quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

ÓDIO E PERDÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT MISHPATIM 5778






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Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


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ÓDIO E PERDÃO - PARASHAT MISHPATIM 5778 (09 de fevereiro de 2018)
"Raquel era uma excelente funcionária. Era atenciosa, educada e eficiente no trabalho, pois gostava muito do que fazia. No entanto, ocorreram mudanças na empresa e ela tornou-se subordinada de uma chefe terrível. Quando Raquel chegava pela manhã e falava "bom dia", a chefe perguntava por que ela não havia chegado mais cedo. Se ela chegava antes da hora, a chefe perguntava se ela não sabia os horários do expediente. Era uma mulher má, implicava com tudo. Raquel começou a sentir cada vez mais ódio daquela mulher, um ódio que a consumia. Chegava em casa estressada e acabava descontando em pessoas que não mereciam. Até que, certo dia, Raquel decidiu pedir demissão. Ela pensou: "Vou  embora, mas antes vou dizer para aquela mulher insuportável tudo o que está preso aqui dentro".

Exatamente naquele dia, enquanto Raquel estava almoçando, ela conheceu Rebeca, a nova responsável pela área de recursos humanos da empresa. Uma das funções de Rebeca era justamente motivar os funcionários. Ela convidou Raquel para assistir a um treinamento que ocorreria naquela tarde. Em um primeiro momento Raquel não quis participar, pois escutaria um sermão da chefe caso atrasasse. Porém, quando lembrou que no dia seguinte pediria demissão, resolveu ir ao treinamento. E aquele ato mudou sua vida, pois ali ela ouviu sobre a força do perdão.

Rebeca começou a palestra com as seguintes palavras: "O perdão não é algo que devemos fazer pelos outros, ele é bom para nós mesmos. Se você perdoar alguém que o ofendeu, o agressor continuará do mesmo jeito, mas você se sentirá melhor. Se você perdoar um mentiroso, ele continuará sendo um mentiroso, mas você não se sentirá mal por causa das mentiras dele. Quando perdoamos, tiramos um enorme peso das costas". Ao término do treinamento, Raquel concluiu que sua chefe era doente. Naquele momento ela tomou uma decisão: "Vou perdoá-la. Assim não vou permitir mais que ela me atormente e nem vou abandonar o trabalho que eu gosto tanto por causa dela".

No dia seguinte, Raquel chegou e cumprimentou sua chefe, que respondeu com uma bronca pelo atraso no dia anterior. Porém, a chefe percebeu que, apesar da dura bronca, Raquel tinha um sorriso diferente no rosto. Quando questionada sobre o motivo daquele sorriso, Raquel explicou que havia participado de um treinamento na empresa e que estava bem consigo mesma. Além disso, tomou coragem para convidou a chefe para tomar um chá no final da tarde. A resposta veio grosseira: "Você está me convidando só para eu não descontar seu atraso?". Raquel respirou fundo e respondeu calmamente: "A senhora pode até descontar as minhas horas, mas eu insisto no nosso chá".

Ao fim da tarde elas estavam sentadas juntas na mesa. Durante o chá, a chefe falou da sua surpresa por ter sido convidada. No fundo ela sabia que havia se tornado uma pessoa insuportável e que os funcionários não gostavam dela. Ela nunca havia recebido um convite de seus subordinados. Acabou falando, em um desabafo, de suas dores e sofrimentos. Contou que frequentemente apanhava do marido, um homem abusivo, e que seu filho vivia em um mundo de drogas. Por ser tão infeliz, acabava odiando as pessoas e descontando suas frustrações nos outros.

Semanas depois, era a própria chefe que comparecia ao treinamento de Rebeca a respeito do perdão". 
"Sentir ódio é como beber um copo de veneno esperando que o outro morra. Perdoar é libertar-se"

Nesta semana lemos a Parashat Mishpatim (literalmente "Juízos"), que trata principalmente das leis de compensação monetária nos casos em que haja danos envolvidos. A Parashat também ensina outras leis que envolvem cuidados nos relacionamentos interpessoais, como a obrigação de ajudarmos os menos afortunados e a proibição de causar sofrimentos, físicos ou psicológicos, às outras pessoas, em especial as mais fragilizadas e carentes.

