quinta-feira, 4 de maio de 2017

GARANTINDO UM BOM LUGAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5777

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GARANTINDO UM BOM LUGAR - PARASHIÓT ACHAREI MÓT E KEDOSHIM 5777 (05 de maio de 2017)

"A filha do homem mais rico daquela pequena cidade ficou noiva. Todos os moradores da cidade se alegraram muito, em especial pois sabiam que a festa de casamento seria grandiosa e inesquecível. Uma das pessoas mais ricas e importantes da cidade era Joseph, o banqueiro. O dono da festa, querendo demonstrar seu apreço por Joseph, enviou um funcionário, muito bem vestido, para convidá-lo pessoalmente. No dia da festa, Joseph chegou ao salão vestindo seu terno mais elegante. Quando o dono da festa soube da chegada de Joseph, foi pessoalmente recebê-lo na porta, dando-lhe muitas honrarias. Após agradecer imensamente a sua presença, o dono da festa levou-o para se sentar em uma mesa especial, em um lugar de honra reservado apenas para as pessoas mais importantes da cidade.
 
Mas esta não foi a sorte de Levi, um dos pobres da cidade que pedia esmolas de porta em porta. Quando ele soube da festa, se animou muito, apesar de nem mesmo ter sido pessoalmente convidado. Ele sabia que o dono da festa era um homem generoso e que mesmo os pobres eram bem-vindos em suas festas. Quando Levi chegou ao salão, vestindo suas roupas velhas e rasgadas, não foi recebido por ninguém. Não foi chamado para se sentar nem mesmo nas mesas onde ficavam os convidados mais simples. Levi ficou de pé, em um canto do salão, junto com os outros pobres da cidade, avançando sobre todos os restos de comida que os garçons levavam de volta para a cozinha".
 
Explicam os nossos sábios que esta será a diferença no Mundo Vindouro entre os que chegarem "ricos", isto é, cheios de méritos espirituais, e os que chegarem "pobres", isto é desprovidos de méritos espirituais. E devemos lembrar que enquanto a diferença entre ricos e pobres neste mundo material é por apenas alguns anos, a diferença no Mundo Vindouro será por toda a eternidade.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Acharei Mót (literalmente "Depois da morte") e Kedoshim (literalmente "Sagrados"). A Parashá Acharei Mót descreve os serviços realizados pelos Cohanim no dia mais sagrado do ano, Yom Kipur, e traz a lista de muitos tipos de relacionamentos íntimos proibidos pela Torá. Já a Parashá Kedoshim traz uma série de Mitzvót, em especial "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu semelhante), tais como ajudar os pobres, ser honesto nos negócios, não adulterar pesos e medidas e amar o próximo.
 
A Parashá Acharei Mót começa nos recordando sobre a trágica morte dos filhos de Aharon, que ocorreu justamente no dia da inauguração do Mishkan (Templo Móvel), por eles terem oferecido um incenso que D'us não havia ordenado. Quando estamos diante da morte, normalmente paramos para refletir. Será que estamos aproveitando bem a vida? Será que nossos esforços estão sendo bem aplicados? O que acontecerá conosco depois da nossa morte?
 
O judaísmo nos tranquiliza ao ensinar que a vida não termina com a morte, ao contrário, a morte é o início da nossa vida verdadeira, a vida espiritual eterna. Porém, há uma aparente contradição entre as fontes que falam sobre a nossa vida eterna. Um Tratado do Talmud (Sanhedrin 90a) afirma que "Todo judeu tem uma porção no Mundo Vindouro", nos ensinando que todos nós já temos a vida eterna garantida. Porém, outro Tratado do Talmud (Nidá 73a) afirma que "Todo aquele que estuda Halachót (neste caso referindo-se às partes de transmissão oral da Torá) todos os dias, é garantido que ele será um "morador" do Mundo Vindouro", nos ensinando que aquele que quer ter parte no Mundo Vindouro deve diariamente estudar Torá. Como entender esta contradição entre as duas citações do Talmud? Afinal, todos nós já temos automaticamente o Mundo Vindouro garantido ou é necessário estudar Torá todos os dias para garantir nossa porção no Mundo Vindouro?
 
A resposta está em um versículo da Parashá Acharei Mót: "E cuidem das Minhas leis e juízos, que o ser humano cumprirá e viverá com elas" (Vayikrá 18:5). Unkelos (Roma, 35 - Israel, 120), um grande sábio que foi responsável pela tradução de toda a Torá para o aramaico, traduz a expressão "Vechai Bahem" (E viverá com elas) como "Veiechei Behon Bechaiei Alma", que significa "E viverá com elas a vida eterna". Mas o que Unkelos nos ensina ao acrescentar palavras, explicando que o versículo não se trata da vida neste mundo, e sim no Mundo Vindouro?
 
