sexta-feira, 26 de julho de 2019

GUERRA E PAZ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT PINCHÁS 5779

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GUERRA E PAZ - PARASHAT PINCHÁS 5779 (26 de julho de 2019)


"Certo dia, em um reinado distante, morreu o chefe dos guardiões do rei. Por isso, foi necessário encontrar um substituto. Então o rei decidiu convocar os homens valentes do reinado para uma competição. Quando todos os pretendentes ao cargo estavam reunidos dentro do salão do palácio, o rei anunciou:


- Assumirá o posto aquele que conseguir resolver primeiro o problema que eu vou apresentar.


Então o rei colocou, sobre uma mesinha magnífica que estava no centro do salão, um vaso de porcelana muito raro com uma rosa amarela de extraordinária beleza. E, olhando para os homens valentes, apenas disse: "Aqui está o problema!"


Os homens se entreolharam, confusos. O que deveriam fazer? Sobre a mesa estava aquele vaso belíssimo, de valor inestimável, com a maravilhosa flor ao centro. Qual era o problema que deveriam resolver? De repente, um dos participantes sacou sua espada, dirigiu-se ao centro do salão e... ZAPT!, destruiu tudo com um único golpe certeiro, para o assombro de todos. Assim que o homem retornou ao seu lugar, o rei anunciou:


- Parabéns. Você foi o escolhido para ser o novo chefe dos guardiões do palácio.


Diante do olhar confuso de todos os presentes, o rei explicou:


- Esta é a mais importante característica para ser o chefe dos guardiões do rei: saber manter a paz, eliminando todos os problemas que surgirem. Não importa que o problema seja algo belo. Um problema é um problema e deve ser eliminado."


Às vezes, para alcançar a paz, é necessário agir. Certos problemas exigem atitudes para serem resolvidos. A grande sabedoria é saber discernir entre o momento de ficar tranquilo e o momento de agir.

A Parashat desta semana, Pinchás, dá continuidade a uma história que começou no final da Parashat passada, Balak. Muitos homens judeus haviam sido atraídos para uma armadilha espiritual e, seduzidos por mulheres do povo de Midian, agiram promiscuamente com elas. Estas mulheres também influenciaram muitos judeus a fazerem idolatria. Um homem importante do povo judeu, Zimri, líder da tribo de Shimon, quis declarar publicamente seu apoio ao envolvimento com as mulheres de Midian. Ele descaradamente cometeu atos indecentes à vista de Moshé e do povo judeu. D'us enviou uma praga e 24.000 judeus morreram. Pinchás era um "Kanai", isto é, alguém com um zelo incrível pela honra de D'us. Por este traço de caráter, Pinchás não podia suportar atos de "Chilul Hashem" (quando o nome de D'us é publicamente manchado). Inconformado com a audácia de Zimri, prontamente matou-o, juntamente com a mulher com a qual ele havia cometido a transgressão, Kozbi, uma princesa de Midian. Depois do ato de zelo pela honra de D'us feito por Pinchás, a praga cessou. D'us então disse a Moshé: "Pinchás, o filho de Elazar, o filho de Aharon, o Cohen, interrompeu a Minha fúria que queimava sobre a nação judaica, quando ele zelosamente vingou Minha vingança entre eles. É por isso que eu não destruí o povo judeu em Minha vingança. Portanto, diga a ele (Pinchás): Eis que Eu lhe dou o Meu pacto de paz" (Bamidbar 25:10-12). O que significa este "pacto de paz"?

 

Quando D'us escolheu Aharon e seus quatro filhos para serem os Cohanim (sacerdotes), responsáveis pelos serviços espirituais do povo judeu, isto se estendeu aos seus futuros descendentes. Porém, no momento da nomeação de Aharon e seus filhos, todos os descendentes que já haviam nascido não tiveram o mérito de serem Cohanim. Este era o caso de Pinchás. Porém, por seu ato de "Kanaut", D'us o recompensou com o "pacto de paz", isto é, ele e seus descendentes foram incluídos entre os Cohanim. Porém, isto desperta uma grande pergunta: o ato de Pinchás foi algo violento, muito diferente da característica principal do seu avô, Aharon HaCohen, conhecido por ser alguém que "amava a paz e perseguia a paz". Os Cohanim herdaram de Aharon esta característica e, por isso, são os representantes da paz no mundo. Fazia sentido Pinchás receber o mérito de se tornar um Cohen, um representante da paz, justamente por causa de um ato de violência?

 

Isto também é contraditório com um importante conceito espiritual. D'us administra Suas recompensas e punições através de um sistema chamado "Midá Kenegued Midá" (medida por medida). As punições ou recompensas normalmente são semelhantes às transgressões ou boas ações cometidas. Porém, aparentemente a regra não se cumpriu neste caso, pois o zelo de Pinchás, colocado em prática através de um ato de violência, foi recompensado com um pacto de paz. Onde está a "medida por medida" neste caso?
 

Atualmente estamos na época dos pacifistas. Em seus discursos, eles costumam mencionar lemas como "A guerra é um crime contra a humanidade" e "Não existe guerra justificada". No dicionário, a definição de pacifismo é "oposição ao uso da força sob quaisquer circunstâncias; recusa, por razões de consciência, em participar de guerra ou ação militar". Portanto, a visão dos pacifistas é que não há nenhuma justificativa válida para se envolver em uma guerra. Será que esta é a visão judaica? O que a paz realmente significa?


Aprendemos da nossa Parashat que as guerras são, às vezes, necessárias para alcançar a paz. Ao contrário do que prega o pacifismo atual, a Torá afirma que existem guerras que são justificadas, conforme nos ensina Shlomo HaMelech: "Há um tempo para amar e um tempo para odiar. Há um tempo para a guerra e um tempo para a paz" (Kohelet 3:8). Quando D'us anunciou a Pinchás a recompensa pelo seu ato de bravura, Ele estava comunicando que seu ato de violência havia sido, na realidade, um ato de paz.

 

Mas como um ato de violência pode ser considerado um ato de paz? Paz não significa uma situação passiva, uma falta de guerra. A paz é um estado no qual existe uma proximidade, um relacionamento, uma maneira de lidar uns com os outros. "Eu não te incomodo se você não me incomodar" não representa uma paz verdadeira. Paz é quando conseguimos conviver e trabalhar juntos, quando há união e companheirismo, quando fazemos parte de um todo. Em hebraico, paz é "Shalom", a mesma raiz de "Shalem", que significa "completo". A paz é uma relação de cooperação, em que ambas as partes se preocupam umas com as outras, ajudam-se mutuamente e, por fim, aperfeiçoam-se através deste relacionamento. Duas pessoas que se odeiam e nunca se falam, mas nunca brigam, não podem ser consideradas em paz uma com a outra. O "Shalom Bait" (harmonia conjugal) não significa a simples ausência de gritos e berros na casa. É um estado no qual os cônjuges genuinamente compartilham suas conquistas, fortalecem-se mutuamente, se amam e cuidam um do outro.


Por isso, o que nós normalmente chamamos de "paz" muitas vezes é apenas uma enganação. Por exemplo, é um equívoco referir-se ao acordo de Camp David, assinado em 1979 entre Israel e o Egito, como um "Tratado de paz". No máximo, foi um cessar-fogo. A retórica de ódio e desprezo do Egito por Israel e o antissemitismo na imprensa egípcia nunca cessou. O presidente egípcio, Hosni Mubarak, nunca visitou Israel, exceto para comparecer ao funeral de Yitzchak Rabin. Isto não se chama paz.


Como a paz é uma força ativa, e não uma ausência passiva de guerras, qualquer coisa que perturbe e destrua esse estado de paz verdadeira deve ser removida para que a paz volte. É por isso que Pinchás, através de seu ato de zelo, apesar de ter sido violento, realmente trouxe de volta a paz. Pinchás interrompeu a praga que atingia o povo judeu e, através de um ato de guerra, trouxe de volta a paz entre D'us e o povo judeu.


Devemos tentar sempre alcançar a paz. Porém, muitas vezes é necessário criar a paz através do que parece ser um ato de violência. É preciso remover as coisas que perturbam a harmonia e que criam tensões entre os povos para que a paz exista. E nem sempre é possível remover as coisas que bloqueiam a paz por meios não violentos. Alguém pensa seriamente que os nazistas poderiam ter sido tratados de forma não violenta? Osama bin Laden poderia ter sido tratado sem violência? Terroristas podem ser convencidos a não matar inocentes através de conversas amigáveis? Certamente que não. Somente quando a violência, como opção, for completamente erradicada, a paz poderá ser alcançada.


Se todas as pessoas no mundo estivessem comprometidas em alcançar uma paz real, que envolvesse uma relação de cooperação mútua, talvez o pacifismo pudesse ser um movimento viável. Como este não é o caso, muitas vezes devemos destruir, se necessário com violência, as coisas que criam tensões entre os povos para que a paz exista.

 

Precisamos apenas tomar cuidado com as nossas guerras. Muitas vezes somos levados à guerra por causa dos nossos próprios desejos, e não pela busca verdadeira da paz. Por exemplo, Korach iniciou uma guerra contra Moshé. Em sua cabeça certamente haviam muitas razões para justificar seu comportamento. Porém, sabemos que a história terminou de maneira trágica. O que faltou para Korach foi o aconselhamento, saber que suas atitudes eram uma busca de honra, não uma busca sincera pela paz.

 

Devemos sempre buscar a paz através do entendimento. Mas também devemos estar prontos para a guerra quando isto for necessário. Estar sentado tranquilamente enquanto injustiças acontecem não é paz, é comodismo. Nestes casos, são as guerras que geralmente trazem a paz definitiva, não os discursos pacifistas.
 

SHABAT SHALOM


R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 18 de julho de 2019

QUANDO OS DESEJOS ESTÃO NO COMANDO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BALAK 5779

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QUANDO OS DESEJOS ESTÃO NO COMANDO - PARASHAT BALAK 5779 (19 de julho de 2019)

 
"Um escorpião, não sabendo nadar, pediu a uma tartaruga que o carregasse em suas costas através de um rio.

- Você está louco? - exclamou a tartaruga - Você vai me picar enquanto eu estiver nadando e eu vou me afogar. Por que eu te ajudaria?

- Minha querida tartaruga - riu o escorpião - Não seja tola. Se eu a picasse, você se afogaria e eu me afogaria junto com você. Onde está a lógica nisso?

- Você está certo! - Exclamou a tartaruga - Ok, suba aí nas minhas costas e eu te levo!

O escorpião subiu nas costas da tartaruga e começaram a travessia. Porém, quando ainda estavam na metade do rio, o escorpião deu uma forte picada na tartaruga. Já sentindo os efeitos do veneno e sabendo que em breve morreria, a tartaruga questionou, sem entender a atitude do escorpião:

- Me explique, seu louco! Você mesmo disse que não havia lógica em me picar. Então por que você fez isso?

- Não tem nada a ver com lógica - disse o escorpião, já quase se afogando - É apenas o meu caráter."
 
Na vida, muitas vezes acabamos também tomando atitudes que são completamente ilógicas e autodestrutivas. A única explicação para isto é que deixamos com que os desejos, já tão enraizados dentro de nós, tomem a direção das nossas vidas.

A Parashat desta semana, Balak, conta a história de Bilaam, um profeta das nações do mundo com um enorme potencial espiritual que, infelizmente, canalizou suas energias para saciar seus desejos por honra e prazeres materiais. Se prestarmos atenção nos detalhes da história trazida na Parashat, perceberemos que muitas decisões de Bilaam são completamente ilógicas e, algumas vezes, até mesmo irônicas. O que D'us está nos transmitindo ao escrever na Torá a vida e as escolhas de Bilaam?
 
A Parashat começa com a tentativa de Balak, o rei do povo de Moav, de contratar os serviços de seus arqui-inimigos, o povo de Midian, para travar uma guerra contra o povo judeu, que estava a caminho da Terra de Israel. Mas por que Moav queria lutar contra os judeus? Afinal, o povo judeu queria apenas entrar na Terra de Israel, não estava procurando conquistar outros territórios. Se Balak estava apenas com medo do povo judeu, conforme a Torá sugere, então ele deveria ter ficado quietinho, no seu canto, sem querer chamar a atenção do poderoso povo judeu enquanto eles circulavam pela região. Ou talvez eles deveriam ter procurado o bem do povo judeu, oferecendo a alguns influenciadores do povo propriedades à beira-mar em Moav. Seria a aplicação do famoso "se você não pode vencê-los, junte-se a eles". Porém, o que Balak escolheu fazer? De forma ilógica, ele escolheu lutar contra o poderoso povo judeu. Mas ele era inteligente o suficiente para perceber que a verdadeira força do povo judeu não estava no poder das suas armas de guerra, e sim no poder das palavras. Ele entendeu que a grandeza de Moshé estava em sua boca, que ele utilizava para rezar e explicar a Torá ao seu povo. Então Balak contratou o profeta Bilaam para amaldiçoar o povo judeu, tentando alcançar a vitória utilizando a própria arma do inimigo: a boca.
 
Entretanto, Bilaam não era um Tzadik, como poderia ter sido por causa do seu elevado potencial espiritual. Ele era um homem arrogante e dominado pelos desejos. Por isso, Balak enviou emissários com promessas de honra e grandes riquezas caso ele aceitasse amaldiçoar o povo judeu. Provavelmente os emissários de Balak puderam ver Bilaam babando sobre o dinheiro que ofereceram, como uma criança faria diante de uma barra de chocolate. Então Bilaam quis se engrandecer aos olhos dos emissários de Balak e anunciou: "Esperem aqui, pois eu posso fazer apenas o que D'us me permitir. Deixem-me falar com Ele". Bilaam tinha certeza de que D'us aprovaria sua missão, mas D'us jogou um balde de água fria sobre ele ao dizer: "Não vá com eles". Bilaam mandou os emissários de Balak embora, dizendo que infelizmente não poderia ajudá-los, pois D'us havia dito "não". Que incrível, parecia que Bilaam havia escutado D'us. Balak, ao escutar sobre a recusa de Bilaam, enviou para ele pessoas mais distintas e importantes, para lhe oferecer mais honra e mais dinheiro. Mas ainda assim Bilaam queria mostrar a todos como era uma pessoa grandiosa. Ele declarou aos novos emissários de Balak que nem mesmo por todo o ouro e prata poderia transgredir a vontade de D'us. Porém, apesar de ter escutado a resposta clara e direta de D'us, Bilaam pediu para verificar novamente com Ele a possibilidade de amaldiçoar os judeus. Talvez na cabeça de Bilaam havia a possibilidade de D'us ter mudado de ideia durante a noite. Bilaam achava que a recusa de D'us estava associada à falta de honra do povo de Moav em relação a ele, por terem enviado, da primeira vez, emissários pouco importantes. Bilaam então fez o que a maioria das crianças pequenas fazem instintivamente quando realmente querem algo que lhes disseram que elas não podem ter. Elas tentam de novo e de novo, até "vencerem pelo cansaço". Bilaam seguiu a mesma estratégia e insistiu. D'us então deixou Bilaam ir, mas o proibiu de dizer qualquer coisa que Ele não ordenasse.
 
Bilaam levantou-se cedo para selar sua jumenta, preparando-a para a viagem. Mas por que uma jumenta? Bilaam não deveria ir montado em um animal mais honroso, que lhe desse mais status? Além disso, enquanto ele viajava, a Torá nos descreve que a jumenta viu um anjo de D'us na estrada com uma espada na mão e se desviou do caminho. Bilaam, que não estava vendo o anjo, bateu nela com seu cajado. A viagem continuou, mas logo depois a jumenta novamente se desviou por causa do anjo, raspando a perna de Bilaam na parede, e apanhou de novo. Finalmente, o anjo apareceu em um lugar tão estreito que não havia como a jumenta desviar, obrigando-a a parar. Isto deixou Bilaam irado, a ponto de querer matar seu animal. Era uma enorme vergonha e humilhação diante de toda a comitiva de Balak, pessoas importantes. Um milagre aconteceu e a jumenta começa a falar, declarando em um tom irritado: "Esta é a forma de você me pagar por todos os anos de serviço, nos quais eu te servi com tanta constância e fidelidade?".
 
O que nós faríamos se uma jumenta começasse a falar conosco? Tentaríamos derrotá-la em uma argumentação racional ou perceberíamos que D'us está fazendo um enorme milagre para transmitir uma mensagem sobre nossas escolhas equivocadas? Bilaam escolheu, de forma ilógica, argumentar com a jumenta, como se falar com animais fosse algo frequente em sua vida. Esta foi uma incrível demonstração do quanto Bilaam estava perdido espiritualmente, a ponto de estar conversando com uma jumenta falante e, ao mesmo tempo, ignorando completamente o milagre que se desenrolava diante dos seus olhos.
 
Finalmente, quando Bilaam chegou a Moav, Balak preparou altares com sacrifícios para D'us, com vista para o acampamento do povo judeu. Então chegou o grande momento que Balak e o povo de Moav tanto esperavam: Bilaam se preparou para lançar uma maldição sobre os judeus. Porém, ao invés disso, ele acabou abençoando o povo judeu. Ele voltou-se para Balak e disse: "Veja, eu lhe avisei. Eu só posso fazer o que D'us quer que eu faça". Inacreditavelmente, Balak e Bilaam tentaram ainda mais duas vezes amaldiçoar os judeus. E cada vez que Bilaam tentava amaldiçoar, ele acabava dando uma Brachá mais detalhada e abrangente ao povo judeu. Realmente aquele não foi um bom dia para Bilaam. Foi um dia para ser esquecido.
 
Explica o Rav Simcha Barnett que D'us muitas vezes demonstra seu incrível "senso de humor". Porém, certamente Ele não escreveu o episódio de Bilaam na Torá apenas para nos entreter. Um dos ensinamentos mais profundos que podemos absorver de toda esta história é que todos nós temos um pouco de um Bilaam furioso dentro de nós, ameaçando nos levar a fazer investimentos contraproducentes na vida que, no final das contas, serão infrutíferos e, em última instância, autodestrutivos. Bilaam era obstinado, enxergava apenas o que queria. Nenhuma tentativa de direcioná-lo, que poderia vir de D'us, das pessoas ou do seu próprio intelecto, poderia dissuadi-lo de perseguir seus desejos. Isso é simbolicamente indicado através da jumenta que falava. Em hebraico, burro é chamado de "Chamor", que vem da raiz "Chomer" e significa "materialismo". Não só D'us, representando o lado espiritual, protestou contra as ações de Bilaam, mas até mesmo sua jumenta, que simboliza os desejos do seu corpo, voltou-se contra ele. Um paralelo seria uma pessoa que persegue seus vícios, como álcool ou drogas, até que seu corpo esteja fisicamente "gritando" para ela parar. Bilaam, no entanto, ignorou todos os avisos e, de forma obstinada, caminhou para a sua autodestruição.
 
Assim também nos comportamos na vida. Acabamos nos fixando em nossas próprias agendas pessoais, desejos e empreendimentos que são contrários à vontade de D'us e contra nossa própria razão, pois simplesmente não nos fazem bem. E nós os perseguimos com uma paixão e determinação que poderiam ser muito mais efetivamente aproveitadas em esforços reais e positivos. Neste processo, perdemos tempo e esforços, isto é, perdemos vida. A pior parte é que, na maioria das vezes, o nosso comportamento não traz o que estamos buscando. Como Bilaam, muitas vezes nosso comportamento obstinado causa exatamente o oposto do que desejávamos. Podemos rir das loucuras de Bilaam, mas não podemos nos esquecer do Bilaam que temos dentro de nós. Devemos aprender a controlar e canalizar os nossos desejos, para que, como Bilaam, não sejamos vítimas das nossas próprias escolhas equivocadas.

 
SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

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