quinta-feira, 26 de janeiro de 2023

O CARO PREÇO DA ARROGÂNCIA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BÔ 5783

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ASSUNTOS DA PARASHÁ BÔ
  • Gafanhotos: A 8ª Praga.
  • Escuridão: A 9ª Praga.
  • Preparativos para a Praga Final.
  • Rosh Chodesh.
  • Preparação do Cordeiro.
  • A Festa de Pessach.
  • Korban Pessach.
  • Morte dos Primogênitos: A Praga Final.
  • O Êxodo.
  • As Leis do Korban Pessach.
  • Deixando o Egito.
  • Relembrando o Êxodo.
  • A Consagração do Primogênito.
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O CARO PREÇO DA ARROGÂNCIA - PARASHÁ BÔ 5783 (27/jan/23)

Certa vez, uma pessoa que estava extremamente angustiada escreveu uma carta a um rabino. A pessoa já estava em um estado de profunda depressão e não sabia mais o que fazer. A carta era basicamente assim:
 
"Eu gostaria de pedir ajuda ao rabino.
Eu acordo todos os dias triste e ansioso.
Eu não consigo me concentrar.
Eu acho difícil rezar.
Eu sinto que a vida perdeu a alegria e não tem sentido.
Eu preciso de ajuda."
 
O rabino escreveu uma resposta maravilhosa, sem precisar escrever uma única letra. Ele circulou a primeira palavra de cada frase em vermelho e enviou a carta de volta.
 
O que ele quis transmitir? O "Eu", circulado em todas as frases que aquele homem havia escrito, representa o ego. Enquanto focarmos apenas em nós mesmos, nunca seremos felizes. Há pessoas que alcançam grande sucesso e, no entanto, terminam suas vidas tristes e solitárias, pois só pensam em si mesmas e nunca se importam com os outros. Esqueceram-se de que a felicidade é criada justamente pelo bem que fazemos aos outros, pelos vínculos que criamos e pelo quanto contribuímos na vida dos outros. O caminho para a felicidade está, portanto, em não viver apenas pelo "eu", mas também pelos outros.

 

Nesta semana lemos a Parashá Bô (literalmente "Venha"), que descreve as últimas três Pragas que D'us mandou sobre o Egito: Gafanhotos, Trevas e Morte dos primogênitos. A Parashá nos ensina que depois da décima Praga, o Faraó não aguentou mais e, completamente humilhado e destruído, permitiu a saída do povo judeu. Era o fim de 210 anos de uma escravidão pesada, tanto fisicamente quanto psicologicamente. D'us havia vingado o povo judeu, pois todas as Pragas foram "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, exatamente da mesma forma como os egípcios haviam causado sofrimentos ao povo judeu, assim também eles foram castigados.
 
As dez Pragas contém algumas características muito interessantes. Por exemplo, elas são divididas em três grupos. As três primeiras Pragas (Sangue, Sapos e Piolhos) demonstraram o poder de D'us sobre o que estava nas águas e na terra. As três Pragas seguintes (Animais ferozes, Peste e Bolhas) demonstraram o poder de D'us sobre tudo o que caminha sobre a terra. Finalmente, as próximas três Pragas (Granizo, Gafanhotos e Trevas) demonstraram o poder de D'us sobre tudo o que vem do céu. A última Praga, Morte dos primogênitos, continha elementos de todas as nove Pragas anteriores.
 
Além disso, as Pragas também continham outro detalhe curioso. Em cada grupo, as duas primeiras Pragas vinham com uma advertência antes de serem aplicadas, dando ao Faraó a opção de evitá-las. Porém, a terceira Praga vinha sem aviso, como ocorreu com os Piolhos, Bolhas e Trevas. Nossa Parashá começa com as palavras "E disse D'us a Moshé: 'Venha ao Faraó'" (Shemot 10:1). De acordo com Rashi, D'us estava novamente ordenando a Moshé que viesse advertir o Faraó antes da aplicação da oitava Praga, a Praga dos Gafanhotos. Onde e quando eram feitas estas advertências? Na Parashá da semana passada, Vaerá, está explícito o local e o momento no qual a advertência acontecia: "Vá ao Faraó pela manhã, quando ele estiver saindo para a água, e posicione-se diante dele na beira do Nilo" (Shemot 7:15). Por que os encontros aconteciam no Rio Nilo, e logo de manhã cedo?
 
O Faraó era uma pessoa extremamente perversa, um ser humano desprezível, com péssimos traços de caráter. Uma das suas piores características era a arrogância. O Faraó, em seu orgulho, se autointitulava um deus, e dizia abertamente que ele havia criado o rio Nilo, uma das maiores divindades egípcias. Para suportar seu argumento de que ele era um deus, o Faraó dizia para as pessoas que não precisava fazer necessidades fisiológicas, como necessitam os seres humanos normais. Mas como ele conseguia fazer isso? Durante todo o dia ele se segurava e, pela manhã, logo cedo, ele se levantava para se banhar no rio Nilo. Naquele momento, imerso nas águas, ele aproveitava para fazer suas necessidades sem que ninguém pudesse ver. Desta maneira ela mantinha o "mito" de que era um deus, acima dos seres humanos normais.
 
Este é o motivo pelo qual D'us mandava Moshé falar com o Faraó de manhã cedo, ao lado do rio Nilo, justamente para dar um flagrante no Faraó. O Faraó podia enganar as pessoas, podia manter por anos seu "teatro de deus", mas ele não podia enganar D'us. Ao enviar Moshé logo pela manhã, é como se D'us estivesse mandando a seguinte mensagem: "Faraó, Eu sei o que você faz no rio Nilo todos os dias pela manhã. Você não é um deus, você é uma farsa, apenas um ser humano normal que engana as pessoas".
 
Mas a verdade é que o Faraó não enganava apenas as outras pessoas, ele enganava a si mesmo. Pessoas que estão dominadas pelo desejo de poder e controle acabam perdendo a percepção correta das coisas e terminam se iludindo, achando que realmente estão acima dos outros e que podem controlar tudo e todos. O Faraó realmente acreditava que era um ser superior, e que merecia todos os tipos de honras. Por isso as Pragas doeram ainda mais no Faraó, pois além dos sofrimentos físicos, houve o sofrimento psicológico de "cair na real" e perceber que, na verdade, ele não tinha absolutamente nenhum poder, e não conseguia fazer nada contra o poder de D'us. O orgulho o levou à obstinação, causando ainda mais sofrimento, a si mesmo e a todo o seu povo.
 
Mas o que leva uma pessoa a ser tão orgulhosa e obstinada? Uma das causas principais é um traço de caráter muito negativo, chamado "Kfiat Tová", isto é, ser ingrato, não saber reconhecer as bondades recebidas. A Torá nos ensina que o Faraó "se esqueceu" de todas as bondades que Yossef havia feito, quando ele interpretou os sonhos do Faraó e salvou todo o Egito de uma terrível morte durante os anos de seca. Além disso, aquele que é ingrato com as pessoas também acaba se tornando ingrato com D'us. Quando Moshé foi falar com o Faraó, para pedir em nome de D'us a libertação do povo judeu, o Faraó respondeu "Quem é D'us?". Mas quando Yossef interpretou os sonhos do Faraó, ele ressaltou muitas vezes que D'us era o responsável pela interpretação. Certamente o Faraó sabia quem era D'us, e toda a bondade que Ele havia feito, mas preferiu ignorar, fingindo que não se lembrava. O Faraó era, portanto, o símbolo de uma pessoa mal agradecida.
 
Moshé representa justamente o contrário de tudo isso. Ele é o símbolo da humildade e do Hakarat Hatov, ser agradecido, reconhecer o bem que recebemos. As três primeiras Pragas não foram trazidas por ele, e sim por Aharon, pois as duas primeiras Pragas foram realizadas golpeando o rio Nilo, que havia salvado sua vida quando ele era um bebê, enquanto a Praga dos Piolhos foi realizada golpeando a areia do Egito, a mesma areia que havia protegido sua vida, quando ele matou um soldado egípcio que golpeava covardemente um judeu e escondeu o corpo na areia.
 
O mais incrível ocorreu quando Moshé teve que fugir para Midian, para salvar sua vida, quando o Faraó descobriu que ele havia matado o soldado egípcio. Lá, ele salvou as filhas de Itró das mãos dos pastores, que queriam fazer mal a elas. Quando elas chegaram em casa, assim descreveram Moshé para Itró: "Um egípcio nos salvou" (Shemot 2:19). Por que Moshé não as corrigiu e disse que era hebreu? Pois para Moshé elas estavam falando a verdade. Se não fosse o egípcio que Moshé havia golpeado, ele não teria fugido para Midian e não teria salvado as filhas de Itró. Moshé percebeu, portanto, que foi por causa daquele egípcio que a salvação aconteceu. Moshé fez questão de colocar o personagem da ação em evidência, reconhecendo o bem que lhe fizeram, ao invés de tomar para si as glórias. Moshe é o símbolo do Hakarat Hatov e da humildade, dando o verdadeiro reconhecimento àquele que merece.
 
O Rav Chaim Shmulevitz zt"l (Lituânia, 1902 - Israel, 1979) ressalta ainda que daqui aprendemos o alto custo da arrogância. Do comportamento do Faraó vemos como as pessoas que procuram a honra o fazem de uma maneira irracional, algumas vezes até mesmo insana. Será que conseguimos imaginar quanto desconforto sofreu o Faraó em sua vida, apenas para manter a falsa imagem de que era um deus? Cada dia ele sofria muito fisicamente, prejudicando sua saúde e seu conforto. E o que ele ganhava com isso? Muito pouco. Ele era um rei absoluto, tinha poderes quase ilimitados. Praticamente não haveria diferença se as pessoas o respeitassem como um ser humano poderoso ou como uma entidade divina. Tudo o que ele conseguiu foi um pouco mais de honra e aprovação, porém a um custo muito elevado.
 
Explica o Rav Zelig Pliskin que quando observamos esta atitude do Faraó, vemos o quão ridículo é causar a si mesmo tanto sofrimento apenas para obter um ganho ilusório. Quem vive em busca de honra acaba sofrendo, e fica ainda mais difícil para a pessoa apreciar as coisas boas que tem na vida. Já a pessoa humilde vive melhor, satisfeita com o que tem e agradecida por tudo o que recebe dos outros e de D'us. Vencer o nosso ego é, portanto, a receita tão procurada para alcançarmos a tão sonhada felicidade na vida.

SHABAT SHALOM 

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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

SÍNDROME DO BURACO DA FECHADURA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAERÁ 5783

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAERÁ
  • Hashem garante novamente a Moshé que o povo será salvo.
  • As 4 expressões de libertação.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
  • O cajado vira uma serpente.
  • Sangue: A 1ª Praga.
  • Rãs: A 2ª Praga.
  • Piolho: A 3ª Praga.
  • Hordas de animais selvagens: A 4ª Praga.
  • Epidemia: A 5ª Praga.
  • Sarna: A 6ª Praga.
  • Granizo: A 7ª Praga.
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SÍNDROME DO BURACO DA FECHADURA - PARASHÁ VAERÁ 5783 (20/jan/23)

Certa vez, o Rav Yossef Shlomo Kahaneman zt"l (Lituânia, 1886 - Israel, 1969), mais conhecido como Ponovezher Rav, saiu em viagem pelo mundo para levantar fundos para a Yeshivá. Ele chegou em Roma em uma noite fria e chuvosa, e seu companheiro de viagem, o Dr. Moshe Rothschild, ansiava por um quarto de hotel confortável e um pouco de chá quente. Porém, o Rav Kahaneman tinha outra coisa em mente. Ele pediu ao motorista do taxi para ser levado ao Arco de Tito imediatamente. O motorista perguntou se ele não preferia fazer isso na manhã seguinte, mas o Rav disse que precisava fazer algo urgente e não podia esperar pela manhã.
 
O Arco de Tito é um monumento que foi construído para comemorar a queda de Jerusalém e o exílio do povo judeu, sob o comando do general Tito. Ao chegar ao Arco, o Rav Kahaneman saiu do carro e ficou parado na chuva gelada. Ele olhou para o Arco por algum tempo, depois ajeitou seu casaco, seu chapéu e gritou:
 
- Tito! Tito Harashá! Dê uma boa olhada no que aconteceu. Você arrastou meu infeliz povo para fora de nossa terra há dois milênios, e os conduziu a um exílio do qual nunca mais retornariam. Você voltou para sua casa em Roma, na época a mais poderosa nação na terra, em glória e triunfo. Porém, Tito, onde está você? O que aconteceu com a glória de Roma? O que aconteceu com o império infalível que deveria durar para sempre? O povo judeu, no entanto, ainda está aqui e continua a florescer. Tito, ainda estamos aqui! Onde você está?
 
O Rav Kahaneman contava aos seus alunos que, depois desta experiência, sentiu uma sensação incrível ao pousar no aeroporto Ben Gurion, em Israel.

Nesta semana lemos a Parashá Vaerá (literalmente "E Eu apareci"). Na realidade, o início desta Parashá é uma bronca que D'us estava dando em Moshé. No final da Parashá da semana passada, Shemot, Moshé e Aharon finalmente foram falar com o Faraó e, em nome de D'us, pediram para que o povo judeu fosse libertado para que pudesse ir ao deserto servi-Lo. A reação do Faraó foi bem diferente do que eles esperavam. Não apenas ele não concordou em enviar os judeus, mas tornou suas vidas ainda mais miseráveis. Até aquele momento o Faraó fornecia palha aos escravos judeus para que eles fizessem os tijolos, mas daquele momento em diante eles precisariam manter a mesma cota de tijolos tendo que providenciar sua própria palha. Portanto, a primeira visita de Moshé e Aharon ao palácio do Faraó pareceu ser contraproducente para o povo judeu.

Os judeus criticaram Moshé, acusando-o de ter "entregado a espada na mão do Faraó para matá-los". Moshé ficou triste com o ocorrido e questionou D'us sobre a sua missão: "Por que Você fez mal ao Seu povo? Por que Você me enviou?" (Shemot 5:22). D'us então respondeu para Moshé: "Agora você verá o que Eu farei ao Faraó, pois através de uma Mão forte ele os enviará" (Shemot 6:1). O entendimento mais simples é que D'us estava tranquilizando Moshé, dizendo que tudo fazia parte de um plano maior. Porém, Rashi explica o versículo de outra maneira. D'us ficou bravo com Moshé, em especial por ter utilizado a expressão "Você fez mal ao Seu povo". D'us estava dizendo a Moshé que, por sua falta de Emuná, ele veria o que aconteceria com o Faraó, mas não veria o que aconteceria com os reis dos sete povos, após a entrada do povo judeu em Israel.

A reação do povo judeu e de Moshé é natural e compreensível. Seres humanos estão limitados ao tempo e ao espaço. Nossa perspectiva sobre a vida é extremamente estreita, vemos apenas o "aqui e agora". É o que os nossos sábios chamam de "Síndrome do buraco da fechadura", isto é, vemos o mundo apenas pelo pequeno buraco de uma fechadura, nunca enxergando o contexto completo do que está acontecendo. O equivalente seria uma pessoa se aproximar de um quadro bonito. Se a pessoa chegar perto demais, terá apenas uma visão limitada da imagem. A única maneira de apreciar a imagem do quadro é se afastar para vê-lo por completo.

Talvez este seja o significado de um ensinamento do Talmud (Brachot 10a), que analisa o versículo "Não há ninguém tão sagrado quanto D'us, pois não há outro além de Você, e não há Rocha como o nosso D'us" (Shmuel I 2:2). As palavras "Ein Tzur K'Elokeinu" (não há Rocha como o nosso D'us) é interpretada pelo Talmud como "Ein Tzaiar K'Elokeinu" (Não há Artista como o nosso D'us). O que o Talmud está nos ensinando? A história do Universo é como se fosse um mural e D'us está no meio do trabalho de pintar este mural. Mas não é apenas um mural que vai de parede a parede, e sim um mural que vai desde o início do universo até o fim dos tempos. Nossa existência limitada é como alguém que se aproxima de um pequeno pedaço deste gigantesco "mural" e tenta entender o que o "Artista" pretende transmitir. Certamente nunca conseguiremos entender o mural completo olhando apenas um pequeno pedaço.
 
Foi o que aconteceu com os judeus no Egito, após o primeiro encontro de Moshé com o Faraó. A esperança havia voltado e o espírito do povo judeu havia se reerguido, após séculos de dificuldades e sofrimentos, para serem novamente quebrados pouco tempo depois. A situação deles não apenas não melhorou, mas ficou ainda pior. Porém, eles estavam observando um pequeno momento, apenas o pequeno buraco da fechadura, sem conseguir ver a imagem maior. Na realidade, o povo judeu estava fazendo a talvez mais antiga das perguntas: "Por que os perversos prosperam e os justos sofrem?". Parte da resposta é justamente saber que estamos apenas olhando um pequeno momento na linha do tempo e, por isso, ainda não conseguimos ver a imagem completa.

Nos ensina o Midrash, em nome do Rav Yehoshua ben Levi, que a característica de D'us, que é Todo Poderoso, não é como a de alguém de carne e osso. Um cirurgião faz um corte com um bisturi, mas fecha o ferimento com pontos, ataduras e remédios. O cirurgião não consegue curar com o mesmo instrumento que ele utilizou para fazer o corte. O Todo Poderoso, no entanto, traz a cura com o próprio instrumento que Ele usou para trazer o sofrimento. Isso pode ser observado na história de Yossef, que foi vendido como escravo por causa dos seus sonhos, e foi elevado à realeza por causa dos sonhos. Se parássemos no meio da história de Yossef, acharíamos que os sonhos foram o motivo de sua queda. Mas, como o Midrash ressalta, por causa dos sonhos ele chegou a governar todo o Egito. A causa aparente do problema foi a maior fonte de cura.

Outro exemplo marcante é tentar imaginar como foi viver a Inquisição espanhola. O que era ser judeu em Tishá Be Av de 1492? Naquela época, os judeus espanhóis tiveram que fazer uma difícil escolha: converter-se ao cristianismo ou abandonar imediatamente o país sem levar nada. Milhares e milhares de judeus passaram no teste e abandonaram a Espanha, deixando para trás tudo o que tinham, ao invés de se converterem ao cristianismo. Depois de tudo o que os judeus haviam contribuído para a sociedade espanhola, o que a Espanha fez aos judeus era uma horrível injustiça. Por exemplo, o Ministro das Finanças, que era judeu, havia dado uma grande parte do seu próprio dinheiro para financiar o governo dos reis Fernando e Isabel. O que os judeus daquela época estavam pensando? Provavelmente o mesmo que nós estaríamos pensando: "A Espanha vai receber o que merece! D'us retribuirá a maldade que ele fizeram, e veremos isso com os nossos próprios olhos!". Porém, ao invés disso, naquele mesmo dia, em Tishá Be Av de 1492, Cristóvão Colombo partiu e encontrou a maior riqueza que qualquer país havia descoberto nos últimos 500 anos. A descoberta da América, o "Novo mundo", com todas as suas valiosas matérias-primas, tornaram a Espanha um país muito rico e poderoso, a "superpotência" daquela época. Onde estava a Justiça Divina? Quase 100 anos depois, além do tempo de vida de qualquer um dos exilados judeus, o exército espanhol foi derrotado. Porém os exilados nunca viram isso. Eles foram às suas sepulturas pensando: "Esta é a Torá e esta é a sua recompensa? Esta é a Justiça do Todo-Poderoso, a Espanha conseguir esta grande vitória no mesmo dia em que nos expulsou?".

No entanto, a ironia é que "com aquilo com que Ele nos feriu, Ele nos curou". A Espanha acabou trazendo para o povo judeu uma salvação gigantesca. Eles descobriram a América e, após 400 anos, os judeus puderam vir para a América, quando não havia outro lugar para ir, antes e depois do Holocausto. A América também foi o refúgio para milhares de judeus que deixaram a Rússia na virada do século, fugindo dos pogroms da Rússia czarista. A América salvou uma grande parcela do povo judeu. Quem é o responsável por toda esta salvação? O governo espanhol, atuando como instrumento do Criador do mundo. Mas isso levou quase 400 anos, desde 1492 até o final dos anos 1800, e ninguém vive 400 anos. As pessoas foram ao túmulo levando sua indignação.

Explica o Rav Issachar Frand que esta é uma grande lição sobre a Supervisão Divina. "Não há Rocha como nosso D'us. Não existe Artista como o nosso D'us". Nossa vida ainda é um trabalho em andamento nas Mãos de D'us. A história ainda está sendo escrita. O povo judeu reclamou com Moshé: "Você piorou a situação! Agora, iremos sofrer ainda mais!". Eles não conseguiram perceber que o aumento do sofrimento salvou-os de 190 anos de escravidão. Ao invés de ficarem no Egito por 400 anos, conforme havia sido profetizado para Avraham, eles tiveram que permanecer lá apenas por 210 anos. O que parecia ser algo ruim se demonstrou ser uma enorme bondade. Mas muitos judeus foram às suas sepulturas sem nunca perceberem isso, porque olhavam a foto de perto e não podiam ver o quadro completo na extensão da história.

É assim que D'us funciona, acima do tempo e do espaço, muito além do "aqui e agora". Nosso papel é manter a nossa Emuná, fugir da "Síndrome do buraco da fechadura", esperar e confiar na salvação de D'us. É muito difícil, especialmente quando estamos em um momento difícil, no meio de um sofrimento. Mas podemos ter a tranquilidade de saber que um dia tudo fará sentido. Por enquanto, ria das confusões, sorria por trás das lágrimas e continue lembrando que tudo acontece por um motivo maior.

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