Explica o Rav Israel Meir HaCohen (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, que todas as criaturas, desde as mais baixas que vivem na Terra, como o ser humano e as outras criaturas abaixo dele, até as criaturas que vivem nos Céus, chamadas de "exército celestial", que inclui até as criaturas espirituais mais elevadas, todos necessitam do "sustento" de D'us, como está escrito: "Você fez os Céus, e os Céus dos Céus e todos os seus exércitos. A terra e tudo o que está contido nela, os mares e tudo o que está contido neles. E Você sustenta a todos eles" (Nechemia 9:6). Isto quer dizer quer todas as criaturas, sem distinção, necessitam do "sustento" de D'us para se manterem. A diferença está no tipo de "alimento" que cada criatura necessita. Enquanto as criaturas que vivem na Terra dependem de alimentos materiais para se manterem vivas, as criaturas que vivem nos Céus dependem de um alimento espiritual refinado, como está escrito: "O ser humano comeu o pão dos poderosos" (Tehilim 28:25). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que "pão dos poderosos" trata-se do alimento dos anjos.

Portanto, desta explicação do Chafetz Chaim aprendemos que a nossa Neshamá (alma), que é completamente espiritual, também precisa de um alimento para o momento em que ela se desconectar do nosso corpo. Os alimentos do mundo materiais não podem alimentar a nossa Neshamá, pois ela é espiritual e eterna e, portanto, necessita de um alimento espiritual para se saciar. Por isso D'us nos deu a Torá, que também é eterna, e através do seu cumprimento podemos despertar a Luz de D'us sobre nossa Neshamá. Esta Luz nos traz um imenso prazer espiritual, como explica o Talmud (Brachót 17a): "No Mundo Vindouro não haverá comida nem bebida... ao invés disso, os Tzadikim se sentarão, com suas coroas sobre suas cabeças, e terão prazer do brilho da Presença Divina". Este prazer é muito maior do que qualquer prazer limitado do mundo material e é isto o que alimentará nossa Neshamá por toda a eternidade.
 
É isto que dizemos quando pronunciamos a Brachá justamente depois da leitura da Torá em público: "E a vida eterna Você plantou dentro de nós". D'us plantou dentro do povo judeu algo que poderemos "colher" no Mundo Vindouro e viver para sempre. Esta força vital espiritual não trará apenas vitalidade eterna para a Neshamá, mas também para o corpo, como afirma o Talmud (Ketubot 111a) que a Luz da Torá também dará vida eterna ao nosso corpo no Mundo Vindouro. Porém, infelizmente este não será o destino dos ateus e daqueles que dedicarem suas vidas às idolatrias, pois não estão "plantando" nada neste mundo e não terão o "sustento" necessário para a vida eterna. Por isso, enquanto suas almas estiverem conectadas aos seus corpos, a pessoa será alimentada pelo alimento do corpo. Porém, no momento em que a alma se desconectar do corpo, não terá mais nenhum tipo de "alimento" para manter sua vitalidade e, portanto, deixará de existir.
 
Esta é a explicação das palavras do versículo da nossa Parashá: "E cuidem das Minhas leis e juízos, que o ser humano cumprirá e viverá com elas". Somente o cumprimento das Mitzvót da Torá poderá garantir a nossa vida verdadeira, a vida eterna no Mundo Vindouro. E isto explica as lindas palavras que pronunciamos diariamente em Arvit (Tefilá da noite), imediatamente antes da leitura do Shemá Israel: "Um amor eterno pelo povo judeu, Teu povo, Você amou. Torá e Mitzvót, leis e juízos, Você nos ensinou... Pois esta é a nossa vida e a longevidade dos nossos dias". Como o amor de D'us é um amor eterno, então Ele nos deu a Torá, para que sua Luz possa nos dar vitalidade para sempre. Pois a vida eterna é a vida verdadeira, e com a Torá nossa vida limitada e finita no mundo material se alonga e se transforma em vida eterna.
 
Da mesma forma que o pão é o alimento para o corpo, a Torá é o alimento para a nossa Neshamá, como ensina Shlomo HaMelech: "Venha, coma do Meu pão e beba do vinho que Eu misturei" (Mishlei 9:5). "Pão" é uma alusão às Halachót (Leis) que estão na Torá, enquanto "vinho" é uma alusão aos segredos que estão ocultos dentro da Torá, como o vinho que está escondido dentro das uvas. Da mesma forma que a pessoa coloca todos os seus esforços para conseguir seu sustento, com o objetivo de conseguir dinheiro para ao menos comprar pão para manter seu corpo, para que não se enfraqueça e não se encurtem seus dias, muito maior deve ser seu esforço para preparar o alimento de sua Neshamá, através do cumprimento da Torá e das Mitzvót, para que quando termine seu tempo de vida neste mundo sua Neshamá não deixe de existir.
 
É muito grande o mérito do estudo de Torá, como ensinam os nossos sábios (Mishná Peá 1:1): "Estas são as coisas que a pessoa já come os frutos neste mundo, mas o "fundo" fica guardado para ela para o Mundo Vindouro: Honrar os pais, Fazer Chessed (bondade), Trazer a paz entre a pessoa e seu companheiro; e o Estudo da Torá é equivalente a todos eles juntos". Apesar de a lista conter Mitzvót importantes, vemos o incrível valor do estudo da Torá. Um dos principais motivos desta afirmação é trazida pelo Rav Eliahu (Lituânia, 1720 - 1797), mais conhecido como Gaon MiVilna. Quantas vezes podemos fazer Chessed ou fazer paz entre duas pessoas que brigaram? Poucas vezes por dia. Mas o estudo da Torá é algo que pode nos trazer méritos incríveis, pois cada palavra e palavra é uma Mitzvá por si só. Por isso, através do estudo da Torá podemos aumentar os nossos méritos de forma quase infinita.
 
Mas precisamos saber que o principal objetivo do estudo da Torá deve ser o estudo que leve aos atos. Através do estudo das Halachót a pessoa garante a sua vida eterna. Como na história do rico e do pobre na festa, apesar de todos terem uma porção garantida no Mundo Vindouro, aqueles que estudam Halachót todos os dias e, portanto, cumprem as Mitzvót da maneira correta, está garantido que estarão no Olam Habá como convidados de honra. O mesmo não ocorre com aqueles que não estudam Halachót e, portanto, não cumprem as Mitzvót da maneira correta. Elas também estarão no Mundo Vindouro, mas como pobres, envergonhados no canto do salão de festas, comendo apenas os "restos". Portanto, apesar de estar garantido que teremos uma parte no Mundo Vindouro, vale a pena se esforçar nesta vida para que possamos ter uma boa porção guardada para nós.  

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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quarta-feira, 26 de abril de 2017

MATERIALISMO EXCESSIVO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT TAZRIA E METZORÁ 5777

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MATERIALISMO EXCESSIVO - PARASHIÓT TAZRIA E METZORÁ 5777 (28 de abril de 2017)

Yossef era uma pessoa extremamente materialista. Ele era comerciante e estava sempre pensando em como ganhar mais e mais dinheiro.  Costumava se aproveitar do desespero das pessoas, cobrando dos clientes preços exorbitantes. Quanto maior a necessidade do cliente, maior o preço que ele cobrava. Mas algo fez Yossef mudar sua atitude.

Há cerca de 20 anos, Yossef estava com sua família de férias em um local de acampamento. Depois de alguns dias muito agradáveis, era hora de voltar para casa. Yossef tentou dar a partida no carro, mas nada aconteceu. Desesperado, ele caminhou para fora do acampamento em busca de ajuda, porém não havia mais ninguém. Sem alternativa, Yossef decidiu ir a pé até a vila mais próxima e procurar ajuda.

Depois de uma hora de caminhada e um tornozelo torcido, Yossef se alegrou muito ao avistar um posto de gasolina. Porém, ao se aproximar, percebeu que estava fechado. Lembrou-se então, desesperado, que era domingo. Yossef não tinha mais forças para continuar caminhando. Foi então que viu um telefone público e uma lista telefônica com as folhas tão velhas que já estavam rasgando. Conseguiu ligar para a única companhia de auto-socorro que encontrou na lista, que se localizava a cerca de 30 quilômetros dali. "Não tem problema", disse a pessoa do outro lado da linha, de forma muito simpática, "normalmente estou fechado aos domingos, mas posso ajudar. Chego aí em mais ou menos meia hora".
 
Yossef se sentiu momentaneamente aliviado. Porém, começou a ficar preocupado com as implicações financeiras que aquela oferta de ajuda causaria. Se o homem do telefone fosse como ele, aproveitaria a situação de desespero para cobrar uma fortuna.

Algum tempo depois Yossef escutou uma buzina e viu um caminhão-guincho se aproximando. Marcos, o mecânico, se apresentou e foram juntos ao acampamento. Quando desceram do caminhão, Yossef observou que Marcos andava com a ajuda de muletas. Foi então que Yossef percebeu que Marcos não tinha uma perna. Yossef voltou aos  cálculos de quanto aquela ajuda custaria e foi ficando cada vez mais preocupado. Certamente aquele homem "enfiaria a faca" na hora de cobrar. Então Marcos chamou-o, interrompendo seus pensamentos:
 
- Não se preocupe, senhor, é só uma bateria descarregada. Vou dar uma pequena carga, deixamos o motor ligado para recarregar um pouco a bateria e em 10 minutos vocês podem seguir viagem.
 
Marcos era impressionante. Enquanto a bateria recarregava, distraiu o filho de Yossef com truques de mágica e chegou a tirar uma moeda da orelha, presenteando-a ao garoto.  Enquanto ele colocava os cabos de volta no caminhão, Yossef tomou coragem e perguntou quanto devia pelo serviço. Marcos respondeu que não devia nada. Yossef não entendeu, achou que tinha escutado errado e insistiu mais uma vez. Marcos então falou:
 
- Há muitos anos, alguém me ajudou a sair de uma situação de desespero, quando perdi a minha perna. A pessoa que me socorreu simplesmente disse: "Somos todos anjos de uma asa só, precisamos nos abraçar para alçar vôo. Quando tiver uma oportunidade, passe isso adiante". Esta é a minha oportunidade.
 
Aquilo foi um verdadeiro "tapa na cara" de Yossef. A partir daquele dia, ele mudou a forma de viver sua vida. Parou de se aproveitar do desespero dos outros para ganhar mais dinheiro e passou a pensar mais em como ajudar as pessoas em situações de necessidade.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Tazria (literalmente "Concebe") e Metzorá (literalmente "Pessoa contaminada com Tzaráat"). O ponto em comum entre as duas Parashiót é que elas descrevem uma terrível doença espiritual chamada Tzaráat, que contaminava pessoas que cometiam certos tipos específicos de transgressão. A manifestação física desta doença era através de manchas que podiam atingir as paredes da casa, as roupas e até mesmo a própria pele do transgressor. A Parashá Metzorá descreve o difícil e doloroso processo de purificação quando a Tzaráat atingia as paredes da casa. Neste processo estava incluída a retirada de todas as pedras da parede que estavam manchadas, exigindo a substituição por novas pedras, e a retirada de todos os objetos de dentro da casa, que precisavam ficar do lado de fora até o final do processo de purificação, pois tudo o que ficasse dentro da casa com Tzaráat automaticamente também ficava espiritualmente contaminado.
 
Porém, há uma aparente contradição sobre o motivo pelo qual D'us mandava a Tzaráat que atingia as paredes das casas. De acordo com o Talmud (Arachin 16a), a Tzaráat era uma punição pela transgressão da mesquinhez. O castigo que D'us mandava estava conectado com a transgressão cometida. Uma pessoa que é mesquinha não gosta de dividir o que é seu com os outros. Quando alguém pedia algo emprestado ao mesquinho, ele negava ter em casa o objeto pedido. Como punição, sua casa era atingida pela Tzaráat e o mesquinho tinha que colocar todos os seus objetos para fora de casa. Consequentemente, todos os que tinham pedido objetos emprestados viam que o mesquinho tinha o objeto em casa e que não havia emprestado por puro egoísmo. Portanto, de acordo com o Talmud, fica claro que a Tzaráat era a punição por uma transgressão.
 
Mas Rashi (França, 1040 - 1105), citando um Midrash (parte da Torá Oral), explica que a Tzaráat que atingia a casa das pessoas era algo bom. Os Emorim, que moravam na Terra de Knaan, quando viram o povo judeu se aproximando, esconderam todos os seus objetos de valor dentro das paredes de casa, na esperança de algum dia voltar para reaver seus bens. Quando os judeus conquistaram Knaan, foram morar nas casas construídas pelos Emorim, sem saber que aquelas paredes escondiam incríveis tesouros. De maneira natural seria impossível encontrar aqueles objetos de valor, pois estavam muito bem escondidos. Porém, D'us fazia com que as manchas da Tzaráat aparecessem justamente nas partes das paredes que ocultavam os tesouros. Assim, quando as pedras manchadas eram retiradas, revelavam incríveis fortunas. Isto implica que a Tzaráat nas casas não era uma punição por algum mau ato, e sim uma recompensa, uma forma de dar às pessoas grandes riquezas.
 
Portanto, existe uma enorme contradição entre a explicação trazida pelo Midrash e a explicação trazida pelo Talmud. Afinal, a Tzaráat que aparecia nas casas era uma recompensa ou era um castigo? Além disso, se era uma recompensa, por que vinha junto com o terrível sofrimento da Tzaráat? E se era um castigo, por que a pessoa terminava encontrando um enorme tesouro nas paredes da sua casa?
 
Explica o Rav Moshe Feinstein zt"l (Lituânia, 1895 - EUA, 1986) que a pessoa que recebia a Tzaráat na sua casa e depois encontrava o tesouro merecia as duas coisas, isto é, o castigo e a recompensa. Se a pessoa não tivesse cometido uma transgressão, D'us teria dado o dinheiro que ela merecia de outra maneira, certamente muito mais prazerosa. E se a pessoa tivesse cometido alguma transgressão e não merecesse encontrar o tesouro dos Emorim, então D'us teria feito com que as manchas aparecessem em outros lugares da parede e não nos lugares onde os tesouros estavam escondidos. Portanto, a pessoa cuja casa teve suas paredes atingidas pela Tzaráat e, ao fazer os procedimentos de purificação, encontrou os tesouros dos Emorim, deveria olhar para ambos os aspectos da Providência Divina. Por um lado deveria se alegrar por D'us ter concedido a ela a bondade de encontrar os tesouros. Porém, ao mesmo tempo, deveria fazer Teshuvá (se arrepender e consertar seu erro), não permitindo que as "boas notícias" o distraíssem de escutar a "bronca" de D'us.
 
Desta explicação aprendemos algo incrível. A Providência Divina é tão espetacular que D'us pode, em Sua Sabedoria Infinita, recompensar e castigar uma pessoa ao mesmo tempo. De acordo com a Torá, os castigos não são simplesmente formas de D'us nos causar dor sem nenhuma justificativa. Ao contrário, as punições de D'us são formas Dele se comunicar conosco, nos permitindo mudar e melhorar em certas áreas. Portanto, devemos estar sempre atentos às mensagens de D'us. Mesmo quando ocorrem coisas boas em nossas vidas, é sempre importante observar se estas coisas boas também carregam certos aspectos negativos. Muitas vezes há mensagens de consertos necessários que estão ocultas dentro das recompensas, como no caso dos tesouros encontrados nas paredes das casas com Tzaráat.
 
De acordo com o Rav Yehonasan Gefen, há ainda outro ensinamento importante que aprendemos do fato da recompensa da Tzaráat nas paredes de casa estar conectada com o castigo. De acordo com o Talmud, a pessoa teve Tzaráat por ter sido excessivamente mesquinha e por ter recorrido a táticas desonestas para proteger seus bens. Seu erro está baseado em olhar para suas posses e bens de uma maneira exclusivamente material, esquecendo que há um lado espiritual por trás de tudo o que ocorre. A pessoa seguiu apenas as "leis da natureza" que dizem, por exemplo, que dar Tzedaká (caridade) e emprestar objetos aos outros causa uma diminuição das nossas posses. A pessoa acredita que, sendo mesquinha e egoísta, ela pode proteger suas riquezas. Por isto o castigo vem "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), com o transgressor passando por uma substancial perda financeira através dos danos nas paredes da sua casa. Além disso, o transgressor passa pela vergonha de ser exposto como uma pessoa desonesta e egoísta, que evita emprestar seus bens com mentiras.
 
Talvez a própria recompensa de encontrar o tesouro era um "tapa na cara" que o transgressor recebia de D'us, para ajudá-lo a enxergar a fonte do seu erro. A pessoa que foi mesquinha acreditou que precisava recorrer a métodos desonestos para manter seu dinheiro, mas D'us o ensinava que Ele, em Sua infinita bondade, pode dar riquezas de diversas maneiras, como ensinam os nossos sábios: "Muitos são os 'mensageiros' que podem cumprir a vontade de D'us". É por isso que a pessoa encontrava uma fortuna de maneira completamente improvável, até mesmo irônica: dentro das paredes da sua própria casa. Além de beneficiar a pessoa, este tesouro trazia consigo a importante mensagem de que não devemos gastar energias de forma excessiva para adquirir riquezas, pois é D'us Quem nos provê tudo o que necessitamos.
 
A Tzaráat nos ensina que se esforçar demasiadamente para adquirir bens materiais é vão e inútil. Isto se aplica ainda mais nos casos de pessoas que juntam riquezas de maneira desonesta ou através de mesquinharia. Devemos ser sempre retos e honestos, utilizando nosso dinheiro e nossos bens para fazer bondades com os outros. E com Emuná (fé) completa de que D'us sempre vai nos mandar o que necessitamos, principalmente se estivermos utilizando o que temos em prol dos outros.
 
Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

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