sexta-feira, 19 de agosto de 2016

APRENDENDO A SER MISERICORDIOSO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5776

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APRENDENDO A SER MISERICORDIOSO - PARASHÁ VAETCHANAN 5776 (19 de agosto de 2016) 

 

Dois judeus da Lituânia brigaram e um deles, completamente fora de si, começou a difamar o outro. Porém, como ele não era uma má pessoa, quando Rosh Hashaná e Yom Kipur começaram a se aproximar ele ficou extremamente incomodado e arrependido pelo seu mau ato. Juntando todas as suas forças para passar por cima do seu ego e da vergonha, ele dirigiu-se ao seu companheiro e pediu perdão com sinceridade. Porém, para sua surpresa, a vítima se recusou a perdoá-lo, citando uma Halachá (Lei judaica) de que não havia obrigação de perdoar uma difamação. O transgressor ficou desesperado, não sabia mais o que fazer. O Rav Yitzchak de Volozhin (Lituânia, 1780 - 1849), que havia presenciado a conversa, chamou a vítima de canto e disse:

- Sabe, você realmente tem razão, a Halachá não nos obriga a perdoar alguém que nos difamou. Mas não se esqueça que Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, está chegando. Neste dia, todos os nossos atos passam diante de D'us e são detalhadamente analisados. Quando somos misericordiosos com os outros e nos comportamos "Lifnim Mishurat HaDin" (além do que é exigido pela lei judaica), D'us se comporta "Midá Kenegued Midá" (medida por medida) e nos julga com Misericórdia, não sendo tão rigoroso. Mas se formos rigorosos no julgamento dos outros, então D'us também será extremamente rigoroso no nosso julgamento. Você está pronto para um julgamento tão rigoroso de D'us quanto o que você está fazendo com seu companheiro, usando a justiça estrita ao invés da misericórdia?
 
A vítima da difamação, ao escutar as palavras do Rav Yitzchak, imediatamente aprendeu a lição e perdoou o homem que o havia caluniado. 

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A Parashá desta semana, Vaetchanan (literalmente "E implorei"), enumera novamente os dez mandamentos que o povo judeu recebeu de D'us no Monte Sinai. E o final da Parashá traz um ensinamento muito importante: "E você fará o que é certo e bom aos olhos de D'us, para que Ele faça bem para você" (Devarim 6:18). Nossos sábios explicam que este versículo é a fonte de Torá de que devemos nos comportar "Lifnim Mishurat HaDin", isto é, que devemos evitar sermos muito rigorosos e exigentes com os outros em relação à aplicação da lei, e devemos  saber perdoar em certas situações, mesmo quando temos razão.
 
O Talmud (Baba Metsia 30b) traz um exemplo na prática: uma pessoa encontra um objeto perdido que, por certas condições específicas, poderia ficar com ele de acordo com a Halachá. Por outro lado, a pessoa sabe quem é o verdadeiro dono do objeto. Neste caso, baseado neste versículo da Parashá, o Talmud diz que o correto seria devolver o objeto ao dono, apesar da permissão técnica de ficar com ele. Outro exemplo trazido pelo Talmud (Baba Metsia 108a) é quando um terreno é colocado à venda e, apesar de haver outras pessoas interessadas, é necessário dar a preferência de compra ao dono do terreno vizinho. E como estes, há inúmeros exemplos de situações do nosso cotidiano nas quais devemos nos comportar "Lifnim Mishurat HaDin".
 
De acordo com o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270), apesar da Torá não escrever explicitamente em todos os casos que devemos nos comportar "Lifnim Mishurat HaDin", aprendemos deste versículo da Parashá a constantemente nos esforçar para tratar as pessoas de uma maneira compreensiva, sempre buscando evitar o uso das leis da Torá de forma muito estrita e rígida. O Talmud (Baba Metsia 30b) nos ensina que o nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado) foi destruído porque naquela geração as pessoas eram muito rigorosas umas com as outras e aplicavam sempre a lei de forma muito estrita.
 
Porém, é difícil entender este ensinamento do Talmud. A priori, se comportar "Lifnim Mishurat HaDin" é justamente fazer mais do que somos obrigados. Então por que a falha em se comportar desta maneira teve uma consequência tão negativa e uma punição tão rigorosa de D'us? Faz sentido dizer que o Beit Hamikdash foi destruído apenas pelo fato das pessoas terem aplicado a lei de forma estrita e rigorosa?
 
A pergunta fica ainda mais difícil quando o Talmud (Yoma 9b) afirma que o Primeiro Beit Hamikdash foi destruído por causa das três transgressões mais graves da Torá, que são assassinato, idolatria e imoralidade, e o Segundo Beit Hamikdash foi destruído por causa do ódio gratuito que havia dentro do povo judeu. Afinal, qual foi a verdadeira causa da destruição dos Templos, estas graves transgressões ou a aplicação rígida da lei?
 
Explica o Rav Yehonasan Gefen que a falha em tratar as pessoas "Lifnim Mishurat HaDin" reflete um profundo equívoco na atitude da pessoa em relação ao seu Serviço Divino. De acordo com o Ramban, o ensinamento "e você fará o que é certo e bom" seria o paralelo da Mitzvá de "Kedoshim Tihiu" (Sejam Sagrados) aplicado à área de "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu semelhante). Segundo o Ramban, o "Kedoshim Tihiu" é uma advertência para evitar que a pessoa cumpra todas as Mitzvót e ainda assim seja um "mau-caráter com permissão da Torá". Mas como isto é possível? A pessoa pode ser extremamente rigorosa em não transgredir nenhuma Mitzvá da Torá e, ao mesmo tempo, pode não ter nenhum interesse em se elevar espiritualmente nas áreas de "Reshut" (atos que não são intrinsecamente Mitzvót) como, por exemplo, o que a pessoa faz em seus momentos de lazer, quanto ela dorme ou a quantidade de comida que ela come.
 
A razão por trás deste tipo de comportamento é que a pessoa acredita na veracidade da Torá e, portanto, que ela deve ser cumprida com todo o cuidado. Porém, a pessoa demonstra que não entendeu a verdadeira perspectiva da Torá, pois não se interessa em se elevar espiritualmente. A consequência é que ela fica presa em metas do mundo material, com objetivos como alcançar os desejos físicos e acumular riquezas. Por reconhecer a veracidade da Torá, ela nunca cometerá de forma intencional uma transgressão, mas ao mesmo tempo é completamente desinteressada de se elevar nas áreas nas quais não é "tecnicamente" obrigada.
 
Um paralelo deste fenômeno pode ocorrer na área de "Bein Adam LeHaveiró". A pessoa pode reconhecer a necessidade de seguir as leis da Torá, mas não ter nenhum interesse de se conectar com o que está por trás destas leis. A consequência disso é que a pessoa sempre vai aplicar a lei de forma estrita, mesmo quando isso causa sofrimentos para outras pessoas. Por exemplo, caso encontre um objeto perdido que tecnicamente é seu, não levará em consideração o sofrimento do seu companheiro que perdeu o objeto.
 
É por isto que a Torá nos ensinou o versículo "E você fará o que é certo e bom". Precisamos olhar para a Torá e para as Mitzvót da maneira correta, aprender o respeito que a Torá exige de nós, em relação a D'us e em relação ao nosso semelhante. Através das Mitzvót, a Torá nos ensina a sermos mais misericordiosos e não tão rigoroso com os outros, desenvolvendo um genuíno senso de amor ao próximo. Devemos tratar cada semelhante com o mesmo respeito e compaixão que gostaríamos de ser tratados. Quando alguém encontra um objeto perdido, deve sentir a dor daquele que perdeu o objeto. Quando alguém empresta dinheiro a um pobre que não tem como pagar, deve sentir misericórdia e ser flexível.
 
Com este ensinamento é possível entender o que o Talmud está nos transmitindo quando afirma que o Beit Hamikdash foi destruído pelo fato das pessoas estarem sendo muito rigorosas e estritas umas com as outras. Isto demonstra que aquela geração havia esquecido o "faça o certo e bom", havia perdido a lição de que não se deve tratar outro ser humano de maneira muito dura e sem misericórdia. Este comportamento rígido não se enquadra com o que a Torá espera de nós em relação aos outros seres humanos.
 
Podemos entender também a contradição que existe no Talmud em relação ao motivo da destruição do Beit HaMikdash. De acordo com o Rav Yitzchak Vologzin, obviamente que a destruição do Beit HaMikdash foi consequência das terríveis transgressões descritas no Talmud, algumas tão graves que um judeu deveria estar disposto até mesmo a abdicar de sua vida para não transgredi-las. Porém, o Talmud quer nos ensinar que quando tratamos nossos companheiro com misericórdia, "Lifnim Mishurat HaDin", e não somos rigorosos demais em cobrar nossos semelhantes, Hashem também se comporta da mesma maneira, Midá Kenegued Midá, e nos perdoa mesmo das transgressões mais graves. Entretanto, quando D'us viu as pessoas se comportando uns com os outros de uma maneira muito estrita e rigorosa, não se perdoando, então Ele também foi extremamente rígido no julgamento do povo, o que resultou na destruição do nosso Beit Hamikdash.
 
Quando se trata de aplicar a lei em relação às outras pessoas, devemos ser lenientes e compreensivos. Se queremos ser rigorosos, que sejamos em relação a nós mesmos, para que possamos cumprir cada Mitzvá de maneira detalhada e correta. Cobrando cada vez mais de nós mesmos e cada vez menos dos outros, certamente estaremos dando a nossa maior contribuição para a reconstrução do nosso Beit Hamikdash.


SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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quarta-feira, 10 de agosto de 2016

O QUE ESTÁ FALTANDO? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5776 

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O QUE ESTÁ FALTANDO? - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5776 (12 de agosto de 2016)

"Em uma época na qual os judeus eram proibidos de exercer trabalhos tradicionais, Moishe, um ator judeu desempregado, estava desesperado à procura de um trabalho. Foi quando ele viu, no cantinho do jornal, um pequeno e muito discreto anúncio. Um macaco, a principal atração do zoológico local, tinha morrido, e o zoológico estava procurando um ator para substituí-lo. Eles não queriam substituí-lo por outro macaco, pois as pessoas pagavam para ver suas palhaçadas originais, o que nenhum outro macaco faria. O zoológico não havia nem anunciado publicamente que o macaco tinha morrido por medo de perder visitantes.
 
Moishe fez o teste, foi contratado e fez um trabalho fantástico como macaco. Nenhum dos visitantes suspeitou que se tratava de um homem fantasiado. Moishe estava tão à vontade em seu papel que, com o passar do tempo, começou realmente a achar que era um macaco. Porém, certo dia, durante uma apresentação, Moishe se balançou forte demais em uma corda e saiu voando por cima da jaula, em direção à jaula do leão. Ele caiu a meio metro de distância de um leão com dentes muito afiados. Paralisado de medo, o susto fez com que Moishe "acordasse" e lembrasse que ele não era um macaco. Mas a única coisa que conseguiu fazer foi gritar "Shema Israel". O leão olhou para ele e respondeu "Hashem Elokeinu, Hashem Echad". Moishe reconheceu aquela voz. Curioso, ele perguntou:
 
- Shimi, é você?
 
- Sim, sou eu. É você, Moishe?
 
Antes que Moishe pudesse responder, a zebra na jaula ao lado sussurrou:
 
- Ei, pessoal, falem baixo ou todos nós perderemos nossos empregos..."
 
Vivemos em uma época de tanta confusão espiritual que não sabemos nem mesmo quem somos de verdade e qual é o nosso papel no mundo. Infelizmente perdemos nossa identidade e nos assimilamos. Então algumas vezes D'us precisa nos chacoalhar, para nos despertar do nosso sono espiritual. 

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Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, que consiste basicamente do discurso de despedida de Moshé antes da entrada do povo judeu em Israel. Este discurso é fortemente marcado por duras críticas de Moshé, que fez questão de relembrar muitos dos graves erros que o povo cometeu durante os 40 anos em que permaneceu no deserto. A intenção da bronca de Moshé era fazer o povo refletir sobre os erros passados e aprender com eles, evitando repeti-los no futuro. E este é um dos motivos que a Parashá Devarim sempre coincide com uma das datas mais tristes do judaísmo, Tishá Be Av, que neste ano começa logo após o término do Shabat. Tishá Be Av é um dia de jejum e luto, no qual recordamos, entre outras grandes tragédias, a destruição dos nossos dois Templos Sagrados. Como as broncas de Moshé, a essência de Tishá Be Av também é despertar os judeus, levando-os a refletir sobre as transgressões que nós e nossos antepassados cometemos. Porém, será que entendemos realmente o que significa a perda do nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado)? Conseguimos sentir de verdade sua falta em nossas vidas?
 
Ao contrário de muitas gerações passadas, vivemos em uma época de muito conforto. Apesar do antissemitismo venenoso da mídia mundial, vivemos em uma época na qual não sofremos perseguições e podemos cumprir nosso judaísmo sem precisar nos esconder. Além disso, temos uma incrível abundância de alimentos e outros tipos de prazer. Vivemos em uma era tecnológica na qual tudo ficou mais fácil: horas de fila nos bancos foram substituídas por aplicativos de celular; viagens cruzando o oceano, que duravam meses, agora duram apenas horas; e o ato de cozinhar, que significava ficar horas diante de um fogão a lenha, agora se resume a apertar um botão do microondas.
 
Porém, com tudo mais fácil e abundante, sentimos que no fundo ainda falta alguma coisa. Pode ser uma confusão em relação aos nossos objetivos e a direção que nossa vida deve tomar, outras vezes é uma sensação de que ainda não conseguimos realmente atingir o nosso potencial, ou simplesmente um vazio incômodo, uma sensação de que a vida poderia e deveria oferecer mais. Um exemplo disso é a "crise da meia idade", uma época na qual as pessoas começam a procurar respostas e normalmente não as encontram. Porém, muito antes da meia idade, este sentimento de vazio já começa a borbulhar dentro de nós, indicando que há algo errado ou faltando. Mas vamos ignorando este sentimento, deixando para depois. Somente quando a velhice se aproxima e nossa condição mortal é forçadamente recordada, este sentimento aflora com toda a sua força, causando depressão e desânimo. Mas o que está faltando, se temos vidas com tanto conforto e abundância? Por que não nos sentimos completos mesmo tendo tudo?
 
Há mais de dois mil anos o povo judeu tinha o Beit Hamikdash em Jerusalém, que constantemente nos recordava quem somos, qual é a nossa verdadeira importância e para onde estamos indo. O Beit Hamikdash era nossa verdadeira "bússola espiritual" e, apesar de ser uma construção física, era um conceito e uma realidade espiritual, uma manifestação física da conexão do povo judeu com D'us. Quando os judeus trazem moralidade e verdade ao mundo, que são características Divinas, então D'us traz Sua presença para este mundo. O próprio comando da Torá sobre a construção do Mishkan (Templo Móvel) reforça o conceito da conexão de D'us com cada judeu: "E façam para Mim um Santuário, e Eu morarei dentro deles" (Shemot 25:8). Não está escrito que D'us morará dentro do Santuário, e sim dentro do coração de cada pessoa que quiser estar conectada a Ele.
 
Além disso, nossos sábios ensinam que o Beit Hamikdash foi construído em um lugar muito especial, onde a criação do mundo começou. É o mesmo lugar em que Adam e Chavá (Adão e Eva) foram criados. Este também foi o lugar para onde Avraham levou seu filho para ser sacrificado para D'us, e onde Yaacov sonhou com uma escada que chegava até o Céu, na qual subiam e desciam anjos. De acordo com as fontes místicas, este é o lugar onde o Céu e a terra literalmente se tocam. Por isso, era justamente neste lugar que entendíamos quem nós éramos, e podíamos nos conectar ao nosso verdadeiro "eu".
 
O Midrash (parte da Torá Oral) compara Israel a um olho, Jerusalém à sua pupila, e o Beit Hamikdash a um reflexo na pupila. O Midrash está identificando a Terra de Israel, Jerusalém e o Beit Hamikdash como lugares nos quais podemos alcançar níveis maiores de entendimento e iluminação espiritual. Mas por que a comparação do Beit Hamikdash com um reflexo no olho? Explica o Rav Simcha Barnett que há duas maneiras de ver nosso próprio reflexo em um olho. Uma maneira é através de um espelho, e outra maneira é olhando nos olhos de outra pessoa. Isto representa como o Beit Hamikdash ajudava o povo judeu a viver da maneira correta. O Beit Hamikdash era um espelho para onde podíamos olhar e enxergar a nós mesmos, e nos ajudava a entender quem éramos de verdade. Este espelho nos mostrava que fomos criados à imagem e semelhança de D'us, e nos motivava a viver de acordo com isso. E através desta claridade de quem éramos, estávamos prontos a perceber a Divindade que também havia em cada indivíduo, do mais simples ao mais importante. Podíamos olhar nos olhos dos outros e enxergar neles um pouco nós mesmos, e este reconhecimento permitiu o ponto de início da união verdadeira do povo judeu.
 
Mas quando nos afastamos das características Divinas, D'us também se afasta de nós. Uma das consequências de D'us se afastar do mundo é a perda do lugar onde Sua presença se manifestava. Quando o Beit Hamikdash foi destruído, o povo judeu ficou literalmente à deriva em um mar escuro e tempestuoso, como pouca orientação e estabilidade. A base de toda a alienação e da baixa autoestima que vemos atualmente no mundo tem sua raiz na destruição do Beit Hamikdash, e mais especificamente por termos "mandado D'us para o exílio" quando fomos exilados por causa das nossas transgressões. Quando uma pessoa verdadeiramente sabe e percebe que foi criado à imagem e semelhança de D'us, ela tem uma autoestima intrínseca. Nossos inimigos nunca conseguiram roubar nossa dignidade e nobreza, pois o judeu sempre soube que sua essência estava conectada a uma verdade que está acima da opressão dos outros povos. Porém, esta claridade já não existe mais.
 
Talvez seja até mesmo irônico pensar que vivemos em uma geração com poucas dificuldades físicas, e na qual não sofremos perseguições ou proibições de colocar em prática nosso judaísmo, e ao mesmo tempo somos uma geração completamente alienada, na qual perdemos a noção de quem somos de verdade. Esta angústia existencial que sentimos é consequência direta da destruição do Beit Hamikdash. O Beit Hamikdash era um lugar cuja luz deveria brilhar e iluminar o mundo inteiro. Os judeus têm a enorme responsabilidade de se tornar uma luz para as nações. Não podemos evitar nem tentar fugir do nosso destino, pois D'us nos deu uma força que é completamente desproporcional ao nosso número reduzido. É fácil perceber o quanto os judeus se sobressaem em todas as áreas, estão sempre na "linha de frente" da humanidade. Mas é uma pena que, sem nossa "bússola espiritual", sem um direcionamento, este tremendo potencial acaba não sendo utilizado da maneira correta.
 
Somos os mensageiros de D'us para transmitir ao mundo uma mensagem significativa. Temos a responsabilidade de transmitir ao mundo valores como a dignidade do indivíduo, a justiça, a caridade e a paz, que darão ao mundo uma direção. Porém, o que acontece quando os mensageiros se perdem, deixam de entender a importância de sua mensagem e esquecem até mesmo que estão "sob contrato" com D'us? O que fazer quando a alienação é tanta que invertemos completamente nossa missão, a ponto de, ao invés de ensinar ao mundo nossos valores, nós é que estamos absorvendo e nos comportando com os valores do mundo?
 
Em Tishá Be Av devemos nos esforçar para sentir a dor de estarmos alienados, como indivíduos e como um povo. Em Tishá Be Av o remédio para nossa situação é através das lágrimas. O Talmud (Taanit 30b) afirma que aquele que chora lágrimas sinceras em Tishá Be Av terá o mérito de ver a reconstrução do Beit Hamikdash. Devemos chorar pelo povo judeu como um todo, que se desviou do caminho. Por nossos amigos e familiares que nunca puderam experimentar a santidade de um Shabat, a doçura do estudo da Torá ou uma vida de Mitzvót. E, principalmente, devemos chorar por nós mesmos, pois poderíamos e deveríamos esperar muito mais da nossa vida.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak z"l, Joyce bat Ivonne z"l, Feiga bat Guedalia z"l, Chana bat Dov z"l, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni) z"l, Leica bat Rivka z"l, Guershon Yossef ben Pinchas z"l; Dovid ben Eliezer z"l, Reizel bat Beile Zelde z"l, Yossef ben Levi z"l, Eliezer ben Mendel z"l, Menachem Mendel ben Myriam z"l, Ytzhak ben Avraham z"l, Mordechai ben Schmuel z"l, Feigue bat Ida z"l, Sara bat Rachel z"l, Perla bat Chana z"l, Moshé (Maurício) ben Leon z"l, Reizel bat Chaya Sarah Breindl z"l; Hylel ben Shmuel z"l; David ben Bentzion Dov z"l, Yacov ben Dvora z"l; Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel z"l, Malaka bat Chalom z"l, Ita bat Avraham z"l, Meir ben Avraham z"l, Miriam bat Iechiel z"l, Avraham ben Meir z"l, Shirley Mary bat Avraham Israel z"l, Sloime Tzvi ben Pinchas z"l, Mordechai ben Dina z"l, Ruth bat Messoda z"l, Yehudah ben Sarah z"l, Chaia Simchah bat Lea z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Menachem ben Yossef z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Avraham ben Leib.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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