A Parashat começa com um assunto bastante incomum nos dias de hoje: o conceito de escravidão. O "Eved Ivri" (escravo judeu) era um judeu que trabalhava como escravo pelo período de 6 anos para outro judeu, sendo libertado no sétimo ano. Mas como pode ser que a Torá, que nos ensina tanto sobre o cuidado com o próximo, permitia que existisse escravidão? A resposta é que, apesar de estarmos acostumados com a ideia de que um escravo é maltratado e passa por sofrimentos e torturas terríveis nas mãos de seu dono, não é este o conceito ensinado pelo judaísmo. A Torá exige do dono de um escravo um tratamento tão humano e tão decente que os nossos sábios afirmam: "Quem adquire um escravo está adquirindo para si um dono".

Mas por que uma pessoa passava pela situação temporária de se tornar escrava? Rashi (França, 1040 - 1105) explica que havia duas maneiras de um judeu virar escravo de outro judeu. A primeira maneira era quando uma pessoa se encontrava em uma situação de pobreza tão grande que precisava se vender como escravo para poder sustentar sua família. Além do dinheiro da venda, durante os 6 anos de escravidão o dono também precisava sustentar a família do escravo judeu. Isto dava para a pessoa uma nova perspectiva de vida e a chance de um recomeço. Outra possibilidade era quando alguém roubou um objeto e, ao ser pego pelo seu crime, não tinha dinheiro para ressarcir ao dono do objeto o que foi roubado. Neste caso, a venda feita pelo Beit Din (Tribunal Rabínico) era a forma de conseguir o dinheiro necessário para ressarcir ao dono do objeto roubado. Porém, por que a Torá nos comanda a tratar bem todos os escravos, se parte deles eram ladrões, pessoas de má índole que haviam cometido crimes?

A mesma pergunta surge em outro assunto da Parashat, relacionado com a obrigação de ajudarmos um inimigo, como está escrito: "Se você vir o burro de alguém que você odeia caído sob a sua carga... você deverá certamente ajudá-lo" (Shemot 23:5). A Torá está ensinando a importante Mitzvá de nos importarmos com o sofrimento dos animais, nos proibindo de ficarmos impassíveis diante de um burro que colapsou sob o peso de sua carga e não consegue se reerguer sozinho. Porém, para nos ensinar esta Mitzvá, por que a Torá utilizou o caso de alguém que odeia outra pessoa? Não é uma proibição grave sentirmos ódio por alguém? A Torá veio nos ensinar uma Mitzvá através de uma transgressão? De acordo com o Talmud (Pessachim 113b), este caso se trata de alguém que sente um ódio permitido. Por exemplo, quando alguém testemunhou graves transgressões cometidas por uma pessoa que não tem temor a D'us e por isso sente ódio dela. Mas se o ódio é permitido, então por que a Torá nos obriga a ajudar a pessoa? Não deveríamos deixá-la sofrendo para que reflita sobre seus maus atos?

Explicam os nossos sábios que a pessoa deve ajudar o transgressor para que, desta maneira, possa controlar o seu próprio Yetser Hará (má inclinação). Quando uma pessoa odeia seu companheiro, automaticamente o outro sente este ódio e se comportará com uma atitude de ódio recíproco, causando que se crie um sentimento cada vez mais intenso de ódio entre eles. Portanto, aquele ódio inicial, que era permitido, se transformará em uma briga pessoal, proibida pela Torá. Desta maneira, a pessoa iniciaria cumprindo uma Mitzvá, mas terminaria fazendo uma transgressão. O ódio é como um fogo, que normalmente começa sob controle, mas facilmente se espalha, destruindo tudo o que vê pela frente. É por isso que a Torá nos comanda a ajudarmos a erguer o burro da pessoa que odiamos, mesmo que é um ódio permitido, pois assim não haverá o perigo do "fogo" do ódio sair de controle.

