sexta-feira, 29 de abril de 2022

MANTENDO LIMITES SAUDÁVEIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ ACHAREI MÓT 5782

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHÁ ACHAREI MÓT



         São Paulo: 17h21                  Rio de Janeiro: 17h09 

Belo Horizonte: 17h14                  Jerusalém: 18h42
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
MENSAGEM DA PARASHÁ ACHAREI MÓT
ASSUNTOS DA PARASHÁ ACHAREI MÓT
  • Lembrança da morte dos filhos de Aharon, Nadav e Avihu.
  • O Serviço de Yom Kipur.
  • Sacrifício de animais fora do Mishkan.
  • Proibição de comer sangue.
  • Mitzvá de cobrir o sangue derramado na Shechitá.
  • Viva pelas Mitzvót
  • Não viver como os outros povos
  • Relacionamentos proibidos: Incesto, Pais, Madrasta, Irmã, Netos, Meia Irmã, Tia por Parte de Pai, Tia por Parte de Mãe, Mulher do Tio, Nora, Cunhada.
  • Idolatria de Molech
  • Outras Relações Proibidas.
  • Santidade de Eretz Israel.
BS"D

MANTENDO LIMITES SAUDÁVEIS - PARASHÁ ACHAREI MÓT 5782 (29/Abr/22)


Yaacov começou a ter bolhas em seus pés. Com o tempo, elas começaram a crescer e a se espalhar, desde a sola dos pés até os joelhos. Apesar das diversas tentativas de tratamento, a situação só piorava. Ele mal conseguia andar e as dores tornavam-se insuportáveis. Mas a notícia que acabara de receber dos especialistas era um verdadeiro pesadelo: a única solução seria a amputação dos pés. Desesperado, ele foi ao Rav Chaim Kanievsky zt"l para pedir-lhe uma Berachá. Depois de lhe contar seu problema, o rabino, com sua característica forma concisa de responder, simplesmente disse:

- Vá falar com o Rav Ovadia Yossef zt"l.

Yaacov não entendeu e questionou novamente, mas escutou exatamente a mesma resposta: "Vá falar com o Rav Ovadia Yossef". Depois disso, o Rav Chaim não disse mais nada.

"Se o Rav Chaim me mandou ir falar com o Rav Ovadia, então é isso o que eu devo fazer", pensou Yaacov, mesmo sem entender. Sem perder tempo, foi para Jerusalém. Quando estava diante do Rav Ovadia Yossef, Yaacov contou sobre sua situação desesperadora e a estranha ordem do Rav Chaim Kanievsky.
 
- Eu quero saber uma coisa - indagou o Rav Ovadia Yossef - Quando você era criança, você fazia travessuras?

- Sim, rabino. Eu fazia travessuras, como qualquer criança - respondeu Yaacov, um pouco envergonhado.

- Você já fez a travessura de colocar pedras nos sapatos de um adulto? - perguntou o rabino

- Me lembro disso - disse Yaacov, pasmo com a pergunta do rabino - Alguns colegas me ensinaram essa travessura, mas eu só fiz uma única vez. Meu pai vendia livros da Torá de casa em casa, e às vezes me levava com ele. Uma vez, estando na casa de uma família, vi sapatos na sala e coloquei dentro deles umas pedrinhas que eu tinha no bolso. Imaginei a pessoa calçando os sapatos e ficando brava enquanto caminhava, e isso me divertiu. Eu sei que foi errado, mas eu era muito pequeno. Nem me lembro na casa de quem era, foi há muito tempo. Certamente era a casa de algum rabino. Era um cliente do meu pai que comprava muitos livros.
 
O Rav Ovadia Yossef fez uma breve pausa e disse:
 
- Eu era o dono dos sapatos nos quais você colocou as pedrinhas.
 
Yaacov ficou em estado de choque, mal conseguia respirar. Ele não sabia se chorava ou se ajoelhava diante do rabino pedindo perdão. O Rav Ovadia Yossef carinhosamente colocou a mão em seu ombro e disse:
 
- Há mais de sessenta anos eu espero por este momento. Quando calcei os sapatos com as pedras, percebi que não havia sido um acidente, e a partir daquele momento quis perdoar pessoalmente quem havia feito aquilo, mas não sabia quem era. Durante muitos anos eu pedi a D'us que me deixasse conhecer a pessoa que fez isso, para que eu pudesse dizer a ela que eu a perdoava de todo meu coração, para que ela não fosse punida por isso. O que parecia impossível se cumpriu, pois para D'us nada é impossível.

