sexta-feira, 14 de novembro de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ VAIERÁ 5769

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TZADIK ÀS CUSTAS DOS OUTROS? - PARASHÁ VAIERÁ 5769 (14 de novembro de 2008)

"O rabino Israel Salanter era um homem muito santo e rigoroso com o cumprimento das Mitzvót. Certa vez ele foi convidado por um de seus alunos para o jantar de Shabat. O rabino explicou ao aluno que nunca aceitava um convite antes de saber os detalhes dos costumes da casa. O aluno começou a explicar:

- Na minha casa tudo é feito com todo o rigor da Halachá (lei judaica). A carne é comprada em um açougue cujo dono é conhecido como um homem muito temente a D'us. A comida é preparada por uma senhora muito séria, viúva de um grande estudioso de Torá. Fora isso minha esposa passa o tempo todo supervisionando o preparo de cada comida. A mesa é caprichosamente arrumada para o jantar e entre um prato e outro nós conversamos sobre a Parashá da semana e estudamos Halachót (leis). Fora isso também cantamos músicas de Shabat e a prazeirosa refeição costuma ir até altas horas.

Depois de escutar todos os detalhes, o Rav Salanter aceitou o convite, mas com a condição que o jantar não se estendesse tanto. O aluno atendeu o pedido do rabino, acelerou bastante o jantar e bem cedo já estavam fazendo a reza final. Após a reza o aluno virou-se para o Rav Salanter e perguntou:

- E então, o Rav encontrou alguma falha no meu Shabat?

O Rav Salanter não respondeu, ao invés disso pediu para que aquela cozinheira viúva fosse chamada. Quando ela chegou na sala, o Rav Salanter pediu perdão por tê-la cansado mais do que o normal ao mudar os costumes da casa e acelerar a refeição. A cozinheira abriu um sorriso e disse:

- Ao contrário, rabino, que você seja abençoado e possa passar todas as refeições de Shabat aqui nesta casa. Todo Shabat a refeição costuma ir até muito tarde. Eu trabalho o dia inteiro, começo cedinho de manhã, chega um momento que minhas pernas latejam e o cansaço me consome. Mas hoje, graças ao rabino, eu poderei voltar cedo para casa e descansar um pouco.

Quando escutou estas palavras, o Rav Salanter virou-se para o seu aluno e falou:

- Aqui está a resposta da sua pergunta. Seu Shabat é realmente muito bonito, mas é isso que D'us quer, uma Mitzvá às custas da saúde de uma viúva? O seu Shabat somente será bom quando for bom para todos também!"

Muitas vezes temos tanta sede de crescer que esquecemos de olhar em volta para nos certificar de que não estamos pisando em ninguém.
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A Parashá desta semana, Vaierá, nos mostra a força espiritual descomunal de Avraham Avinu. Apesar de ter feito um doloroso Brit-Milá aos 99 anos, sem nenhum tipo de anestesia, todo o seu pensamento estava apenas concentrado em fazer bondades aos outros. Mesmo doente, ele insistia em receber convidados em sua casa. Mas os planos de D'us eram outros, pois Ele queria que Avraham descansasse para poder se recuperar. D'us fez com que o dia se tornasse insuportavelmente quente, a ponto de nenhum viajante se aventurar a sair de casa. Vendo que estranhamente não passava nenhum visitante, Avraham mandou seu servo Eliezer procurar viajantes no caminho, mas ele não encontrou ninguém. Avraham não desistiu e mesmo com terríveis dores foi para a porta de casa, na esperança de enxergar viajantes no caminho. D'us entendeu que doía mais para Avraham não receber convidados do que as terríveis dores do Brit-Milá e por isso mandou para ele 3 anjos disfarçados de beduínos, para que Avraham pudesse cumprir a Mitzvá de Achnassat Orchim (receber convidados).

A Parashá descreve todo o esforço de Avraham para agradar os beduínos e recebê-los da melhor forma possível. Ofereceu-lhes comida, bebida e descanso na sombra. E tudo o que Avraham ofereceu aos beduínos, ofereceu com abundância. Serviu leite e manteiga, pães, bolos e carne à vontade. Mas há algo estranho, porque quando ele ofereceu água para que lavassem os pés, ofereceu pouco, como está escrito "Que seja trazido um pouco de água..." (Bereshit 18:4). Por que? Será que Avraham não queria gastar muito com os convidados pois era uma pessoa econômica?

Nossos sábios ensinam justamente o contrário, que Avraham não media gastos para receber bem seus convidados. Por exemplo, o Talmud conta que Avraham não preparou apenas um boi para servir aos visitante, e sim três bois. Mas por que três bois para apenas três pessoas? Rashi, comentarista da Torá, explica que Avraham quis servir para cada um dos viajantes um prato típico de reis: língua com mostarda, uma língua para cada beduíno. Portanto, se Avraham era uma pessoa tão generosa, por que ele ofereceu pouca água?

Explica o livro "Lekach Tov" que nem todas as coisas foi Avraham quem trouxe sozinho. O leite e a manteiga, os bolos e a carne foram trazidos por ele, mas a água Avraham preferiu pedir para seu filho Ishmael trazer, não por preguiça, e sim como uma forma de ensiná-lo a importância de fazer Chessed (bondade).

Podemos enxergar a grandeza de Avraham não apenas nos seus atos de Chessed, mas também na sua preocupação com os outros. O que Avraham fazia sozinho, ele recebia sobre si fazer o melhor possível e se esforçar ao máximo, e por isso trouxe com abundância. Mas o que ele pedia aos outros, era cuidadoso para não sobrecarregá-los. Por isso Avraham pediu para Ishmael apenas um pouco de água. Avraham era muito Tzadik, mas não queria que seus bons atos fossem construídos sobre o esforço dos outros. E isso devemos aprender para nossas vidas, se queremos fazer bons atos, que façamos com o nosso esforço e não sobrecarregando outras pessoas. Assim nos ensina o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Todo aquele com quem as pessoas estão contentes, D'us também está contente com ele; e todo aquele com quem as pessoas não estão contentes, D'us também não está contente com ele" (Avót 3:10). Em outras palavras, de nada adianta fazer bons atos às custas de outras pessoas, pois se elas não estiverem contentes conosco, D'us também não estará.

Há um outro ensinamento importante que aprendemos dos atos de Avraham Avinu. Somos extremamente rigorosos com os outros, constantemente questionamos os atos das outras pessoas e esperamos que todos se comportem de maneira perfeita e exemplar. Mas ao contrário, quando se trata de nós mesmos, somos lenientes e estamos sempre buscando justificativas para os nossos atos. Avraham nos ensinou o contrário, a ser rigorosos conosco, buscando cada vez melhorar mais para chegar na perfeição, porém ao mesmo tempo ser lenientes com os outros, respeitando os limites de cada um. Desta forma não apenas as outras pessoas estarão contentes conosco, mas D'us também estará.

