sexta-feira, 5 de agosto de 2022

A CAUSA DAS QUEDAS ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5782

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MENSAGEM DA PARASHÁ DEVARIM

ASSUNTOS DA PARASHÁ DEVARIM
  • Moshé começa a relembrar os principais acontecimentos
  • Bronca "encoberta" de Moshé.
  • Apontando juízes sobre o povo.
  • Episódio dos espiões.
  • Encontro com Essav (Terra de Seir).
  • Encontro com Moav.
  • Encontro com Amon.
  • A conquista de Og.
  • A herança de Reuven, Gad e metade de Menashe.
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A CAUSA DAS QUEDAS ESPIRITUAIS - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5782 (05/ago/22)

O Rav Shlomo Zalman Auerbach zt"l (Israel, 1910 - 1995) estava no hospital, ao lado da cama de sua amada esposa, que estava lutando pela vida. Infelizmente o pior aconteceu: ela não aguentou e faleceu. O Rav Shlomo Zalman se sentiu completamente devastado. Ele estava saindo do hospital, bastante abatido, acompanhado dos seus filhos, quando de repente um rapaz jovem atravessou correndo o corredor do hospital e gritou:
 
- Rav Shlomo Zalman, Rav Shlomo Zalman. Mazal Tov! Acabei de ganhar um filho!
 
Os filhos do Rav Shlomo Zalman quiseram mandar aquele rapaz embora, mas o Rav Shlomo Zalman fez um sinal para que os filhos não interrompessem o rapaz. Em um esforço sobre-humano, o Rav Shlomo Zalman abriu um lindo sorriso, característico dele, e disse:
 
- Mazal Tov. Estou muito feliz por você. Que vocês tenham muitas Brachót. Que esse bebê possa ter muita saúde e possa ser grande em Torá, em Mitzvót e em bons atos.
 
Assim que o rapaz se afastou, o semblante do Rav Shlomo Zalman novamente caiu, e ele voltou ao seu estado de luto e tristeza. Seus filhos, inconformados, questionaram:
 
- Pai, você não podia ter mandado aquele rapaz embora? Você está enlutado, sofrendo! Certamente ele entenderia se você dissesse que acabou de falecer sua esposa!
 
- Tenho certeza que ele entenderia - disse o Rav Shlomo Zalman - Mas este é o momento mais feliz da vida deste rapaz. Ele veio me dar a notícia com o rosto brilhando. Se eu tivesse contado a ele que estava enlutado, eu teria destruído aquele momento de alegria dele. Que direito eu tenho de fazer isso?"
 
Este é o poder da Torá. Ela consegue nos transformar em pessoas melhores, com total autocontrole. Mesmo em momentos de sofrimento e luto, a Torá nos ajuda a mudarmos nossa reação diante dos eventos.

Nesta semana começamos o último Livro da Torá, o Sefer Devarim, também conhecido como "Mishnê Torá", que significa literalmente "a repetição da Torá", pois este Livro traz os discursos de despedida de Moshé antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. E o que Moshé falou em seus discursos finais? Ele recordou os principais acontecimentos dos 40 anos em que o povo judeu vagou pelo deserto, entre eles muitos erros graves que o povo cometeu, como o Bezerro de ouro e o erro dos espiões.
 
O erro dos espiões, que causou com que o povo judeu chorasse no deserto sem motivo, nos conecta com a próxima parada do Calendário Judaico, logo após o final do Shabat: Tishá Be Av, o dia mais triste do ano, o dia no qual choramos e nos enlutamos pela destruição dos nossos dois Templos Sagrados. Porém, o nosso Segundo Templo já foi destruído há quase dois mil anos! Por que choramos até hoje?
 
Nos ensina o profeta: "Alegrem-se com Yerushalaim e se regozigem por ela todos os que a amam. Que se alegrem com ela todos os que por ela choram" (Yeshayahu 66:10). O Talmud (Taanit 30b) aprende destas palavras que todo aquele que se enluta por Yerushalaim tem o mérito de vê-la em sua alegria. Entretanto, há algo que chama a atenção neste ensinamento. Quando falamos sobre a alegria de Yerushalaim, a priori estamos falando sobre um evento futuro, quando D'us nos permitirá reconstruir nossa cidade e nosso Templo Sagrado. Portanto, deveria estar escrito que todo aquele que se enluta por Yerushalaim "verá a sua alegria", e não "vê", no presente! Qual é a alegria que aquele que se enluta por Yerushalaim tem agora?
 
Segundo o Rav Chaim Vologziner zt"l (Lituânia, 1749 - 1821), a resposta está em um evento trágico que ocorreu na vida do nosso patriarca Yaacov. Após enviar seu filho preferido, Yossef, para saber como estavam seus outros filhos, Yaacov recebeu as roupas de Yossef completamente rasgadas e ensanguentadas. Parecia que ele havia sido destroçado por um animal feroz. Yaacov se enlutou por seu filho durante 22 anos, algo que o fez sofrer muito e envelhecer. Porém, o Talmud (Pessachim 54b) nos ensina que D'us decretou a todos os enlutados que os entes queridos falecidos vão sendo aos poucos esquecidos do coração, isto é, um espírito de consolo faz a pessoa enlutada conseguir retomar a vida. Se existe esta força espiritual de consolo, por que Yaacov passou 22 anos enlutado, como está escrito "Mas ele (Yaacov) se recusou a ser consolado, e ele disse: 'Pois eu vou descer, por causa do meu filho, como um enlutado para a sepultura'" (Bereshit 37:35)?
 
Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que o consolo somente é mandado por alguém que realmente faleceu, mas ninguém aceita o consolo por uma pessoa que ainda está viva, mesmo que acredite que a pessoa esteja morta. Está decretado que uma pessoa morta deve ser esquecida do coração, mas não uma pessoa viva.
 
O mesmo se aplica à Yerushalaim. Se há quase dois mil anos ainda choramos por ela, e não nos consolamos, isso nos ensina que Yerushalaim não morreu. É isso o que o Talmud está nos ensinando. Obviamente todo aquele que se enluta por Yerushalaim se alegrará quando a cidade e o nosso Templo Sagrado forem reconstruídos. Porém, já há uma alegria imediata: a constatação de que Yerushalaim não morreu.
 
Entretanto, se Yerushalaim não morreu, por que não nos enlutamos por ela sempre, sem interrupção, como Yaacov, já que não há consolo pelos que estão vivos? E mais do que isso: até mesmo em Tishá be Av, a "data de falecimento" de Yerushalaim, muitos não conseguem se emocionar e sentir a dor do luto! Nossos sábios trazem uma dura resposta para este questionamento. Se Yerushalaim não está morta, e mesmo assim nos consolamos com sua destruição, isso é um sinal de que estamos, neste assunto, na categoria de "mortos", e que qualquer sentimento em relação à destruição dos nossos Templos Sagrados se apagou dentro de nós. Somente os vivos se enlutam pelos mortos, mas os mortos não se enlutam pelos vivos. Isso significa que aquele que se enluta por Yerushalaim já experimenta uma segunda alegria imediata: saber que está espiritualmente vivo.
 
Fora a importância de sentir a dor pela destruição de Yerushalaim e dos nossos Templos Sagrados, precisamos entender exatamente qual foi o erro que levou a estas tragédias, para podermos nos esforçar para consertar e termos o mérito de nos alegrarmos com a reconstrução do Beit Hamikdash. O Talmud (Baba Metsia 85a) nos ensinando que esta pergunta foi feita até mesmo pelos maiores sábios e profetas da época, como está escrito: "Quem é o homem tão sábio que pode entender isso? E quem é aquele a quem a boca de D'us falou, para que o declare? Por que a terra foi destruída?" (Yirmiahu 9:11). De acordo com o Talmud, isso foi falado pelos sábios, mas eles não souberam explicar. Isso foi falado pelos profetas, mas eles não souberam explicar. Até que veio D'us e pessoalmente explicou: "Pois eles abandonaram a Minha Lei, que Eu coloquei diante deles, e não deram ouvidos à Minha voz, nem andaram de acordo com ela" (Yirmiahu 9:12). Rav Yehuda acrescentou que aquela geração não fazia Berachá antes de estudar Torá.
 
Porém, este ensinamento do Talmud é difícil de ser entendido, pois é sabido que os judeus foram castigados com a destruição do Primeiro Templo por estarem tropeçando nas três piores transgressões da Torá: idolatria, assassinato e relações ilícitas. São transgressões tão graves, e tão óbvias, que não entendemos o questionamento do profeta Yeshayahu e a afirmação do Talmud de que nenhum sábio ou profeta conseguiu explicar!
 
