sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ ITRÓ 5774

BS"D

ABRINDO OS OUVIDOS - PARASHÁ ITRÓ 5774 (17 de janeiro de 2014)

"Fábio era uma boa pessoa, tentava melhorar em todas as áreas da vida, mas havia algo que ele não conseguia mudar: seu egoísmo. Isto atrapalhava muito seus amigos e familiares, a ponto de muitos irem se queixar com o rabino da cidade sobre o seu comportamento. Após quebrar muito a cabeça, o rabino teve uma ideia de como ajudar Fábio a mudar sem deixá-lo chateado. Ele preparou um discurso inteiro falando das vantagens de fazer bondades com o próximo e o quanto era negativo ser uma pessoa egoísta. Mudando os nomes e alguns detalhes, o rabino queria ilustrar o discurso com as próprias situações que as pessoas haviam se queixado sobre Fábio, para ver se assim ele percebia que o discurso era para ele.

Quando chegou o Shabat, a sinagoga estava lotada. O rabino procurou e reconheceu Fábio sentado em uma das primeiras fileiras. Então ele começou seu discurso cheio de energia, emocionando as pessoas. Ele citou os exemplos de problemas que o egoísmo causa, e constantemente olhava para Fábio, tentando perceber se ele esboçava algum tipo de reação. E ele ficou muito contente ao perceber que Fábio escutava suas palavras com muito interesse. Para aumentar a sua felicidade, quando ele terminou o discurso, Fábio imediatamente se levantou e caminhou em sua direção. O rabino ficou esperançoso que Fábio havia entendido o recado e o estava procurando para pedir ajuda para mudar. Mas o que Fábio disse quase fez o rabino desmaiar. Com um grande sorriso no rosto, ele falou:

- Rabino, que belas palavras você falou hoje. Que discurso inspirado, me tocou profundamente. Coitado daqueles que são egoístas. Foi uma grande pena, pois um amigo meu, que era quem realmente precisava ter escutado estas palavras, infelizmente não pôde vir hoje. Rabino, acho bom você repetir este discurso para ele, pois ele é egoísta e precisa melhorar muito..."

Enquanto não aprendermos a escutar as críticas, enquanto sempre procurarmos os defeitos nos outros, esquecendo que primeiro devemos procurar em nós mesmos, estaremos perdendo excelentes oportunidades de melhorar e crescer espiritualmente.

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Nesta semana lemos a Parashá Itró, que traz dois assuntos muito importantes. O primeiro assunto é o reencontro de Moshé Rabeinu com seu sogro Itró no meio do deserto. Mas por que Itró foi procurar Moshé? A Parashá começa com as seguintes palavras: "E escutou Itró". Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, explica que Itró escutou os eventos milagrosos da abertura do Mar Vermelho e da guerra contra o povo de Amalek, e por isso decidiu unir-se ao povo judeu. O segundo assunto é a entrega da Torá no Monte Sinai, que ocorreu depois da revelação de D'us diante de todo o povo judeu.

A entrega da Torá foi um evento que mudou o curso da história da humanidade, foi o que deu sentido para a criação do ser humano. Será que este evento tão grandioso não merecia uma Parashá inteira somente para ele? Por que o reencontro de Itró com Moshé precisou ser escrito na mesma Parashá da entrega da Torá? Além disso, segundo Rashi, Itró se uniu ao povo judeu somente depois da entrega da Torá. Então por que foi importante a Torá mencionar a vinda dele antes da entrega da Torá?

Explica o Rav Zev Leff que a conexão entre os dois assuntos nos ensina uma importante preparação para o recebimento da Torá. Há dois motivos pelos quais foi importante relatar a vinda de Itró antes da entrega da Torá. Em primeiro lugar, quando está escrito na Torá "E escutou Itró", parece que apenas ele escutou. Mas o Zohar (parte mística da Torá) afirma que todas as nações do mundo também escutaram sobre a abertura do mar e a guerra contra Amalek. Então qual foi a diferença entre Itró e o resto do mundo? Todas as pessoas escutaram o que aconteceu, mas continuaram suas vidas sem nenhum tipo de mudança ou busca pela verdade, enquanto Itró ouviu e internalizou as informações. Ele refletiu, procurou a verdade, e finalmente concluiu que deveria buscar a Torá.

Outro motivo para ensinar sobre a vinda de Itró está relacionado com a crítica que ele fez sobre o sistema que Moshé utilizava para julgar o povo. Moshé julgava sozinho o povo todo, cansando a si mesmo e as pessoas, que precisavam passar o dia esperando para serem atendidas. Itró sugeriu que Moshé não deveria ficar com todo o peso do julgamento sobre suas costas, ele deveria distribuir os julgamentos em tribunais menores, e somente os casos mais difíceis chegariam até ele. Moshé sabia que o sistema que ele utilizava era pesado para ele e para o povo, mas ele queria fazer com que as pessoas o procurassem quando houvesse alguma disputa, e assim ele aproveitaria o contato com as pessoas para ensinar a elas um pouco mais de Torá. Apesar de Itró ser um homem muito sábio, com uma grande bagagem acumulada com as buscas pela verdade que havia feito na vida, ele não chegava aos pés de Moshé. Além disso, Itró nunca havia sido exposto à sabedoria da Torá. Moshé poderia simplesmente ter escutado a sugestão de Itró e depois ter educadamente rejeitado, sem nem mesmo levá-la em consideração. Mas Moshé demonstrou sua grandeza ao escutar com atenção as palavras de Itró, que o levaram a uma reflexão mais profunda e à conclusão de que seu sogro estava certo. No final, Moshé Rabeinu acabou acatando a sugestão de Itró e mudou todo o sistema de justiça do povo judeu, cumprindo o que está escrito: "Quem é o sábio? Aquele que aprende de todas as pessoas" (Pirkei Avót 4:1).

Isto quer dizer que o motivo da Torá ter antecipado a vinda de Itró foi para nos ensinar uma das características mais importantes para que uma pessoa possa crescer espiritualmente: a capacidade de escutar o que os outros têm para dizer, principalmente se for uma crítica, algo que pode ser melhorado. Tanto Itró quanto Moshé demonstraram que seu crescimento espiritual somente foi possível pela capacidade que eles adquiriram de escutar de verdade.

Este mesmo ensinamento é repetido durante a entrega da Torá. Entre os milagres que aconteceram no Monte Sinai, um deles foi que os sentidos físicos das pessoas se alteraram, como está escrito: "E o povo inteiro viu os sons" (Shemot 20:15). Mas para que foi necessário este milagre? Explica o Rav Zev Leff que a audição não necessita de nenhuma preparação, pois os sons de todas as direções são recebidos pelo ouvido sem a necessidade de focar ou se virar para a direção de onde vem o som. Já a visão é mais seletiva, pois vemos apenas se abrimos os olhos e focamos em algum objeto ou paisagem. Quando D'us nos permitiu ver os sons, Ele estava nos ensinando uma preciosa lição: devemos escutar com o mesmo foco que utilizamos na visão. Muitos sons chegam aos nossos ouvidos, mas apenas aquele que aprende a focar sua audição consegue absorver as mensagens contidas em cada coisa que escutamos.

Uma das qualidades mais importantes para uma pessoa que quer crescer espiritualmente é saber escutar o que é dito para ela, principalmente em relação às críticas. Em geral temos a tendência de nos esquivar das críticas, atribuindo o que está sendo dito a outras pessoas. O próprio formato do ouvido nos ensina esta importante lição. A parte externa do ouvido tem o formato de um funil, e tem a função de trazer para a parte interna do ouvido os sons captados externamente. Isto nos ensina que quando escutamos uma crítica, devemos escutar como se tivesse sido dito diretamente para nós.

A Torá traz um exemplo das graves consequências de não querer escutar. Cain e Hevel (Abel) protagonizaram o primeiro assassinato da história da humanidade. Motivado pela inveja, Cain se levantou e matou seu irmão Hevel. Antes do assassinato, Cain e Hevel se encontraram no campo e conversaram, mas a Torá não conta qual foi o conteúdo da conversa. Ibn Ezra (Espanha, 1089 -1167), comentarista da Torá, explica que D'us havia dado uma bronca em Cain, como está escrito: "Se você melhorar, então você será perdoado, mas se não, o pecado estará na entrada, e sobre você estará o desejo, mas você pode controlá-lo" (Bereshit 4:7). Como a grande maioria das pessoas, ao invés de Cain escutar a bronca de D'us, ele achou que era para os outros, não para ele. Como só havia Hevel, ele entendeu então que a bronca era para Hevel, e repetiu-a para ele. Uma discussão se iniciou e terminou com o primeiro assassinato da história. Tudo porque Cain, ao invés de escutar a crítica, preferiu achar que ela era para os outros.

Temos uma tendência natural de achar que estamos sempre certos, e ficamos cegos em relação ao que não condiz com nossa opinião. Moshé, Itró e todos os outros que chegaram à grandeza espiritual certamente adquiriram a capacidade de escutar. O Midrash (parte da Torá Oral) afirma que há aqueles que escutam e perdem, e há aqueles que escutam e lucram. Escutar corretamente as coisas é a chave para o sucesso. Antes mesmo de escutarmos no Monte Sinai "E disse D'us", a Torá nos ensinou o que significa escutar. Pois a menos que haja um ouvido que escute, mesmo as mensagens mais poderosas, vindas diretamente de D'us, acabarão se perdendo para sempre.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BESHALACH 5774

BS"D


A FORÇA DE UM BOM ATO - PARASHÁ BESHALACH 5774 (10 de janeiro de 2014)

Daniel certa vez procurou seu rabino para fazer uma pergunta que o incomodava muito. Ele queria saber por que valia a pena se esforçar tanto para fazer boas ações, se mais cedo ou mais tarde acabaria fazendo alguma transgressão e colocaria tudo a perder. O rabino respondeu com uma interessante comparação:

- Meu querido Daniel, imagine se você estivesse em um lugar onde há uma paisagem de tirar o fôlego. Então você não resiste e tira uma bela fotografia, que depois é colocada em uma linda moldura. Se você fosse ao mercado vender, quanto você acha que conseguiria por ela? Talvez uns 30 ou 40 reais no máximo.

- Porém o que aconteceria - continuou o rabino - se você fosse ao mesmo lugar, visse a mesma paisagem, mas ao invés de fotografa-la, você pegasse uma tela, passasse o mês inteiro pintando a cena de forma artística e depois emoldurasse. Se você fosse ao mercado, poderia vender esta tela por mais de mil reais. Porém, não é estranha esta diferença de valores? A fotografia é muito mais perfeita, contém cada pequeno detalhe da paisagem, enquanto a pintura, apesar da beleza, capta apenas algumas partes da cena. Sabe por que esta diferença de valores? Pois na verdade é o esforço que conta.

- Esta é a resposta para sua pergunta - concluiu o rabino - os anjos têm a perfeição da fotografia, nunca cometem transgressões. Mas a perfeição deles não tem tanto valor aos olhos de D'us, pois vem sem esforço. Já os seres humanos são imperfeitos. Apesar das coisas boas que fazemos, ocasionalmente também cometemos erros, mas é o nosso esforço para melhorar que nos torna tão preciosos aos olhos de D'us.

Daniel saiu de lá feliz. Ele entendeu que as transgressões, apesar de serem graves, não apagavam os méritos de seus bons atos. Por isso valia a pena se esforçar para crescer um pouco mais a cada dia.

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Na Parashá desta semana, Beshalach, após a praga que matou todos os primogênitos egípcios, o povo judeu finalmente saiu do Egito, como está escrito: "E eis que, quando o Faraó enviou o povo (judeu)" (Shemot 13:17). Mas sabemos que o povo judeu foi libertado diretamente por D'us, e não pelo Faraó. Então por que está escrito "quando o Faraó enviou", como se o Faraó tivesse feito um ato de bondade conosco?

Responde o Midrash (parte da Torá Oral) que o Faraó, no momento em que os judeus estavam saindo do Egito, deu alguns passos para acompanhá-los. O Midrash vai além e afirma que, por estes poucos passos, além do mérito de ter sido escrito na Torá que foi o Faraó que enviou o povo judeu para a liberdade, os egípcios também meritaram a Mitzvá de "Não abominarás o egípcio, pois você foi um estrangeiro na terra dele" (Devarim 23:8).

Mas este Midrash desperta muitos questionamentos. Aquele mesmo Faraó havia negado D'us ao dizer "Quem é Hashem para que eu escute Sua voz?" (Shemot 5:2). Ele também havia endurecido seu coração mesmo com as terríveis pragas que D'us mandou sobre o Egito. Além disso, ele havia permitido a saída do povo judeu somente motivado pelo medo de morrer, já que ele também era um primogênito. Como pode ser que uma pessoa assim tão ruim conseguiu causar um "ruído" tão grande nos mundos espirituais, a ponto da Torá gravar para sempre o mérito dele ter acompanhado o povo judeu na saída do Egito? E mais ainda, como pode ser que, por ter dado alguns passos, o Faraó tenha meritado uma Mitzvá na Torá, apesar de todas as maldades que ele fez?

Responde o Rav Yehuda Leib Chassman (Lituânia,1869 - Israel, 1935) que este Midrash está nos ensinando um importante fundamento, que nos ajuda a perceber como cada pequeno ato pode ter consequências espirituais muito grandes em nossas vidas. Na criação do ser humano está escrito: "E D'us criou o ser humano do pó da terra, e soprou em seu nariz uma alma de vida" (Bereshit 2:7). Este versículo não quer dizer apenas que o ser humano é composto de duas forças, uma espiritual, representada pela alma soprada por D'us, e uma material, representada pelo pó da terra. O versículo também nos ensina que cada ato e cada pensamento do ser humano contém estas duas forças, isto é, uma parte física e uma parte espiritual. A nossa alma é parte de D'us, e da mesma forma que Ele é ilimitado e eterno, a alma que Ele soprou dentro de nós também é ilimitada e eterna. Apesar de não conseguirmos captar com o nosso entendimento limitado o conceito de "eternidade", uma vez que o mundo material tem fim e limite, de qualquer maneira este conceito existe no mundo espiritual.

Explica o Rav Chassman que quando uma pessoa faz um ato, este ato sobe aos mundos espirituais e é dividido em incontáveis pedaços, para que D'us possa indicar quais partes do ato são mais elevadas e pertencem à alma e quais partes são mais baixas e pertencem ao corpo. Apenas D'us, em Sua sabedoria ilimitada, pode fazer este tipo de avaliação, tão precisa e minuciosa. Nenhum detalhe passa em branco, nenhuma informação é perdida.

Portanto, até mesmo um Rashá (malvado) como o Faraó, que endureceu seu coração e não queria libertar o povo judeu, quando surgiu em seu coração uma pequena faísca de bondade e ele quis libertar o povo judeu, a ponto de até mesmo acompanhá-los com alguns passos, isto revelou um pequeno pedaço de bondade escondida dentro de incontáveis partes de maldade absoluta. E mesmo este ínfimo pedaço não passou despercebido aos olhos de D'us, pois por ser uma parcela espiritual e eterna, este pedaço cresceu e aumentou até que seu brilho fez com que as palavras "o Faraó enviou o povo" fossem gravadas para sempre na Torá, e também trouxe méritos para que D'us nos ordenasse a Mitzvá de "Não abominarás o egípcio". Como o Faraó despertou em seu coração uma fagulha espiritual eterna, então ele meritou, Midá Kenegued Midá (medida por medida), uma recompensa eterna.

Daqui aprendemos a força espiritual de um bom ato ou um bom pensamento. Se apenas uma fagulha de bondade no coração do Faraó conseguiu despertar uma força espiritual tão grandiosa, qual será então a recompensa de uma pessoa que dedica sua vida a fazer bons atos e a cumprir a vontade de D'us? Apesar de não podermos captar a real dimensão do que ocorrerá nos mundos espirituais, fica claro, através deste ensinamento da Parashá, o quanto vale a pena nos esforçarmos para melhorar um pouco mais a cada dia, aperfeiçoando nossos atos e nossas características. Até mesmo a vontade e o esforço de fazer o que é correto, apesar das dificuldades, é levado em consideração.

Por outro lado, temos um potencial tão grande que, se não aproveitado, pode ter consequências desastrosas. No final da Parashá está descrito o primeiro encontro do povo judeu com Amalek, nosso maior inimigo, o povo descendente de Essav. A maldade de Amalek é tanta que temos uma Mitzvá especial de apagar do mundo qualquer lembrança sua, como está escrito: "Eu vou certamente apagar a lembrança de Amalek sob os céus... D'us mantém uma guerra contra Amalek, de geração em geração" (Shemot 17:14,16). Por que um castigo tão duro para o povo de Amalek, uma guerra eterna contra eles?

D'us escreveu sobre Amalek justamente nesta Parashá, onde está descrita a recompensa eterna do Faraó, para nos ensinar que, diferente do Faraó, que conseguiu despertar no seu coração pelo menos uma fagulha de bondade, os Amalekim representam a total falta de boas características e de Emuná (fé). Seus atos são tão baixos, tão negativos, tão destrutivos, que não resta nem mesmo uma fagulha de espiritualidade. Pelo fato do povo de Amalek tentar apagar do mundo a espiritualidade, que é eterna, então D'us castigou-o, Midá Kenegued Midá, com a Mitzvá de apagar a memória de Amalek e guerrear contra ele para sempre. Ao trazer o assunto de Amalek a Torá quis ressaltar que, apesar de todo o potencial de bondade que o ser humano tem, o mau uso do nosso livre arbítrio pode nos fazer afundar em maldades e aumentar nossas transgressões a ponto de destruir qualquer espiritualidade nos nossos atos, apagando a luz da nossa alma.

