sexta-feira, 16 de julho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5770

BS"D
 
ENCARANDO O PROBLEMA DE FRENTE – PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5770 (16 de julho de 2009)
 
No Oeste americano, às vezes caem tempestades muito pesadas. Elas começam de repente com chuvas congelantes e a temperatura despenca abaixo de zero. Então, terríveis ventos frios começam a trazer enormes pedras de gelo. A maioria dos bois que estão no campo aberto vira de costas para as rajadas de vento e gelo. Com a força do vento, eles não conseguem resistir e começam a ser empurrados, até que inevitavelmente são jogados contra a cerca de arame farpado e não conseguem mais sair de lá. Em grandes tempestades, muitos bois acabam morrendo por causa dos ferimentos.
 
Mas uma raça de bois sempre sobrevive. É conhecida como "Hereford". O que eles fazem durante as tempestades? Eles não se viram de costas para as rajadas. Instintivamente eles enfrentam o vento forte. Vários bois se juntam, ombro a ombro e, com as cabeças abaixadas, ficam de frente para a tempestade. Assim, juntos, conseguem suportar por horas. Segundo os criadores de gado, nas tempestades em que a maioria dos bois morre, os Herefords são quase sempre encontrados vivos e saudáveis.
 
Aprendemos duas lições dos bois Hereford: que a união pode nos ajudar nos momentos mais difíceis e que a única forma de vencer as dificuldades é encará-las de frente quando elas surgem em nossas vidas"
 
********************************************
 
Com a Parashá desta semana, Devarim, começamos o último livro da Torá, também chamado Devarim. Este último livro é composto principalmente pelo discurso de despedida de Moshé Rabeinu antes de sua morte. O que faríamos nos nossos últimos momentos de vida? Tentaríamos aproveitar ao máximo o tempo, passeando e ficando junto com nossas famílias e amigos. Mas Moshé não estava preocupado com seu próprio bem estar. Quando soube que sua vida chegava ao fim, sua única preocupação era com o povo judeu. Por isto ele utilizou seus últimos momentos para falar com o povo e recordar muitos acontecimentos dos 40 anos no deserto, aproveitando para chamar a atenção do povo por alguns dos graves erros cometidos.
 
Assim começa a Parashá: "Estas são as palavras que falou Moshé a todo o povo de Israel ao lado do rio Jordão, no deserto, na planície frente ao Sul, entre Paran e entre Tofel, e Lavan e Hatzarot e Dizahav" (Devarim 1:1). Rashi, comentarista da Torá, explica que nestas palavras iniciais já estão contidas algumas broncas de Moshé. Os lugares mencionados são indicações das transgressões que eles haviam cometido. Por exemplo, "Planície" é referência à idolatria de Baal Peor, cometida nas planícies de Moav, e "Dizahav" é uma referência ao bezerro de ouro, pois a palavra ouro, em hebraico, é "Zahav". Mas por que Moshé não havia dado esta bronca antes? Por que deixou justamente para os últimos momentos antes de morrer?
 
Há outra dúvida sobre a bronca de Moshé no povo judeu. Aparentemente aprendemos que as broncas devem ser leves, feitas de forma indireta, apenas com indicações do erro cometido. Porém, a Haftará (pequeno trecho do livro dos "Profetas e Escrituras" lido no Shabat, após a leitura da Torá) desta semana nos traz a bronca que o profeta Yeshaiahu deu no povo judeu na época do Primeiro Templo. A bronca é muito dura, como está escrito: "O boi conhece seu dono e o jumento a tigela de seu possuidor, mas Israel não tem conhecimento, Meu povo não reflete" (Yeshaia 1:3). Por que esta diferença tão grande entre as duas broncas?
 
Explica o Rav Leib Chassman que existem dois grupos distintos de pessoas no mundo. O primeiro grupo são aqueles que constantemente refletem na vida e prestam atenção para onde seus atos estão o levando. O segundo grupo são aqueles que não param na vida para refletir para onde estão indo, como se estivessem dormindo de pé.
 
A geração do deserto estava no grupo daqueles que refletiam sobre seus atos. Por causa disso o nível espiritual deles era tão alto que Moshé não precisou nem mesmo mencionar as transgressões cometidas, apenas a citação dos lugares foi suficiente. Por que Moshé somente deu a bronca perto de sua morte? Pois esta é mais uma qualidade das pessoas que refletem na vida. Moshé sabia que eles reconheceriam os erros cometidos de uma maneira tão intensa que teriam vergonha de olhar novamente para ele depois da bronca. Por isso deixou para os últimos momentos, para que eles não passassem esta vergonha de ter que olhá-lo no dia seguinte.
 
Já a geração do profeta Yeshaiahu havia caído muito em seu nível espiritual. O profeta entendeu que simples indicações das transgressões não seriam suficientes para despertar o povo, por isso utilizou palavras duras. Por que comparou o povo com o cavalo e o jumento? Estes animais reconhecem seu dono por natureza e, portanto, isto ocorre constantemente. Mas para o ser humano não é tão simples assim, seu nível espiritual de conexão com o Criador do mundo depende de suas escolhas e do grau de reflexão na vida. Se o ser humano reflete e com isso endireita seus caminhos na vida, ele se eleva acima de todas as criaturas. Mas se ele não reflete e deixa a vida acontecer sem nenhum planejamento ou investimento, ele fica abaixo até mesmo dos animais. Quando D'us criou o mundo, antes criou toda a natureza e os animais e somente no último dia criou o ser humano. Por que? Pois se o ser humano se eleva espiritualmente e cumpre seu papel no mundo, D'us diz para ele: "Eu criei todo o universo para você, e queria que estivesse tudo pronto quando você chegasse". Porém, se a pessoa se desvia do seu caminho e se fasta do Criador, Ele diz: "Até mesmo o mosquito foi criado antes de você".
 
As broncas de Moshé e de Yeshaiahu podem ser associadas a um pai que vê seu filho dormindo e sabe que se ele não despertar atrasará para a escola. Se o sono do filho é leve, um simples chamado pode despertá-lo, mas se o sono é pesado, o tom do chamado vai aumentando cada vez mais. Se for necessário, o pai chega a chacoalhar o filho. Assim também é a forma como D'us se comporta conosco. Quando Ele nos vê "dormindo" espiritualmente, Ele sofre com o que estamos perdendo e tenta nos acordar. Quanto mais pesado o sono, mais forte precisa ser o "despertador".
 
Na próxima 2ª feira de noite (19/07), começa Tishá Be Av, um dos dias mais tristes do ano judaico. É um dia em que grandes tragédias se abateram sobre o nosso povo. Neste dia nossos dois Templos Sagrados foram destruídos, fomos expulsos da Espanha e Portugal e muitas outras desgraças ocorreram. Por que? Pois quando não refletimos, não percebemos que nossos caminhos estão errados e não os consertamos. A geração de Yeshaiahu foi advertida, mas não se arrependeu dos seus atos e o Primeiro Templo foi destruído. A geração do Segundo Templo também não enxergou seus erros e até hoje continuamos sem nosso Templo. Qual foi o erro dos nossos antepassados que até hoje não conseguimos ainda consertar? O ódio gratuito dentro do povo judeu. D'us nos chacoalhou várias vezes na história, mas mesmo assim insistimos em permanecer dormindo.
 
O que acontece quando os próprios judeus se agridem e não se respeitam? D'us nos manda um sinal. E tivemos um grande sinal há pouco tempo. Segundo o judaísmo, nada acontece por acaso. O incidente dos navios de "ajuda humanitária" que se dirigiam para Gaza nos ensinaram que o anti-semitismo não morreu na Segunda Guerra Mundial. Ele continua presente, nas manchetes dos principais jornais do mundo, nos comentários nas escolas e faculdades, na proporção que o caso tomou. Em qualquer país do mundo navios que invadissem águas territoriais seriam imediatamente afundados. Mas Israel, antes de qualquer chance de esclarecimentos, foi apedrejado pelo mundo inteiro. Somente assim os judeus do mundo inteiro se juntaram e se mobilizaram contra a opinião pública. Somente assim voltamos a nos sentir parte de um povo só.
 
Por que precisamos do anti-semitismo para nos unir? Por que não podemos despertar do nosso sono espiritual antes de receber "pedradas" celestiais? Até quando vamos culpar os palestinos e os terroristas quando os culpados somos nós mesmos? Enquanto colocarmos a culpa nos outros e não encararmos o problema de frente, nunca conseguiremos vencê-lo.
 