O Rav Shlomo Wolbe zt"l (Alemanha, 1914 - Israel, 2005) se aprofunda um pouco mais no assunto do ódio permitido pela Torá. Devemos ser extremamente cuidadosos quando sentirmos ódio por presenciarmos uma pessoa cometendo graves transgressões, pois temos apenas a permissão de odiarmos os maus atos da pessoa, mas é uma grave proibição odiarmos o transgressor. A Torá nos ordena a amarmos o próximo como a nós mesmos, e isto se aplica para todos. Devemos amar mesmo os transgressores e odiar apenas os seus maus atos. De acordo com o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936), somente pessoas muito elevadas espiritualmente realmente conseguem fazer a devida separação entre o mau ato e a pessoa que o comete. A grande maioria não consegue chegar neste nível e, portanto, acaba sentindo ódio pela própria pessoa, caindo em uma grave transgressão. Portanto, é apropriado que, apesar de ser um ódio permitido, ajudemos a pessoa que odiamos, para aprendermos a odiar apenas os maus atos, mas não as pessoas.

Nos chama a atenção a diferença que há entre as leis da Torá e a forma como a Sociedade Ocidental lida com os transgressores. Quando alguém é acusado de um crime, mesmo que ainda não existem provas, a transgressão já é revelada publicamente, arruinando a vida da pessoa. Mesmo alguém que foi inocentado fica com o seu nome "sujo" para o resto da vida, nas redes sociais e nos mecanismos de busca online. Já a Torá nos ensina a fazermos o contrário. Devemos respeitar o ser humano de uma maneira exemplar, mesmo quando se trata de um transgressor. Mesmo um ladrão deve ser tratado de uma maneira respeitável, pois devemos odiar apenas os seus maus atos. De acordo com a Torá, quando o ladrão pode ressarcir o dano que causou, ele deve devolver os bens roubados ou dar esta quantia em dinheiro ao dono, sem que ninguém da sociedade fique sabendo o que ocorreu, evitando uma humilhação pública. A pessoa não deve ser exposta por ter cometido um erro. Somente no caso em que a pessoa não está mais com o objeto roubado e não tem condições de pagar por ele é que ela é vendida como escravo. E, mesmo neste caso, a venda não é feita para castigar ou humilhar a pessoa, e sim para possibilitar que ela pague a sua dívida.

Talvez uma das mensagens mais importantes que a Torá está nos transmitindo é a necessidade de perdoarmos aqueles que fazem o mal. Devemos obviamente odiar o mau ato, pois vai contra a vontade de D'us. Porém, devemos perdoar a ter misericórdia do transgressor, dando a ele uma nova chance e a possibilidade de se reerguer e consertar sua vida. Não sabemos quais foram as dificuldades que levaram uma pessoa a cometer uma transgressão. Não sabemos quais foram as oportunidades que uma pessoa teve na vida. Por isso, o perdão é algo central no judaísmo e nos ensina a não julgarmos uma pessoa até estarmos no lugar dela.

Porém, o mais importante é lembrarmos que o perdão é, acima de tudo, algo benéfico para nós mesmos, pois tira um imenso peso das nossas costas. Quando odiamos, carregamos dentro de nós um sentimento que queima e destrói. Além disso, se prestarmos atenção, perceberemos que na maioria das vezes sentimos ódios que não são justificados. Se mesmo quando um ódio é permitido a Torá nos comanda a o tirarmos do coração, muito mais um ódio proibido. Por causa do ódio gratuito o nosso Beit HaMikdash (Templo Sagrado) foi destruído. Se conseguirmos vencer nosso ódio e diferenciar entre o ato e a pessoa, certamente estaremos trazendo ao mundo salvação e paz.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
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quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

RELACIONAMENTO DE AMOR COM D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT ITRÓ 5778






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RELACIONAMENTO DE AMOR COM D'US - PARASHAT ITRÓ 5778 (02 de fevereiro de 2018)
"Um general da Academia Militar Russa deu uma palestra sobre Estratégia Militar para um grupo de oficiais russos. No final da palestra, ele perguntou se havia alguma dúvida. Um oficial levantou-se e perguntou:

- General, você acha que haverá uma terceira guerra mundial?  E, caso houver, a Rússia participaria?

O general respondeu afirmativamente a ambas as questões. Outro oficial então perguntou:

- De acordo com a geopolítica atual, qual seria o nosso provável inimigo em uma eventual guerra mundial?

- Tudo indica que seria a China - respondeu o general, deixando todos na plateia chocados.

Um terceiro oficial observou:

- General, somos uma nação com apenas 150 milhões de habitantes, contrastando com os 1,5 bilhão de chineses. Podemos ganhar, ou até mesmo sobreviver, a uma guerra com eles?

