sexta-feira, 20 de março de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHIOT VAYAKEL E PEKUDEI 5769

BS"D

BOAS INTENÇÕES – PARASHIOT VAYAKEL E PEKUDEI 5769 (20 de março de 2009)

"O Sr. Carlos tem um amor especial pelos animais, e todos dizem que ele tem um dom para cuidar deles. Sempre os amigos telefonam pedindo seus sábios conselhos sobre os animais de estimação. Era tarde da noite quando o Sr. Carlos recebeu um telefonema do Sr. Samuel, um grande amigo que estava precisando de ajuda urgente. O Sr. Samuel havia comprado para seus filhos um aquário, para educá-los e ensiná-los a prestar atenção às necessidades dos outros. Mas os peixes, que haviam se tornado o centro das atenções na casa, começaram a morrer de uma hora para outra.

Sem demora o Sr. Carlos foi ver o que estava acontecendo. Checou o Ph da água e descobriu que estava muito baixo. Por algum motivo a água tinha ficado com uma acidez acima do normal e isto estava matando os peixes. Intrigado, começou a verificar todos os equipamentos do aquário, mas tudo parecia estar em ordem. A bombinha de ar estava funcionando, a iluminação estava adequada, a temperatura estava correta. A família do Sr. Samuel se reuniu em volta do aquário, apreensiva. O Sr. Carlos explicou que a água estava muito ácida, mas não conseguia entender o porquê. Então Israel, o filho caçula, começou a balançar a cabeça e falou:

- Será que foi a Soda limonada que eu dei para eles?" (História Real)

Queremos fazer o bem, queremos ajudar os outros, mas se não soubermos as consequências dos nossos atos, muitas vezes boas intenções podem resultar em consequências desastrosas.
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Nesta semana lemos duas Parashiot juntas, Vayakel e Pekudei, terminando o segundo livro da Torá, Shemot. E estas duas Parashiot tratam da execução do Mishkan (Templo Móvel), de acordo com todos os detalhes que foram ensinados nas Parashiot passadas. A pessoa escolhida para a construção foi Betzalel, como está escrito: "E disse Moshé aos filhos de Israel: 'Vejam, chamou D'us pelo nome de Betzalel... E insuflou-o com o espírito de D'us, com sabedoria, com entendimento, com conhecimento e com todo o trabalho" (Shemot 35:31,32). Por que a Torá se alonga tanto, com tantos termos de sabedoria? Por que não está escrito apenas que D'us deu a Betzalel o conhecimento técnico das atividades para que ele pudesse construir o Mishkan?

Muitas vezes vemos pessoas fazendo bons atos, como por exemplo grandes doações para causas nobres, mas não temos como saber qual a verdadeira intenção delas. Muitas vezes atos que no início pareciam ser bons se revelam, com o passar do tempo, como atos egoístas e de auto-promoção. Mas apesar de pessoas de carne e osso poderem se enganar, o Criador do mundo não se engana, Ele verifica o coração de cada criatura no universo e sabe exatamente a intenção de cada um.

Explica o Rav Chaim Vologiner que o Mishkan tinha muitas partes, algumas mais sagradas, como o Kodesh Hakodashim (lugar onde ficava a Arca Sagrada, e onde apenas o Sumo Sacerdote podia entrar, uma única vez no ano, em Yom Kipur), e outras menos sagradas. Todo o povo judeu havia doado jóias e materiais nobres para a construção do Mishkan, e certamente todos queriam que sua doação fosse utilizada no Kodesh Hakodashim. Então como fazer a distribuição correta dos materiais? É por isso que a Torá se alonga e utiliza tantos termos de sabedoria, pois D'us não deu a Betzalel apenas o conhecimento técnico das atividades do Mishkan, Ele deu também a sabedoria de enxergar exatamente a intenção de cada um dos doadores, para assim poder decidir o uso adequado de cada material doado. O que havia sido entregue com um autêntico espírito doador era destinado às partes mais sagradas, enquanto os materiais doados com motivações egoístas, como a busca de honra, eram utilizados em partes menos sagradas do Mishkan.

Isso também se aplica em nossas vidas, em qualquer ato de caridade que fazemos. Muitas pessoas doam grande fortunas apenas em busca de honra e reconhecimento público, portanto com motivações completamente equivocadas. Apesar do ato ser válido, certamente tem um valor muito menor aos olhos de D'us. E isto não vale apenas para doações milionárias, mesmo pequenas doações no nosso dia-a-dia podem estar sendo feitas com motivações incorretas. Quando damos dinheiro na rua para um pobre, nossa intenção verdadeira é aliviar um pouco da dor que ele está sentindo, ou nossa intenção, mesmo que de maneira subconsciente, é aliviar a nossa própria dor? Será que aquele dinheiro não serve para nos sentirmos melhor com nossa própria consciência? Nos preocupamos realmente com o que o outro necessita?

Também apenas boas intenções não garantem que um ato será considerado bom. Ao contrário, muitas vezes queremos ajudar, mas se não conhecermos as regras da vida podemos cometer enganos terríveis com as melhores intenções do mundo. Um exemplo é o caso que comoveu o mundo há duas semanas, de Eluana Englano, uma moça italiana que passou 17 anos em coma após sofrer um acidente de carro. Seu pai lutou por 10 anos na justiça pelo direito de terminar com o sofrimento dela através da "morte assistida", mais conhecida como eutanásia. Há duas semanas o pai realizou seu desejo após a justiça italiana aprovar a eutanásia neste caso. Eluana morreu 3 dias após a suspensão total de sua alimentação,'levando o mundo inteiro a se questionar: Será que este foi realmente um ato de bondade? Sofrimento é motivo para tirar a vida de uma pessoa? Será que o pai realmente estava pensando no sofrimento da filha, ou o que mais lhe doía era o seu próprio sofrimento?

Casos como este dividem a opinião pública, pois envolvem muitos sentimentos. O que é eticamente o correto a se fazer? É justamente nestes momentos que a Torá nos dá a tranquilidade necessária para termos a certeza de que sempre estamos fazendo o que é correto, mesmo em momentos de sofrimento e dificuldade. D'us nos dá a vida, e somente Ele pode tirá-la. Quando uma pessoa está em um estado de coma vegetativo, sua validade para o mundo terminou? Uma vida é válida apenas quando a pessoa pode trabalhar, ir à praia ou ao cinema? O que está acontecendo com a alma desta pessoa enquanto ela está em coma? Será que este sofrimento que ela está passando não pode ter bons frutos para a eternidade? Infelizmente o mundo não sabe a resposta para estas perguntas, e mesmo assim cada vez mais vem sendo permitido este ato de "bondade" que, segundo o judaísmo, é um assassinato a sangue frio encoberto por uma "roupa" mais suave chamada eutanásia.

Explica o Rav Yerucham que os nossos bons atos são comparados a uma vela. O ato se assemelha ao pavio enquanto a boa intenção se assemelha ao óleo. O potencial de iluminação está no óleo, mas sem um ato correto este potencial não se transforma em luz. Um bom ato sem uma boa intenção é como uma vela que permanece apagada. E apenas boas intenções, sem estarem acompanhadas de um bom ato, são como um combustível sem controle que, ao invés de iluminar, pode causar um grande incêndio.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 13 de março de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ KI TISSÁ 5769

BS"D

LIBERDADE OU ESCRAVIDÃO - PARASHÁ KI TISSÁ 5769 (13 de março de 2009)

"Moshé trabalhava na McKinsey, uma das maiores empresas de consultoria do mundo. E era muito comum que o escritório estivesse sempre cheio durante toda a noite, com os famosos "viciados em trabalho" que mal terminavam um projeto e já iniciavam um novo. Moshé era um dos "adeptos" ao hábito de trabalhar todos os dias até tarde da noite.

