quinta-feira, 8 de outubro de 2015

PRIORIDADES CORRETAS NA VIDA E NA MORTE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BERESHIT 5776

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

PRIORIDADES CORRETAS NA VIDA E NA MORTE - PARASHAT BERESHIT 5776 (09 de outubro de 2015) 

"Um homem muito sábio chegou aos arredores de certa aldeia e, como o sol já estava quase se pondo, deitou-se para dormir sob uma árvore. De repente, chegou correndo um habitante daquela aldeia e disse, quase sem fôlego:
 
- A pedra! Eu quero aquela pedra! 
 
- Mas de que pedra você está falando? - perguntou-lhe o sábio, um pouco assustado.
 
- Ontem à noite eu tive um sonho, e vi que nos arredores da minha aldeia, exatamente no pôr do sol, estava um homem deitado sob uma grande árvore, e ele me dava uma pedra preciosa muito grande, que me faria rico para o resto da vida. E agora eu me lembro que o homem do meu sonho tinha exatamente o seu rosto. Me dê a pedra já!

O sábio abriu o pacote que trazia e tirou de dentro dela uma pedra. Estendeu ao homem e disse: 
 
- É esta a pedra a qual você se refere? Encontrei-a numa trilha da floresta, alguns dias atrás. Parece ser realmente muito valiosa. Mas não vou brigar por ela, você pode levá-la.
 
O homem da aldeia olhou maravilhado para a pedra. Era um diamante, o maior que já tinha visto na vida. Pegou o diamante e foi embora. Porém, de noite, ele virava de um lado para o outro na cama, sem conseguir dormir. Quando o dia clareou, foi novamente ver o sábio. Despertou-o e pediu:
 
- Por favor, eu não quero o diamante. Eu quero que você me dê desta riqueza verdadeira, que lhe tornou possível desfazer-se de um diamante tão valioso assim com tanta facilidade..." 
 
Quem tem claridade sobre a vida, e sobre o que vem depois da vida, sabe o que deve priorizar: não os bens materiais, e sim as aquisições espirituais. 

**************************************************** 

Nesta semana recomeçamos a leitura da Torá com o primeiro livro, Bereshit, que descreve a criação do mundo e as primeiras gerações da humanidade. A Parashat desta semana, Bereshit, descreve a criação do primeiro ser humano, Adam Harishon, que logo após sua criação recebeu de D'us uma advertência: "Mas da Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal não coma dela, pois no dia em que você comer dela, certamente morrerá" (Bereshit 2:17). Explica o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) que a morte mencionada no versículo não se refere à morte imediata de Adam, e sim à perda de seu status imortal. Não apenas ele virou um ser mortal após comer do fruto proibido, mas também todos os seus descendentes se tornaram mortais.
 
Porém, aparentemente o castigo recebido por Adam Harishon parece ser desproporcional ao seu erro. Quando pensamos na nossa morte ou na morte de um ente querido, normalmente ficamos tristes e depressivos. Frequentemente bloqueamos este tipo de pensamento por causa dos sentimentos negativos que ele nos causa. D'us ter infligido um castigo tão duro transmite o conceito de um Criador vingativo e punitivo, bem diferente do conceito judaico de um D'us misericordioso que criou o mundo por amor e bondade. Então como entender o castigo de Adam? Será que há alguma maneira de ver a morte de uma maneira mais positiva?
 
Além disso, os povos do mundo demonstram um grande respeito aos mortos no momento do sepultamento. Pessoas com mais possibilidades financeiras costumam comprar caixões chiques, de madeira nobre e alta durabilidade. Isto traz um pouco de consolo para os parentes e amigos enlutados, pois é uma tentativa de retardar a decomposição do corpo do falecido. Porém, é estranho observar que a Halachá (Lei Judaica) nos ordena fazer justamente o contrário, isto é, enterrar nossos mortos em caixões que se decomponham com facilidade. E é ainda mais difícil entender o costume praticado em Israel de não utilizar caixões, sendo o corpo colocado diretamente na terra, envolto apenas por uma mortalha. Isto não é uma desonra para o corpo? Será que a Halachá não é insensível com o sentimento dos enlutados?
 
Outro grande questionamento surge quando observamos as palavras de um Midrash (parte da Torá Oral), que afirma que D'us já havia criado o potencial de morte antes mesmo do erro de Adam Harishon. Quando D'us terminou a criação do mundo está escrito: "E viu D'us tudo o que Ele fez, e eis que era muito bom" (Bereshit 1:31). O Midrash explica que "bom" se refere ao potencial de vida, e "muito bom" se refere ao potencial de morte. Como pode ser que a Torá se refere à vida como sendo algo "bom", mas à morte como sendo algo "muito bom"?
Finalmente, quando a Parashá descreve a criação de Adam Harishon, está escrito: "D'us formou o homem do pó da terra" (Bereshit 2:7). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que D'us reuniu o pó dos quatro cantos do mundo para garantir que, em qualquer lugar que o ser humano for enterrado, a terra de lá absorverá seus restos mortais. Mas o que significa esta explicação de Rashi? Aparentemente ele quis dizer que se o ser humano não tivesse sido criado a partir do pó dos quatro cantos do mundo, seu corpo poderia ser "rejeitado" pela terra após a sua morte. Mas sabemos que todas as criaturas vivas se decompõem no solo após a morte, por causa da interação do solo com a matéria orgânica, independente de terem sido criadas a partir do pó dos quatro cantos do mundo ou não. Então por que Rashi aparentemente associa o fato do ser humano ter sido criado com o pó dos quatro cantos do mundo com a sua decomposição depois da morte?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está em um incrível ensinamento do Talmud (Sanhedrin 90b), que descreve uma conversa entre o Rabi Meir e Cleópatra, a rainha do Egito. Ela questionou o Rabi Meir se, quando chegar o momento da ressurreição dos mortos, o ser humano emergirá da terra nu ou vestido. O Rabi Meir respondeu que se até mesmo uma simples semente de trigo plantada "nua" na terra brota revestida por várias camadas de casca, assim também o ser humano certamente emergirá da terra bem vestido.
 
O que parece uma simples analogia do Rabi Meir na verdade nos ensina a visão judaica sobre o enterro de um falecido. O propósito do sepultamento não é descartar de forma desonrosa o corpo, ao contrário, o enterro é o início de um processo de recriação. Da mesma maneira que a semente floresce depois de ter sido enterrada, o sepultamento de um corpo reconecta o ser humano à sua fonte, permitindo que ele possa ser recriado e possa emergir da terra de uma forma aperfeiçoada, cada um de acordo com os atos praticados enquanto ele ainda estava vivo.
 
É sabido que nem toda semente pode ser plantada em qualquer solo, pois há solos mais e menos propícios para o desenvolvimento de uma planta. Foi por isso que D'us criou o ser humano com o pó dos quatro cantos do mundo, para garantir que o "plantio" deste corpo depois do seu enterro não seria inibido pelo solo do lugar de sepultamento. O enterro não é somente um processo de decomposição e desintegração do corpo. É um processo que permite que o corpo aperfeiçoado possa renascer e "brotar", pronto para receber de volta sua alma no momento da ressurreição. A palavra em hebraico para túmulo é "Kever", a mesma palavra utilizada pelo Talmud para se referir ao útero. Da mesma maneira que o útero é o local de desenvolvimento da vida, de preparação do feto para o momento de nascer, assim também o túmulo é o local de preparação e desenvolvimento do nosso corpo para a vida eterna.
 
Adam Harishon foi criado com seu corpo e alma perfeitos, permitindo a ele experimentar um inigualável nível de relacionamento com D'us. Mas sua transgressão o distanciou do Criador e introduziu imperfeição em seu corpo e em sua alma. Portanto, a morte não foi um ato punitivo de um D'us vingativo, ao contrário, foi um processo através do qual Adam Harishon e seus descendentes poderiam mais uma vez se reconectar ao seu Criador e remover todas as imperfeições que impediam um relacionamento completo com Ele. Permitir ao ser humano se reconectar, mesmo após o erro de Adam Harishon, foi uma bondade sem limites. Por isso D'us viu que o processo de morte era algo "muito bom", pois permite que nossa alma e nosso corpo se reconectem a Ele.
 