D'us não despreza nenhum bom ato, nem mesmo um bom pensamento. Ele vê as nossas dificuldades e o nosso esforço. Mesmo quando fracassamos, Ele sabe quando tentamos de verdade. Por isso, não podemos desistir, apesar de às vezes o trabalho parecer difícil demais. Se ao menos tentarmos, com todas as nossas forças, assim estaremos garantindo que, mesmo dentro de um fracasso, haverá muitos sucessos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BÔ 5774

BS"D


O VALOR DE CADA UM - PARASHÁ BÔ 5774 (03 de janeiro de 2014)

"O Rav Shlomo Heimann (Bielorússia, 1892 – EUA, 1945) era um dos professores da Yeshivá Torá Vadaat, nos Estados Unidos, e dava diariamente aula para um grupo enorme de alunos, com mais de cem estudantes. Ele era muito conhecido pela sua energia e entusiasmo, conseguindo prender a atenção de todos os alunos, mesmo com a sala de aula completamente lotada.

Certo dia, uma pesada nevasca caiu na cidade, bloqueando as ruas e impossibilitando as pessoas de se locomoverem. Somente quatro alunos conseguiram vencer a neve e chegar à Yeshivá. Apesar disso, o Rav Heimann deu sua aula com a mesma energia e entusiasmo de sempre, como se a sala estivesse com uma centena de alunos escutando. Um dos seus alunos, ao final da aula, perguntou:

- Rav, se você estava dando aula para apenas quatro alunos, por que precisou gastar tantas energias, gritando e gesticulando como se estivesse diante de centenas de alunos?

- Não estava dando aula para apenas quatro alunos – respondeu o Rav Heimann – Mas para vocês, seus filhos, netos, e todos os futuros descendentes e alunos que sairão de vocês. Por isso, a sala não estava vazia, ao contrário, ela estava bem cheia..."

O valor de uma pessoa não é medido apenas por ela mesma, mas também por todos os descendentes que virão futuramente. Portanto, cada um faz muita diferença, como ensinam nossos sábios: "Quem salva uma vida, salva o mundo inteiro"

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Na Parashá desta semana, Bô, D'us mandou as últimas três pragas, devastando completamente o Egito e acabando de vez com a resistência do Faraó, que finalmente concordou em libertar o povo judeu. As pragas atingiram somente os egípcios e seus bens, mas os judeus, que viviam na cidade de Goshen, não foram atingidos, como está escrito: "Havia uma escuridão espessa em toda a terra do Egito por três dias... E para os Filhos de Israel havia luz em suas moradias". (Shemot 10:22,23).

Porém, nossos sábios ensinam que a praga da escuridão sim afetou de certa maneira o povo judeu. Rashi (França, 1040 - 1105), citando um Midrash (parte da Torá Oral), afirma que apenas um quinto do povo judeu saiu do Egito, conforme está escrito no versículo "Os filhos de Israel estavam armados quando saíram do Egito" (Shemot 13:18). A palavra "armados", que em hebraico é "chamushim", também significa "um quinto". O que aconteceu com os outros quatro quintos do povo? Morreram e foram enterrados durante a praga da escuridão, para que os egípcios não percebessem e não achassem que os judeus também estavam sendo atingidos pelas pragas.

Mas este Midrash citado pelo Rashi desperta muitos questionamentos. Em primeiro lugar, a Torá diz que havia 600 mil homens no Monte Sinai no momento da entrega da Torá. Considerando também as mulheres e as crianças, chegamos à conclusão de que mais de 3 milhões de judeus saíram do Egito. Segundo o Midrash, isto representava apenas 20% do povo e, portanto, havia mais de 15 milhões de judeus no Egito. A escravidão, que durou 210 anos, começou logo depois da morte dos filhos de Yaacov. Se Yaacov havia ido ao Egito com apenas 70 pessoas, como pode ser que em tão pouco tempo já havia 15 milhões de judeus no Egito? Além disso, se morreram 12 milhões de judeus durante a praga da escuridão, este evento teve consequências muito mais terríveis para o povo judeu do que todos os castigos que os egípcios receberam nas 10 pragas. Afinal, quem estava sendo castigado, o povo judeu ou os egípcios? E finalmente, se os judeus morreram durante a praga da escuridão justamente para que os egípcios não percebessem, será que adiantou? Os egípcios não notaram o sumiço repentino de 12 milhões de judeus, se sobraram apenas 3 milhões?

Responde o Rav Shimon Shwab que o Midrash não deve ser entendido de forma literal. Na verdade, durante a praga da escuridão, apenas um número pequeno de judeus morreu. Provavelmente eram judeus muito Reshaim (malvados), que não tinham o mérito para serem salvos do Egito e se tornarem parte do povo judeu, somente uma minoria. Mas então por que o Midrash diz que um número tão grande de judeus morreu? Pois o Midrash não está levando em conta apenas os poucos judeus que efetivamente morreram no Egito, mas também todos os seus descendentes, milhões de pessoas que sairiam deles nas futuras gerações.

Porém, se estes poucos que morreram eram pessoas tão ruins, que não mereciam nem mesmo fazer parte do povo judeu por estarem completamente afastados de D'us, então por que o Midrash dá tanta ênfase aos seus futuros descendentes? Para nos ensinar que a perda de cada judeu é causa de uma dor ilimitada para D'us, não importa o quanto este judeu esteja afastado dos caminhos corretos. Mais do que a dor pela perda da própria pessoa é a dor pela perda dos futuros Tzadikim (Justos) que estariam entre os descendentes desta pessoa, e que se perderam para sempre.

Este conceito também pode ser visto no primeiro assassinato da história. Após Cain ter matado seu irmão Hevel (Abel), D'us falou para ele: "O que você fez? As vozes dos sangues do seu irmão estão gritando por Mim a partir da terra" (Bereshit 4:10). Por que está escrito "as vozes dos sangues", ao invés de "a voz do sangue"? O Talmud (Sanhedrin 37a) responde que não apenas o sangue derramado de Hevel gritava por D'us, mas também o sangue de todos os seus potenciais descendentes, que nunca chegariam a viver. Isto quer dizer que o crime hediondo de Cain não foi apenas assassinar uma única pessoa, mas destruir o potencial dos milhões de descendentes que sairiam dele.

Moshé também conhecia bem este conceito. Quando ele viu um egípcio covardemente golpeando um judeu, com intenção de matá-lo, Moshé se levantou para protegeu a vida de seu irmão judeu. Ele então matou o egípcio, como está escrito: "Ele olhou para um lado e para o outro lado e não viu nenhum homem, e então ele golpeou o egípcio e o enterrou na areia" (Shemot 2:12). Rashi explica que as palavras "olhou para um lado e para o outro e não viu nenhum homem" significa que Moshé viu, através de seu elevado nível profético, que daquele egípcio não sairia nenhum descendente Tzadik. Isto quer dizer que se houvesse apenas um descendente Tzadik que sairia daquele egípcio, talvez Moshé teria poupado a vida dele.

É por isso que o Holocausto foi uma tragédia tão grande para o povo judeu, pois os nazistas não mataram apenas seis milhões de judeus, eles assassinaram incontáveis milhões de vidas inocentes, isto é, todos os potenciais descendentes dos judeus assassinados que nunca viverão.

O Rav Yonathan Guefen faz uma pergunta interessante: se o Midrash demonstra a dor que devemos sentir pela morte de alguns Reshaim, em especial pela destruição de suas futuras descendências, como devemos nos sentir com a situação atual do povo judeu, quando nosso inimigo não é mais um holocausto físico, mas um holocausto espiritual silencioso, chamado "assimilação"? Diferente do Egito, hoje praticamente não existem mais pessoas no nível de serem chamados de Reshaim, mas há milhões de judeus que, educados em casas completamente laicas, cresceram desconectados dos valores da Torá e acabaram perdendo a sua conexão com o judaísmo através de casamentos mistos. Não é apenas o próprio judaísmo da pessoa que se perde com a assimilação, mas também o judaísmo de todos os milhões de futuros descendentes que provavelmente não terão a oportunidade de se conectar com a Torá.

Muito dizem que não é necessário se preocupar com a assimilação, pois apesar das altíssimas taxas de casamentos mistos, que em alguns lugares chega a alarmantes 80%, está profetizado que o povo judeu sempre vai existir, em todas as épocas, até a chegada do Mashiach. Mas este é um pensamento completamente equivocado, pois apesar das profecias garantirem que o povo judeu será eterno, devemos chorar e nos enlutar por cada judeu que se perde, tanto por ele quanto por todos os seus potenciais descendentes que se perderão.

