quinta-feira, 14 de julho de 2016

REFLETINDO SOBRE A VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5776

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REFLETINDO SOBRE A VIDA - PARASHÁ CHUKAT 5776 (15 de julho de 2016)

"Um rabino certa vez perguntou para um de seus mais destacados alunos:
 
- Você consegue frequentemente pensar sobre D'us durante o dia?
 
O aluno pensou por alguns instantes e respondeu:
 
- Rabino, eu acordo todos os dias às 5 da manhã e estudo até o horário da reza de Shacharit. Depois eu tomo um rápido café da manhã e volto para o Beit Midrash (local de estudo de Torá), onde passo toda a manhã estudando sem parar. Faço uma curta pausa para comer algo no almoço e rezar Minchá, e depois já volto correndo para o Beit Midrash para continuar meus estudos. De noite faço mais uma pequena e rápida pausa para o jantar e a reza de Arvit, e continuo estudando até o limite das minhas forças. Quando eu já não aguento mais, eu me arrasto até o meu quarto e desabo de cansaço na cama.
 
Então, em um tom de desabafo, ele concluiu:
 
- Rabino, com tantas coisas que eu faço durante o dia, com tanto estudo de Torá e Tefilót (rezas), como você ainda queria que sobrasse tempo para pensar em D'us?"
 
Parece piada, mas às vezes estamos tão envolvidos com a nossa "Avodat Hashem" (Serviço Divino) que acabamos perdendo de vista o propósito do que estamos fazendo: desenvolver nosso relacionamento com D'us. 

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A Parashá desta semana, Chukat (literalmente "Lei, decreto"), termina descrevendo a história de como o povo judeu conquistou a cidade de Cheshbon das mãos dos Emorim. Na verdade, esta cidade originalmente pertencia ao povo de Moav, até que Sichon, rei dos Emorim, conseguiu derrotar Moav e conquistar a cidade, como diz o versículo: "Por isso dizem os 'Moshlim': venham para Cheshbon, que ela possa ser construída e estabelecida como a cidade de Sichon" (Bamidbar 21:27).
 
Mas o que significa a linguagem "Moshlim"? A explicação mais simples é que o versículo se refere àqueles que falam "Mashalim" (poemas). De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), refere-se à Bilaam, o grande profeta das nações do mundo, e seu pai Beor. Sichon tentou por diversas vezes conquistar a cidade de Cheshbon, mas falhou. Então ele contratou Bilaam e Beor, que conseguiram ajudá-lo a conquistar a cidade utilizando suas maldições. Para celebrar a vitória, Bilaam e Beor declamaram um poema, anunciando que Cheshbon, que até então era a grande fortaleza de Moav, havia se tornado a capital de Sichon, e que de lá os Emorim avançariam como fogo, devorando as outras cidades de Moav.
 
Porém, o Talmud (Baba Batra 78b) traz outra mensagem "oculta" nas palavras deste versículo. A linguagem "Moshlim" também significa "aqueles que dominam", e a linguagem "Cheshbon" também significa "fazer as contas". O Talmud ensina que o versículo pode ser lido da seguinte maneira: "Por isso dizem os 'Moshlim', isto é, aqueles que dominam suas más inclinações: venham para 'Cheshbon', isto é, vamos fazer as contas do mundo, considerar as perdas que temos quando fazemos uma Mitzvá comparado com o que ganhamos com ela, e o que ganhamos com uma transgressão comparado com o que perdemos com ela".
 
Nossos sábios explicam que "Cheshbon Hanefesh" é o ato de refletir sobre as nossas atitudes, e envolve a revisão de quais são os nossos objetivos na vida e a avaliação se estamos ou não vivendo de acordo com estes objetivos. As Mitzvót têm seus preços, que são os investimentos financeiros, o nosso tempo e a nossa dedicação, mas trazem recompensas eternas no Olam Habá (Mundo Vindouro). Já as transgressões têm seus benefícios momentâneos, que pode ser algum tipo de prazer material, mas o preço a ser pago é uma perda por toda a eternidade. Aquele que faz Cheshbon HaNefesh reflete sobre as perdas e ganhos, e certamente se esforçará para cumprir mais Mitzvót e evitar a todo custo as transgressões.
 