Como muitos veem a morte como o último estágio da vida, eles se esforçam na preservação do corpo, tentando deste modo manter os últimos vestígios da existência de seu ente querido. A Halachá nos ensina justamente o contrário, pois o sepultamento é o processo através do qual nós recriamos nosso corpo, livrando-o de suas impurezas. Preservar o corpo em seu estado atual nos privaria de um dos maiores atos de bondade de D'us. Longe de ser um desrespeito com o corpo e uma falta de sensibilidade com os familiares, a Halachá traz uma forte mensagem de consolo e esperança, através da certeza de que aquele momento doloroso não é o final de nada, é apenas o começo da preparação para a nossa vida verdadeira.
 
Entender a morte não nos traz apenas consolo. Entender a morte nos ajuda a aproveitar melhor a vida, nos ajuda a definir o que é o principal e o que é secundário, nos ajuda a planejar melhor onde devemos colocar nossos esforços e onde devemos saber abrir mão. Pessoas brigam ou se tornam desonestas por causa de dinheiro e bens materiais, coisas que não serão levadas conosco quando nossa existência neste mundo terminar. Somente os nossos bons atos, as nossas Mitzvót e o refinamento do nosso caráter nos acompanharão para sempre e ajudarão a reconstruir o nosso corpo, aperfeiçoado, para a nossa vida verdadeira, a vida eterna.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

                   São Paulo: 17h48  Rio de Janeiro: 17h34                     Belo Horizonte: 17h35  Jerusalém: 17h39
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel, Malaka bat Chalom, Ita bat Avraham, Meir ben Avraham, Miriam bat Iechiel, Avraham ben Meir, Shirley Mary bat Avraham Israel.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2014 All rights reserved.

Our mailing address is:
efraimbirbojm@gmail.com

unsubscribe from this list    update subscription preferences 






This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

A ALEGRIA DA TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - SHEMINI ATSERET, VEZÓT HABRACHÁ E SIMCHÁ TORÁ 5776

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

A ALEGRIA DA TORÁ - SHEMINI ATSERET, VEZÓT HABRACHÁ E SIMCHAT TORÁ 5776 (02 de outubro de 2015)

Você já se perguntou o que aconteceria se tratássemos a Torá como tratamos o nosso celular?

Se a carregássemos o dia inteiro em nossas bolsas ou bolsos?
Se abríssemos para dar uma olhada várias vezes ao dia, o dia inteiro?
Se fosse a última coisa que checamos antes de dormir?
Se voltássemos para buscá-la quando percebemos que a esquecemos em casa?
Se a usássemos para receber mensagens?
Se a tratássemos como se não pudéssemos mais viver nem um único dia sem ela?
Se a déssemos como um presente especial aos nossos filhos?
Se sempre a levássemos, e usássemos, quando viajamos?
Se sempre pensássemos em usa-la em caso de emergência?
 
Porém, diferente do nosso telefone celular, não precisaríamos nos preocupar com a Torá, pois ela nunca se desconecta, numa fica fora de serviço e nunca fica sem bateria. E o melhor de tudo é que com a Torá nunca há nenhuma chamada perdida...
 
Esta reflexão nos ajuda a pensar: onde estão as nossas prioridades? 

************************************************** 

Este Shabat coincide com a festa de Sucót, e por isso não é lida a Parashat semanal, e sim um trecho especial relacionado com Sucót. E no Domingo de noite (04 de outubro) começa a festa de Shemini Atseret, que apesar de vir logo após Sucót, é uma festa independente, que representa o imenso amor que D'us sente pelo povo judeu. Este amor pode ser percebido através de um detalhe interessante: durante os 7 dias de Sucót eram oferecidos 70 Korbanót (sacrifícios), enquanto em Shemini Atseret apenas um Korban era oferecido. Por que esta diferença tão gritante?
 
O Rav Yaacov Kranz zt"l (Bielorrúsia, 1740 - Polônia, 1804), mais conhecido como Maguid MiDuvno, responde utilizando um Mashal (parábola). Ele explica que a diferença entre os Korbanót se compara a um homem muito rico, com muitos enteados e filhos, que precisou fazer uma longa viagem. Durante o tempo em que esteve longe, ele fez questão de comprar muitos presentes. Mas quando voltou para casa, deu aos seus enteados muitos presentes, enquanto para seus próprios filhos ele deu apenas algumas lembrancinhas. Quando questionado sobre sua atitude, ele explicou que para deixar seus enteados felizes era necessário muitos presentes, mas seus filhos já estavam tão felizes com a sua volta que não era necessário mais do que algumas lembrancinhas para alegrá-los. O mesmo conceito de aplica em relação aos Korbanót. Durante Sucót, os Korbanót eram oferecidos em nome de todas as nações do mundo, não apenas em nome do povo judeu, como se fosse uma grande confraternização universal. Mas em Shemini Atseret é como se D'us pedisse mais um dia de festa, mas desta vez a sós com o povo judeu. Para o povo judeu a felicidade da proximidade de D'us já é algo tão grande e especial que não é mais necessário uma grande quantidade de Korbanót para nos alegrar.
 
E foi justamente por causa desta alegria de nos sentirmos próximos de D'us que nossos sábios fixaram a festa de Simchá Torá junto com Shemini Atseret (fora de Israel, que são dois dias de festa, Simchá Torá é comemorada apenas no 2º dia). Em Simchá Torá foi fixado o término do ciclo de leitura da Torá, sendo lida a última Parashat, Vezót HaBrachá, que traz as Brachót (Bençãos) dadas por Moshé para cada uma das tribos de Israel antes de sua morte. Imediatamente após o termino da Torá nós a recomeçamos, lendo os versículos iniciais da Parashat Bereshit, que descrevem a criação do mundo.
 
Em Simchá Torá comemoramos por termos completado um ciclo completo de leitura da Torá e pelo seu recomeço. Costumamos cantar e dançar abraçados com o Sefer Torá, expressando nossa alegria por termos recebido de D'us a Torá e pela oportunidade de podermos estudar e aprender seus incríveis ensinamentos. Damos sete voltas em torno da "Bimá", o lugar onde o Sefer Torá é lido, que normalmente fica bem no centro da sinagoga. Assim demonstramos que a Torá está no centro das nossas vidas.
Mas não é apenas de hoje que a Torá está no centro de nossas vidas. Desde quando estávamos no deserto, o povo viajava de maneira organizada, dividido em tribos, e o Mishkan (Templo Móvel) viajava no centro. No Mishkan havia o "Aron Hakodesh", a Arca Sagrada na qual estavam guardadas as Tábuas com os 10 Mandamentos entregues por D'us ao povo judeu no Monte Sinai. Além do Aron Hakodesh, no Mishkan havia alguns outros utensílios, como a "Menorá" de ouro, a "Shulchan" (mesa de ouro, onde eram colocadas 12 Chalót de oferenda para D'us) e o "Ktoret" (altar onde eram oferecidos incensos).
 
Porém, há diferenças interessantes entre o Aron Hakodesh e os outros utensílios, que nos ensinam importantes lições sobre o nosso relacionamento com a Torá. Por exemplo, na construção da Shulchan está escrito: "E você deve fazer uma mesa" (Shemot 25:23), e na construção da Menorá está escrito: "E você deve fazer a Menorá de ouro puro" (Shemot 25:31). Mas em relação ao Aron Hakodesh há uma mudança na linguagem: "E eles devem fazer a Arca" (Shemot 25:10). Enquanto o comando da construção dos outros utensílios foi dirigido diretamente a Moshé, aparentemente o comando da construção do Aron Hakodesh foi dirigido ao povo inteiro.
 
Havia também uma diferença no transporte dos utensílios. Durante as viagens no deserto, todas as partes do Mishkan precisavam ser carregadas. D'us ordenou que fossem feitas argolas nos utensílios, e por dentro das argolas eram passadas barras revestidas de ouro. Eram estas barras que sustentavam os utensílios do Mishkan durante seu transporte. Mas isto só ocorria quando o povo judeu viajava, pois quando o povo acampava e os utensílios repousavam, as barras eram retiradas das argolas. Porém, em relação ao Aron Hakodesh está escrito: "Nas argolas do Aron devem estar as barras, elas não devem ser removidas dali" (Shemot 25:15). Por que estas diferenças e o que elas nos ensinam?
 
Explica o Sefer HaChinuch (Mitzva 96) que o motivo desta proibição de retirar as barras do Aron Hakodesh está no fato do Aron, que continha as Tábuas com os 10 Mandamentos, representar a Torá. A Torá é o centro das nossas vidas, é o que temos de mais valioso. Nós temos a obrigação de tratar a Torá com todo o respeito e honra possíveis. Caso surgisse alguma necessidade de mover o Aron HaKodesh rapidamente, na pressa as pessoas poderiam esquecer de checar se as barras estavam bem encaixadas, causando o risco do Aron Hakodesh cair. Em uma demonstração de muito respeito, as barras do Aron Hakodesh deveriam ficar fixas o tempo inteiro nas argolas. Isto nos ensina o quanto devemos nos preocupar em respeitar e honrar a nossa Torá.
 
Além disso, ensina o Midrash (parte da Torá Oral) que quando D'us comandou ao povo inteiro a construção do Aron HaKodesh, é como se Ele estivesse dizendo para Moshé: "Os outros utensílios você construirá, mas o Aron Hakodesh deixe que o povo inteiro participe, para que todos possam ter parte no mérito da Torá". Como o Aron representa a Torá, sua construção foi dada para todo o povo, para que todos também tivessem uma parte na Torá e pudessem se dedicar ao seu estudo e aprofundamento.
 
Portanto, do Aron HaKodesh aprendemos duas lições importantes, para Simchá Torá e para nossas vidas: a primeira lição é que precisamos entender que a Torá é um presente incrível de D'us, algo de valor inestimável, mas que está ao alcance de todos. A segunda lição é que todos os nossos atos em relação à Tora devem ser de respeito e veneração. As viagens do Aron HaKodesh nos ensinam que devemos levar a Torá para todos os lugares para onde formos, porém sempre garantindo que ela será sempre querida e protegida, não importando onde estivermos e o que estivermos fazendo. A Torá não deve estar guardada apenas na sinagoga, ela deve fazer parte da nossa vida, do nosso cotidiano.
 
Em Simchá Tora temos a incrível oportunidade de dançar com o Sefer Torá. Mesmo aqueles que ainda não se dedicam ao estudo da Torá, neste dia podem ter a oportunidade de se ocupar com ela, da mesma maneira que todo o povo se ocupou com a construção do Aron Hakodesh. Abraçamos o Sefer Torá e o seguramos com carinho e respeito, demonstrando nossa alegria e nosso amor. Uma dança que durará por toda a eternidade.
 
Que Simchá Torá possa nos inspirar e nos ajudar a levar os ensinamentos da nossa sagrada Torá para o nosso cotidiano, para que possamos deixar a Torá nos transformar, a cada dia, em pessoas melhores.
 
SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH
 
Rav Efraim Birbojm 

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

                   São Paulo: 17h45  Rio de Janeiro: 17h32                     Belo Horizonte: 17h33  Jerusalém: 17h48
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir, Shimshon ben Baruch, Yafa bat Salha, Baruch ben Yaacov, Sarita bat Miriam, Michael Ezra ben Esther, Clarice Chaia bat Israel, Moshe ben Yaacov, Dov ben Michel, Alberto ben Michel, Malaka bat Chalom, Ita bat Avraham, Meir ben Avraham, Miriam bat Iechiel, Avraham ben Meir, Shirley Mary bat Avraham Israel.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2014 All rights reserved.

Our mailing address is:
efraimbirbojm@gmail.com

unsubscribe from this list    update subscription preferences 






This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

SHABAT SHALOM M@IL - MENSAGEM DE YOM KIPUR 5776 e VIDUI




ARQUIVO DO VIDUI EM PDF
ARQUIVO DO VIDUI EM PDF
BS"D

BS"D
MENSAGEM DE YOM KIPUR 5776 
Segundo o Talmud (Taanit 26b), Yom Kipur é um dos dias mais alegres para o povo judeu. Por que? De acordo com o Sefer HaChinuch (Mitzvá 185), desde a Criação do mundo D'us quis dedicar um dia para a expiação dos nossos pecados, para que as pessoas pudessem "esvaziar" as transgressões acumuladas durante todo o ano e o mundo não precisasse ser destruído. Este dia é Yom Kipur, uma oportunidade de começarmos o novo ano com nossas almas limpas e purificadas.

Mas não adianta apenas a santidade do dia de Yom Kipur, nós também devemos fazer a nossa parte, que é a Teshuvá, composta pelo arrependimento sincero, a decisão de não voltar a cometer os mesmo erros e a confissão para D'us das nossas transgressões
(segue em anexo o texto do Vidui). A junção destas duas forças, a força espiritual do dia de Yom Kipur e a força da nossa Teshuvá, tem o incrível poder de transformar os nossos erros em méritos. Yom Kipur é um dia de misericórdia, uma das maiores demonstrações do amor de D'us pelo povo judeu. Neste dia podemos abrir nossos corações e implorar para que D'us nos perdoe pelos nossos erros.

Mas não podemos nos esquecer de que não é apenas contra D'us que transgredimos durante o ano. Erramos, e muito, com as pessoas. Enganamos, não nos importamos com as dificuldades e sofrimentos dos outros, ofendemos, fizemos piadas de mau gosto. E o pior de tudo é que achamos que não foi tão grave assim. Porém, nossos sábios ensinam que, apesar da enorme força de expiação das transgressões que existe em Yom Kipur, ela somente funciona para limpar os erros que cometemos contra D'us. Os erros que cometemos contra o próximo não são perdoados por D'us até que sejamos perdoados pela pessoa com quem erramos. Por isso, a Halachá (Lei Judaica) nos ensina que é necessário apaziguar a pessoa que machucamos, prejudicamos ou magoamos através de um sincero pedido de perdão.

Portanto, gostaria de aproveitar a oportunidade para pedir perdão a qualquer um de vocês, leitores do "Shabat Shalom M@il", tanto aqueles que eu conheço pessoalmente quanto aqueles cujo meu único contato é através dos emails semanais, por qualquer atitude que possa ter ofendido ou magoado, ou por ter causado qualquer tipo de tristeza. Tanto os erros intencionais quanto os não intencionais, tanto os erros que eu me lembro quanto aqueles que eu já me esqueci, de todos eles eu me arrependo profundamente e espero que vocês me perdoem. Falta de tempo, stress e "cálculos errados" são apenas desculpas, e Yom Kipur é o momento de assumirmos nossos erros sem procurar desculpas. Eu sei que errei e peço sinceramente perdão. Se alguém tiver alguma mágoa, por favor me escreva para que eu possa pedir perdão pessoalmente.

Existe uma incrível fórmula para sermos perdoados em Yom Kipur: "Todo aquele que passa por cima da sua honra e perdoa a alguém que lhe fez mal, D'us passa por cima de todas as suas transgressões e o perdoa". Portanto, eu perdoo de todo o coração a qualquer um que possa ter feito algum mal para mim, intencionalmente ou não intencionalmente.

Que possamos ter um ano doce, com muita saúde, crescimento espiritual, paz e respeito ao próximo. Que possamos ter paz dentro do povo judeu, que possamos voltar a ser um povo unido, um povo que ama o peróximo como a sim mesmo, para que tenhamos o mérito da vinda imediata do Mashiach e possamos receber todas as Brachót que D'us, há mais de 2 mil anos, aguarda para nos mandar.

Shaná Tová e Gmar Chatimá Tová

Com carinho,

Rav Efraim Birbojm







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp