quinta-feira, 28 de outubro de 2021

UM BOM CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHAIE SARA 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ CHAIE SARA
ASSUNTOS DA PARASHÁ CHAIE SARA
  • Falecimento de Sara.
  • Compra de um local para o enterro.
  • A busca de uma esposa para Itzchak.
  • Critérios de Eliezer.
  • Rivka atende os requisitos.
  • Eliezer reconta toda a história para a família de Rivka.
  • Ytzchak se casa com Rivka.
  • Avraham se casa com Keturá e tem filhos.
  • Falecimento de Avraham.
  • Descendentes de Ishmael.
BS"D

UM BOM CORAÇÃO - PARASHÁ CHAIE SARA 5782 (29 de outubro de 2021)

 
Biniamin Hatzadik era o responsável pelo fundo monetário destinado às pessoas pobres. Certa vez, em um ano de seca, quando muitas pessoas estavam passando dificuldades, uma mulher veio a ele e pediu dinheiro para comprar comida. Biniamin foi verificar e descobriu, com muita tristeza, que infelizmente não havia mais nenhum dinheiro disponível para Tzedaká. Com muita dor no coração, ele informou à mulher que infelizmente não poderia ajudá-la. Ela ficou desesperada e disse:
 
- Por favor, tenha misericórdia de mim. Se você não me ajudar, eu e meus sete filhos morreremos de fome!
 
Aquelas palavras entraram no coração de Biniamin como uma faca afiada. Apesar de não ser uma pessoa com muitas possibilidades financeiras, ele tirou dinheiro do próprio bolso e deu para ela.
 
Passou algum tempo e Biniamin adoeceu, de tal forma que ficou entre a vida e a morte. Os anjos clamaram diante de D'us: "Senhor do Universo, o Senhor disse que todo aquele que salva uma alma é considerado como se tivesse salvado o mundo inteiro, e Biniamin Hatzadik, que sustentou uma mulher e seus sete filhos, vai morrer tão jovem?". Imediatamente seu decreto foi rasgado e foi acrescentado vinte e dois anos de vida para ele. (História retirada do Talmud Baba Batra 11a).
 
Desta história enxergamos a importância da Tzedaká aos olhos de D'us. Mas por que foram acrescentados justamente vinte e dois anos? Explica o Gaon MiVilna zt"l (Lituânia, 1720 - 1797) que esta é a soma do tempo da gestação (9 meses) e da amamentação (24 meses) das oito almas que Biniamin HaTzadik sustentou.

Nesta semana lemos a Parashá "Chaie Sara" (Literalmente "A vida de Sara"), que conta sobre o falecimento de Sara, nossa primeira matriarca. Ela era uma mulher tão virtuosa que, pelos seus incríveis méritos, três grandes milagres aconteciam: uma nuvem ficava parada sobre a sua tenda, as velas de Shabat duravam a semana inteira e a massa da sua Chalá permanecia sempre fresca. Porém, quando ela faleceu, os três milagres deixaram de acontecer. O filho de Sara, Ytzchak, ficou inconsolável por três anos com a terrível perda, e somente se consolou quando encontrou uma esposa, Rivka, que trouxe de volta os três milagres, demonstrando que também era uma mulher extremamente virtuosa. Rivka acabou se tornando a segunda matriarca do povo judeu.
 
Porém, de onde surgiu Rivka? Logo após o episódio da Akeidat Ytzchak, D'us profetizou para Avraham o nascimento de Rivka, neta de seu irmão Nachor. Esta profecia era justamente para indicar a Avraham que ele não precisaria casar seu filho com uma mulher de Knaan, pois elas eram amaldiçoadas. Mas ainda havia um problema técnico: como Ytzchak havia sido elevado em um altar, como um Korban, ele adquiriu tamanha santidade que não podia mais sair de Eretz Israel. Como ele procuraria uma esposa? Avraham então enviou seu fiel servo Eliezer para procurar uma esposa para Ytzchak em sua terra natal, entre os seus familiares.
 
Eliezer, acompanhado de alguns ajudantes e muitos camelos, partiu para a terra dos parentes de Avraham em sua importante missão de encontrar uma esposa para Ytzchak. O que esperaríamos dele? Que ele chegaria na cidade e procuraria indicações de boas moças. Depois de fazer uma pré-seleção, ele entrevistaria as moças consideradas mais adequadas e, entre elas, decidiria qual poderia se casar com Ytzchak. Além disso, ele deveria ter começado procurando pela família de Avraham, conforme ele havia pedido. Porém, não foi nada disso que Eliezer fez. Ele chegou na cidade e ficou parado ao lado de um poço de água. Ele então fez um aparente "jogo de adivinhação", escolhendo um sinal que, caso fosse observado em alguma moça que passasse por ali, indicaria que ela era a escolhida. Acabou dando certo, mas essa é a forma correta de escolher uma esposa?
 
Explica o Talmud (Chulin 95b) que, na realidade, o que Eliezer fez não foi considerado uma forma de adivinhação, pois no sinal que ele pediu para encontrar uma esposa para Ytzchak havia algo concreto. Ele não se apoiou em magia ou em sinais aleatórios, tais como "a mulher que estiver usando um vestido florido". Ele estava procurando, através do sinal escolhido com muita sabedoria, uma mulher com características que ele considerava fundamentais para que fosse uma boa esposa. Tendo vivido tantos anos na casa de Avraham, Eliezer valorizava muito os atos de Chessed. Então ele fez a seguinte condição: se a moça para quem ele pedisse um pouco de água também oferecesse água aos seus camelos, esta seria a esposa escolhida.
 
Porém, isto desperta um grande questionamento. É verdade que uma esposa que faz Chessed é muito importante para construir um casamento verdadeiro e sólido. Porém, somente isso era necessário verificar? A esposa não precisava ter outras caraterísticas, como pureza de coração, Emuná, temor a D'us e outros bons traços de caráter? Por que Eliezer não checou esses pontos também?
 
De acordo com o Rav Meir Rubman zt"l (Lituânia - Israel, 1967), a resposta deste questionamento está em um ensinamento dos nossos sábios: "Rabi Yochanan ben Zakai disse para seus alunos: 'Saiam e vejam qual é o caminho reto que a pessoa deve se conectar'. Rabi Eliezer disse: um bom olho; Rabi Yehoshua disse: um bom amigo; Rabi Yossi disse: um bom vizinho; Rabi Shimon disse: prever os acontecimentos futuros. Rabi Elazar disse: um bom coração. Rabi Yochanan ben Zakai disse a eles: 'Eu prefiro as palavras de Elazar ben Arach, pois nas palavras dele as palavras de vocês estão incluídas'" (Pirkei Avót 2:9). Mas o que significa que todas as boas qualidades mencionadas pelos outros alunos estavam contidas na característica de ter um bom coração?
 
Explica o Rav Ovadia MiBarternura zt"l (Itália, 1445 - Israel, 1515) que o coração é o gerador de todas as outras forças e é a fonte da qual emanam todas as ações. Mesmo que haja membros específicos para cada tipo de ação, o lugar da força que estimula todas as ações está no coração. Portanto, ao observar se Rivka tinha um bom coração, automaticamente as outras características também estavam sendo checadas.
 
Mas de que maneira o bom coração inclui todas as outras características descritas pelos alunos do Rabi Yochanan ben Zakai? De acordo com o Rav Yehuda Loew zt"l (Polônia, 1525 - República Checa, 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, quando o coração de uma pessoa está tranquilo e feliz, então ela olha de forma positiva para todas as pessoas e situações. Desta maneira ela terá sempre bons amigos e se dará bem com seus vizinhos. Além disso, ela terá tranquilidade suficiente para refletir e prever com sabedoria os acontecimentos futuros.
 
Mas como verificamos se a pessoas tem um bom coração? Somente verificando se a pessoa fez um bom ato não é suficiente para saber se ela tem um bom coração, pois muitas vezes a pessoa só faz uma bondade porque os outros estão olhando, isto é, ela faz pela sua honra, não pelo bem do próximo. Outras vezes a pessoa ajuda um pobre pois a pobreza do outro incomoda, isto é, o bom ato é pelo seu próprio bem estar, não pela bondade verdadeira. Então como saber se o ato de bondade veio realmente de um coração bondoso?
 
Eliezer demonstrou sua enorme sabedoria quando definiu o sinal para identificar a esposa adequada para Ytzchak. Um camelo bebe dezenas de vezes mais água do que um ser humano, justamente por sua capacidade de armazenar muita água e vencer enormes travessias no deserto. Dar de beber a um camelo envolvia um enorme esforço, já que a água precisava ser retirada manualmente de um poço, e muitas vezes a pessoa precisava subir e descer escadarias para conseguir tirar a água. E se dar de beber a um camelo já era algo trabalhoso, imagine o trabalho envolvido em dar de beber a dez camelos! Além disso, Eliezer e os homens que estavam com ele eram pessoa saudáveis e estavam ao lado do poço. Facilmente poderiam ter pegado pessoalmente a água, e não havia nenhum motivo para sentir misericórdia deles, como sentiríamos se fossem pessoas fisicamente incapacitadas, como idosos ou deficientes. E, apesar de serem pessoas saudáveis e fortes, tiveram o descaramento de pedir para uma pequena garotinha algo que envolvia um tremendo esforço físico. Enquanto Rivka subia e descia dezenas de vezes com o pote cheio de água, Eliezer ficou assistindo e não mexeu nem mesmo um dedo para ajudá-la.
 
Como nós reagiríamos a esta situação? Certamente pensaríamos: "Mas que homem folgado! Não vou ajudar este homem acomodado! Ele tem força suficiente para pegar água sozinho, está apenas querendo se aproveitar da minha boa vontade!". Mas não foi assim que Rivka reagiu. Imediatamente ela começou a ser esforçar para servir água a Eliezer e aos seus camelos. E Eliezer percebeu que ela fazia isso com um sorriso no rosto. Era certamente um sinal de que ela tinha um bom coração.
 
Também vemos outros detalhes que fazem a bondade de Rivka ser ainda mais especial e única. Ele fez tudo correndo, com agilidade, para deixá-los esperando o mínimo tempo possível. Isso tudo enquanto aquele grupo de homens saudáveis apenas assistia, sem ajudar nada. E ela fazia com alegria, como se estivesse servindo a um grupo de pessoas debilitadas. Esse era definitivamente um sinal de um bom coração, pois aquele que tem um bom coração tem vontade de ajudar o próximo e se alegra com cada oportunidade de fazer o bem. Isso demonstrava que os motivos de Rivka fazer bondade eram realmente puros, sem nenhuma outra intenção.
 
O Sefer Bereshit é repleto de histórias. São os acontecimentos da vida dos nossos patriarcas e matriarcas que D'us quis registrar justamente para nos ensinar e inspirar. Que possamos aprender de Rivka a buscar a pureza e a alegria nos atos de bondade, nos esforçando para atingir a qualidade mais importante: um bom coração.
                       

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 21 de outubro de 2021

INDEPENDÊNCIA OU MORTE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIERÁ 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ VAIERÁ
ASSUNTOS DA PARASHÁ VAIERÁ
  • D'us visita Avraham após o Brit-Milá, aos 99 anos.
  • Os 3 Beduínos visitantes.
  • Promessa de um filho para Sara.
  • Anjos vão para Sdom.
  • Destruição de Sdom.
  • Nascimento de Amon e Moav.
  • Sequestro de Sara porAvimelech.
  • Nascimento de Itzchak.
  • 9º teste de Avraham: Expulsão de Hagar e Ishmael.
  • O Tratado de Beer Sheva.
  • 10º teste de Avraham: Akeidat Ytzchak.
  • Nascimento de Rivka.
BS"D

INDEPENDÊNCIA OU MORTE - PARASHÁ VAIERÁ 5782 (22 de outubro de 2021)

 
"Em um dia frio dia de inverno, dois mendigos estavam sentados em um banco, tremendo de frio, quando passou um senhor alto, vestindo um fino casaco de lã, luvas e cachecol. Era um homem muito rico que, com pena daqueles dois mendigos tremendo de frio, decidiu dar-lhes 100 rublos, uma quantia alta, para que comprassem casacos. Os dois agradeceram e rapidamente entraram em uma loja de roupas, onde pediram dois casacos. Porém, para a imensa decepção deles, cada casaco custava exatamente 100 rublos, o que significava que poderiam comprar apenas um casaco. Um deles logo disse: "Eu que mereço o casaco, já que você fica em casa o tempo todo, enquanto eu preciso sair na rua para trabalhar!". Mas o outro logo retrucou: "Ao contrário, você é saudável e forte, enquanto eu sou fraco e doente. Eu que mereço mais o casaco!".
 
Subindo o tom de voz e cada vez mais irritados, eles continuaram brigando, até que o homem que lhes havia doado o dinheiro escutou a gritaria, entrou na loja e perguntou o motivo de tamanho escândalo. Mas antes dos mendigos começarem a explicar o motivo da discussão, o vendedor sabiamente adiantou-se e explicou:
 
- O que acontece é que eles têm dinheiro suficiente para comprar um único casaco. Porém, o primeiro homem quer cedê-lo ao seu companheiro, argumentando que ele necessita mais, pois se expõe ao sair no frio para trabalhar. Já seu companheiro argumenta que o primeiro merece mais, por estar doente.
 
Ao escutar aquelas palavras, o homem ficou emocionado e imediatamente entregou ao vendedor outros 100 rublos, para que os dois homens pudessem comprar um casaco. Ainda de boca aberta, os mendigos perguntaram ao vendedor porque ele havia mudado os argumentos da discussão, e ele lhes respondeu:
 
- Se cada um tivesse argumentado ao doador o motivo pelo qual o outro não merece o casaco, o convenceriam de que os dois não mereciam o casaco. Porém, ao argumentar um a favor do outro, o doador se convenceu de que os dois tem razão e merecem um casaco."
 
Que possamos também sempre nos preocupar com as necessidades dos outros. Desta maneira, D'us se preocupará com as nossas necessidades.

Nesta semana lemos a Parashá Vaierá (literalmente "E apareceu"), que continua descrevendo os testes de Avraham Avinu. A Torá também ressalta o incrível nível espiritual atingido por Avraham, em especial na área de amor e preocupação com o próximo. Talvez uma das maiores demonstrações de amor ao próximo foi a "discussão" de Avraham com D'us para tentar salvar a cidade de Sdom da destruição. Mas por que D'us destruiu a cidade de Sdom? O que eles fizeram de tão grave?
 
A cidade de Sdom ficou gravada na história por sua incomparável reputação de ser habitada por pessoas totalmente más e cruéis. A maldade em Sdom havia chegado a um nível insuportável, a ponto de D'us decretar sua destruição. Não apenas eles faziam o mal, mas haviam leis proibindo as bondades, e aqueles que ousassem desrespeitar as leis eram castigados com os piores requintes de crueldade.
 
Mas como entender este comportamento dos habitantes de Sdom? Parece muito superficial dizer que os habitantes de Sdom eram simplesmente pessoas sádicas, que sentiam prazer em fazer mal aos outros. Sabemos que há pessoas com desvios psicológicos, como os psicopatas, que podem fazer maldades com uma assustadora frieza. Porém, como explicar uma cidade inteira se comportando desta maneira? Será que Sdom era uma cidade inteira de psicopatas, que não tinham sentimentos e não se importavam com a dor causada aos outros?
 
Explica o Rav Yitzchak Berkovits que, na realidade, este comportamento era o resultado de uma ideologia, que os motivou a agirem da maneira que agiram. A fim de promover suas crenças, eles instituíram todo um código de leis para impor a adesão ao seu modo de vida cruel. Mas qual era essa ideologia, que pregava a maldade, a tortura e os piores níveis de crueldade e falta de compaixão?
 
O povo de Sdom acreditava que fazer Chessed com outras pessoas constituía um ato de crueldade. Mas como fazer bondades pode ser visto como algo negativo? Eles acreditavam que, ao fornecer à outra pessoa o que ela precisava sem que ela se esforçasse e merecesse, esta seria uma maneira de acostumá-la a depender dos outros para conseguir seu sustento. E uma vez que ela se acostumasse a depender dos outros, nunca mais seria capaz de se tornar um membro independente e produtivo da sociedade. Para evitar esse estrago, eles instituíram todo um conjunto de leis e punições para impedir que o Chessed destruísse a sociedade.

Além disso, as punições não eram formas arbitrárias de causar sofrimento a quem ajudasse os outros. Eles utilizaram um senso de punição "medida por medida" pelos danos que entendiam que o doador "infligia" à "vítima" de seu Chessed. Por exemplo, o Talmud (Sanhedrin 109b) nos diz que quando uma mulher deu comida a um pobre, eles a puniram cobrindo-a com mel, para que as abelhas a picassem até a morte. Eles estavam transmitindo a mensagem de que, ao fazer Chessed, aquela mulher não estava ajudando o pobre, ao contrário, na verdade o estava destruindo, tornando-o fraco e dependente dos outros. Medida por medida, eles a puniram fazendo "Chessed" com as abelhas, colocando mel nela, sendo que o resultado desta "bondade" foi a destruição da mulher.
 
O Talmud também traz outra punição aplicada a quem fizesse Chessed. Qualquer pessoa que convidasse um estranho para comer em um casamento seria punida ficando nua em público. Qual é a conexão entre o "crime" e a punição neste caso? O povo de Sdom sentia que fazer Chessed a alguém significava tirar a dignidade da pessoa, tornando-a um "tomador". Medida por medida, eles tiravam a dignidade da pessoa removendo publicamente suas roupas.
 
D'us também puniu Sdom medida por medida por sua atitude cruel em relação ao Chessed. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que, no início, uma chuva suave caiu sobre Sdom, e só depois ela se transformou em uma chuva de enxofre e fogo. A explicação mais simples é que D'us estava dando a eles uma última chance de se arrepender. No entanto, em um nível mais profundo, eles foram punidos por um ato de bondade que se transformou em um ato de destruição. Isso estava exatamente de acordo com o raciocínio distorcido de Sdom utilizado para punir os outros, o equívoco de que Chessed é algo destrutivo. Medida por medida, eles foram apagados do mundo por algo que começou como Chessed e terminou como destruição.
 
Os habitantes de Sdom eram tão cruéis que parece difícil extrair qualquer lição para nossa vida. É óbvio que suas leis eram extremamente cruéis e sua atitude estava completamente errada. No entanto, um aspecto de sua ideologia encontrou apoio no mundo nas últimas décadas: o conceito de que ajudar as pessoas é prejudicial porque as impede de se tornarem independentes. Esta atitude surgiu após pessoas sem emprego começarem a receber um apoio financeiro significativo dos governos. Como resultado, muitas dessas pessoas perderam o incentivo para procurar trabalho, e escolheram permanecer dependentes de outras pessoas.
 
E como a Torá vê esse aspecto da ideologia de Sdom? As leis e a filosofia judaica também enfatizam os benefícios da independência. Estas são as palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech: "Quem odeia presentes viverá" (Mishlei 15:27). Isso significa que a maneira ideal de viver é não depender de presentes ou da caridade das outras pessoas. Nesse sentido, o Talmud (Pessachim 113a) diz que uma pessoa que não tem dinheiro suficiente para "caprichar" mais seu Shabat, mesmo assim deve fazer um Shabat mais simples e evitar pedir dinheiro a outras pessoas. Daqui aprendemos que, apesar da grande importância dada ao ato de honrar o Shabat com comidas gostosas, é melhor a pessoa tratar seu Shabat como um dia normal da semana do que depender dos outros. Então será que a Torá concorda que o Chessed enfraquece as pessoas?
 
A resposta é que estas fontes da Torá se concentram em como cada indivíduo deve lidar com sua própria situação pessoal. Ele deve fazer o máximo para ser autossuficiente e não depender dos outros para seu sustento. No entanto, essa atitude se limita à maneira como a pessoa vê a si mesma. A maneira como ela deve ver os outros é muito diferente. Quando se trata das necessidades de seus semelhantes, ela deve deixar de lado todo o julgamento dos motivos pelos quais eles estão em uma situação de necessidade e, ao invés disso, deve se concentrar em como pode ajudá-los.
 
Apesar dessa ênfase em ajudar as pessoas que não podem ajudar a si mesmas, é muito importante notar que, uma vez que a independência é um valor importante, a melhor maneira de ajudar uma pessoa, quando possível, é dando a ela a capacidade de se tornar independente, para que, a longo prazo, ela não dependa dos outros. Na verdade, o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) escreve que proporcionar a alguém a possibilidade de encontrar trabalho para que seja independente é a forma mais elevada de Tzedaká. No entanto, existem muitas situações tristes, de pessoas que são incapazes de se sustentar. Em tais casos, devemos fazer o possível para ajudá-las. O erro cometido pelo povo de Sdom foi esperar que todos pudessem ser bem-sucedidos caso se esforçassem. Isso não é verdade, já que muitas pessoas estão dispostas a tentar se tornar independentes, mas algumas circunstâncias tornam isso impossível. Portanto, devemos ter mais empatia. Que sejamos rigorosos em relação a nós mesmos, mas sempre muito lenientes e compreensivos com os outros.
 

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R' Efraim Birbojm

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