"Toda vez que apontamos o dedo para alguém, 3 dedos ficam apontados para nós mesmos"

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5769

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INFLUENCIANDO O MUNDO - PARASHÁ LECH LECHÁ 5769 (07 de novembro de 2008)

Um rabino muito erudito, com uma grande fortuna e descendência nobre, foi contratado como orador em uma pequena comunidade. Apesar de suas aulas serem esplêndidas e suas palavras inspiradoras, inexplicavelmente não tiveram nenhum efeito sobre a comunidade, e todos os erros e vícios que ele tanto criticava continuavam florescendo. Quando os habitantes da cidade foram questionados do porquê as palavras daquele homem tão sábio não tinham nenhum efeito sobre eles, muitos disseram: "É muito fácil falar sobre honestidade e caridade, estudo da Torá e espiritualidade quando se é milionário. Este rabino não consegue nos entender, pessoas que trabalham duro durante todo o dia e de noite já estão cansadas para dedicar seu tempo livre à Torá e às Mitzvót.

Então os líderes da comunidade decidiram contratar um outro orador, também um rabino muito sábio, homem piedoso e devoto, mas que, diferentemente de seu antecessor, havia passado a vida inteira imerso em pobreza. Infelizmente, apesar dos esforços, ele também falhou na sua missão e não conseguiu inspirar os moradores a se tornarem pessoas melhores. Quando questionados, os habitantes da cidade explicaram que aquele homem também não falava a língua deles, pois era um homem santo, que havia passado a vida inteira longe das tentações do mundo
material, e por isso não entendia as dificuldades de quem lutava diariamente contra elas.

Finalmente os líderes da comunidade escolheram como orador da cidade uma pessoa que não era um rabino, e sim um trabalhador, mas que também tinha uma grande erudição na Torá. Ele havia sido muito rico, mas alguns infortúnios fizeram com que ele perdesse grande parte de seu dinheiro. Este homem representava uma combinação ideal entre o conhecimento erudito e a sabedoria na prática. Ele conseguia falar a linguagem das pessoas, e foi o único que conseguiu realmente tocar o coração de todos.
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Os atos e os méritos de Avraham Avinu, o primeiro dos nossos patriarcas, continuam iluminando os caminhos do povo judeu e nos inspirando até os dias de hoje. Avraham chegou a um elevado nível de conexão espiritual com o Criador, e todos os seus atos eram voltados somente ao bem da humanidade. A Parashá desta semana, Lech Lechá, traz vários testes aos quais Avraham foi submetido durante sua vida, que ajudaram-no a moldar seu caráter e sua fortaleza espiritual. Testes muito difíceis, tais como como abandonar sua terra e ir para um lugar completamente desconhecido, e expulsar seu filho Ishmael de casa. O nível que Avraham chegou foi tão elevado que o profeta Yechezkel escreveu: "Avraham foi um" (Ezekiel 33:24). Nos ensina o Midrash (parte da Torá Oral) que quando a Torá utiliza a linguagem "haia" (foi) conectada a uma pessoa, é para indicar que esta pessoa foi Tzadik (Justa) e correta nos caminhos de D'us todos os dias da sua vida.

Mas há algo difícil de entender no ensinamento deste Midrash. O Talmud nos ensina que Avraham, como todos da sua geração, nasceu idólatra. Ele trabalhou duro na busca da verdade, observou, refletiu e somente chegou ao reconhecimento de que havia um único Criador com a idade de 48 anos. A partir deste momento Avraham começou a trazer muitas pessoas de volta ao serviço de D'us, e teve muito sucesso. Então, se dos 175 anos que viveu, Avraham passou mais de 48 anos envolvido com idolatria, como pode ser que o versículo de Yechezkel indica que Avraham foi uma pessoa justa e correta nos caminhos de D'us todos os dias da sua vida? E além disso, como pode ser que um ex-idólatra conseguiu trazer tantas pessoas de volta aos caminhos de D'us?

Explica o Maguid Mi Duvno que existe na Torá uma importante Mitzvá de repreender uma pessoa que não está nos caminhos corretos para que ela se arrependa e volte, como está escrito "Repreenda seu companheiro" (Vayikrá 19:17). A linguagem "seu companheiro" deixa claro que, para que a pessoa repreendida escute o que está sendo ensinado, é necessário que a linguagem seja compatível com ela. Se uma pessoa diz que é muito pobre e por isso não pode se dedicar às Mitzvót, devemos contar sobre Hilel, um dos maiores sábios do povo judeu, que viveu imerso em pobreza e mesmo assim gastou cada mísero centavo que recebia para se dedicar ao estudo da Torá. Já para uma pessoa que diz que seus negócios são tão prósperos que não sobra tempo para se dedicar às Mitzvót devemos contar sobre o Rabi Elazar ben Charsom, que herdou de seu pai mais de 1.000 propriedades e mais de 1.000 embarcações, e mesmo assim passava seu dia dedicado ao conhecimento das leis da Torá. Para cada tipo de dificuldade a resposta deve ser na linguagem de quem escuta.

Esta foi a grande força e o diferencial de Avraham Avinu para conseguir trazer tantas pessoas de volta ao caminho de D'us. Por ele mesmo ter sido idólatra e ter conseguido abandonar os caminhos errados, ele podia conversar com as pessoas de igual para igual, ele era um exemplo vivo de que era possível vencer as dificuldades, e por isso foi escutado por tanta gente. Apesar de Avraham realmente ter feito idolatria por muitos anos, tudo isso terminou sendo usado para D'us, para ajudar a trazer pessoas de volta e, portanto, se converteram em coisas positivas. D'us transformou as transgressões de Avraham em Mitzvót, fazendo com que ele fosse considerado Tzadik todos os dias da sua vida.

Esse importante conceito também se aplica nos nossos dias. Explicam os nossos sábios que no lugar que se encontra um Baal Teshuvá (pessoas que retornou aos caminhos corretos), mesmo um Tzadik Gamur (pessoa totalmente justa) não chega, isto é, os méritos espirituais daqueles que estavam no caminho errado mas decidiram se esforçar, vencer as dificuldades e voltar são muito maiores do que os méritos de alguém que já nasceu e foi educado nos caminhos corretos. Um dos motivos é porque aquele que volta em Teshuvá faz um grande Kidush Hashem (Santificação do nome de D'us) e torna-se um exemplo vivo para aqueles que desejam voltar mas têm medo das dificuldades. Se uma pessoa que nasceu em uma família religiosa tenta mostrar que é possível fazer Teshuvá, as pessoas refutam dizendo "E o que você sabe sobre vencer as dificuldades e tentações?". Mas a pessoa que fez Teshuvá facilmente torna-se um modelo positivo e que fala a mesma língua daqueles que estão afastados.

Existe um movimento cada vez maior de Teshuvá, isto é, milhares de pessoas em todo o mundo que estavam completamente afastados do judaísmo estão em um maravilhoso processo de retorno às suas raízes. E nos ensina a Parashá Lech Lechá que não apenas estão mudando seu futuro, mas estão também consertando todo o seu passado, limpando os erros cometidos e transformando-os em méritos, por servirem de exemplo para outras pessoas que querem voltar mas sentem dificuldade.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ NOACH 5769

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OS ANIMAIS TÊM DIREITOS, E NÓS? - PARASHÁ NOACH 5769 (31 de Outubro de 2008)

No dia 26 de janeiro de 2003, um ônibus israelense sofreu um atentado a bomba árabe. Mas desta vez o meio utilizado não foi um palestino suicída, e sim um burro. Com explosivos atados em seu corpo, o pobre animal foi direcionado ao ônibus israelense e a bomba foi detonada por controle remoto. Milagrosamente todas as pessoas sobreviveram, mas o burro não.

Depois de receber inúmeros protestos de seus membros chocados, a presidente da PETA (People for the Ethical Treatment of Animals - Pessoas para o Tratamento Ético dos Animais), Ingrid Newkirk, escreveu uma carta para Yasser Arafat com os seguintes dizeres "Se você tiver oportunidade, você poderia transmitir aos seus subordinados meu apelo para que vocês deixem os animais fora deste conflito?"

No conflito Árabe-Israelense, certamente há tragédias muito maiores do que a morte de um burro. Centenas de homens, mulheres e crianças inocentes foram assassinados. Mas a PETA não fez nenhum protesto pela perda de tantas vidas humanas. Quando questionada pelo jornal "The Washington Post", Ingrid Newkirk justificou: "Não é meu negócio me intrometer em guerras humanas". É assustador o descaso pelas vítimas humana, principalmente vindo de alguém que ama tanto os animais...
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A Parashá desta semana, Noach, nos conta sobre o terrível dilúvio que devastou o mundo. Somente Noach (Noé), sua família e alguns animais foram salvos (7 pares de cada animal Kasher e 1 par de cada animal não-Kasher). O resto de toda a criação, inclusive as plantas, foi completamente apagado da face da Terra. A Torá explica que o dilúvio ocorreu pois o ser humano havia se corrompido e se desviado dos caminhos corretos, cometendo atos como roubo, assassinato e relações proibidas. Mas se foi o ser humano quem pecou, por que os animais e as plantas também sofreram com o dilúvio?

Quando D'us colocou Adam Harishon (Adão) no Gan Éden, ordenou que ele tomasse conta do jardim, como está escrito "E D'us pegou o homem e o colocou no Jardim do Éden, para trabalhá-lo e guardá-lo" (Gênesis 2:15). Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que D'us levou Adam Harishon por todo o Jardim do Éden, mostrou-lhe todas as árvores e disse: "Veja como são belas Minhas criações. Eu criei tudo isso para o seu benefício. Tome cuidado para não destruir nem arruinar Meu mundo". Mas por acaso Adam era jardineiro? D'us estava pedindo para que ele irrigasse as plantas? Obviamente que não, pois D'us mesmo irrigava o Jardim, como está escrito: "E saía um rio do Éden para regar o jardim..." (Gênesis 2:10). Então o que quer dizer que Adam tinha que cuidar do jardim para não destruí-lo?

Segundo o livro Messilat Yesharim (Caminho dos Justos), D'us criou todo o universo para servir o ser humano e ajudá-lo a cumprir seu objetivo. Porém, todo o mundo material também é para o ser humano um grande teste. Se o ser humano utiliza o mundo material como uma ferramenta para se conectar com a espiritualidade, ele se eleva e eleva o mundo inteiro junto com ele. Mas se o ser humano utiliza sua livre escolha para se conectar com o mundo material apenas em busca do preenchimento dos seus desejos e vontades, ele se corrompe e cai espiritualmente, e o mundo inteiro cai junto com ele. D'us estava advertindo Adam Harishon, explicando que se ele pecasse, o reflexo seria sentido em toda a criação.

Foi isso o que aconteceu nos dias de Noach, uma geração voltada apenas à busca de prazeres materiais. Por não colocar limites, eles começaram com prazeres permitidos e chegaram na inveja, no roubo e nos prazeres sexuais ilícitos. E os atos errados do ser humano influenciaram negativamente e corromperam todo o restante da criação, fazendo com que tudo fosse destruído no dilúvio.

Atualmente a ecologia e o direito dos animais estão na moda. É chique fazer manifestos pelas baleias na Antártida ou pelas focas na Oceania. Os animais "conquistaram" definitivamente seus direitos: cachorros frequentam psicólogos, andam com roupas da Daslu e muitos casais optam por ter cachorros ao invés de ter filhos. O que a Torá fala sobre isso?

Há uma proibição da Torá de causar qualquer sofrimento desnecessário aos animais ou destruir e desperdiçar qualquer coisa no mundo. D'us nos deu o mundo para desenvolvê-lo e embelezá-lo, não para destruí-lo. Mas nas leis de D'us, o "direito" de um animal não sofrer é igual ao "direito" de uma árvore ou de uma planta de não sofrerem de forma desnecessária ao serem cortadas. Não podemos tratar mal os animais, mas não pelo "direito" deles, e sim por nós mesmos. Por causa das semelhanças fisiológicas que temos com os animais, tratá-los com crueldade causa um efeito negativo subconscientes na nossa personalidade, diminuindo nossa sensibilidade. Uma pessoa que maltrata animais certamente chegará a maltratar seres humanos, o que é muito grave perante D'us.

Porém, se maltratar os animais é prejudicial ao ser humano, o outro lado também é muito perigoso. Preocupação e amor extremos com os animais e com a natureza podem nos fazer perder o referencial, nos levando a confundir o que é o principal e o que é secundário. Existem milhares de movimentos ecológicos, mas quantos movimentos ajudam crianças africanas subnutridas que morrem, em pleno século 21, de fome? Por que tantas pessoas sentem mais dó de um cachorro abandonado do que de uma criança abandonada? Por que vestimos camisetas "salvem as baleias" e não usamos camisetas "salvem as crianças" ? Um estudo com crianças de 12 anos mostrou que se elas vissem seu cachorro e um estranho se afogando, 35% salvariam sem nenhuma dúvida o cachorro, enquanto 35 % ficariam em dúvida do que seria o correto fazer.

Aqueles que colocam os animais no mesmo nível dos seres humanos correm o risco de tratar os seres humanos como animais e de ignorar o sofrimento humano. Um exemplo marcante foi a Alemanha ter criado a Sociedade Protetora dos Animais pouco anos antes do Holocausto. Provavelmente as mesmas pessoas que criaram a Sociedade também participaram, ou se calaram, na morte e tortura de 6 milhões de seres humanos.

Nada ocorre por acaso, e as grandes tragédias da natureza, como tornados, furacões e Tsunamis, que matam milhares de pessoas, animais e plantas, são cada vez mais frequentes. Todas estas catástrofes são resultado das nossas más ações. D'us criou um mundo maravilhoso, e é óbvio que devemos cuidar dele e ter atitudes ecologicamente corretas, como não jogar lixo na rua, reciclar produtos e não desperdiçar os recursos naturais. Mas aprendemos da geração de Noach que não há maior contribuição ecológica do que andar nos caminhos corretos.

"Nós condenamos totalmente infligir sofrimento sobre nossos irmãos animais, e a diminuição do prazer deles, a não ser que seja necessário para o benefício individual deles. Nós declaramos a nossa crença de que todas as criaturas com sentimentos têm direito à vida, à liberdade e à busca de felicidade" (Declaração assinada por 150 acadêmicos da Universidade de Cambridge, durante o Simpósiso dos Direitos dos Animais).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ BERESHIT 5769

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PENSANDO NO OUTRO - PARASHÁ BERESHIT 5769 (24 de outubro de 2008)

"Diz a lenda que dois irmãos herdaram uma fazenda. Eles trabalharam juntos por muitos anos, com verdadeiro amor fraternal. Após algum tempo, quando o irmão mais velho ficou noivo, eles decidiram dividir a fazenda. O irmão mais velho se casou e construiu uma nova casa, enquanto o irmão mais novo continuou morando sozinho na casa antiga. As terras floresceram e trouxeram aos dois muito dinheiro. O irmão casado teve então alguns filhos, e em pouco tempo ele já tinha uma grande família, com 10 crianças. O outro irmão, que ainda estava procurando por uma esposa, continuava sozinho.

Um dia, o irmão que estava sozinho pensou: "Eu tenho toda esta fazenda e todo este dinheiro, mas eu só tenho a mim para sustentar. Meu irmão tem a mesma quantidade que eu, mas têm 12 bocas para alimentar". Então, no meio da noite, ele pegou alguns sacos de trigo, subiu o monte que separava as duas fazendas e colocou os sacos dentro do silo do irmão.

Uma noite, o irmão casado começou a refletir: "Sabe, eu tenho 10 filhos, eu tenho uma esposa, meu mundo é rico. Mas pobre do meu irmão, ele é solitário. Tudo o que ele tem na vida é o seu trigo". Então, no meio da noite, ele pegou alguns sacos de trigo, subiu o monte e deixou os sacos no silo do irmão.

E assim foi por algum tempo. Toda noite, ambos subiam o monte, passavam para o lado da fazenda do irmão, e deixavam alguns sacos de trigo no outro silo. E na manhã seguinte, ambos pensavam: "Como pode ser que eu continuo sempre com a mesma quantidade de trigo?".

Uma noite, quando eles estavam passando pela divisa para levar os sacos de trigo, os dois irmãos se encontraram no topo da montanha. E imediatamente eles entenderam o que estava acontecendo. Eles se abraçaram e choraram juntos. E foi neste local que o Todo Poderoso escolheu para construir o Templo Sagrado"

Quando um ser humano ama outro ser humano, O Todo Poderoso está junto deles. Este é o verdadeiro significado da vida. Enquanto não aprendermos a respeitar as diferenças e aceitar as individualidades, nunca conseguiremos nos conectar realmente com D'us.
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Nesta semana recomeçamos o ciclo anual de leitura da Torá com o primeiro livro, Bereshit. E a Parashá desta semana, Bereshit, nos ensina sobre a criação do mundo, culminando com a criação do ser humano, o propósito de toda a criação. Mas há nesta Parashá algo que incomoda muitas pessoas. O ser humano sonha em desvendar os segredos da criação do mundo. Milhões de livros e horas de estudo são dedicados a tentar descobrir a origem de tudo. No Mashassusets Institute of Technology (MIT) há mais de 50 mil livros sobre o desenvolvimento do universo (cosmologia, química, termodinâmica, paleontologia, arqueologia e física). Em Harvard há mais de 200 mil livros. Mas a Torá, o nosso "Manual de Instruções da vida" traz apenas 31 versículos! Por que a Torá não se alongou mais em nos contar todos os detalhes da criação do mundo?

A Parashá Bereshit também tem outros pontos que nos despertam perguntas. Por exemplo, nos conta o Midrash (parte da Torá Oral) que Adam Harishon e Chavá (Adão e Eva) foram criados inicialmente como um único ser, como diz o versículo "... macho e fêmea os criou" (Bereshit 1:27). A primeira criatura humana tinha duas faces, e somente mais tarde foi separada em duas criaturas distintas, homem e mulher. Mas se D'us é perfeito e não comete erros, então por que Ele criou os dois juntos e depois separou? Ele se arrependeu? Havia alguma coisa errada?

Quando compramos um quebra-cabeça, gostamos do desafio de montar cada peça até que apareça a figura completa. Mas como saber por onde começar e qual a nossa meta? Para nos ajudar, o fabricante do quebra-cabeça estampa na caixa do brinquedo a figura pronta, para que sirva de modelo. O mesmo fez o Criador do mundo, primeiro Ele criou o homem e a mulher juntos e depois os separou, para que possam saber onde devem chegar e o quanto devem se esforçar para voltar a se unir como estavam no início, como diz o versículo "... e serão uma só carne" (Bereshit 2:24).

Mas o motivo da separação não fica totalmente claro, pois assim a Torá explica a necessidade da separação: "E disse D'us: Não é bom que o ser humano esteja sozinho, farei para ele uma ajuda diante dele" (Bereshit 2:18). Adam Harishon, a primeira criatura, estava no Gan Éden (Paraíso), sendo servido por anjos e em contato direto com o Criador do mundo. Por que não estava bom? O que faltava para ele? Por que foi necessário separar o homem e a mulher para depois uni-los de novo, oficializando o primeiro matrimônio da humanidade?

No mundo material, a proximidade entre dois objetos é definida pela distância física entre eles. No mundo espiritual, a proximidade é definida pela semelhança entre duas coisas. Por isso, se queremos nos conectar com D'us por toda a eternidade, temos que nos comportar como Ele se comporta. Da mesma forma que D'us constantemente faz apenas o bem aos outros, sem esperar nada em troca, assim também devemos nos afastar do nosso lado animal e egoísta e desenvolver o nosso lado espiritual, que nos impulsiona a fazer o bem ao próximo. E quanto mais fazemos bem aos outros, mais nos conectamos com o Criador.

É por isso que a Torá ressalta que não era bom o homem estar sozinho, pois sozinho o homem não pode chegar ao nível mais elevado, de se preocupar constantemente com o próximo e não apenas em si mesmo. E é essa a essência do casamento criada por D'us, juntar o homem e a mulher, duas criaturas com naturezas muito diferentes, para que eles possam se trabalhar, para que possam aprender a ceder, até chegar ao nível de que um possa se preocupar tanto com as necessidades do outro que se tornem como se fossem uma só pessoa.

Mas se a união de um homem e uma mulher através do casamento é um mandamento Divino e é algo tão bom, como explicar o atual nível de divórcios, que beira os 70%? O problema é que as pessoas se importam mais em saber se há vida em Marte ou Júpiter do que em saber como cuidar de sua esposa ou seu marido. O mundo investe bilhões para mandar sondas espaciais, para saber mais sobre o Big Bang, mas não se investe quase nada para melhorar os casamentos e os relacionamentos entre as pessoas. Exatamente por isso D'us foi tão sucinto em nos descrever a criação do mundo, nos deixando uma mensagem eterna: "Se preocupem com os assuntos que são realmente importantes para vocês, e deixe que Eu me preocupo com a Criação do mundo e todos os seus segredos". A grande maioria das pessoas atualmente não investe na construção espiritual do casamento, isto é, se casam apenas para receber e não para doar ao seu cônjuge. Isso não é um casamento, é apenas duas pessoas tentando sugar ao máximo um do outro. É uma bomba-relógio programada para, mais cedo ou mais tarde, explodir.