Em uma destas madrugadas, Moshé estava tranqüilo no escritório, terminando um projeto que tinha que entregar na manhã seguinte. Eram duas da manhã e o escritório estava cheio. De repente entrou uma mulher com duas crianças pequenas. A secretária perguntou se poderia ajudar em algo, a mulher respondeu que sim e, apontando para o filho menor, falou:

- Estou procurando o pai desta criança.

Todos pararam, e um terrível silêncio tomou conta do escritório. Moshé levantou a cabeça para ver o que estava acontecendo e levou um grande susto quando viu que era sua esposa que estava ali. Levantou-se e foi falar com ela.

- Querida, você ficou louca? São duas da manhã! O que você está fazendo aqui?

- Eu vou te explicar – respondeu a mulher, visivelmente irritada – Nosso filho acordou de madrugada e começou a chorar, chamando "papai, papai". Então eu resolvi trazê-lo aqui no seu escritório, para que ele possa te conhecer.

Na semana seguinte Moshé pediu demissão da empresa..." (História Real)

Muitas vezes a pressão do nosso cotidiano nos faz perder as coisas mais importantes da vida. Uma panela de pressão, se não tiver uma válvula de escape, explode. O ser humano também. O Shabat é a nossa "válvula de escape", um grande presente que recebemos de D'us.
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Na Parashá desta semana, Ki Tissá, a Torá termina de descrever os utensílios do Mishkan (Templo Móvel) e logo em seguida descreve a Mitzvá de Shabat, como está escrito: "Somente guardem o Meu Shabat, pois é um sinal entre Mim e vocês através das gerações, para que vocês saibam que Eu sou D'us, Quem santifica vocês" (Shemot 31:13). Mas este versículo é um pouco difícil de ser entendido. Por que a Torá usa a linguagem "somente" quando se refere à Mitzvá de Shabat, como se tivesse algo especial que as outras Mitzvót não têm?

Atualmente não é algo fácil cumprir os mandamentos de D'us com toda a nossa força sem sentir algum nível de dificuldade ou desconforto. Muitas vezes as Mitzvót podem parecer, principalmente para aqueles que estão começando, uma mala pesada. Mas explica o Maguid Mi Duvna que nem sempre foi assim. Quando o ser humano foi criado, sua vontade de cumprir Mitzvót era parte de sua natureza, tão forte quanto a vontade de comer, beber água ou dormir, e o ser humano podia sentir um grande prazer com cada Mitzvá cumprida, a mesma satisfação que sentimos quando comemos um pedaço de bolo de chocolate. Mas quando Adam Harishon (Adão) despencou espiritualmente, vítima de suas tentações, e misturou dentro de si o bem e o mal, ele perdeu esta atração natural pelas Mitzvót. Apesar das Mitzvót continuarem sendo tão vitais quanto comer ou beber, elas deixaram de satisfazer o ser humano de forma natural. Até mesmo o nosso corpo perdeu sua força, dificultando ainda mais o cumprimento das Mitzvót.

A única exceção é a Mitzvá de guardar o Shabat. Quando o homem pecou, D'us já havia entregado a ele todas as Mitzvót, menos a Mitzvá de Shabat, pois Adam foi criado no sexto dia e transgrediu no sexto dia, antes do Shabat. A Mitzvá de Shabat não recebeu nenhuma influência negativa do erro de Adam Harishon, pois ainda estava nas mãos de D'us. Portanto o Shabat continuou em sua pureza perfeita. É isso o que a Torá quer ressaltar com a palavra "somente", pois os prazeres que temos no Shabat são uma recordação do tempo em que sentíamos muita vontade e satisfação de cumprir as Mitzvót.

Mas para curtir e sentir este prazer do Shabat é preciso primeiro entender um pouco mais de sua essência. A Torá descreve que o mundo material foi criado em seis dias e no sétimo dia D'us descansou. O que significa dizer que D'us descansou? No sétimo dia o mundo não estava mais em um processo de mudanças, e então D'us adicionou ao mundo Sua última criação: a dimensão de tranqüilidade e harmonia. A Palavra "Shabat" vem da mesma raiz da palavra "Shevet", que significa "assentar-se", pois no Shabat D'us fez do mundo Seu lugar de moradia. O Zohar nos ensina que no Shabat D'us criou a harmonia entre Ele e o universo, e cada um que observa as leis do Shabat participa um pouco da eternidade de D'us.

Durante toda a semana mostramos nosso domínio sobre a natureza, criando e transformando. Mas isso acaba nos tornando escravos do mundo material. As pessoas não são mais identificadas por sua essência, e sim por suas profissões e ocupações. O Shabat é justamente o dia de liberdade, o dia de voltar a ser humano. Olhando de fora parece que o Shabat é um dia em que não se pode fazer nada, mas é justamente o contrário, é um dia que podemos nos libertar. Podemos não andar de carro, podemos não usar o computador, podemos não falar no celular, podemos não trabalhar nem pensar no projeto de segunda-feira. Podemos voltar a ter uma família, a sentarmos todos juntos e conversarmos. E principalmente podemos aprender a dar a importância correta a cada coisa que temos na vida. Resumindo, podemos diminuir as pressões e voltarmos a ser nós mesmos.

Explica o Rav Arieh Kaplan, em seu livro "Shabat, um dia de eternidade", que o Shabat nos mantém despertos para o nosso propósito na vida. É fácil se perder no mundo material, e o Shabat é um lembrete constante de que vivemos em uma realidade superior. O Shabat também nos ensina a planejar o futuro, pois da mesma forma que tudo o que comemos no Shabat precisa ser preparado antes, o mesmo vale para a nossa eternidade. O Shabat é um preparativo para os prazeres que sentiremos quando chegar a Era Messiânica, onde todos os nossos esforços poderão ser canalizados para o nosso crescimento espiritual.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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quinta-feira, 5 de março de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PURIM 5769

BS"D

OLHE NAS ENTRELINHAS - PURIM 5769 (06 de março de 2009)

No 50º aniversário da morte de Iosef Vissarionovich Dzugashvili, mais conhecido como Joseph Stalin, o sanguinário ditador soviético, foi publicados nos Estados Unidos um livro chamado "Stalin's Last Crime", que traz a hipótese de que Stalin pode ter morrido envenenado. O líder soviético caiu desacordado após um jantar com com quatro membro do partido Politburo, em Blizhnaya, norte de Moscou, e agonizou durante alguns dias antes de morrer. E se ele realmente foi envenenado, como tudo indica, o principal suspeito seria Lavrenti P. Beria, o chefe da polícia secreta soviética.

O livro também conta a famosa história do "Complô dos médicos", uma falsa acusação de conspiração contra os médicos do Kremlin, na sua maioria judeus, que segundo Stalin planejavam matar os líderes comunistas para destruir a União Soviética. Em janeiro de 1953 Stalin denunciou publicamente o complô e acusou abertamente os judeus americanos, com o apoio dos Estados Unidos, de serem os mentores da conspiração.