- Nas guerras modernas, não é a quantidade de soldados que importa, mas a qualidade das capacidades de um exército - respondeu o general - Por exemplo, no Oriente Médio, tivemos algumas guerras recentemente, onde 5 milhões de judeus lutaram contra 150 milhões de árabes e, apesar disso, Israel sempre foi vitorioso.

Depois de uma pequena pausa, outro oficial da parte de trás do auditório perguntou:

- Mas general, será que nós temos judeus suficientes?"

Há algo de especial no relacionamento entre D'us e o povo judeu. Em toda a história, inclusive nas guerras atuais de Israel, não faltaram demonstração do amor Divino pelo Seu povo. Mas será que estamos correspondendo?

Nesta semana lemos a Parashá Itró, que descreve o momento em que o sogro de Moshé, Itró, se inspirou e decidiu se unir ao povo judeu no deserto, como está escrito: "E escutou Itró, o sacerdote de Midian, sogro de Moshé, tudo o que D'us havia feito a Moshé e a Israel, Seu povo" (Shemot 18:1). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Itró havia escutado sobre dois grandes eventos milagrosos, a Abertura do Mar e a guerra travada contra o povo de Amalek, e por causa destes eventos ele se motivou a tomar uma atitude de mudança espiritual.

O que nos chama a atenção é que, alguns versículos depois, a Torá nos ensina que Moshé contou a Itró os milagres que D'us havia feito ao povo judeu, como está escrito: "E contou Moshé ao seu sogro tudo o que D'us havia feito ao Faraó e ao Egito por causa de Israel" (Shemot 18:8). Rashi explica que, para aproximar Itró da Torá, Moshé novamente contou a ele sobre a Abertura do Mar e sobre a guerra contra Amalek. Porém, se Itró já sabia sobre estes eventos milagrosos, e foi isto que o motivou a se juntar ao povo judeu, o que Moshé quis acrescentar?

Além disso, depois de escutar Moshé descrevendo os acontecimentos milagrosos, a Torá diz que "Vayichad Itró" (Shemot 18:9). Rashi traz duas explicações sobre a linguagem "Vayichad". Uma primeira explicação é que Itró ficou feliz ao escutar sobre os milagres, da linguagem "Chadi", que em aramaico significa "felicidade". Porém, de acordo com a outra explicação, Itró se sentiu desconfortável com as palavras de Moshé, da linguagem "Chad", que em hebraico significa "afiado", como se sua carne tivesse sido dilacerada por um objeto afiado. Baseado nesta segunda explicação, nossos sábios ensinam uma importante Halachá (lei): "É proibido um judeu falar de forma depreciativa sobre um não judeu diante de um convertido". Porém, por que o episódio do encontro de Moshé com Itró é trazido como a fonte deste ensinamento? Moshé era extremamente cuidadoso com a honra de cada pessoa, certamente nunca teria sido desrespeitoso com seu sogro Itró. Ele apenas descreveu os detalhes dos milagres que D'us havia feito ao povo judeu. Em que momento ele falou de maneira depreciativa sobre os outros povos?

Finalmente, se foi o fato de ter escutado sobre a queda dos egípcios e do povo de Amalek que causou tanto sofrimento a Itró, então a proibição imposta pelos nossos sábios não deveria ser apenas de não falar de forma depreciativa dos outros povos. A proibição deveria ter sido muito mais abrangente, incluindo até mesmo a proibição de descrever qualquer tipo de má sorte que ocorra com os outros povos, como tragédias naturais. Por que a proibição é restrita somente a não depreciar os outros povos?