Todos temos um lado animal e egoísta, e podemos superar. O casamento é um presente Divino, é a ferramenta para deixarmos de pensar somente em nós mesmos e começarmos a pensar nos outros. A Torá nos ensina que quando marido e mulher se unem com Shalom Bait (paz conjugal), a presença de D'us está entre eles. Pois somente aquele que vence seu egoísmo e consegue se conectar de verdade com alguém fora de si mesmo, consegue chegar ao nível de se conectar com D'us.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - SUCÓT II 5769

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PENSANDO NO PRÓXIMO - SUCÓT II 5769 (17 de outubro de 2008)

"O Rebbe Mordechai de Neschiz vivia em total pobreza. Durante todo o ano ele economizava o máximo que podia, centavo por centavo, para conseguir comprar um Etrog (uma das 4 espécies) em Sucót. Uma vez, pouco antes de Sucót, o Rebbe Mordechai viajou para a cidade de Brod, para comprar um Etrog com o dinheiro que havia sofridamente economizado. Enquanto ele andava na rua, viu um outro judeu sentado na calçada, chorando baixinho, as lágrimas correndo pelo rosto. Rebbe Mordechai ficou penalizado com o sofrimento daquele pobre homem e perguntou porque ele estava chorando. O homem, soluçando, respondeu:

- Rebbe, meu cavalo era minha única fonte de sustento, e hoje ele morreu. Não tenho mais como sustentar minha família. Não sei o que vou fazer da minha vida!

Sem nenhuma hesitação, o Rebbe pegou a carteira onde estava o dinheiro economizado, colocou na mão do homem e ordenou:

- Vá imediatamente comprar um novo cavalo para você.

O Rebbe então voltou para casa. Quando ele entrou na sala, sua esposa notou um brilho especial no seu rosto, e perguntou se havia acontecido algo. Ele balançou afirmativamente a cabeça, abriu um sorriso e falou:

- Neste Sucót, enquanto todo o povo judeu estiver fazendo a Brachá (bênção) sobre seus Etroguim, eu estarei fazendo a Brachá sobre um cavalo..."

Existiram, e ainda existem, muito judeus que abrem mão de suas coisas mais preciosas pelo bem do próximo. Isso se chama "Achavat Israel" (amar de verdade o próximo).
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Este Shabat coincide com a festa de Sucót. Em Sucót revivemos a experiência de que D'us cuida, de forma particular, de todas as nossas necessidades. Isso é ressaltado pela Mitzvá de habitar em uma Sucá, uma simples cabana de paredes e teto frágeis, pois da mesma forma que D'us cuidou de nós durante os 40 anos no deserto, assim Ele continua cuidando de cada detalhe em nossas vidas. Nossa proteção não vem das paredes e tetos fortificados, e sim diretamente de D'us.

Mas em Sucót, além da Mitzvá de construir a Sucá, há ainda a Mitzvá de unir os Arba Minim (4 espécies) e balançá-los juntos: Etróg, que é um tipo de fruta cítrica; Lulav, que é uma folha de tamareira; Adass, que são folhas de Mirta; e Aravá, que são folhas de chorão. O Etróg tem gosto e tem cheiro, o Lulav tem gosto mas não tem cheiro, o Adass tem cheiro mas não tem gosto e a Aravá não tem gosto nem cheiro. Qual a conexão dos Arba Minim com a idéia da proteção Divina particular que revivemos em Sucót?

Sucót é a época de reconhecer as coisas boas que temos na vida, tais como saúde, família, amigos, etc. Mas ensina o livro Chovót Halevavót (Deveres do coração) que o maior obstáculo na apreciação de todas as coisas boas que temos são os problemas e os momentos de dificuldade. Por melhor que possam ser nossas vidas, todos temos dificuldades, e mesmo que alguém possa chegar à 99% de uma vida perfeita, aquele 1% que falta estará lá para incomodar, para distrair nossa atenção. Como conquistar esta parte que falta da nossa alegria? Explica o rabino Israel Miller que a Mitzvá dos Arba Minim nos ajuda a trabalhar com a parte que falta na nossa vida.

Quando olhamos para o Etróg, vemos uma criação completa, com cheiro e com gosto, que pode ser utilizado para fazer uma geléia, para perfumar o ar ou como rodelas no chá. É o tipo de criação que esperaríamos do Onipotente Criador do mundo. Mas quando olhamos para o Lulav, que tem gosto mas não tem cheiro, nos perguntamos: porque D'us não colocou também aroma nesta espécie, fazendo a Sua criação perfeita? O mesmo ocorre quando examinamos o Adass, que tem cheiro mas não tem gosto. E finalmente, quando olhamos as Aravót, que não tem cheiro nem gosto, nos questionamos por que D'us investiu energia para criar algo assim? Que desperdício!

A Mitzvá dos Arba Minim vem nos mostrar que esta visão negativa é um erro. Não há desperdício no Plano Divino, tudo tem o seu propósito. Se falta cheiro nas Aravót, é porque o cheiro não é algo que ela necessita para seu papel espiritual no mundo. A festa de Sucót é chamada de "Zman Simchateinu" (Tempo da nossa alegria), pois com os ensinamentos de suas duas Mitzvót, a Sucá e os Arba Minim, podemos chegar na alegria verdadeira: a alegria de saber reconhecer tudo o que já temos, e de saber que o que ainda não temos é porque agora não é necessário para que possamos chegar no nosso máximo potencial espiritual.

Outro ensinamento importante dos Arba Minim é que, da mesma forma que a Mitzvá dos Arba Minim só se cumpre quando as quatro espécies tão diferentes entre si estão juntas, o propósito do mundo também só se completará quando todos os diferentes tipos de pessoas se unirem, um ajudando ao outro. O mundo foi criado para que as pessoas interagissem entre si, como peças de uma máquina, e se apenas uma das peças não funciona direito, toda a máquina está perdida. D'us não criou o mundo para que cada um viva sua vida de forma independente, e sim para que um possa ajudar ao outro. Os Arba Minim nos ajudam a ver o mundo de forma mais global e mais completa.

Ensina o livro Tomer Dvora que a Mitzvá de "Veahavta Lereecha Kamocha" (Ame ao seu próximo como a si mesmo) não é apenas algo hipotético, é uma realidade, e quando fazemos algo ao próximo, no fundo estamos fazendo algo para nós mesmos, pois dentro de cada pessoa temos um pouco de nós mesmos, do nosso propósito. Somente um ajudando ao outro alcançaremos finalmente a linha de chegada.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - SUCÓT 5769

BS"D

RÁPIDO DEMAIS - SUCÓT 5769 (10 de outubro de 2008)

"John, um executivo muito bem sucedido, dirigia por uma vizinhança, correndo um pouco demais em seu novo Jaguar, pensando em quanto sua casa de 5 suítes estava pequena. De repente, um tijolo espatifou-se na porta lateral do Jaguar. Ele freou bruscamente e deu ré até o lugar de onde tinha vindo o tijolo. Saltou do carro, pegou bruscamente uma criança que estava parada ali e gritou:

- Por que você fez isto? Este é um carro novo e caro, e o conserto vai me custar muito dinheiro!

