sexta-feira, 4 de maio de 2018

A PRECISÃO NO JULGAMENTO DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT EMOR 5778






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O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de:

Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l

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A PRECISÃO NO JULGAMENTO DE D'US - PARASHAT EMOR 5778 (04 de maio de 2018)
Diana chegou em casa mal humorada. Sua mãe, que estava na cozinha preparando um bolo, logo percebeu que ela não estava bem e perguntou o que havia acontecido. Diana respondeu que nada estava dando certo em sua vida. Não tinha ido bem na prova de matemática, sua melhor amiga estava de mudança para outra cidade, estava com o rosto cheio de espinhas, parecia que D'us estava se divertindo com os seus sofrimentos!

A mãe escutou em silêncio. Como se não tivesse prestado atenção ao desabafo da filha, ela continuou preparando o bolo. Então ela perguntou para a filha se ela queria um pedaço. Imediatamente a cara fechada desapareceu, pois Diana adorava os bolos de sua mãe. Mas, para sua surpresa, ao invés de uma fatia deliciosa de um bolo quentinho, sua mãe estendeu a ela um copo de óleo de cozinha para que bebesse. Diana virou o rosto, horrorizada. A mãe então ofereceu alguns ovos crus para ela comer, mas Diana ficou com nojo. A mãe então ofereceu uma colherada de farinha de trigo com bicarbonato de sódio, mas novamente Diana recusou, sem entender porque sua mãe oferecia tantas coisas nojentas para ela comer. A mãe então explicou:

- Você está certa, minha filha. Todos estes ingredientes parecem ruins sozinhos. Porém, quando os colocamos juntos, na medida certa, e deixamos um tempo no fogo, eles produzem um bolo delicioso! D'us trabalha do mesmo jeito. Às vezes nos perguntamos por que Ele nos faz passar por momentos difíceis. A resposta é que Ele, em Sua perfeição, coloca todas as coisas nas quantidades exatas que precisamos na vida. Somente com o tempo conseguimos ver que tudo aquilo que parecia ruim se transformou em coisas boas, que nos permitem crescer e sermos pessoas melhores. Só precisamos confiar Nele e ter paciência para esperar "o bolo assar".

Nesta semana lemos a Parashat Emor (literalmente "diga"), que começa com detalhes da santidade exigida pela Torá em relação aos Cohanim (sacerdotes) e ao Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). Após trazer outros assuntos, como as leis referentes aos Korbanót (sacrifícios) e às Festividades judaicas, a Parashat termina nos descrevendo um incidente no qual um homem blasfemou publicamente contra D'us. Moshé não sabia qual punição aplicar a ele, já que D'us ainda não havia ensinado o que fazer neste caso específico. Por isso, Moshé prendeu o homem em uma cela até que pudesse esclarecer qual seria seu castigo.

Em relação a este incidente, Rashi (França, 1040 - 1105) nos ensina algo surpreendente. No mesmo período em que o blasfemador estava preso, havia outro judeu também na prisão, aguardando seu julgamento. Era um homem que havia desrespeitado publicamente as leis do Shabat, incorrendo na pena de morte. Porém, Moshé não sabia exatamente qual tipo de pena de morte aplicar e, por isso, o homem ficou aguardando na prisão até Moshé esclarecer com D'us o que fazer. Porém, Rashi acrescenta um detalhe importante: os dois homens não foram colocados na mesma cela, para não causar a eles sofrimentos desnecessários. Mas que sofrimentos foram evitados ao separá-los? E por que se preocupar com o sofrimento de pessoas que haviam cometido erros tão graves?

Explica o Rav Yehonasan Gefen que havia uma diferença fundamental entre os dois transgressores. Já era sabido que aquele que havia desrespeitado o Shabat seria punido com a morte, somente faltava definir qual pena de morte seria aplicada. Em contraste, em relação àquele que blasfemou contra D'us, ainda não era sabido qual seria sua pena. Portanto, caso os dois fossem colocados juntos, o blasfemador sofreria antes da hora, pensando que já havia sido decretada a pena de morte para ele. Também aquele que havia quebrado as leis do Shabat sofreria de forma desnecessária caso estivesse na mesma cela que o outro transgressor, pois uma pessoa se consola quando vê que não está sozinho em um sofrimento. Portanto, se o outro transgressor fosse inocentado da pena de morte, isto doeria ainda mais no transgressor que já havia recebido a pena de morte. Portanto, ambos foram colocados em celas separadas, pois assim seriam evitados sofrimentos desnecessários. Porém, sabemos que no final os dois foram condenados à morte. Será que esta pequena diminuição de sofrimentos foi realmente importante?