Explica o Rav Yohanan Zweig que, para responder estes questionamentos, é preciso entender a grande diferença que há entre ser um súdito e ser um filho. Um rei justo e correto, quando sente a necessidade de punir um criminoso por um mal causado a um de seus súditos, certamente buscará algum tipo de castigo que seja proporcional ao crime cometido. Entretanto, se o crime tiver sido cometido contra o filho do rei, certamente a pena aplicada será muito mais dura, pois o sofrimento causado ao seu próprio filho despertará a fúria do rei.
Inicialmente, Itró havia se motivado a seu unir ao povo judeu por ter visto a justiça Divina através das medidas punitivas tomadas contra os egípcios e contra Amalek pelos crimes que eles haviam cometido. Porém, quando Moshé detalhou a Itró os milagres que haviam ocorrido nas punições, ele percebeu uma dureza adicional. Além disso, Moshé utilizou a expressão "por causa de Israel". Apesar de Itró ter entendido que a punição dos egípcios havia sido medida por medida pelos crimes cometidos, Moshé acrescentou que as punições foram aplicadas com uma fúria adicional, pelo fato dos crimes não terem sido cometidos contra os "súditos" de D'us, e sim contra os "filhos" Dele. Moshé utilizou estes detalhes para trazer Itró mais perto da Torá, mas acabou causando sofrimentos a ele, pois acabou demonstrando que o relacionamento de D'us com o povo judeu era algo único e especial, diferente do relacionamento com os outros povos, a ponto de D'us destruir todos aqueles que fazem mal ao Seu povo. Isto acabou sendo, de certa maneira, depreciativo com os outros povos aos olhos de Itró, causando a formulação da lei que proíbe falar de forma depreciativa sobre um não judeu diante de um convertido.

A diferença no relacionamento entre D'us e o povo judeu também é ressaltado em uma mudança sutil nos nomes Divinos que aparecem nos versículos. Cada nome de D'us representa algum atributo que Ele está utilizando naquela situação. O nome "Elokim" é utilizado quando o traço de julgamento Divino é evocado, indicando normalmente um ato de justiça e punição, enquanto o nome "Yud - Hei - Vav - Hei" reflete os atributos de amor e misericórdia de D'us. Quando o versículo (18:1) afirma que Itró estava motivado a se unir ao povo judeu pelo que D'us fez aos egípcios e ao povo de Amalek, o nome utilizado foi "Elokim", pois Itró havia entendido que aqueles eram atos meramente punitivos. Porém, quando Moshé descreveu com detalhes os milagres para Itró (18:8), o nome utilizado foi "Yud - Hei - Vav - Hei", pois Moshé estava explicando que o que impulsionou a rigorosidade da punição não foram os crimes cometidos pelos egípcios e pelo povo de Amalek, e sim o amor de D'us pelo povo judeu, o povo contra o qual aqueles crimes haviam sido cometidos.

Este amor especial que existe entre D'us e o povo judeu também é ressaltado de uma forma interessante no primeiro Mandamento da Torá, no qual está escrito: "Eu sou Hashem, teu D'us, Quem te tirou da terra do Egito" (Shemot 20:2). Nossos sábios questionam o motivo pelo qual a Torá identifica D'us como sendo Aquele que tirou o povo judeu do Egito, ao invés de identificá-Lo como sendo Aquele que criou o mundo. Ao defini-lo como Criador do mundo, estaríamos identificando-o como o responsável por toda a existência, enquanto ao defini-lo como Aquele que nos tirou do Egito, estamos limitando-O a ser o responsável por um único evento histórico. Por que a Torá, logo no primeiro Mandamento, identifica D'us de uma maneira limitada?

Rashi traz um interessante comentário sobre este versículo. Ele explica que D'us, ao se definir como sendo "Aquele que tirou o povo judeu do Egito", é como se estivesse dizendo aos judeus: "O fato de Eu ter tirado vocês do Egito é razão suficiente para que vocês estejam subjugados a mim". Isto fica difícil de ser entendido de acordo com outra explicação trazida por Rashi, na qual ele afirma que D'us se revelou ao povo judeu na Abertura do Mar como um poderoso guerreiro, mas na entrega da Torá Ele se revelou como um ancião cheio de misericórdia. Será que combina D'us ter exigido a subserviência do Seu povo com a figura de um ancião cheio de misericórdia?

Explica o Rav Yohanan Zweig que na entrega da Torá D'us começou a moldar um relacionamento com o povo judeu. Rashi não está afirmando que a base do nosso relacionamento com D'us é que devemos a Ele nossa fidelidade por Ele ter nos salvado do Egito. Ao contrário, Rashi está explicando que a base de qualquer relacionamento saudável é a preocupação de cada uma das partes com o bem estar do outro. A atitude de D'us, de ter nos tirado do Egito, reflete Sua compaixão e Seu cuidado com o povo judeu e, portanto, é a "pedra fundamental" do nosso relacionamento com Ele. D'us demonstrou a Sua vontade de construir o relacionamento conosco, mas ainda ficou faltando a nossa demonstração recíproca. Rashi está explicando, portanto, que é apropriado que o ato de D'us, de ter nos libertado, seja a base da nossa obrigação de servirmos a Ele, pois com este ato estaremos demonstrando o nosso compromisso e a nossa preocupação recíproca.