- Por favor, senhor, me desculpe, eu não sabia mais o que fazer - implorou o pequeno menino - Ninguém estava disposto a parar para me ajudar.

Lágrimas corriam do rosto do garoto, enquanto ele apontava na direção de uma criança caída no chão.

- É o meu irmão. Ele caiu de sua cadeira de rodas e eu não consigo levantá-lo sozinho.

Soluçando, o menino perguntou ao executivo:

- O senhor poderia me ajudar a recolocá-lo em sua cadeira de rodas? Ele está machucado, e é muito pesado para mim.

Movido por um profundo sentimento de misericórdia e remorso por quase ter agredido a criança, o jovem motorista correu ao local onde estava a criança caída e colocou-a em sua cadeira de rodas. Tirou seu lenço, limpou as feridas e arranhões, verificando se tudo estava bem.

- Obrigado, e que D'us possa abençoá-lo - a criança disse a ele.

O homem então viu o menino se distanciar, empurrando a cadeira de rodas do seu irmão. Foi um longo caminho de volta para o Jaguar. Ele pensava em quantas coisas boas tinha na vida e nunca havia prestado atenção. Pensou naquele pobre garotinho da cadeira de rodas, que não podia nem mesmo se levantar do chão sozinho, e agradeceu a D'us por sua saúde, por sua estabilidade financeira, por todas as coisas boas que tinha na vida. Coisas que antes ele nunca tinha pensado em agradecer.

Ele nunca consertou a porta amassada. Deixou-a amassada, para lembrá-lo de não ir tão rápido pela vida, a ponto de que alguém tivesse que atirar um tijolo para fazê-lo parar"

D'us nos faz bondades 24 horas por dia. Na maioria das vezes estamos ocupados demais para perceber. Em geral, só percebemos o que temos de bom quando perdemos.
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Na próxima segunda-feira de noite (13 de outubro) começa a festa de Sucót. Apesar de toda as festas judaicas descritas na Torá serem momentos muito alegres e festivos, apenas Sucót é chamada de "Zman Simchateinu" (o tempo da nossa alegria). Por que Sucót é mais associado com a alegria do que as outras festas? Além disso, o que exatamente revivemos em Sucót? Por exemplo, em Pessach revivemos a saída do Egito, enquanto em Shavuot revivemos a entrega da Torá, dois grandes eventos que mudaram a história do povo judeu, e dois momentos em que D'us revelou Seu grande poder e bondade. Mas Sucót não está associada a nenhum grande evento. Sucót está relacionada com o fato do povo judeu ter morado, durante os 40 ano que estiveram no deserto, em cabanas. O que tem de especial nisso?

Para encontrar a resposta destas duas perguntas, antes precisamos refletir um pouco sobre o que significa viver no deserto. O deserto é um lugar extremamente inóspito, com temperaturas que variam de um calor escaldante pela manhã a um frio congelante de noite. O deserto é frequentemente assolado por devastadoras tempestades de vento, sem contar os perigosos animais que ali habitam, como cobras venenosas e escorpiões. Como os judeus puderam viver 40 anos em simples cabanas, sob condições tão extremas?

A resposta é a chave para entender a alegria de Sucót. É óbvio que ninguém pode sobreviver às hostilidades do deserto em uma frágil cabana, muito menos por 40 anos. Então como os judeus sobreviveram? Pois era D'us quem os protegia o tempo todo, e a proteção física era uma mera fachada. Estava muito claro para o povo judeu que a sua sobrevivência no deserto estava completamente acima das leis da natureza. É por isso que nós também construímos cabanas em Sucót. A Halachá (lei judaica) exige que a Sucá seja construída de maneira temporária, com um teto frágil, que não nos protege completamente nem mesmo do sol e da chuva. Isso é para nos relembrar de que a segurança que nós desfrutamos durante o ano inteiro, em nossas casas maciças com telhados fortes, também é apenas uma fachada. Somente D'us pode oferecer proteção verdadeira.

E esta percepção de que estamos constantemente sendo cuidados diretamente por D'us é a causa da alegria de Sucót. Mas por que sentimos mais alegria do que nas outras festas? Pois existem dois tipos de alegria: a alegria de um evento que ocorre uma vez e a alegria que ocorre de forma contínua. Sucót representa o segundo tipo de alegria, a alegria constante, que nos acompanha durante todos os dias do ano. Pois não há nenhum evento particular associado a Sucót, apenas o entendimento de que D'us nos manda uma constante e ininterrupta proteção, e esta alegria e tranquilidade podemos levar para o ano todo. Para isso não é necessário nenhum evento externo, e sim um reconhecimento interno de que tudo o que ocorre está sob a supervisão direta de D'us.

Mas o grande ensinamento de Sucót não é apenas sobre as nossas casas, mas sobre as nossas vidas. A chave para a alegria constante é perceber que, independente do que uma pessoa tem, isso é tudo o que ela precisa, como afirma o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Quem é o rico? Aquele que está contente com o que tem". Cada um recebe de D'us uma "porção", que contém exatamente tudo o que ele necessita para sua situação atual na vida. Esta porção tem a medida exata para que cada um possa alcançar seu máximo potencial. Se chegarmos a este reconhecimento, podemos escapar da terrível ameaça de pensar que seremos felizes "quando eu tiver aquele carro, aquela casa ou aquele valor na conta do banco". Pois se D'us não nos deu mais, é por que Ele sabe que é melhor para nós desta maneira.

Sucót é o ensinamento de que D'us está constantemente nos supervisionando e nos mandando exatamente o que necessitamos para ter sucesso na vida. Se pudermos internalizar este ensinamento, somente então poderemos entender o quanto é maravilhosa a felicidade verdadeira.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

VIDUI (CONFISSÃO) - YOM KIPUR

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VIDUI (CONFISSÃO) - YOM KIPUR

1) ASHAMNU - NOS TORNAMOS CULPADOS ("Ashamá"=Culpabilidade; "Shmamá"=aridez, jogamos para cima nossas responsabilidades).

• Transgredimos contra D'us e trouxemos desolação espiritual.
• Transgredimos intencionalmente, para o nosso benefício.

2) BAGADNU - TRAÍMOS.

• Fomos  mal-agradecidos e desleais com D'us e com o próximo.
• Pagamos o bem com o mal.

3) GAZALNU - ROUBAMOS.

• Comemos sem fazer Brachá.
• Usamos bens de outros sem pagar.
• Não cumprimos nossas obrigações com as pessoas.
• Roubamos a privacidade e a dignidade das pessoas.
• Nos aproveitamos da ignorância dos outros.

4) DIBARNU DOFI - FALAMOS HIPOCRISIAS E LASHON HARÁ (Du pi = Duas bocas, isto é, pela frente falar bem, por trás falar mal; Dofi = Parede, isto é, falsidade, hipocrisia).

• Falamos mal de D'us, duvidando da Sua justiça.
• Falamos mal das pessoas e divulgamos seus erros.
• Falamos mal das pessoas por trás.

5) HEEVINU - FIZEMOS OUTROS TRANSGREDIREM ("Avon" = Transgressão).