Deste ensinamento aprendemos o grau de sensibilidade que D'us exige de nós. Apesar de se tratar de dois graves transgressores, mesmo assim eles foram tratados com o máximo de cuidado e respeito. Mesmo que mereciam a pena de morte, a Torá não desejava que eles passassem por qualquer outro tipo de sofrimento fora o que havia sido decretado, mesmo se fosse um sofrimento pequeno e momentâneo.

Há dezenas de casos na Torá nos quais este conceito pode ser observado. Por exemplo, há algumas transgressões cujo castigo é a aplicação de 40 chicotadas. Porém, a Torá proíbe de maneira muito severa a aplicação de uma única chicotada a mais do que o número prescrito, como está escrito: "Ele o golpeará com 40 chicotadas. Ele não excederá, para que não lhe dê uma chicotada mais severa do que estas 40 chicotadas, e seu irmão será degradado diante dos seus olhos" (Devarim 25:3). Na prática, somente 39 chicotadas eram aplicadas, pois caso aquele que aplicava a pena das chicotadas tivesse errado as contas, assim ele não daria uma chicotada a mais do que era exigido pela Torá. Além disso, se estava claro que a pessoa era fraca ou muito idosa e não poderia suporta tantas chicotadas, neste caso era aplicada somente a quantidade que ela podia suportar.

Outro exemplo do cuidado que devemos tomar para não causar um dano indevido pode ser encontrado na proibição de falar Lashon Hará (algo que pode denegrir outra pessoa). Apesar de o Lashon Hará ser algo muito grave, com consequências trágicas para todos os envolvidos, há algumas poucas exceções na Halachá (Lei judaica) nas quais podemos falar de forma negativa sobre outra pessoa e, se necessário, até mesmo causar a ela danos, para proteger outras pessoas. Porém, uma das condições que nos permitiria falar algo negativo sobre outra pessoa é que os danos que causaríamos a ela não sejam maiores do que uma punição que um Beit Din (Tribunal Rabínico) aplicaria. Por exemplo, se sabemos que uma pessoa roubou seu sócio, é permitido revelar esta informação para que o ladrão devolva o seu roubo. Porém, se sabemos que o sócio que foi roubado é alguém extremamente violento e que, ao saber do roubo, agrediria o ladrão de forma extremamente violenta, uma pena que nenhum Beit Din aplicaria, neste caso seria totalmente proibido revelar esta informação, pois estaríamos causando ao transgressor um castigo indevido, maior do que ele merece.

Quando alguém é cuidadoso em não causar ao outro um dano indevido, então ele cumpre a Mitzvá de "Andar em todos os Seus caminhos" (Devarim 11:22), pois é assim que D'us se comporta, Ele nunca pune uma pessoa de forma desmedida, sempre o castigo aplicado é exatamente o que a pessoa precisa receber. Um exemplo impressionante é o episódio da venda de Yossef. Em seu nível espiritual gigantesco, Yossef havia cometido certos erros cujo castigo seria sua venda como escravo. No momento em que Yossef foi transportado ao Egito, a Torá ressalta que ele foi levado junto com uma caravana de especiarias. Este detalhe foi importante para nos ensinar o quanto D'us é rigoroso em não causar um sofrimento desnecessário a uma pessoa. Normalmente as caravanas que passavam por aquela região transportavam derivados de petróleo, que têm um cheiro muito forte. Yossef merecia ser vendido como escravo, mas não merecia viajar por muitos dias com um cheiro ruim. Por isso, D'us fez com que naquele dia caravanas com especiarias passassem por lá. Apesar de Yossef estar passando por terríveis sofrimentos físicos e emocionais, D'us foi rigoroso para que este pequeno acréscimo de sofrimento, que seria viajar com um cheiro ruim, fosse evitado, mesmo que para isso fosse necessário que acontecessem pequenos milagres ocultos.