Assim entendemos por que no primeiro Mandamento D'us não está se definindo com Aquele que criou o universo. Apesar de ser um ato muito mais grandioso, isto não refletiria uma preocupação especial de D'us com o povo judeu e, portanto, não seria apropriado para ser a "pedra fundamental" do nosso relacionamento. Já a saída do Egito, feita exclusivamente para o povo judeu, é uma base apropriada para construir nosso relacionamento com Ele.

O relacionamento de amor especial entre D'us e o povo judeu começou na época dos nossos patriarcas, quando eles demonstraram seu amor sem limites por D'us. Na entrega da Torá, comparada a um casamento, D'us revelou todo o amor que Ele sente por nós. Como um relacionamento deve ter reciprocidade, precisamos fazer a nossa parte. A forma de demonstrarmos a nossa vontade é através do cumprimento e do estudo da Torá que Ele nos entregou. D'us já fez a Sua parte, será que estamos fazendo a nossa?

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
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quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A PORTA MAIS LARGA DO MUNDO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BESHALACH 5778






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A PORTA MAIS LARGA DO MUNDO - PARASHAT BESHALACH 5778 (26 de janeiro de 2018)
Um homem com roupas esfarrapadas parou na frente de um pequeno bar, tirou do bolso um metro, mediu a porta e começou a falar em voz alta: "Dois metros de altura por oitenta centímetros de largura". Admirado, como se não acreditasse no que o metro indicava, mediu-a de novo. Tornou a medi-la várias vezes. Curiosas, as pessoas que passavam por ali começaram a parar. Primeiro um pequeno grupo, depois uma multidão. Olhavam, curiosos, o homem que media sem parar a porta do bar. O homem então olhou para a multidão e exclamou, impressionado:

- Parece mentira. Esta porta mede apenas dois metros de altura por oitenta centímetros de largura. No entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, meu carro, o pão dos meus filhos. Passaram os meus móveis e a minha casa. E não foram somente os bens materiais. Por ela também passou a minha saúde e toda a felicidade do meu lar. Além disso, passaram também a minha dignidade e os meus sonhos. Todos os meus planos de vida passaram por esta porta, dia após dia, gole por gole.

- Hoje eu não tenho mais nada - continuou o homem - Nem família, nem saúde, nem esperança. Mas quando passo na frente desta porta, ainda ouço o chamado da bebida, aquela que é a responsável pela minha desgraça. Ela ainda me chama insistentemente, dizendo "Só mais um copo! Só hoje! Uma dose apenas!". Ainda escuto sua sugestão zombadora: "Beba só socialmente". Esta era a senha, esta era a isca. E mais uma vez eu caía na armadilha, dizendo para mim mesmo: "Quando eu quiser, eu paro". Isso é o que muita gente pensa, mas isto é uma mentira. É a pior mentira, pois é mentir para si mesmo. Eu comecei com um copo, mas hoje a bebida me dominou completamente. É por isso que eu lhes digo: esta porta, a porta do vício, é a porta mais larga do mundo! Ela tem enganado muita gente. Por esta porta, de aparência tão estreita, pode passar tudo o que temos de mais importante na vida. Hoje eu sei dos malefícios do vício, mas muita gente ainda não sabe. Ou sabe e finge que não sabe, para não admitir que está sob o domínio dos seus vícios.

