quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

ÓDIO E PERDÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT MISHPATIM 5778

BS"D
O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de: 
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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ÓDIO E PERDÃO - PARASHAT MISHPATIM 5778 (09 de fevereiro de 2018)

"Raquel era uma excelente funcionária. Era atenciosa, educada e eficiente no trabalho, pois gostava muito do que fazia. No entanto, ocorreram mudanças na empresa e ela tornou-se subordinada de uma chefe terrível. Quando Raquel chegava pela manhã e falava "bom dia", a chefe perguntava por que ela não havia chegado mais cedo. Se ela chegava antes da hora, a chefe perguntava se ela não sabia os horários do expediente. Era uma mulher má, implicava com tudo. Raquel começou a sentir cada vez mais ódio daquela mulher, um ódio que a consumia. Chegava em casa estressada e acabava descontando em pessoas que não mereciam. Até que, certo dia, Raquel decidiu pedir demissão. Ela pensou: "Vou  embora, mas antes vou dizer para aquela mulher insuportável tudo o que está preso aqui dentro".
 
Exatamente naquele dia, enquanto Raquel estava almoçando, ela conheceu Rebeca, a nova responsável pela área de recursos humanos da empresa. Uma das funções de Rebeca era justamente motivar os funcionários. Ela convidou Raquel para assistir a um treinamento que ocorreria naquela tarde. Em um primeiro momento Raquel não quis participar, pois escutaria um sermão da chefe caso atrasasse. Porém, quando lembrou que no dia seguinte pediria demissão, resolveu ir ao treinamento. E aquele ato mudou sua vida, pois ali ela ouviu sobre a força do perdão. 

Rebeca começou a palestra com as seguintes palavras: "O perdão não é algo que devemos fazer pelos outros, ele é bom para nós mesmos. Se você perdoar alguém que o ofendeu, o agressor continuará do mesmo jeito, mas você se sentirá melhor. Se você perdoar um mentiroso, ele continuará sendo um mentiroso, mas você não se sentirá mal por causa das mentiras dele. Quando perdoamos, tiramos um enorme peso das costas". Ao término do treinamento, Raquel concluiu que sua chefe era doente. Naquele momento ela tomou uma decisão: "Vou perdoá-la. Assim não vou permitir mais que ela me atormente e nem vou abandonar o trabalho que eu gosto tanto por causa dela". 

No dia seguinte, Raquel chegou e cumprimentou sua chefe, que respondeu com uma bronca pelo atraso no dia anterior. Porém, a chefe percebeu que, apesar da dura bronca, Raquel tinha um sorriso diferente no rosto. Quando questionada sobre o motivo daquele sorriso, Raquel explicou que havia participado de um treinamento na empresa e que estava bem consigo mesma. Além disso, tomou coragem para convidou a chefe para tomar um chá no final da tarde. A resposta veio grosseira: "Você está me convidando só para eu não descontar seu atraso?". Raquel respirou fundo e respondeu calmamente: "A senhora pode até descontar as minhas horas, mas eu insisto no nosso chá".
 
Ao fim da tarde elas estavam sentadas juntas na mesa. Durante o chá, a chefe falou da sua surpresa por ter sido convidada. No fundo ela sabia que havia se tornado uma pessoa insuportável e que os funcionários não gostavam dela. Ela nunca havia recebido um convite de seus subordinados. Acabou falando, em um desabafo, de suas dores e sofrimentos. Contou que frequentemente apanhava do marido, um homem abusivo, e que seu filho vivia em um mundo de drogas. Por ser tão infeliz, acabava odiando as pessoas e descontando suas frustrações nos outros.

Semanas depois, era a própria chefe que comparecia ao treinamento de Rebeca a respeito do perdão". 

"Sentir ódio é como beber um copo de veneno esperando que o outro morra. Perdoar é libertar-se"

Nesta semana lemos a Parashat Mishpatim (literalmente "Juízos"), que trata principalmente das leis de compensação monetária nos casos em que haja danos envolvidos. A Parashat também ensina outras leis que envolvem cuidados nos relacionamentos interpessoais, como a obrigação de ajudarmos os menos afortunados e a proibição de causar sofrimentos, físicos ou psicológicos, às outras pessoas, em especial as mais fragilizadas e carentes.
 
A Parashat começa com um assunto bastante incomum nos dias de hoje: o conceito de escravidão. O "Eved Ivri" (escravo judeu) era um judeu que trabalhava como escravo pelo período de 6 anos para outro judeu, sendo libertado no sétimo ano. Mas como pode ser que a Torá, que nos ensina tanto sobre o cuidado com o próximo, permitia que existisse escravidão? A resposta é que, apesar de estarmos acostumados com a ideia de que um escravo é maltratado e passa por sofrimentos e torturas terríveis nas mãos de seu dono, não é este o conceito ensinado pelo judaísmo. A Torá exige do dono de um escravo um tratamento tão humano e tão decente que os nossos sábios afirmam: "Quem adquire um escravo está adquirindo para si um dono".
 
Mas por que uma pessoa passava pela situação temporária de se tornar escrava? Rashi (França, 1040 - 1105) explica que havia duas maneiras de um judeu virar escravo de outro judeu. A primeira maneira era quando uma pessoa se encontrava em uma situação de pobreza tão grande que precisava se vender como escravo para poder sustentar sua família. Além do dinheiro da venda, durante os 6 anos de escravidão o dono também precisava sustentar a família do escravo judeu. Isto dava para a pessoa uma nova perspectiva de vida e a chance de um recomeço. Outra possibilidade era quando alguém roubou um objeto e, ao ser pego pelo seu crime, não tinha dinheiro para ressarcir ao dono do objeto o que foi roubado. Neste caso, a venda feita pelo Beit Din (Tribunal Rabínico) era a forma de conseguir o dinheiro necessário para ressarcir ao dono do objeto roubado. Porém, por que a Torá nos comanda a tratar bem todos os escravos, se parte deles eram ladrões, pessoas de má índole que haviam cometido crimes?
 
A mesma pergunta surge em outro assunto da Parashat, relacionado com a obrigação de ajudarmos um inimigo, como está escrito: "Se você vir o burro de alguém que você odeia caído sob a sua carga... você deverá certamente ajudá-lo" (Shemot 23:5). A Torá está ensinando a importante Mitzvá de nos importarmos com o sofrimento dos animais, nos proibindo de ficarmos impassíveis diante de um burro que colapsou sob o peso de sua carga e não consegue se reerguer sozinho. Porém, para nos ensinar esta Mitzvá, por que a Torá utilizou o caso de alguém que odeia outra pessoa? Não é uma proibição grave sentirmos ódio por alguém? A Torá veio nos ensinar uma Mitzvá através de uma transgressão? De acordo com o Talmud (Pessachim 113b), este caso se trata de alguém que sente um ódio permitido. Por exemplo, quando alguém testemunhou graves transgressões cometidas por uma pessoa que não tem temor a D'us e por isso sente ódio dela. Mas se o ódio é permitido, então por que a Torá nos obriga a ajudar a pessoa? Não deveríamos deixá-la sofrendo para que reflita sobre seus maus atos?
 
Explicam os nossos sábios que a pessoa deve ajudar o transgressor para que, desta maneira, possa controlar o seu próprio Yetser Hará (má inclinação). Quando uma pessoa odeia seu companheiro, automaticamente o outro sente este ódio e se comportará com uma atitude de ódio recíproco, causando que se crie um sentimento cada vez mais intenso de ódio entre eles. Portanto, aquele ódio inicial, que era permitido, se transformará em uma briga pessoal, proibida pela Torá. Desta maneira, a pessoa iniciaria cumprindo uma Mitzvá, mas terminaria fazendo uma transgressão. O ódio é como um fogo, que normalmente começa sob controle, mas facilmente se espalha, destruindo tudo o que vê pela frente. É por isso que a Torá nos comanda a ajudarmos a erguer o burro da pessoa que odiamos, mesmo que é um ódio permitido, pois assim não haverá o perigo do "fogo" do ódio sair de controle.
 
O Rav Shlomo Wolbe zt"l (Alemanha, 1914 - Israel, 2005) se aprofunda um pouco mais no assunto do ódio permitido pela Torá. Devemos ser extremamente cuidadosos quando sentirmos ódio por presenciarmos uma pessoa cometendo graves transgressões, pois temos apenas a permissão de odiarmos os maus atos da pessoa, mas é uma grave proibição odiarmos o transgressor. A Torá nos ordena a amarmos o próximo como a nós mesmos, e isto se aplica para todos. Devemos amar mesmo os transgressores e odiar apenas os seus maus atos. De acordo com o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936), somente pessoas muito elevadas espiritualmente realmente conseguem fazer a devida separação entre o mau ato e a pessoa que o comete. A grande maioria não consegue chegar neste nível e, portanto, acaba sentindo ódio pela própria pessoa, caindo em uma grave transgressão. Portanto, é apropriado que, apesar de ser um ódio permitido, ajudemos a pessoa que odiamos, para aprendermos a odiar apenas os maus atos, mas não as pessoas.
 
Nos chama a atenção a diferença que há entre as leis da Torá e a forma como a Sociedade Ocidental lida com os transgressores. Quando alguém é acusado de um crime, mesmo que ainda não existem provas, a transgressão já é revelada publicamente, arruinando a vida da pessoa. Mesmo alguém que foi inocentado fica com o seu nome "sujo" para o resto da vida, nas redes sociais e nos mecanismos de busca online. Já a Torá nos ensina a fazermos o contrário. Devemos respeitar o ser humano de uma maneira exemplar, mesmo quando se trata de um transgressor. Mesmo um ladrão deve ser tratado de uma maneira respeitável, pois devemos odiar apenas os seus maus atos. De acordo com a Torá, quando o ladrão pode ressarcir o dano que causou, ele deve devolver os bens roubados ou dar esta quantia em dinheiro ao dono, sem que ninguém da sociedade fique sabendo o que ocorreu, evitando uma humilhação pública. A pessoa não deve ser exposta por ter cometido um erro. Somente no caso em que a pessoa não está mais com o objeto roubado e não tem condições de pagar por ele é que ela é vendida como escravo. E, mesmo neste caso, a venda não é feita para castigar ou humilhar a pessoa, e sim para possibilitar que ela pague a sua dívida.
 
Talvez uma das mensagens mais importantes que a Torá está nos transmitindo é a necessidade de perdoarmos aqueles que fazem o mal. Devemos obviamente odiar o mau ato, pois vai contra a vontade de D'us. Porém, devemos perdoar a ter misericórdia do transgressor, dando a ele uma nova chance e a possibilidade de se reerguer e consertar sua vida. Não sabemos quais foram as dificuldades que levaram uma pessoa a cometer uma transgressão. Não sabemos quais foram as oportunidades que uma pessoa teve na vida. Por isso, o perdão é algo central no judaísmo e nos ensina a não julgarmos uma pessoa até estarmos no lugar dela.

Porém, o mais importante é lembrarmos que o perdão é, acima de tudo, algo benéfico para nós mesmos, pois tira um imenso peso das nossas costas. Quando odiamos, carregamos dentro de nós um sentimento que queima e destrói. Além disso, se prestarmos atenção, perceberemos que na maioria das vezes sentimos ódios que não são justificados. Se mesmo quando um ódio é permitido a Torá nos comanda a o tirarmos do coração, muito mais um ódio proibido. Por causa do ódio gratuito o nosso Beit HaMikdash (Templo Sagrado) foi destruído. Se conseguirmos vencer nosso ódio e diferenciar entre o ato e a pessoa, certamente estaremos trazendo ao mundo salvação e paz.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ MISHPATIM 5778:

                   São Paulo: 19h30  Rio de Janeiro: 19h16                    Belo Horizonte: 19h14  Jerusalém: 16h45
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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