A sensibilidade de aplicar o castigo ou a repreensão apropriada para cada situação também pode ser encontrada nos nossos sábios. Certa vez o Rav Elazar Man Shach zt"l (Lituânia, 1899 - Israel, 2001) estava muito descontente com certas atitudes de um Rosh Yeshivá (Diretor espiritual). Ele viajou uma considerável distância com o único propósito de repreendê-lo. Porém, quando o Rav Shach chegou ao local onde estava o Rosh Yeshivá, ele permaneceu por algum tempo e foi embora sem dizer nada. Quando questionaram sua atitude, ele explicou que a esposa do Rosh Yeshivá estava presente durante toda a visita e ele não queria repreendê-lo na frente da esposa. Da mesma forma que o Rav Shach tinha claridade que era uma Mitzvá repreender aquele Rosh Yeshivá, a ponto dele fazer uma longa viagem somente para cumpri-la, ele também tinha claridade que fazê-lo na frente de sua esposa certamente causaria um sofrimento maior do que ele merecia, algo que seria injustificado. Por isso, ele desistiu da repreensão e preferiu ir embora sem falar nada.

Este ensinamento da Parashat pode ser aplicado em duas áreas de nossas vidas. Em primeiro lugar, mesmo quando é necessário repreender ou castigar alguém, em especial nossos filhos ou alunos, é importante tomar cuidado para evitar puni-los de maneira excessivamente dura. É muito mais seguro e aconselhável evitar repreender caso haja qualquer probabilidade de que causaremos mais dor do que a pessoa merece. Se esta lição foi ensinada através de dois graves transgressores, que tinham pena de morte, certamente muito mais devemos aplicar para as pessoas que merecem repreensões apenas por pequenos erros.

Além disso, outro ensinamento importante é que D'us não manda sofrimentos desnecessários. Precisamos ter Emuná (fé) de que tudo o que D'us faz é para o nosso bem, para o nosso crescimento. Por isso, mesmo quando passamos por alguma dificuldade, devemos ter a certeza de que isto foi mandado "sob medida" por D'us. O momento pelo qual estamos passando por uma dificuldade e a intensidade dos sofrimentos fazem parte dos Planos Divinos. Mesmo quando não conseguimos entender os Seus cálculos, mesmo que não podemos enxergar os motivos pelos quais Ele nos mandou certa dificuldade, devemos procurar qual é a mensagem que D'us está nos transmitindo. Pois da mesma maneira que um pai somente castiga seu filho por amor, para ajudá-lo a corrigir seus erros e tornar-se uma pessoa melhor, D'us quer somente o nosso bem. E isto Ele demonstra constantemente, nas milhares de bondades que nos faz a cada instante e nos "puxões de orelha" de amor que Ele nos dá. O importante é sabermos que, com cada "ingrediente", com o "calor do fogo" das dificuldades pelas quais passamos, D'us transforma a nossa vida em algo mais especial e significativo.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
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quinta-feira, 26 de abril de 2018

COMPRE UM AMIGO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5778 

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COMPRE UM AMIGO - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5778 (27 de abril de 2018)

"Menashe e Pinchás eram amigos de infância. Com o passar do tempo, a amizade foi ganhando intensidade e se solidificando. Aprenderam a compartilhar as alegrias e as tristezas. Quando cresceram, conheceram boas moças, se casaram e o destino fez com que acabassem morando em reinos diferente. Porém, a amizade continuou inabalável.

Infelizmente, os dois reinos onde eles viviam entraram em guerra e eles não podiam mais se encontrar. Certo dia, Menashe decidiu que, apesar dos perigos, visitaria seu amigo Pinchás. Porém, logo na fronteira ele foi preso. O rei do outro reino acusou-o de espionagem e condenou-o à morte. Menashe solicitou ao rei a realização de um último desejo: que lhe permitisse voltar para casa, por alguns poucos dias, apenas para se despedir de sua família. O rei deu risada daquele pedido tolo, pois sabia que se o deixasse voltar para casa, certamente ele fugiria e nunca mais voltaria. Menashe então perguntou se o rei deixaria caso alguém ficasse no seu lugar. O rei novamente deu uma gargalhada. Quem seria tonto o suficiente para aceitar ficar no lugar de um homem condenado à morte? Enorme foi a surpresa do rei quando Pinchás se apresentou para ficar no lugar do amigo. Apesar de o rei avisar a Pinchás que ele morreria caso Menashe fosse irresponsável e não voltasse em 30 dias, mesmo assim ele aceitou ficar no lugar do seu amigo.

À medida em que os dias para a volta de Menashe terminavam, o rei começou a provocar Pinchás, dizendo que ele era um grande tolo. Pinchás reagia às provocações do rei com tranquilidade, reafirmando sua confiança no amigo e alegando que certamente deveria ter acontecido algum imprevisto durante o caminho. Finalmente, o dia marcado para a execução chegou e Menashe não havia voltado. Pinchás foi levado à praça central da cidade, onde seria publicamente enforcado. Novamente o rei fez questão de mencionar a traição de seu amigo e o modo como ele o havia abandonado naquele momento difícil. Porém, mais uma vez Pinchás corajosamente respondeu que continuava acreditando em Menashe. Se ele não havia voltado, era por um bom motivo.
 
