sexta-feira, 15 de março de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIKRÁ 5773


BS"D

MATERIALIZANDO O MUNDO ESPIRITUAL - PARASHÁ VAYIKRÁ 5773 (15 de março de 2013)

O Rav Moshe Feinstein, um dos maiores rabinos dos Estados Unidos na geração passada, foi um grande conhecedor da Halachá (Lei judaica). Pessoas do mundo inteiro procuravam-no para fazer perguntas e se aconselhar com ele.

Certa vez o Rav Moshe Feinstein estava dentro da sinagoga quando foi chamado para atender um importante telefonema de alguém que ligava de fora dos Estados Unidos. Na época, as ligações internacionais eram caríssimas. O Rav Moshe Feinstein se levantou apressadamente para atender o telefonema, mas ao chegar à porta da sinagoga, ele parou. Havia uma pessoa rezando, e a única maneira de sair seria passando na frente dela. Mas segundo a lei judaica, é proibido passar na frente de uma pessoa que está rezando a Amidá (reza silenciosa). O Rav Moshe Feinstein esperou até que a pessoa terminasse sua reza e somente então saiu para atender o telefonema. Mais tarde, um de seus alunos perguntou:

- Desculpe, Rav, mas por que você não saiu imediatamente para atender o telefonema, se você sabia que era uma ligação tão cara e importante?

- É muito simples - respondeu o Rav Moshe Feinstein - a única maneira de sair da sinagoga seria atravessando a parede, e eu não sei atravessar paredes...

Para o Rav Moshe Feinstein, a proibição de passar na frente de alguém que está rezando era tão palpável que se assemelhava a atravessar uma parede. E como ele, há muitas pessoas que se esforçam e conseguem sentir as leis do mundo espiritual de forma tão palpável quanto as leis do mundo material.

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Nesta semana começamos o terceiro livro da Torá, Vayikrá, que trata principalmente dos serviços feitos pelos Cohanim (sacerdotes) no Mishkan (Templo Móvel). E a Parashá desta semana, Vayikrá, descreve um dos principais serviços do Mishkan, um dos pilares do povo judeu, que eram os Korbanót (sacrifícios). A palavra "Korban" vem da mesma raiz da palavra "Karov", que significa "perto". O Korban era uma forma de reaproximação, para as pessoas que haviam se afastado de D'us.

A Parashá descreve vários tipos de Korbanót, mas entre eles há dois que chamam a atenção: o Korban "Chatat", que era oferecido por aqueles que haviam cometidos certas transgressões não intencionais, como desrespeitar o Shabat "beshogueg" (não intencionalmente, isto é, sem saber que certa atividade era proibida no Shabat ou ter feito uma atividade proibida por ter esquecido que era Shabat), e o Korban "Asham Talui", que era oferecido por alguém que havia se colocado em uma situação na qual havia dúvida se tinha cometido uma transgressão, como alguém que estava diante de dois pratos, um deles com gordura de boi e o outro com "Chelev" (parte proibida da gordura do boi), e não sabe de qual dos dois pratos comeu.

Mas ao refletir sobre estes dois Korbanót, surge uma grande dúvida. Em ambos os casos, as transgressões não foram intencionais. Se o objetivo do Korban era reaproximar a pessoa de D'us, qual era a necessidade daqueles que transgrediram sem intenção de oferecerem um Korban, já que o erro não tinha nenhuma maldade ou rebeldia contra D'us envolvida?

A resposta é que quando uma pessoa comete uma transgressão, mesmo sem intenção, isto demonstra que há um elemento de descuido em seus atos. Em ambos os casos, se a pessoa tivesse sido mais cuidadosa, ela nunca teria chegado ao ponto de transgredir. Explica o Sefer HaChinuch que o Korban Asham Talui não vinha trazer expiação pela possível transgressão cometida, e sim pela falta de cuidado que causou a dúvida, o que é uma transgressão por si só.  

Mas se o erro era a falta de cuidado, como o ato de oferecer um Korban ajudava a pessoa a consertar seu erro?  Explica o Rav Yonathan Guefen que para entender, precisamos perceber a diferença de como lidamos com o mundo material e com o mundo espiritual. Por exemplo, se uma pessoa tivesse qualquer suspeita de que uma substância venenosa foi misturada à sua comida, ela certamente deixaria a comida de lado. Isto ocorre por termos total consciência das terríveis consequências de um envenenamento. Mas da mesma maneira que cada ato físico tem consequências, o mesmo se aplica a cada ato espiritual, pois as leis espirituais são tão rígidas quanto as leis físicas. Quando comemos algo proibido, como a mistura de carne com leite, também estamos sujeitos às terríveis consequências de um envenenamento espiritual e, portanto, deveríamos ser extremamente cuidadosos com qualquer coisa que possa nos causar danos espirituais. Mas diferentemente do veneno, quando a dúvida é em relação à kashrut de um alimento, procuramos justificativas para nos permitir comer. Por que para nós é tão difícil alcançar o mesmo nível de consciência das causas e consequências espirituais como temos claridade em relação ao mundo material? E como os Korbanót nos ajudavam nesta conscientização?

Em primeiro lugar, o mundo material é completamente tangível e palpável para nós, e podemos perceber, com nossos 5 sentidos, as consequências dos nossos atos. Mas o mundo espiritual não é tangível e palpável, e por isso não conseguimos ver o resultado das nossas ações. Uma pessoa que desrespeita o Shabat não consegue perceber a extensão de seu ato, pois nunca conseguiu visualizar as consequências. Se a pessoa pudesse ver o que acontece nos mundos espirituais quando ela acende uma luz no Shabat, certamente se afastaria com todas as suas forças de transgredir. E este cuidado a levaria a se proteger, para que não transgredisse nem mesmo sem intenção. Por isso trazer um Korban ajudava a pessoa a consertar seu erro. As consequências do seu erro espiritual, que não eram palpáveis, tornavam-se bem visíveis. O longo e caro processo de viajar até Jerusalém para trazer um Korban, além de presenciar a chocante cena da morte do animal, deixava muito claro para o transgressor que nossas atitudes erradas podem ter consequências dramáticas.

O segundo motivo é que estamos tão acostumados com o Atributo de Misericórdia de D'us que acabamos caindo facilmente na armadilha de pensar que D'us automaticamente perdoa todos os nossos erros. Isto nos leva a termos menos medo das consequências negativas das nossas transgressões, como nos ensina o Talmud (Chaguiga 16a): "Se o Yetzer Hará (má inclinação) te disser: 'Peque pois D'us vai te perdoar', não o escute". Mas este é um grande equívoco. Existe julgamento por cada consequência espiritual causada, e a total consciência disso é o que leva a pessoa a ser mais cuidadosa em seus atos. Neste sentido o Korban também ajudava o transgressor, pois tirava dele este conceito equivocado de que D'us "deixa passar". Ao necessitar deste árduo processo de oferecer um Korban, a pessoa entendia que não existe perdão sem esforço e sem um arrependimento sincero pelo erro cometido.

Uma demonstração do quanto estamos afastados da nossa realidade espiritual pode ser enxergada na terrível transgressão de Lashon Hará (falar mal das pessoas). Se alguém nos oferecesse 100 reais para falarmos Lashon Hará, certamente recusaríamos. Algumas pessoas recusariam até mesmo 1000 reais ou mais. Então por que falamos tanto Lashon Hará, e de graça? Pois quando temos claridade total de que nosso ato será uma grave transgressão e o grande mal que fará para nossa alma, conseguimos vencer o teste. Mas sem esta claridade, no calor do momento não conseguimos vencer o teste. Mesmo sabendo da proibição e de suas consequências, racionalizamos e procuramos desculpas para justificar nosso ato.
 
Em nossos dias, que não temos mais os Korbanót como lembrete para nos afastar das transgressões, como fazer para internalizar em nossos corações a realidade das consequências espirituais dos nossos atos? Uma forma é através do estudo da Torá, para que os conceitos espirituais se tornem mais familiares. Mas não pode ser apenas um estudo intelectual, precisamos estudar de uma maneira em que a Torá seja absorvida, isto é, que se torne parte de nossas vidas. Somente assim os conceitos espirituais intangíveis podem se transformar em conceitos palpáveis, o que nos ajudará a evitarmos as transgressões e nos tornarmos pessoas melhores.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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