Porém, além de relatar partes da história que são bastante conhecidas, o livro também revelou segredos que há pouco tempo atrás eram completamente desconhecidos pela grande maioria das pessoas. Em fevereiro de 1953, logo após Stalin ter denunciado publicamente que o "Complô dos médicos" era encabeçado por judeus, o Kremlin ordenou a construção de quatro campos de prisioneiros gigantescos, no Cazaquistão, na Sibéria e no Ártico norte. Era a preparação para um novo genocídio dirigido contra milhões de cidadãos soviéticos de ascendência judaica, que mal haviam se recuperado do duro golpe do Holocausto.

Porém, por uma intervenção Divina, esse novo holocausto felizmente nunca chegou a acontecer. Duas semanas após ter ordenado a construção dos campos de prisioneiros, Stalin foi ao jantar de Blizhnaya e, quatro dias depois, estava morto, com a idade de 73 anos.

É incrível ver como a história se repete, quantas vezes nossos inimigos se levantaram contra nosso povo para nos destruir, como tentou fazer Haman, mas nunca alcançaram seu objetivo. Enquanto o mundo ainda se recuperava dos horrores do Holocausto, um milagre salvava os judeus de uma nova tentativa de extermínio, e de uma forma tão oculta que a maioria das pessoas nunca ficou sabendo do grande perigo que correram.

E observando os detalhes poderemos notar algo fantástico, especialmente durante os dias que antecedem a festa de Purim, época repleta de "coincidências" felizes ao povo judeu. São nos detalhes que a mão de D'us se torna ainda mais evidente, justamente nas "entrelinhas" da história. Nikita Khrushchev, sucessor de Stalin, esteve presente no fatídico jantar do partido. Ele relatou que Stalin caiu desmaiado após o jantar, no qual havia bebido em excesso. O jantar terminou na madrugada do dia 1º de Março, data que, em 1953, correspondia ao dia 14 do mês de Adar no calendário judaico, também conhecido como Purim.

Coincidência?
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Na noite da próxima segunda-feira (09/03) começa a festa de Purim (em Jerusalém começa na noite de terça, 10/03). O Judaísmo nos ensina que o calendário é cíclico, isto é, todos anos nos reencontramos com as festas, e em cada nova volta temos a oportunidade de reviver e crescer a partir da mesma energia espiritual que influenciou aquele dia em algum momento anterior na história do povo judeu. E Purim, que não foge à regra, tem o seu próprio conjunto de oportunidades especiais.

O livro de Ester pode parecer apenas o relato de uma história que aconteceu com o nosso povo há mais de 2.000 anos atrás. Mas a Meguilá é muito mais do que isso, pois se prestarmos atenção à seqüência de eventos, começamos a notar algumas "coincidências" interessantes. Quando terminamos a Megilá, uma improvável e longa seqüência de eventos, que se conectam desde a primeira palavra do livro até a última, entendemos que na realidade nada foi coincidência. Esta é uma das principais lições de Purim, da mesma forma que fica óbvio no final da Meguilá que nada foi aleatório, que não existiu nenhuma coincidência, assim também nossa vida é tecida como parte de uma maravilhosa tapeçaria Divina, onde tudo acontece com precisão e exatidão milimétrica.

E em cada pequeno detalhe da Meguilá captamos mensagens que nos trazem ensinamentos importantes para a vida. Quando o rei Achashverosh deu plenos poderes para que Haman decretasse a "solução final" do povo judeu, Mordechai pediu, através de um mensageiro, para que a rainha Ester implorasse ao rei pela vida dos judeus. Mas a resposta de Ester foi desanimadora, pois ela não quis aceitar o pedido de Mordechai. Havia uma lei que, caso alguém fosse à sala do rei sem ter sido chamado, poderia receber imediatamente pena de morte, a menos que o rei estendesse seu cetro e permitisse a pessoa viver. Ester respondeu que no momento não poderia fazer nada pelo povo judeu, teria que aguardar ser chamada pelo rei, pois caso contrário não teria quase nenhuma chance de sair viva. Mordechai não se abalou com a recusa de Ester e novamente enviou-lhe uma mensagem, mas desta vez muito mais dura: "Mordechai mandou responder a Ester: 'Não imagine que, por estar na casa do rei, você vai escapar do destino de todos os outros judeus. Pois se você permanecer calada neste momento, o socorro e o alívio para os judeus virão de alguma outra fonte, e você e a casa de seu pai perecerão' " (Ester 4:12-14).

Que resposta foi esta que Mordechai mandou para Ester? Ele por acaso disse que Ester era a única esperança do povo judeu? Ele disse que ela deveria tentar alguma coisa, não importava quais seriam as consequências, mesmo que o risco fosse a morte dela? Obviamente que não. Ele estava dando um recado que tocou diretamente a alma de Ester. É como se ele estivesse dizendo: "Ester, se você não fizer isso pelo povo judeu, alguém vai fazer. Pois D'us não precisava de você para que o povo judeu possa ser salvo, afinal o povo judeu tem um objetivo a cumprir no mundo e D'us o salvará com ou sem a sua ajuda. A única pergunta, Ester, é esta: você vai optar por cumprir o seu papel de escrever a próxima página da história e ser contada entre aqueles que escolheram cumprir o papel pessoal para os quais foram criados, ou vai perder para sempre esta grande oportunidade? Ester, talvez a única razão de você ter se tornado rainha foi para este momento!"

Explica o rabino Chaim Levine que Mordechai estava ensinando para Ester, e também para nós, um princípio básico do judaísmo: não existem coincidências, tudo é parte de um grande plano Divino, e cada um de nós foi escolhido para cumprir um papel específico na história do mundo. Temos o livre arbítrio para escolher se queremos viver e alcançar o nosso potencial, deixando para sempre a nossa contribuição e o nosso nome escrito na história do mundo. D'us pode fazer sozinho os milagres acontecerem, e assim o fez em várias ocasiões da nossa história, como no caso da morte repentina de Stalin. Ensinam os nossos sábios que "muitos são os mensageiros de D'us", isto é, D'us tem o mundo inteiro à sua disposição para que Sua vontade se cumpra exatamente como Ele decretou. Mas muitas vezes D'us quer nos dar o mérito de participarmos como "sócios" no encaminhamento do mundo em direção ao seu propósito. A nossa escolha é aceitar nosso "papel" ou ignorá-lo.

Ester não precisou ouvir mais nada, ela entendeu bem o recado de Mordechai. Deste momento em diante Ester recebeu sobre si a responsabilidade de salvar o povo judeu. Ela pediu para Mordechai instruir o povo judeu a se arrepender e jejuar por 3 dias, aumentando assim os méritos do povo e auxiliando para que sua missão fosse um sucesso. Fora os preparativos espirituais, Ester também fez seu esforço nos assuntos materiais, arquitetando uma armadilha perfeita para derrubar para sempre Haman e cancelar seus decretos malignos. Os esforços deram certo, o povo judeu foi salvo, e Haman e sua família foram apagados da história. Ester cumpriu tão bem seu papel no mundo que um dos livros do Tanach (Bíblia judaica) leva o seu nome: Meguilat Ester.

Purim nos ensina muito mais do que apenas uma bela histórinha com final feliz. Nos ensina que, no contexto da nossa própria vida, todos nós somos como Ester. Em Purim nos recordamos da nossa responsabilidade de focar nossas energias no jogo da vida. Temos que olhar as ferramentas que D'us nos deu e canalizá-las no cumprimento do nosso papel, pois estas ferramentas e forças especiais foram colocadas dentro da alma de cada um de nós. Em Purim, temos que nos perguntar: Que diferenciais me foram dados por D'us? Como posso usar esses pontos fortes no contexto do meu trabalho espiritual? Como posso preencher o meu potencial da melhor maneira possível?