Mas este ensinamento do Talmud desperta um grande questionamento, pois aparentemente apenas aqueles que dominam suas más inclinações nos incentivam a fazer "Cheshbon Hanefesh", implicando que aqueles que não dominam suas más inclinações não acreditam que a pessoa deva fazer "Cheshbon Hanefesh". Mas será que há alguém que acha que não devemos refletir sobre os nossos atos? Que mensagem o Talmud quer nos transmitir?
 
Explica o Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746), mais conhecido como Ramchal, em sua obra "Messilat Yesharim", que "aqueles que dominam suas más inclinações" são as pessoas que conseguiram desenvolver um entendimento mais profundo sobre as artimanhas do Yetser Hará (má inclinação), e por isso estão conscientes da necessidade de estarem sempre vigilantes contra as táticas que ele utiliza para nos fazer transgredir. Estas pessoas sabem que a ferramenta mais importante para vencer o Yetser Hará é o Cheshbon Hanefesh constante, e por isso sempre incentivam as outras pessoas a também fazerem Cheshbon HaNefesh.
 
Já "aqueles que não dominam suas más inclinações" são aqueles que não estão conscientes de como o Yetser Hará está constantemente nos enganando e nos encaminhando para os maus atos e para um estilo de vida indesejável. Esta pessoa vive de forma tão despreparada em relação às forças do Yetser Hará que passa a vida inteira tropeçando, como um cego que caminha na escuridão, inconsciente dos numerosos obstáculos que a aguardam pela frente. O Talmud não quer ensinar que este tipo de pessoa não concordaria sobre a importância do Cheshbon Hanefesh. Porém, por não entender como funcionam os ataques do seu Yetser Hará, ela não reconhece sozinha a necessidade de fazer Cheshbon Hanefesh, e acredita que está sempre tudo bem.
 
Qual é o principal fator que causa com que uma pessoa perca o entendimento de qual é o propósito verdadeiro da vida? Explica o Ramchal que as pessoas ficam tão absorvidas em suas atividades diárias que acabam não tendo a oportunidade de parar e verificar a direção que suas vidas estão tomando. Na realidade, esta é uma das principais táticas do Yetser Hará, de nos trazer cada vez mais ocupações e atividades, pois o Yetser Hará sabe que se a pessoa parasse para refletir e analisasse suas ações, então ela reconheceria as drásticas mudanças necessárias e consertaria seus atos. Então o Yetser Hará nos deixa tão ocupados que não sobra tempo livre nem mesmo para pensarmos sobre a direção das nossas vidas.
 
De acordo com o Rav Yehonasan Gefen, este conceito pode ser resumido em uma simples frase: "Há uma grande diferença entre uma atividade e uma realização". Uma pessoa pode ser extremamente ocupada, mas se ela parar e examinar o que está realmente realizando de maneira significativa na vida, pode ficar decepcionada. Muitas vezes estamos ocupados, realmente ocupados. Mas o que estamos fazendo hoje em dia fará alguma diferença em longo prazo? Estamos investindo nosso tempo e nossas energias nas coisas certas?
 
Se o Rav Moshe Chaim Luzzato já apontava como grande problema, há mais de 300 anos, as avalanches de atividades que surgem no nosso cotidiano, o que dizer do nosso desafio atual, em um mundo moderno e digital? Estamos saturados com aparelhos e tecnologias que conseguem nos manter ocupados e distraídos 24 horas por dia. Praticamente não conseguimos manter mais nenhuma conversa sem sermos interrompidos por uma chamada de celular, por um e-mail ou por uma mensagem no whatsapp. A consequência é que não estamos nenhum instante "a sós" para avaliar a direção das nossas vidas. O Cheshbon Hanefesh regular e constante nos ajuda a lembrar do nosso objetivo verdadeiro e verificar se estamos indo no caminho correto. Com o nosso novo desafio digital, um momento ideal para o Cheshbon Hanefesh é o Shabat, um dia no qual nos desconectamos dos nossos aparatos tecnológicos e podemos nos conectar com as nossas almas.
 
Porém, diferente do que poderíamos pensar, esta dificuldade não é encontrada apenas entre os que estão afastados da espiritualidade. Mesmo aqueles que vivem de acordo com a Torá e cumprem Mitzvót também podem ser atacados pelo mesmo tipo de Yetser Hará, que nos impede de viver a vida de uma maneira efetiva. Como na história do estudante ocupado com seus estudos, é mais difícil encontrarmos 5 minutos para fazermos Cheshbon Hanefesh do que encontrarmos 10 horas para estudar Torá. Podemos estudar Torá e cumprir Mitzvót o dia inteiro, mas fazer isso de uma maneira completamente mecânica e sem nenhuma Kavaná (intenção). Sem reflexão, sem a conscientização do nosso objetivo de se conectar constantemente com D'us, podemos estar o dia inteiro ocupados e, ao mesmo tempo, completamente desconectados.
 
Tudo o que é espiritualmente difícil de ser realizado é um sinal de que neste ato há muita santidade e o Yetser Hará quer fazer de tudo para nos impedir. O Cheshbon HaNefesh constante é difícil, sempre surgirão motivos e desculpas para não fazê-lo. Porém, se nos esforçarmos e vencermos nossa má inclinação, poderemos usar esta ferramenta especial, que pode mudar nossa vida e nos ajudar a não estar apenas ocupados, mas realmente viver a vida de uma maneira plena e significativa.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 7 de julho de 2016

DISCUSSÕES CONSTRUTIVAS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT KORACH 5776

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DISCUSSÕES CONSTRUTIVAS - PARASHÁ KORACH 5776 (08 de julho de 2016)

"O Rav Yehuda Zev Segal zt"l (Inglaterra, 1910 - 1993), Rosh Yeshivá (Diretor espiritual) de Manchester, certa vez criticou publicamente certa organização. Sua opinião encontrou uma enorme resistência das pessoas, e muitos se declararam abertamente contra ele. Apesar de toda a repercussão negativa, o Rav Segal estava convicto de suas palavras e se manteve firme em seu posicionamento.
 
Algum tempo depois, um dos diretores daquela organização que havia sido criticada resolveu visitar o Rav Segal para discutir com ele o assunto. Quando o homem chegou à Yeshivá, recebeu do Rav Segal um presente. O homem abriu o pacote e viu que era um livro, o "Sefer Chafetz Chaim", e notou que na primeira página estava escrito uma calorosa Brachá (benção) a ele. O homem ficou atônito, sem entender por que seu "adversário", que estava falando de forma tão dura contra sua organização, agora o estava presenteando e lhe dando tantas Brachót. O Rosh Yeshivá, ao perceber o questionamento nos olhos do homem, explicou:
 
- Aprendi a me comportar desta maneira com o Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883). Escutei que sempre que ele se envolvia em um debate ideológico com alguém, antes ele presenteava a pessoa, para deixar claro que a discordância era puramente ideológica e não havia nada pessoal envolvido" 
 
Esta é a forma como devemos nos comportar. Mesmo nos casos em que seja realmente justificável se envolver em algum tipo de discussão, temos que deixar claro que não se trata de algo pessoal. 

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Nesta semana lemos a Parashá Korach, cujo tema central é a rebelião de Korach contra seu primo Moshé e as trágicas consequências desta grave transgressão. A rebelião de Korach é citada como o modelo de "Machloket" (discussão, disputa) que não é "Leshem Shamaim" (em nome dos Céus), como está escrito: "Toda Machloket que é Leshem Shamaim está destinada a se manter; mas aquela que não é Leshem Shamaim não está destinada a se manter. Qual é a Machloket que é Leshem Shamaim? A Machloket entre Hilel e Shamai. E qual é a Machloket que não é Leshem Shamaim? A Machloket de Korach e seu grupo" (Pirkei Avót 5:17). Nossos sábios estão ensinando que a Machloket de Korach foi apenas por motivos egoístas e interesses pessoais.
 
Porém, este ensinamento do Pirkei Avót levanta um grande questionamento. Aparentemente Korach e seu grupo confrontaram Moshé com questões ideológicas genuínas, não simplesmente ataques pessoais. Segundo o que a Parashá escreve explicitamente, Korach argumentou que todo o povo judeu era sagrado, pois todos haviam pessoalmente escutado D'us no momento da entrega da Torá no Monte Sinai. Portanto, de acordo com esta lógica, Moshé e Aharon não tinham o direito de pegar para si as duas maiores posições da nação. Korach e seu grupo alegavam que deveria haver uma divisão igualitária de poder entre todos do povo judeu, e alguns poucos não deveriam ser mais beneficiados do que outros. Apesar de, em última instância, haver uma grave falha na lógica de Korach, pois a escolha de Moshé e Aharon havia sido Divina, sua rebelião estava aparentemente baseada em argumentos racionais e na luta por igualdade. Então por que o Pirkei Avót afirma, com tanta convicção, que a Machloket de Korach não era Leshem Shamaim?
 
A resposta está em um Midrash (parte da Torá Oral), que afirma que a verdadeira motivação de Korach era atacar pessoalmente Moshé e Aharon. Korach esperava ser o próximo na linha de liderança da família "Kehati", uma das famílias da tribo de Levi, e ficou extremamente irritado e decepcionado quando seu primo, Elizafan, que era mais novo do que ele, foi o indicado para a posição. Este foi o verdadeiro motivo que desencadeou em Korach a vontade de se rebelar contra a liderança de Moshé e Aharon, um motivo egoísta e baseado nos seus próprios interesses.
 
Portanto, de acordo com as palavras do Midrash, fica claro que a luta ideológica de Korach e sua força de argumentação eram, na realidade, apenas um pretexto para encobrir seu desejo por honra. Korach se apresentou como sendo um "defensor do povo", alguém que buscava a igualdade entre todos, mas na verdade ele estava apenas buscando seus próprios interesses egoístas. Infelizmente tudo o que Korach conseguiu foi causar a si mesmo, à sua família e aos seus seguidores terríveis castigos aplicados diretamente por D'us.
 
Mas por que a Torá nos deixa a impressão de que havia uma lógica na argumentação de Korach, a ponto de ser necessário um Midrash para esclarecer que a sua Machlóket não era Leshem Shamaim? Pois se perguntássemos a Korach se ele considerava seus atos Leshem Shamaim, ele certamente responderia, sem sombra de dúvidas, que sim. Ele se convenceu, e convenceu outras pessoas, de que estava certo em sua Machloket, e racionalizou que seus atos eram justificáveis e corretos. Korach queria a grandeza, mas terminou em total esquecimento.
 
Há muitas lições que podemos aprender de Korach, mas uma das principais é que uma pessoa pode se convencer de que está agindo Leshem Shamaim quando critica os outros, enquanto está apenas sendo enganada pelo seu Yetzer Hará (má inclinação). Muitas vezes acreditamos que estamos defendendo a verdade, e estamos dispostos a ir até o fim por ela. Porém, este comportamento vem sempre acompanhado de um grande risco, como ocorreu com Korach, de que a motivação verdadeira por trás dos nossos atos é apenas o egoísmo, que pode desencadear uma Machloket que não é Leshem Shamaim e causar danos a todos os envolvidos.
 
É muito fácil encontrar justificativas para criticar pessoas, ou até mesmo grupos inteiros, utilizando a premissa de que é permitido por ser "Leshem Shamaim". Entretanto, é necessário um grande esforço de autoavaliação para termos a certeza de que estamos realmente agindo com as motivações corretas. De acordo com o Rav Isroel Meir HaCohen zt"l (Bieloríssia, 1838 – Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, para que palavras que denigrem outro ser humano não sejam consideradas Lashon Hará (maledicência), não é suficiente que apenas traga benefício para quem está escutando. Ele enumera sete condições que devem ser preenchidas para nos permitir expressar qualquer tipo de crítica sobre outra pessoa. Uma destas condições, talvez uma das mais difíceis de serem cumpridas, é que aquele que faz a crítica não pode sentir absolutamente nenhuma satisfação por estar criticando o próximo. E para entender o quanto esta condição é difícil, basta refletirmos sobre quantas vezes na vida conseguimos fazer alguma crítica sem nenhum sentimento interno de satisfação com a vergonha causada àquele sobre quem estamos falando.
 
De acordo com o Rav Yehonasan Gefen, se não tomarmos muito cuidado, podemos facilmente cair nas armadilhas do Lashon Hará e gerar uma Machloket que não é Leshem Shamaim. Isto já causou, durante a história do povo judeu, com que diferentes grupos judaicos se olhassem entre si com desprezo, um rotulando o outro de maneira negativa. Este tipo de erro pode não parecer tão grave, mas de acordo com o Rav Naftali Tzvi Yehuda Berlin zt"l (
Rússia, 1816 - Polônia, 1893), mais conhecido como Netziv, foi este tipo de atitude que levou à destruição do nosso Segundo Templo. Apesar das pessoas daquela geração serem grandes Tzadikim (Justos), que se dedicavam ao estudo da Torá, eles acabaram desenvolvendo um ódio gratuito em seus corações, e qualquer um que agia de forma diferente do que eles achavam correto era imediatamente rotulado como "Apikoires" (negador de D'us). Se passados mais de dois mil anos ainda não tivemos o mérito de reconstruir nosso Templo, é sinal de que continuamos tropeçando neste mesmo erro, geração após geração. Precisamos dar um basta e terminar este terrível círculo vicioso de ódio gratuito que, apesar de ser muito grave, vem sempre disfarçado de "discussão Leshem Shamaim".
 
Então qual é a maneira correta de lidar com uma discordância de opinião? A resposta está no Pirkei Avót: "Qual é a Machloket que é Leshem Shamaim? A Machloket entre Hilel e Shamai". As discussões entre Hilel e Shamai, dois dos maiores sábios de sua geração, e posteriormente entre os alunos de Hilel e os alunos de Shamai, apesar de terem sido muito intensas, foram consideradas Leshem Shamaim por não envolverem motivações pessoais, e sim somente o desejo verdadeiro de chegar à "Emet" (verdade). Uma das provas de que as discussões eram Leshem Shamaim é que, conforme o Talmud (Yevamot 13b), apesar de eles discutirem fortemente em várias áreas da Halachá (Lei Judaica), isto não impediu que seus filhos se casassem entre si. Não há nada de errado em discordar, mas somente se a discordância é baseada em um desejo sincero de chegar à Emet. Pois se for assim, as duas partes não vão confundir diferenças ideológicas com hostilidades pessoais.
 
O principal é sempre fazer uma separação entre o indivíduo e seu comportamento ou conduta. Alguém pode errar, e mesmo assim continuar sendo uma boa pessoa. Fazer esta separação não é uma tarefa fácil, e por isso precisamos melhorar muito na área de "Bein Adam LeHaveiró" (entre o homem e seu semelhante), através de muito estudo de Torá, para aprendermos a olhar as outras pessoas da maneira correta, mesmo quando elas estiverem agindo de uma maneira que julgamos ser errada. O "ódio gratuito", que destrói nossos relacionamentos, destruiu também o nosso Templo Sagrado. Somente com o devido cuidado com o próximo poderemos começar a consertar este erro que causa, há tantos séculos, muita dor e sofrimento.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quarta-feira, 29 de junho de 2016

OÁSIS DE TRANQUILIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5776





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OÁSIS DE TRANQUILIDADE - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5776 (01 de julho de 2016)
"Havia uma nação que vivia em paz e harmonia. As pessoas se respeitavam e se amavam, e havia um espírito de tranquilidade pairando no ar. Porém, certo dia, a paz foi quebrada por uma ameaça que se aproximava de longe. Outra nação ameaçava a soberania e a tranquilidade daquele lugar paradisíaco. Milhares de soldados foram enviados com a missão de impedir a aproximação dos inimigos.

Infelizmente a guerra se estendeu por muitos e muitos anos. Neste intervalo, o bondoso rei daquela nação de paz teve um filho. O príncipe herdeiro foi crescendo e, desde pequeno, foi sendo treinado para ser um bom líder e guerreiro. Quando completou 18 anos, foi enviado para a frente de batalha para liderar seus soldados. Por seis dias na semana o príncipe permanecia comandando os soldados naquele ambiente hostil de batalha, mas sempre o rei exigia que o filho voltasse ao palácio no sétimo dia. Certa vez o príncipe questionou a conduta de seu pai. Ele não entendia porque devia voltar e interromper a guerra uma vez por semana. O rei então explicou:

- Filho, você nasceu no meio de uma terrível guerra. Mas eu quero que você saiba que a vida verdadeira não é essa. A vida verdadeira é de paz, tranquilidade e alegria. Por isso eu peço para que você volte uma vez por semana para a tranquilidade do palácio, para que você sinta o que é a vida verdadeira e não se esqueça".

Assim também é o nosso Shabat. Por seis dias nós vamos para a "guerra" do dia-a-dia, a luta pelo sustento, com dificuldades, estresse e muita correria. Porém, esta não é a vida verdadeira. Então o Shabat nos recorda da nossa essência espiritual e da nossa conexão com D'us. Um dia por semana, no Shabat, nós voltamos à tranquilidade do "Palácio do Rei", para não esquecermos como é a vida real.
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A Parashá desta semana, Shelach Lechá (literalmente "Envie para você"), continua descrevendo alguns dos erros trágicos cometidos pelo povo judeu no deserto. A Parashá começa com o erro dos espiões, que falaram mal da Terra de Israel, causando com que o resto do povo perdesse sua Emuná (fé) em D'us e chorasse. Toda aquela geração que chorou recebeu um decreto Divino de não entrar em Israel.

Além desta transgressão coletiva, a Parashá também descreve uma transgressão feita por um indivíduo do povo judeu, como está escrito: "Quando o povo judeu estava no deserto, encontraram um homem recolhendo lenha no dia do Shabat" (Bamidbar 15:32). Este homem, apesar de ter sido advertido sobre a gravidade de seu ato, continuou recolhendo lenha. Recolher lenha espalhada é uma das 39 Melachót (trabalhos construtivos) que D'us nos proibiu fazer no Shabat, e aquele homem ignorou a proibição, sendo condenado à morte. Porém, algo nos chama a atenção no início do versículo que descreve a transgressão. Não era óbvio que o povo judeu estava no deserto quando isto aconteceu?

Rashi (França, 1040 - 1105) explica que pelo fato da Torá identificar o episódio como tendo ocorrido quando o povo judeu estava no deserto, algo aparentemente desnecessário, nós podemos deduzir que a transgressão ocorreu imediatamente depois deles terem entrado no deserto. E como sabemos que o povo judeu cumpriu o primeiro Shabat no dia da entrega da Torá, então Rashi conclui que esta transgressão ocorreu no segundo Shabat do povo judeu.

Mas por que a Torá escreveu que o povo judeu estava no deserto se o versículo se refere ao erro de um único indivíduo? Explica o Rav Eliahu zt"l (Lituânia, 1720 - 1797), mais conhecido como Gaon MiVilna, que na realidade este incidente não envolveu apenas o erro de um único indivíduo. O povo inteiro havia sido displicente no cumprimento do Shabat, e a transgressão feita em público foi apenas o reflexo desta displicência do povo todo. Apesar de ter sido o erro de um único indivíduo, é como se o povo inteiro tivesse participado. 

Porém, como entender esta explicação do Gaon MiVilna? O Midrash (parte da Torá Oral) nos ensina que guardar o Shabat é equivalente a guardar todas as outras Mitzvót da Torá juntas. Como aquela geração, chamada de "Geração do Conhecimento", pessoas que haviam recém recebido a Torá diretamente de D'us no Monte Sinai, puderam ser negligentes no cumprimento do Shabat? Como pode ser que, ainda no segundo Shabat que eles cumpriram, já houve um descuido tão grande, e envolvendo o povo inteiro?

Poderíamos pensar que o desleixo no cumprimento do Shabat foi consequência desta Mitzvá ter sido imposta sobre os judeus, e que esta nova obrigação havia pesado demais para eles. Porém, de acordo com outro Midrash, é difícil utilizar este argumento, pois o Midrash afirma que enquanto os judeus ainda eram escravos no Egito e Moshé morava no palácio do Faraó, ele conseguiu convencer o Faraó a dar o dia de Shabat como um dia de descanso para o povo judeu. Com grande astúcia, Moshé argumentou ao Faraó que um dia de descanso semanal faria com que houvesse um aumento na produtividade durante o resto da semana. Isto quer dizer que, mesmo enquanto ainda estavam no Egito, os judeus já estavam há anos acostumados com a Mitzvá de Shabat. Então por que neste momento eles mudaram de atitude em relação ao cumprimento do Shabat?

Explica o Rav Yohanan Zweig que podemos encontrar a resposta em um fenômeno que está sendo observado neste século: há um segmento inteiro do povo judeu que, apesar de viver na Terra de Israel, está completamente desconectado do cumprimento da Torá e das Mitzvót. Isto parece estranho, pois a Torá afirma que a Terra de Israel é um lugar de santidade, onde a conexão com D'us é mais direta e onde podemos desenvolver um relacionamento de maior conexão espiritual. Então como é possível um segmento inteiro do nosso povo viver neste lugar tão sagrado e, ainda assim, estar tão afastado de D'us?

A explicação é que, infelizmente, existe o conceito equivocado de que o único propósito para um judeu cumprir as Mitzvót é manter nossa identidade judaica e garantir a nossa continuidade. A consequência deste equívoco é que as pessoas tendem a pensar que viver na Terra de Israel substitui a necessidade de cumprir as Mitzvót, como se viver na nossa pátria fosse suficiente para manter a nossa identidade judaica e a nossa continuidade. A própria bandeira de Israel contém um "Talit", como se estivesse transmitindo a mensagem: "É suficiente que o Talit esteja em nossa bandeira, e não é necessário mais cumprir esta Mitzvá".

A grande falha neste tipo de pensamento é o total desconhecimento das leis espirituais da Torá. As Mitzvót são o veículo através do qual nós estabelecemos e mantemos nosso relacionamento com D'us. O Midrash nos ensina que as Mitzvót foram entregues justamente para "Letzaref" o povo judeu, isto é, para unir aqueles que estão comandados com Aquele que comandou. Se não há Mitzvót, simplesmente não é criado um relacionamento com D'us. O Ramban zt"l  (Espanha, 1194 - Israel, 1270), também conhecido com Nachmânides, ressalta que, pelo fato de conseguirmos estabelecer um relacionamento mais íntimo com D'us na Terra de Israel, temos uma responsabilidade ainda maior de cumprir as Mitzvót estando lá.

Este foi o grande erro do povo judeu no deserto. Como eles estavam vivendo como anjos, sendo alimentados com o Man, uma comida sobrenatural, e isolados das outras nações, eles acreditaram que não precisavam mais do Shabat para se conectarem com D'us e manterem sua identidade. Além disso, como eles já tinham um relacionamento com D'us muito elevado todos os dias da semana, eles acreditaram que o Shabat não era mais necessário. Eles falharam em reconhecer que são as Mitzvót que criam este relacionamento com D'us. Esta percepção equivocada infelizmente levou o povo inteiro a ser displicente no cumprimento do Shabat, afetando o cumprimento desta Mitzvá. A consequência foi o primeiro judeu que desrespeitou o Shabat de forma pública.

Além de ser um Mandamento de D'us, que nos conecta a Ele e energiza nossa alma, o Shabat também ajuda a manter a nossa identidade judaica e permite a cada judeu desfrutar, uma vez por semana, de um dia de relacionamento íntimo com D'us. O Shabat é um oásis no meio das "guerras" que travamos durante a semana inteira, com preocupações, pressa e estresse. Uma vez por semana nos desconectamos do material para nos conectarmos, de forma verdadeira, ao espiritual.

Em hebraico, "vida" é "Chaim". Porém, "Chaim" é uma palavra no plural, não no singular. Não existe apenas uma vida, a vida material, mas sim a combinação desta nossa vida material com a nossa vida espiritual, eterna. Quem nos sustenta no mundo material são os elementos físicos, como a comida, a água e o ar. Mas o que nos sustenta espiritualmente, e nos sustentará por toda a eternidade, são as Mitzvót que cumprimos. Quando a Torá concluiu que aquele que juntou gravetos no Shabat foi punido com pena de morte, estava dando um importante aviso para todo o povo: não existe vida verdadeira sem as Mitzvót. Quando nos desconectamos de D'us, a Fonte de toda a energia vital, nos desconectamos da nossa vida eterna. O Shabat, entre todas as Mitzvót, é um ótimo lembrete de que usufruir do mundo material é apenas algo passageiro, enquanto desenvolver o nosso lado espiritual é a nossa meta verdadeira.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ SHELACH LECHÁ:

                   São Paulo: 17h12  Rio de Janeiro: 17h00                     Belo Horizonte: 17h08  Jerusalém: 19h13
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak z"l, Joyce bat Ivonne z"l, Feiga bat Guedalia z"l, Chana bat Dov z"l, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni) z"l, Leica bat Rivka z"l, Guershon Yossef ben Pinchas z"l; Dovid ben Eliezer z"l, Reizel bat Beile Zelde z"l, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel z"l, Malaka bat Chalom z"l, Ita bat Avraham z"l, Meir ben Avraham z"l, Miriam bat Iechiel z"l, Avraham ben Meir z"l, Shirley Mary bat Avraham Israel z"l, Sloime Tzvi ben Pinchas z"l, Mordechai ben Dina z"l, Ruth bat Messoda z"l, Yehudah ben Sarah z"l, Chaia Simchah bat Lea z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Yechiel Mendel ben David z"l.
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