Portanto, precisamos explicar que a pergunta "Por que a terra foi destruída?" não veio esclarecer qual transgressão causou a destruição do Templo Sagrado, isso já era algo sabido. A pergunta era: qual é o motivo original pelo qual o povo judeu se desviou dos caminhos de D'us. O povo judeu, quando entrou na Terra de Israel, conduzido por Yehoshua, estava em um nível espiritual muito elevado. Como cometeram estas três transgressões tão graves? É isso que o profeta Yeshayahu estava questionando. Os sábios da geração avisaram que haveria a destruição e repreenderam o povo, pois os viam transgredindo, mas não conseguiam explicar o motivo que os levou a fazer transgressões tão graves. Também os profetas advertiram o povo sobre a destruição, mas também não souberam explicar o motivo daquela queda espiritual tão grande. Até que veio D'us pessoalmente e explicou: pois eles haviam abandonado a Torá.
 
Mas algo assim tão marcante não foi percebido pelos sábios e profetas? A resposta é que "abandonar a Torá" não necessariamente significa se afastar completamente do estudo e do cumprimento das Mitzvót, mas se enfraquecer nestas áreas. Quando a pessoa já não estuda Torá com entusiasmo, já não escuta a Voz de D'us e já não anda nos Seus caminhos. É uma queda lenta e silenciosa, mas constante. Rav Yehuda acrescentou que eles não faziam Berachá antes de estudar Torá. Isso não é um motivo por si só, e sim mais um indicador de que, aos olhos daquela geração, a Torá não tinha mais tanta importância. Mesmo que eles estudavam Torá, o estudo não ajudava a fazê-los voltar aos caminhos corretos.
 
O pilar para chegarmos ao nível de temor a D'us, bons traços de caráter e cumprimento das Mitzvót é o estudo da Torá. Sem a Torá, não conseguimos servir D'us de maneira completa. Que possamos, através da Torá, consertar nossos erros e nos transformar em pessoas melhores, para termos o mérito de ver a alegria de Yerushalaim novamente. 

SHABAT SHALOM E TSOM KAL
 

R' Efraim Birbojm

 
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quinta-feira, 28 de julho de 2022

É NA TEFILÁ QUE TUDO SE DECIDE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5782

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PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5782



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MENSAGENS DAS PARASHIÓT MATÓT E MASSEI

ASSUNTOS DAS PARASHIÓT MATÓT E MASSEI
PARASHÁ MATÓT
  • Juramentos e Promessas.
  • Atacando os Midianim.
  • Moshé critica a decisão dos oficiais de poupar as mulheres.
  • Purificação depois da guerra (Kasherização dos utensílios).
  • Divisão dos despojos de guerra.
  • Dedicação de parte dos despojos de guerra.
  • O Pedido de Reuven e Gad.
  • Bronca de Moshé.
  • O pedido é esclarecido.
  • As Condições de Moshé – Participação na conquista e divisão da Terra de Israel.
PARASHÁ MASSEI
  • Resumo da Jornada.
  • As Jornadas Finais.
  • Orientações para ocupação da Terra de Israel.
  • As fronteiras da Terra de Israel.
  • Nova liderança para a Terra de Israel.
  • As Cidades dos Leviim.
  • As Cidades de Refúgio (Assassinato não intencional).
  • Proibição de casamentos entre as Tribos.




 
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É NA TEFILÁ QUE TUDO SE DECIDE - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5782 (29/julho/22)

Quando David era criança, sempre que ele pegava uma tangerina para descascar, corria para seu pai e pedia:
 
- Pai, por favor, começa o começo?
 
O que ele estava pedindo era para o pai fazer o primeiro rasgo na casca, o mais difícil e resistente para as pequenas mãos de uma criança. O pai, sorridente, na maioria das vezes acabava descascando toda a fruta, mas outras vezes era David mesmo que tirava o restante da casca a partir daquele primeiro rasgo providencial que o pai havia feito.
 
Não somos crianças, mas muitas vezes ficamos perdidos, sem saber a quem pedir ajuda, quem pode "começar o começo" de tantas cascas duras que encontramos pelo caminho. Nossas "tangerinas" são outras. Precisamos "descascar" as dificuldades do trabalho, os problemas no núcleo familiar, o esforço diário para fazer tudo certo, para não decepcionar as pessoas que nos amam, as dúvidas e conflitos que nos afligem diante de decisões e desafios. Em certas ocasiões, nossas tangerinas transformam-se em enormes abacaxis, ainda mais difíceis de serem descascados...
 
Para David, a segurança de ser atendido pelo pai quando ele lhe pedia para "começar o começo" era o que lhe dava a certeza de que conseguiria retirar até o último pedacinho da casca e saborear a fruta. Quando a vida parecer muito grossa e difícil, como a casca de uma tangerina nas mãos frágeis de uma criança, lembre-se de pedir a D'us: "Pai, por favor, começa o começo?". Ele não apenas "começará o começo", mas resolverá toda a situação para nós.
 
Não sabemos que tipo de dificuldades encontraremos na vida. A única certeza é que, sempre que for preciso, devemos pedir: "Pai, por favor, começa o começo?".

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente "Tribos") e Massei (literalmente "Viagens"), terminando o quarto Livro da Torá, Bamidbar. A Parashá Matót traz alguns assuntos importantes, como a guerra de vingança conta o povo de Midian, as leis de Kasherização de utensílios e o pedido das Tribos de Reuven e Gad para ficarem fora da Terra de Israel. Já a Parashá Massei descreve as viagens do povo judeu e fala sobre as Cidades de Refúgio, para onde iam os assassinos não intencionais.
 
A guerra contra Midian, descrita na Parashá Matót, era o marco de despedida de Moshé como líder do povo judeu. Ela foi chamada por D'us de "guerra de vingança", pois os Midianim haviam participado do plano de Bilaam, cujo objetivo era causar com que o povo judeu fizesse transgressões graves e assim perdessem sua proteção espiritual. Eles ofereceram suas próprias filhas como "iscas", tamanho era o ódio contra o povo judeu. E o mais grave era que tratava-se de um ódio gratuito, pois Midian não estava sendo ameaçado pelo povo judeu.
 
E assim a Torá descreve o comando de Moshé para o povo judeu: "Armem homens dentre vocês para o exército que lutará contra Midian, para infligir a vingança de D'us contra Midian. Mil de cada Tribo, mil de cada Tribo, de todas as Tribos de Israel vocês devem enviar para o exército" (Bamidbar 31:3,4). Mas explica o Midrash que não foram enviados apenas 12 mil homens para a frente de batalha, como sugere o entendimento mais simples dos versículos. Na realidade, foram enviadas 3 mil pessoas de cada Tribo, sendo 12 mil soldados para a guerra, 12 mil homens para ajudar a carregar os equipamentos e 12 mil homens para rezar pelos soldados.
 
Porém, este Midrash desperta diversos questionamentos. Em primeiro lugar, a guerra contra Midian foi uma "Guerra de Mitzvá", comandada diretamente por D'us, como uma vingança contra Midian por terem causado um tropeço ao povo judeu. Portanto, se a vitória já estava garantida, por que foi necessário fazer Tefilá?
 
Além disso, mesmo que fosse importante rezar pelos soldados, por que foi necessário que as pessoas convocadas para rezar também fossem ao campo de batalha? Não era suficiente que eles ficassem rezando no acampamento? Que diferença faz se estavam rezando de perto ou de longe?
 
E, finalmente, vemos que foi enviado o mesmo número de pessoas para rezar do que de soldados para lutar. Mas por que estas pessoas tiveram que ser convocadas para rezar? Certamente Moshé e o resto do povo rezariam pelos seus irmãos que estavam indo arriscar suas vidas na batalha! Então por que especificar 12 mil homens para fazer algo que todos do povo já fariam?
 
Explica o Rav Yechezkel Levenstein zt"l (Polônia, 1895 - Israel, 1974) que, para respondermos estas perguntas, precisamos antes saber um fundamento do nosso trabalho espiritual neste mundo. Não temos ideia do quão próximos estamos, o tempo todo, de tropeçarmos em uma das piores transgressões da Torá: a "Kofrut", que literalmente significa "Negação de D'us". Nos consideramos pessoas com Emuná, que acreditamos plenamente em D'us. Porém, há uma forma de Kofrut que todos nós estamos suscetíveis, denominada pela Torá como "Minha força e o poder da minha mão acumularam esta riqueza para mim" (Devarim 8:17). Este tipo de Kofrut ocorre todas as vezes em que o ser humano atribui a si mesmo o sucesso dos seus atos, ao invés de atribuí-lo a D'us.
 
Mas por que vivemos tão próximos assim deste tipo de Kofrut? Pois normalmente nos apoiamos no que os nossos olhos enxergam. Assim nos ensina a Torá: "Não siga atrás dos seus corações e atrás dos seus olhos, pois vocês se desviam atrás deles" (Bamidbar 15:39). Rashi
(França, 1040 - 1105) explica que os olhos veem, o coração deseja e o corpo faz a transgressão. Os olhos são os portões do coração, não apenas para nos puxar atrás de promiscuidades ou imoralidades, mas também para nos desviar da realidade espiritual, nos fazendo acreditar somente no que nossos olhos enxergam. Esta força de Kofrut é algo já enraizado no coração do ser humano, e aquele que não se esforça muito para arrancar este tipo de pensamento de dentro de si não consegue escapar desta distorção da realidade.
 
Este fenômeno não ocorre apenas com pessoas espiritualmente baixas. Pessoas elevadas também precisam se esforçar nesta área todos os dias de suas vidas. A prova é que as pessoas que iam para a guerra eram justamente as pessoas espiritualmente mais elevadas, como está escrito: "Armem dentre vocês homens". A palavra "homens" utilizada neste versículo é "anashaim", uma linguagem que se refere a Tzadikim, pessoas em um nível espiritual elevado. Apesar de os soldados que iam para as guerras serem pessoas muito grandes, o coração deles também estava muito próximo da Kofrut.
 
Portanto, este é o sentido de 12 mil pessoas irem rezar no campo de batalha, ao lado dos 12 mil soldados. Apesar de ser uma guerra de Mitzvá, havia o enorme risco de os soldados, ao vencerem a guerra, não atribuírem seu sucesso à D'us, e sim à sua própria força e coragem. Para colocar no coração dos soldados que não havia sido seus esforços de guerra que os haviam conduzido à vitória, e sim a Tefilá, foram enviadas para a frente de batalha a mesma quantidade de pessoas para rezar por eles. Se o povo tivesse ficado rezando no acampamento, os soldados não associariam a vitória à força da Tefilá. Somente quando viram a força da Tefilá com seus próprios olhos, entenderam bem o conceito e se afastaram da Kofrut. Se os soldados não vissem com seus próprios olhos as pessoas rezando, o coração penderia para o que os olhos estavam enxergando, e eles acreditariam que seus esforços na guerra e sua valentia haviam derrotado os Midianim. Apenas saber que as pessoas rezavam por eles não seria suficiente. A visão dos olhos deles, da guerra sendo vencida no campo de batalha, os teria puxado para a Kofrut. Eles então perderiam toda a ajuda Divina e seriam derrotados na batalha.
 
Esse é o motivo pelo qual a Torá descreve que, quando o povo judeu lutou contra o povo de Amalek, Moshé subiu em uma montanha. Todos os momentos em que ele ficava com os braços para cima, o povo judeu ficava em vantagem na guerra, mas quando Moshé abaixava seus braços, o povo judeu ficava em desvantagem na guerra. Obviamente não eram os braços de Moshé que faziam o povo judeu vencer a guerra, eles não faziam nenhum tipo de mágica. Então como funcionava? Moshé ficou muito próximo do povo, de forma que todos pudessem vê-lo. Quando ele levantava as mãos, o povo olhava para o céu e se subjugavam a D'us, e por isso venciam a guerra. Mas imediatamente quando ele abaixava as mãos, o povo abaixava os olhos e caiam no risco de Kofrut, e por isso perdiam a guerra.
 
Deste acontecimento com Moshé aprendemos algo incrível: um momento de distração pode nos levar a acreditar no poder das nossas mãos, pois é isso o que nossos olhos enxergam. Portanto, a única maneira de escaparmos deste perigo é com uma reflexão constante, lembrando como somos pequenos e limitados e como D'us é poderoso e infinito. O temor a D'us é algo que deve nos acompanhar o tempo todo, sem interrupção. Esse também é um dos motivos que levaram nossos sábios a estipular Berachót para os proveitos do mundo material. Devemos pedir permissão para D'us e agradecê-Lo por cada proveito. Dessa forma, reconhecemos que os proveitos que temos na vida não são resultado do nosso esforço, e sim um presente de D'us. Não conseguimos nada sozinhos, pois em todas as nossas conquistas dependemos Dele, sempre. Se guardarmos esta ideia no coração, poderemos viver mais tranquilos, com a certeza de que, mesmo quando surgirem testes, obstáculos e dificuldades, Ele nos ajudará a vencermos e a chegarmos ao sucesso. É D'us, e somente Ele, que sempre "descasca as nossas tangerinas".
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 
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