Os cabalistas dizem que cada pessoa tem seu nome escondido em algum lugar da Torá. A Torá é a maquete do mundo, e cada um tem uma participação neste projeto. As pessoas que realmente conseguirem viver em sintonia com a sua alma, que buscarem em cada instante atingir seu máximo potencial, vão saber exatamente onde encontrar o seu nome na Torá.

SHABAT SHALOM e PURIM SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ TERUMÁ 5769

BS"D

QUEM SOU EU? - PARASHÁ TERUMÁ 5769 (27 de fevereiro de 2009)

"Yankele morava na cidade de Varsóvia. Apesar de ser uma boa pessoa, ele era muito tolo. Às vezes chegava a passar dos limites, como no dia em que decidiu ir, pela primeira vez, a uma casa de banho. Enquanto ele se preparava, começou a refletir e um grande temor tomou conta dos seus pensamentos. Ele lembrou que quando todos estão de roupa é fácil saber quem é quem, mas em uma casa de banho, quando todos estão nus, como fazer para reconhecer as pessoas? Ficou com medo de se perder no meio dos outros e não saber mais quem ele era. Após pensar muito, chegou a uma brilhante solução: amarraria um barbante vermelho no dedo do pé. Assim, mesmo sem roupa, poderia saber quem ele era.

Mas a idéia se transformou em um desastre. No meio do banho, sem que o Yankele percebesse, o barbante caiu e ficou preso no dedo de uma outra pessoa. Quando Yankele olhou para o pé e descobriu que o barbante não estava mais ali, ficou desesperado,. Procurou pelo chão da casa de banho até que finalmente viu o barbante vermelho no dedo do outro homem. Foi até ele e perguntou:

- Eu sei quem é você, Yankele. Mas por favor me ajude, quem sou eu?"

Será que sabemos quem nós somos de verdade? Somos apenas um corpo ou somos mais do que isso?
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Na Parashá desta semana, Terumá, D'us começou a instruir Moshé sobre a construção do Mishkan, o Templo Móvel que acompanhou o povo judeu durante todos os anos no deserto e que foi substituído, muitos anos depois, pelo Beit Hamikdash (Templo Sagrado). A Torá descreve cada pequeno detalhe do Mishkan e dos utensílios que eram utilizados no serviço espiritual, tais como o Aron Hakodesh (Arca sagrada), a Menorá e o Mizbeach (altar onde eram oferecidos os sacrifícios). Mas, se atualmente o Mishkan já nem existe mais, por que a Torá se alongou tanto nestes detalhes?

Muitas vezes lemos a Torá como se fosse um simples livro de histórias que nos transmite alguns ensinamentos morais. Mas isso é um grande erro, a Torá é chamada "Torat Chaim" (Instruções de Vida) justamente porque em cada versículo e em cada palavra estão contidos muitos ensinamentos de como viver da maneira correta. Um exemplo é o início desta Parashá, que começa descrevendo os detalhes do Aron Hakodesh. Ele era feito com madeira de acácia e era totalmente coberto de ouro, por dentro e por fora. Para que servia o Aron Hakodesh? O versículo nos ensina: "E você deve colocar na Arca Sagrada as Tábuas do Testemunho (as 2 tábuas contendo os 10 Mandamentos) que Eu darei para vocês" (Shemot 25:16), isto é, o Aron Hakodesh era o local onde a Torá deveria ser guardada. Logo depois a Parashá começa a descrever os detalhes da tampa do Aron Hakodesh, que continha dois Kerubins (anjos) de ouro, e sobre a tampa está escrito "...e você deve colocar a tampa sobre a Arca Sagrada por cima, e na Arca Sagrada você deve colocar as Tábuas do Testemunho que Eu darei para vocês" (Shemot 25:21). Mas se já havia sido dito que o Aron Hakodesh tinha como função receber as Tábuas do Testemunho, por que a Torá precisou repetir isso poucos versículos depois?

Explica Rashi que não há nada na Torá escrito desnecessariamente. A repetição do versículo vem nos ensinar uma lei importante: é proibido colocar a tampa sobre o Aron Hakodesh sem que as Tábuas estejam dentro dele. Por que? A Torá está ressaltando que apesar do Aron Hakodesh ser feito de madeira nobre e estar completamente coberto de ouro, ele não tem nenhum valor intrínseco. O verdadeiro valor do Aron Hakodesh é como o utensílio onde os Mandamentos de D'us devem ser guardados. Sem as Tábuas, o Aron perde completamente o seu valor.

Este ensinamento não se aplica apenas para o Aron Hakodesh, se aplica para as nossas vidas. Atualmente as pessoas gostam de se sentir livres, gostam de se vestir como têm vontade. No carnaval é um grande orgulho ter um belo corpo e poder expô-lo no meio da avenida, sob os olhares de milhares de pessoas. Quem se preocupa em cobrir o corpo com roupas recatadas? A Tzniut (recato), uma das bases do judaísmo, aparentemente se tornou obsoleto. Mas é justamente o contrário, nada é tão moderno e atual quanto a Tzniut.

Qual é a lógica por trás da Tzniut? A mesma lógica do ensinamento do Aron Hakodesh. Temos um corpo e fazemos de tudo para mantê-lo bonito e jovem. Pessoas gastam cada vez mais dinheiro em cirurgias plásticas rejuvenescedoras, e muitas vezes se expões a grandes riscos para diminuir algumas gordurinhas. E o que era exclusividade feminina invade também a ala masculina através dos "metrosexuais", isto é, homens cuja vaidade os faz passar horas por semana em cabeleireiros, manicures e massagistas. Vivemos em uma época que somos escravos da estética, e as modelos das passarelas definem os parâmetros de beleza. Mas surge uma grande pergunta: quem somos nós de verdade? Somos apenas este corpo de carne e osso, que um dia voltará ao pó? Pois nada é certo na vida, a única coisa que podemos garantir com certeza é que um dia a vida chegará ao fim. E depois? Quanto vale a pena investir em algo que, mais cedo ou mais tarde, perderá seu esplendor?

O judaísmo nos ensina que não somos um corpo. Uma pessoa sem um braço não se torna menos pessoa. Nosso verdadeiro "eu" é a nossa alma, infinita, parte do Criador do mundo. O corpo não tem valor intrínseco, é apenas um utensílio onde foi colocada a nossa alma para que possamos cumprir nosso papel no mundo. Portanto não há erro maior do que dar mais importância para o corpo do que para a alma. Investimos horas na academia e no salão de beleza, mas quanto tempo investimos na nossa alma infinita?

É justamente este o ponto da Tzniut. Quando a Torá nos ensina sobre o recato, é um lembrete constante do que é o principal e o que é o secundário. Tzniut não é abandonar a vaidade nem o cuidado com o corpo, pois a Torá exige que cuidemos do nosso corpo e da nossa saúde. Mas viver como escravos da estética nos leva a pensar que nós somos apenas um corpo, limitando nosso potencial infinito. Muitas pessoas gostariam de ser admiradas por seu verdadeiro potencial, mas, influenciadas pela sociedade, acabam vendendo para o mundo apenas o seu visual.

Cobrir o corpo com roupas recatadas é mais do que cumprir uma Mitzvá da Torá. É gritar para o mundo, e para nós mesmos, que valemos muito mais do que um corpo finito. Valemos uma alma infinita.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ MISHPATIM 5769

BS"D

UTILIZANDO A CONSTRUÇÃO DA MANEIRA CORRETA - PARASHÁ MISHPATIM 5769 (20 de fevereiro de 2009)

"Um grupo de investidores encomendou a um famoso arquiteto o projeto de um grande edifício. O prédio foi construído visando o bem estar de cada família, e cada apartamento tinha ambientes grandes e largos, com quartos de dormir, sala, cozinha, banheiros com armários embutidos e todos os outros detalhes necessários para satisfazer os futuros moradores. O arquiteto investiu muito tempo no projeto para que nada faltasse e todas as necessidades dos futuros moradores fossem preenchidas. Mas quando o edifício já estava quase pronto e já era visto como um modelo de edifício residencial, os investidores mudaram de idéia e decidiram dar ao edifício uma nova utilização. Ao invés de utilizá-lo como um edifício residencial, eles decidiram que a construção deveria ser transformada em um hospital.

Obviamente que foram necessárias muitas modificações no edifício para adequá-lo à sua nova utilização. As paredes foram derrubadas, formando grandes ambientes. As cozinhas foram transformadas em leitos para os doentes. Os quartos de dormir foram transformados em salas de atendimento e cirurgia, e as salas se transformaram em enfermarias. Finalmente, após um grande esforço de adaptação, o hospital foi inaugurado. Porém, apesar de todo o investimento feito para adequar o edifício residencial às novas necessidades, aquele prédio estava longe de atingir as verdadeiras necessidades de um hospital. Faltavam detalhes básicos que obviamente teriam sido levados em consideração em um projeto inicial. O fato do edifício ter sido totalmente projetado para um uso residencial foi uma terrível barreira para que qualquer outro tipo de utilização fosse realmente satisfatória"

Nos ensina o livro "Lekach Tov" que o mundo e o ser humano foram criados especialmente para que as pessoas pudessem utilizar todas as ferramentas do mundo material para se conectarem com os mundos espirituais e se elevarem. E por mais que tentemos modificar a utilização original deste mundo, investindo todas as nossas forças na busca de prazeres materiais, nunca ficaremos satisfeitos com esta forma de utilização.
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A Parashá da semana passada, Itró, terminou com a entrega da Torá no Monte Sinai. E a Parashá desta semana, Mishpatim, começa trazendo diversas leis "Bein Adam Lehaveiro" (entre o homem e o seu semelhante), nos ensinando como devemos viver em sociedade de forma a construir um ambiente saudável. Mas algo nos chama a atenção nas primeiras palavras da Parashá. Por que está escrito "E estas são as leis", e não está escrito apenas "Estas são as leis"?

Explica Rashi, comentarista da Torá, que este "e" adicional foi colocado de forma a conectar a Parashá desta semana com a Parashá da semana passada. Da mesma forma que a Parashá passada falava sobre a entrega da Torá no Monte Sinai, também todas as leis sociais que estão contidas na Parashá desta semana também foram entregues por D'us no Monte Sinai. Rashi explica que a Torá está ressaltando a diferença entre as leis Divinas e as leis criadas pelos seres humanos. As leis humanistas são fundamentadas no senso comum das pessoas, e portanto são influenciadas pelo local, pela época e pelas condições de vida da sociedade onde as leis são elaboradas. Por não serem embasadas em nada fixo, muitas vezes vigoram por algum tempo e depois são descartadas. Portanto, muitas vezes falta base para estas leis e ocorrem muitas contradições. Um dos exemplos que atualmente mais nos salta aos olhos é o aborto. Há 100 anos o aborto era, em muitos países, punido com pena de morte. Atualmente a legalização do aborto ganha cada vez mais força em todo o mundo, apesar de cada vez mais a ciência provar que o feto já é uma vida e que aos 40 dias já tem até mesmo ondas cerebrais. O valor da vida humana mudou nestes últimos 100 anos? Será que é válido acabar com uma vida apenas porque a mulher grávida acha que ainda precisa investir mais na sua carreira antes de ter filhos? Com valores humanistas, a sociedade pode decidir o que é vida e o que não é.

Já a Torá não é assim, suas leis foram escritas por D'us, quem verdadeiramente sabe o que é uma vida e o que não é. O aborto há 100 anos era condenado pela Torá como uma atitude tão grave quanto o assassinato, pois aos 40 dias de vida a alma já entra no feto, e mesmo antes disso o feto já é um potencial de vida que não pode ser descartado, muito menos por motivos banais. Atualmente o valor de uma vida não mudou, e o aborto continua sendo considerado um assassinato. E mesmo que passem mais 1000 anos e que todas as condições mudem, o valor de uma vida nunca vai mudar aos olhos de D'us.

Outra grande diferença entre as leis humanistas e as leis da Torá é que os seres humanos tendem a defender sempre os seus direitos ao invés de se preocupar com os seus deveres. É muito comum ver grupos fazendo passeatas defendendo seus direitos. O grande problema é que quando todos têm apenas direitos, muitas vezes o direito de um grupo invade o direito do outro grupo. Quando um jornalista demanda seus direitos de liberdade de expressão, ele invade o direito das outras pessoas de manterem a sua vida particular. Quando um homossexual luta pelo direito de poder expressar seu homossexualismo em público, ele invade o direito de um pai que não quer expor seu filho pequeno à cena de dois homens se beijando em um parque público. Quando todos se preocupam apenas com os seus direitos, um tende a querer engolir os direitos dos outros. Quem está certo? Quem merece mais?

Já a visão da Torá é que o ser humano tem deveres, não direitos. Assim, quando cada um cumpre seu propósito e segue as regras impostas por D'us, ele garante os direitos dos outros e consequentemente os seus próprios direitos. O melhor exemplo disso é o que ocorre no trânsito, onde cada um cumpre seus deveres como motoristas, observando leis de trânsito tais como semáforos e mãos de direção, e com isso adquirem o direito de se locomoverem pela cidade com segurança e rapidez. Mas se cada carro tivesse o direito de fazer o que bem entendesse, certamente o trânsito seria um grande caos.

E não apenas que as leis da Torá não dependem da decisão de seres humanos, mas justamento o contrário ocorre, o ser humano foi embasado pelas leis da Torá, como está escrito "D'us olhou a Torá e criou o mundo". O Zohar (Cabalá) nos ensina que o ser humano tem 613 partes no seu corpo material (entre órgãos, ossos e juntas) e 613 partes na sua alma, justamente o mesmo número de Mitzvót da Torá. Fomos criados, tanto o nosso corpo quanto a nossa alma, de acordo com as Mitzvót. Nossa satisfação e nosso preenchimento está relacionado com o nosso cumprimento das Mitzvót.

É por isso que, apesar de muitas vezes pensarmos que viver de acordo com as Mitzvót da Torá é muito pesado e difícil, a verdade é justamente o contrário. Nunca o mundo viveu em uma abundância e uma tranquilidade sócio-econômica como neste século. E ao mesmo tempo nunca o ser humano foi tão infeliz e depressivo como agora. Moramos em apartamentos luxuosos, andamos em carros modernos e equipados, vivemos com conforto e comodidade, e mesmo assim a grande maioria das pessoas não se sente feliz. Por que? Pois não foi para isso que o mundo e o ser humano foram construídos, e por mais que possamos tentar buscar felicidade no preenchimento material, estaremos utilizando nossa construção original para outro propósito. Já em sociedades mais observantes de Mitzvót vemos que as pessoas que utilizam o mundo material apenas como um meio para se conectar ao espiritual estão muito mais satisfeitas e necessitam de muito menos para se sentirem bem e preenchidas.