Da mesma forma que nem todo o povo judeu participou da redenção do Egito, infelizmente nem todos terão o mérito de participar da Redenção Final, nos dias do Mashiach. É por isso que cada alma importa muito, e não devemos medir esforços para ajudar a trazer de volta as pessoas mais afastadas do nosso povo. Qualquer esforço vale, nem que seja para trazer de volta apenas um único judeu.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAERÁ 5774

BS"D



UM POUCO MAIS DE SENSIBILIDADE - PARASHÁ VAERÁ 5774 (27 de dezembro de 2013)


"Carlos era uma pessoa simples. Teve uma infância muito pobre, mas batalhou na vida e conseguiu dar boas condições para sua família. Apesar de nunca ter estudado, conseguiu mandar seu filho para uma boa universidade fora do país. Certo dia, chegou em seu escritório um telegrama do seu filho, mas como ele não sabia ler, pediu para que um dos seus funcionários lesse. O funcionário, que havia crescido em uma casa muito abastada, leu o telegrama sem nenhuma sensibilidade, quase aos gritos:

- Pai, terminou meu dinheiro!!! Não tenho dinheiro nem mais para comer ou comprar roupas!!! Preciso de dinheiro urgente!!!

Carlos ficou muito irritado com o descaramento do filho. Jogou o telegrama sobre a mesa e decidiu que não mandaria nem mesmo um centavo ao filho. Ele que aprendesse a ser mais educado.

No dia seguinte, sua esposa passou no escritório e viu o telegrama sobre a mesa. Ela, que também tinha tido uma infância dura, com muitas privações, começou a ler e se emocionou muito:

- Pai, terminou meu dinheiro – e começou a chorar – Não tenho dinheiro nem mais para comer ou comprar roupas – Parou mais uma vez para chorar e finalizou – Preciso de dinheiro urgente...

A mãe mal conseguiu terminar de ler a carta, de tão emocionada. Carlos, ao escutar, falou:

- Já que agora ele está pedindo de maneira tão educada, com certeza vou mandar tudo o que ele precisa..."

A piada pode ser engraçada, mas a falta de sensibilidade com as necessidades do próximo não tem graça nenhuma. Temos que trabalhar muito para desenvolver nossa sensibilidade, a ponto de conseguirmos sentir de verdade o que o outro precisa.


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Na Parashá desta semana, Vaerá, após o Faraó ter se recusado a deixar o povo judeu sair em liberdade, D'us começou a demonstrar a Sua força através das terríveis pragas que devastaram completamente o Egito. Mas D'us não falava diretamente com o Faraó, e sim através de intermediários, como está escrito: "D'us falou com Moshé e Aharon e comandou a eles em relação aos Filhos de Israel e em relação ao Faraó, rei do Egito, para tirar os Filhos de Israel da terra do Egito" (Shemot 6:13). Mas o que significa este versículo? Podemos entender que D'us comandou ao Faraó que libertasse os judeus da escravidão, mas o que D'us comandou ao povo judeu em relação à sua própria libertação?

Explica o Talmud Yerushalmi (Rosh Hashaná 3:5) que o versículo está nos ensinando que os judeus, no momento de sua libertação, receberam um mandamento, a Mitzvá de "Shiloach HaEved". Que Mitzvá é esta? Havia algumas situações em que um judeu poderia se tornar escravo de outro judeu. Por exemplo, se alguém roubava e não tinha dinheiro para devolver o roubo, ele era vendido como escravo e o dinheiro da venda era utilizado para pagar a dívida. Porém, esta escravidão era apenas temporária, pois no ano de Shmitá (ano de descanso das terras em Israel, que ocorre a cada sete anos), os proprietários dos escravos tinham a Mitzvá de libertá-los. Este conceito também é mencionado nas palavras do profeta Irmiahu: "Assim disse Hashem, D'us de Israel: Eu fiz um pacto com seus antepassados no dia em que Eu os retirei do Egito, da casa da escravidão, dizendo: 'No final de sete anos, cada pessoa deve libertar seu irmão judeu'" (Irmiahu 34:13). Estas palavras enfatizam que a Mitzvá de "Shiloach HaEved" foi entregue no momento da libertação dos judeus.

Porém, esta explicação do Talmud Yerushalmi e as palavras do profeta Irmiahu despertam questionamentos. Em primeiro lugar, a Mitzvá de "Shiloach HaEved" somente se aplicava quando estava em vigor a Mitzvá do Yovel (Jubileu), que ocorria a cada 50 anos, ao fim de sete ciclos de Shmitá. Porém, a Mitzvá de Yovel somente começou a vigorar depois que o povo judeu conquistou e dividiu a Terra de Israel entre as tribos, anos depois da morte de Moshé. Portanto, por que D'us achou necessário nos ordenar esta Mitzvá antes mesmo da entrega da Torá no Monte Sinai? Algumas Mitzvót, como o Shabat, foram entregues antes do Monte Sinai para que o povo judeu pudesse cumpri-las imediatamente, mas por que a urgência na Mitzvá de "Shiloach HaEved", se de qualquer maneira ela só poderia ser cumprida depois?

Além disso, ensinam os nossos sábios que o decreto do primeiro exílio do povo judeu foi selado justamente pelo povo ter abandonado a Mitzvá de "Shiloach HaEved". Entendemos que D'us se aborrece quando não cumprimos Suas Mitzvót, mas o que há de tão especial nesta Mitzvá, cujo descumprimento resultou em um castigo tão duro?

Explica o Rav Chaim Shmulevitz (Lituânia, 1902 - Israel, 1979) que antes de tudo precisamos sentir o quanto era difícil para o povo judeu cumprir a Mitzvá de "Shiloach HaEved". Temos que imaginar como se sentia uma pessoa que havia se acostumado, durante sete anos, com o escravo que ele havia adquirido, e o quanto ele dependia do trabalho deste escravo. Por isso, quando chegava o ano de Shmitá, era um teste muito difícil para as pessoas libertarem seus escravos. Porém, por outro lado, as pessoas não podiam esquecer que o escravo não estava contente com a sua situação e desejava muito ser libertado. Ele contava os dias que faltavam para tirar de suas costas o terrível peso da escravidão. Portanto, o que significa que as pessoas deixaram de cumprir a Mitzvá de "Shiloach HaEved"? Que elas se tornaram egoístas, começaram a pensar apenas nas suas próprias necessidades, ignorando os sofrimentos e o sonho de liberdade dos escravos.

Mas se esta Mitzvá era tão difícil de ser cumprida, pelo apego que os donos tinham com seus escravos, por que D'us foi tão duro quando o povo judeu deixou de cumpri-la? Pois D'us havia nos comandado a Mitzvá de "Shiloach HaEved" justamente quando saímos do Egito, da "casa da escravidão", no momento em que estávamos sentindo na própria pele a alegria da grande libertação. Este momento, em que saímos da escravidão para a liberdade, da escuridão para a luz, era o momento ideal para aprender e guardar para sempre a Mitzvá de libertar os escravos, mesmo que o cumprimento dela só ocorreria muitos anos depois. D'us queria aproveitar aquele sentimento, vivenciado pelo povo inteiro, para deixar para sempre a marca nos nossos corações. Ele nos ensinou que, da mesma maneira que estávamos nos sentindo eufóricos com a nossa libertação, assim também futuramente deveríamos ter a sensibilidade com os nossos escravos, que queriam muito voltar para casa, e este sentimento deveria nos ajudar a vencer a dificuldade de libertá-los. D'us foi tão rigoroso no nosso castigo pelo fato de termos sentido na pele o peso da escravidão e mesmo assim não termos nos importado com o sofrimento dos escravos. E mesmo se nós não sentimos pessoalmente, nós relembramos todos os anos, em especial no Seder de Pessach, o quanto foi pesada a nossa escravidão no Egito. Isto deveria ter aberto o coração do povo judeu em todas as gerações.

Desta Parashá aprendemos o quanto D'us exige que sejamos sensíveis com as pessoas que estão passando por dificuldades e sofrimentos. Como chegar neste nível e vencer o nosso egoísmo? Uma das Mitzvót mais importantes da Torá é "Ame ao teu próximo como a ti mesmo" (Vayikrá 19:18). O nosso sábio Hilel (Babilônia, 110 a.e.c – Israel, 10 e.c) explicou esta Mitzvá de uma maneira mais prática: "Não faça aos outros o que você não gosta que te façam". Refletindo sobre as coisas que nos incomodam e nos causam sofrimento, desenvolveremos nossa sensibilidade com os outros. É importante sempre tentar sentir a dor do próximo, mas é ainda mais importante entender a dor dos outros quando nós já passamos pela mesma dificuldade e sentimos, na nossa própria pele, o quanto doeu.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHEMOT 5774

BS"D

LUTANDO CONTRA D'US - PARASHÁ SHEMOT 5774 (20 de dezembro de 2013)

Há cerca de 200 anos viveu um homem temente a D'us, chamado Sr. Moshe Soloveitchik. Como ele havia herdado uma grande fortuna dos seus pais, e entre os bens estavam gigantescas florestas, decidiu entrar no ramo madeireiro, cortando árvores e vendendo com um bom lucro. Na época, a madeira era muito necessária, tanto para cozinhar quanto para o aquecimento das casas no rigoroso inverno europeu.