Ensinam nossos sábios que Tishá Be Av é um dia triste, mas que futuramente se tornará o dia da redenção final. Que cada um possa trabalhar para apagar seu ódio gratuito para que neste Tishá Be Av possamos estar todos juntos em Jerusalém. Não chorando de tristeza pela destruição do nosso Templo, mas chorando de alegria pela sua reconstrução.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h19  Rio de Janeiro: 17h05  Belo Horizonte: 17h15  Jerusalém: 19h06
**************************************************************************
 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nasha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel bem Ester.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 

sexta-feira, 9 de julho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHIOT MATOT E MASSEI 5770

BS"D
 
ESCREVENDO NA PEDRA OU NA AREIA – PARASHIOT MATOT E MASSEI 5770 (9 de julho de 2009)
 
"Dois amigos, Jacó e José, viajavam juntos, acompanhados de seus ajudantes. Chegaram certa manhã às margens de um rio de forte correnteza e precisavam atravessá-lo. Quando o jovem José tentou saltar em uma pedra, escorregou e caiu na água. Jacó, sem um instante de hesitação, atirou-se à correnteza e, lutando furiosamente, conseguiu trazer a salvo o companheiro de jornada. O que fez José? Chamou, no mesmo instante, os seus mais hábeis ajudantes e ordenou-lhes que gravassem em uma grande pedra a seguinte frase: "Neste lugar, durante uma jornada, Jacó salvou heroicamente o seu amigo José". Isto feito, prosseguiram a viagem.
 
Alguns meses depois, quando regressavam, novamente se viram forçados a atravessar o mesmo rio, naquele mesmo lugar perigoso e trágico. Como se sentiam muito cansados, resolveram repousar algumas horas à sombra acolhedora da pedra que ostentava bem no alto a honrosa inscrição. Sentados na areia clara, puseram-se a conversar. Eis que, por um motivo fútil, surgiu de repente uma grave desavença entre os dois companheiros. Da discórdia passaram para uma acalorada discussão e Jacó, num ímpeto de raiva, deu um tapa na cara de seu amigo.
 
O que fez José? O que você faria no lugar dele? José não revidou a ofensa. Ergueu-se tranquilamente, pegou um galho seco e escreveu na areia clara: "Neste lugar, durante uma jornada, Jacó, por um motivo fútil, deu um tapa na cara do seu amigo José".
 
Surpreendido com o estranho comportamento, um dos ajudantes de José comentou:
 
- Senhor, para exaltar um bom ato de Jacó você nos mandou gravar para sempre na pedra o feito heróico. Mas agora, que ele acaba de te ofender gravemente, você se limita a apenas escrever na areia? A primeira escrita ficará para sempre, mas esta outra, riscada na areia, antes do cair da tarde já terá desaparecido!
 
Respondeu então José:
 
- O benefício que recebi de Jacó permanecerá para sempre em meu coração, como a frase escrita na pedra. Mas a ofensa, escrevo-a na areia para que se apague logo, pois desejo apagá-la da minha lembrança tão rapidamente quanto ela será apagada da areia"
 
Devemos aprender a gravar na pedra os favores e benefícios que recebemos, as palavras de carinho, simpatia e estímulo que ouvimos. Devemos aprender, porém, a escrever na areia as ofensas, as ingratidões, as enganações e as agressões que nos ferem pela estrada da vida.
 
********************************************
 
Nesta semana lemos duas Parashiot juntas, Matót e Massei. Na Parashá Matót, D'us ordena que o povo judeu guerreie contra o povo de Midian como um ato de vingança. Vingança do que? O povo de Midian havia tramado um plano para derrubar espiritualmente o povo judeu. Usando as próprias filhas como "iscas", eles conseguiram fazer com que muitos judeus cometessem relações ilícitas e idolatria, o que causou uma consequência desastrosa para o povo judeu: a morte de 24 mil homens em uma terrível praga. E assim a Torá descreve a ordem de D'us para Moshé: "Tome vingança dos Filhos de Israel contra os midianitas; depois você se reunirá aos teus antepassados" (Bamidbar 31:2). Segundo o Midrash (parte da Torá Oral), se Moshé quisesse cumprir a ordem de D'us somente depois de 20 ou 30 anos, ele teria permanecido vivo todo este tempo, pois D'us havia decretado que ele morreria apenas depois da vingança contra Midian.
 
Se soubéssemos o dia da nossa morte e tivéssemos a possibilidade de ganhar mais alguns anos, meses ou até mesmo dias, não faríamos de tudo para prolongar nossas vidas? Certamente que sim. Mas para nossa surpresa, a Torá nos ensina que Moshé cumpriu a ordem de D'us imediatamente. Por que ele não adiou a guerra para "ganhar um tempo"?
 
Explica o Rabino Leib Chassman que a resposta está na forma como Moshé convocou o povo para a guerra: "E falou Moshé com o povo: armem homens dentre vocês... para tomar a vingança de D'us contra Midian" (Bamidbar 31:3). Moshé chamou a guerra de "vingança de D'us", isto é, ele entendeu a importância desta guerra como uma forma de santificar o nome de D'us que havia sido denegrido com a promiscuidade e a idolatria do povo judeu. Moshé então prontamente cumpriu a Mitzvá, pois para ele a honra de D'us estava acima de sua própria vida.
 
Porém, surge uma grande pergunta. A Torá diz que Moshé não foi pessoalmente para a guerra, ele enviou Pinchás como líder, como está escrito "E Moshé enviou os 1.000 homens de cada tribo para o exército, eles e Pinchás..." (Bamidbar 31:6). Se era uma Mitzvá tão importante, por que Moshé não liderou pessoalmente o exército? Explicam os nossos sábios que Moshé, quando matou um egípcio para salvar o judeu que estava sendo covardemente espancado por ele, precisou fugir da fúria do faraó e refugiou-se em Midian. Portanto ele sabia que tinha uma obrigação de "Acarat Hatóv" (reconhecer a bondade recebida). Como ele poderia atirar uma pedra no poço onde havia bebido água, isto é, como ele poderia infligir sofrimentos a quem havia feito coisas boas para ele?
 
Mas Moshé estava realmente obrigado a ter "Acarat Hatóv" com o povo de Midian? Apesar de realmente ter recebido coisas boas, eles haviam causado muitos sofrimentos ao povo judeu! Até onde vai nossa obrigação de agradecer por uma bondade recebida?
 
Muitas vezes recebemos muitas bondades de pessoas que, em algum momento, "pisam na bola" conosco. Imediatamente esquecemos todo o bem que recebemos destas pessoas e guardamos para sempre o rancor. Esta é a natureza do ser humano, esquecer as coisas boas e guardar no coração as coisas ruins que recebemos dos outros, mesmo que as bondades tenham sido muitas e as coisas negativas tenham sido poucas. Mas de Moshé aprendemos o contrário, quanto é grande a obrigação que o ser humano tem de "Acarat Hatóv" com o próximo. Mesmo que os midianitas tinham feito algo tremendamente ruim, isso não apagou as coisas boas que eles fizeram no passado, e Moshé sentiu a obrigação de se lembrar delas. Moshé nos ensinou que, mesmo quando alguém nos faz algo ruim, isto não nos isenta da obrigação de reconhecermos as coisas boas que recebemos dele.
 
Com quem Moshé aprendeu a se comportar assim? Com o próprio Criador do mundo. O judaísmo nos ensina que a nossa meta na vida é se assemelhar ao Criador. Da mesma forma que Ele é bondoso com todas as criaturas, assim nós também devemos ser bondosos. Da mesma forma que Ele é misericordioso, assim também devemos ser misericordiosos. Ensina o Rabino Moshé Cordovero, em seu livro "Tomer Dvora", que quando um ser humano cumpre uma Mitzvá ou faz um bom ato, D'us as guarda nos mundos espirituais mais elevados, diante de Seus olhos. Mas quando um ser humano faz uma transgressão, D'us não deixa que ela fique guardada no mesmo nível espiritual elevado, ele a "esconde" para que não fique diante de Seus olhos. Por que? Por misericórdia, para que uma Mitzvá não seja anulada com uma transgressão. Pois por cada Mitzvá que fazemos teremos uma recompensa eterna, e D'us não quer nos fazer perder nossa eternidade por causa de momentos de fraqueza, quando cometemos erros. D'us "cobra" pelos nossos erros, através de sofrimentos que passamos no mundo físico ou no mundo espiritual (após a morte), para depois poder nos pagar, no Mundo Vindouro, a recompensa de cada Mitzvá que fizemos. Nenhuma Mitzvá é "descontada" pelos nossos maus atos. Moshé aprendeu, com esta característica de misericórdia de D'us, a guardar as coisas boas recebidas e a "ignorar" as coisas ruins.
 