Da mesma forma que um edifício residencial é construído para atender as necessidades de pessoas que utilizarão o edifício como moradia, e qualquer outro uso para o edifício será certamente longe do ideal, assim também ocorre com o nosso corpo e alma. Enquanto estivermos vivendo nosso vida voltada à conexão espiritual, estaremos nos preenchermos espiritualmente. Mas se tentarmos ser "espertinhos" e buscar viver uma vida apenas pelo preenchimento material, estaremos sujeitos a terminar como Curt Cobain, Heath Ledger e outros artistas famosos que, apesar de terem tudo, ao mesmo tempo nunca tiveram nada.

"Eu tento, eu tento e eu tento, mas eu não tenho satisfação..." (Mick Jager - Rolling Stones)

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ ITRÓ 5769

BS"D

OLHO GORDO - PARASHÁ ITRÓ 5769 (13 de fevereiro de 2009)

"Rachel era a filha de Kalba Sabua, um dos homens mais ricos de Jerusalém. Desde pequena foi mimada com roupas caras, jóias extravagantes e comidas refinadas. Porém, quando ela decidiu se casar com um homem chamado Akiva, na época um completo ignorante que não sabia nem mesmo ler e escrever, foi deserdada por seu pai e expulsa de casa. Rachel e Akiva começaram seu casamento em total miséria. Alugaram um estábulo velho para morar, quase não tinham comida na mesa e dormiam na palha. Akiva, para consolar sua esposa, prometia que um dia lhe daria uma valiosa jóia chamada "Jerusalém de ouro". A situação deles era cada dia mais difícil, mas apesar de todas as dificuldades, Rachel via em Akiva uma pessoa com um grande potencial espiritual e constantemente o incentivava a se dedicar aos estudos de Torá.

Certo dia o Eliahu Hanavi quis dar um presente para consolar Akiva. Foi até a casa deles, disfarçado de mendigo, vestindo roupas velhas, sujas e esfarrapadas. Bateu na porta e falou:

- Minha esposa acabou de dar a luz e não temos nem mesmo palha para o bebê dormir. Será que você poderia nos dar um pouco de palha?

Imediatamente Akiva deu para aquele pobre homem um pouco de palha. De noite, ele contou a história para sua esposa e comentou:

- Sabe, querida, hoje eu vi como somos ricos. Há pessoas que não têm nem mesmo palha onde dormir.

Quando escutou estas palavras, uma grande alegria encheu o coração de Rachel. Mesmo sendo tão pobre, naquele momento ela se sentia uma milionária...

Muitos anos depois, quando Akiva já era conhecido como Rabi Akiva, o maior sábio da sua geração, com mais de 24 mil discípulos, ele cumpriu sua palavra e deu para sua esposa a jóia prometida".

Se Eliahu Hanavi queria presentear o Rabi Akiva, por que não levou para ele uma jóia, para que pudesse dar de presente para sua esposa? Pois ele quis dar ao Rabi Akiva um presente muito maior: a oportunidade de saber apreciar o que ele tinha. Pois a riqueza é algo que pode ir e vir, mas estar contente com o que temos, ao invés de olhar o que os outros têm a mais do que nós, é um tesouro que adquirimos para sempre.
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Na Parashá desta semana, Itró, o povo judeu chegou ao Monte Sinal, onde D'us entregou os 10 Mandamentos. E o último mandamento nos adverte contra a inveja: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a esposa do teu próximo, e seu escravo e a sua escrava, e o seu touro, e o seu jumento, e tudo o que é do seu próximo" (Shemot 20:14). Entendemos por que a Torá proíbe o adultério, o assassinato e o roubo, que são crimes graves. Mas por que D'us se importa com a inveja, algo aparentemente tão natural e inerente ao ser humano? E por que a Torá deixou justamente este mandamento por último, como um fechamento dos outros anteriores?

Existem muitas forças espirituais que nós não sabemos o quanto influenciam em nossa vida cotidiana. Um exemplo é a inveja, em hebraico "Ain Hará" (Olho mau). Explica o Rav Chaim Fridlander em seu livro "Siftei Chaim" que para D'us a vontade já é uma realidade, isto é, basta Ele querer para que a coisa exista. Já para os seres humanos existe uma diferença entre a vontade e a realidade, existe uma distância entre querer algo e isto se realizar na prática. Mas D'us nos criou à Sua imagem e semelhança, e colocou nos seres humanos uma força que, dentro de certas condições, também pode se transformar em realidade apenas através da vontade, e esta força é a inveja. Por isso, quando alguém inveja algo de seu companheiro, pode causar muitos estragos e danos ao outro apenas com a força dos seus desejos. Mas nem sempre esta força consegue funcionar na prática, pois contra o desejo da pessoa que sente inveja está os méritos da outra pessoa, que a protegem. Portanto, todas as vezes que uma pessoa inveja algo de outra, começa uma "batalha espiritual". Caso o invejoso vença, ele consegue realmente prejudicar a outra pessoa. Mas se invejoso perde esta "batalha espiritual", a força com que ele intencionou prejudicar o outro volta, com a mesma intensidade, contra ele mesmo. É como se fosse um jogo de tênis, quanto mais forte jogamos a bolinha, mais longe ela chega. Mas se ao invés de uma quadra de tênis for um paredão, quando mais forte atiramos a bolinha, mais forte ela voltará contra nós mesmos, como nos ensina Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "A inveja apodrece os ossos".

Portanto a inveja, apesar de parecer algo sem muita importância, pode se tornar algo terrível aos seres humanos e causar muitos danos e estragos. É por isso que a inveja foi deixada por último, pois ela inclui todos os mandamentos anteriores. A inveja desperta o desejo da pessoa, e o desejo faz com que a pessoa possa transgredir todos os 10 mandamentos. Por exemplo, o invejoso pode terminar roubando para obter o que deseja ou pode chegar a cometer adultério para conseguir a mulher do outro. Até mesmo idolatria a pessoa pode chegar a cometer, pois aquele que tem inveja pensa "eu mereço isso mais do que o outro", e começa a achar que sabe mais do que D'us, que é Quem decide o que cada um precisa na vida.

E justamente pela inveja ser algo tão prejudicial é que D'us castiga aquele que intencionalmente causa inveja ao seu companheiro, ao mostrar seu carro conversível novo ou sua jóia maravilhosa. Ao causar inveja, ele faz o outro transgredir um dos 10 mandamentos e o prejudica. D'us então pune o "exibido" na mesma moeda, pois da mesma forma que ele prejudicou seu companheiro, ele também acaba sendo prejudicado. Quando a pessoa causa intencionalmente inveja no outro não existe uma "batalha espiritual", pois a pessoa que causou a inveja perde seus méritos e é certamente prejudicada pela inveja do outro, sem chance de se defender. É por isso temos que tomar cuidado para evitar exibicionismos e excessos, e temos que saber que coisas feitas com recato e sem chamar a atenção têm muito mais sucesso.

Mas se a inveja é algo tão negativo, por que D'us a colocou dentro de nós? Ensinam nossos sábios: "Se não fosse por causa da inveja, o mundo não se sustentaria, pois sem a inveja ninguém plantaria um vinhedo, ninguém se casaria e ninguém construiria uma casa". Isto significa que a inveja têm um lado positivo, ela nos faz sair da apatia, ela nos motiva a querer crescer. Portanto existem 2 lados para onde podemos canalizar a inveja, um é negativo e nos destrói, outro é positivo e nos ajuda a crescer. A inveja negativa é ficar olhando os bens materiais dos outros e desejar tirar o que os outros têm. A inveja positiva é olhar o nível espiritual dos outros e desejar chegar no mesmo nível, como ensina o Talmud "Invejar os estudantes de Torá faz aumentar a nossa sabedoria".

Por isso, já que é impossível escapar da inveja, devemos canalizá-la para o lado positivo. A dica é espiritualmente focar em quem tem mais do que nós, mas materialmente focar em quem tem menos do que nós. Se nosso sapato está rasgado, não devemos olhar para quem está de sapato novo, e sim para aqueles que não têm pés. Assim cumpriremos as palavras do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Quem é a pessoa rica? Aquele que está satisfeito com o que tem". Esse é o único antídoto contra a inveja.

"Toda pessoa consegue sentir o gosto doce de sua comida, menos o invejoso. Pois ele não consegue sentir o gosto bom da sua comida até que retire o que o seu companheiro tem de bom" (Orchot Tzadikim).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ BESHALACH 5769

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SÓ ACREDITO VENDO - PARASHÁ BESHALACH 5769 (06 de fevereiro de 2009)

Existem no mundo várias instituições judaicas que organizam Seminários com o intuito de ensinar para judeus afastados a verdadeira essência do judaísmo. Os maiores seminários do mundo, por incrível que pareça, têm como público alvo os judeus que estão de passagem pela Índia, pois um grande número de jovens israelenses afastados do judaísmo, ao terminar o serviço militar obrigatório, viajam para a Índia em busca de espiritualidade. Os rabinos organizam um seminário de final de semana em Hong Kong, compram um certo número de passagens e passam três dias na Índia, tempo suficiente para encontrar pessoas dispostas a ir ao Seminário.

Um dos responsáveis pela organização dos seminários em Hong Kong, o rabino Moshe Braverman, conta que certa vez havia comprado 25 passagens, mas em 3 dias tinha conseguido pelas ruas da Índia apenas 23 pessoas. Como o vôo seria na manhã seguinte, ele saiu de madrugada pelas ruas da Índia em busca de mais 2 judeus interessados, até que às 3 da manhã encontrou duas moças israelenses na rua, chamadas Dorit e Imbal. Quando começou a contar sobre o seminário de Hong Kong, as meninas ficaram brancas e imediatamente disseram que queriam ir, sem nem mesmo perguntar o preço ou o conteúdo do Seminário. O Rav Braverman estranhou, mas não disse nada.

No Seminário, no meio de uma aula sobre vida após a morte, quando o rabino mencionou sobre a "brincadeira do copo" (na qual as pessoas evocam um espírito para que entre em um copo e movimente-o em um tabuleiro com letras, se comunicando assim com os vivos), Dorit se levantou e, diante de todos, começou a contar a história de como foi parar naquele seminário:

- Minha mãe morreu quando eu era muito pequena. Eu aprendi muito cedo a fazer a brincadeira do copo, mas nunca tive coragem de evocar o espírito da minha mãe. Alguns meses atrás minha mãe apareceu para mim em um sonho. Ela estava com uma aparência muito ruim, e pediu para que eu viajasse para o Oriente. Arrumei minhas malas e, junto com minha amiga Imbal, fomos para a Índia. Passamos lá 2 meses curtindo e esperando o que iria acontecer, mas não aconteceu nada. Então ontem a noite eu tomei coragem e fiz a "brincadeira do copo", mas desta ver evoquei o espírito da minha mãe. Ela me escreveu a seguinte frase: "Vá para Hong Kong procurar a verdade". Fiquei perturbada, sem entender a mensagem, então saí com Inbal para dar uma volta. Poucos minutos depois o Rav Braverman apareceu, nos convidando para um Seminário em Hong Kong...

Mas o mais impressionante desta história, segundo o Rav Moshe Braverman, é que esta moça, apesar de todos os milagres abertos que presenciou, nunca se aproximou do judaísmo.
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Na Parashá desta semana, Beshalach, o faraó finalmente se curvou diante da força de D'us e permitiu aos judeus saírem do Egito. E assim a Torá descreve a saída do povo judeu: "E os judeus saíram da terra do Egito Chamushim" (Shemot 13:18). Muitos comentaristas explicam que a linguagem "chamushim" significa "armados". Mas é um pouco difícil entender a necessidade dos judeus saírem armados. Toda a saída do Egito foi rodeada de milagres, e mesmo no deserto D'us protegia constantemente o povo com nuvens e com uma coluna de fogo de noite. Além disso, os judeus não sabiam lutar, afinal tinham passado mais de 200 anos como escravos. Então por que tiveram que sair do Egito levando armas?

Explica o Rav Bachya que este versículo é um ensinamento de como devemos nos comportar na vida. D'us é Onipotente, pode fazer qualquer milagre em qualquer momento. Mas apesar de algumas vezes na história Ele ter feito milagres abertos, como nas 10 pragas do Egito e na abertura do Mar Vermelho, em geral Ele se comporta de maneira oculta, para nos permitir uma livre-escolha em todos os nossos atos. Por isso sempre temos que fazer a nossa parte, de forma que a intervenção de D'us seja de maneira oculta e não aberta. Por exemplo, é óbvio que quem protege nosso carro para que não seja roubado é D'us, mas temos que pelo menos fazer a nossa parte, isto é, trancar a porta.

Já segundo o Midrash (parte da Torá Oral), o entendimento deste versículo fica ainda mais difícil. O Midrash diz que a palavra "Chamushim" vem da mesma raíz da palavra "Chomesh", que significa "um quinto". O Midrash diz que o versículo está nos ensinando que apenas um quinto do povo judeu saiu do Egito, enquanto o restante, 80% do povo, não quis sair e morreu durante os 3 primeiros dias da praga da escuridão. Por que justamente nesta praga? Para que fossem enterrados sem que os egípcios percebessem, pois se vissem também os judeus morrendo, pensariam que eles também estavam sendo atingidos pelas pragas. Mas como pode ser que, depois de tantos milagres abertos, 80% do povo judeu não quis sair do Egito?

D'us criou o ser humano com o vontade de buscar a verdade. Infelizmente existem muitas motivações pelas quais o ser humano engana a si mesmo, tais como o medo de mudar, o medo de perder prazeres, o medo de perder prestígio e a apatia, como ensina o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Três coisas tiram o homem do mundo: a honra, a inveja e a busca pelos desejos". O que significa "tirar do mundo"? Significa nos afastar do nosso propósito, dos caminhos corretos, pois a pessoa que busca a honra, a inveja e os desejos sempre cria desculpas para continuar a cometer erros. Haviam muitos judeus no Egito que eram influentes e não queriam abandonar seus cargos para virar parte do "povão", junto com os outros judeus. Outros estavam tão conectados com o materialismo que temiam perder mesmo o pouco que tinham. E uma grande parte do povo judeu não quis sair por medo das mudanças, por medo das novas responsabilidades de estar sob os comandos de D'us, e preferiram permanecer escravos. Isso nos ensina que mesmo diante da maior verdade, o ser humano tem a capacidade de ignorá-la.

Quando olhamos os judeus egípcios nos perguntamos como eles puderam ser tão cegos, como não enxergaram a verdade tão escancarada. Mas será que estamos tão longe daqueles judeus? Será que faltam provas de que D'us existe e de que a Torá foi escrita por Ele? Atualmente existem centenas de sites, de ensinamentos por E-mail e de sinagogas com aulas de Torá abertas ao público. Então por que mais de 80% do povo judeu continua tão afastado das Mitzvót?

A redenção final do povo judeu, na época do Mashiach, será muito semelhante à saída do Egito, como nos ensinou Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Não há novidade sob o sol", isto é, se estudarmos o passado, aprenderemos sobre o futuro. Da mesma forma que os judeus se deixaram cegar por seus interesses, assim também fazemos hoje em dia.

Que possamos sair finalmente da escravidão que temos dos nossos desejos, do nosso comodismo e da nossa apatia.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ BO 5769

BS"D

NÓS FAZEMOS NOSSO FUTURO - PARASHÁ BO 5769 (30 de janeiro de 2009)

Um grande sábio não-judeu chamado Avlat encontrou-se com um grande sábio judeu chamado Shmuel. Enquanto eles conversavam, passou um grupo de trabalhadores em direção ao pântano, onde iriam passar o dia cortando e recolhendo juncos. Avlat, que era um grande conhecedor da astrologia, apontou para um dos trabalhadores e disse para Shmuel:

- Você está vendo aquele trabalhador? Ele não voltará do trabalho hoje. Será picado por uma cobra venenosa e morrerá.

- Depende – respondeu Shmuel – se ele for judeu, não é certeza que não voltará, pois ensinaram nossos sábios que "Ein Mazal Le Israel" (o povo judeu não é influenciado pelas estrelas). Pode ser que a minha Tefilá (reza) funcione para ele.

Esperaram até o fim da tarde e viram que o homem retornou do trabalho. Avlat ficou desconcertado, estava escrito nas estrelas que aquele homem deveria ter morrido! Abriu a sacola na qual o homem carregava os juncos que havia cortado e lá encontrou uma cobra cortada ao meio. O trabalhador levou um grande susto, nem havia visto a cobra dentro de sua sacola! Provavelmente durante o trabalho havia dado um golpe com a foice para cortar um pedaço de junco e havia matado, sem saber, uma cobra muito venenosa que estava à espreita para atacar. Shmuel então perguntou:

- Você se lembra se hoje você fez algum ato diferente, algo especial?

- Todos os dias – começou o homem – no horário do almoço, nós recolhemos pão de todos os trabalhadores em uma cesta e dividimos entre todos. Hoje eu percebi que um dos trabalhadores não tinha trazido pão e estava muito envergonhado. Então eu prontamente me ofereci para recolher o pão de todos, e quando chegou na vez daquele trabalhador, eu fingi que também peguei um pão dele e completei o que faltava com um pão meu.

Então Shmuel disse:

- Você fez uma grande Mitzvá. E assim nos ensinou Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "A Tzedaká (caridade) salva da morte". (História real, retirada do Talmud Shabat 156b)
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Na Parashá desta semana, Bo, a Torá continua descrevendo as 10 pragas que D'us mandou sobre o Egito para convencer o faraó a deixar o povo judeu sair. E a Parashá começa justamente quando Moshé anunciou a vinda da oitava praga, gafanhotos. Os conselheiros do faraó temeram que todos morreriam de fome caso os gafanhotos devorassem o que havia sobrado das plantações, e convenceram o faraó a deixar os judeus saírem para servir a D'us no deserto, como Moshé exigia. O faraó concordou, achando que apenas os homens mais velhos iriam, mas quando Moshé disse que todos iriam, inclusive as crianças e o gado, o faraó se enfureceu e disse "Então que D'us esteja com vocês quando eu enviar vocês e seus filhos. Veja que o mal está diante das suas faces" (Shemot 10:10). O que significam estas palavras do faraó?

A explicação mais simples é que o faraó desconfiou que os judeus não queriam apenas servir a D'us no deserto, esta era apenas uma desculpa para esconder um plano de fuga. O faraó ficou irritado com o descaramento dos judeus, pois não havia nenhum outro motivo para levar crianças e animais para o deserto. O desabafo do faraó foi sarcástico, dizendo que nem D'us os ajudaria por estarem sendo desonestos e mentirosos.

Já o Midrash (parte da Torá Oral) dá uma explicação mais profunda deste versículo. A palavra "mal", em hebraico é "Raá", que é também o nome de uma estrela cujo simbolismo é sangue e destruição. O faraó e seus magos, que tinham muitos conhecimentos de astrologia, estavam advertindo Moshé e o povo judeu que sua ida ao deserto seria regida pela influência desta estrela, que segundo o entendimento deles significava a destruição dos judeus. Então por que levar as crianças e o gado para também serem destruídos?

Porém, esta explicação do Midrash causa uma grande dúvida. Os judeus realmente estiveram sob o risco de destruição no deserto, quando fizeram o bezerro de ouro. Mas como podem os egípcios terem visto a estrela de sangue influenciando os judeus se apenas ela teve influência depois do erro deles, isto é, como foi possível ver o futuro se este dependia da livre escolha do povo judeu? Se o povo judeu não tivesse feito o bezerro de ouro, nunca teriam passado por nenhum perigo de destruição!

A influência das estrelas não é uma mera bobagem, como fazem parecer os atuais horóscopos, que servem apenas como entretenimento das pessoas e não trazem nenhuma informação séria. A astrologia é o conhecimento de quais influências espirituais estarão sobre o mundo material de acordo com o arranjo das estrelas e planetas no céu. As pessoas que tenham este conhecimento podem saber exatamente o que foi decretado nos mundos espirituais e quais serão as consequências no mundo material.

Explica o Rav Eliahu Dessler, em seu livro Michtav MeEliahu, que o conceito espiritual de "Ein mazal le lsrael" (o povo judeu não é influenciado pelas estrelas) não significa que um judeu nunca é influenciado pelas estrelas. Todos os seres humanos são influenciados pelo posicionamento dos astros no céu, mas quando os judeus receberam a Torá no Monte Sinai, se conectaram com D'us de uma maneira mais direta, "passando por cima" da influência das estrelas. Os judeus ganharam, através das Mitzvót, a capacidade de modificar o que está decretado nos astros. Quando um judeu cumpre Mitzvót, ele pode mudar o que está decretado. Mas se um judeu não cumpre Mitzvót, ele continua "preso" no que está escrito nas estrelas.

Portanto, o faraó realmente viu que a estrela Raá, que simboliza sangue e destruição, influenciaria o povo judeu no deserto. Mas enquanto o povo judeu estava mais elevado do que as estrelas, esta influência não era sentida por eles. Somente quando os judeus cometerem o terrível pecado do bezerro de ouro é que eles despencaram de nível espiritual e voltaram a estar sob a influência direta das estrelas. Neste momento eles entraram em um grande perigo de destruição, e o que os salvou foi a reza de Moshé e a Teshuvá (arrependimento) do povo. Mesmo após o perdão de D'us, como a influência da estrela Raá já havia recaído sobre o povo judeu, ela foi transferida para um outro "derramamento de sangue", o sangue do Brit-Milá que os judeus fizeram sob o comando de Yoshua, o sucessor de Moshé, antes de entrarem em Israel.

Daqui aprendemos a força das Mitzvót e o quanto elas podem mudar nossas vidas, inclusive coisas que já haviam sido decretadas nos mundos espirituais, como ensinam os nossos sábios "A Tefilá (reza), a Teshuvá (arrependimento) e a Tzedaká (caridade) mudam um mau decreto". Pois as Mitzvót são o caminho para, ao invés de nos conectarmos com os ministros e intermediários, nos conectarmos diretamente com o Rei.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm