livres e independentes. Mas a verdade é que somos totalmente escravos de nossas próprias vontades e desejos.

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Na Parashá desta semana, Mishpatim, a Torá traz dezenas de leis "Bein Adam Lehaveiró" (entre o homem e seu companheiro), que fazem parte do código de leis civis do povo judeu. E o primeiro assunto tratado na Parashá é sobre um judeu que adquire outro judeu como escravo. Nosso conceito de escravidão é totalmente distorcido, pois a primeira ideia que nos vem à cabeça é uma pessoa com vida miserável e trabalho pesado sob fortes e impiedosas chicotadas. Mas a visão da Torá é completamente diferente, a ponto de o Talmud (Kidushin 22a) afirmar que "aquele que adquire um escravo, adquire para si um dono", tamanha é a responsabilidade que o dono deve ter com o bem estar de seu escravo. Por exemplo, um escravo deve ser alimentado com a mesma comida que o dono da casa come, deve ter uma boa cama para poder descansar e não pode sofrer nenhum tipo de maus-tratos. Muito longe dos exemplos de escravidão dos livros de história.

Como um judeu se tornava escravo de outro judeu? Uma das maneiras era quando uma pessoa roubava algo e, ao ser presa, não tinha dinheiro para devolver o roubo ao dono. O Beit Din (Tribunal) então tinha o poder de vender este ladrão como escravo, por um período de 6 anos, para arrecadar os fundos necessários para ressarcir o dono do objeto roubado. O ladrão cumpria os seis anos de trabalho escravo e era libertado no sétimo ano, podendo voltar à sua vida normal, com suas dívidas do passado quitadas.

A Torá traz ainda outro detalhe interessante. O escravo poderia decidir, ao final dos seis anos de trabalho, que gostaria de continuar sendo escravo. O Beit Din tentava convencê-lo a voltar para sua vida normal, como um homem livre, mas caso o escravo recusasse, ele passava por uma cerimônia, na qual era colocado ao lado do batente de uma porta e sua orelha era furada. O escravo então permanecia trabalhando para seu dono até o ano do Yovel (Jubileu), que ocorria a cada 50 anos.

Mas qual o significado desta estranha cerimônia, de furar a orelha da pessoa que decidiu continuar vivendo como escravo? E por que o furo era feito justamente na orelha e não em outro órgão do corpo? Explica Rashi, comentarista da Torá, que a orelha era o local mais adequado, pois como a pessoa havia se tornado escrava por ter roubado, então o furo na orelha servia como um lembrete que dizia: "Que esta orelha, que escutou no Monte Sinai o Mandamento de "Não roubarás" e mesmo assim foi e roubou, seja agora furada".

Mas destas palavras do Rashi surgem duas perguntas. Em primeiro lugar, se o furo na orelha era uma forma de castigar o escravo por ele ter roubado, então por que o furo era feito apenas após os seis anos de escravidão, quando a pessoa decidia continuar sendo escrava, e não logo quando a pessoa havia se tornado escrava, justamente por ter roubado e não ter conseguido devolver o roubo?

Além disso, observando atentamente os 10 Mandamentos da Torá, que foram trazidos na Parashá da semana passada, Itró, percebemos algo interessante. De acordo com o Talmud (Sanhedrin 86a), o 8º Mandamento da Torá, "Não roubarás", não se refere à proibição de roubar objetos e dinheiro dos outros, e sim à proibição de sequestrar uma pessoa. A linguagem "Não roubarás" é utilizada na proibição do sequestro porque em hebraico, uma das maneiras de expressar sequestro é "Gneivat Nefesh" (roubar uma alma). Então, se nos 10 Mandamentos o "Não roubarás" se refere ao sequestro, qual a conexão com a pessoa que decidiu continuar vivendo como escravo?

Para responder estas perguntas, precisamos refletir um pouco sobre o ato de sequestro. Se a Torá chama o sequestro de "roubar uma alma", a pessoa que está sendo sequestrada está sendo roubada de quem? De seus pais? De sua esposa? De seus filhos? Quem é o verdadeiro dono de uma pessoa? Por mais que existam vínculos de sangue entre as pessoas de uma família, como entre os pais e filhos, ou vínculos "contratuais", como entre maridos e esposas, estes vínculos não fazem com que um seja dono do outro. Um pai não é dono de seu filho, um marido não é dono de sua esposa. Então de quem o sequestrado está sendo roubado?

Responde o Rav Shimon Shwab que D'us é o único e verdadeiro dono de cada pessoa. Foi Ele quem criou cada um de nós e, portanto, Ele é o dono de tudo. Quando a pessoa está sequestrada, presa no cativeiro, ela não pode servir a D'us, o seu Criador e verdadeiro Dono, da maneira correta. Por isso, o sequestro significa roubar alguém de D'us.

Com este conceito podemos então responder as perguntas anteriores. Da mesma maneira que um sequestrador rouba a pessoa de D'us ao afastá-la do seu serviço Divino, assim também se comporta aquele que, por vontade própria, quer continuar a viver como um escravo. Ele está se impedindo de servir a D'us da maneira correta e, portanto, está transgredindo o 8º Mandamento da Torá, "Não roubarás". É também por isso que a orelha do escravo era furada somente após os seis anos, e não no momento em que ele era vendido como escravo pelo Beit Din para quitar as suas dívidas, pois no momento da venda a pessoa estava se tornando escrava por força das circunstâncias, não por escolha. Mas a partir do momento em que ela já havia quitado suas dívidas e mesmo assim quis continuar na escravidão, com isso ela demonstrou que queria ser um escravo de escravos, e não um escravo de D'us. Por isto, somente neste momento sua orelha era furada, para lembrar que ela não havia escutado no Monte Sinai o Mandamento de não roubar de D'us uma de Suas almas.

Podemos aplicar este importante ensinamento em nossas vidas. Ele nos ajuda, por exemplo, a entender um pouco mais o porquê a Torá é tão contra a eutanásia, a prática de ativamente terminar com uma vida para acabar com os sofrimentos pelos quais a pessoa está passando, como um doente terminal. As pessoas a favor da eutanásia utilizam o seguinte argumento: "A vida é minha e, por isso, eu faço o que eu quiser com ela". Mas segundo o judaísmo isto não é verdade. Não somos donos da vida de ninguém, e nem mesmo da nossa própria vida, pois não somos nossos próprios criadores. Nossa vida pertence à D'us, e não está nas mãos de ninguém decidir quem merece viver ou morrer. Por mais difícil que possa estar a situação de uma pessoa, por piores que possam ser seus sofrimentos, tudo está sob a Hashgachá Prati (Supervisão particular) de D'us. Nosso intelecto não entende Seus caminhos, nosso entendimento limitado não consegue alcançar a grandeza dos pensamentos Dele. Mas sabemos que quando um filho sofre, seu pai sofre ainda mais do que ele. Assim também acontece com D'us, que sofre mais do que a pessoa que está sofrendo. E se mesmo assim Ele, o Dono da vida e da morte, entendeu que a pessoa deve continuar viva, quem somos nós para pensar o contrário?

Outro ensinamento que podemos utilizar para nossas vidas é que, apesar de atualmente não haver mais a possibilidade de uma pessoa ser vendida como escravo, o conceito de escravidão ainda existe. Se não tomamos cuidado, nos tornamos escravos do mundo material e também transgredimos o Mandamento de "Não roubarás", pois ao nos tornarmos escravos dos nossos próprios desejos, nos afastamos da nossa espiritualidade e do serviço a D'us. Pois a pior escravidão não é aquela que controla o nosso corpo, e sim aquela que controla nossa cabeça.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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