Assim devemos nos comportar com os outros, nos esforçando para esquecer e perdoar as pessoas pelas coisas ruins que nos fizeram e, por outro lado, nos esforçando para guardar para sempre cada pequena bondade que recebemos dos outros. Devemos escrever em pedras as coisas boas e na areia as coisas ruins. Esse é o verdadeiro "Acarat Hatóv". Assim nos comportamos de verdade como D'us.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h16  Rio de Janeiro: 17h02  Belo Horizonte: 17h12  Jerusalém: 19h08
**************************************************************************
 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nasha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel bem Ester.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).

sexta-feira, 2 de julho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ PINCHÁS 5770

BS"D

 

SUBORNANDO O JUIZ - PARASHÁ PINCHÁS 5770 (02 de julho de 2010)

 

"Um homem muito sábio tinha quatro filhos muito inteligentes, porém muito teimosos. Quando eles colocavam uma idéia na cabeça, não havia quem conseguisse tirar. Não estavam abertos a escutar o que os outros diziam quando eram contrariados. Mas o pior de tudo é que eles não conseguiam enxergar que eram teimosos. O pai então bolou uma maneira engenhosa de ensinar uma lição para eles. Enviou os quatro para uma viagem, cada um em uma estação diferente do ano, para observar uma determinada árvore que havia em um lugar distante. O primeiro filho foi no inverno, o segundo foi na primavera, o terceiro foi no verão e o quarto foi no outono.

 

Depois de um ano o pai juntou os quatro filhos e pediu para que cada um deles descrevesse o que viu. O primeiro informou que havia visto uma árvore feia, seca e sem vida. O segundo filho deu risada e disse que devia ser outra árvore, pois a que ele tinha vista era justamente o contrário, uma árvore bem viva, carregada de botões. O terceiro filho contestou a informação dos dois irmãos e afirmou que havia visto uma árvore coberta de lindas flores e exalando um perfume delicioso. Finalmente, o quarto filho afirmou que os irmãos estavam todos enganados, pois a árvore não era algo seco e sem vida e também não tinha flores, e sim muitas frutas saborosas.

 

O pai, então, ensinou uma grande lição aos filhos: explicou que todos haviam visto exatamente a mesma árvore, mas em épocas do ano diferentes. Por que nenhum deles havia conseguido chegar à simples conclusão de que era uma única árvore em estações diferentes? Pois cada um estava tão focado em suas próprias idéias que não conseguia expandir sua visão para enxergar algo maior"

 

********************************************

 

O povo judeu cometeu muitas transgressões durante os anos em que permaneceu no deserto: o bezerro de ouro, o choro por causa do relato dos espiões, as constantes reclamações por comida e água e a promiscuidade com as mulheres de Midian, entre outras. Os judeus estavam muito desanimados por causa das severas punições que receberam de D'us. Mas enquanto muitos do povo pensavam em voltar ao Egito, a Parashá desta semana, Pinchás, louva cinco mulheres que demonstraram em público o seu amor incondicional pela terra de Israel. As cinco mulheres, filhas de um homem chamado Tzlofchad, vieram publicamente reivindicar de Moshé uma porção na terra de Israel. A divisão da porção de cada família havia sido feita de acordo com a quantidade de homens em cada casa, mas como Tzlofchad havia morrido sem deixar filhos homens, as cinco mulheres haviam ficado sem nenhuma porção. E assim elas argumentaram com Moshé: "Nosso pai morreu no deserto. Ele não estava entre os membros do partido de Korach que protestou contra D'us, mas ele morreu por causa de seu próprio pecado, sem deixar filhos... Dá-nos uma porção da terra junto com os irmãos do nosso pai" (Bamidbar 27:3,4).

 

Moshé era o grande juiz do povo judeu e todos os casos difíceis eram levados para ele julgar. Mas neste caso Moshé teve uma conduta diferente, como está escrito: "Moshé trouxe o caso delas diante de D'us" (Bamidbar 27:5). D'us falou para Moshé que a reclamação era realmente justa e que elas também tinham direito de receber uma porção na terra de Israel. O ato delas foi tão louvável que, por este mérito, a Torá logo em seguida nos ensina todas as leis sobre herança. 

 

Mas surgem duas perguntas sobre este caso. Primeiro, por que as filhas de Tzlofchad não disseram apenas que seu pai havia morrido sem deixar filhos homens? Por que foi importante mencionar que ele não havia participado da rebelião de Korach? E, além disso, Moshé encaminhava para D'us apenas as perguntas que eram muito difíceis, mas esta era aparentemente uma pergunta simples. Por que ele não respondeu sozinho?

 

Nos nossos dias infelizmente estamos acostumados com a corrupção. Somos bombardeados por todos os meios de comunicação com a realidade de que os nossos representantes, eleitos para protegerem nossos direitos, se aproveitam dos cargos públicos para se beneficiarem. Nisso se inclui nosso sistema judicial, onde não faltam escândalos de suborno e corrupção. Pessoas que deveriam estar aplicando a lei e fazendo justiça se vendem e mudam o rumo de julgamentos. E ao assistirmos a tudo isso, acabamos achando que é normal. Porém, segundo o judaísmo, nós não devemos nos conformar. Suborno é muito grave, pois o único que pode nos julgar de verdade é D'us, mas Ele deu aos juízes o poder de representá-Lo no mundo para que a justiça seja feita. Portanto não há nada pior do que um juiz que aceita subornos para desviar um julgamento.

 

Explica o rabino Isroel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, que na verdade Moshé sabia qual era a resposta ao pedido das filhas de Tzlofchad. Porém, ele teve dúvidas se seu julgamento estava correto. Por que? Pois ele se sentiu subornado pelas filhas de Tzlofchad e por isso preferiu encaminhar o julgamento diretamente para D'us. Mas se procurarmos em toda a Parashá, não encontraremos nenhum versículo descrevendo que elas deram um "presentinho" para incentivar Moshé a julgar favoravelmente o caso. Afinal, de que suborno estamos falando?

 

Quando as filhas de Tzlofchad foram reivindicar a terra, elas fizeram questão de mencionaram o motivo da morte do pai para que Moshé soubesse que ele não havia morrido por ter se rebelado contra D'us, o que poderia ter causado a perda do direito de uma porção na terra em Israel. Ao contrário, elas ressaltaram que ele havia morrido por outro pecado que ele havia cometido, onde não houve nenhuma rebeldia pública contra D'us. Porém, Moshé logo percebeu que as filhas de Tzlofchad eram mulheres muito sábias e, quando escutou elas explicando que a morte do pai não estava conectada com a rebelião de Korach, achou que elas estavam mencionando este fato para bajulá-lo. Ele pensou que elas queriam que ele, indiretamente, entendesse que elas sempre estiveram ao seu favor, mesmo durante a disputa com Korach, conseguindo assim um julgamento mais favorável. E Moshé era tão reto e tão justo que sentiu que aquilo já era um suborno, pois esta simples informação "a mais" já seria suficiente para que ele não fosse completamente imparcial. Apesar dele saber, de acordo com a lei judaica, que elas estavam corretas em seu argumento e mereciam uma porção em Israel, ele teve medo de que sua decisão tivesse sido influenciada pelo "suborno" delas e por isso decidiu se afastar do caso, encaminhando-o diretamente para D'us.

 

É interessante refletir que este conceito não se aplica apenas a juízes que atuam no tribunal. Em nossas decisões do cotidiano, quando decidimos o que é certo e o que é errado, também somos juízes dos nossos atos e por isso também temos que tomar cuidado com os nossos subornos. Quais são os nossos subornos? As nossas vontades, a nossa honra, a busca por prazeres imediatos. Quando queremos muito fazer algo, encontramos brechas até mesmo nas nossas maiores convicções. Por exemplo, ninguém tem dúvida de que uma das coisas mais importantes é a nossa saúde. Também ninguém tem dúvida de que comer muitos doces faz mal à saúde e pode causar muitas doenças. Mas quantos conseguem se controlar diante de uma mesa repleta de doces? Apesar do prazer de comer um doce durar apenas alguns segundos e os malefícios durarem uma vida inteira, mesmo assim não resistimos. Mas e a nossa convicção de que a saúde é tão importante? A vontade de sentir o prazer imediato de comer o doce vence a batalha. E na grande maioria das vezes, vence facilmente.

 

Algo muito semelhante acontece quando nos deparamos com as leis da Torá. Começamos a ver que tudo faz sentido, que as Mitzvót nos levam a uma vida mais regrada e equilibrada, que podemos viver com mais sentido e aproveitando melhor cada instante da vida. Mas quando vamos dar mais um passo, travamos. Por que? Apesar de racionalmente fazer sentido, ficamos com medo de perder nossos prazeres.

 

O que precisamos entender é que o judaísmo não nos tira prazeres, ao contrário, nos ajuda a aproveitá-los melhor. Não podemos ir ao barzinho na Sexta de noite, mas podemos construir uma família com pessoas unidas, que se sentam à mesa durante o Shabat para conversar e cantar juntas. Não podemos comer tudo o que temos vontade, mas aprendemos a ter autocontrole, a saber dizer "não" para as nossas vontades. Não saímos para namorar e "ficar", mas construímos casamentos felizes e estáveis, que duram a vida inteira. Abrimos mão de prazeres pequenos para conseguir prazeres muito maiores.

