sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

CÁLCULOS HUMANOS x CÁLCULOS DIVINOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHEMOT 5776





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CÁLCULOS HUMANOS x CÁLCULOS DIVINOS - PARASHAT SHEMOT 5776 (01 de janeiro de 2016) 
No inverno de 1892, uma enorme sombra recaiu sobre o povo judeu. A Yeshivá de Vologin, uma das mais proeminentes Yeshivót da época, um modelo de Torá em toda a Europa, estava em perigo. Naquela época, o Rosh Yeshivá (Diretor espiritual) era o Rav Naftali Tzvi Yehuda Berlin zt"l (Rússia, 1816 - Polônia, 1893), mais conhecido como Netziv, um gigante de Torá. As autoridades russas, querendo arrancar a Torá do povo judeu, decretaram que na Yeshivá de Vologin fosse ensinado diariamente duas horas de estudos não judaicos. Junto com o decreto veio uma ameaça: se a diretoria se recusasse a cumprir a ordem das autoridades, a Yeshivá seria fechada.

O Netziv não quis receber sobre si a responsabilidade de decidir sozinho algo tão importante. Ele reuniu os maiores sábios de Torá da Europa em um encontro especialmente dedicado a discutir aquele assunto. A discussão foi difícil, pois havia muitos prós e contras para os dois lados. Todos concordavam que seria algo muito negativo incluir as duas horas de estudos não judaicos em uma Yeshivá, mas muitos consideravam que ainda assim o prejuízo seria menor do que fechar completamente a Yeshivá. Até que o Rav Yossef Dov Halevi Soloveitchik (Império Russo, 1820 - 1892), mais conhecido como Beis Halevi, com lágrimas nos olhos, pediu a palavra. Emocionado, ele falou:

- É verdade que temos a obrigação de manter a Torá com toda a sua força e cultivar cada vez mais alunos, para que possamos transmitir a Torá às próximas gerações. Mas isto deve ser feito da maneira como ensinaram nossos antepassados. Agora que as autoridades querem nos obrigar a ensinar a Torá de novas formas, a responsabilidade não recai mais sobre nós. Devolveremos o problema Àquele quem nos deu a Torá, para que Ele faça o que achar o melhor. Portanto, eu decido que, de acordo com os ensinamentos da Torá, a Yeshivá deve ser fechada.

E assim realmente aconteceu. A Yeshivá de Vologin, o maior modelo de estudo de Torá da Europa, foi fechada. Mas explica o Rav Isroel Meir HaCohen zt"l (Bieloríssia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, que a história não terminou aqui. Se a Yeshivá de Vologin tivesse decidido continuar com as condições impostas pelas autoridades russas, provavelmente a Torá da nossa geração teria sido esquecida. Esta é a forma de atuação do Yetser Hará (má inclinação): primeiro a Yeshivá abriria uma exceção ao permitir duas horas de estudos não judaicos, mas com o tempo provavelmente a situação se inverteria e restaria apenas duas horas de estudo de Torá. Porém, como o Netziv teve a coragem de fazer o que era correto, a Torá encontrou outros caminhos para sua continuidade. Naquela mesma época foram abertas muitas Yeshivót na Lituânia e na Polônia, que produziram os novos gigantes de Torá da geração. A Torá é como um manancial de água, pois mesmo que alguém tampe sua saída em um lugar, ela encontrará seus caminhos para fluir em outro lugar. 
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Nesta semana começamos o segundo livro da Torá, Shemot, que descreve a terrível escravidão do povo judeu no Egito, após a morte de Yaacov e seus filhos. A Parashá desta semana, Shemot, também descreve o nascimento de Moshé, o homem que, sob o comando de D'us, fez enormes milagres e salvou o povo judeu da escravidão.

Durante a descrição dos duros decretos do Faraó contra o povo judeu, há um versículo que nos chama a atenção: "E foi um homem da casa de Levi e tomou para si uma filha de Levi. E a mulher engravidou e deu a luz a um filho" (Shemot 2:1,2). O homem descrito neste versículo era Amram, o líder do povo judeu e um grande Tzadik (Justo). A mulher descrita no versículo era Yocheved, uma mulher corajosa que constantemente arriscava sua vida e enfrentava o temível Faraó para salvar os bebês do povo judeu. E o bebê que nasceu era Moshé Rabeinu, nosso grande salvador. Porém, o que significam as palavras "e foi um homem"? Para onde Amram foi?

Explica o Talmud (Sotá 12a) que "e foi um homem" refere-se a Amram ter ido de acordo com o conselho de sua filha, Miriam. Apesar de ser uma criança, Miriam já tinha uma sabedoria acima do normal. Durante os anos de escravidão, os egípcios eram extremamente cruéis e causavam muitos sofrimentos aos judeus, com terríveis castigos físicos e psicológicos. Além disso, os astrólogos do Faraó haviam previsto o nascimento do salvador do povo judeu, mas também viram que este salvador seria punido através das águas (o que realmente ocorreu quando Moshé, ao invés de pedir água para a pedra, golpeou-a, sendo castigado por este ato com a proibição de entrar na Terra de Israel). Ao escutar a temerosa notícia de que o salvador do povo judeu estava para nascer, o Faraó decretou que todos os bebês que nascessem fossem atirados ao rio. Amram, ao perceber que não havia sentido em trazer filhos ao mundo naquelas condições, decidiu se separar de sua esposa Yocheved. Como ele era o líder da geração, sua atitude serviu como exemplo para o resto do povo, e todos se divorciaram de suas esposas para não terem mais filhos.

Foi neste contexto que Miriam quis aconselhar seu pai. Ela percebeu que seu pai havia cometido um grave equívoco ao se divorciar, e demonstrou racionalmente que ele estava causando ao povo judeu algo ainda mais duro do que o próprio decreto do Faraó. Em primeiro lugar, pois o Faraó havia feito um decreto que atingia apenas os homens, mas Amram havia decretado algo que afetava tanto os homens quanto as mulheres. Além disso, o Faraó havia decretado a morte dos judeus apenas no Olam Hazé (mundo material), enquanto Amram havia decretado a morte dos judeus no Olam Hazé e no Olam Habá (Mundo Vindouro), pois a única maneira de chegar ao Olam Habá é passando pelo Olam Hazé.

A grandeza de Amram foi demonstrada através de sua enorme humildade. Mesmo que o conselho vinha de uma criança, de sua própria filha, ele percebeu que ela tinha razão e se arrependeu de seu erro, imediatamente casando-se novamente com sua esposa. É justamente sobre este novo casamento de Amram e Yocheved que descreve o versículo antes do nascimento de Moshé. Mas o que Miriam havia entendido que até mesmo Amram, o líder do povo judeu, não havia? De acordo com a lógica humana, Amram parecia estar certo. Os judeus já estavam há quase dois séculos imersos em terríveis sofrimentos, então por que ter filhos em um mundo tão cruel, sem esperanças de melhorias? Afinal, qual foi o erro de Amram?

O Tanach traz outro grande Tzadik que cometeu um erro parecido. O Rei Chizkiahu ficou doente e sentiu que suas forças diminuíam a cada dia. Ele recebeu a visita do profeta Yeshaiahu, que vinha trazer uma mensagem de D'us: a morte do rei se aproximava, e ele também perderia o Mundo Vindouro. Mas o Rei Chizkiahu era uma pessoa muito correta e não entendeu porque merecia um castigo assim tão duro. O profeta explicou que Chizkiahu estava sendo punido por nunca ter se casado. Porém, Chizkiahu explicou que havia um forte motivo para esta sua decisão. Ele sabia profeticamente que seu filho seria uma grande Rashá (malvado), e por isso quis evitar a vinda de alguém tão ruim ao mundo. O profeta explicou para ele que, a partir do momento em que D'us havia dado aos seres humanos a Mitzvá de "Pru Urvu" (crescer e multiplicar), não temos o direito de fazer cálculos sobre as consequências desta Mitzvá. Chizkiahu entendeu seu erro, escutou as palavras do profeta e se arrependeu de uma maneira tão sincera que D'us o perdoou e lhe acrescentou ainda muitos anos de vida.

Explica o Chafetz Chaim que muitas pessoas em nossa história, mesmo sendo Tzadikim e grandes em Torá, acabaram cometendo este tipo de erro. Os casos de Amram e Chizkiahu nos ensinam algo muito importante em relação ao ser humano e suas obrigações. Não temos a permissão de querer analisar tudo o que ocorre de acordo com a nossa lógica e entendimento, e direcionar nossas vidas de acordo com os nossos sentimentos. Mesmo quando queremos fazer "melhor do que D'us pediu", isto é, mesmo quando somos sinceros e realmente queremos fazer o que é correto de acordo com o nosso entendimento, mesmo assim devemos sempre lembrar o quanto somos limitados, pois o ser humano somente consegue enxergar as consequências dos seus atos a curto prazo, enquanto D'us consegue enxergar tudo a longo prazo. Quando D'us nos comanda algo, não há lugar para questionamentos nem cálculos racionais.

Dizemos todos os dias na nossa reza da manhã: "Muitos são os pensamentos no coração do ser humano, mas é a vontade de D'us que sempre se cumpre", e a Torá nos traz muitos exemplos práticos deste conceito espiritual. O Faraó decretou que todos os bebês homens fossem atirados no rio, inclusive os bebês egípcios, pelo medo de que o salvador do povo judeu nasceria naquele momento. Mas foi justamente este decreto que fez com que Batia, a filha do Faraó, encontrasse Moshé dentro da cestinha e o criasse dentro do palácio real, sendo alimentado e protegido pelo mesmo Faraó que fez de tudo para exterminá-lo. Quando Yossef foi vendido pelos seus irmãos ao Egito, parecia algo terrível, uma tragédia, mas na verdade era a preparação para a salvação do povo judeu, pois Yossef conseguiu acabar com a fome que mataria sua família. Já a ida de Yaacov para o Egito, para reencontrar Yossef depois de 22 anos, parecia algo bom e feliz, mas na realidade era o início do exílio do povo judeu, a preparação para a terrível escravidão que viria. E se pararmos para refletir, perceberemos algo ainda mais incrível. Miriam e seu conselho estão por trás do próprio nascimento de Moshé, o salvador do povo judeu, o que Amram teria evitado caso não tivesse se casado novamente com Yocheved. Isso demonstra o quanto somos limitados e que apenas D'us, que controla tudo, sabe exatamente os impactos e as consequências de cada pequeno acontecimento.


A Parashá Shemot é um grande ensinamento de que os atos e artimanhas do ser humano na realidade não conseguem causar nenhum impacto real nos decretos Divinos. Como ensinam os nossos sábios: "A Teshuvá (arrependimento), a Tefilá (reza) e os atos de Tzedaká (caridade) podem mudar um Decreto Celestial". Todos os nossos outros atos são apenas para despertar a Misericórdia Divina. Quando insistimos em fazer cálculos e ir contra a vontade de D'us, não apenas não alcançamos nosso objetivo, mas também as consequências muitas vezes saem ao contrário do que planejávamos, como ocorreu com o Faraó. Isto nos ensina a cumprirmos a vontade de D'us, mesmo quando possa parecer ilógico, pois apesar dos nossos esforços, no final será a vontade Dele que se cumprirá.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

INTEIRO, E NÃO PELA METADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIECHI 5776





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INTEIRO, E NÃO PELA METADE - PARASHAT VAIECHI 5776 (25 de dezembro de 2015) 
O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) foi um dos maiores rabinos de sua geração. Ele se destacou não apenas na grandeza de seu conhecimento de Torá, mas principalmente no trabalho que ele fazia, consigo mesmo e com seus alunos, para atingir a excelência nos traços de caráter. Ele instituiu em sua Yeshivá (centro de estudo de Torá) que, além do estudo do Talmud, os alunos também deveriam dedicar parte do dia ao estudo de Mussar (estudo que ajuda a pessoa a se tornar um ser humano melhor). Ele incentivava mesmo seus melhores alunos, aqueles que mais se destacavam no estudo do Talmud, a também estudarem Mussar.

Certa vez, alguém que não concordava com os métodos de ensino do Rav Salanter questionou a permissão de interromper o estudo de Talmud para estudar Mussar, alegando que isso provavelmente comprometeria a grandeza no estudo de Torá dos alunos dele. O Rav Salanter respondeu que havia aprendido isto de uma Halachá (Lei Judaica) em relação às Brachót que fazemos antes de comer algo. Ao ver a expressão de dúvida no rosto da pessoa que havia questionado, o Rav Salanter explicou:

- Existe uma série de prioridades para fazermos Brachót nos alimentos. Por exemplo, quando temos uma fruta completa e outra apenas pela metade, o correto é fazer a Brachá na fruta inteira. Já quando temos uma fruta pequena e outra grande, a prioridade é fazer a Brachá na fruta grande. Porém, o que fazemos quando temos uma fruta inteira e pequena, e outra que é grande mas não está inteira? Para qual das duas damos a preferência da Brachá?

- A Halachá ensina que a preferência é dada para a fruta inteira, mesmo que seja menor - respondeu o Rav Salanter - Isto significa que é mais importante a pessoa ser menor em Torá e completa do que grande em Torá e incompleta. Por isso, aquele que estuda Torá e também trabalha em seus traços de caráter, tornando-se alguém completo, está em um nível maior do que aquele que tem mais estudo de Torá e é menos refinado em seus traços de caráter. 
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Nesta semana lemos a Parashat Vaiechi, a última Parashat do livro de Bereshit, que descreve as Brachót eternas que Yaacov deu aos seus filhos antes de sua morte. Cada um dos filhos de Yaacov recebeu uma Brachá única e especial, sob medida para seus talentos e necessidades específicas. Depois desta Brachá individual, Yaacov deu a todos uma Brachá coletiva, como está escrito: "E isto é o que falou para eles seu pai, e os abençoou. Cada um de acordo com sua Brachá ele (Yaacov) os abençoou" (Bereshit 49:28).

Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, nos chama a atenção para dois pontos interessantes neste versículo. Em primeiro lugar, se Yaacov já havia abençoado cada um dos seus filhos individualmente, por que precisou dar uma nova Brachá? Além disso, há um aparente erro de concordância neste versículo, pois deveria estar escrito "cada um de acordo com sua Brachá ele o abençoou". Mas por algum motivo o versículo termina no plural, "os abençoou". O que a Torá está nos ensinando ao mudar a concordância do versículo?

Explica Rashi que a Brachá individual que Yaacov deu para cada um de seus filhos não se aplicava aos outros. Por exemplo, Yehudá foi abençoado com a força de um leão, enquanto Biniamin foi abençoado com a capacidade de pilhagem do lobo. Portanto, Biniamin não teria a força do leão nem Yehudá teria a capacidade de pilhagem do lobo. O versículo diz que Yaacov deu uma nova Brachá aos seus filhos, e termina com o plural "os abençoou", para nos ensinar que, além da Brachá específica para cada um de seus filhos, Yaacov deu uma Brachá coletiva que incluía cada filhos nas Brachót dos outros filhos. Isto quer dizer que, com a Brachá coletiva de Yaacov, Biniamin também recebeu a força do leão e Yehudá também recebeu a capacidade de pilhagem do lobo. Porém, esta explicação de Rashi desperta outro questionamento. Se nesta Brachá coletiva Yaacov abençoou todos os filhos com todas as Brachót, então por que ele deu Brachót individuais? Não seria suficiente dar apenas as Brachót de forma coletiva, já incluindo todos os filhos em todas as Brachót?

Responde o Rav Yehuda Loew zt"l (Polônia, 1525 - República Checa, 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, que apesar de cada filho também ter recebido as Brachót dos outros irmãos, isto não os igualou completamente, pois aquele que recebia a Brachá individualmente a recebia de maneira mais forte, enquanto os outros irmãos recebiam apenas parte daquela Brachá. Isto quer dizer que cada um dos irmãos recebeu apenas um aspecto da Brachá dada de forma específica aos outros irmãos. Por exemplo, Yehudá recebeu o maior nível de bravura e coragem, representado pela força do leão, enquanto seus irmãos receberam apenas certos elementos do traço de caráter da bravura, mas não a força completa. E assim foi com cada uma das Brachót.
Porém, ainda não fica claro qual foi o motivo de Yaacov ter dado para cada filho, além da Brachá específica, também alguns elementos da Brachá dada especificamente aos outros irmãos. Cada um não deveria ter ficado apenas com a sua Brachá específica, que ia de acordo com seus talentos e necessidades pessoais?

Explica o Rav Yehonasan Gefen que todos têm áreas na vida na qual se destacam. Porém, o ideal é a pessoa se esforçar para ser "completa", isto é, ela pode até mesmo se especializar em certa área, mas isto não a isenta de também buscar o aperfeiçoamento em outras áreas, mesmo naquelas que não são tão naturais para ela. Isto se aplica para várias áreas, tanto para o objetivo de vida da pessoa quanto para seus traços de caráter e seu estudo de Torá.

Em relação ao objetivo de vida, há muitas funções que devemos desempenhar. Por exemplo, devemos ser pais, cônjuges, amigos, professores, filhos, etc. Ao querer dar uma atenção especial a certa área, como a educação dos filhos, a pessoa pode acabar se desequilibrando. A educação dos filhos é realmente algo muito importante, fundamental para criarmos uma sociedade saudável, mas a pessoa não pode focar demasiadamente nesta área, pois isto ocorrerá à custa de outras áreas importantes da vida. É de vital importância que a pessoa se dedique para ser um bom pai, mas se é apenas isto que ela faz o tempo inteiro, outras funções na sua vida serão prejudicadas. O segredo do sucesso é o equilíbrio entre o trabalho, o tempo com a família, o estudo de Torá, os atos de Chessed (bondade) e as outras funções que um judeu deve cumprir. Um bom indicador de que uma área está superdimensionada é quando as outras áreas começam a demonstrar sinais de carência. Se a pessoa passa demasiadamente tempo com a família e por isso não consegue estabelecer tempos fixos de estudo de Torá, ou se passa tempo demais no trabalho e por isso não consegue dar atenção para a esposa e os filhos, então é sinal de que há algo errado.

Esta necessidade de sermos "completos" também se aplica na área dos nossos traços de caráter. As pessoas normalmente apresentam certas tendências naturais, como aquelas com mais propensão a fazer bondades e aquelas com mais propensão a buscar justiça. A tendência natural é focarmos nosso tempo e nossa energia nestes traços de caráter, em detrimentos de outras características. Por exemplo, uma pessoa que naturalmente faz Chessed pode passar horas ajudando outras pessoas, mas não dedica nem mesmo um minuto para melhorar sua autodisciplina. É natural e correto uma pessoa focar suas forças no que ela já tem um gosto ou uma facilidade natural, pois é certamente uma área onde ela terá mais chances de ter sucesso. Porém, grande parte da recompensa pelo crescimento de uma pessoa vem das conquistas em áreas que não são naturalmente fáceis para ela.

Uma demonstração do quanto isto é importante é observado em relação aos nossos patriarcas. Eles enfrentaram seus maiores testes na vida justamente nas áreas que eram opostas aos seus traços de caráter naturais. Por exemplo, Avraham chegou à excelência no traço de caráter de bondade e misericórdia, e enfrentou o incrível teste da "Akeidat Ytzchak", tendo que vencer sua característica de misericórdia e estar disposto a sacrificar seu próprio filho para cumprir a vontade de D'us. Já o maior desafio de Yaacov, que representa a característica da verdade, foi ter que enganar Reshaim (más pessoas) utilizando a característica da mentira, o oposto do traço de caráter da verdade.

O equilíbrio também é necessário na área do estudo da Torá, como ensinam nossos sábios: "Se não tem Torá, não tem "Derech Eretz" (bons modos). E se não tem Derech Eretz, não tem Torá" (Pirkei Avót 3:17). O Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) explica que estes dois aspectos, o estudo da Torá e o Derech Eretz, se complementam. Isto quer dizer que a pessoa não pode focar em demasia no seu estudo de Torá sem dar nenhuma ênfase ao conserto dos seus traços de caráter. E, da mesma maneira, não é possível que a pessoa conserte com sucesso seus traços de caráter sem estudar Torá, pois a Torá é o "Manual de Instruções" de como nos comportarmos em todas as áreas da vida.

É possível aprender muitas lições com as Brachót que Yaacov deu para cada um dos seus filhos. Mas uma das lições mais importantes é que, apesar de ser algo positivo a pessoa se especializar no que ela gosta e tem habilidades naturais, também temos a obrigação de sermos "completos", e isto inclui o esforço para conquistar as áreas que não sentimos uma facilidade ou um gosto natural por elas. Isto se assemelha a uma academia de ginástica, pois normalmente gostamos de fazer apenas os exercícios que são mais fáceis ou mais prazerosos. Porém, o correto é trabalhar todos os músculos, pois o corpo só funciona de maneira perfeita quando todas as suas partes foram devidamente trabalhadas. Assim também ocorre espiritualmente, o ideal é trabalharmos em todas as áreas, não apenas nas que são mais fáceis ou gostosas, mas também naquelas que são mais difíceis ou não nos agradam tanto.

Certamente trabalhar em áreas que não gostamos é uma tarefa difícil. Muitas vezes D'us nos manda testes para que possamos desenvolver estas áreas, como aconteceu com os patriarcas. Mas não precisamos esperar os testes, pois Yaacov abençoou seus filhos e seus descendentes justamente com a força necessária para que, com o devido esforço, consigamos atingir o objetivo de nos tornarmos seres humanos completos.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

GOTAS DE ÓLEO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIGASH 5776





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GOTAS DE ÓLEO - PARASHAT VAIGASH 5776 (18 de dezembro de 2015) 
Num quarto de hospital, o doente precisava de silêncio e descanso. Mas as dobradiças da porta rangiam cada vez que alguém abria e fechava a porta. O barulho incomodava o doente, e até os familiares que estavam no quarto começaram a se irritar. Cada vez que entrava ou saia um médico, um enfermeiro ou uma visita, a porta fazia um irritante barulho.

As reações foram as mais diversas. Um quis dar explicações técnicas do porquê a porta rangia. Outro preferiu explicar os motivos pelos quais ele achava que a culpa do barulho era do hospital. O terceiro achou que não tinha nada a ver com o problema. Depois de várias horas de incômodo, chegou alguém para visitar o doente. Ao escutar o rangido, ele colocou algumas gotas de óleo na dobradiça e a porta silenciou, tranquila e obediente.

A lição é simples, mas importante. Em muitas ocasiões há discussões dentro dos nossos lares, no ambiente de trabalho ou em qualquer outro ambiente social. São as dobradiças dos relacionamentos fazendo um barulho inconveniente. São problemas, conflitos e mágoas que ficaram. Na maioria dos casos nós podemos fazer a nossa parte para acabar com as discórdias, basta nos lembrar do recurso infalível de algumas gotas de compreensão, e toda a situação muda. Algumas gotas de perdão acabam de imediato com o chiado das discussões mais acaloradas. Gotas de paciência no momento oportuno podem evitar grandes dissabores. Poucas gotas de carinho penetram até nas barreiras mais sólidas e produzem efeitos duradouros. Nas relações interpessoais, algumas gotas de afeição são suficientes para lubrificar as engrenagens e evitar os ruídos da discórdia e da intolerância.

Dessa forma, sempre que você perceber que as dobradiças dos relacionamentos estão fazendo um barulho inconveniente, não espere que os outros venham solucionar o problema. Lembre-se que você poderá silenciar qualquer discórdia utilizando um pouco do óleo do entendimento. Não é necessário ter grandes virtudes para alcançar o sucesso nessa empreitada, basta agir com sabedoria e bom senso. Às vezes são necessárias apenas algumas gotas de silêncio para conter o ruído desagradável de uma discussão infeliz. E se você é daqueles que pensa que os pequenos gestos nada significam, lembre-se de que as grandes montanhas são constituídas de pequenos grãos de areia. 
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Nesta semana lemos a Parashat Vaigash, que descreve o momento em que Yossef não aguentou mais esconder sua identidade e se revelou aos seus irmãos. Yossef instruiu seus irmãos a voltarem para Eretz Israel para buscarem suas famílias e seu pai, Yaacov, para que todos viessem morar no Egito e sobrevivessem à terrível fome que assolava o mundo. A Parashat ainda descreve o emocionante momento do reencontro entre Yossef e seu pai, depois de terem permanecido 22 anos afastados.

Quando os irmãos estavam se preparando para voltar e buscar suas famílias, Yossef deu um estranho conselho para eles: "E ele (Yossef) disse para eles: "Não se agitem no caminho" (Bereshit 45:24). O que Yossef quis dizer com estas palavras? Que tipo de conselho ele estava dando aos irmãos?

Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, traz três opiniões para explicar qual foi o conselho de Yossef. Citando o Talmud (Taanit 10b), ele ensina que percursos muito longos podem se tornar perigosos caso a pessoa não seja paciente e não tome os devidos cuidados. Por exemplo, a pessoa ansiosa pode querer viajar rápido demais ou continuar a viagem mesmo durante a noite. Yossef estava prevenindo seus irmãos que, em sua pressa de voltar para casa, eles precisavam tomar cuidado para não viajar de uma maneira que os colocasse em risco. De acordo com outra opinião, também baseada no Talmud (Taanit 10b), Yossef estava ensinando aos irmãos a não se envolverem em discussões de Halachá (Lei Judaica), para que o assunto não se tornasse tão envolvente a ponto deles errarem o caminho. E uma terceira opinião de Rashi vai de acordo com o entendimento mais simples do versículo, de que Yossef estava tentando evitar que seus irmãos entrassem em uma discussão acalorada, jogando uns nos outros a responsabilidade por sua venda, e por isso os advertiu para que não entrassem em nenhum tipo de discussão.

Ao refletir sobre estas três opiniões trazidas por Rashi, surge um questionamento. É entendível que depois da revelação de Yossef era importante advertir os irmãos a viajarem de uma maneira mais segura, pois a empolgação de voltar para casa com as novidades poderia fazer com que eles se comportassem de maneira descuidada. Também é compreensível que Yossef estivesse preocupado com o surgimento de uma briga entre os irmãos, pois depois de se reencontrarem com Yossef, seria natural um querer jogar a culpa no outro. Porém, o terceiro motivo, de que Yossef estava preocupado que seus irmãos poderiam se envolver em discussões de Halachá a ponto de errarem o caminho, não é facilmente entendido. Na Torá não há nenhuma proibição de se envolver com o estudo da Torá durante uma viagem. Ao contrário, a Torá nos comanda a estudarmos mesmo quando estamos viajando, como está escrito: "E falará delas quando se sentar na sua casa e quando estiver andando no caminho" (Devarim 6:7). Além disso, há um Midrash (parte da Torá Oral) que afirma que Yossef insistiu aos irmãos para que eles não deixassem de estudar Torá durante o caminho, algo que aparentemente é muito contraditório com a explicação dada pelo Talmud. Como entender esta contradição?

Explica o Rav Yohanan Zweig que é muito comum, por algum desentendimento, que uma pessoa acabe guardando profundo rancor em relação à outra pessoa, mas que consiga socialmente se comportar de maneira civilizada. Porém, se surgir entre elas uma nova disputa, mesmo que não tenha absolutamente nenhuma conexão com o desentendimento anterior, ela será utilizada como veículo para descarregar a raiva que estava contida. Isto pode acontecer inclusive quando a questão utilizada como veículo para descarregar a raiva for algo de natureza espiritual. Por exemplo, uma discussão acalorada entre duas pessoas em relação à Halachá (Lei Judaica) pode esconder uma disputa anterior, alguma mágoa pendente. E por se tratar de algo espiritual, a pessoa se sente à vontade de entrar em uma discussão muito mais acalorada, pois como sente que está brigando "em nome da verdade", acredita que não tem limites.

Parece exagero, mais foi exatamente o que aconteceu com Cain e Hevel (Abel). O versículo que descreve o assassinato de Hevel é um pouco enigmático: "E Cain falou com o seu irmão Hevel, e enquanto eles estavam no campo, Cain se levantou contra o seu irmão Hevel e o matou" (
Bereshit 4:8). Mas afinal, o que eles conversaram? E qual a relação entre esta conversa e o posterior assassinato?

Explicam os nossos sábios que Cain e Hevel entraram em uma profunda discussão filosófica: será que D'us tem controle sobre tudo o que ocorre no mundo ou Ele tem apenas um controle limitado? Hevel defendia a visão óbvia de que D'us controla tudo com Supervisão Particular, enquanto Cain defendia a visão equivocada de que D'us tem apenas um controle limitado. A discussão filosófica foi ficando cada vez mais acalorada até que Cain, no auge da discussão, se levantou e matou seu irmão.

Porém, se a conversa entre eles foi algo tão importante, uma discussão filosófica tão fundamental, por que a Torá não escreveu explicitamente o teor da conversa? Explicam os nossos sábios que Cain foi o primeiro a ter a ideia de fazer oferendas para D'us. Mas Cain não se esforçou em oferecer do melhor que tinha, e por isso sua oferenda não foi aceita por D'us. Hevel gostou da ideia de seu irmão e também fez uma oferenda para D'us, mas com o melhor do que tinha, e por isso sua oferenda foi aceita. Cain ficou profundamente decepcionado com o fato da oferenda de seu irmão ter sido aceita enquanto a sua ter sido recusada. Este rancor ficou em seu coração, e ele procurou apenas uma desculpa para poder se levantar contra seu irmão. Por isso a Torá nem mesmo registrou qual foi o assunto da discussão, pois na realidade o assunto era irrelevante, era apenas uma desculpa para Cain descarregar a sua raiva.

Com este conceito conseguimos entender as palavras de Yossef para os seus irmãos. Ele estava ciente de que seus irmãos haviam guardado rancor uns dos outros por causa da sua venda, mas mesmo assim eles conseguiam se comportar com respeito entre eles. Porém, Yossef teve medo que se eles entrassem em algum outro tipo de discussão, mesmo que fosse sobre algo espiritual, isto seria apenas um veículo para descarregar os rancores antigos e uma desculpa para jogar a culpa uns sobre os outros. A possibilidade disto acontecer era algo que preocupava muito Yossef, pois poderia se tornar uma discussão tão acalorada que os faria se perder no caminho, colocando suas vidas em perigo.

O Talmud está nos ensinando que Yossef não estava instruindo seus irmãos a não estudarem Torá no caminho, ao contrário, estava incentivando-os a estudar, mas ele os advertiu para que não fugissem do foco verdadeiro do estudo, para que não acabassem caindo na armadilha de utilizar o estudo da Torá apenas como um veículo para descarregar nos outros suas frustrações.
Deste ensinamento da Parashat aprendemos algo precioso para nossas vidas, que pode nos salvar de discussões. Muitas vezes entramos em discussões com pessoas que nos fazem questionamentos, pois queremos provar que estamos com a razão. Porém, aprendemos que nem sempre os questionamentos são para tirar dúvidas, algumas vezes são apenas uma forma de ataque, uma desculpa que a pessoa está utilizando para resolver outras mágoas. Precisamos ter a sensibilidade de perceber a diferença entre um questionamento e um ataque. Pois para acabar com um questionamento, nada como uma boa resposta. Mas para acabar com um ataque, que pode estar escondendo alguma mágoa, nada melhor que uma boa conversa. Pois não apenas as dobradiças das portas rangem, algumas vezes as pessoas também rangem, e ao invés de tentar consertar com explicações técnicas, nada como um pouco do óleo do entendimento.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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