O rabino Ovadia Yossef colocou as mãos na cabeça de Yaacov e disse: "Machul Lach! Machul Lach! Machul Lach!" (Eu te perdoo, eu te perdoo, eu te perdoo). O corpo de Yaacov tremia e do seu rosto escorriam lágrimas. Imediatamente após sua visita à casa do Rav Ovadia Yossef, as bolhas em seus pés começaram a desaparecer. As dores pararam e, após alguns dias, ele estava completamente curado. Os médicos não sabiam explicar, mas Yaacov havia entendido tudo: passar os limites do respeito ao próximo pode ser extremamente perigoso.

Nesta semana lemos a Parashá Acharei Mót (literalmente "Depois da morte"), que começa recordando a morte dos dois filhos mais velhos de Aharon HaCohen, Nadav e Avihu, no dia da inauguração do Mishkan. Logo depois a Parashá fala sobre a proibição do Cohen Gadol de entrar no Kodesh Hakodashim sem autorização. Além disso, a Parashá também ensina sobre relacionamentos proibidos. Qual é a conexão entre estes assuntos?
 
O "fio" que conecta estes assuntos é a questão da intimidade. Todas as nossas características têm um lado positivo e um lado negativo. Obviamente que a intimidade tem um lado positivo, que é o envolvimento entre as pessoas, a perda da vergonha que mantinha as pessoas afastadas. Porém, há um lado extremamente negativo na intimidade, que é a quebra de regras de distanciamento que não poderiam ser quebradas.
 
Um primeiro exemplo é o cuidado que devemos ter em não nos acostumarmos com aquilo que é sagrado. O respeito aos limites é primordial para que algo continue sendo sagrado. Quando nos acostumamos, normalmente acabamos perdendo um pouco do respeito que sentíamos. É por isso que tantas pessoas acabam se comportando dentro de uma sinagoga, um lugar sagrado, como se estivessem no sofá de suas casas.
 
Outro exemplo ocorre na vida familiar. Quando o assunto é a intimidade dentro de um lar, isso não significa que não existem limites mesmo dentro da família. A Torá nos ensina que entre pais e filhos deve haver limites, o que fica evidente em alguns detalhes da Mitzvá de respeitar os pais, como respeitar o lugar onde o pai senta, não entrar no quarto dos pais sem bater na porta e falar com eles sempre de maneira extremamente respeitosa, mesmo quando estão errados. E tudo isso também está ligado ao conceito da santidade.
 
Isso explica muitos problemas familiares em nossa geração. Achamos que somos tão íntimos que podemos fazer ou dizer o que quisermos, mas isso é um grande erro, que pode causar muitos atritos dentro de casa. Uma das fontes de santidade de uma casa é justamente a harmonia. Quando não há Shalom Bait, a paz familiar, automaticamente a Presença de D'us se afasta do local e a santidade diminui.

As regras de distanciamento dentro da família não podem diminuir o carinho necessário dentro de um lar. Porém, ao mesmo tempo, deve-se manter uma distância saudável, conforme previsto pela Torá. O equilíbrio é, portanto, a chave para o Shalom Bait. Cada um deve conhecer seus limites e os limites do próximo, para que possamos respeitar e sermos respeitados. É um grande equívoco o casal achar que, após o casamento, poderá se comportar e falar como quiser um com o outro.

A intimidade equivocada foi justamente o que levou os filhos de Aharon à morte. Eles eram pessoas extremamente elevadas espiritualmente. Porém, isso causou com que eles se sentissem tão "íntimos" do Criador a ponto de decidirem sozinhos como e quando deveriam fazer seus Serviços no Mishkan. A Torá nos ensina que eles foram castigados de forma muito dura, para nos ensinar que, apesar de serem os filhos de Aharon HaCohen e estarem o tempo todo conectados com a santidade, ainda assim eles não podiam fazer o que desejassem. Mesmo que suas intenções fossem as mais puras, eles deviam respeitar as regras e limites.

É por isso que, logo após relembrar da morte dos filhos de Aharon, a Parashá ensina que o Cohen Gadol não podia entrar no Kodesh Hakodashim a qualquer momento. Apesar do seu nível espiritual acima do resto do povo, ainda assim o Cohen Gadol deveria respeitar as regras, para preservar a conexão com a santidade.

Muitas pessoas pensam que as regras de distanciamento criam um ambiente frio e sem sentimentos. Porém, a verdade é que justamente o contrário acontece. Regras coerentes preservam os sentimentos de cada um, criando um ambiente ainda mais caloroso e agradável. Muitas amizades terminam quando as pessoas ultrapassam os limites saudáveis. Amigos falam de forma ofensiva, achando que a intimidade justifica este tipo de atitude. Ser íntimo não significa que podemos dizer ou fazer ao próximo o que bem entendemos.

Nossa Parashá também traz uma lista de relacionamentos proibidos, sendo a maioria deles o relacionamento íntimo entre parentes próximos. D'us nos ordena a preservarmos a santidade através do distanciamento correto. Na Parashá Kedoshim, lida na próxima semana, isso é ensinado de maneira interessante. A Parashá também traz uma lista de relacionamentos proibidos, e um dos versículos descreve a proibição do relacionamento íntimo entre irmãos: "E um homem que tomar sua irmã... e vir a nudez dela, e ela vir a nudez dele, é um 'Chessed', e eles serão exterminados" (Vayikrá 20:17). A palavra "Chessed" é normalmente traduzida como bondade. Por que o versículo utiliza esta linguagem ao se referir a um ato abominável de intimidade proibida?
 
Explicam nossos sábios que fazer Chessed significa derrubar os limites que nos afastam das outras pessoas. Quando derrubamos os limites, enxergamos os outros como sendo parte de nós mesmos e, desta maneira, despertamos a nossa vontade de ajudar o próximo. Porém, há limites para a quebra do distanciamento entre as pessoas. Quando as regras não são respeitadas e todas as barreiras são quebradas, cria-se uma intimidade desrespeitosa, como o relacionamento íntimo entre dois irmãos. O "Chessed", neste caso, é um desequilíbrio.
 
O ensinamento que fica da nossa Parashá é que as regras existem para nos ajudarem, os afastamentos existem para nos unir de forma saudável e construtiva, os limites nos ajudam a não perder o respeito pelas pessoas e pelos lugares sagrados. Intimidade, como qualquer característica, deve ser equilibrada. Devemos nos sentir próximos dos outros, mas sem nunca diminuir o respeito que sentimos por eles.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 21 de abril de 2022

BUSCANDO A SUPERAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - SHEVII SHEL PESSACH 5782

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


SHEVII SHEL PESSACH


         São Paulo: 17h26                  Rio de Janeiro: 17h14 

Belo Horizonte: 17h19                  Jerusalém: 18h37
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
BS"D

BUSCANDO A SUPERAÇÃO - SHEVII SHEL PESSACH 5782 (22/abr/22)

 
Quando Corey Borner tinha dezesseis anos, ele jogava futebol americano pela sua escola. Ele era extremamente habilidoso, parecia que um grande futuro o aguardava, mas tudo mudou de um instante para o outro. Em uma partida, após um choque forte com um jogador do time adversário, Corey Borner permaneceu imóvel no chão e não conseguia se levantar.  Na verdade, ele não conseguia sentir nada da cabeça aos pés.
 
Enquanto ele estava imóvel, caído no campo, ele repetia a frase: "D'us, me ajude". Mais tarde, no hospital, os médicos lhe informaram que ele havia sofrido uma grave lesão na medula e ficaria preso a uma cadeira de rodas pelo resto da vida. Naquele momento, Corey Borner desabou: "D'us, por que justamente eu?". Ele levou um ano para aceitar a realidade, até que entendeu que sua condição era algo que vinha de D'us. Certamente Ele tinha planos maiores. Mas a pergunta era: "O que seria da sua vida daquele momento em diante?".
 
Com o apoio da família e sua enorme força de vontade, Corey Borner encontrou um novo caminho na vida, como palestrante motivacional. Enquanto visitava escolas, dando palestras encorajadoras, ou durante suas aulas na faculdade de comunicação, Corey Borner mantinha em mente uma conversa que teve com um dos médicos após sua lesão na medula. Certo dia um médico perguntou se ele já havia visto um traje de exoesqueleto antes, e se ele estaria interessado em experimentá-lo algum dia. Corey Borner não conhecia, mas concordou que valia a pena tentar se isso significasse andar novamente. E ele nunca mais tirou essa ideia de sua cabeça.
 