O Sr. Moshe também era uma pessoa de bom coração. Ele não media esforços para ajudar os necessitados. Sua casa estava com as portas sempre abertas para os pobres, e ele sustentava com alegria muitas instituições de Torá. Porém, por causa dos seus negócios, ele não podia dedicar muito tempo para o estudo da Torá, apesar de gostar muito.

Mas apesar de tanta filantropia, um dia os negócios começaram a desandar e o Sr. Moshe perdeu toda sua fortuna. Todos questionaram como um homem tão caridoso poderia perder de repente toda a sua fortuna. Até mesmo o Rav Chaim Vologziner (Lituânia, 1749 - 1821), o maior rabino da geração, que era muito próximo do Sr. Moshe, se preocupou e convocou algumas pessoas para investigarem as causas espirituais de tamanha perda financeira. Talvez o Sr. Moshe estivesse fazendo transações ilegais, por isso eles foram diretamente procurar nos livros de contabilidade, mas absolutamente nada, nem mesmo uma única transação suspeita, foi encontrada. A única falha que eles encontraram foi que o Sr. Moshe doava para caridade muito mais do que 20% dos seus lucros, ultrapassando o limite permitido pela Halachá (Lei Judaica). Mas o Rav Chaim Vologziner imediatamente rechaçou a hipótese, pois era inaceitável que D'us puniria de forma tão dura uma pessoa por ter um coração tão caridoso.

O que aconteceu após o Sr. Moshe perder todo o seu dinheiro? Ele poderia ter trabalhado dia e noite até reconstruir sua fortuna, de uma forma obstinada e sem limites. Mas ele fez diferente. Ele aceitou a vontade Divina e, agora que lhe sobrava tempo, foi para o Beit Midrash (Centro de estudos de Torá) se dedicar exclusivamente ao estudo da Torá. Pouco a pouco ele revelou talentos ocultos e foi avançando firmemente, até se tornar um dos maiores estudantes de Torá de sua cidade. O Sr. Moshe Soloveitchik, um homem de negócios com poucos conhecimentos de Torá, tornou-se em poucos anos o Rav Moshe Soloveitchik. Com o tempo, ele assumiu o posto de "Av Beit Din" (Chefe do Tribunal Rabínico) da cidade de Kovno. Ele encorajou seus filhos a seguirem seus passos e eles aceitaram o desafio, tornando-se também pessoas muito sábias. Começava então a dinastia dos "Brisk Rav", que encheu o mundo de sabedoria da Torá. Desta dinastia saíram gigantes de Torá como o Beit HaLevi (1820 - 1892), o Rav Chaim Soloveitchik (1853 - 1919) e o Brisker Rav (1886 – 1959).

Somente muito tempo depois o Rav Chaim Vologziner entendeu porque o Rav Moshe Soloveitchik havia perdido toda sua fortuna de uma só vez. Suas ocupações com os negócios não deixavam ele se ocupar com seu maior potencial: o estudo da Torá. D'us então removeu o que o impedia de crescer, abrindo o caminho para que o mundo se enchesse um pouco mais com a luz da Torá.

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Nesta semana começamos o segundo livro da Torá, Shemot. E a Parashá da semana, Shemot, começa a descrever a terrível escravidão do povo judeu no Egito. Um dos piores sofrimentos pelos quais o povo judeu passou foi quando os astrólogos do Faraó previram que estava para nascer o salvador do povo judeu. O Faraó fez grandes esforços para impedir a vinda deste salvador, incluindo o decreto de que todo bebê que nascesse fosse atirado no rio Nilo. O Rav Yaacov Kanievsky, mais conhecido como Steipler (Ucrânia, 1899 – Israel, 1985), ressalta a ironia dos eventos que sucederam o decreto do Faraó. Para salvar a vida de Moshé, sua mãe Yocheved o colocou em uma cesta à deriva no rio Nilo. E ninguém menos do que Batia, a filha do Faraó, encontrou a cesta onde estava Moshé e decidiu criá-lo. Isto quer dizer que o Faraó fez todos os esforços possíveis para matar o salvador do povo judeu, mas acabou criando e alimentando-o em seu próprio palácio.

Explica o Steipler que daqui aprendemos um importante fundamento: quando D'us decreta algo, é impossível mudar Seus planos, mesmo com os maiores esforços. O Faraó se equivocou, achando que seus atos seriam suficientes para mudar o que estava decretado nos mundos espirituais. Ele quis que sua vontade se cumprisse à força, pois vivia na ilusão de que tinha o controle de tudo.

Infelizmente muitas vezes nós também nos comportamos como o Faraó e achamos que temos o controle de tudo. Somos teimosos a ponto de colocarmos nossas forças e energias para tentar mudar decretos Divinos. Um exemplo é na área da nossa Parnassá (sustento). Ensina o Talmud (parte da Torá Oral) que todos os ganhos e perdas de uma pessoa são decretados em Rosh Hashaná. Porém, o que fazemos quando nossa fonte de sustento diminui? Dobramos os nossos esforços, trabalhamos até mais tarde, nos finais de semana, abandonamos nossas famílias. Será que funciona? Será que não estamos fazendo exatamente o que o Faraó fez, lutando contra algo que D'us decretou?

Então o que fazer quando passamos por dificuldades, como uma perda financeira? Explica o Rav Yonathan Guefen que devemos fazer apenas o que é considerado um esforço "normal", isto é, que não ultrapasse os limites do bom senso. Dedicar nosso tempo para recuperar o dinheiro perdido à custa de todo o resto certamente não é o caminho correto. Por exemplo, quando acontece uma grande crise econômica, qual é a primeira coisa que as pessoas cortam nos seus gastos? A Tsedaká (caridade). Será que não deveríamos fazer justamente o contrário? Ao invés de diminuir nossos méritos espirituais, não deveríamos tentar aumentá-los, para conseguir reverter o mau decreto? Será que as perdas não podem ter sido um sinal de que não estamos dando atenção para as coisas mais importantes da nossa vida, como nossos valores espirituais e nossas famílias?

Por que é tão fácil se enganar e cair neste erro de lutar contra os decretos Divinos? Pois quando fazemos um esforço e obtemos bons resultados, achamos que somos nós os responsáveis pelo sucesso, esquecendo que tudo passa pela Supervisão Divina. Por exemplo, uma pessoa compra ações da bolsa e logo depois estas ações sobem muito, resultando em um excelente lucro. Normalmente pensamos que o lucro foi o resultado do esforço, a consequência de um investimento correto. Mas isto é uma forma enganosa de ver a realidade. Na verdade, já estava decretado nos mundos espirituais que a pessoa deveria receber aquele dinheiro. D'us tem muitas formas para cumprir a Sua vontade e fazer com que este dinheiro chegue às mãos daquela pessoa. Ele pode colocar na cabeça da pessoa a ideia de investir justamente nas ações que futuramente subiriam, ou pode fazer com que as ações que a pessoa comprou mudem seu comportamento e subam. No final, o lucro já havia sido decretado, e o esforço foi somente para fazer o decreto Divino se cumprir. Qualquer esforço adicional teria sido em vão, e até mesmo negativo caso a pessoa tivesse deixado de lado coisas mais importantes apenas para receber aquele dinheiro que já estava decretado.

Mas explica o Steipler que há algo que pode efetivamente causar mudanças nos decretos espirituais: os esforços espirituais. Através da Tefilá (reza) e da Teshuvá (arrependimento pelos erros cometidos) podemos interferir nos mundos espirituais. Nem sempre é possível cancelar decretos Divinos, mas quando mudamos nossos atos, podemos ao menos diminuir o impacto de decretos negativos em nossas vidas. Por exemplo, se foi decretado para um agricultor que, por causa de alguma transgressão que ele cometeu, apenas uma pequena quantidade de chuva vai cair durante o ano em sua plantação, o que causaria um tremendo prejuízo, a Tefilá pode fazer com que esta pequena quantidade de chuva caia no lugar certo e de forma mais propícia. Outra possibilidade é que mesmo se em Rosh Hashaná for decretado para uma pessoa, por causa do seu baixo nível espiritual naquele momento, apenas uma pequena quantia de dinheiro para o ano, a Teshuvá pode fazer com que ela consiga se saciar mesmo recebendo pouco.

Porém, não podemos esquecer que, apesar do crescimento espiritual ajudar a reverter problemas financeiros e diminuir outros tipos de sofrimentos e dificuldades, o principal benefício do nosso crescimento espiritual, através da Tefilá, da Teshuvá e do cumprimento das Mitzvót, é nos aproximarmos de D'us. Muitas pessoas, como o Rav Moshe Soloveitchik, aproveitaram as dificuldades para crescer em espiritualidade, ao invés de se afundarem de maneira desesperada no mundo material.

