sexta-feira, 10 de agosto de 2018

INSPIRANDO-SE NA BONDADE DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT REÊ 5778 

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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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Parashat Reê 5778 - R' Efraim Birbojm - Shaarei Biná Brasil

INSPIRANDO-SE NOS ATOS DE D'US - PARASHAT REÊ 5778 (10 de agosto de 2018)

Carla estava passando por uma situação financeira difícil na vida. Havia perdido o emprego e suas últimas economias estavam terminando. O pior é que sua filha precisava urgentemente de uma roupa para festas e ela não tinha dinheiro para comprar. Certo dia, passando por uma loja, ela viu um vestido lindo na vitrine. O tamanho era perfeito para sua filha, seria um sonho poder dar um vestido daqueles de presente para ela, mas quando viu o preço ela desanimou, pois não tinha condições de pagar. Mesmo assim ela entrou na loja e perguntou para a vendedora se ela daria algum desconto ou parcelaria o pagamento, mas a vendedora respondeu que infelizmente a roupa já estava com desconto e, por isso, não havia como diminuir o preço e o pagamento precisaria ser feito à vista. Carla, ainda com uma ponta de esperança, perguntou à vendedora se ela poderia ao menos reservar aquela roupa por algum tempo, até ela conseguir o dinheiro, mas a vendedora pediu desculpas e explicou que aquela era a última peça e que não poderia reservar, pois outras pessoas também tinham mostrado interesse. Carla agradeceu e, com uma enorme tristeza no coração, virou-se para ir embora.
 
Na loja havia outra senhora que estava provando roupas. Enquanto Carla conversava com a vendedora da loja, ela estava longe, mas ficou escutando toda a conversa e prestando bastante atenção. Quando elas terminaram de conversar, a senhora não pôde deixar de perceber a tristeza no olhar de Carla. Tomando coragem, ela se aproximou de Carla e, com um sorriso, disse:
 
- Por favor, desculpe me intrometer, mas posso comprar o vestido para você? Gostaria muito que você pudesse dar este presente para sua filha.
 
- Agradeço muito seu gesto - disse Carla - Mas não posso aceitar um presente destes. O vestido é caro, não quero que ninguém gaste tudo isto por minha causa. Minha filha está precisando muito de um vestido, mas se D'us quiser vou conseguir dinheiro para comprar um para ela.
 
A senhora insistiu mais uma vez, mas Carla não queria aceitar de maneira nenhuma. Então a senhora falou:
 
- Escute, vou explicar porque estou insistindo tanto. Eu já tive uma vida bem confortável, morava em um belo apartamento e vestia roupas finas. Porém, em certo momento, os ventos da vida mudaram e acabei perdendo tudo. Passei três anos morando na rua, me alimentando do que as pessoas me traziam e me vestindo com as roupas que me doavam. Se não fosse a bondade de desconhecidos, eu não teria conseguido sobreviver. Graças a D'us eu consegui me reerguer. Com a ajuda de desconhecidos eu saí da rua, consegui um emprego e refiz a minha vida. Porém, prometi a mim mesma que retribuiria a bondade que tantos desconhecidos fizeram comigo. Por favor, eu insisto, me deixe comprar este vestido para a sua filha. É uma forma de pagar por todo o bem que eu recebi.

Após escutar o comovente relato daquela senhora, Carla decidiu aceitar o presente. E a única forma que ela encontrou de pagar por aquele ato de bondade foi dando um abraço sincero de agradecimento.

 

Nesta semana lemos a Parashat Reê (literalmente "Veja"), que começa nos descrevendo os dois caminhos que temos diante de nós na vida. Um é mais trabalhoso e exige mais investimentos, mas leva a uma vida de equilíbrio e harmonia. O outro é um caminho mais fácil, de mais prazeres imediatos, mas que normalmente leva a futuras dificuldades e tristezas. O caminho mais trabalhoso é uma vida com Torá e Mitzvót, uma vida mais regrada, mas que possibilita uma construção espiritual e alcançar prazeres verdadeiros em longo prazo. O caminho mais fácil é uma vida na qual somos guiados pelas vontades e prazeres, que podem saciar em um primeiro momento, mas que normalmente levam a problemas futuros. A linguagem "Veja", ressaltada pela Torá antes de anunciar os dois caminhos, demonstra que este conceito não é algo apenas teórico. Se observarmos a sociedade onde vivemos, completamente voltada ao preenchimento imediato dos desejos, perceberemos os altos índices de divórcio, traição, roubo e desonestidade. Isto demonstra na prática que o caminho mais curto, de prazeres imediatos, somente leva a sofrimento e dor em longo prazo.
 
