sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BESHALACH 5772

BS"D

 

VOCÊ NUNCA ESTÁ SOZINHO – PARASHÁ BESHALACH 5772 (03 de fevereiro de 2012)

 

"Certa vez o Baal Shem Tov, fundador do Movimento Chassídico, estava viajando em uma carruagem. Quando a carruagem entrou em uma estrada deserta, ele olhou para o lado e viu que havia lindos campos e pomares repletos de suculentas frutas. O cocheiro repentinamente parou a carruagem e disse:

 

- Escute, vou rapidamente entrar em um destes pomares e pegar um pouco destas deliciosas frutas. Mas como são pomares particulares, por favor preste atenção. Se você perceber que alguém está olhando, grite o mais alto que puder para me alertar.


Sem esperar a resposta do Baal Shem Tov, o cocheiro puxou as rédeas do cavalo, desceu do seu assento e saltou a cerca que protegia o pomar. Tinha dado poucos passos quando o Baal Shem Tov gritou com toda sua força:

 

- Estão olhando, estão olhando!

 

Imediatamente o cocheiro voltou correndo, sentou-se em seu lugar e partiu em disparada. Então ele olhou para trás e percebeu que não havia ninguém, a estrada continuava completamente deserta. Irritado, ele repreendeu o Baal Shem Tov:

 

- Por que você mentiu? Não há ninguém olhando!

 

O Baal Shem Tov apontou para o céu e disse:

 

- Eu não menti. Estão olhando, estão olhando..."

 

Ensinam os nossos sábios: "Reflita sobre 3 coisas e você nunca pecará. Saiba o que há acima de você: um Olho que vê, um Ouvido que escuta, e todos os seus atos são anotados em um livro" (Pirkei Avót 2:1).

 

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Na Parashá desta semana, Beshalach, o povo judeu finalmente saiu do Egito, terminando os 210 anos de escravidão. Mas a tranquilidade durou pouco, pois os egípcios logo se arrependeram de terem libertado seus escravos e partiram em sua perseguição. Apesar de todos os milagres que os judeus haviam presenciado, ao verem que os egípcios os perseguiam com centenas de carros de guerra, temeram muito e gritaram para D'us. Os egípcios viram então uma última demonstração da força e do poder de D'us, quando Ele abriu o Mar Vermelho para que o povo judeu passasse e fechou-o sobre os egípcios, matando de uma só vez todo o exército egípcio. Quando os judeus viram os egípcios mortos, sentiram-se finalmente livres e um sentimento de imensa gratidão subiu em seus corações. Neste momento eles fizeram um cântico de louvor a D'us, chamado "Shirat Haiam" (Cântico do mar).

 

Há um versículo antes do Shirat Haiam que nos chama a atenção: "E viu Israel a mão grande que D'us infligiu sobre o Egito. E o povo temeu a D'us, e confiou em D'us e em Moshé, Seu servo" (Shemot 14:31). Mas há algo difícil de entender, pois da linguagem do versículo parece que somente agora o povo judeu temeu e confiou em D'us. Há um Midrash (parte da Torá Oral) que é ainda mais explícito: "Até aqui eles não tinham temor a D'us. De agora em diante tiveram temor a D'us". Como podemos entender o versículo e o Midrash? Após ver todas as pragas e milagres que D'us tinha feito no Egito, o povo judeu não tinha temor a D'us? E o que o milagre da abertura do Mar Vermelho teve de tão especial, que não foi enxergado nas 10 pragas do Egito?

 

Explica o Rav Yossef Dov Soloveitchik, mais conhecido como Beit Halevi, que na verdade existem dois tipos de temor: um temor que vem por medo do castigo e um temor que vem por amor. O temor por medo do castigo vem quando a pessoa vê os castigos que recebem aqueles que cometem maus atos. Este é um nível muito mais baixo de temor, pois até mesmo os animais chegam a este nível, quando desenvolvem o medo de receber um castigo por um mau ato.

 

Já o temor que vem do amor se compara ao sentimento de uma pessoa que caiu em um rio com uma forte correnteza e foi arrastado pelas águas. Já sem esperanças, em um último esforço, ela estende a mão para fora da água. De repente ela sente uma mão agarrando-a e percebe que um homem, parado na margem, está segurando-a firmemente e puxando-a em sua direção para salvar sua vida. O que esta pessoa que quase se afogou sente? Um misto de medo e gratidão. Por um lado ela sente uma imensa gratidão por aquele homem que está salvando sua vida, mas por outro lado ela sente um grande medo, pois sua vida está nas mãos daquela pessoa. Se ele abrir a mão e soltá-lo, o afogamento é inevitável. Esta sensação, que reúne um misto de temor e amor, é o segundo nível de temor a D'us.

 

Explica o Beit Halevi que os judeus, quando viram a rigorosidade dos castigos que os egípcios receberam de D'us por todas as maldades que haviam feito, adquiriram o temor por medo do castigo. Eles perceberam que D'us não havia criado o mundo e se ausentado, ao contrário, Ele participava ativamente do cotidiano, controlando tudo o que acontecia com "Hashgachá Pratid" (Supervisão Particular). Eles perceberam que os castigos que recaíram sobre os egípcios não foram apenas como um tapa dado em uma criança malcriada. Cada uma das pragas foi um castigo para vingar, na mesma medida, alguma maldade que os egípcios haviam feito aos judeus. Nenhum detalhe foi esquecido, nenhuma maldade foi deixada de lado, até o último centavo foi pago.

 

Mas somente quando os judeus atravessaram o Mar Vermelho eles chegaram ao segundo nível de temor, o temor que provém do amor. Parte do mar se congelou, permitindo que eles o atravessassem andando, mesmo nas partes mais profundas. Nas laterais e no teto a água ficou parada, formando túneis pelos quais cada tribo conseguiu atravessar o mar. D'us segurou a água para que ela ficasse parada como uma muralha e não caísse sobre o povo judeu. Neste momento o povo judeu conseguiu se conectar a D'us em um nível que nunca havia experimentado antes. Eles se sentiam seguros sob a proteção Divina mas, ao mesmo tempo, eles temiam muito, pois sabiam que se D'us "soltasse" as águas, eles morreriam afogados  imediatamente.

 

É isso o que o Midrash nos ensina quando diz que até aquele momento o povo judeu não temia a D'us. Apesar deles já terem desenvolvido o medo do castigo, observando as pragas que devastaram o Egito, o nível mais profundo de temor, um temor que vem por amor, eles ainda não haviam desenvolvido até aquele momento. Pois este segundo nível de temor somente é alcançado através de muita reflexão, quando conseguimos perceber que D'us, por um lado, criou o mundo a partir do nada e o mantém a cada instante, mas por outro lado, se Ele deixasse de recriar o mundo por um único instante, tudo voltaria imediatamente para o caos. É D'us quem faz as regras e Ele pode, de acordo com Sua vontade, reescrevê-las quando desejar.

 

As pessoas que meritam chegar a este nível de temor a D'us vencem o medo de qualquer outra coisa. Quando fica claro para a pessoa que não existe realidade fora a criada por D'us, ela consegue entender que na verdade não existe nenhuma diferença entre o mar e a terra seca. Pois também a terra seca somente existe porque D'us a está recriando a cada instante e, portanto, não há razão para se sentir mais seguro na terra do que na água. Mesmo animais ferozes não são temidos por aqueles que temem a D'us de verdade, pois nenhuma criatura tem força própria, tudo é recriado a cada instante. A força que um leão tinha para causar danos a um ser humano há um segundo não dizem nada sobre a sua força no próximo instante. Portanto, aqueles que chegam a este nível de temor perdem completamente seus medos secundários.

 

O temor do castigo é algo instintivo, até mesmo os animais podem atingi-lo. Já o temor por amor precisa de trabalho, de esforço, de reflexão. Precisamos trabalhar no coração a certeza de que não existem forças da natureza, tudo é controlado por D'us, tudo é recriado por Ele a cada instante. Somente assim sentiremos a tranquilidade de saber que tudo o que ocorre está somente nas mãos de D'us.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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