quinta-feira, 4 de agosto de 2016

O VALOR DE UMA VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5776 

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O VALOR DE UMA VIDA - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5776 (05 de agosto de 2016)

Após o término da Segunda Guerra Mundial, uma carta anônima foi encontrada em um Campo de Concentração nazista, contendo a seguinte mensagem:

"Prezados professores, sou sobrevivente de um Campo de Concentração. Meus olhos viram o que nenhum homem deveria ver: câmaras de gás construídas por engenheiros formados, crianças envenenadas por médicos diplomados, recém-nascidos mortos por enfermeiras treinadas, mulheres e bebês fuzilados e queimados por graduados de colégios e universidades. Assim, tenho minhas dúvidas sobre a educação. Meu pedido é: ajudem seus alunos a se tornarem humanos. Seus esforços nunca deverão produzir monstros treinados ou psicopatas hábeis. Ler, escrever e saber aritmética só será importante se nossas crianças forem mais humanas"
 
De nada adiantam os títulos e as condecorações se a pessoa não sabe o verdadeiro valor de uma vida humana. 

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente "Tribos") e Massei (literalmente "Viagens"). A Parashá Matót fala sobre a importância de manter as promessas e os juramentos, sobre o ataque do povo judeu ao povo de Midian e sobre o desejo das tribos de Reuven e Gad de se estabelecer antes do Rio Jordão, fora da Terra de Israel. Já a Parashá Massei descreve as viagens que o povo judeu fez durante os 40 anos em que permaneceu no deserto, apontando todos os lugares onde o povo acampou. Além disso, a Parashá Massei descreve as "Cidades de Refúgio", locais para onde uma pessoa que havia assassinado de forma não intencional deveria ir e permanecer até a morte do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote). O fato de a Torá chamar alguém que matou sem intenção de "assassino" já demonstra o quanto D'us é rigoroso com cada vida humana.
 
A Torá ressalta que as leis da Cidade de Refúgio somente se aplicavam a um assassinato acidental, como no caso da lâmina do machado de um lenhador que escapou do cabo e atingiu fatalmente outro lenhador. Porém, um assassino intencional não podia se abrigar nas Cidades de Refúgio, pois devia ser punido com a pena de morte. O final da Parashá ressalta que não devemos ser lenientes com um assassino intencional, como está escrito: "Você não deve aceitar um resgate pela vida de um assassino que merece morrer, você deve matá-lo... Você não deve corromper a terra onde você está, pois o sangue corrompe a terra" (Bamidbar 35:31,33). Estes versículos nos ensinam que não podemos ser tolerantes nem racionalizar e buscar permissões para permitir assassinatos, e aquele que intencionalmente tira uma vida não deve receber a possibilidade de "resgatar sua liberdade" através de algum tipo de pagamento. O versículo termina ressaltando que, caso um assassinato seja tolerado ou racionalizado, o sangue derramado será considerado uma abominação e contaminará a Terra de Israel, o local onde a Presença de D'us reside.
 
Porém, há algo que nos chama a atenção quando prestamos atenção na linguagem do versículo. A palavra "Iachnif", que significa "corromper", vem da mesma raiz de "Chanufá", que significa "bajulação". Qual é a conexão entre corromper e bajular? Como deixar um assassino vivo pode "bajular a terra"?
 
É interessante perceber que não é apenas a Torá que lida de forma tão rigorosa com o assassinato intencional. De acordo com as leis de todos os povos do mundo, o assassinato intencional é considerado um delito extremamente grave e é normalmente punido com a máxima rigorosidade, com penas que variam de muitos anos de detenção ou prisão perpétua até a morte do assassino. Mas será que a forma como a Torá enxerga a gravidade do assassinato é igual à forma como os povos do mundo enxergam?
 
Explica o Rav Moshe Feinstein zt"l (Lituânia, 1895 - EUA, 1986) que, apesar das aparentes semelhanças na rigorosidade com o qual os assassinos são tratados, há uma enorme e essencial diferença entre a forma como a Torá e as leis dos outros povos enxergam o assassinato intencional e sua consequente punição. Os outros povos olham o assassinato como algo que estraga e coloca em risco a continuidade do mundo, e por isso o assassino deve ser duramente punido. Os outros povos veem os duros castigos aplicados ao assassino como uma forma de erradicar do mundo aqueles que querem destruir a humanidade.
 
Porém, qual é o grande perigo de pensar desta maneira? Quando punimos de maneira muito rigorosa uma pessoa pelo fato de considerarmos que ela coloca em risco a humanidade, então corremos o risco dos limites e das definições de quem são os "perigos para a humanidade" mudarem de acordo com as vontades e as necessidades de cada sociedade. Pessoas inocentes podem ser mortas a sangue frio por assassinos que acreditam que estão salvando o mundo. Isto explica por que explodem tantas guerras, e por que surgem grupos como o Estado Islâmico, que em nome de garantir a continuidade de um mundo "correto" matam milhares de pessoas inocentes que nunca fizeram mal a ninguém. E se parece um exagero pensar assim, basta lembrar o assassinato a sangue frio de seis milhões de judeus durante o Holocausto. Quem eram os assassinos? Não eram os bárbaros, cossacos ou vikings. Eram médicos, engenheiros e policiais, pessoas que deveriam zelar pela vida, mas que escolheram assassinar homens, mulheres, crianças e bebês com requintes de crueldade.
 
Como tantos alemães participaram de assassinatos a sangue frio no Holocausto, ou simplesmente se calaram e foram coniventes com os crimes nazistas? A mídia alemã conseguiu, através de uma propaganda virulenta e mentirosa, convencer a maioria do povo alemão que os judeus eram a causa de todos os problemas do mundo. Ao transformar um judeu na "causa dos problemas", os nazistas conseguiram convencer as pessoas que matar um judeu não era um assassinato, e sim a eliminação de um problema, e que a morte deles seria pelo bem da humanidade.
 
Outra consequência negativa desta visão equivocada é não sabermos valorizar cada instante da vida de um ser humano. Por exemplo, os momentos finais de um doente terminal, a vida de uma pessoa muito idosa e até mesmo a vida de um feto vão perdendo seu valor em uma sociedade que pensa que, em prol da continuidade da humanidade, podemos decidir quem pode viver e quem deve morrer. A eutanásia vem ganhando cada vez mais adeptos, até mesmo entre os médicos, que acreditam que não há sentido em prolongar a vida de alguém que está em estado vegetativo, inclusive pelo fato desta pessoa não produzir mais nada para a humanidade. Infelizmente a eutanásia é defendida por muitos como um ato de bondade, mas sua raiz verdadeira vem dos nazistas. Os alemães permitiram o assassinato de milhares de doentes mentais e pessoas inválidas a partir de 1939, em um projeto chamado "Aktion T4". Deficientes físicos e mentais eram considerados partes "inúteis" da sociedade e, por isso, eram assassinados a sangue frio. O projeto somente foi possível pois recebeu intensa contribuição dos médicos alemães. Aqueles que haviam jurado, em suas formaturas, dedicar suas vidas para curar os doentes, participaram ativamente em mais de 250 mil assassinatos, apenas por que os mortos eram considerados "inúteis". Os alemães demonstraram claramente que não sabiam dar o devido valor a uma vida humana. Passar do assassinato de inválidos e doentes mentais ao assassinato de seis milhões de judeus foi apenas um passo.
 
Já a visão da Torá em relação ao assassinato é completamente diferente em sua essência. A gravidade do assassinato não está relacionada com o conceito da continuidade da humanidade como um todo, e sim com o inestimável valor intrínseco de cada vida. A diferença na prática é que, mesmo quando uma pessoa não contribui mais nada para a humanidade, ainda assim é proibido matá-la. Cada minuto da vida de um paciente terminal é visto pela Torá com a mesma santidade que a vida da pessoa mais importante do mundo. Mesmo em relação a um doente mental ou um doente terminal com poucas horas de vida existe a gravíssima proibição de diminuir seu tempo de vida, mesmo que seja em alguns instantes. A Halachá (Lei Judaica) permite inclusive que um judeu desrespeite as leis de Shabat mesmo que seja apenas para prolongar um pouco mais a vida de um paciente terminal. A "bondade" de desligar os aparelhos de um doente é vista pela Torá com um ato bárbaro de assassinato e de desprezo pelo valor da vida humana. É por isso que a Torá trata o assassino intencional de maneira tão rigorosa, pois ele desprezou uma das coisas mais sagradas: uma vida humana.
 
Esta diferença entre a visão judaica e a visão dos outros povos é justamente o que o versículo está ressaltando. Quando alguém mata baseando-se no fato da outra pessoa estar "estragando a continuidade da humanidade", é como se ela estivesse "bajulando a terra", pois de acordo com seu ponto de vista equivocado, cada indivíduo é apenas secundário em relação à terra, isto é, em relação à humanidade como um todo, e a humanidade não deseja esta pessoa. Este ponto de vista faz com que o valor de uma vida não seja absoluto, e sim relativo. Portanto, matar alguém "em prol da humanidade" é como se fosse um ato de bajulação da humanidade.

O versículo vem nos ensinar que a "bajulação da terra" é um ato de corrupção da verdade, pois de acordo com a Torá a terra é secundária em relação a cada indivíduo. Cada ser humano foi criado à imagem e semelhança de D'us e, portanto, sua vida e sua existência têm valores inestimáveis. Cada ser humano é um mundo por si só, como afirma o Talmud (Sanhedrin 37a): "Quem salva uma vida é como se tivesse salvado o mundo inteiro". Este conceito não se aplica apenas em relação a não assassinar, mas também em relação ao respeito que devemos dar a cada pessoa, pois, apesar dos nossos defeitos, temos um valor inestimável aos olhos de D'us.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHIÓT MATOT E MASSEI:

                   São Paulo: 17h26  Rio de Janeiro: 17h13                     Belo Horizonte: 17h20  Jerusalém: 18h56
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Chaia Mushka bat Margalit Sima Rachel.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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quinta-feira, 28 de julho de 2016

ESCUTANDO OS NOSSOS SÁBIOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ PINCHÁS 5776

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ESCUTANDO OS NOSSOS SÁBIOS - PARASHÁ PINCHÁS 5776 (29 de julho de 2016)

"Certa vez soldados do exército russo vieram até a casa do Rav Yitzchak Zev Soloveitchik zt"l (Bielorússia, 1886 - Israel, 1959), mais conhecido como Brisker Rav, intimando-o a acompanhá-los. Um soldado judeu havia sido condenado à morte por dormir durante seu período de sentinela, e que este soldado havia pedido para falar com um rabino antes de morrer. Porém, para espanto dos seus alunos e dos soldados russos, o Brisker Rav se recusou a ir falar com o prisioneiro condenado à morte.
 
Após algum tempo, uma segunda delegação de soldados chegou à casa do Brisker Rav, exigindo que ele se apresentasse imediatamente na prisão, sob o risco de receber um duro castigo caso se recusasse. Mas o Brisker Rav não se dobrou diante das ameaças e reafirmou que não iria. Os alunos ficaram visivelmente confusos, pois além de colocar a própria vida em risco, por que o rabino não se importava com os sofrimentos daquele pobre judeu condenado à morte? Por que não queria ir confortá-lo na prisão e ajudá-lo naqueles últimos momentos difíceis?
 
Foi então que uma terceira delegação de soldados bateu na porta. Porém, desta vez eles não vinham para intimar o Brisker Rav a comparecer à prisão, e sim para avisá-lo que sua presença não era mais necessária. A família daquele jovem soldado havia apelado à Suprema Corte de Justiça e a sentença de morte havia sido revogada. Quando os alunos questionaram de onde o Brisker Rav havia conseguido reunir forças para aquela atitude heroica, ele explicou:
 
- Eu simplesmente cumpri a Halachá (Lei Judaica). De acordo com o Rambam (Maimônides), se um judeu inocente é injustamente condenado à morte por um tribunal não judaico, é proibido a um judeu entregá-lo às autoridades para que ele seja executado, mesmo que para isso seja necessário colocar a própria vida em risco. Se eu tivesse ido à prisão, o rapaz teria sido executado tão logo eu saísse. Ao seguir a Halachá, a vida daquele jovem judeu acabou sendo salva".
 
Muitos ensinamentos e decretos rabínicos parecem não fazer sentido. Mas eles são os verdadeiros conhecedores da Torá, e em suas atitudes eles levam em consideração muitos detalhes que nós desconhecemos. 

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Nesta semana lemos a Parashá Pinchás, que começa descrevendo um ato heroico de Pinchás, neto de Aharon HaCohen. No final da Parashá da semana passada, os povos de Moav e Midian haviam intencionalmente causado com que o povo judeu transgredisse com imoralidades e idolatria, transgressões que D'us abomina, e uma praga começou a dizimar os judeus. Até mesmo pessoas importantes transgrediram, como o príncipe da tribo de Shimon, Zimri, que cometeu um ato público de imoralidade com uma princesa de Midian chamada Kosbi. Pinchás, tomado por um espírito de "Kanaut" (zelo pela honra de D'us), se levantou e, mesmo arriscando a vida, aplicou aos dois transgressores ilustres a pena de morte, fazendo com que a praga cessasse. O total de mortos na praga foi de vinte e quatro mil judeus, e se não fosse a intervenção de Pinchás, a tragédia teria sido ainda pior.
 
Este ato de Pinchás é semelhante a outro evento descrito na Torá. Quando Yaacov estava voltando para casa, depois de passar muitos anos trabalhando para seu tio Lavan, sua filha Diná foi sequestrada e violentada pelo príncipe Shechem. Dois filhos de Yaacov, Shimon e Levi, inconformados com aquele ato de desonra, quiseram aplicar a justiça ao príncipe e ao resto da população, pois haviam presenciado aquela violência e não fizeram nada. Eles bolaram um plano para enfraquecer os homens da cidade e em seguida mataram todos. Aparentemente Shimon e Levi agiram corretamente, pois estavam motivados pela mesma "Kanaut" de Pinchás, isto é, o zelo pela honra de D'us e a abominação pelos atos imorais.
 
Porém, o que nos chama a atenção é a diferença do desfecho nos dois casos. O ato de Pinchás agradou muito a D'us, e ele foi recompensado de uma maneira especial por ter colocado a própria vida em risco pela honra de D'us. Quando Aharon e seus filhos foram apontados como Cohanim (sacerdotes) e ungidos, somente os descendentes que nasceram daquele momento em diante se tornaram Cohanim. Mas Pinchás, neto de Aharon, já havia nascido naquele momento e, portanto, não seria Cohen, apenas Levi. D'us concedeu a Pinchás, como recompensa por seu esforço, que ele e seus descendentes se tornassem Cohanim. Já o desfecho do ato de Shimon e Levi foi que, no momento do falecimento de Yaacov, enquanto alguns dos seus filhos receberam Brachót (bênçãos), Shimon e Levi foram duramente repreendidos. Porém, se Shimon e Levi também estavam movidos pela mesma "Kanaut" de Pinchás, e também colocaram suas vidas em risco para fazer o que era correto, por que o desfecho das duas histórias foi tão diferente?
 
Explica o Rav Yitzchak Zilberstain shlita que a característica de "Kanaut", de agir motivado pelo zelo com a honra de D'us, exige um equilíbrio perfeito de cálculos e um nível muito grande de precisão. É necessário checar o ato de acordo com diferentes pontos de vista, e deve ser levado em consideração cada detalhe, inclusive o momento e o local em que o ato será realizado. Além disso, para uma pessoa estar apta a fazer um ato de "Kanaut", ela deve ser uma profunda conhecedora das Halachót, em especial daquelas relacionadas com seu ato, pois somente assim é garantido que seu ato está completamente de acordo com a vontade de D'us. E, finalmente, a pessoa deve refletir e checar se seu ato não está sendo influenciado por nenhum desejo ou inclinação pessoal.

Em geral, para ter certeza de que não estamos sendo parciais em nosso julgamento, é necessário o aconselhamento com um grande sábio de Torá, que pode ajudar a decidir se o ato planejado é realmente correto e aplicável. E esta foi uma das diferenças fundamentais entre o ato de Pinchás e o ato de Shimon e Levi. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Pinchás, antes de executar seu ato de "Kanaut", se aconselhou com Moshé Rabeinu, o grande sábio da geração. Ao escutar o caso, Moshé fez todos os cálculos necessários e confirmou a Pinchás que, naquele caso e naquelas circunstâncias, aplicar a pena de morte era realmente o correto. Por isso Pinchás recebeu uma recompensa tão grande.
 
Já no caso de Shimon e Levi, o grande sábio da geração era seu pai, Yaacov. Porém, de acordo com Rashi, ele não foi consultado antes da execução do plano. E se Shimon e Levi tivessem se aconselhado, certamente Yaacov os teria convencido a não colocar o plano em prática, pois havia um erro no cálculo deles. Apesar da indignação de Shimon e Levi ser totalmente válida, pois a falta de justiça diante de uma desonra tão grande era algo realmente vergonhoso e imoral, eles não levaram em consideração todas as condições necessárias para fazer o ato de "Kanaut".
 
De acordo com o Rav Ovadia Sforno zt"l (Itália, 1475-1550), Yaacov tinha um forte motivo para que aquele ato não fosse feito, como está escrito: "E disse Yaacov para Shimon e Levi: Vocês me causaram problemas, me envergonhando diante dos habitantes da terra" (Bereshit 34:30). O Sforno explica que Yaacov estava preocupado com o "Chilul Hashem" (denegrir o Nome de D'us) que o ato de Shimon e Levi poderia causar, pois para colocar seu plano em prática, eles haviam enganado os habitantes da cidade, podendo fazer com que Yaacov, o símbolo da verdade e da retidão, fosse visto pelos outros povos como um mentiroso e enganador. Mas qual foi a enganação?
 
Para poder matar todos os habitantes da cidade do príncipe Shechem, Shimon e Levi bolaram um plano. Eles disseram que queriam morar junto com os habitantes, e que também aceitariam se casar entre si. Porém, com astúcia, Shimon e Levi afirmaram que havia um impedimento, pois não poderiam viver com eles como se fossem um único povo enquanto as pessoas não fizessem o Brit Milá (circuncisão). Eles garantiram que, caso todos os homens da cidade aceitassem fazer o Brit Milá, então a família de Yaacov permaneceria vivendo com eles. A verdade é que Shimon e Levi nunca tiveram a intenção de viver com eles como se fossem um povo só. Eles exigiram que os homens fizessem Brit Milá apenas para enfraquecê-los e tornar mais fácil o ato de vingança. De acordo com a Torá, o terceiro dia depois do Brit Milá é o dia em que a pessoa está mais fraca e debilitada, e foi justamente neste dia que Shimon e Levi executaram seu plano e mataram todos os habitantes, inclusive o príncipe Shechem, que havia cometido o ato de desonra com Diná.
 
Portanto, a grande crítica de Yaacov, e que de acordo com o seu entendimento estava acima da "Kanaut" de Shimon e Levi, é que eles não poderiam ter matado todos os habitantes depois de terem garantido a eles que, caso fizessem o Brit Milá, poderiam se unir e viver em paz com a família de Yaacov. Como eles realmente fizeram o Brit Milá, ter matado os habitantes foi uma atitude de mentira e enganação. O maior erro de Shimon e Levi foi ter garantido que viveriam com o povo do príncipe Shechem e se casariam entre si, pois eles sabiam que esta mistura e assimilação estava proibida. Estes fatores fizeram com que o ato de "Kanaut", ao invés de ter sido uma Mitzvá, acabasse sendo uma transgressão, resultando em uma merecida repreensão a Shimon e Levi. Eles ficaram tão cegos com a desonra de sua irmã que tomaram uma atitude precipitada. Apesar da grandeza deles, faltou o aconselhamento com um sábio de Torá.
 
Mas não é apenas um "Kanai" que precisa se aconselhar com os sábios de Torá. Cada um de nós também tem a obrigação de estar em contato com os sábios, para nos aconselharmos, escutarmos seus ensinamentos e aprendermos com seus atos. Muitas vezes tomamos decisões importantes utilizando apenas nossa lógica, mas que é muitas vezes limitada e não leva em consideração todos os aspectos necessários para uma decisão completamente equilibrada. Somos pouco conhecedores da Halachá e, portanto, suscetíveis a cometer erros por desconhecimento. Os grandes sábios de cada geração, além dos conhecimentos de Torá, ainda recebem uma "Siata Dishmaia" (ajuda especial dos Céus) para saber lidar com as questões que surgem em cada época e para vencer os desafios que se renovam.
 
Normalmente nossas decisões são muito influenciadas pelos nossos desejos e inclinações. Somos parciais em nossos julgamentos, e isto nos faz cometer erros em nossos cálculos. Somente nos aconselhando com alguém "de fora", que não está sob os mesmos tipos de influências, é que podemos decidir com ponderação o que é realmente o correto a se fazer em cada situação. Por isso, é muito importante ter contato com algum sábio de Torá, para nos aconselharmos nas mais diversas áreas da vida, em especial nos momentos em que fazemos escolhas que terão impactos de longo prazo.
 
Como na história do Brisker Rav, muitas vezes não entendemos os ensinamentos e o comportamento dos nossos sábios. Mas precisamos ter a humildade de saber que nossa dificuldade é proveniente do nosso desconhecimento da Halachá. Nossos sábios estão muito mais conectados com a espiritualidade e conhecem de maneira muito mais profunda o que D'us quer de nós. Por isso, nas decisões importantes da vida, é fundamental nos aconselharmos com um sábio de Torá se quisermos fazer o que é correto de verdade. Isto pode evitar que a pessoa cometa, de maneira equivocada, uma transgressão achando que está fazendo uma grande Mitzvá.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ PINCHÁS:

                   São Paulo: 17h23  Rio de Janeiro: 17h11                     Belo Horizonte: 17h18  Jerusalém: 19h02
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Chaia Mushka bat Margalit Sima Rachel, David ben Malka Chaya.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak z"l, Joyce bat Ivonne z"l, Feiga bat Guedalia z"l, Chana bat Dov z"l, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni) z"l, Leica bat Rivka z"l, Guershon Yossef ben Pinchas z"l; Dovid ben Eliezer z"l, Reizel bat Beile Zelde z"l, Yossef ben Levi z"l, Eliezer ben Mendel z"l, Menachem Mendel ben Myriam z"l, Ytzhak ben Avraham z"l, Mordechai ben Schmuel z"l, Feigue bat Ida z"l, Sara bat Rachel z"l, Perla bat Chana z"l, Moshé (Maurício) ben Leon z"l, Reizel bat Chaya Sarah Breindl z"l; Hylel ben Shmuel z"l; David ben Bentzion Dov z"l, Yacov ben Dvora z"l; Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel z"l, Malaka bat Chalom z"l, Ita bat Avraham z"l, Meir ben Avraham z"l, Miriam bat Iechiel z"l, Avraham ben Meir z"l, Shirley Mary bat Avraham Israel z"l, Sloime Tzvi ben Pinchas z"l, Mordechai ben Dina z"l, Ruth bat Messoda z"l, Yehudah ben Sarah z"l, Chaia Simchah bat Lea z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Menachem ben Yossef z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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