 

Desta Parashá aprendemos de Moshé o quanto temos que tomar cuidado com o suborno. Principalmente se o que está em jogo é o resto da nossa eternidade.

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h13  Rio de Janeiro: 16h59  Belo Horizonte: 17h10  Jerusalém: 19h09

**************************************************************************


Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nacha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nacha Blima.

--------------------------------------------

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.


Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

-------------------------------------------

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim.

--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com


(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).


quinta-feira, 24 de junho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ BALAK 5770

BS"D
 
ABRINDOS AS PORTAS TRANCADAS - PARASHÁ BALAK 5770 (25 de junho de 2010)
 
"Harry Houdini, um dos maiores mágicos de todos os tempos, tinha uma habilidade especial: ele conseguia escapar de qualquer cela trancada em, no máximo, 60 minutos, com as condições de que o deixassem entrar na cela com suas roupas normais e que ninguém ficasse observando seu trabalho para escapar.
 
Os moradores de uma pequena cidade britânica decidiram então desafiar o grande Houdini. Eles anunciaram que tinham acabado de desenvolver uma cela à prova de fuga e convidaram Houdini para testá-la. O desafio foi imediatamente aceito. No dia marcado, deixaram-no entrar na cela com suas roupas normais. Uma pessoa fechou a porta da cela, girou a chave de uma maneira estranha e todos se afastaram para deixar Houdini trabalhar sozinho.
 
O segredo de Houdini é que ele escondia uma barra de aço longa e flexível no seu cinto e utilizava-a para abrir as trancas das celas de onde escapava. Assim que as pessoas se afastaram, ele retirou a barra e trabalhou por 30 minutos, com seu ouvido muito próximo da tranca, mas nada acontecia. 45 minutos se passaram, depois uma hora, ele transpirava muito mas não conseguia abrir a tranca. Parecia realmente à prova de fuga, era impossível abrir aquela cela! Depois de duas horas trabalhando incessantemente ele caiu, exausto, apoiado na porta da cela. Para sua surpresa, a porta se abriu. Eles não haviam trancado a porta! Este era o truque para enganar o mais famoso artista das grandes fugas.
 
Houdini aprendeu naquele dia uma das lições mais importantes de sua vida: ele podia escapar de qualquer cela e abrir qualquer porta. A única porta que ele não conseguia abrir era a que estava trancada na sua mente"
 
Muitas vezes pensamos que somos incapazes de vencer nossos problemas e superar nossas limitações. Mas o único lugar onde as coisas são impossíveis é na nossa mente. É a única coisa que está realmente "trancada".
 
********************************************
 
A Parashá desta semana, Balak, nos conta sobre um dos personagens mais contraditórios da Torá: Bilaam. Por um lado ele tinha um gigantesco potencial espiritual, ao ponto de conseguir ver anjos e falar diretamente com D'us. Por outro lado, ele se corrompeu completamente por causa de seus desejos insaciáveis e desceu aos níveis mais baixos. Justamente por causa dos seus "dons" espirituais é que ele foi procurado por Balak, rei do povo de Moav. As histórias das milagrosas e devastadoras vitórias militares do povo judeu contra inimigos poderosos causavam temor em todos os povos, e a aproximação dos judeus causou inquietação em Balak. Mas ele era sábio e entendeu que as vitórias do povo judeu não eram por causa de sua força militar e sim por causa de sua força espiritual. Enquanto o povo judeu tivesse as Brachót (bênçãos) de D'us, ninguém conseguiria vencê-los. Portanto Balak contratou Bilaam, por uma enorme quantia de ouro, para que ele utilizasse seus "dons" espirituais para amaldiçoar o povo judeu, o que talvez possibilitasse uma vitória na guerra.
 
Mas a idéia de Balak, apesar de ter sido genial, não funcionou, pois ele esqueceu que ninguém pode levantar nem mesmo um dedo se D'us assim não o permitir. Apesar de Bilaam ter feito três tentativas de amaldiçoar os judeus, D'us os protegeu e, ao invés de maldições, da boca de Bilaam só saíram Brachót. Balak então se irritou muito com Bilaam, como está escrito "E Balak se enfureceu com Bilaam e bateu as palmas. E disse Balak a Bilaam: 'Eu te trouxe para amaldiçoar meus inimigos e você os abençoou três vezes!' " (Bamidbar 24:10).
 
Mas se voltarmos ao início da Parashá, surge uma pergunta. Desde o momento da contratação, Bilaam já havia avisado a Balak que talvez não conseguisse amaldiçoar o povo judeu, como está escrito "Você pensa que eu consigo dizer qualquer coisa? Eu somente consigo dizer as palavras que D'us coloca na minha boca" (Bamidbar 22:38). Então por que Balak ficou tão bravo com Bilaam? Se houvesse a expectativa de que o sucesso estava garantido, a frustração seria entendida, mas depois de Bilaam ter deixado clara a possibilidade de fracasso, por que foi tão grande a insatisfação de Balak?
 
Explica o Rav Yossef Dov Solovetchik, mais conhecido como Beit Halevi, que existem dois tipos de "não consigo". Por exemplo, se uma pessoa pedisse para um amigo dar um tapa na cara de alguém importante e oferecesse dinheiro para isso, a pessoa responderia "não consigo". Se a pessoa oferecesse dinheiro para o mesmo amigo escalar um prédio de 40 andares, ele também responderia "não consigo". Apesar das duas respostas serem iguais nas palavras, elas são completamente diferentes no seu conteúdo. Não conseguir dar um tapa em outra pessoa não é uma incapacidade física, está relacionado com valores intelectuais e morais. Uma pessoa normal não conseguiria dar um tapa em outra pessoa por dinheiro, pois sua consciência o impediria. Já em relação a escalar um prédio de 40 andares, a pessoa não conseguiria por uma real impossibilidade física.
 
Qual a diferença prática entre os dois "não consigo"? No primeiro "não consigo", se o valor oferecido fosse gradualmente aumentado, chegaria um momento em que os valores monetários falariam mais alto do que os valores morais e a pessoa conseguiria dar o tapa. Mas o ato de escalar o edifício continuaria sendo impossível, independente de quanto dinheiro fosse oferecido.
 
Estas duas formas de entender a expressão "não consigo" explicam a grande irritação de Balak. Bilaam, ao ser contratado, realmente disse que talvez não conseguisse amaldiçoar o povo judeu. Mas como Balak conhecia o desejo incontrolável de Bilaam por dinheiro e honra, imaginou que a resposta significava "por este valor talvez eu não consiga fazer este ato moralmente feio, mas se você oferecer mais, quem sabe eu consiga superar este bloqueio". Como Balak estava disposto a pagar o que fosse pela maldição, ele ficou confiante que o acerto econômico ocorreria facilmente. O que ele não esperava é que Bilaam estava realmente se referindo à impossibilidade de amaldiçoar o povo judeu se D'us não permitisse, independente de quanto dinheiro recebesse.
 
Apesar da Torá ter sido escrita há mais de 3.000 anos, ela continua atual como nunca. Da mesma forma que Balak se confundiu sobre qual era o sentido verdadeiro da expressão "não consigo" dita por Bilaam, muitas vezes nós cometemos o mesmo erro. Às vezes dizemos para nós mesmos "gostaria de ser uma pessoa melhor, ajudar mais aos outros, fazer mais Mitzvót no meu dia a dia, mas eu não consigo". O que significa este "não consigo", que é realmente impossível, que tentamos de tudo para alcançar nossos objetivos espirituais e descobrimos que não temos como fazer mais nada? Certamente que não. Mas mesmo assim desistimos sem nem mesmo tentar.
 
A grande maioria das nossas limitações é imposta por nós mesmos. A depressão, uma das piores doenças da atualidade, que atinge uma elevada parcela da população mundial, é muitas vezes consequência da nossa falta de auto-estima. Achamos que somos pequenos, que não conseguiremos nunca chegar a níveis mais elevados, que é realmente impossível. Mas vemos que na prática isto é um grande erro. Se alguém nos perguntasse se conseguiríamos jogar uma partida de tênis por 11 horas seguidas, qualquer um responderia imediatamente que não, pois é impossível. Mas nesta semana dois tenistas passaram mais de 11 horas jogando uma única partida, em um dos torneios mais tradicionais do mundo, o de Wimbledon. De onde surgiu esta força? Na verdade ela sempre existiu dentro de cada um deles, apenas estava adormecida, esperando o momento de aflorar. E o que despertou esta força? Os milionários prêmios e a honra de ser o melhor tenista do mundo. Isto quer dizer que, em geral, o "não consigo" é consequência da falta de motivação adequada.
 
Se pararmos para refletir, chegaremos a uma conclusão lógica: se uma pessoa se esforça neste nível para ganhar um prêmio em dinheiro e fama, coisas passageiras que vem e podem ir embora de um instante para o outro, quanto mais temos que nos esforçar por nossa eternidade, algo que é garantido e para sempre. Por que não nos esforçamos assim espiritualmente? Pois não colocamos no coração a idéia de que cada ato neste mundo vale nossa eternidade. Investimos todo o nosso esforço nas coisas passageiras e não sobra tempo para as aquisições verdadeiras. Portanto, da próxima vez que quisermos crescer espiritualmente e a expressão "não consigo" vier à nossa cabeça, é bom verificar se realmente é impossível ou se estamos apenas enganando a nós mesmos.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h11  Rio de Janeiro: 16h57  Belo Horizonte: 17h08  Jerusalém: 19h08
**************************************************************************
 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nacha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nacha Blima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 

sexta-feira, 18 de junho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ CHUKAT 5770

BS"D
 
QUESTIONAMENTOS NA VIDA - PARASHÁ CHUKAT 5770 (18 de junho de 2010)
 
"Havia um rei que tinha um ajudante que, além de ser muito sábio, tinha uma característica especial: sempre que ele se encontrava em uma situação adversa, dizia: "Tudo é para o bem". Certa vez o rei e seu ajudante saíram juntos para caçar. De repente, passou um grande animal perto deles e o rei rapidamente apontou seu rifle e disparou. Mas algo deu errado no mecanismo da arma e o rifle explodiu na mão do rei, arrancando um de seus dedos. O rei caiu no chão e começou a se contorcer de tanta dor. O ajudante correu para ajudá-lo e, enquanto cuidava do ferimento, disse: "Não fique triste, rei. Tudo é para o bem". O rei perdeu a cabeça com a falta de sensibilidade daquele ajudante. Ele estava ali, se contorcendo de dor após ter perdido um dedo, e o sujeito vinha lhe dizer que tudo é para o bem! Quando voltaram ao palácio o rei chamou seus guardas e mandou jogar aquele ajudante insolente na prisão.
 
Alguns dias se passaram e o rei, sentindo que já estava recuperado, decidiu sair novamente para caçar. Mas desta vez ele foi sozinho, pois seu ajudante estava na prisão e ainda não havia sido perdoado. No meio da selva, o rei escutou alguns ruídos estranhos e, com muito medo, começou a voltar. Mas foi capturado por índios que estavam em busca de um sacrifício humano para os seus deuses. Já amarrado no altar, o rei esperava pela morte certa. Quando a lâmina já se aproximava do seu pescoço, um dos índios percebeu que o rei tinha um dedo faltando. Como eles poderiam oferecer aos deuses uma pessoa com um defeito? Imediatamente o rei foi libertado e pôde voltar para casa são e salvo.
 
No caminho de volta, o rei começou a refletir e lembrou-se das palavras de seu ajudante: "Tudo é para o bem". Ele estava certo, pois se não tivesse perdido o dedo no acidente com a arma, agora estaria morto. Com um profundo sentimento de gratidão, o rei imediatamente libertou seu fiel e sábio ajudante. Mas uma pergunta ainda lhe incomodava:
 
- Meu amigo, entendo que eu ter perdido o dedo tenha sido algo bom, pois isto salvou minha vida. Mas se tudo é para o bem, por que foi bom você ter ficado preso?
 
- Meu querido rei - respondeu o ajudante - Se eu não tivesse sido preso, estaria com você no momento em que foi capturado pelos índios. Quando eles percebessem que o rei não tinha um dedo e por isso não poderia ser sacrificado, certamente o escolhido para o sacrifício teria sido eu. Ter ficado na prisão salvou minha vida. Como eu sempre digo, tudo é para o bem"
 
Mesmo quando não conseguimos enxergar, temos que saber que existe uma Supervisão particular para tudo o que ocorre em nossas vidas. Tudo o que D'us faz, para o nosso bem Ele faz.
 
********************************************
 
A Parashá desta semana, Chukat, nos ensina sobre uma das mais enigmáticas Mitzvót da Torá: a purificação espiritual através das cinzas da vaca vermelha. Quando uma pessoa tinha contato com um morto, ela se tornava espiritualmente impura e precisa passar por um processo de purificação. Em uma das etapas do processo, as cinzas de uma vaca completamente vermelha (um animal muito raro, em toda a história do povo judeu apenas 9 destas existiram), misturadas com água e outros ingredientes, eram aspergidas sobre a pessoa impura.
 
Existem dois tipos de Mitzvót, os "Mishpatim" e os "Chukim". Os "Mishpatim" são as Mitzvót que conseguimos entender seus motivos de forma lógica e racional. Por exemplo, honrar os pais, não matar e não roubar. Já os "Chukim" são as Mitzvót que não conseguimos, segundo a nossa lógica, entender seus motivos. A Mitzvá da purificação espiritual através das cinzas da vaca vermelha é um exemplo clássico de um dos "Chukim" da Torá.
 
O que há de tão enigmático nesta Mitzvá? Quando as cinzas eram atiradas sobre uma pessoa impura, esta se purificava. Porém, a pessoa que havia atirado as cinzas se tornava espiritualmente impura. Como pode ser que a mesma substância purificava uma pessoa e impurificava outra no mesmo ato? Esta Mitzvá contraria tanto a nossa lógica que nem mesmo Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o mais sábio e todos os homens, conseguiu entendê-la.
 
Porém, há um Midrash (parte da Torá Oral) que nos ensina que sim existe uma explicação lógica para esta Mitzvá, mas ela não nos foi revelada intencionalmente. O Midrash conta que quando D'us ensinou esta Mitzvá para Moshé, Ele falou: "Para você Eu revelarei o motivo desta Mitzvá, mas para os outros será um Chok". Há outro Midrash que diz que D'us nos revelará o motivo desta Mitzvá depois da vinda do Mashiach. Destes dois Midrashim surge uma grande pergunta: se existe um motivo, e futuramente ele será revelado para todos nós, por que por enquanto D'us o está ocultando?
 
Explica o Rav Yossef Salant que, com a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha, D'us quis acostumar o ser humano a cumprir as Mitzvót mesmo quando elas pareçam ilógicas e sem sentido aos nossos olhos. E através do cumprimento destas Mitzvót ilógicas, o ser humano pode aprender a não questionar D'us quando confrontado com acontecimentos que são estranhos e ilógicos aos nossos olhos. Pois quando as pessoas começam a questionar a bondade de D'us, este é o primeiro passo para o afastamento espiritual. Portanto, o ocultamento do motivo desta Mitzvá teve como principal propósito enraizar em nossos corações a idéia de que, da mesma forma que logicamente não conseguimos entender todas as Mitzvót, assim também não temos capacidade de entender logicamente os caminhos e o comportamento de D'us no mundo. Quando o Mashiach chegar, começará uma época em que não teremos mais notícias "ruins" no mundo e, portanto, não mais haverá questionamentos sobre a bondade de D'us. Então o motivo desta Mitzvá poderá ser finalmente revelado a todos.
 
Todas as vezes que questionamos sobre os caminhos de D'us, estamos cometendo um grave erro. Nossa falta de entendimento vem do fato de tentarmos aplicar a lógica humana a D'us. Se algum acontecimento não está correto segundo a nossa lógica, então chegamos à conclusão que D'us errou ou que D'us não é bom. Isto é, antes de tudo, falta de humildade do ser humano, ao querer igualar-se a D'us. A sabedoria de D'us é infinita, enquanto nós somos seres limitados. A ciência nos ensina que mesmo Einstein, uma das cabeças mais brilhantes em toda a história da humanidade, não utilizou mais do que 10% de sua capacidade cerebral. Como então queremos entender a lógica Divina?
 
É por isso que uma das bases do judaísmo é a Tefilá (reza). Quando um judeu reza, ele se coloca em seu devido lugar. Na Tefilá pedimos todas as nossas necessidades para D'us, enraizando em nossos corações a certeza de que tudo vem Dele. Ensinam os nossos sábios que precisamos nos concentrar durante a Tefilá com 3 Kavanót (intenções) especiais: lembrar que estamos diante de D'us, o Rei dos Reis; lembrar que D'us é infinito e pode tudo; e lembrar que nós somos pequenos e limitados. Isso nos ajuda a ser humildes e a reconhecer a grandeza do nosso Criador.  
 
Mas se questionar os caminhos de D'us é algo negativo, então é difícil entender a passagem da Torá na qual Moshé falou para D'us "Me mostre Teus caminhos..." (Shemot 33:13), pois segundo o Talmud (Torá Oral) ele estava pedindo a D'us para entender porque há Tzadikim (Justos) que sofrem e Reshaim (malvados) que vivem tranqüilamente. E o mais interessante é que em nenhum momento a Torá relata que Moshé foi criticado ou castigado por D'us pelo questionamento. Qual é a diferença?
 
A resposta é que existem dois tipos de questionamento. O primeiro é um questionamento com desconfiança, com falta de humildade, querendo se colocar no mesmo nível de D'us. É querer questionar D'us sem nunca ter se esforçado para encontrar respostas. O outro tipo é um questionamento com humildade, querendo encontrar respostas para poder entender e aprender com os atos de D'us. Essa foi a intenção de Moshé, e este tipo de questionamento é muito incentivado pelo judaísmo.
 
Fazemos parte da geração "fast-food". Quando desejamos algo, queremos tudo pronto imediatamente. Não temos paciência para esperar nem vontade de investir para aumentar nossos conhecimentos. Queremos entender tudo sem muito esforço. Cada vez mais pessoas frequentam "Centros de Kabalá" buscando conhecimentos "profundos" sobre D'us sem nunca terem aberto nem mesmo um livro de Torá, sem nem mesmo conhecerem as Mitzvót mais básicas. Será que é possível entender os planos de D'us sem esforço? Será que é justo questionar e criticar D'us sem conhecer Suas regras? Quem somos nós para colocar em dúvida a bondade de D'us, que criou um universo inteiro com a única intenção de nos fazer o bem, apenas porque não entendemos alguns de Seus atos?
 
Para entender sobre construções, abrimos livros de engenharia. Para entender sobre o corpo humano, abrimos livros de medicina. Mas se queremos de verdade entender D'us, precisamos abrir e estudar a Torá, o nosso "Manual de Instruções" espiritual.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h10  Rio de Janeiro: 16h56  Belo Horizonte: 17h07  Jerusalém: 19h07
**************************************************************************
 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nacha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nacha Blima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
 

sexta-feira, 11 de junho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ KORACH 5770

BS"D
 
NÓS TEMOS DEFEITOS? - PARASHÁ KORACH 5770 (11 de junho de 2010)
 
"Os dias intermediários das festas de Pessach e Sucót são chamados "Chol Hamoed". Apesar de não serem Yamim Tovim (dias onde os trabalhos criativos são totalmente proibidos, como no Shabat), estes dias também têm muita Kedushá (Santidade) e por isso algumas atividades são permitidas apenas em casos de grande necessidade. Uma das atividades que entra nesta classificação é escrever.
 
O Rav Isser Zalman Meltzer era muito conhecido por seu zelo com as Mitzvót e seu temor a D'us. Certa vez ele estava estudando tranquilamente com um aluno durante os dias de Chol Hamoed de Sucót. De repente, no meio do estudo, ele se levantou assustado e pediu ao aluno que lhe trouxesse um papel e uma caneta. O aluno estranhou e exclamou:
 
- Mas Rav, estamos no meio de Chol Hamoed!
 
- Eu sei, não me esqueci disso, mas é uma questão de vida ou morte.
 
Como o aluno entendeu que era realmente algo muito importante, ele correu e trouxe rapidamente um papel e uma caneta. Mas para sua surpresa, o rabino escreveu algumas poucas palavras no papel, guardou-o no bolso e voltou a estudar como se nada tivesse acontecido. O aluno ficou confuso, pois ele havia dito que era algo de vida ou morte. Será que ele tinha entendido errado? Tomou coragem e pediu ao rabino uma explicação. O rabino então falou:
 
- Você sabe que em Chol Hamoed costumam vir à minha casa muitas pessoas para me desejar "Chag Sameach" (Boa festa). Mas com tantas pessoas vindo aqui, é impossível não notar alguns defeitos nas atitudes de algumas delas. E após todo o esforço que cada um faz para vir até a minha casa para me desejar "Chag Sameach", com eu posso olhar para as pessoas e enxergar algo de ruim nelas? Então o que eu faço para não ver o lado ruim dos outros? Todos os anos eu deixo pronto, antes do início das festas, um bilhete me lembrando a olhar os meus próprios defeitos ao invés de olhar os defeitos dos outros. E durante todo o Chol Hamoed, enquanto as pessoas vêm me visitar, de tempos em tempos eu tiro o papel do bolso para me concentrar nos meus erros e não nos dos outros.
 
- Mas neste ano - completou o rabino - eu me esqueci de deixar o papel pronto e só me lembrei só agora. Mesmo sendo Chol Hamoed eu tive que escrever, pois para mim isto é um caso de vida ou morte"
 
Esta é a diferença entre nós e os grandes Tzadikim (Justos). Enquanto para o Rav Isser Zalman se esforçar para não olhar os defeitos dos outros é uma questão de vida ou morte, para nós ficar notando e comentando os defeitos dos outros é a coisa mais comum do mundo...
 
********************************************
 
Na Parashá desta semana, Korach, a Torá nos relata um grave ato de rebeldia durante a caminhada do povo judeu no deserto. Um homem chamado Korach conseguiu convencer um grande grupo de pessoas a questionar as posições de destaque de Moshé e Aharon. O final foi trágico, resultando na morte de praticamente todos os rebeldes envolvidos. E assim a Torá descreve a reclamação dos rebeldes contra Moshé e Aharon: "Por que vocês estão se colocando acima da congregação de D'us?" (Bamidbar 16:3). Mas no fundo, o que havia de tão errado no argumento de Korach? Ele achou que Moshé estava fazendo algo errado, escolhendo para si posições que lhe dessem honra e poder. Como isto o incomodou, ele resolveu reclamar. O que há de tão grave em olhar os defeitos dos outros?
 
Em primeiro lugar, Korach estava cego pela inveja e por isso não conseguiu enxergar algo óbvio. A escolha de Moshé e de Aharon foi feita diretamente por D'us, não foi uma escolha deles mesmos. Quando Korach se rebelou contra os cargos de Moshé e Aharon, no fundo ele estava se rebelando contra D'us.
 
Além disso, é um fenômeno natural as pessoas prestarem atenção nos defeitos que enxergam nos outros e terem vontade de criticá-los por isso. E aparentemente isto é uma característica boa, pois é uma demonstração de que gostamos de ter qualidades, enquanto desprezemos e queremos fugir dos defeitos. Mas na verdade esta atitude do ser humano não é uma qualidade, ao contrário, vem das nossas características negativas. Explica o Rav Leib Chassman que, na realidade, a característica de apontar e reclamar dos defeitos dos outros é conseqüência de nos esquecermos de D'us e de nos esquecermos de nós mesmos.
 
O que significa que só criticamos o outro quando nos esquecemos de D'us? Explica o livro Tomer Dvora, do Rav Moshe Cordovero, que apesar de muitas vezes merecermos um julgamento mais rigoroso, D'us se comporta conosco com misericórdia. Por exemplo, Ele deixa nossos bons atos diante Dele para que se recorde deles sempre, principalmente quando são atos de bondade que fazemos com os outros. Mas com nossos erros Ele é Misericordioso e não deixa que cheguem diante Dele, como se tivesse "esquecendo-se" deles. Se D'us se comporta assim conosco, como nós podemos nos comportar ao contrário Dele, guardando os defeitos dos outros ao invés de procurar apenas suas qualidades?
 
E o que significa que só criticamos o outro quando nos esquecemos de nós mesmos? Pelo fato de acharmos que estamos sempre certos, D'us criou no mundo um sistema para nos ajudar a identificar os nossos erros. Se prestarmos atenção em tudo o que nos incomoda nos outros, perceberemos algo incrível: em algum nível, nós também cometemos o mesmo erro. Se alguém nos incomoda ao ser egoísta, é porque também somos um pouco egoístas. Se alguém nos incomoda por falar de maneira grosseira, é porque também falamos com os outros de maneira grosseira. Assim ensinam os nossos sábios: "Todo aquele que desqualifica o próximo, com seus próprios defeitos o desqualifica". Portanto, temos tantas coisas para consertar em nós mesmos que, se estamos prestando muita atenção nos defeitos dos outros, é sinal de que nos esquecemos de nós mesmos, isto é, estamos apontando o dedo para os outros enquanto nos esquecemos de fazer o nosso próprio trabalho espiritual.
 
Este conceito está também em um dos ensinamentos de Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Que seus olhos olhem para frente, e suas pálpebras diretamente diante de você" (Mishlei 4:25). O que isto significa? Quando olhamos para os outros, a tendência é olhar os defeitos, enquanto quando olhamos para nós mesmos, buscamos sempre as qualidades. Mas a palavra "diante de você" ("Kenegdecha" em hebraico) também significa "contra você". Portanto, o que Shlomo Hamelech, o mais sábio de todos os homens, está nos ensinando, é que quando nossos olhos encontram no outro um defeito, nossas pálpebras devem imediatamente olhar "contra nós", isto é, devemos olhar para nós mesmos para identificar onde temos este defeito que enxergamos no outro. Somente assim conseguiremos melhorar em todas as áreas de nossas vidas.
 
Foi isso o que aconteceu com Korach. Quando ele viu em Moshé o suposto defeito de querer buscar honra e poder, na verdade ele estava vendo um reflexo dos seus próprios desejos. Era Korach quem queria estar acima dos outros. Era ele quem estava sendo movido pelo desejo de poder e honra. O suposto defeito que ele viu em Moshé era exatamente o defeito que havia dentro dele. Mas ao invés de parar e refletir, ele preferiu se rebelar. Apesar de Korach ter um grande potencial, ao invés de consertar o erro que havia nele e realmente chegar a uma posição de destaque pelos seus próprios méritos, ele preferiu procurar defeitos em Moshé. Essa foi a principal causa de sua grande queda.
 
Todos nós temos muito o que trabalhar e crescer na nossa vida. Então, se está sobrando tempo para encontrar os erros dos outros, é um sinal de que não estamos ocupando o nosso tempo suficientemente com os nossos próprios erros.
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm
 
**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h09  Rio de Janeiro: 16h55  Belo Horizonte: 17h06  Jerusalém: 19h04
**************************************************************************
 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nacha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nacha Blima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).

quinta-feira, 3 de junho de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ SHELACH 5770

BS"D
FAÇA SUA PARTE - PARASHÁ SHELACH 5770 (04 de junho de 2010)
"O Sr. Cohen era um homem muito rico, mas de um dia para o outro começou a perder tudo. Seus negócios começaram a falir e suas aplicações terminavam sempre em prejuízos. Desesperado, ele começou a rezar: "D'us, eu preciso de dinheiro. Por favor, me ajude a ganhar na loteria".
Um mês se passou e o Sr. Cohen ainda não tinha ganhado na loteria. A situação estava ficando cada vez mais difícil. O Sr. Cohen decidiu também jejuar e aumentar a intensidade de suas rezas. E assim ele pedia todos os dias: "D'us, por favor, escute meu pedido e me ajude. Eu preciso resolver meus problemas financeiros. É urgente, D'us. Deixe-me ganhar na loteria uma vez na vida".
A reza intensa atingia os mundos espirituais mais elevados. Mas mais um mês se passou e nada aconteceu. Os anjos começaram a ficar agitados. Por que D'us não escutava as súplicas do Sr. Cohen e não o deixava ganhar na loteria? Então foi escutado um forte trovão e uma voz celestial pronunciou:
- Sr. Cohen. Se você quer tanto ganhar na loteria, por que você não compra pelo menos um bilhete?"
D'us é misericordioso. Ele nos ajuda e nos protege. Mas para Ele nos ajudar, antes precisamos fazer a nossa parte.
********************************************
Na Parashá desta semana, Shelach, a Torá nos conta sobre um dos maiores erros cometidos pela geração do deserto. Depois do recebimento da Torá, 50 dias após a saída do Egito, o povo judeu se dirigiu para Israel, a terra que D'us já havia prometido aos nossos patriarcas Avraham, Yitzchak e Yaacov, a terra de onde fluía leite e mel. Mas o povo judeu não confiou em D'us e quis enviar espiões para saber como era a terra. O resultado deste evento foi catastrófico: dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra de Israel. O povo preferiu acreditar nos espiões que denegriram a Terra Prometida e chorou, sem motivo, como se uma grande tragédia tivesse acontecido. Toda aquela geração perdeu o mérito de entrar na terra de Israel e o povo judeu teve que permanecer 40 anos vagando pelo deserto, até que toda aquela geração morresse.
Mas este acontecimento é difícil de ser entendido. Os espiões enviados não eram pessoas simples, eram os líderes de cada tribo. Como pessoas tão grandes caíram neste erro tão tolo de falar mal da terra de Israel? Por que eles não conseguiram fazer como os 2 espiões que conseguiram ver o lado bom de tudo e falaram bem da terra? Explicam nossos sábios que eles caíram justamente por serem pessoas grandes e importantes. Eles achavam que seus cargos de líderes não continuariam depois da entrada em Israel e por isso olharam as coisas com uma visão seletiva, isto é, tiveram interesse em ver apenas as coisas de maneira negativa.
Porém, mesmo com esta explicação ainda há pontos de difícil entendimento. Mesmo que os espiões achassem que perderiam seus cargos, o que eles ganhariam impedindo a entrada do povo judeu em Israel? Qual era o plano deles, permanecer para sempre vagando pelo deserto ou voltar novamente para a escravidão do Egito? Eram idéias completamente sem sentido! E mais do que isso, como o povo judeu inteiro pôde ser tão facilmente enganado? Como eles puderam acreditar, sem pensar duas vezes, no relato dos espiões? O argumento que os espiões utilizaram foi que a terra era habitada por gigantes e por isso seria impossível vencê-los na guerra. Mas o povo judeu havia presenciado, havia pouco tempo, as 10 pragas milagrosas que esmagaram o maior império do mundo. Eles não haviam visto D'us "engolindo" o exército egípcio inteiro, de uma só vez, dentro do Mar Vermelho. Então por que eles caíram tão facilmente no discurso dos espiões, de uma maneira tão irracional?
Explica o Rav Yechezkel Levinshtein que a essência da criação do mundo material é que o homem possa ter livre-arbítrio. Para isso D'us construiu o ser humano de maneira que ele tivesse uma boa inclinação (Yetzer Hatov) e uma má-inclinação (Yetzer Hará), ambas influenciando-o durante todo o tempo, dando-lhe a possibilidade de, segundo suas próprias escolhas, fazer o bem ou o mal. Explica o livro Messilat Yesharim (Caminho dos Justos) que estamos em guerra com o Yetzer Hará 24 horas por dia, todo o tempo ele tenta nos derrubar, em tudo o que fazemos. Mas se enganam aqueles que pensam que podemos vencer sozinhos o nosso Yetzer Hará, pois ele tem uma força tão grande que somente com a ajuda de D'us conseguimos vencê-lo. Se por alguns instantes D'us deixasse de nos apoiar nesta luta, seriamos facilmente derrotados pelo Yetzer Hará.
A Parashá traz um forte exemplo do que acontece quando D'us deixa de nos ajudar. A queda dos líderes e, posteriormente, do povo inteiro, ocorreu por motivos tolos e sem nenhum embasamento racional, um sinal de que D'us havia deixado de ajudá-los na luta contra o Yetzer Hará. Por que isto aconteceu? A resposta está nas primeiras palavras da Parashá, quando D'us, questionado por Moshé Rabeinu sobre o envio dos espiões, falou: "Shelach Lechá" (Envie para você). Por que "para você"? Explica Rashi, comentarista da Torá, que é como se D'us estivesse dizendo: "Eu não concordo com o envio dos espiões, pois Eu prometi para vocês que a terra é muito boa. Mas se vocês não confiam em Mim, então enviem espiões por conta de vocês. Mas Eu garanto que será através deles que vocês todos cairão". Como o povo judeu não fez a sua parte, isto é, eles não confiaram na promessa de D'us, então D'us deixou-os sozinhos na luta contra o Yetzer Hará, e por isso eles foram derrotados tão facilmente.
O que aprendemos deste terrível episódio? Que se queremos a ajuda de D'us para o nosso sucesso espiritual, antes temos que fazer a nossa parte. Temos que mostrar para Ele que queremos ser ajudados. Temos que fazer o nosso esforço para nosso crescimento espiritual, pois somente depois que fazemos nossa parte, D'us faz a parte Dele e nos ajuda. Como ensinam os nossos sábios: "O homem é levado pelos caminhos que ele deseja seguir". D'us se comporta conosco como um espelho: se nos aproximamos Dele, Ele se aproxima de nós. Mas se nos afastamos Dele, Ele se afasta de nós.
O grande problema é que queremos crescer espiritualmente sem muitas dificuldades. Nas áreas espirituais estamos sempre buscando os caminhos mais fáceis. Porém, não há crescimento sem esforço. Ninguém espera ser um bom profissional sem muito estudo e dedicação. Mas ao contrário, esperamos ser bons maridos, boas esposas, bons filhos e bons pais sem nenhum estudo e sem nenhuma dedicação. Queremos ser pessoas mais calmas, mas não fazemos nada para controlar nossos acessos de raiva. Para assistir uma aula de Torá depois do trabalho estamos sempre muito cansados, mas para passar 2 horas assistindo uma partida de futebol sempre temos pique. Acordamos, vivemos o dia e vamos dormir sem ter mudado nada em nossas vidas, não durante um dia ou durante uma semana, mas durante uma vida inteira. Se não quebrarmos este círculo vicioso, se não partir de nós mesmos, de quem partirá a iniciativa?
D'us pode fazer, e na prática muitas vezes Ele faz, milagres. Mas somente quando fazemos, antes, a nossa parte.
"Se eu não for por mim, quem será por mim? E se não agora, quando?" (Pirkei Avót - Ética dos Patriarcas)
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h09  Rio de Janeiro: 16h55  Belo Horizonte: 17h05  Jerusalém: 19h01
**************************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Hava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nacha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai). 

sexta-feira, 28 de maio de 2010

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5770

BS"D

A JANELA DO VIZINHO É MAIS BRILHANTE - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5770 (28 de maio de 2010)

"Renato vivia com seus pais em uma linda casa na montanha. Ele tinha tudo o que precisava, mas mesmo assim ele não era feliz. Qual era o motivo de sua infelicidade? Todas as manhãs ele abria a janela de seu quarto e via que do outro lado do vale havia uma casa muito grande. Mas não era o tamanho da casa que chamava sua atenção, o que era especial nela eram as janelas, que tinham um brilho dourado como o ouro. Como ele podia ser feliz tendo apenas janelas de vidro enquanto alguém tinha em sua casa janelas de ouro? Todos os dias ele sonhava em ir até aquela casa para pegar ao menos um daqueles vidros de ouro. Seus pais tentavam tirar de sua cabeça aquela idéia tola, mas a vontade o atormentava. Uma manhã ele levantou cedo, decidido que não poderia esperar mais. Se preparou para a caminhada e saiu.


A viagem foi extremamente difícil. O caminho para o vale estava bloqueado por enormes pedras e muitas árvores caídas. Na metade do dia ele chegou a um rio muito fundo que corria no meio do vale e quase se afogou. Do outro lado do vale a floresta era muito fechada e, na tentativa de atravessá-la, ele rasgou suas roupas e raspou a sua pele, causando feridas por todo o seu corpo.

O caminho até a casa do outro lado do vale era íngreme. Exausto, ele estava quase entregando os pontos quando finalmente chegou a uma clareira, onde de longe avistou a casa das janelas de ouro. Havia finalmente conseguido encontrá-la, aquele seria um momento muito especial. Reunindo suas últimas forças, ele correu em direção à casa. Ele queria ver as janelas douradas, queria tocá-las. Mas para a sua decepção, ele descobriu que elas eram feitas de vidro comum. Ele não se conformava com o que havia acontecido. Onde estavam as janelas de ouro? Será que ele havia se enganado por tanto tempo?


Abatido e amargurado pela terrível decepção, ele começou a sua lenta volta para casa. Ao levantar os olhos, ele viu sua própria casa do outro lado do vale. O sol iluminava a casa e, para sua surpresa, as janelas estavam brilhando, como se fossem feitas de ouro..."

Quanto tempo e saúde gastamos para conseguir mais do que precisamos, apenas porque vemos que os outros tem algo que nós não temos, ou por não conseguirmos estar felizes com o que já temos?

********************************************

Na Parashá desta semana, Behalotechá, a Torá nos ensina que o povo judeu não passou os 40 anos no deserto acampado em um único local, ao contrário, foram muitos locais de acampamento durante este período, algumas vezes em lugares mais convidativos, outras em lugares mais inóspitos. Segundo a nossa lógica, a permanência em cada um deles deveria ter sido de acordo com a comodidade do local, isto é, em locais mais cômodos eles deveriam ter permanecido por mais tempo, enquanto em lugares piores eles deveriam ter acampado por pouco tempo e logo ter seguido viagem. Mas não é isso o que a Torá nos ensina, pois assim está escrito por três vezes seguidas na Parashá: "De acordo com a palavra de D'us o povo judeu viajava e de acordo com a palavra de D'us o povo judeu acampava" (Bamidbar 9:18). O que estas palavras significam e por que tantas repetições?


Durante todo o tempo no deserto, o momento de viajar e o momento de acampar eram definidos por uma nuvem que representava a presença de D'us. Quando a nuvem repousava sobre o Mishkan (Templo Móvel) o povo judeu acampava, e quando a nuvem se levantava o povo judeu levantava o acampamento e seguia viagem. Mas a vontade de D'us nem sempre coincidia com a vontade do povo judeu. Muitas vezes os judeus chegaram a lugares bons e quiseram ficar bastante tempo por ali, mas logo em seguida D'us os fez continuar a viagem. Outras vezes os judeus chegaram a locais desagradáveis e queriam logo ir embora, mas tinham que permanecer ali por muito tempo. Algumas vezes eles estavam cansados e queriam descansar por alguns dias, mas logo após eles acamparem a nuvem se movia e eles precisavam recomeçar a viagem. Foi o primeiro teste com o qual D'us testou o povo judeu após a entrega da Torá. E apesar da dificuldade deste teste, em um ambiente de stress e perigos, apesar de nem sempre eles entenderem o comando de D'us, o povo nunca se rebelou e nunca viajou ou acampou sem o consentimento Divino. É por isso que a Torá louva o povo judeu, repetindo várias vezes que eles viajaram de acordo com a palavra de D'us, e não de acordo com a sua própria vontade.

Ensina o Rav Yechezkel Levinshtein que a geração do deserto não meritou apenas passar por aquele teste. A geração do deserto meritou nos ensinar uma das lições mais importantes da nossa vida: tudo o que é a vontade de D'us é bom de verdade para nós, mas o que não é a vontade de D'us não é bom para nós. Mesmo que algumas vezes o acampamento em um certo lugar parecia ser algo ruim de acordo com a lógica humana, se esta era a vontade de D'us, então é porque era realmente algo bom. Este conceito pronunciamos todos os dias, nas três rezas diárias. Na primeira Brachá da Amidá (reza silenciosa) louvamos a D'us com as seguintes palavras: "Gomel Chassadim Tovim" (Aquele Quem nos faz bondades boas). O que é uma bondade boa? Existe alguma bondade não boa?


Quando uma pessoa de carne e osso quer fazer algo de bom para outra pessoa, ele nunca sabe as consequências futuras do seu ato. Por exemplo, se um pai dá para seu filho uma bala, é um ato de bondade. Mas se a bala causar uma cárie na criança depois de 2 meses então o ato de ter dado a bala não foi algo bom. Como o ser humano não conhece o futuro, suas bondades nem sempre são realmente boas. Apenas o Criador do mundo, que tem o controle do tempo e do espaço, pode nos fazer "bondades boas", isto é, bondades que são boas levando em consideração também todas as consequências futuras.


Se conseguíssemos aplicar a lição do deserto no nosso cotidiano, teríamos certamente uma vida muito melhor. Se colocássemos no coração a idéia de que somente a vontade de D'us é realmente boa, conseguiríamos vencer nossas más inclinações e apagar de dentro de nós características negativas como a inveja e a busca descontrolada por prazeres. Pois de onde vem a inveja e a busca pelos prazeres? Da nossa ilusão de que sempre nos falta algo, de que D'us não nos deu o que precisamos. Nunca estamos satisfeitos com o que temos, nossos olhos estão sempre voltados para o que os outros têm a mais do que nós. Nos convencemos de que precisamos de coisas que, na verdade, não precisamos. Nunca conseguimos aceitar que uma situação difícil no momento pode ser a preparação para algo muito melhor no futuro.


Nos ensinou David Hamelech (Rei David): "Não tenha para você um deus estranho e não se curve para um deus estrangeiro" (Salmos 81:10). Explica o Talmud que isto não se refere a uma pessoa que se curva diante de uma estátua e sim àquele que se curva diante do deus estranho que está dentro de cada um de nós – as nossas próprias vontades que vão contra a vontade de D'us. Se nós não controlamos as nossas vontades, então são elas que nos controlam e nos levam para onde querem.


A nossa vida se assemelha à viagem do povo judeu no deserto, em direção à Terra Prometida. Há acampamentos mais incômodos onde precisamos permanecer mais tempo, há outros que são muito agradáveis mas passam rápido demais. O nosso trabalho neste mundo é entender que tudo isto está dentro de um plano maior, dentro das "bondades boas" que D'us faz conosco. Somente quando entendermos que a vontade de D'us é sempre algo bom para nós então aproveitaremos muito melhor a viagem.


SHABAT SHALOM


Rav Efraim Birbojm

**************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h10 Rio de Janeiro: 16h56 Belo Horizonte: 17h06 Jerusalém: 18h57
**************************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Chedva Rina bat Brenda; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Hava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Léia bat Shandla; Dobe Elke bat Rivka Lie; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Chaya Perl Bat Ethel, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Miriam bat Nacha Blima; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Israel bem Ita, Tzipora bat Chana, Karina bat Ivani, Zeide ben Lea.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa ben Eliahou HaCohen, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Abraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Zacharia bem Ytzchak.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).