É muito difícil encarar as dificuldades de forma positiva. Mesmo sabendo que é a vontade de D'us que sempre se cumpre, é difícil não querer fazer esforços para mudar as coisas para que fiquem do nosso jeito. Mas temos que saber que cada desafio é uma oportunidade de mudar a direção de nossas vidas. Cada dificuldade é uma comunicação de D'us, que quer que ao menos possamos parar para escutá-Lo. Com muita reflexão, poderemos chegar ao nível de entender que não apenas a vontade de D'us sempre se cumpre, mas que também a vontade Dele é o melhor para nós.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIECHI 5774

BS"D


ESCRAVOS OU HOMENS LIVRES? - PARASHÁ VAIEHI 5774 (13 de dezembro de 2013)


"Biniamin estava no leito de morte, cercado pelos familiares mais próximos. Ele já não tinha mais forças nem mesmo para abrir os olhos. Com muito esforço ele perguntou:

- Sara, minha querida esposa, você está aqui?

- Sim, meu querido. Estou aqui ao seu lado – respondeu Sara.

- E você, minha filha Rivkale, também está aqui? – perguntou Biniamin.

- Sim papai, estou aqui – respondeu Rivkale.

- E você, meu filho Yankele, está aqui? – perguntou Biniamin.

- Sim, papai, estou – respondeu Yankele.

Juntando todas as forças, Biniamin conseguiu levantar a cabeça e, desesperado, perguntou:

- Meu D'us, se estão todos aqui, quem está tomando conta da lojinha???"

Pode parecer brincadeira, mas será que muitas vezes nós também não trocamos momentos preciosos de espiritualidade por preocupações com o mundo material?

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Com a Parashá desta semana, Vaiehi, terminamos o primeiro livro da Torá, Bereshit. Yaacov, ao sentir que sua morte se aproximava, reuniu todos os filhos e falou suas últimas palavras para cada um deles. E nossos sábios explicam que muitas das palavras de Yaacov foram profecias que se cumpriram durante nossa história.

Mas não apenas com as palavras escritas na Torá nós aprendemos lições para nossas vidas. Por exemplo, há um ensinamento muito interessante nesta Parashá que demonstra como cada pequeno detalhe da Torá carrega consigo preciosos ensinamentos. Existem muitas regras de como um Sefer Torá deve ser escrito, e uma delas é o espaçamento mínimo entre duas Parashiót, que deve ser de nove letras. Porém, este padrão não é seguido na nossa Parashá, e esta distância mínima não é cumprida. Explica Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, que justamente por causa desta diferença esta Parashá é chamada de "Stumá" (fechada), e foi escrita assim para nos ensinar que depois da morte de Yaacov, os olhos e os corações dos judeus se fecharam por causa das dificuldades da escravidão. Isto significa que, segundo Rashi, a escravidão do povo judeu no Egito começou imediatamente depois da morte de Yaacov.

Mas aparentemente este comentário do Rashi é contraditório com algo que ele mesmo comentou quando explicou o versículo "os anos da vida de Levi foram 137 anos" (Shemot 6:16). Rashi questiona o motivo de a Torá ter relatado a idade de falecimento de Levi, algo aparentemente desnecessário, e responde que esta informação é necessária para calcular a data de início da escravidão do povo judeu, uma vez que a escravidão somente começou após a morte de Levi, o último dos filhos de Yaacov a falecer. Como entender esta aparente contradição nos comentários do Rashi? Afinal, quando a escravidão do povo judeu começou, após a morte de Yaacov ou somente algum tempo depois, após a morte de Levi?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está nas palavras do Shemá Israel. No terceiro parágrafo está escrito: "Não sigam seus corações nem seus olhos, atrás dos quais vocês se desviam" (Bamidbar 15:39). Rashi explica que os olhos e o coração são os espiões que fazem o corpo pecar, pois os olhos veem, o coração deseja e corpo comete a transgressão. Mas será que D'us criou estes órgãos tão importantes apenas com propósitos negativos?

Quando D'us nos deu o livre arbítrio, Ele deixou em nossas mãos a escolha de como utilizar as ferramentas existentes no mundo material, entre elas o nosso próprio corpo. Podemos escolher como vamos utilizar a energia do nosso coração e dos nossos olhos. Se o foco da pessoa e sua motivação são os desejos do seu corpo, seus órgãos funcionam como um combustível para estes desejos, levando-a para o caminho das transgressões. Por outro lado, se a pessoa foca na sua alma e no seu crescimento espiritual, cada parte do seu corpo será utilizada como um auxílio no cumprimento das suas metas espirituais.

A pessoa que vive focada apenas nas suas necessidades materiais acaba cegando seus olhos e fechando seu coração para o lado espiritual. Como ela foca apenas no mundo material, se torna uma pessoa egoísta e não consegue mais perceber as necessidades do próximo. Já a pessoa que foca seus esforços no seu crescimento espiritual consegue abrir seus olhos e seu coração, despertando uma sensibilidade espiritual que estava anteriormente dormente. Esta sensibilidade faz com que ela consiga se preocupar mais com o próximo e com as necessidades alheias.

Além do comodismo e da busca desequilibrada dos desejos, há outras influências externas que podem ter como consequência uma maior conexão com o mundo material. Por exemplo, quando uma pessoa se sente em perigo por estar sendo fisicamente ameaçada, isto ativa uma necessidade natural de preservação do seu corpo. Esta atitude de autopreservação leva a pessoa a focar nas necessidades do corpo, e muitas vezes negligenciar as necessidades da alma. Embora a escravidão física do povo judeu não tenha começado efetivamente até a morte de Levi, o povo judeu começou a sentir o perigo iminente da opressão egípcia logo depois da morte de Yaacov. Enquanto Yaacov estava vivo, os judeus estavam tranquilos, pois os egípcios o respeitavam muito. Um dos motivos pelos quais Yaacov não quis ser enterrado no Egito foi para que o seu túmulo não se tornasse um local de idolatria egípcia. Mas quando ele faleceu, uma enorme dúvida pairou no ar. O que seria do povo judeu sem os méritos de Yaacov? Esta sensação de insegurança despertou no povo judeu uma necessidade de autopreservação. Como eles começaram a se focar fortemente em seu bem-estar físico, iniciou-se um processo de perda de sensibilidade espiritual, e com isso seus olhos e corações se fecharam.

A palavra "Mitzraim", que significa "Egito", também é a mesma raiz da palavra "Metzarim", que significa "limitações". Apesar da escravidão do Egito ter sido uma escravidão física, com trabalhos pesados e muito sofrimento, também foi uma escravidão espiritual, pois nos desconectou do nosso foco correto, limitou nossa espiritualidade e nos conectou ao materialismo, aos desejos e à percepção enganosa de que o nosso corpo é o principal. Esta terrível escravidão espiritual começou muitos anos antes da escravidão física. Começou logo depois da morte de Yaacov, quando os olhos e corações do povo judeu se fecharam para a espiritualidade.

Quando a pessoa está sob uma escravidão física, ela tem consciência de sua situação e está constantemente desejando escapar. Mas a escravidão espiritual é muito mais difícil, pois a maioria dos que estão escravizados nem mesmo sabem disso. Não apenas a geração dos filhos e netos de Yaacov foi submetida a este teste, mas nós também estamos constantemente sendo testados. Vivemos em uma geração onde o valor das pessoas é proporcional às suas posses. Onde um jogador de futebol ganha milhares de dólares por mês, enquanto um professor recebe um salário mínimo. Onde cada vez mais se busca a satisfação imediata dos nossos desejos, mesmo que seja através de atos de traição, roubo e enganação. Comemos sem limites, sem se importar com os efeitos nocivos de uma alimentação desequilibrada sobre nossa saúde. Bebemos sem moderação, sem levar em conta as futuras consequências. Somos escravos e nem mesmo percebemos o quanto somos completamente controlados por nossos desejos.

Quanto mais a pessoa foca na satisfação imediata dos seus desejos, mais ela fica presa ao seu materialismo. A solução, portanto, é focar mais na nossa espiritualidade e na valorização das pessoas pelo que elas são, não pelo que elas têm.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ VAYIGASH 5774

BS"D


CUIDADO COM A HONRA DOS OUTROS - PARASHÁ VAYIGASH 5774 (06 de dezembro de 2013)

O Rav Elazar Man Shach (Lituânia, 1899 - Israel, 2001), um dos maiores sábios da geração passada, era frequentemente visitado por um jovem emocionalmente desequilibrado. Toda vez que o rapaz se sentia triste ou deprimido, ele procurava o Rav Shach, que o recebia com alegria e passava horas sentado com ele, tranquilizando-o. Certa vez um familiar do Rav Shach, incomodado com o fato de ele dedicar tanto tempo para este rapaz, disse:

- Rav, não há um limite de quanto você deve ajudar outras pessoas? Se você fosse uma pessoa normal, com tempo sobrando, eu entenderia. Mas você é um dos grandes rabinos da geração, você não tem um minuto sobrando nem para você mesmo. Você não acha que deveria proibir este rapaz de vir aqui e dedicar seu precioso tempo para o seu próprio crescimento espiritual?