• Influenciamos as pessoas para o mal com atos ou palavras.
• Pervertemos pessoas boas.

6) VEHIRSHANU - FIZEMOS OS OUTROS COMETEREM TRANSGRESSÕES ("Resha" = Transgressões premeditadas).

• Transformamos pessoas boas em Reshaim (pessoas que fazem o mal com premeditação, e não pela força do Ietzer).

7) ZADNU - TRANSGREDIMOS INTENCIONALMENTE.

• Transgredimos intencionalmente, e inventamos argumentos e filosofias para nos justificarmos, e com isso ficamos mais propensos a errar de novo (pior que "Resha").

8) CHAMASNU - EXTORQUIMOS, PEGAMOS COISAS QUE NÃO FORAM DADAS COM VONTADE ("Chamás" = tipo de roubo, pegar à força, mesmo pagando).

• Cometemos atos errados, mas não puníveis (ex: roubar menos de "Prutá", quantidade mínima para que o ato seja punível por roubo).
• Tiramos vantagem dos pobres e fracos.

9) TAFALNU SHEKER - NOS JUNTAMOS À MENTIRA.

• Não apenas vivemos na mentira, mas construímos mundos.
• Trouxemos falsidade ao nosso cotidiano.
• Acusamos falsamente outras pessoas, e para apoiar nossas mentiras, criamos mais mentiras.

10) IAATZNU RÁ - ACONSELHAMOS PARA O MAL.

• Transgredimos a proibição de "Lifnei Iver" (não colocar um obstáculo na frente de um cego).        
• Demos maus conselhos para o nosso proveito.
• Abusamos da confiança dos outros e os levamos a prejuízos ou transgressões.
• Não demos atenção aos problemas dos outros.

11) KIZAVNU - FOMOS ENGANOSOS (MENTIROSOS).

• "Mentirosos": grupo que não é recebido diante da Presença Divina.
• Fizemos promessas e não nos esforçamos para mantê-las.
• Falamos e não cumprimos, e não nos importamos.

12) LATSNU - ESCARNEAMOS (NÃO TIVEMOS ATITUDES SÉRIAS NA VIDA).

• "Palhaços": grupo que não é recebido diante da Presença Divina.
• Ridicularizamos pessoas honestas e justas.
• Tentamos encontrar  humor em tudo o que fazemos.
• Destruímos repreensões com piadas e fizemos a Teshuvá mais difícil.
• O escarneio leva à imoralidade sexual.

13) MARADNU - NOS REBELAMOS.

• Não tivemos "Emuná" (fé).
• Desafiamos a vontade de D'us.

14) NIATSNU - PROVOCAMOS.

• Desrespeitamos D'us e Suas Mitzvót.
• Fizemos Mitzvót com objetos roubados (por exemplo fazer Brachá sobre uma comida que não era nossa).

15) SARARNU - NOS AFASTAMOS.

• Ficamos indiferentes ao serviço de D'us.
• Deixamos de cumprir Mitzvót.
• Usamos o conforto e a prosperidade para nos afastar de D'us, ao invés de usar para servi-Lo melhor.

16) AVINU - NOS TORNAMOS PERVERTIDOS ("Taavót = Desejos).

• Transgredimos por causa de nossos cabeças pervertidas.
• Justificamos a imoralidade, a corrupção, a desonestidade.
• Nos tornamos, em nossas palavras e atitudes, rudes.

17) PASHANU - AGIMOS DE FORMA INTENCIONAL.

• Negamos a validade das Mitzvót.
• Deixamos de acreditar na Torá (mesmo uma pequena parte).

18) TSARARNU - FIZEMOS OS OUTROS SOFREREM.

• Causamos sofrimentos (perdas financeiras ou psicológicas, como por exemplo chamar o outro com apelidos maldosos).
• Odiamos uns aos outros.
• Não nos importamos com o sofrimento dos outros.

19) KISHINU OREF - FOMOS OBSTINADOS.

• Não mudamos os atos, mesmo depois de receber sofrimentos.
• Atribuímos nossas dificuldades ao acaso, não associamos nossos sofrimentos com nossas transgressões.

20) RASHANU - FOMOS MALVADOS.

• Cometemos atos que nos rotularam como "Reshaim" (malvados), tais como levantar a mão contra o próximo, roubar ou planejar transgressões.

21) SHICHATNU - CORROMPEMOS-NOS.

• Cometemos transgressões que corromperam nosso caráter, como arrogância, raiva, falta de caridade, imoralidade

22) TIAVNU - NOS TORNAMOS ABOMINÁVEIS.

• Transgredimos e nos degradamos a um ponto de nos tornar abomináveis aos olhos de D'us

23) TAINU - NOS AFASTAMOS.

• Por nossos maus atos, nos afastamos de D'us.
• Nos acostumamos com o erro, e tornamos a Teshuvá (retorno) mais difícil (e tudo por nossa culpa).

24) TITANU - VOCÊ NOS DEIXOU DESVIARMOS.

• Abusamos da nossa livre-escolha, nos afastamos e levamos os outros juntos.
• Medida por medida: nos afastamos, e D'us não nos impediu de cair.


SHABAT SHALOM MAIL - YOM KIPUR 5769

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EU NÃO FIZ NADA! – YOM KIPUR 5769 (03 de outubro de 2008)

"Um rico comerciante comprou um maravilhoso candelabro, feito de puro cristal e cravejado de pedras preciosas. O candelabro virou o grande orgulho da família, pois todos os convidados se admiravam com o seu esplendor. Como o candelabro era muito pesado, a única forma encontrada para prendê-lo foi amarrá-lo com uma corda e fazer um furo no forro da casa, para que a corda passasse pelo furo e a outra ponta pudesse ser fixada em uma roldana na parede do sótão.

Certo dia um homem muito pobre bateu na porta do rico comerciante. Suas roupas estavam imundas e completamente rasgadas. O dono da casa teve misericórdia daquele pobre homem, recebeu-o docemente e levou-o para o sótão, onde estavam guardadas muitas roupas em bom estado mas que não estavam sendo mais usadas. Deixou o homem à vontade para escolher o que quisesse, e saiu do sótão.

O pedinte escolheu algumas roupas e colocou-as em uma sacola. A sacola ficou muito cheia e o pobre procurou um pedaço de corda para fechá-la, mas não encontrou em nenhum lugar. Foi quando levantou os olhos e viu a corda que estava presa na roldana. Quis pedir permissão do dono da casa para pegar um pedaço, mas pensou "Que mal pode fazer se eu pegar apenas um pedacinho desta imensa corda?". Tirou do bolso seu canivete e cortou um pedaço da corda.

De repente, ecoou em toda a casa um terrível estrondo, e toda a família correu para o sótão. Quando viram o homem com um pedaço de corda na mão, logo entenderam o que havia acontecido. Ele havia soltado a corda que segurava o candelabro, e este havia se espatifado no chão. O dono da casa, que antes havia sido muito receptivo, gritou com o pedinte:

- Você viu o que você fez, seu ignorante?

- Mas eu não fiz nada! – gritou o pedinte, ofendido – Todo este escândalo só por causa de 10 centímetros de corda? Se for este o problema, eu devolvo!

Vendo que o mendigo realmente era tão ignorante que nem mesmo havia entendido o que aconteceu, o homem se acalmou e explicou:

- Sim, a única coisa que você fez foi pegar um pequeno pedaço de corda. Mas o que você não sabia é que um valiosíssimo candelabro de pedras preciosas, no valor de alguns milhares de dólares, estava justamente sendo sustentado pela corda que você cortou. O problema não são os 10 centímetros de corda, e sim o candelabro que, graças ao seu "pequeno" ato de cortar a corda, está agora espatifado no chão da sala, sem nenhuma chance de ser consertado."

Frequentemente cometemos enganos na vida, e muitas vezes consideramos serem apenas "pequenas" falhas, mas que na verdade podem estar causando catástrofes espirituais. Como ensina o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Uma Mitzvá traz outra Mitzvá, mas uma má ação traz outra má ação", isto é, cada ato que fazemos na vida, por menor que seja, pode causar reações em cadeia. Qualquer ato, por mais insignificante que possa parecer, pode estar criando ou destruindo mundos espirituais.
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Na próxima quarta-feira de noite (08 de outubro) começa Yom Kipur, o Dia do Perdão, dia em que todos os nossos erros podem ser perdoados e apagados. Mas se podemos nos arrepender de nossos erros todos os dias, por que D'us fixou o dia de Yom Kipur como o dia do perdão? Além disso, por ser um dia de rezas e jejum, muitos vêem Yom Kipur como um dia triste. Como mencionamos em Yom Kipur muitos dos nossos erros cometidos durante o ano, sentimos que Yom Kipur tem um caráter negativo. Mas o Talmud diz justamente o contrário, que não há dia tão feliz para o povo judeu como Yom Kipur. Por que?

Em cada uma das festas judaicas não apenas recordamos, mas também revivemos uma certa influência espiritual que existe naquele momento. Para entender o quanto Yom Kipur é um dia feliz, precisamos saber exatamente qual é a fonte deste dia na Torá. Moshé Rabeinu subiu no Monte Sinai para receber a Torá no dia 6 do mês judaico de Sivan, e permaneceu lá por 40 dias. Ele desceu, trazendo as tábuas com os 10 mandamentos, no dia 17 do mês de Tamuz, dia fatídico em que o povo judeu cometeu o terrível pecado do bezerro de ouro. Moshé, ao ver o bezerro de ouro, quebrou as tábuas e imediatamente começou a rezar pelo povo judeu, pois D'us queria destruir todo o povo. Ele subiu novamente no Monte Sinai no dia 18 do mês de Tamuz e passou mais quarenta dias rezando e suplicando por misericórdia, e desceu no dia 29 do mês de Av. No dia primeiro do mês de Elul Moshé subiu pela terceira vez no Monte Sinai, levando as Segundas Tábuas já esculpidas para que D'us escrevesse nelas, e passou mais 40 dias recebendo novamente a Torá. Finalmente no dia 10 de Tishrei D'us perdoou completamente o povo judeu e permitiu que Moshé descesse com a Torá e a entregasse ao povo judeu. E é essa influência espiritual, de termos pecado, nos arrependido e termos sido completamente perdoados, que se repete todos os anos no dia 10 do mês de Tishrei, Yom Kipur.

Explicam nossos sábios que em Rosh Hashaná são abertos 3 livros: Os Tzadikim são imediatamente inscritos para a Vida, os Reshaim (malvados) são imediatamente inscritos para a morte, e os Beinonim (intermediários, cujas boas ações e más ações estão equilibradas) ficam com o julgamento pendente até Yom Kipur. Muitas vezes nos consideramos Tzadikim, afinal, o que fizemos de mal? Não matamos, não roubamos, na medida do possível tentamos ser boas pessoas. Muitos sequer se preocupam com Yom Kipur, imaginam que tem muito pouco para serem perdoados.

Mas se observarmos o texto do Vidui, a confissão que fazemos diante de D'us em todas as rezas de Yom Kipur, começamos a perceber que talvez nossos "pequenos erros" não sejam assim tão inocentes quanto pensávamos. Pois assim diz David Hamelech (Rei David) nos Salmos: "se afaste do mal e faça o bem". Não é suficiente somente não fazer o mal, temos que ativamente fazer o bem para os outros para sermos considerados boas pessoas, e infelizmente em nossas vidas corridas não sobra muito tempo para pensar em mais ninguém fora nós mesmos. Além disso, será que realmente não fazemos mal a ninguém? O Vidui traz alguns exemplos de atitudes negativas que todos nós, com maior ou menor intensidade, cometemos durante o ano inteiro: Fomos mal agradecidos, Influenciamos mal outras pessoas, Não nos preocupamos com os problemas e com os sofrimentos dos outros, Falamos mal do próximo, Causamos sofrimentos, Fomos arrogantes, Explodimos de raiva por motivos banais, etc. Se realmente sentássemos para escrever todas as "pequenas" transgressões que fizemos durante o ano, o tempo terminaria mas a nossa lista não.

Portanto, um das características mais importantes na preparação para Yom Kipur é a conscientização de que nós realmente erramos, que nossos erros têm graves consequências espirituais, e por isso precisamos nos arrepender do que fizemos. Como nos ensina a Torá: "E se acontecer de alguém escutar as palavras desta maldição e ele se abençoar no seu coração dizendo: 'Terei paz, ainda que eu ande conforme o parecer do meu coração', acrescentando água à sede, este D'us não perdoará..." (Devarim 29:18,19). O pecado do bezerro de ouro nos ensinou que, não importa a gravidade dos erros que fizemos durante o ano, todo aquele que se arrepende de verdade é perdoado. Mas aquele que diz "Estou tranquilo, afinal eu não fiz nada", este não tem perdão em Yom Kipur. Pois o pior cego é aquele que não quer ver.

A Teshuvá, isto é, a possibilidade de nós errarmos e, ao nos arrependermos, nosso erro ser apagado como se nunca houvesse existido, é um grande milagre e uma grande bondade. Quando D'us vê que alguém realmente quer fazer Teshuvá e voltar aos caminhos corretos, Ele remove as impurezas do coração da pessoas, dando mais força para o arrependimento dela. Ele limpa nossos corações para que possamos nos aproximar Dele. E por mais que durante todo o ano as portas da Teshuvá nunca se fecham, em Yom Kipur elas estão completamente escancaradas. Portanto, Yom Kipur não é um dia de depressão, é um dia de alegria. É um dia em que podemos dizer para D'us "Sim, erramos, mas queremos e podemos mudar".

Estamos nos "Asseret Iemei Teshuvá", os dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur, quando cada ato nosso pesa muito mais. Que possamos aproveitar cada instante para nos prepararmos para o presente que é o dia de Yom Kipur, e que possamos ser todos selados para um ano bom e doce.

SHABAT SHALOM e TZOM KAL (Que o jejum de Yom Kipur seja leve para todos nós).

"SHETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM" (QUE SEJAMOS SELADOS NO LIVRO DA VIDA).

Rav Efraim Birbojm