No instante em que a corda foi colocada no pescoço de Pinchás, Menashe chegou à praça correndo, gritando para que a execução fosse interrompida. Ele estava visivelmente esgotado, pálido e ferido. Ainda assim, encontrou forças para abraçar Pinchás e comemorar o fato de tê-lo encontrado com vida, apesar de seu atraso. Emocionado, explicou que seu navio havia naufragado durante uma tempestade e que bandidos o haviam atacado na estrada. Apesar de todos os contratempos e de estar fisicamente debilitado, jamais perdeu a esperança de chegar a tempo de salvar o amigo da morte, cumprindo ele próprio a sentença determinada pelo rei. Porém, para a surpresa de todos, Pinchás se recusou a sair da forca. Ele disse que o amigo havia se atrasado e, portanto, não poderiam mais trocar de lugar. Menashe começou a gritar que o amigo estava errado, pois como havia chegado antes da execução, era ele quem deveria morrer. A discussão continuou por algum tempo, até que o rei, encantado com a beleza daquele sentimento grandioso de amizade verdadeira que se manifestava de forma comovente diante dos olhos de todos presentes, mandou interromper a execução e disse:
 
- Estou disposto a revogar a sentença de morte, mas com uma condição: que eu também possa ser amigo de vocês."
 
Este tipo de amizade, verdadeira e desinteressada, é tão raro que valeria a pena pagar por ela.

Nesta semana novamente lemos duas Parashiót, Acharei Mót (literalmente "após a morte") e Kedoshim (literalmente "Sagrados"). As duas Parashiót falam sobre formas de atingirmos níveis maiores de santidade e pureza espiritual. Enquanto a Parashat Acharei Mót enfoca no serviço espiritual de Yom Kipur e no cuidado com relações ilícitas, a Parashat Kedoshim enfoca nas Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu companheiro), entre elas um dos maiores fundamentos da Torá: "Ame ao seu próximo como a você mesmo" (Vayikrá 19:18). De acordo com este ensinamento, da mesma maneira que queremos que os outros nos respeitem, nos julguem para o bem e queiram o nosso bem, assim devemos nos comportar com o próximo.
 
Um ensinamento semelhante é trazido por Rabi Yossi, que nos afirma: "Que o dinheiro do seu companheiro seja querido para você como o seu próprio dinheiro" (Pirkei Avót 2:12). Isto significa que a pessoa não pode ser esbanjadora quando utiliza o dinheiro dos outros, enquanto é mesquinha quando utiliza seu próprio dinheiro. Além disso, quando vemos os bens de outra pessoa em risco, devemos nos esforçar para protegê-los da mesma forma que protegeríamos se fossem os nossos bens.
 
Porém, há outro ensinamento trazido no Pirkei Avót que aparentemente contradiz o que esta Mishná ensinou. O Rabi Elazar ben Shamua afirma: "Que a honra de seu companheiro seja como o temor aos seus professores" (Pirkei Avót 4:12). É obvio que o temor aos professores deve estar acima do que sentimos pelas outras pessoas. Portanto, de acordo com este ensinamento, a honra que devemos dar ao nosso companheiro deve estar acima da nossa própria honra, e não no mesmo nível, como ensinou o Rabi Yossi.
 
Se o Pirkei Avót estivesse trazendo uma discussão entre o Rabi Yossi e o Rabi Elazar ben Shamua, dois sábios da época do Talmud, então as duas opiniões deveriam ter sido trazidas juntas, na mesma Mishná, para mostrar que há diferentes opiniões sobre o assunto. Porém, o fato de terem sido escritas até mesmo em capítulos diferentes demonstra que não se trata de uma discussão entre os dois sábios. Então, como entender esta aparente contradição? Afinal, devemos honrar o próximo como a nós mesmos ou até mais do que a nós mesmos? Além disso, como Rabi Elazar ben Shamua pode afirmar que devemos respeitar o próximo em um nível mais alto do que o respeito que esperaríamos para nós mesmos se a própria Torá afirmou que devemos amar ao próximo como a nós mesmos, e não mais do que nós mesmos?
 