Visivelmente amargurado, aquele homem se afastou, a passos lentos, deixando para as pessoas que o escutaram motivos de profundas reflexões. Tudo em excesso é ruim. Tudo sem controle faz mal

Nesta semana lemos a Parashat Beshalach (literalmente "Quando enviou"), que descreve a triunfal saída do povo judeu do Egito, após 210 anos de terrível escravidão. Porém, a alegria do povo judeu não durou muito. Sem saber que tudo fazia parte dos planos de D'us, que ainda guardava o castigo final para os egípcios, os judeus se depararam com um mar intransponível diante deles e perceberam, aterrorizados, que os egípcios os perseguiam para levá-los de volta à escravidão. Desesperados, eles gritaram para D'us e reclamaram com Moshé. D'us então comandou que eles entrassem no mar, algo que parecia ilógico. Somente quando eles deram os primeiros passos foi que aconteceu o incrível milagre da Abertura do Mar Vermelho, diante dos olhos de milhões de testemunhas.

Além disso, após atravessarem o mar, os judeus puderam testemunhar a destruição final do exército egípcio, quando o mar fechou-se sobre eles, afogando-os e lançando seus corpos na praia. A Torá então afirma que "Naquele dia D'us libertou Israel das mãos do Egito, e Israel viu as pessoas mortas na praia" (Shemot 14:30). Porém, este versículo desperta um grande questionamento. Se a Abertura do Mar ocorreu somente no sétimo dia após a saída do Egito, então por que a Torá enfatiza que "Naquele dia D'us libertou Israel das mãos do Egito"? A libertação já não havia ocorrido quando eles saíram do Egito?

Explica o Ibn Ezra (Espanha, 1092 - 1167), famoso comentarista da Torá, que mesmo depois de já terem saído do Egito, os judeus ainda sentiam muito medo do Faraó, e somente se sentiram completamente livres do jugo egípcio quando viram a destruição final deles. Isto significa que o sentimento de serem dominados pelos egípcios não se dissipou quando eles escaparam. Foi somente naquele dia, quando viram os egípcios destruídos, que eles puderam realmente se libertar completamente de sua autoimagem de "Escravos do Faraó".

Uma ideia similar é transmitida na Hagadá de Pessach, que afirma: "Fomos escravos do Faraó no Egito. Hashem, nosso D'us, nos tirou de lá com mão forte. E se D'us não tivesse tirado nossos pais do Egito, nós, nossos filhos e os filhos dos nossos filhos seríamos escravos do Faraó no Egito". Mas como a Hagadá pode afirmar que seríamos escravos até hoje, se o Império Egípcio já se desintegrou há milhares de anos? Uma possível resposta é que a Hagadá não está se referindo a uma escravidão física no Egito, e sim a um elemento psicológico de submissão ao Faraó e seu povo. Nós certamente já teríamos nos tornado fisicamente livres, mas nunca teríamos escapado e superado a dominação egípcia. Ao contrário, teríamos sido libertados de forma "padrão" com a desintegração do Império Egípcio, porém teria sido uma libertação apenas parcial, pois nunca teríamos quebrado a nossa autoimagem de um povo controlado por outras nações, que não é livre para se expressar de uma maneira plena.

Apesar de se referir a um evento ocorrido há mais de 3 mil anos, este ensinamento é atual e importante, pois traz as bases de como vencer o desafio de lidar com forças negativas que exercem poder sobre nós. Isto não incluiu apenas a proximidade de pessoas abusivas, que tentam nos controlar de maneira não saudável, mas também os vícios destrutivos e outras armas do Yetser Hará (Má inclinação), como o desejo desenfreado. O que a saída do povo judeu do Egito e a Abertura do Mar podem nos ensinar na prática nesta área?

Em primeiro lugar, aprendemos que há dois estágios distintos no processo de se libertar das influências negativas. O primeiro estágio é escapar da fonte de negatividade, da mesma forma que o povo judeu saiu fisicamente do Egito. O segundo estágio é superar completamente ou eliminar a fonte de negatividade, o que ocorreu através da destruição do exército egípcio no mar. Embora escapar da fonte de dominação seja um estágio extremamente importante, ainda é insuficiente para libertar completamente a pessoa, pois ela só se torna completamente livre quando consegue atingir o segundo estágio. É por isso que a Torá ressalta que "Naquele dia D'us libertou Israel das mãos do Egito", pois foi somente quando o povo judeu viu os egípcios mortos na praia, isto é, quando as força de negatividade foram completamente destruídas, que o povo judeu foi capaz de se libertar completamente da escravidão egípcia.

Por que este ensinamento é tão importante? De acordo com o Rav Yehonasan Gefen, a maioria das pessoas não sabe que existem dois estágios para se libertar de vícios destrutivos. Para sair de um vício, o primeiro passo é a pessoa reconhecer em que estágio ela se encontra. É muito importante uma pessoa ter claro quando ela ainda se encontra em uma situação na qual não superou completamente sua submissão a algum tipo de influência negativa, pois tudo o que ela fez foi escapar momentaneamente do vício. Esta é uma das estratégias utilizadas para libertar pessoas de certos vícios, fazendo com que elas tenham claridade de que o que elas conseguiram por enquanto foi apenas uma fuga, um primeiro estágio, mas que o processo ainda não está completo. Por exemplo, pessoas que pararam de fumar, mesmo há muitos anos, ainda continuam se definindo como "fumantes". Desta maneira, elas estão constantemente lembrando a si mesmas dos riscos de uma recaída nas armadilhas do vício e, portanto, cuidadosamente evitam até mesmo um único cigarro. Por outro lado, se uma pessoa ainda está no primeiro estágio, mas se convence de que não há mais nenhum resquício de seu vício, então ela se sente pronta para fumar um cigarro com a certeza de que isto não a afetará. Porém, na maioria dos casos, um único e "inofensivo" cigarro é o suficiente para impulsionar a pessoa novamente para as garras do seu perigoso vício.

É possível que estes dois estágios estejam aludidos nas explicações que o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) dá ao explicar os diferentes níveis de Teshuvá (arrependimento). O Rambam, nas "Leis de Teshuvá", afirma que a Teshuvá completa somente pode ser atingida quando a pessoa é colocada exatamente na mesma situação na qual ela previamente tropeçou, mas desta vez ela consegue superar o seu Yetser Hará. Já um nível mais baixo de Teshuvá é quando a pessoa passa pelos 4 estágios necessários (arrependimento, abandonar o erro, confissão e o comprometimento com o futuro), porém ainda não chegou ao nível de superar completamente seu Yetser Hará e, caso passasse pela mesma situação, provavelmente cairia de novo. Provavelmente o Rambam está explicando que o primeiro estágio de Teshuvá se refere a escapar deste Yetser Hará, enquanto o segundo estágio de Teshuvá, a Teshuvá completa, se refere a superar completamente este Yester Hará.

Porém, na prática, como é possível atingir este segundo estágio? Como podemos nos libertar completamente de forças negativas que nos cercam e exercem tanto poder sobre nós, como os desejos e os vícios? Obviamente que não é uma tarefa simples e cada caso necessita de uma análise particular e de uma estratégia específica. Entretanto, há dois pontos esclarecedores que aprendemos da Abertura do Mar. Não foram os judeus que destruíram os egípcios, foi D'us quem destruiu. Isto nos ensina que está além da capacidade humana superar completamente o nosso Yetser Hará, como afirmam os sábios do Talmud (Kidushin 30b): "Diz Rabi Shimon ben Levi: 'O Yetser do ser humano se fortalece e tenta destruí-lo todos os dias... e se não fosse pela ajuda de D'us, não seriamos capazes de derrotá-lo'". Isto significa que, para derrotarmos o nosso Yetser e as forças que nos bloqueiam, precisamos pedir ajuda para D'us.

Por outro lado, também aprendemos do evento da Abertura do Mar que não podemos meramente ficar sentados, aguardando a salvação de D'us. Quando Moshé rezou para D'us, Ele respondeu que Moshé deveria parar de rezar e o povo deveria entrar no mar. Somente depois que o povo deu seus primeiros passos foi que o mar se abriu. Portanto, é essencial a pessoa ter a consciência do enorme esforço, autocontrole e força de vontade exigidos para realmente superar completamente um vício.

Portanto, fica a lição de que é impossível vencer o Yetser Hará e os nossos vícios sem a ajuda de D'us. Por outro lado, a pessoa deve estar disposta a fazer um esforço, para mostrar a D'us que realmente tem vontade de mudar, de melhorar, de escapar daquilo que a bloqueia. Quando a pessoa demonstra para D'us que está preparada, então D'us faz o resto. Somente com esta combinação, a consciência do nosso estágio, a reza para D'us e o nosso próprio esforço, poderemos nos libertar completamente de tudo o que não nos deixa crescer.  

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
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