- Este rapaz tem sérios problemas psiquiátricos – respondeu o Rav Shach. Ele veio me visitar mês passado, e veio novamente há duas semanas. Certamente ele estará de volta em duas semanas, e também daqui a um mês. Eu o encorajo, eu o acalmo, mas vejo que isso não é suficiente para curá-lo. Certamente é um caso no qual a cura somente virá através de um milagre, diretamente das mãos de D'us.

- Mas então por que você se esforça tanto, conversando intermináveis horas com ele? – insistiu o familiar.

- Pois eu acredito que D'us fará um milagre acima das leis da natureza apenas se nós também nos esforçarmos acima das leis da natureza. É por isso que, apesar de ter uma vida tão corrida, eu faço minha parte dedicando bastante tempo a este rapaz. Pois eu acredito que ele merece uma cura completa da sua doença, e isto vem antes do meu próprio bem estar.

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Na Parashá desta semana, Vayigash, a Torá descreve o feliz desfecho da história de Yossef e o emocionante reencontro com Yaacov, seu pai, depois de 22 anos de separação, como está escrito: "E Yossef preparou sua carruagem e subiu ao encontro de seu pai Israel em Goshen. Ele apresentou-se diante dele, e atirou-se sobre seu pescoço e chorou muito sobre seu pescoço" (Bereshit 46:29). Depois disso, Yaacov ainda viveu mais 17 anos no Egito, até o seu falecimento.

Yossef, que era apenas um jovem imaturo quando foi vendido como escravo por seus irmãos, aos 17 anos, agora havia se tornado o vice rei do Egito e tinha em suas mãos muito poder, como está escrito no final da Parashá: "E fez o povo (egípcio) trocar de cidades, de um extremo ao outro extremo das fronteiras" (Bereshit 47:21). Yossef obrigou todos os egípcios a saírem de suas casas e mudarem de cidade, até que ninguém mais permanecesse no mesmo lugar em que vivia anteriormente. Por que ele fez isto? O Faraó havia sonhado que viriam sete anos de fartura e sete anos de fome, e Yossef aconselhou-o a armazenar comida durante os anos de fartura. Quando chegaram os anos de fome, as pessoas precisaram vender até mesmo suas terras para poder comprar comida. Assim, todas as terras do Egito passaram a ser propriedade do Faraó. Portanto, um dos motivos pelo qual Yossef mudou os egípcios de cidade foi para que ficasse claro que as terras não pertenciam mais a eles.

Mas sabemos que a Torá é um livro de ensinamentos para nossa vida e, portanto, nenhuma informação foi escrita desnecessariamente. Se a atitude de Yossef tivesse apenas motivações administrativas, não haveria necessidade da Torá nos contar este detalhe. Então por que a Torá quis ensinar que Yossef mudou todas as pessoas de lugar no Egito?

Explica Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, que o versículo foi escrito para louvar um excelente traço de caráter desenvolvido por Yossef. Apesar do final feliz, Yossef poderia ter guardado muito rancor dos seus irmãos por terem-no vendido como escravo ao Egito. Tendo tanto poder, Yossef poderia até mesmo ter se vingado deles. Mas Yossef conseguiu perdoar seus irmãos e chegou ao nível de colocar seu poder em risco apenas para cuidar da honra deles. Quando Yossef mudou as pessoas de uma cidade para outra, sua verdadeira intenção era que seus irmãos não fossem vistos como "os exilados". Yossef fez com que todos os egípcios também se transformassem em exilados, tirando dos irmãos este "rótulo" negativo. Yossef poderia ter causado uma rebelião popular, poderia perder seu cargo caso o Faraó não gostasse de sua atitude. Apesar disso, Yossef não mediu esforços para poupar a honra dos irmãos.

E esta não foi a única vez em que Yossef demonstrou este cuidado com a honra dos irmãos. No momento de se revelar para eles, Yossef sabia que seus irmãos sentiriam vergonha. Por isso, ele pediu para que todos os egípcios saíssem do salão, inclusive os homens da sua guarda pessoal, colocando sua própria vida em risco para não envergonhar publicamente seus irmãos. Também sempre que Yossef resolvia problemas de ordem pública, ele o fazia em seu gabinete. Mas quando ele quis aplicar seu plano para testar se seus irmãos estavam arrependidos de tê-lo vendido, ele recebeu-os na sua própria casa, e não no seu gabinete, para não humilha-los em público.

Há um Midrash (parte da Torá Oral) que ensina algo ainda mais impressionante sobre esta característica de Yossef. O Midrash afirma que durante os 17 anos em que seu pai esteve no Egito, Yossef não o procurou, pois não queria ficar sozinho com ele. Mas esta informação do Midrash é um pouco estranha, pois a Torá descreve o enorme amor que havia entre Yaacov e Yossef, o seu filho preferido. Eles estavam há 22 anos separados, certamente estavam com muitas saudades um do outro, teriam muito o que conversar. Além disso, Yossef poderia ter crescido muito estudando com seu pai, poderia ter alcançado níveis espirituais muito mais elevados. Então por que Yossef não procurou Yaacov durante todos estes anos? Pois Yossef sabia que se ficasse sozinho com seu pai, Yaacov perguntaria como ele havia chegado ao Egito, e Yossef precisaria contar sobre a sua venda. Para não envergonhar seus irmãos, Yossef abriu mão do amor que sentia pelo pai e do seu próprio crescimento espiritual.

Até onde vai a obrigação de se preocupar com a honra do próximo? Se prestarmos atenção no versículo que descreve o reencontro entre Yaacov e Yossef, há algo que nos chama a atenção. Explica o Talmud (Tratado de Kalá, capítulo 3) que quando Yossef e seu pai se reencontraram, Yaacov não o beijou. Por que? Pois ele suspeitava que Yossef, um homem extremamente bonito, havia se impurificado com as mulheres egípcias durante os anos em que esteve sozinho no Egito. Yossef, que era muito sábio, rapidamente entendeu o motivo pelo qual seu pai, que o amava tanto, não o havia beijado. Yossef tinha, portanto, mais um importante motivo para ter procurado seu pai durante aqueles anos. Yossef poderia se explicar para ele, poderia provar que se manteve o tempo inteiro em um nível espiritual elevado. Se Yossef tivesse contado para o pai todos os testes que havia vencido, como quando fugiu das investidas da bela esposa do Potifar, certamente Yaacov teria mudado de opinião sobre seu filho. Apesar de tudo isso, Yossef nunca foi procurar seu pai. Ele preferiu ficar com a sua própria honra manchada e sob suspeita de ter cometido graves transgressões apenas para poupar seus irmãos. Daqui vemos que para Yossef, a honra dos seus irmãos estava acima da sua própria honra.

Aprendemos de Yossef o quanto devemos nos esforçar para cuidarmos da honra dos outros. Quando uma pessoa não se importa com a honra dos outros, pode acabar cometendo algumas das piores transgressões da Torá, como falar Lashon Hará (maledicência sobre o próximo) ou humilhar alguém em público, que é considerada pelos nossos sábios algo tão grave quanto o assassinato.

Esta característica de Yossef também foi ensinada pelos nossos sábios: "Que a honra do seu companheiro seja tão preciosa para você quanto a sua própria honra" (Pirkei Avót 2:10). Da mesma maneira que não gostamos de ser humilhados, principalmente em público, também devemos tomar muito cuidado com a honra dos outros. Apesar de vermos o esforço de Yossef para cuidar da honra de seus irmãos, muitas vezes, mesmo sem más intenções, nos descuidamos e acabamos humilhando outras pessoas. Atitudes aparentemente inofensivas, como contar uma piada que denigre os outros ou dar apelidos pejorativos, podem causar muito sofrimento. Por isso, temos que ser muito mais cuidadosos e sempre pensar bastante antes de falar. Assim estaremos garantindo que nunca estaremos desrespeitando outras pessoas.

"Quem é a pessoa honrada? Aquele que honra e respeita as outras pessoas" (Pirkei Avót 4:1).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - CHÁNUKA 5774

BS"D

ILUMINANDO A ESCURIDÃO - CHÁNUKA 5774 (29 de novembro de 2013)


"No dia do Yortzait (aniversário de falecimento) do pai de Aharon, ele estava especialmente emocionado e queria fazer o máximo para elevar a alma do seu falecido pai. Ele acendeu a vela de Yortzait, que deveria ficar acesa até a próxima noite, e começou a estudar Mishnaiót (parte da Torá Oral). A palavra "Mishná" contém as mesmas letras da palavra "Neshamá", que significa "alma", e por isso se costuma estudar no dia do Yortzait algumas Mishnaiót para elevar a alma da pessoa falecida.

Depois de horas de estudo, Aharon estava cansado e fechou o livro de Mishnaiót para descansar. Seu filho pequeno, que havia visto tudo o que o pai havia feito, estranhou e perguntou:

- Pai, se você fechou o livro, por que você também não apagou a vela?

- Filhão – falou Aharon com carinho – sua pergunta é excelente. E a resposta é um importante ensinamento que você deve levar para toda a sua vida. Mesmo que é permitido momentaneamente fechar o livro de Torá, você nunca deve deixar a chama apagar"

Esta é a essência de Chánuka: fortalecer o estudo e o cumprimento da Torá, que é o que nos dá vida e ilumina o mundo. Nossa responsabilidade, e atualmente nosso desafio, é nunca deixar esta luz se apagar.

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Nesta semana o Shabat coincide com a festa de Chánuka, na qual relembramos grandes milagres que aconteceram ao povo judeu na época do exílio grego. O Império Grego, em seu avanço militar esmagador, havia dominado muitas nações do mundo, entre elas o povo judeu. Mas por que a dominação grega também foi considerada um dos nossos exílios, se durante este período não fomos expulsos de Israel, como ocorreu em outros exílios? Pois os gregos, que inicialmente vieram em paz, com o tempo tentaram nos helenizar à força, proibindo o estudo da Torá e o cumprimento das Mitzvót. O Beit Hamikdash (Templo Sagrado), nosso centro de espiritualidade, foi transformado em um local de idolatrias. Mesmo vivendo em nossa terra, não podíamos cumprir as Mitzvót, e muitos se viram tentados a seguir as ideias gregas, que pregavam a adoração ao corpo e aos prazeres materiais.

E quais são os milagres que nós relembramos? O primeiro é o milagre da guerra. Após a proibição de fazer os serviços do Beit Hamikdash, um pequeno grupo de Cohanim (sacerdotes) iniciou uma rebelião contra os gregos. Era uma luta de muitos contra poucos, do maior exército do mundo, com as melhores técnicas militares e os melhores armamentos, contra um grupo desorganizado, mal armado e sem nenhum treinamento militar. Com a ajuda de D'us, este pequeno grupo conseguiu acumular vitória atrás de vitória, até que os gregos desistiram e abandonaram Israel. E o segundo é o milagre do azeite. Após expulsar os gregos e limpar o Beit Hamikdash de todas as idolatrias, os Cohanim se prepararam para retomar todos os serviços, entre eles o acendimento da Menorá. Porém, os gregos haviam impurificado todos os potes de azeite, e seriam necessários mais 8 dias até que um novo azeite fosse produzido. Apenas um pote de azeite foi encontrado com o lacre do Cohen Gadol, e era suficiente para manter a Menorá acesa por apenas um dia. Um grande milagre aconteceu e aquela pequena quantidade de azeite durou oito dias.

Durante os oito dias de Chánuka, além do acendimento diário da Chanukiá, que nos faz lembrar dos milagres ocorridos, nós agregamos um pequeno trecho nas três Tefilót (rezas) do dia, chamado "Al Hanissim" (sobre os milagres), que é uma declaração de agradecimento a D'us, em especial pela vitória milagrosa na batalha contra os nossos inimigos gregos, como está escrito: "E Você, em Sua grande misericórdia, esteve ao lado deles em sua aflição... Você entregou os fortes nas mãos dos fracos, os numerosos nas mãos de poucos, os impuros nas mãos dos puros, os maus nas mãos dos justos, os frívolos nas mãos dos que cumprem a Sua Torá". Porém, se analisarmos o texto do "Al Hanissim" com cuidado, perceberemos que há uma grande dificuldade no seu entendimento. É fácil enxergar o milagre que há em entregar os fortes nas mãos dos fracos e os numerosos nas mãos de poucos, mas que milagre há em entregar os impuros nas mãos dos puros e os maus nas mãos dos justos? Havia alguma desvantagem na luta pelo fato dos judeus serem justos e puros, enquanto os gregos eram impuros e maus?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está nas palavras de David Hamelech (Rei David): "Você faz a escuridão e é noite, na qual se movem todos os animais da floresta" (Salmos 104:20). Explica o Talmud (Baba Metzia 83b) que este versículo é figurativo, e a linguagem "animais da floresta" é uma alusão às forças do mal que atuam no mundo. Para manter o equilíbrio entre o bem e o mal, D'us permite que as forças do mal prevaleçam durante o período de escuridão, que no versículo é representado pela noite. Durante este período, o equilíbrio entre o bem e o mal pende esmagadoramente para o lado do mal.

Quando a Torá descreve a criação do mundo, assim está escrito: "E a Terra estava sem forma e vazia, e a escuridão pairava sobre a face do abismo" (Bereshit 1:2). Diz o Midrash (parte da Torá Oral) que estas palavras do versículo são uma alusão aos quatro exílios pelos quais o povo judeu passaria durante sua história. "Sem forma" se refere ao exílio da Babilônia, "Vazio" se refere ao exílio da Pérsia-Média, "Escuridão" se refere ao exílio grego e "Abismo" se refere ao exílio de Edom. Mas por que os gregos representam a escuridão? Eles não trouxeram ao mundo muito conhecimento, como nas áreas das ciências e filosofia? Eles não ajudaram a iluminar o mundo? Eles deveriam representar a luz, não a escuridão!

O conceito de escuridão ao qual a Torá se refere é um conceito espiritual, não físico. Segundo o judaísmo, não existe nenhum uso do mundo material que não tenha influência sobre o mundo espiritual. Em cada ato que fazemos, podemos estar acendendo uma luz espiritual ou apagando-a. Através da utilização correta do mundo material podemos criar uma grande luz espiritual, como quando utilizamos objetos físicos para cumprir as Mitzvót. Com madeiras e pedras foi construído o Beit Hamikdash, o lugar onde repousava a "Shechiná" (Presença Divina). Porém, a pessoa que utiliza os objetos do mundo material de maneira negativa, como para agredir outra pessoa ou para se tornar orgulhoso, está apagando a espiritualidade que existe em cada objeto que utiliza.

É verdade que os gregos trouxeram ao mundo muitos avanços, em várias áreas, mas seu único propósito era acabar com a espiritualidade que há no mundo material. Por exemplo, eles propagaram a filosofia do "Carpe Diem", na qual a principal meta da vida deveria ser aproveitar os prazeres sem limites. Eles criaram as olimpíadas, com o objetivo de demonstrar a perfeição e o culto ao corpo material, ofuscando a ideia de que a nossa essência verdadeira é a nossa alma, não o nosso corpo. Após influenciar muitos povos, os gregos encontraram um grande obstáculo para atingir seu objetivo: o povo judeu, que representa a espiritualidade no mundo material. Mas eles tinham um plano para nos derrotar, como está escrito em outro trecho do "Al Hanissim": "Quando se levantou o malévolo Império Grego contra Seu povo Israel, para fazê-lo esquecer Sua Torá". A palavra "Choshech" (escuridão) contém exatamente as mesmas letras da palavra "Shachach", que significa "esquecer". A forma de apagar a espiritualidade do povo judeu, e assim do mundo todo, seria fazê-los esquecer do estudo o do cumprimento da Torá.

A época em que os gregos dominaram o mundo era um momento de escuridão espiritual e, por isso, as forças do mal, e todos aqueles que as representam, estavam em vantagem. A luta era desigual, não apenas fisicamente, mas também espiritualmente. É por este motivo que agradecemos a vitória dos puros sobre os impuros e dos justos sobre os maus, pois foi um grande milagre naquele momento as forças do bem vencerem as forças do mal. Somente com a ajuda de D'us conseguimos nos levantar e derrotar os gregos, reestabelecendo a Luz da Torá no mundo.

A verdade é que vencemos apenas uma batalha contra os gregos, mas o mal e a escuridão que eles representam ainda precisam ser vencidos em cada geração. Para nos afastar da espiritualidade, os gregos fizeram decretos severos que impediam o estudo e o cumprimento dos ensinamentos da Torá. Nossa luta atual é contra a assimilação e o desinteresse do povo judeu pela sabedoria da Torá. Infelizmente a Torá está sendo esquecida sem nenhuma guerra nem decretos dos nossos inimigos. Portanto, cada um que acende sua Chanukiá está acrescentando um pouco mais de luz para o mundo. Cada um que estuda um pouco mais de Torá, que se conecta com seu lado espiritual, que se esforça para cumprir as Mitzvót, está participando ativamente da batalha contra os gregos, a guerra da luz contra a escuridão.

Os Cohanim não sabiam lutar, mas mesmo assim receberam sobre si a responsabilidade de defender a Torá. Assim também cada um de nós deve receber sobre si a responsabilidade de ser parte desta luta do bem contra o mal. Somente assim conseguiremos vencer, não apenas mais uma batalha, mas a guerra definitiva.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 19h18  Rio de Janeiro: 19h04  Belo Horizonte: 19h01  Jerusalém: 16h00
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