Explica o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) que existem diferentes níveis de amizade. Durante a vida, uma pessoa pode ter muitos amigos. O mais comum é aquele com quem a pessoa divide experiências. Embora a pessoa sinta prazer em estar na companhia deste amigo, ela ainda mantém as aparências, isto é, não demonstra suas vulnerabilidades, com medo que a pessoa utilize estas informações contra ela. Esta forma de relacionamento é definida pelo Rambam como "amor pelo benefício que recebemos" e trata-se de uma amizade que é baseada na conveniência mútua. Já outro nível de amizade, muito mais elevado e raro de ser encontrado, é aquele amigo em quem confiamos plenamente, com quem podemos baixar nossa guarda e dividir nossas inseguranças. Isto somente ocorre quando sentimos que este amigo é completamente dedicado ao nosso crescimento e suas ações são motivadas pela sua preocupação com o nosso bem-estar e os nossos interesses.
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que, com esta explicação do Rambam, podemos entender que não há nenhuma contradição entre as duas Mishnaiót do Pirkei Avót. Cada uma das Mishnaiót está se referindo a um dos tipos de amizade que podemos desenvolver com as pessoas. Em relação a um amigo com quem dividimos experiência de vida, devemos respeitá-lo da mesma maneira que gostaríamos que fôssemos respeitados. Em relação a esta pessoa, a Torá nos comanda a nos esforçarmos para amá-lo, para que esta amizade possa se elevar acima de um relacionamento de conveniências. Já em relação a um amigo verdadeiro, aquele que se importa de verdade conosco e com o nosso crescimento, este deve ser respeitado da mesma maneira que respeitamos nossos professores.
 
Este ensinamento também é ressaltado pelos nossos sábios, que afirmam: "Faça para você um rabino e adquira para você um amigo" (Pirkei Avót 1:6). Mas por que a linguagem "adquira um amigo"? Amigos são comprados e vendidos? E por que "adquira um amigo" está junto com "Faça para você um rabino"?
 
Quando criamos uma relação de confiança com um rabino, além dos ensinamentos de Torá que recebemos dele, talvez um dos principais benefícios são os conselhos e direcionamentos de vida. Por ser alguém que se importa de verdade conosco, então ele nos incentiva a estarmos sempre crescendo. Este incentivo pode vir na forma de um elogio, mas às vezes também precisa vir na forma de uma bronca. É uma bronca que deriva do amor verdadeiro, de querer ver o próximo andando nos caminhos corretos. É por isso que nossos sábios juntaram a escolha do rabino e do amigo em uma mesma Mishná, para nos ensinar que esta característica de preocupação com o próximo, encontrada no rabino, também deve ser buscada em um amigo. Esta Mishná certamente se refere a um amigo de verdade, aquele se importa com você, que quer o seu crescimento.
 
Temos à nossa volta muitas pessoas com quem temos um bom convívio social. Porém, a maioria não são amigos de verdade, são apenas colegas. Tudo o que eles querem é aproveitar aquele momento enquanto nossa companhia faz bem para eles. Porém, não são pessoas que querem o nosso bem, que comemoram juntos as nossas conquistas e que chamam nossa atenção quando cometemos erros. Estas são as características de um amigo de verdade, algo realmente muito raro, difícil de ser encontrado. E o Pirkei Avót está nos ensinando que este tipo de amigo é tão importante para o nosso crescimento que, se fosse necessário, valeria até mesmo pagar por ele.
 
É interessante que as palavras do Pirkei Avót parecem uma profecia que se cumpre nos nossos dias. Há pessoas que atualmente se intitulam "Personal Friends", ou "Amigos de aluguel". Oferecem o serviço, em troca de pagamento, de escutar os desabafos dos clientes e oferecer conselhos. São um "ombro amigo" para momentos de crise pessoal. Porém, eles deixam claro que não querem se envolver emocionalmente com os clientes. A existência destes "Personal Friends" demonstra o vazio da nossa sociedade. Nos tornamos pessoas egoístas, só preocupadas com nossos próprios problemas. Infelizmente as pessoas não tem amigos de verdade, com quem podem desabafar, dividir seus problemas e escutar conselhos. Não é a um "Personal Friend" que deveríamos estar dispostos a pagar, e sim aos amigos de verdade, aqueles que se importam conosco, que nos elogiam e que, quando necessário, sabem chamar nossa atenção.

Que possamos ser amigos de verdade dos outros, buscando o crescimento deles, de maneira verdadeira e desinteressada. Um "Personal Friend" cujo único pagamento é o bem estar do próximo.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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