Outro assunto trazido na Parashat é a obrigação de ajudarmos os pobres e necessitados. A Torá ensina o quanto devemos ser generosos com todos aqueles que são destituídos e ressalta a gravidade de sermos mesquinhos e ignorarmos as necessidades dos que estão em uma situação financeira difícil. Porém, em relação a este assunto, há um versículo difícil de ser entendido: "Pois as pessoas destituídas nunca deixarão de existir na terra" (Devarim 15:11). O que significam estas palavras?

De acordo com o Rav Avraham ben Meir zt"l (Espanha, 1092 - 1167), mais conhecido como Ibn Ezra, a Torá está nos ensinando que a pobreza sempre vai estar presente no povo judeu, pois nunca vamos conseguir nos livrar completamente das transgressões, o que é comprovado pelas palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech: "Não há Tzadik (Justo) na terra que faz o bem e não comete transgressões" (Mishlei - Provérbios 7:20). Como sempre cometemos transgressões, sempre seremos castigado com a pobreza.
 
Porém, quando D'us criou o ser humano, Ele também criou o Yetser Hará (má inclinação), uma força temível com a qual temos que lutar o tempo todo. D'us já sabia que o Yetser Hará algumas vezes conseguiria nos vencer e nos levar a cometer transgressões. Se a pobreza está associada às nossas transgressões e D'us sabia que o ser humano sempre cometeria erros, isto significa que, por algum motivo, D'us quer que a pobreza exista no mundo e seja parte da nossa realidade. Mas por que D'us criou um sistema no qual não podemos nos livrar definitivamente da pobreza?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que realizar atos de Chessed (bondade) pode nos ajudar a alcançarmos dois objetivos bem diferentes. Há uma noção, universalmente aceita, de que devemos fazer atos de bondade e altruísmo, e isto pode ser encontrado em qualquer sociedade. Esta vontade de fazer o bem emana da nossa responsabilidade social, de querermos garantir que as necessidades básicas de todos os indivíduos da nossa sociedade sejam atendidas. O nosso senso de conexão com cada pessoa desperta em nós a compaixão e transforma as necessidades e angústias dos outros como se fossem nossas.
 
Porém, há outra dimensão em relação à realização dos atos de bondade, que está acima das obrigações sociais. O próprio fato de um D'us Onipotente, que não tem nenhuma deficiência ou necessidade, ter criado um mundo no qual o ser humano pode viver, nos ensina que a criação do mundo é um ato absoluto de bondade. D'us criou o mundo com o único propósito de tornar os seres humanos os beneficiários de Sua bondade ilimitada. Este é o significado do versículo "Olam Chessed Ibanê" (O mundo foi criado através da bondade) (Tehilim - Salmos 89:3). A bondade é a maneira através da qual D'us se revelou, e continua se revelando, para Suas criaturas.
 
Quando queremos nos conectar a alguém, a melhor maneira é nos assemelhando a ela. Isto é muito observado, apesar de não nos darmos conta disto, na maneira como os adultos conversam com as crianças. Um adulto que quer cativar a atenção de uma criança normalmente se agacha para ficar na mesma altura da criança e utiliza um tom de voz infantil. Fazemos isto de maneira natural, mas se trata, na realidade, do uso da imitação como forma de conexão entre duas pessoas. Isto é amplamente explorado pela "Indústria do Marketing", cuja premissa é criar uma imagem com a qual as pessoas terão vontade de se conectar e imitar. É por isso que as propagandas utilizam normalmente personalidades famosas, do mundo da televisão, do cinema ou dos esportes, para anunciar roupas, perfumes, joias ou equipamentos digitais. Quando uma pessoa passa o mesmo perfume que a famosa atriz de novelas ou usa o mesmo celular que aquele famoso jogador de futebol, ela sente que está se conectando com aquela personalidade. É como a famosa frase utilizada em uma antiga propaganda de cigarros: "pelo menos alguma coisa a gente tem em comum". Isto significa que copiar os atos de alguém automaticamente nos conecta a esta pessoa.
 
Este mesmo conceito pode ser utilizado em nossa realidade espiritual. Uma das formas de nos conectarmos a D'us é "copiando" Seu comportamento. Uma das características que melhor definem a essência de D'us é justamente a Sua bondade e misericórdia. Assim, todo momento em que estamos realizando atos de bondade, estamos nos comportando como D'us e, automaticamente, nos conectando a Ele.
 
Portanto, além da responsabilidade social que devemos desenvolver, de nos importarmos com os problemas de cada pessoa como se fossem os nossos próprios problemas, também temos que praticar constantemente atos de bondade para nos conectarmos e nos identificarmos com D'us. Justamente por este potencial de conexão espiritual que as bondades nos possibilitam foi que D'us garantiu que sempre haverá pobres dentro do povo judeu. Isto significa que D'us está nos dando a oportunidade de fazermos o bem aos necessitados.
 
Mais do que o pobre ganha quando o ajudamos, somos nós que estamos ganhando, pois estamos crescendo espiritualmente e nos tornando pessoas mais sagradas. Sem pessoas com quem pudéssemos realizar atos de bondade, nunca poderíamos expressar a Divindade que temos dentro de cada um de nós. Portanto, ao ajudar um necessitado, não espere pelo agradecimento dele. Ao contrário, se adiante e agradeça a ele, por tudo o que ele está fazendo de bom por sua alma.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

CHUVA DE BRACHÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT EKEV 5778

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CHUVA DE BRACHÁ - PARASHAT EKEV 5778 (03 de agosto de 2018)

Há cerca de 2.000 anos, durante um dos Chaguim, o povo judeu estava cumprindo a Mitzvá de fazer a peregrinação ao Beit Hamikdash (Templo Sagrado). Conforme D'us havia comandado, o povo judeu inteiro estava subido em direção a Jerusalém. Porém, como era um ano de terrível estiagem, no qual não havia caído uma única gota de chuva, não havia água disponível para o povo beber. Preocupado com esta situação, um homem muito generoso e misericordioso, chamado Nakdimon ben Gurion, que também era extremamente rico, se aproximou de um senhor romano e lhe pediu emprestado seus doze poços de água, para poder dar de beber ao povo judeu. Nakdimon garantiu que devolveria o mesmo volume de água dentro de um certo período e, caso não o fizesse, pagaria pela água com doze talentos de prata, um valor absurdamente alto. O romano aceitou, certo de que aquela "bondade" se transformaria em um excelente negócio, já que acreditava que Nakdimon não conseguiria devolver a água dentro do prazo combinado.

E assim realmente aconteceu. Quando chegou a data combinada, nenhuma gota de chuva havia caído. O romano enviou uma mensagem para Nakdimon logo de manhã: "O seu prazo terminou. Devolva a minha água ou pague o que você me deve". Nakdimon não se abalou e mandou uma resposta: "Não se apresse, meu senhor. Ainda tenho o dia todo para devolver a sua água". Por volta do meio-dia, o romano enviou novamente a Nakdimon uma mensagem: "O seu prazo terminou. Devolva a minha água ou pague o que você me deve". Nakdimon novamente não se abalou e respondeu: "Eu ainda tenho tempo, o dia ainda não terminou". No fim da tarde, o romano foi pessoalmente cobrar a devolução da água ou o pagamento em dinheiro. Quando Nakdimon novamente respondeu que ainda tinha tempo, o romano riu com sarcasmo e disse:

- Não seja tolo. Se não choveu durante o ano todo, por que choveria agora?

O romano então se dirigiu para uma casa de banho, em completa felicidade, para aguardar tranquilamente o fim do dia, quando ele ficaria rico. Enquanto isso, Nakdimon entrou no Templo. Ele estava apreensivo, faltava pouco tempo para o prazo terminar. Ele então se cobriu com seu Talit, levantou os olhos para o céu e disse:
 
- Mestre do Universo! É revelado e sabido diante de Você que eu não fiz isso pela minha honra nem pela honra da casa de meu pai. Foi por Sua honra que eu fiz isso, para que a água estivesse disponível para o Seu povo".
 
Imediatamente um milagre aconteceu. O céu ficou coberto com nuvens e a chuva caiu com tanta intensidade que rapidamente os doze poços do romano ficaram cheios de água, e até mesmo sobrou. Quando o romano estava saindo da casa de banho, Nakdimon ben Gurion estava saindo do Beit Hamikdash. Os dois se encontraram e Nakdimon foi cobrar pela água extra que o romano havia recebido. Ele respondeu:
 
- Eu sei que o D'us mudou a ordem do mundo apenas por sua causa. Porém, minha reclamação contra você continua, porque a chuva caiu apenas após o sol já ter se posto e, portanto, você me deve o dinheiro!
 
Nakdimon novamente entrou no Templo, cobriu-se com seu Talit, levantou os olhos para o céu e disse:
 
- Mestre do Universo, faça as pessoas saberem que Você tem amados no mundo.
 
Imediatamente as nuvens se dissiparam e o sol surgiu. O romano teve que aceitar sua derrota diante de mais um enorme milagre, que demonstrava o amor de D'us pelo povo judeu (Talmud, Taanit 19b).

 

Nesta semana lemos a Parashat Ekev (literalmente "Se"), que traz, entre outros assuntos, o segundo parágrafo do Shemá Israel. Apesar de repetirmos o Shemá Israel algumas vezes todos os dias, muitas vezes não prestamos atenção a pequenos detalhes importantes contidos nele. Por exemplo, está escrito: "E tomem cuidado para que seus corações não sejam seduzidos, e vocês se desviem, e sirvam outros deuses e se curvem diante deles. E a fúria de D'us queimará, e Ele fechará o céu e não haverá chuva, e a terra não dará sua produção" (Devarim 11:16,17). A Torá está nos advertindo para não nos desviarmos da Torá e das Mitzvót, pois o desvio causará consequências trágicas. Mas por que o castigo seria justamente com a falta de chuvas?
 
Há ainda outro detalhe que desperta um profundo questionamento. A Torá traz diversos nomes de D'us, pois cada nome representa uma forma diferente Dele se relacionar conosco. Por exemplo, o nome de 4 letras (Iud - Hei - Vav - Hei) representa a misericórdia de D'us, enquanto o nome "Elokim" representa a Sua Justiça estrita. Quando a Torá descreve a "fúria" de D'us, esperaríamos que o nome de D'us utilizado fosse "Elokim". Porém, para a nossa surpresa, a Torá utiliza o nome de 4 letras de D'us. Por que o castigo da falta de chuvas está relacionado com a misericórdia de D'us, e não com a Sua justiça estrita?

Explica o Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746), mais conhecido como Ramchal, em seu livro "Messilat Yesharim" (Caminho dos Justos), que o mundo todo foi criado com o único propósito de servir o ser humano. Isto significa que todas as criaturas, árvores e pedras que existem no mundo seriam completamente desnecessários se não fosse pela existência do ser humano, que dá sentido para toda a criação. Segundo o Ramchal, o ser humano é o objetivo da criação de todo o universo.
 
De acordo com o Rav Elyahu Lopian zt"l (Polônia, 1876 - Israel, 1970), apesar desta afirmação do Ramchal parecer algo apenas teórico e filosófico, se abrirmos os olhos e refletirmos sobre o que ocorre à nossa volta, perceberemos que se trata de algo muito real e palpável. Por exemplo, a terra esconde muitos tesouros, como o ouro, a prata, o ferro e o petróleo. Para quem estariam destinadas estas riquezas se não fosse a existência do homem? Se o ser humano nunca tivesse existido, estes tesouros teriam permanecido para sempre escondidos embaixo da terra e toda a sua existência não faria sentido.
 
Outro ponto que chama a atenção é a incrível proporção dos elementos disponíveis no mundo. Podemos perceber que a frequência de incidência de cada elemento no mundo é diretamente proporcional a quanto este elemento é necessário ao ser humano. O elemento mais necessário é o ar que respiramos a cada instante e, por isso, este é o elemento mais abundante. Depois disso o elemento mais necessário ao ser humano é a água, que nos hidrata diariamente, e este é o segundo elemento mais encontrado. E assim por diante, quanto mais essencial é o elemento, mais ele é encontrado em abundância no mundo. Por outro lado, quanto menos essencial é certo elemento, menos ele é encontrado na natureza. Tudo isto indica que o mundo foi criado com uma incrível sabedoria e uma bondade ilimitada de D'us, para atender as necessidades do ser humano, que é o objetivo de toda a criação.
 
Porém, há um pequeno detalhe que foge desta regra encontrada em toda a natureza. Há algo que, sem nenhuma sombra de dúvidas, é de extrema necessidade para o ser humano e, mesmo assim, não está incluído dentro de um sistema fixo e constante de abastecimento: as chuvas, que trazem vida para o mundo. O mundo não poderia existir sem as chuvas e, mesmo assim, elas parecem não seguir nenhum padrão fixo e determinado. Qual é a diferença entre as chuvas, um elemento sujeito a muitas mudanças, e os outros elementos da natureza, que seguem padrões fixos? Por que há anos chuvosos seguidos de anos de estiagem? Por que às vezes as chuvas caem antes do período esperado, enquanto outras vezes elas atrasam? Por que às vezes cai apenas uma chuva leve, que mal consegue irrigar os campos, enquanto outras vezes caem temporais que alagam cidades inteiras?
 
De acordo com o Rav Lopian, justamente pelo fato de toda a existência do mundo depender das chuvas, D'us deixou este elemento sem uma ordem fixa, para que todos saibam que tudo está em Suas mãos. O ser humano vive com a arrogância de achar que pode controlar tudo. Mandamos o homem para a lua, conquistamos os picos mais altos do planeta e alcançamos as fossas mais profundas dos oceanos. Isto nos causa a ilusão de que podemos tudo, de que somos ilimitados. Então a chuva surge como um lembrete constante da nossa limitação. Mesmo se juntássemos todos os cientistas do mundo, eles não conseguiriam fazer cair nem mesmo uma única gota de chuva. Isto traz a humanidade novamente para a humildade, para o entendimento de que tudo o que temos é um presente de D'us, e não o fruto dos nossos esforços.
 
Porém, apesar de os cientistas não conseguirem fazer a chuva cair através de seus experimentos científicos, podemos fazer a chuva vir ao mundo através dos nossos bons atos. O "Shemá Israel" nos ensina que as chuvas são fixadas de acordo com o nosso comportamento. Quando cumprimos a vontade de D'us, então Ele traz ao mundo a chuva, como está escrito: "Se vocês andarem nos Meus estatutos, guardarem as Minhas Mitzvót e as cumprirem, então Eu mandarei as suas chuvas nos momentos corretos" (Vayikrá 26:3,4). Porém, quando nos desviamos dos caminhos corretos, então as chuvas não irrigam mais o mundo, como está escrito na nossa Parashá: "Ele fechará o céu e não haverá chuva".

Quando nos comportamos com humildade e retidão, D'us nos sustenta com Brachót (Bênçãos). Porém, quando nos desviamos, D'us nos manda lembretes de que precisamos voltar ao caminho correto. Os castigos de D'us não são um ato de vingança pelos nossos maus atos. D'us quer que possamos consertar os nossos erros, Ele quer que possamos fazer o bem. Da mesma forma que um pai castiga seu filho para educá-lo, para garantir que se tornará um adulto correto, assim também D'us nos castiga por amor, para nos despertar. É por isso que junto com o aviso do castigo está o Nome de misericórdia de D'us, para nos ensinar que, como um pai, Ele quer o melhor para os Seus filhos, mesmo que para isso seja necessário, de vez em quando, dar "tapas" de amor.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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