Mais de uma década após sua lesão, no dia 16 de agosto de 2021, Corey Borner encaixou suas pernas em um traje de exoesqueleto. Ele levantou-se e, surpreendendo familiares, amigos e professores, atravessou caminhando todo o palco da formatura para receber seu diploma da Universidade de Dallas. Era o maior momento de sua vida, ele havia voltado a andar! Corey Borner entendeu que D'us o havia salvado por alguma razão. Ele esperava que sua história fosse uma fonte de inspiração para todos que estivessem passando por dificuldades na vida. Sua maior lição era: nada pode impedir a força de vontade"
 
Corey acreditou em D'us. Ele entendeu que estava preso em uma cadeira de rodas, em uma situação longe do ideal, mas sempre manteve em sua mente a crença de que, se D'us quisesse, ele voltaria a andar. E, no caso dele, D'us de fato permitiu que isso acontecesse.
 
Todos nós temos sonhos na vida, e esperamos que tudo ocorra de forma ideal. Porém, logo nos confrontamos com dificuldades e desafios que não estavam nos planos originais. Devemos, por um lado, aceitar nossas limitações e testes, e perceber que foi D'us que nos colocou nestas situações. Mas, ao mesmo tempo, não devemos nos acomodar. Precisamos confiar na ajuda de D'us, de que Ele nos ajudará a chegar ao nosso ideal.

Nesta quinta feira de noite (21 de abril) novamente é Yom Tov, o sétimo dia da Festa de Pessach. O primeiro dia de Pessach é Yom Tov pois neste dia ocorreu a saída do Egito, evento que marcou para sempre a história do povo judeu. Mas por que o último dia de Pessach também é Yom Tov? Por causa do grande milagre que ocorreu neste dia, que também marcou para sempre a história da humanidade: a abertura do Mar Vermelho. Além de demonstrar o amor de D'us pelo povo judeu, este grande milagre também demonstrou o poder de D'us no mundo e Sua característica de Midá Kenegued Midá (medida por medida), pois da mesma forma que os egípcios afogaram os bebês judeus, eles foram afogados no Mar Vermelho. Além disso, foi o fim da escravidão psicológica dos judeus, que sentiam que seus opressores poderiam a qualquer momento levá-los de volta à escravidão. Ver os corpos dos torturadores egípcios na beira do mar deu aos judeus a sensação verdadeira de tranquilidade e liberdade.
 
Há um paralelo interessante entre as Festas de Pessach e Sucót. Ambas são comemoradas no dia quinze do mês (Nissan e Tishrei, respectivamente) e têm sete dias de duração, sendo o primeiro Yom Tov e os demais dias Chol Hamoed (com a exceção do sétimo dia de Pessach). Porém, há uma aparente grande diferença entre as duas Festas. Logo depois de Sucót temos uma nova Festa, Shemini Atseret, como se fosse o oitavo dia de Sucót. Por que Pessach não tem uma Festa no seu oitavo dia?
 
A resposta é que Pessach também tem seu "oitavo dia", mas não uma Festa que vêm após sete dias, e sim após sete semanas: Shavuót. E as duas Festas estão muito conectadas, pois Pessach marca a liberdade física do povo judeu, enquanto Shavuót marca a liberdade espiritual, com o recebimento da Torá. Mas por que tanto tempo entre Pessach e seu "oitavo dia"? Pois foram necessários 49 dias de preparação para sair do nível espiritual tão baixo no qual os judeus se encontravam no Egito e chegar na santidade necessária para receber a Torá em Shavuót.
 
Estes 49 dias são contados a partir da "Oferenda do Omer", que era trazida no segundo dia de Pessach. Uma quantia de cevada (o volume de um Omer, cerca de 2,3 litros) era oferecida no Beit Hamikdash e, a partir deste dia, era feita uma contagem de 49 dias até a Festa de Shavuót, quando era feita uma nova oferenda, a oferenda de dois pães feitos de trigo, chamada "Shtei Halechem".
 
Os grãos utilizados nestas duas oferendas são bastante simbólicos. A cevada é considerada o mais baixo dos grãos e, portanto, é adequado principalmente para alimentação dos animais. Além da oferenda do Omer, a cevada também era levada ao altar do Beit Hamikdash na oferenda de uma mulher suspeita de adultério, para enfatizar que sua transgressão demonstrava que ela havia se entregado à sua natureza animal. Foi nesse nível baixo que os judeus saíram do Egito. Já o trigo, usado no "Shtei Halechem", é o mais nobre dos grãos. Sua oferenda em Shavuót demonstra que, após 49 dias de trabalho espiritual, atingimos um nível elevado, apropriado para receber a sagrada Torá.
 
O Rav Asher Meir, em seu livro "Meaning in Mitzvot", traz outra abordagem para a diferença entre as oferendas de Pessach e Shavuót. Ele faz um interessante questionamento: se a cevada é um grão "pobre", por que não oferecemos em Pessach algo mais elevado e digno desta Festa tão importante? A explicação "técnica" é que no início na primavera, época de Pessach, apenas a cevada amadureceu, mas o trigo ainda não. Isso nos ensina que, embora devamos sempre nos esforçar para realizar o nosso Serviço a D'us com o melhor que temos e da melhor maneira possível, há lugar para um Serviço "secundário" se isso for tudo o que estiver disponível.
 
A Torá parece estar nos dizendo para não sermos judeus "Shtei Halechem", isto é, aquele que despreza qualquer aspecto do serviço Divino que não seja perfeito e em seu nível máximo. Mas isso significa que devemos ser judeus "Omer", nos acomodando com uma situação imperfeita? A resposta é que a Torá também rejeita este outro extremo. Estamos autorizados, e até mesmo ordenados, a trazer cevada ao Beit Hamikdash, mas com a condição de imediatamente começarmos a contar os dias que faltam para o momento em que seremos capazes de cumprir a Mitzvá de trazer o novo grão de colheita para o Beit Hamikdash em toda a sua glória, com as "primícias" da colheita de trigo, representada pela oferenda do "Shtei Halechem".
 
E como estas duas formas de abordagem se relacionam com as Festas que elas representam? O "Shtei Halechem", que rejeita qualquer ato que não seja perfeito, está relacionado com Shavuót, quando o povo se conectou a D'us de uma maneira transcendental, através do recebimento dos Mandamentos no Monte Sinai. De acordo com este ponto de vista, o valor do judaísmo se dá unicamente através do cumprimento perfeito das Mitzvót, e quaisquer outros termos não têm valor. Já o "Omer" está relacionado com a Festa de Pessach, na qual revivemos nossa redenção do Egito. Os judeus, na época da saída do Egito, eram quase indistinguíveis de seus vizinhos egípcios, afundados em quarenta e nove níveis de impureza. Mesmo assim, D'us os salvou, em meio a maravilhas e milagres. A nossa salvação de Pessach está baseada na nossa identidade judaica como descendentes dos patriarcas, mas sem conexão com o cumprimento das Mitzvót.
 
O ensinamento incrível que fica destas duas Festas é que não devemos adotar nenhuma das abordagens de forma extrema e absoluta. O segredo do judaísmo é o equilíbrio. A abordagem "Pessach" foca na natureza especial do povo judeu em termos de nossa identidade nacional, sem conexão com o cumprimento de Mitzvót. D'us nos salvou do Egito apesar de nosso status espiritual baixo, mas apenas com a condição de começarmos imediatamente a contar os dias, ansiando pelo status ideal do povo judeu alcançado quando aceitamos a Torá, que representa a abordagem "Shavuót".
 
Como trazer este conceito para nossas vidas? Algumas pessoas vivem de acordo com o ditado "o bom é inimigo do ótimo", pois o desejo de se contentar com o que é meramente aceitável nos impede de atingir nosso potencial.  Outros vivem de acordo com o ditado "o ótimo é inimigo do bom", pois a insistência em atingir a perfeição normalmente nos impede de alcançar alguma solução adequada. As duas formas são verdadeiras, mas contraditórias. A contagem do Omer nos oferece uma maneira de conciliar essas duas verdades. A misericórdia de D'us conosco nunca deve ser usada como uma desculpa para a apatia, a preguiça e o comodismo. Que possamos aceitar fazermos o bom, servir a D'us com todas as nossas forças, mesmo que atualmente sejam limitadas, mas com a condição de mantermos nossa vontade de um dia alcançarmos o Serviço perfeito.
 

CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp